segunda-feira, 7 de novembro de 2016

NA MONTANHA RUSSA DA POLÍTICA REGIONAL, NÃO HÁ PATINS QUE CHEGUEM!


As recentes declarações sob a forma de ameaça, assumidas pelo presidente do governo regional da Madeira, no decorrer do Conselho Regional do PSD-M, órgão máximo entre dois congressos, politicamente é de uma relevância extrema. Já escrevi um texto sobre o que foi divulgado pela comunicação social, porém, não deixei de matutar sobre o assunto. Já não tanto sobre o significado político, sobre o que tais palavras revelam de instabilidade interna, de desconfiança entre uns e outros, melhor dizendo, mas, essencialmente, sobre o comportamento dos visados que, pelo que se vê, aceitaram a rabecada sem pio. Sofreram, em público, uma insensata admoestação, engoliram em seco, meteram o rabinho entre as pernas e ainda três dos alegados visados vieram dizer que ele, presidente, está no seu direito de dizer o que disse.


Tenho muitas dificuldades em aceitar esta pronunciada "cifose política" que cola a cabeça quase junto dos joelhos. Uma coluna feita de plasticina que possibilita todos os movimentos de contorcionismo. Dá para pensar! Qualquer pessoa, com um mínimo de dignidade política e de respeito por si próprio, naquele momento em que o presidente falou em "dar corta nos sapatos" senão os "patins" estão por perto, levantaria o braço, pedia a palavra e, olhos nos olhos, diria apenas isto: "senhor presidente, tem 48 horas para substituir-me". Ora, se um governante, por ele convidado, aceita a repreensão pública, um enxovalho ao jeito de "vê lá se trabalhas e cumpres o programa de governo, senão coloco-te uns patins", questiono-me, como será daqui para a frente a relação política e a necessária e sadia convivência entre os membros do governo? Por mais que alguns não queiram aceitar, parece-me que, doravante, a suspeição e os olhos enviesados constituirão a tónica do processo governativo. E ser governante constitui um serviço público à comunidade, NÃO UM EMPREGO. 
Outro aspecto que resulta daquelas declarações, que não foram ditas por mero acaso (na política o que parece é) é conhecer as razões mais substantivas das mesmas. O que esteve e o que está em jogo, pergunto? Apenas o sufoco de uma governação desnorteada, daí a explosão através das palavras, como quem quer descarregar angústias, porque o escasso recurso financeiro não permite responder às necessidades da população? Não sei. Mas deve ser muito mais do que isso. Tarde ou cedo se saberá! De uma coisa estou convicto: este governo acabou. Melhor dizendo, funcionará, porque tem de funcionar, mas muito dificilmente assente na confiança entre os seus membros.
Ilustração: Google Imagens.

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