sábado, 1 de outubro de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA E O "PONTO E VÍRGULA"... AINDA BEM QUE ME FAZ ESSA PERGUNTA!


Não perdi tempo ao ler a entrevista do secretário regional da Educação da Madeira ao DN-Madeira. Se dúvidas eu tivesse, esclareci-as todas ou quase todas. No essencial, no plano da política educativa nada há a esperar. O que lamento. Poderia ter sido mais uma oportunidade para clarificar, para definir um rumo, para a comunidade educativa e a população em geral perceber para onde caminha o sistema. Porém aquilo não foi além do trivial, do pensamento conhecido e que se tem revelado marginal, pobre, desajustado e sem futuro. Duas páginas de assuntos menores a me fazerem lembrar o sketch do Herman José: "ainda bem que me fez essa pergunta". Aquela entrevista poderia muito bem ter sido publicada há muitos anos! "Mais palavras, sempre palavras, as mesmas palavras" tal como a canção de há 40 anos de Alain Delon e Dalida. De verdadeira política educativa, zero. O que não deixa de ser sintomático e dramático. Por vezes, talvez ingenuamente, ainda mantenho aquela esperança de me trazerem a inovação, o rasgo de inteligência, a capacidade para surpreenderem com qualquer coisa que me faça manter a esperança, mas qual quê, nada, o vazio. Quanto mais leio sobre Educação, fico com a certeza que muito pouco sei, ao descobrir, sempre, conteúdos diversos que me colocam a repensar posições. Acaba por ser triste, quando me confronto com declarações exasperantes, porque ocas.


Detesto entrevistas do tipo "pronto a vestir". Entrevistas para encher nunca nada me disseram. Detesto o vazio e quando não aprendo. Entrevistas onde se propagandeia com a mentira e a aldrabice dos números têm o condão de me deixar preocupado relativamente ao futuro. Porquê, questiono-me? Por que não aprendem com tantos autores, pensadores, e investigadores universitários? Por que não escutam tantos especialistas em crescimento, desenvolvimento e aprendizagem? Por que não vêm a terreiro definir um caminho, embora difícil de percorrer pela complexidade do próprio sistema, mas que traga no seu bojo a segurança na adaptação a este mundo de permanente surpresa? Por que ficam sempre lá atrás, desde há duzentos anos, na cadeira, tentando pintar de fresco paredes com graves fissuras devido a alicerces frágeis? Porquê?
Li que "é tempo de olhar para a Educação de "forma global", perspectivando-a na sociedade como motor de desenvolvimento social, cultural e económico. "Por vezes, olhamos apenas para dentro e não pensamos um pouco mais além". Fiz um esforço, questionando-me: ... global? ... desenvolvimento social, cultural e económico? ... pensar um pouco mais além? Mas como? Será que podemos continuar a viver de frases feitas, interessantes, mas que passam como água na ribeira em direcção ao mar? Confessso-me cansado de palavras, apenas palavras, quando confronto as políticas com a realidade. Como é que um sistema assente em premissas de há duzentos anos pode ser global e motor do desenvolvimento (qualidade)? Obviamente que não pode. Motor? Antes diria que a este sistema falta-lhe motor de arranque. E faltando, ao veículo da Educação resta-lhe "encostar à boxe". Daí ser impossível "pensar um pouco mais além". 
Concluí desta entrevista duas coisas: primeiro, da falta de visão e de determinação face a um problema muito complexo. Aquela historieta aritmética e absolutamente demagógica que "na Região há um professor para cada sete alunos, a nível nacional é de um para 16 e a recomendação europeia é de um para 15", diz bem da politiquice quando se sabe, ainda por cima, que não é verdade; segundo, gostei de ler que há quem não goste de escutar ou ler outras opiniões. Li: "(...) estamos em crer que o debate sério sobre a Educação, pela sua importância, deve ser bem fundamentado", disse o governante. Pois, quando dentro de casa, leia-se secretaria, não se demonstra ser sério pela fundamentação do que fazem, no quadro das políticas educativas portadoras de futuro, como aceitar esta declaração que pede "fundamentação" aos intervenientes sociais do processo? Facto que me leva a dizer que o secretário tem de se habituar ao contraponto, sobretudo quando há tantos professores e sindicalistas, como vulgarmente se diz, há muitos anos a "virar frangos". 
Ilustração: Google Imagens.

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