sexta-feira, 7 de outubro de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA: O DISCURSO OFICIAL E A REALIDADE


Sou sindicalista. Desempenho, no Sindicato de Professores da Madeira, o cargo de Presidente da Assembleia Geral. Com muita honra, assumo. E porquê? Simplesmente porque o SPM, desde sempre, adoptou uma postura de rigor e de grande seriedade na sua afirmação pública. Raramente o SPM discute a questão salarial (porventura deveria fazê-lo com maior premência), mas nunca se demitiu da valorização do sistema educativo em geral e da escola pública, em particular. Sempre senti, no SPM, um parceiro social intransigentemente apostado na defesa da qualidade do ensino e, por extensão, no sucesso dos alunos e na dignidade da função docente, aspecto este que tantas e tantas vezes tem sido colocado em causa pelo poder político.


Há poucos dias o SPM denunciou a falta de professores em vários estabelecimentos de ensino. Veio, de imediato, o secretário regional dizer que isso não era bem assim, que alguns lugares por preencher ficavam a dever-se a baixas médicas e que as substituições levavam um certo tempo burocrático. Ouvi, até, sublinhar que, salvo erro, 150 baixas era um número normal! Acho esquisito que seja normal, mas enfim. Preferia que ele explicasse o porquê das baixas, quando é público, após estudo realizado com cerca de "mil professores de escolas portuguesas, ter revelado que 30% dos docentes estavam em Burnout, ou seja, exaustos emocionalmente e sem qualquer sentimento de realização profissional". Mas não este aspecto que aqui trago à colação. Trago, sim, a resposta do sindicato da qual destaco: "(...) hoje mesmo, consultando o site da DRIG (Direcção Regional de Inovação e Gestão), podemos constatar que foram colocados cinco professores do grupo 300 (Português) e um professor do grupo 230 (Matemática e Ciências da Natureza). Este facto, só por si, já provaria que o SPM sempre falou verdade e com conhecimento de causa". Mas há "mais exemplos de horários que se encontravam sem professor até ontem:
Escola EB1/PE da Ribeira Brava, 1 professor coadjuvante;
• Escola Básica do Caniço, 1 professor de Matemática;
• Escola E.B. 2, 3 Cónego J. J. G. Andrade (Campanário), 1 professor de Matemática;
• Escola Secundária Francisco Franco, 3 professores de Português;
• Escola EB 2, 3 Horácio Bento Gouveia, 1 professor de Português;
• Escola EB/PE do Boliqueime, 1 professor titular de turma e 1 professor de Inglês;
• Escola EB 1, 2, 3/PE do Porto da Cruz, 1 professor de Expressão Musical;
• Escola Básica e Secundária 2, 3 Bispo D. M. F. Cabral (Santana), um docente de Expressão;
• Vários outros horários de Expressão Musical um pouco por toda a RAM;
• Escola Dr. Luís Maurílio da Silva Dantas (Escola do Carmo), 1 horário de Informática extinto ao ser redistribuído por outros professores; menos um posto de trabalho, mais sobrecarga para outros docentes. "Infelizmente, esta medida de cariz financeiro está a ser adoptada por várias escolas da RAM, por indicação da SRE".
Por outro lado, escutei da boca do secretário, uma vez mais, que a Madeira regista um professor por sete alunos. De uma vez por todas, pare com isso. É que ninguém acredita. Correcto seria dividir o número total de alunos pelo número de professores que, EFECTIVAMENTE, leccionam. Não devem entrar nas contas os destacados, os requisitados e todos quantos desempenham cargos e/ou funções externas à escola embora mantendo o seu vínculo. É o caso do próprio secretário. Seria honesto. Fazer uma continha de dividir é tão fácil, até porque os milhares de pais e encarregados de educação certamente que se interrogam, como é que isso é possível se o meu filho(a) está em uma turma de 20/25 ou 30 alunos? Por aqui fico.
Ilustração: Google Imagens.

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