quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

POLÍTICA DE SAÚDE: EM VINTE MESES... TRÊS CONSELHOS DE ADMINISTRAÇÃO DO SESARAM


Não há sistema que resista a tanto jogo de bastidores. O que isto indicia é a existência de extensos conflitos, muitos interesses pessoais e reduzida capacidade em se centrarem naquilo que é fundamental: em um sector vital, um governo que cumpra o desígnio de serviço público, direito constitucional do utente. Ao cidadão, desde há muito, parece tudo preso por arames, com momentos de aparente serenidade, mas lá no fundo, quase invisível, a estrutura move-se e, qual vulcão, periodicamente, expele todo o seu âmago. 


A presente demissão do Conselho de Administração do SESARAM explica esses múltiplos desconfortos da estrutura que procura espaço para explodir. Isto já não é apenas um problema de manta muito curta (leia-se financiamento e dívidas do sistema) que ao puxar para um dos lados deixa o outro descoberto. Parece-me muito mais complexo e esta demissão demonstra-o. Trata-se de uma demissão que está muito para além, convicção minha, de um gesto de solidariedade pelo secretário demitido ou que pediu a demissão. Há muito "magma" a correr e a fervilhar no interior do sistema. A bolha veio à superfície e uma vez mais rebentou. Tal como irá acontecer com outros sistemas aparentemente adormecidos. Inevitável, porque uma paz podre é insustentável, para mais quando o vértice estratégico da liderança deixa muito a desejar.
Uma democracia formal do tipo "duracel" é perigosa. Chega a um ponto que os protagonistas se enredam no labirinto do poder e das cumplicidades, pelo que não conseguem a necessária serenidade para encontrar uma saída. A carne foi-se e mesmo perante ossos há sempre quem deseje roê-los! A solução está, sustento, nas pessoas, nos cidadãos realmente livres quando chamados às urnas. Trago sempre presente as palavras de D. Manuel Martins, Bispo Emérito de Setúbal: "(...) as alternâncias são sempre boas. Por muito boa que seja a pessoa que está, a partir de determinada altura alternar é bom. Já tive essa experiência na minha vida. Fui professor, saí, entrou outro, foi óptimo; fui vigário-geral, saí, entrou outro, foi óptimo; fui bispo em Setúbal, saí, entrou outro, foi óptimo. A alternância é magnífica a todos os níveis e em todos os sectores porque traz novidade, dá esperança, imprime outro ritmo de vida". Concordo, em absoluto. 
Ilustração: Google Imagens.

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