terça-feira, 20 de setembro de 2016

O QUE É A NORMALIDADE?



Palavra repetida todos os anos no início de mais um ano escolar: normalidade. "O arranque do ano lectivo fez-se dentro da maior normalidade", disse o secretário regional da Educação. Tudo certinho, tudo ou quase tudo nos seus lugares, alunos, professores e funcionários. Tudo de acordo como estado padrão imposto e em conformidade com as normas hierarquicamente definidas. Tudo ou quase tudo tranquilo, canções de embalar ao governante, professores cumpridores, toques de entrada e saída aferidas pelo relógio político, crianças receptoras e não interventoras na sua própria construção, enfim, todos iguais no rebanho quando somos todos diferentes. As comunidades são diferentes entre si, porém as escolas são todas iguais.
A diversidade que é o normal no ser humano, através da norma, conseguem enfiar um fatinho igual para todos, como se o sistema educativo fosse semelhante a uma loja de pronto-a-vestir. Talvez possa dizer de forma diferente: como se aprendizagem fosse igual a uma linha de montagem. É, por isso, que "as escolas tornaram-se, para inúmeras crianças e adolescentes, verdadeiras catedrais do tédio", alerta Ilídia Cabral, docente da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa. E isto acontece, frisou, porque se "ensina hoje como se ensinava há 200 anos". Escreveu Theodor Adorno (Sociólogo e Filósofo - 1903/1969): "Normalidade significa morte". Exacto, porque ela transmite, seja em que contexto for, uma visão errada do mundo e do ser humano. Muito mais quando assumida por políticos com responsabilidades de governação.
Será que a minha pergunta, em título, deveria ser "o que é anormalidade"? 
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

ICE disse...

Um professor para cada aluno? Paga você? E essa "dótora" que acha que não se pode ensinar como há 200 anos aprendeu segundo que modelo? E como se existisse uma escola pública nessa altura... Porque fala esta gente? Ela é que deve andar entediada com declarações desse jaez. Inenarrável.

João André Escórcio disse...

Como certamente entenderá, não se pode, no campo da saúde, por exemplo, prescrever como há duzentos anos, uma forma de tratamento para uma maleita, quando, hoje, a ciência e a tecnologia coloca-nos à disposição outras e mais recentes descobertas. Que são eficazes. O problema é esse, no campo da Educação ficámos lá bem para trás quando existem outros formatos que nos possibilitam sucesso. Investigado por tantos e aplicado em muitos países.