domingo, 6 de novembro de 2016

"ALBUQUERQUE AMEAÇA DEMITIR GOVERNANTES". TERÃO HAVIDO ERROS DE "CASTING"?


A ameaça faz hoje a manchete do DN-Madeira. Que eu me lembre, no Portugal democrático e, certamente, durante o Estado Novo, nunca se ouviu uma declaração semelhante. O jornalista, com toda a certeza, não ouviu mal da boca de quem transmitiu a síntese: ou dão "corda nos sapatos" os "patins" estão por perto. A ameaça directa ou indirecta, com estas ou outras palavras, não deixa de ter um significado político. Para já, foram e são da responsabilidade do presidente do governo os convites que endereçou para pertencerem ao executivo. Ora, se hoje entende ter havido um alegado erro de "casting", não me parece de bom tom assumi-lo, publicamente (o Conselho Regional de um partido, apesar de reservado, acaba sempre por serem públicas muitas das posições que lá se passam) o desagrado, mesmo que indefinido relativamente aos membros do governo escolhidos por si. Se está insatisfeito, o normal é em uma oportunidade refrescar politicamente o governo. É o normal. 


É claro que isto acaba por ser revelador de uma enorme fragilidade e desconfiança do governo. Que ele, enquanto presidente, sente. Se se trata de uma "ameaça" é porque no seio da governação a angústia é grande e indisfarçável. Basta ler, diariamente, de forma cruzada e com atenção, a comunicação social e o que as redes sociais vão divulgando, embora aqui através de leitura cuidada. Mas daí a uma tão significativa frontalidade aos que fazem parte do governo, obviamente que é de pasmar.
Ora, qualquer governante, como vulgarmente se diz, com a "espinha direita", se consciente do trabalho que está a realizar em função dos meios disponíveis, o mínimo que deveria fazer era, imediatamente, deixar à disposição do presidente do governo o lugar que ocupa. Subjugar-se, tal como uma criança, a quem os pais repreendem por "notas" baixinhas nos testes, é coisa que não passa pela cabeça de quem tem da política, apenas, o princípio de serviço público à comunidade e não os títulos e benesses próprias dos cargos. 
E se os restantes governantes, mesmo que subtilmente, se manifestassem contra o chefe do governo? E se o mesmo fosse feito pela indisfarçável oposição interna? 
Seja como for, estou em crer que mais cedo do que se possa imaginar, dois ou três secretários começarão a arrumar as secretárias...
Ilustração: Google Imagens.

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