segunda-feira, 31 de outubro de 2016

FORTALEZA DE PENICHE. NÃO À DESTRUIÇÃO DA MEMÓRIA POLÍTICA.



Consta, mas nem quero acreditar, que a Fortaleza de Peniche poderá ser transformada em um espaço do sector hoteleiro. Parto do princípio que deve ser um lapso, simplesmente porque ali funcionou entre 1934 e 1974 uma prisão política, onde foram "enjaulados" muitos dos que ousaram combater o Estado Novo de António de Oliveira Salazar e, posteriormente, de Marcelo Caetano. Peniche é um marco e um símbolo dessa iníqua e selvagem perseguição aos democratas. Tal como foi, por exemplo, o Tarrafal, na antiga colónia de Cabo Verde. Centenas que por ali passaram e que tão mal foram tratados! Centenas que ali ficaram anos, depois de meses de torturas inconcebíveis perpetradas pelos funcionários da PIDE/DGS. A Fortaleza de Peniche é um símbolo da luta anti-fascista cuja memória não pode ser apagada. Pelo contrário, deve constituir um espaço de visita e de transmissão dos princípios e valores que animaram tantos homens e mulheres para que o regime de então fosse deposto e vingasse a Democracia. Peniche é memória, representa uma cultura política bárbara e ignorante, que dominou Portugal durante quase meio século. Peniche deve manter os traços arquitectónicos de então, deve ser um centro da perversidade da nossa História política e nunca mais um local de hotelaria. Apagar a memória constitui um desrespeito, total, pelo nosso povo, em geral, e, em particular, por todos quantos, sofrendo, lutaram pela LIBERDADE e pela DEMOCRACIA.
Ilustração: Google Imagens. 

sábado, 29 de outubro de 2016

O PESO DE UMA FALSA LICENCIATURA


Os últimos anos têm sido preocupantes no que concerne ao conhecimento público de "falsas" licenciaturas e mestrados. Sinais dos tempos em que parece, pelo menos para alguns, valer a pena correr o risco. A verdade, porém, é que "mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo". Repito, é preocupante. Até o senhor do Euro, um tal Jeroen Dijsselbloem, após a denúncia do Sunday Independent, foi obrigado a alterar o seu CV. Constava ter um Mestrado, concluído na sua imaginação, em Economia Empresarial, pela University College Cork (UCC), que nunca existiu naquela instituição. Por aqui foram conhecidos mais dois lamentáveis casos. Pergunto, para quê a mentira? Alguém melhora a sua competência através da desonestidade? 


No que a nós toca, estas situações trazem à colação o país que ainda somos. Um Portugal de reverência, de afirmação do que se não é, de aparências e de inconcebíveis máscaras. É óbvio que o reconhecimento político e social está directamente relacionado com aquilo que se é, até pela via autodidacta, sem necessidade de puxar despropositados galões. Quantos, sem títulos académicos, foram grandes, apenas pela via da humildade, do trabalho e do investimento pessoal. Um exemplo: José Saramago que de serralheiro mecânico chegou a Nobel da Literatura. 
E por aqui fico.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A "DESILUSÃO" DO DEPUTADO JAIME FILIPE RAMOS


O Senhor Deputado do PSD manifestou-se desiludido com o Orçamento de Estado para 2017. Por um lado, genericamente, falou de "uma inversão de prioridades", por outro, em síntese, de dívidas da República à Madeira. Está no seu direito de opositor ao actual governo de Portugal. Correspondendo à táctica política de sempre, não sobrevalorizo. A história do confronto sem sentido de responsabilidade tem barbas e com tão maus resultados. O que para mim é espantoso é o facto de falar em "inversão de prioridades" quando aqui, durante 40 anos, em outros tantos orçamentos da Região, foi exactamente isso que aconteceu, o que nos conduziu a uma situação de dupla austeridade (tripla no Porto Santo) e, consequentemente, a uma dívida que muitos dizem ser IMPAGÁVEL. No exercício da política não vale tudo, pois exige-se, no mínimo, coerência. Aliás, em função da idade, o Senhor Deputado tendo tomado o combóio em andamento, deve estar lembrado de quantos discursos fez de apoio ao governo PSD que trouxe a Região a uma "calamidade" económica e financeira que todos estamos a pagar. 


Quanto ao novo hospital, penso que por coerência, o Deputado deveria ter presente que a história vem desde 2001 (no mínimo), com promessas sucessivas, ano após ano, Orçamento após Orçamento, de Programa de Governo em Programa de Governo, até ao ponto do pai do Senhor Deputado Jaime Filipe Ramos, o ex-Deputado Jaime Ramos ter assumido (2008) que o novo hospital NÃO ERA uma necessidade urgente e básica. Pergunto, então, de quem é a culpa de tanto atraso? E que razões levaram a que, nos últimos anos (2011/2015), com um governo liderado pelo Dr. Passos Coelho tal processo não tenha sido considerado? Isto para não falar na trapalhada da expropriação de terrenos em Santa Rita, da abertura de concurso público, da informação que oito consórcios estavam interessados, do pagamento e apresentação de projectos, tudo para nada! Em 2004, recordo, o então presidente do governo disse que, se fosse eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008. Ora, na política exige-se memória fresca e, repito, coerência.
Depois, pelo que li e ouvi, desejam a inscrição de uma verba no OE. Pergunto, para quê? De projectos nada percebo, outros estão indiscutivelmente mais bem preparados para deles falar, mas há aqui um peça que me parece faltar: querem o dinheiro para quê? Expliquem. Apresentaram alguma coisa que tivesse sido negada?
Enquanto cidadão observador, olho para esta discussão e pressinto politiquice a mais e seriedade a menos. É muito capaz do presidente do governo ter razão quando esta tarde afirmou: “(...) As coisas tecnicamente têm andado bem, politicamente não tão bem como desejávamos, mas é um processo iniciado neste momento”. "Politicamente não tão bem", porquê? Explique! Está a assumir uma parte da responsabilidade? Teve promessas em gabinete que depois não foram cumpridas? Tem o dever de explicar.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

OS POBRES E OS SOFÁS DA PRESIDÊNCIA


Há dias registei, entre outras coisas menores, o anúncio do presidente do governo regional de "disponibilizar a custos reduzidos (€ 25,00 por dia) à população, para curtos períodos de lazer, (...) uma rede de casas de abrigo em toda a região". Trata-se, segundo o próprio, de "introduzir este conceito, porque tem a consciência de que há muitas pessoas que não têm rendimentos para usufruir de férias em hotéis". A título de curiosidade, adiantou, "(...) os sofás na casa do Lombo do Mouro eram os que estavam na sala do plenário na Quinta Vigia (Presidência do Governo da Madeira, durante o anterior executivo, liderado por Alberto João Jardim), que não eram necessários".


Esta foi a notícia. Já não tenho entusiasmo para soltar uma palavra menos agradável. Mas apetecia-me, confesso. Sinceramente, detesto que os políticos passem ao lado do que é realmente importante e prioritário, antes preferindo um certo populismo, como dizia amigo meu, tipo timex, que não adianta nem atrasa. Importante para a população, sobretudo para os mais vulneráveis, é sentirem que o Orçamento Regional os privilegia com um complemento de pensão, que têm a possibilidade de desfrutar, universal, em igualdade de circunstâncias e sem necessidade de pedidos, de um valor anual, mínimo que seja, na comparticipação dos medicamentos. Para já nestes dois aspectos. Para alguma coisa deverá servir a Autonomia. Os pobres não passam férias, senhor presidente. Não sabem o que isso é. 
Quanto à recuperação das casas de abrigo, desse património espalhado pela Região, obviamente que é um dever, mas que não necessita de um número político mediático. Absolutamente dispensável quando o rol das prioridades é outro bem mais vasto. A história dos sofás, claramente política, diz tudo!
Ilustração: DN-Madeira

terça-feira, 25 de outubro de 2016

EXPLORAÇÃO DOS MADEIRENSES E PORTOSANTENSES


FACTO

Esta manhã, na Assembleia Legislativa da Madeira, contestando uma proposta do CDS a propósito da APRAM (Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira), o Deputado Carlos Rodrigues, em nome do grupo parlamentar do PSD, assumiu: “(...) Discuto o modelo portuário todo, não é só a APRAM. Vamos trabalhar com documentos concretos na mesa (...) toda a gente concorda que os custos têm de diminuir para o consumidor”.

PERGUNTA

Tenho dificuldade em situar no tempo a data que, pela primeira vez, o problema foi levantado. Anos e anos de uma iníqua exploração que favorece(u) um grupo com graves prejuízos para quem vive na Região. Foram sempre esfarrapadas todas as justificações para chumbar as diversas propostas apresentadas pelos partidos. A questão é esta: o poder regional, no limite da contestação, estará, uma vez mais, a tentar empurrar o problema, para manter o actual quadro onde se misturam interesses de vários "compadres"?

NOTA
Escrevi no meu blogue (www.comqueentao.blogspot.com) a 10 de Maio de 2008: "(...) Por mar é o que se sabe relativamente ao escândalo dos preços praticados no porto do Funchal que encarece tudo quanto consumimos. Outra vergonhosa exploração! Uma autêntica fraude a todos os que vivem nesta Região. Basta só referir que, por exemplo, o concessionário do porto de Leixões movimenta cerca de 282.000 contentores por ano e factura 38 milhões de euros. A autoridade portuária recebe cerca de 11 milhões de euros; o porto do Caniçal movimenta 81.000 contentores e a facturação da OPM é de cerca de 15 milhões de euros. Isto é, a OPM factura metade do concessionário do porto de Leixões e movimenta menos 4,5 vezes o número de contentores. E perante isto, o governo regional continua mudo, sem reacção, interesseiramente apático. Quem sofre com isto? Todo o povo da Região.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 23 de outubro de 2016

AS CONSEQUÊNCIAS DA ETERNIZAÇÃO NO PODER

Passo os olhos por alguns blogues com enfoque na política regional. Poucas ou nenhumas são as ideias para uma melhor região. Sobressaem os ataques, alguns violentos, a partir do interior do próprio PSD. Um desses espaços divulga, de forma anónima, o que se conhece mas, sobretudo, as quezílias, a propensão para golpes palacianos, o mal-estar completamente disseminado nas hostes que lideram esta terra há 40 anos. A história da intriga conhece-se aos poucos, com nomes dissimulados, mas os conteúdos não disfarçam a luta entre grupos. Fica-me a ideia que não se governa, antes parte do dia de "trabalho" é de gestão de controlo de danos. Isto, ao mesmo tempo que se assiste a uma azáfama por aparecer, diariamente, mas com efeitos quase nulos no que realmente é importante para o futuro da Madeira. Obviamente que esta é uma constatação.


Antes de uma conclusão vou a um exemplo:
A semana política ficou também marcada, entre outras coisas menores, pelo anúncio do presidente do governo regional em "disponibilizar a custos reduzidos (€ 25,00 por dia) à população, para curtos períodos de lazer, (...) uma rede de casas de abrigo em toda a região". Trata-se, segundo o próprio, de "introduzir este conceito, porque tem a consciência de que há muitas pessoas que não têm rendimentos para usufruir de férias em hotéis". A título de curiosidade, adiantou, "(...) os sofás na casa do Lombo do Mouro eram os que estavam na sala do plenário na Quinta Vigia (Presidência do Governo da Madeira, durante o anterior executivo, liderado por Alberto João Jardim), que não eram necessários".
Esta foi a notícia. Já não tenho entusiasmo para soltar uma palavra menos agradável. Mas apetecia-me, confesso. Sinceramente, detesto que os políticos passem ao lado do que é realmente importante e prioritário, antes preferindo um certo populismo, como dizia amigo meu, tipo timex, que não adianta nem atrasa. Importante para a população, sobretudo para os mais vulneráveis, é sentirem que o Orçamento Regional os privilegia com um complemento de pensão, que têm a possibilidade de desfrutar, em igualdade de circunstâncias e sem necessidade de pedidos, de um valor anual, mínimo que seja, na comparticipação dos medicamentos. Para já nisto. Para alguma coisa deverá servir a Autonomia. Os pobres não passam férias, senhor presidente. Não sabem o que isso é. Quarenta anos depois. 
Quanto à recuperação das casas de abrigo, desse património espalhado pela Região, obviamente que é um dever, mas que não necessita de números políticos mediáticos. Como aquela história do "presente de Natal antecipado no bairro do Pico dos Barcelos (recuperação do que se encontra danificado). Absolutamente dispensáveis estas historietas quando o rol das prioridades é outro bem mais vasto. Aquela dos sofás, claramente política, diz tudo! Em suma, trata-se de um subtil contra-ataque a quem lhes morde os calos.
Ora bem, o que eu quero afirmar com este texto, coisa que defendo há muito, é que o povo não deve permitir que um governo se eternize no poder. Seja aqui, na República ou nos Açores. Há um tempo certo para estar e um tempo para reganhar lucidez na oposição. Quarenta anos consecutivos sem experimentar a alternativa dá nisto: grupos, grupinhos, interesses instalados, favores, vénias, dinheiro, medos e silêncios cúmplices, corrupção, ofensas, mentiras, populismo, perseguições tolas, enfim, tudo aquilo de que o povo está cansado.  
Ilustração: DN-Madeira.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

UM ESPAÇO PARA DEBATER A EDUCAÇÃO. PARTICIPE.



São vários os blogues nacionais que se debruçam sobre a Educação em geral e sobre o Sistema Educativo em particular. Este é, apenas, mais um. Simplesmente porque, talvez, a comunidade educativa madeirense precise. Estou convencido de tal necessidade. Há muita informação dispersa, muitos livros sobre temáticas diversas, de pendor político, pedagógico, social e cultural e daí a minha convicção que este poderá ser um espaço de convergência para professores, investigadores, psicólogos, sociólogos, médicos, pais, enfim, para todos quantos directa ou indirectamente se relacionam com o crescimento, o desenvolvimento e a aprendizagem. Na Madeira são mais de 6.000 os docentes em um País que soma mais de 100.000. Existem, portanto, muitas razões que me levam, associado a um conjunto de professores preocupados, a ter esta iniciativa. Este será, obviamente, um espaço aberto a todas as colaborações, desde que constituam contributos sérios, fundamentados, científicos ou não, de revisão da literatura, mas sempre animados em debater e propor reflexões neste sector essencial para o nosso desenvolvimento. Não aceitarei textos de mera política partidária ou que dele se deduza a ofensa. O contraponto será sempre bem-vindo, independentemente da posição dos autores.

Envie os seus textos para o seguinte endereço:

educacaopensamentoautonomia@gmail.com

QUANDO UM GESTOR DA BANCA GANHA TRÊS VEZ MAIS QUE O PRESIDENTE DA REPÚBLICA...


Podem justificar de mil e uma maneiras, pela qualidade até aos valores médios praticados, mas tenho dificuldade em aceitar, entre tantos casos, que um presidente da EDP aufira, anualmente, 1,8 milhões de euros ou que o presidente da Caixa Geral de Depósitos ganhe 423 mil euros por ano (para além de eventuais prémios de desempenho). Na EDP é um valor pornográfico; na Caixa, para a qual todos nós contribuímos, é inaceitável que um gestor aufira, por mês, três vezes mais o salário do Presidente da República (€ 7.630,00+abonos). 


"Se há fundos públicos, não é possível nem desejável pagar o que se pagaria se fosse um banco privado sem fundos públicos", disse o chefe de Estado aos jornalistas em Braga. Genericamente, concordo. Aliás, vou mais longe, defendo, mesmo no privado, que por lei se estabeleça um limite baseado em x salários relativamente ao do mínimo praticado. Ademais, na banca, com todos os escândalos que têm surgido face aos quais os portugueses têm sido chamados a pagar, como se poderá falar de qualidade e de prestígio? 
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O NÓ GÓRDIO DA ECONOMIA PORTUGUESA

Para desatar o nó é preciso um plano que garanta que, quando o PIB crescer, as importações não disparam de tal forma que anulam o contributo das exportações e comprometem as contas externas. Há quem questione as opções tomadas pelo Governo socialista, onde sobressaem as políticas que devolvem rendimentos e puxam pela procura interna, mantendo uma aposta decisiva nas exportações mas não a fazendo depender do empobrecimento do país, i.e., da redução média dos salários, como forma de ganhar competitividade externa. Para esses, os dados mais recentes, que dão conta de um crescimento económico inferior ao previsto, demonstram que esta opção está a falhar.


São dúvidas compreensíveis, mas cujo debate está contaminado por um excesso de entusiasmo demagógico e de fervor ideológico! Na prática, convenhamos, a crítica ao actual Governo é infundada porque, em nenhum momento da vida económica dos últimos 30 anos, verificamos o caso (desejável) de um PIB a crescer com contas externas positivas. Portanto, é aqui que reside o busílis e é por aqui que urge projectar uma trajectória para o país. Um caminho diferente que se baseia em três ideias chave: 1) não há retoma em Portugal sem procura interna; 2) não há melhoria sustentável nas exportações com empobrecimento; 3) o PIB tem de crescer com o contributo crescente das exportações líquidas.
Mas estes princípios, por si só, não adiantam grande coisa. Mostram um raciocínio mas não identificam a solução. Por isso, é preciso ainda introduzir um eixo central para o sucesso desta política: o processo de industrialização do país. A aposta inquestionável no potencial da indústria. Na prática, sem um plano de industrialização do país, como paradigma da política económica portuguesa, não é possível obter os dois grandes objectivos a que o Governo se propôs: crescer o produto ao mesmo tempo que mantém as contas externas equilibradas, ou seja, ao mesmo tempo que as exportações líquidas (exportações-importações) são positivas.
Sendo assim, porque pragueja tanto a direita? O que conseguiu, nesta matéria, nos quatro anos de governação? Entre 2010 e 2015, o aumento do PIB só ocorreu quando se verificou o aumento da procura interna: em 2010 o PIB cresceu 1,9%, a procura interna também cresceu 1,9%; em 2014 o PIB cresceu 0,9%, a procura interna cresceu 2% e, finalmente, o PIB cresceu 1,4% em 2015, com a procura interna a crescer 1,9%. Nestes anos, a procura externa foi sempre negativa e o contributo das exportações para o PIB foram sempre negativos. Foi apenas nos anos em que o PIB caiu (2011, 2012 e 2013) que o contributo da procura externa foi positivo. Mais. Nas últimas três décadas, sempre que as contas com o exterior foram positivas o país estava em recessão, porque a procura interna caiu a pique.
É este o nó górdio da economia portuguesa. É por isso que, para desatá-lo, é preciso um plano que permita assegurar que, quando o PIB crescer, as importações não disparam de tal forma que anulam o contributo das exportações e comprometem as contas externas. É aqui que entra a necessidade de um plano de industrialização para o país, que também facilite uma política de substituição de importações. Em boa verdade, as exportações têm de crescer mais e acompanhar o padrão da economia portuguesa de modo a torná-las sustentáveis. Queremos um contributo da procura externa no PIB, alinhado com a média dos países mais competitivos, mas para isso precisamos de diversificar a economia e apanhar o comboio da industrialização.
NOTA
Artigo publicado no Económico no dia 14Out2016.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

CENTRO INTERNACIONAL DE NEGÓCIOS DA MADEIRA. AFINAL, HÁ GATO ESCONDIDO COM RABO DE FORA!


FACTO
"Região só recebe 10% dos lucros do Centro Internacional de Negócios da Madeira" - DN-Madeira (pág. 11)
PERGUNTAS
Terminando o contrato de concessão em 2017 (foi assumido em 1987 por 30 anos e concedido ao Grupo Pestana), que razões levam a que não seja a Região a liderar o CINM tal como defende o Deputado Carlos Pereira? Que "negócios" e interesses se escondem quando o CINM é tido como fundamental nas receitas da Região?

terça-feira, 18 de outubro de 2016

TODOS FALAM DE CRESCIMENTO. NINGUÉM DIZ COMO!


Todos falam na necessidade de "crescimento económico". Ainda ontem o presidente do governo regional da Madeira disse: "só através do crescimento económico" é "possível erradicar a pobreza", "realizar a justiça e a equidade social", "melhorar o rendimento das famílias", estancar a emigração jovem", ter "mais e melhor emprego", "melhorar os salários e as pensões" (...) o resto "é fantasia". Repito, só "através do crescimento económico", o chavão que todos têm na ponta da língua. Curiosamente, para além daquelas palavras tornadas lengalenga que dominamos, qual cançãozinha infantil,  "atirei o pau ao gato... to...to (...)", ninguém diz como operar o crescimento económico, que medidas estão a ser tomadas de forma estrutural e integrada. Falam, isso sim, em "reformas", também sem concretização, palavra que arrepia só de a ouvir, porquanto ela, mor das vezes, significa mais austeridade, limitação dos direitos sociais e despedimentos facilitados. 


No caso da Madeira, para atingir aqueles objectivos e todos passarem a beneficiar de uma vida menos penosa, o presidente do governo, ao contrário da lengalenga, deveria ser claro e objectivo, enunciando as medidas concretas em todos os sectores e áreas determinantes para que o "crescimento" aconteça. Como, porquê, quando, com que meios e como pretende operacionalizar as políticas. Isto é que me parece determinante. Se assim não for, concordo, "é fantasia" discursiva. Como é que a população poderá beneficiar, tal como nos Açores, de menos 20 a 30% no IRS, IVA mais favorável, IRC compensador, combustíveis e apoios sociais idênticos aos que os açorianos dispõem por decisão do governo regional. Isso é que interessa à população e não o habitual blá, blá que cansa e que é, obviamente, inconsequente. É, como sublinhou, "banha-de-cobra". 
Por outro lado, considero despropositado esta continuada tendência de empurrar para a República as decisões que, por Estatuto, competem à Madeira. Cumprir a Autonomia é muito mais do que passear vaidades, empurrar os problemas com a barriga e chutar para longe a bola dos problemas. É aqui que as questões económicas, financeiras e sociais devem ser tratadas. Que em muitos dossiês necessário se torna negociação com a República, obviamente que sim, mas é trabalhando sobre o concreto e não sobre o abstracto. Parece que ainda não aprenderam! 
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

GOVERNANTES, OIÇAM E FAÇAM ALGUMA COISA!

DIRECTOR REGIONAL DA EDUCAÇÃO ESCREVE CARTA ABERTA AO SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO


Desempenhando o cargo de Director Regional da Educação, quando de Educação escreve, sinto-me impelido a ler os textos do Dr. Marco Gomes. Li e mastiguei as suas palavras e conceitos explanados no artigo de ontem publicado no DN-Madeira. Das duas, uma: ou marcou, definitivamente, uma posição sobre o seu pensamento em matéria de política educativa, o que equivale dizer que escreveu uma carta aberta ao Secretário da Educação, ou está de saída do governo. Inclino-me para a segunda hipótese, porque não me parece aceitável que entre a correcta teoria divulgada e a prática do governo a que pertence exista uma tão significativa diferença. 


Participei, já tem uns anos, em um debate, na televisão regional, que contou com a presença do Dr. Marco Gomes. Gostei da sua postura e das preocupações que enunciou. Desde aí, embora não tenhamos relações próximas, a verdade é que, genericamente, mantenho uma atitude de consideração. Não deixo de dizer que estranhei a sua adesão a um governo que se sabia de rotinas, facto que agora reforço através do seu significativo desabafo. Adiante.
O que o director regional escreveu (aqui) é, exactamente, aquilo que tantos investigadores, autores, professores, psicólogos, e pensadores em geral sobre política educativa têm dito e escrito. Que as crianças andam "ansiosas" (é verdade que diagnosticam défice de atenção e hiperactividade, quando o problema, na generalidade dos casos, é outro bem diferente) e que (...) "é verdadeiramente preocupante que estamos a alimentar o crescimento de muitas crianças numa espécie de ansiedade crónica"; que as crianças estão "confinadas às paredes de uma sala, a realizarem atividades demasiado escolarizadas, a fazerem os trabalhos de casa e sem contacto com o exterior"; que "os alunos portugueses até ao sexto ano são, entre os estudantes dos países da OCDE, os que permanecem mais tempo na escola (cerca de mil horas por ano)"; que (...) "estamos efetivamente a pôr, como se diz vulgarmente, "os nervos das crianças em franja", com as implicações e consequências que daqui resultam, provocando danos a diferentes níveis, alguns deles mesmo irreparáveis" (...); que "é preciso que os pais parem e pensem, pois de alguma forma (de muitas formas aliás) andaram e andam a contribuir e a pactuar com tudo isto"; (...) que o que "hoje ainda está muito generalizada é uma ideia "embebida" de um capitalismo selvagem estendido à escola, que incentiva (ao contrário do que deveria ser) o individualismo sobre todas as coisas"; que estamos "de facto, em muitas situações, a "esfrangalhar" as nossas crianças" daí, em conclusão, pede o Dr. Marco Gomes, "deixem as crianças serem crianças", enfim, posso dizer que tudo isto me escorregou garganta abaixo como mel. Tantos já escreveram estas e outras palavras no mesmo sentido. Ainda na passada semana publiquei vários textos chamando à atenção para o anacronismo do sistema, quer a montante, quer a jusante. Daí que assine por baixo o citado artigo. Mas perante esta total discrepância entre a política defendida e a política praticada (não é a oferta educativa fora da escola que deve ser colocada em causa, mas o sistema educativo que a deve considerar), só lhe resta uma opção: sair da situação absolutamente desconfortável em que se encontra, porque tal como disse em relação às crianças, tenderá a ficar com "os nervos em franja".
O sistema educativo está errado de raiz, como está toda a organização social. O tempo para a família está a ser ocupado pela actividade laboral, as crianças são quase um empecilho, a escola, tendencialmente, transformou-se em armazém (o que são as escolas a tempo inteiro?), a pobreza espalha-se tornando-se em paisagem, bloqueando a escola a diversos níveis, a perspectiva pedagógica assume contornos de enervante rotina, os programas são um desastre, fundamentalmente, pela acumulação de pseudo-conhecimentos, há muito que andam a escolarizar o que deve ser do domínio do lazer, a rede escolar subjugou-se ao economicismo e, perante todas estas questões, pergunto, que medidas orientam a política do governo regional? Onde pára a Autonomia, uma vez que a Constituição da República não serve de desculpa para tudo? Que o director regional não me leve a mal, mas eu não teria estômago para digerir políticas que são absolutamente contrárias àquilo que escreve. Parabéns pelo que escreveu, Dr. Marco Gomes, mas decida-se, porque, tal como assumiu, as crianças têm o direito de "serem crianças". E presumo mais, que tal como as crianças está politicamente exausto e só lhe resta regressar ao lugar onde certamente foi feliz. Não tem outra alternativa. Despeça-se!
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 16 de outubro de 2016

ABSOLUTA SEM-VERGONHICE


É inquestionável a necessidade e o direito de ser oposição, isto é, o dever de propor alternativa no quadro da responsabilidade política de acompanhar e de discordar com as opções de quem, circunstancialmente, exerce o poder. Não é fácil, mas é assim que a democracia funciona e exige. Mas há por aí uma geração de políticos que não nos levam a sério, que nós, os cidadãos, ou somos parvos ou andamos a tirar documentos para estúpidos. A propósito do Orçamento de Estado para 2017, quando oiço "(...) Parece que abriu a época de caça ao contribuinte (...)" - Assunção Cristas (CDS/PP) (...) e que "Cada linha deste orçamento é mais um aumento de impostos" - Duarte Marques (PSD), a ideia que me fica é a do apagão sobre tudo quanto se passou sobretudo entre 2011 e 2015, sobre aquela brutal carga de impostos que a coligação PSD/CDS impôs aos contribuintes portugueses. Assistimos a um saque, directo e indirecto, à substancial diminuição dos direitos sociais, a um compulsivo empobrecimento da população, à desregulação laboral, ao quase desaparecimento da designada classe média, ao aumento da pobreza e da saída de muitos milhares de portugueses para outras paragens, enquanto tentativa de sobrevivência. Alguém pode esquecer-se da severa austeridade que passámos e que ainda aí anda?


De Pedro Passos Coelho já nem falo, porque ali parece-me existir uma permanente angústia ainda por resolver, passados tantos meses, derivada do facto de ter sido apeado do poder através de uma maioria parlamentar e da convivência nos areópagos europeus. As suas declarações estão sempre envolvidas em tons negros, nunca de pendor propositivo mas de ave agoirenta e de subserviência ideológica a essa Europa sempre penalizadora para com os mais vulneráveis e portas escancaradas para quem serve os grandes interesses. Passos Coelho não me aquece nem arrefece, o que me custa aceitar é a falta de memória pelo que fizeram e que, de substancial, de nada valeu. O discurso que a sua via política era a única e imprescindível ao sucesso foi "chão que deu uvas". Meses a dizer que o "diabo" apareceria em Setembro, vamos em Outubro e, ao que parece, o défice vai ficar pelos 2,5%, embora de forma ainda que ténue, aos portugueses está a ser devolvida a parte que lhes sugaram, os pensionistas longe de estarem bem, sentem alguma atenção, os benefícios sociais estão de volta, enfim, a longa lista de compromissos entre os quatro partidos da base parlamentar, caminham com a segurança que nem a Europa consegue beliscar. Parece que alguns ficam aborrecidos por muitos estarem ligeiramente melhores. Que egoísmo!
Uma nota final: o novo hospital para a Madeira. Ah, pois, o cavalo de batalha dos últimos tempos. Uma vez mais assiste-se a um apagão na memória. Mas  para que conste: "(...) Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declarava que a opção vai para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assumiu que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo disse que, se for eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF assumiu que o actual hospital estava fora de prazo e em Dezembro foi anunciado o concurso público e, logo a seguir,que oito consórcios mostraram-se interessados; em 2006 foi dito que a obra avançava no final de 2008; em 2007, o secretário assumiu que a construção do novo hospital estava decidida, definitiva e irrevogavelmente. A partir de 2008, o PSD começou a oferecer sinais de dúvida, com o Deputado Jaime Ramos a dizer que o novo hospital não era uma necessidade urgente e básica; no entanto o presidente do governo continuou a sublinhar que a prioridade era um novo hospital. Daí para cá constatou-se o recuo, todavia, de trapalhada em trabalhada. Entre muitas a das expropriações (...)". Drª Rubina Berardo (PSD), "um jogo de espelhos"? Consulte os documentos e as declarações. Ficará esclarecida sobre os governos do PSD de há dezasseis anos a esta parte. O mesmo peço ao secretário regional da Finanças, personalidade que conhece todo o processo do hospital desde há muitos anos. Embora a construção do novo hospital seja uma prioridade, a par de tantas outras que estão à frente dos nossos olhos e que o governo regional não quer ver, manda a honestidade política que não atirem pedras quando têm telhados de vidro.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 15 de outubro de 2016

"CARTA A UM MENINO QUE VAI NASCER"


"Chamar-se-á Guilherme. É o nosso primeiro neto e esta não é a carta que gostaríamos de lhe escrever. O que desejávamos era poder escrever uma mensagem de boas-vindas a um mundo luminoso, de futuro esperançoso, que não estivesse a ser governado ao ritmo e ao gosto do capital financeiro, cujo poder se encontra plasmado nas siglas que todos conhecemos e nos rostos (sempre os mesmos) que aparecem diariamente nas aberturas dos telejornais,  nos debates televisivos e nas redações dos jornais.


Como gostaríamos, Guilherme, de te apresentar a um planeta onde fosse possível anunciar que, finalmente, a fome  a pobreza começaram a ser derrotadas; um planeta onde os responsáveis políticos e nós, os cidadãos, havíamos, finalmente,, que não somos os donos dele, mas apenas transitórios habitantes, que partilhamos com as plantas e os restantes animais, o mar, os rios, as montanhas, os desertos, as savanas e o futuro. Gostaríamos de te escrever sobre sociedades onde a democracia seria mesmo o melhor de todos os sistemas, depois de ter sido entendida como o melhor dos males quando o confronto se estabelece com a tirania das ditaduras; sobre como nos deixamos de contentar somente com a possibilidade de votar em eleições que deixaram de ser decididas pela força do marketing e da informação que, nos jornais, na rádio e na televisão, controla e decide qual a realidade que devemos conhecer.
(...)
Apesar de tudo o que está a acontecer, esperamos ansiosos por ti. Queremos-te connosco!
(...)
Por isso, também por tua causa, temos mais um motivo para continuarmos empenhados na construção de uma Escola que deixe de discriminar os alunos pela sua origem social e cultural, étnica e religiosa. Uma Escola onde a palavra inclusão não seja uma palavra vazia de uma ladainha que se invoca em discursos solenes. Uma Escola que seja um espaço culturalmente significativo e não um cemitério de ideias, uma espécie de monstro que a todos parece escapar e sobre o qual ninguém parece entender-se, enredados nas mil e uma armadilhas que não se resolvem e nos jogos de palavras sem sentido onde só ganha quem tem as cartas escondidas na manga. (...)
Bem-vindo, Guilherme!" 
NOTA
Excerto de um texto dos Professores Rui Trindade e Ariana Cosme, publicado na edição de Verão da revista A Página da Educação, que ainda não está disponível aos leitores não assinantes. Um artigo onde me deliciei com as palavras sentidas e pela oportunidade em função do mundo que estamos a viver. Também digo, bem-vindo Guilherme. E parabéns aos pais e avós.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

REINO UNIDO E A REVOLTANTE POLÍTICA DE ADOPÇÃO DE CRIANÇAS


"No Reino Unido, a cada 15 minutos uma criança é retirada dos pais para ser entregue a famílias de acolhimento, que podem acolher até 4 crianças, recebendo por cada uma, por semana, 600 libras, pagas pelo Estado britânico. Assim, despejando 2 biliões de libras do orçamento de estado, o Governo desresponsabiliza‐se da sua obrigação de institucionalizar as crianças vítimas de maus tratos, entregando‐as para adopção. Com tanto dinheiro despejado sobre o assunto, as agências privadas tomaram conta do negócio de adopção de crianças, gerando lucros de muitos milhões de libras anualmente. 


Algumas destas agências são propriedade, ou têm ligação, com bancos. Pelo caminho, as assistentes sociais que trabalham para as agências, esqueceram a sua missão social e transformaram‐se na ferramenta de captação de crianças, para alimentar este tenebroso negócio. Muitas crianças são simplesmente roubadas aos pais. 
Não havendo motivos que justifiquem uma tão grave decisão, as assistentes sociais, servem‐se de qualquer motivo fútil para, simplesmente, roubarem os bebés e crianças às suas famílias.
O principal alvo são as famílias de emigrantes que, por não conhecerem as leis inglesas, estão mais vulneráveis ao cobarde ataque destas assistentes sociais. A vigilância começa muitas vezes quando mulheres grávidas são sinalizadas. Imediatamente após o parto, dá‐se início ao assédio sobre a mãe ou família e, em pouco tempo, o bébé é levado para uma das muitas famílias acolhimento que vivem à custa deste vergonhoso negócio. As crianças mais crescidas estão igualmente na mira destas profissionais sem nenhum escrúpulo. 
Na Inglaterra, um dos países supostamente mais civilizados do mundo, o tráfico de crianças para adopção é legal!!! Quem diria!!! Por isso peço a todos os amigos e companheiros da AVAAZ que ajudem a pôr fim a este pesadelo. Por favor assinem e divulguem esta petição.
Este é um assunto muito grave que o Governo inglês costuma varrer para debaixo da mesa, dizendo que cumpre as directivas europeias sobre o assunto.Diversos países europeus têm apresentado protestos formais. O Parlamento europeu tem, por diversas vezes, discutido e condenado a Grã‐Bretanha. Tudo tem esbarrado na indiferença e na negação do governo inglês.
Vamos nós, amigos da AVAAZ, obrigar a que este vergonhoso problema seja encarado de frente pelas autoridades inglesas e exigir que as crianças e bébés sejam devolvidas aos seus legítimos pais".
Conto convosco.
Muito obrigado,
Adelino Ribeiro

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

"O SUCESSO COMEÇA NA ESCOLA". POIS COMEÇA... INTERESSA É SABER COMO!



O secretário da Educação da Madeira, visitou a escola B+S Bispo Manuel Ferreira Cabral, em Santana. Ouviu o hino que enaltece que "o sucesso começa na escola". Obviamente que sim. Tal como começa na família, na organização da sociedade, nas políticas de emprego, na cultura, na mentalidade, nas políticas económicas e por aí fora. O problema não está no hino, porque sendo verdade que lá também começa, não deixa de ser verdade que têm sido as absurdas políticas educativas e sociais que mais têm contribuído para o insucesso, o abandono, as limitações nas qualificações profissionais e, por extensão, a pobreza.
Sendo assim, do meu ponto de vista, o hino da escola está certo, o que está desajustado é o aproveitamento do hino por parte de quem tem responsabilidades pela mudança de estratégia para que a Escola signifique sucesso.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA - PROFESSORES ACORDEM!


Nos 140 anos do DIÁRIO, sobre política educativa, o secretário regional da Educação da Madeira debitou umas coisas. Sinceramente, fiquei triste e também apavorado. Li e reli o texto e questionei-me: como é possível o sistema educativo continuar sem rumo, sem uma ideia, como sói dizer-se, sem aquela luzinha ao fundo do túnel? Qualquer coisa que alicerce a esperança, que, daqui por dez anos, a Madeira começará a ver germinar as sementes lançadas, hoje, nos socalcos da nossa terra! Nada. Um vazio. Ficou a preocupação, dada como exemplo, que “ainda esta semana iniciámos uma formação com vista a integrar a programação e a robótica no 1º ciclo, nos alunos do 3º e 4º ano. É importante começarmos a preparar os nossos jovens para aquilo que são as necessidades futuras”. Robótica e programação? O escritor António Lobo Antunes, no seu sempre apaixonante texto na revista VISÃO, esta semana, a páginas tantas escreveu: “(…) O meu pai contava acerca de um professor da Faculdade de Medicina, que disse a um estudante: - Que você tenha chegado ao sexto ano não me espanta. O que me surpreende é como fez a quarta classe”.


Não se trata, não é essa a minha intenção, de ofender, no plano pessoal, seja lá quem for. Se vou buscar António Lobo Antunes é apenas por associação de ideias, isto é, como é possível estar no topo do sistema educativo quando se ignora, por completo, o mundo que está a montante (sociedade) e a jusante (escola), extremamente complexo e a necessitar de uma profunda revolução no pensamento e na acção. Robô, no sentido figurado, é uma pessoa que executa ordens sem pensar. É isso que o sistema tem, genericamente, feito. Tem tratado as crianças e jovens como se fossem "bonecos". E não é disso que a sociedade precisa. Precisamos de inteligência, de fazer despertar os talentos, a emoção pelo conhecimento, o desejo de aprender sempre e mais, o essencial e não a tralha, onde mais tarde, com toda a naturalidade, surjam os programadores de excelência. Gostaria de escrever ainda muito mais, desabafar completamente, mas não sei se vale a pena, por isso, fico por aqui. Talvez seja eu o ignorante.

POLÍTICA EDUCATIVA NOS 140 ANOS DO DIÁRIO


O DIÁRIO faz hoje 140 anos. Parabéns. De forma muito interessante pediu a muitos observadores que prognosticassem a nossa vida colectiva daqui por dez anos. Com o Jornalista Jorge de Sousa tive um diálogo muito interessante sobre política educativa, cujo essencial foi publicado no endereço que deixo no final. Entretanto, deixo aqui a síntese do meu pensamento:


O DIÁRIO ADAPTOU-SE
A ESCOLA CONTINUA OBSOLETA

"Limito-me ao Ensino Básico porque aí reside o alicerce. Abeirei-me de uma criança de dez anos: então, que tal foi a escola? Igual aos outros dias, foi a resposta. Tive uma aula de hora e meia e nem um minuto pudemos falar. Pois, respondi, os professores têm de cumprir o programa, não é? Apesar da sua idade aproveitei para ajudá-lo a descodificar o que Georges Gusdorf (1912/2000) escreveu no plano dialógico professor-aluno: “o mais alto ensinamento do mestre não está no que diz, mas no que não diz”. Ora, pede-me o DIÁRIO para prognosticar a Educação a dez anos. Respondo, em aproximação àquela criança: o DIÁRIO foi fundado em 1876, adaptou-se aos novos tempos e continua a despertar a curiosidade diária, enquanto a escola, por sua banda, mantem o mesmo pensamento estrutural anterior à fundação do DIÁRIO, apresentando-se obsoleta, desconectada com a vida, com o presente e com o futuro, pelo que não desperta curiosidade. Consequências: insucesso, abandono, desmotivação e, na linguagem jovem, para milhares, “uma seca”. O sistema educativo bem tenta pintar de fresco o velho, mas mostra-se incapaz de mudar o modelo construído na decorrência da Sociedade Industrial. O que esperar de um sistema que repete o passado? Apenas a manutenção do erro, nunca o despertar de novas emoções. O que esperar de políticos que não estudam, demonstram falta de coragem e que ignoram, como sublinhou um aluno de 9º ano, que a escola só lhe dá 40% e que os outros 60% aprende fora da escola? Que esperar de um sistema que não se compagina com a oferta educativa fora da escola de natureza opcional e informal? Que esperar de um sistema que limita o questionamento e a descoberta, antes prefere o adestramento, o cumprimento do manual, o teste e o exame? Que esperar de um sistema que prefere verticalizar, burocratizar, padronizar e centralizar, ao invés de atribuir prioridade ao poder criativo e inovador? Sintetiza o investigador Joaquim Azevedo: "A escola mudou pouco, os adolescentes mudaram muito". O que significa que a escola que deveria adaptar-se e ser motor da sociedade, acabou por ser ultrapassada, anda a reboque, porque o sistema organizacional está apostado em olhar para ontem e não para o futuro, porque se tornou mais fácil a opção por currículos repetitivos e que, em muitos casos, são uma manta de retalhos, onde acrescem programas desarticulados e cheios de tralha. O próprio secretário de Estado dizia, há dias, que em alguns casos, os programas reflectem, hoje, um efeito de soma de conhecimentos acrescentados e não o essencial e despertador da curiosidade, em outros, como é o caso do programa de música, pasme-se, que ainda sugere a utilização do gira-discos e da cassete!
Daqui por dez anos? Dificilmente ocorrerão mudanças significativas. Só entregando a política educativa ao saber e ao conhecimento, a quem politize a Educação e não a partidarize. Uma pobre educação é sempre geradora de uma pobre democracia. E isso tem interessado no plano partidário. Ademais, a solução não está nos pensos rápidos em feridas profundas que transportam “infecções” de variadíssima ordem. É o caso das designadas “turmas +” e de outras iniciativas para consumo imediato. A "sepsis" educativa levará anos a ser “curada”, mesmo várias legislaturas, porque são muitas e complexas as variáveis: a política orçamental, cuja percentagem do PIB deve aumentar substancialmente; a escola como instituição de cultura sentida e vivida; as substanciais alterações na concepção da rede escolar, eliminando o perverso e economicista sentido de escala com custos a prazo; a vivência democrática dentro da escola e de cidadania para a vida; a formação e actualização geral, contínua e especializada de todos os professores para uma nova política educativa; a responsabilização pública, porque constitucional, em detrimento da opção privada e pelo “mercado da educação”; a interpretação da Educação como instrumento de progresso económico e social e não de legitimação de novas formas de divisão social; o rompimento com o pensamento dominante fazendo acreditar que outro terá de ser o paradigma pedagógico, que acabe com a exclusão e abra portas à verdadeira inclusão, com rigor, qualidade e dignidade; que não é aos vinte, trinta anos que se pede para ser empreendedor, quando levámos os anos anteriores a bloquear a criatividade; que somos o animal que mais tempo tem de infância e que é um absurdo subordinar a criança ao rigor de 30 a 50 horas de ocupação escolar, quando brincar constitui uma actividade fundamental e séria; a capacidade de perceber que o direito da criança a questionar, participar e descobrir tem muito mais valor e futuro que a obsessão pelo teste e pelo exame; que o estudo através de “fenómenos complexos”, problematizando-os de forma integrada, incomparavelmente, suplanta a segmentação por disciplinas desarticuladas entre si; que o tradicional conceito de turma e de aula é um grosseiro erro na formação básica (com aula ninguém aprende, diz-nos o Professor José Pacheco, o que equivale dizer que “quem pode cria, quem não pode ensina” – Bernard Shaw - 1856); que é preciso um investimento prioritário e específico nas necessidades educativas especiais; o combate à pobreza, à estrutura da sociedade a montante da escola, dando enfase à família e às políticas de emprego, enfim, tudo isto leva anos. Um exemplo, o Professor Sérgio Niza anda há 50 anos a defender a “Escola Moderna”, um dia dar-lhe-ão razão. A ele e a tantos outros pedagogos e investigadores. 
No actual quadro não é possível mudar o sistema de um ano para outro. Dez anos é curto, mas há o dever de caminhar. Lamento, mas o sistema educativo tem servido de passerelle para políticos impreparados e sem visão de futuro. Precisamos de estudá-lo a fim de determinar o caminho a seguir de forma necessariamente integrada. A transformação tem de ser graduada no tempo. Mudar, implica perceber as razões do aborrecimento e da falta de ligação na aprendizagem, o próprio esgotamento dos professores (30% estão em estado de Burnout), para que a escola não seja uma obrigação, mas um lugar chamativo, que apaixone, provoque emoções e liberdade a talentos tão desiguais. Tudo pode ser aprendido, porém, de forma diferente. Estamos muito longe desse patamar, até porque se a sociedade não está bem a escola não pode estar melhor. Mudar, precisa de coragem política, necessita, no caso da Madeira, de uma disponibilidade de todos e de uma fortíssima ligação à Universidade da Madeira, particularmente ao Departamento de Ciências da Educação, porque é lá que está a investigação e o saber. É ininteligível que o poder político ignore a investigação que lá produzem e prefira a “domesticação obscurantista” na expressão do Filósofo Fernando Savater. É dever de quem governa ter presente o pensamento de Carl Rogers (1902/1987): “ensinar é mais que transmitir conhecimento – é despertar a curiosidade, é instigar o desejo de ir além do conhecido. É desafiar a pessoa a confiar em si mesma e dar um novo passo em busca de mais. É educar para a vida e para novos relacionamentos”. O problema é saber quem é capaz de aceitar este desafio".
NOTA

sábado, 8 de outubro de 2016

"MESMO QUE O MUNDO SEJA ESTRANHO"


Tenho, desde há muito, um enorme carinho pela Violante. Mulher lutadora, Mulher de princípios e de valores, Mulher política, de causas sociais, que nunca se rende, Mulher culta e esclarecida que sabe escutar, propor e defender, Mulher que vai buscar forças não sei aonde quando a vida surpreende pela negativa, Mulher simples, Bióloga de profissão, contadora de histórias e artista. Há vinte anos partilhei e aprendi com ela a defesa da cidade do Funchal, quando fomos eleitos vereadores do município do Funchal. O estudo meticuloso dos dossiês, muitos extremamente complexos, a sua opinião assertiva sobre a defesa do património e o rigor com o ordenamento do território, deixaram marca. A ela se fica a dever o facto, por exemplo, de não ter sido construído duas gigantescas torres onde se encontra o actual "La Vie". O seu sentido de escala do anfiteatro do Funchal, conjugada com a denúncia pública, foram determinantes para o equilíbrio daquela zona.
A minha Amiga Violante Saramago Matos, depois de ter apresentado, em Roma, na galeria de arte do Instituto Português de Santo António em Roma, deixou, ontem, aos madeirenses, no Museu da Electricidade, um conjunto das suas mais recentes criações. Parabéns Violante.  


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA: O DISCURSO OFICIAL E A REALIDADE


Sou sindicalista. Desempenho, no Sindicato de Professores da Madeira, o cargo de Presidente da Assembleia Geral. Com muita honra, assumo. E porquê? Simplesmente porque o SPM, desde sempre, adoptou uma postura de rigor e de grande seriedade na sua afirmação pública. Raramente o SPM discute a questão salarial (porventura deveria fazê-lo com maior premência), mas nunca se demitiu da valorização do sistema educativo em geral e da escola pública, em particular. Sempre senti, no SPM, um parceiro social intransigentemente apostado na defesa da qualidade do ensino e, por extensão, no sucesso dos alunos e na dignidade da função docente, aspecto este que tantas e tantas vezes tem sido colocado em causa pelo poder político.


Há poucos dias o SPM denunciou a falta de professores em vários estabelecimentos de ensino. Veio, de imediato, o secretário regional dizer que isso não era bem assim, que alguns lugares por preencher ficavam a dever-se a baixas médicas e que as substituições levavam um certo tempo burocrático. Ouvi, até, sublinhar que, salvo erro, 150 baixas era um número normal! Acho esquisito que seja normal, mas enfim. Preferia que ele explicasse o porquê das baixas, quando é público, após estudo realizado com cerca de "mil professores de escolas portuguesas, ter revelado que 30% dos docentes estavam em Burnout, ou seja, exaustos emocionalmente e sem qualquer sentimento de realização profissional". Mas não este aspecto que aqui trago à colação. Trago, sim, a resposta do sindicato da qual destaco: "(...) hoje mesmo, consultando o site da DRIG (Direcção Regional de Inovação e Gestão), podemos constatar que foram colocados cinco professores do grupo 300 (Português) e um professor do grupo 230 (Matemática e Ciências da Natureza). Este facto, só por si, já provaria que o SPM sempre falou verdade e com conhecimento de causa". Mas há "mais exemplos de horários que se encontravam sem professor até ontem:
Escola EB1/PE da Ribeira Brava, 1 professor coadjuvante;
• Escola Básica do Caniço, 1 professor de Matemática;
• Escola E.B. 2, 3 Cónego J. J. G. Andrade (Campanário), 1 professor de Matemática;
• Escola Secundária Francisco Franco, 3 professores de Português;
• Escola EB 2, 3 Horácio Bento Gouveia, 1 professor de Português;
• Escola EB/PE do Boliqueime, 1 professor titular de turma e 1 professor de Inglês;
• Escola EB 1, 2, 3/PE do Porto da Cruz, 1 professor de Expressão Musical;
• Escola Básica e Secundária 2, 3 Bispo D. M. F. Cabral (Santana), um docente de Expressão;
• Vários outros horários de Expressão Musical um pouco por toda a RAM;
• Escola Dr. Luís Maurílio da Silva Dantas (Escola do Carmo), 1 horário de Informática extinto ao ser redistribuído por outros professores; menos um posto de trabalho, mais sobrecarga para outros docentes. "Infelizmente, esta medida de cariz financeiro está a ser adoptada por várias escolas da RAM, por indicação da SRE".
Por outro lado, escutei da boca do secretário, uma vez mais, que a Madeira regista um professor por sete alunos. De uma vez por todas, pare com isso. É que ninguém acredita. Correcto seria dividir o número total de alunos pelo número de professores que, EFECTIVAMENTE, leccionam. Não devem entrar nas contas os destacados, os requisitados e todos quantos desempenham cargos e/ou funções externas à escola embora mantendo o seu vínculo. É o caso do próprio secretário. Seria honesto. Fazer uma continha de dividir é tão fácil, até porque os milhares de pais e encarregados de educação certamente que se interrogam, como é que isso é possível se o meu filho(a) está em uma turma de 20/25 ou 30 alunos? Por aqui fico.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O TOPO POLÍTICO DO MUNDO SÓ AO ALCANCE DE UMA MENTE BRILHANTE



Percorrendo toda a comunicação social, inclusive, internacional, verifica-se uma rara unanimidade em torno do Engº António Guterres como novo Secretário-Geral da ONU. Que mais dizer? Apenas o orgulho de ser português por ver ascender àquele lugar de topo uma das nossas mentes brilhantes. Não é fácil, no meio de tantos e diversos interesses políticos, onde é óbvia a sede de poder e de controlo, de um mundo com permanentes cenários de arrepiantes conflitos, um português ganhar o lugar mais representativo do xadrez institucional mundial. Perpassa-me a felicidade que advém do facto de ali estar a extensão de cada um de nós.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

FUNCHAL COM FALTA DE LIMPEZA? TALVEZ... AS OBRAS NAS RIBEIRAS DEIXAM MARCAS NEGATIVAS


Um senhor alemão, radicado em Espanha demonstrou o seu descontentamento com a falta de limpeza na baixa do Funchal. Se, por aqui, notou ausência de limpeza, muitas "cartas do leitor" o senhor Heinz terá de escrever na Alemanha e no país onde actualmente vive. Simplesmente porque eu conheço, relativamente bem, a Alemanha e a Espanha. E por aqui fico, porque o senhor Heinz desconhece que estacidade tem ganhado sucessivos prémios onde essa variável de apreciação constitui factor determinante. E desconhece o que outros turistas dizem da cidade. Que haja reparos, obviamente que sim. E é bom que os cidadãos e os visitantes o façam, porque isso demonstra que desejam o melhor para a cidade. A isso chama-se cidadania activa.


Já a mesma opinião não tenho relativamente ao secretário regional da Economia e Turismo da Madeira, Dr. Eduardo Jesus, que aproveitou a embalagem do senhor Heinz para desferir um ataque sem sentido à Câmara. Eu sou capaz de perceber as razões, mas não vou entrar por aí. Lamento é que um governante desça ao patamar de vereador da oposição, quando tem tantos dossiês por resolver e não tem tido engenho e coragem política para os solucionar. Nos últimos tempos, da sua boca só tenho assistido a um permanente passa-culpas: é o caso, por exemplo, do subsídio de mobilidade, do avião cargueiro e da ligação marítima ao Continente. De economia pouco ou mesmo nada e de turismo nada tem sido realizado que outros já o não tivessem feito. Continuidade, apenas, com o benefício da instabilidade política em outras paragens. 
Mais, ainda. Daria parabéns ao secretário se tivesse tido uma posição firme contra a destruição do património que as ribeiras do Funchal representam e para os alegados efeitos na imagem de quem visita e transita no Funchal. Mas, aí, o silêncio foi ensurdecedor, quando vários e considerados especialistas se manifestaram publicamente. 
Finalmente, enquanto cidadão nascido e residente no Funchal, porque gosto da minha cidade, manifesto a minha preocupação com a monumental dívida deixada na Câmara pelo anterior governo autárquico, situação que não ajuda nada uma mais bem sucedida administração. Talvez "os sistema de rega" dos jardins fossem melhores. Sendo assim e porque o recurso financeiro é muito escasso, pressuponho, na tal alegada falta de limpeza, o secretário deveria ter em consideração os recentes fogos e a natural deslocação de meios para prevenir males maiores com a aproximação das chuvas de inverno.
Já agora, dê uma palavrinha à senhora secretária da Inclusão, porque em determinados locais (é verdade) os sem-abrigo deixam marcas da sua passagem, em alguns casos de puro vandalismo. E só resolvendo ou atenuando esta situação, entre muitas outras, podemos ter uma cidade menos sujeita à crítica.
Ilustração: Funchal/Notícias

POLÍTICA EDUCATIVA



“ÉRAMOS FELIZES E NÃO SABÍAMOS” – BELÍSSIMA ENTRADA PARA O DIA DE MACHICO



O estribilho, de pura inspiração pessoana, percorre caminhos de outrora, povoa ritmos e canções, desvenda segredos e prazeres de outras eras em que a felicidade, de tão inteira e plena, nem dávamos por ela.
Foi este o sabor e foi este o cheiro que neste fim de tarde, no vetusto Solar do Ribeirinho, tomaram conta daqueles que seguiram o roteiro biblio-fotográfico de Machico nos alvores da Primavera de Abril. Aí desfilaram memórias, escaladas ascendentes e mergulhos empolgantes, uns gloriosos outros sofridos, numa atmosfera livre e saudável, colada ao corpo das pessoas e à beleza do vale. Para quem como eu e muitos que ali estavam, maior foi esse perfume a felicidade, porque juntos fôramos sonho criativo e, ao mesmo tempo, pá, enxada e picareta – arquitectos e artífices braçais do que então foi feito.
Pela mão do Dr. Bernardo Martins, também ele construtor do feito, percorremos o historial do denominado “Centro de Informação Popular”, nascido logo no coração de Abril de 1974. Antes de certas “élites” madeirenses se organizarem em movimentos sócio-culturais ou políticos, já em Machico, o chamado “Povo Unido” (uma nomenclatura genuinamente local e mais tarde tomada por outras formações estranhas ao concelho) descobriu que tinha de estruturar-se colectivamente para alcançar o seu lugar ao sol, esse merecido sol que durante cinco séculos tinha sido negado a pais e avós.
Não vou aqui inventariar o espólio – valiosíssimo, para quem tem olhos de ver – que nos mostra o salão de exposições do Solar. Apenas respirar de saudade e de íntima fruição de um mundo em que “éramos felizes e não sabíamos”. O alinhamento lógico e cronológico dos acontecimentos é feito num estilo sóbrio e claro, como convém aos parâmetros da ciência histórica, não fosse este o resultado da Tese de Mestrado apresentada pelo Dr. Bernardo Martins na Universidade da Madeira.
Bem poderia substituir a expressão “éramos felizes” por estoutra – “o que nós fomos capazes” de construir, as iniciativas concretizadas, perspectivas pioneiras que, sem outros meios que não fossem o ânimo da juventude e o desejo de um Machico Novo. Fomos visionários de tantos projectos que, mais tarde, os poderes e as finanças públicas vieram a dar mais amplo cumprimento.
Sucintamente: a abertura de um Jardim de Infância nas instalações do Forte de São João Baptista sobranceiro ao cais de Machico: a abolição do leonino regime de colonia que escravizou gerações e gerações de camponeses; o semanário “O Caseiro”, a expensas da população; a luta dos engenhos de cana-de-açúcar por uma justa retribuição; idem na Fábrica de Conservas de Machico: idem na Fábrica Baleeira do Caniçal; idem quanto ao trabalho das bordadeiras da Madeira; o apoio ao alojamento dos refugiados-retornados das ex-colónias portuguesas; a estratégia popular para barrar o caminho aos bombistas da Flama separatista; a conquista do poder municipal; a resistência a uma Igreja diocesana, ostensivamente aliada do fascismo salazarista e do “neo-fascismo” regional.
Olhando daqui - quarenta e dois anos volvidos – comovo-me e congratulo-me por redescobrir que o Machico de então, sem dinheiro e sem armas, foi a locomotiva que, por intuição e acção, transportou os sonhos do futuro.
Bem fizeram a Assembleia Municipal, a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia de Machico em colocar a presente iniciativa no frontispício das comemorações do Dia do Concelho, 9 de Outubro de 2016.
03.Out.16
Martins Júnior
NOTA
Texto publicado no blogue Senso &Consenso da responsabilidade do Padre Martins Júnior.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

HIPERACTIVIDADE E DÉFICE DE ATENÇÃO? "RITALINA" (METILFENIDATO) O MEDICAMENTO ASSASSINO!



FACTO

São 5.000.000 as doses de psicofármacos consumidos, anualmente, até aos 14 anos. A confirmação está no relatório da Direcção Geral de Saúde. Receitam metilfenidato como se fosse pipoca. Neste consumo excessivo, segundo o coordenador do Programa Nacional para a Saúde Mental, está "a pressão excessiva das escolas, da família e da indústria farmacêutica, factores que contribuem, cada um à sua maneira, para uma "banalização" dos diagnósticos de hiperactividade e défice de atenção. "Descobriram" ("doença inventada") a hiperactividade e o défice de atenção. Só ainda não descobriram que, pior que as crianças, estão a organização social e a escola que ela integra. Não descobriram que estando a sociedade doente, a escola e as crianças não podem estar melhor. Ao contrário de uma actuação na causa, preferem actuar, criminosamente, nas consequências, ainda por cima, muitas vezes APARENTE. (ler texto neste endereço:http://comqueentao.blogspot.pt/…/que-loucura-andam-matar-as…

PERGUNTA

Não deveria a Secretaria Regional da Educação, em parceria com a Secretaria Regional da Saúde, tratar de saber quantas crianças, na Madeira, tomam aquele medicamento diário e proceder a um estudo sobre as razões e as consequências devastadoras na saúde após deixar de ser tomado?

domingo, 2 de outubro de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA



Nasceu em 1883 e faleceu em 1973. "foi um educador e escritor escocês, fundador da escola Summerhill. Ficou famoso por defender a liberdade das crianças na educação escolar e por ser pioneiro na aplicação teórica da gestão democrática nas escolas". Para reflectir.

sábado, 1 de outubro de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA E O "PONTO E VÍRGULA"... AINDA BEM QUE ME FAZ ESSA PERGUNTA!


Não perdi tempo ao ler a entrevista do secretário regional da Educação da Madeira ao DN-Madeira. Se dúvidas eu tivesse, esclareci-as todas ou quase todas. No essencial, no plano da política educativa nada há a esperar. O que lamento. Poderia ter sido mais uma oportunidade para clarificar, para definir um rumo, para a comunidade educativa e a população em geral perceber para onde caminha o sistema. Porém aquilo não foi além do trivial, do pensamento conhecido e que se tem revelado marginal, pobre, desajustado e sem futuro. Duas páginas de assuntos menores a me fazerem lembrar o sketch do Herman José: "ainda bem que me fez essa pergunta". Aquela entrevista poderia muito bem ter sido publicada há muitos anos! "Mais palavras, sempre palavras, as mesmas palavras" tal como a canção de há 40 anos de Alain Delon e Dalida. De verdadeira política educativa, zero. O que não deixa de ser sintomático e dramático. Por vezes, talvez ingenuamente, ainda mantenho aquela esperança de me trazerem a inovação, o rasgo de inteligência, a capacidade para surpreenderem com qualquer coisa que me faça manter a esperança, mas qual quê, nada, o vazio. Quanto mais leio sobre Educação, fico com a certeza que muito pouco sei, ao descobrir, sempre, conteúdos diversos que me colocam a repensar posições. Acaba por ser triste, quando me confronto com declarações exasperantes, porque ocas.


Detesto entrevistas do tipo "pronto a vestir". Entrevistas para encher nunca nada me disseram. Detesto o vazio e quando não aprendo. Entrevistas onde se propagandeia com a mentira e a aldrabice dos números têm o condão de me deixar preocupado relativamente ao futuro. Porquê, questiono-me? Por que não aprendem com tantos autores, pensadores, e investigadores universitários? Por que não escutam tantos especialistas em crescimento, desenvolvimento e aprendizagem? Por que não vêm a terreiro definir um caminho, embora difícil de percorrer pela complexidade do próprio sistema, mas que traga no seu bojo a segurança na adaptação a este mundo de permanente surpresa? Por que ficam sempre lá atrás, desde há duzentos anos, na cadeira, tentando pintar de fresco paredes com graves fissuras devido a alicerces frágeis? Porquê?
Li que "é tempo de olhar para a Educação de "forma global", perspectivando-a na sociedade como motor de desenvolvimento social, cultural e económico. "Por vezes, olhamos apenas para dentro e não pensamos um pouco mais além". Fiz um esforço, questionando-me: ... global? ... desenvolvimento social, cultural e económico? ... pensar um pouco mais além? Mas como? Será que podemos continuar a viver de frases feitas, interessantes, mas que passam como água na ribeira em direcção ao mar? Confessso-me cansado de palavras, apenas palavras, quando confronto as políticas com a realidade. Como é que um sistema assente em premissas de há duzentos anos pode ser global e motor do desenvolvimento (qualidade)? Obviamente que não pode. Motor? Antes diria que a este sistema falta-lhe motor de arranque. E faltando, ao veículo da Educação resta-lhe "encostar à boxe". Daí ser impossível "pensar um pouco mais além". 
Concluí desta entrevista duas coisas: primeiro, da falta de visão e de determinação face a um problema muito complexo. Aquela historieta aritmética e absolutamente demagógica que "na Região há um professor para cada sete alunos, a nível nacional é de um para 16 e a recomendação europeia é de um para 15", diz bem da politiquice quando se sabe, ainda por cima, que não é verdade; segundo, gostei de ler que há quem não goste de escutar ou ler outras opiniões. Li: "(...) estamos em crer que o debate sério sobre a Educação, pela sua importância, deve ser bem fundamentado", disse o governante. Pois, quando dentro de casa, leia-se secretaria, não se demonstra ser sério pela fundamentação do que fazem, no quadro das políticas educativas portadoras de futuro, como aceitar esta declaração que pede "fundamentação" aos intervenientes sociais do processo? Facto que me leva a dizer que o secretário tem de se habituar ao contraponto, sobretudo quando há tantos professores e sindicalistas, como vulgarmente se diz, há muitos anos a "virar frangos". 
Ilustração: Google Imagens.