segunda-feira, 19 de setembro de 2016

UM CADERNO PUBLICITÁRIO CONTRANATURA

Fui lendo, pacientemente, as dezasseis páginas do caderno publicitário (incluído na edição do DN de Sábado último) da responsabilidade da secretaria regional da Educação. Números e mais números que me fizeram pensar três coisas: primeira, será que ando distraído e temos eleições para a semana? É que, normalmente, este tipo de encarte tem lugar em tempo de campanha eleitoral! Não, as eleições ainda vêm longe. Em segundo lugar, então, para quê este bombardeamento de números estatísticos à mistura com algum blá, blá, quando, qualquer pessoa atenta, grosso modo, os conhece? Finalmente, a explicação: perante tanta trapalhada que a comunicação social tem divulgado, perante um total vazio de ideias para a adequação do sistema educativo ao conhecimento que os séculos XX e XXI trouxeram, emerge, então, a necessidade deste "fogo de artifício" que espanta mas nada resolve. Os dados estatísticos existentes (incluindo aqueles que nos envergonham) dariam para encher o dobro das páginas. Só que hoje, passadas 48 horas, já ninguém se lembra do citado panfleto, porém, certo é o facto do sistema educativo continuar doente e ligado à máquina. Vegeta!


Julgo que só pode existir esta leitura. Li, no blogue "os renovadinhos", de autor não identificado, que esta iniciativa terá custado vinte mil euros. Se é esse o valor não sei. Gratuito, certamente que não foi. Lamento o gasto (não se tratou de um investimento), quando as escolas andam à míngua e quando o governo regional mantém uma indecorosa acção social educativa. Mas não é apenas isto que me choca. Pior é o vazio conceptual daquelas dezasseis páginas. Seria aceitável o investimento se trouxesse um pensamento estruturado sobre o futuro, se sentíssemos que ali estava a "ponta da meada" e que existia um sentido prospectivo cuja divulgação se justificava. Mas, nada disso, apenas a transposição da estatística pincelada a tons garridos, escondendo a que envergonha. Uma tristeza que acentua a gravidade de um dinheiro sem retorno.
Tudo isto faz parte de uma encenação. Foi o caderno, claramente, partidário, pago por todos nós e, hoje, o cortejo continua, de escola em escola, de visitas despidas de qualquer significado. O ano escolar já foi motivo de uma "cerimónia de abertura", portanto, pergunto, seja em que parte for, o que é que justifica, este rodopio dos políticos de escola em escola? Propaganda, apenas propaganda, quando há tanto a fazer por um sistema que privilegie a escola pública, direito de todos, assente na qualidade e na felicidade de toda a comunidade.
Ilustração: Google Imagens.

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