segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

UM DISCURSO QUE CANSA POR NÃO SER VERDADEIRO


Manuel Braga da Cruz, antigo reitor da Universidade Católica, está na Madeira a convite da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE). Declarou: “Temos uma situação excessivamente partidocrática, ou seja, os partidos estão com um protagonismo na vida política que é excessivo e não dão espaço a que os cidadãos tenham um papel mais activo da vida política e na construção do futuro de Portugal” (...) “o problema da governabilidade e da representatividade, assim como da própria abertura dos partidos à sociedade” (...) “Acho que nós precisamos de adaptar o nosso estado social às exigências do mundo contemporâneo e que olhe mais para a sociedade” (...) “o Estado tem dado pouco espaço à iniciativa privada”.


Obviamente que não poderia falar de outra maneira. Percebo o seu posicionamento político. Acredito que seja uma pessoa bem informada e julgo que não anda distraído.   Porém, passei os olhos pelo seu CV e não detectei qualquer trabalho, cargo ou função de âmbito político-partidário. Perante as suas declarações, questiono, porque não participa? Porque não se junta a um partido, onde se sinta enquadrado ideologicamente, gerando o tal espaço de participação? Porque não aproveita as autárquicas onde se assiste a uma proliferação de candidaturas independentes? Depois, como se pode dizer que o Estado "tem dado pouco espaço à iniciativa privada?" Ou será que não viveu neste País entre 2011 e 2015, onde pouco restou para privatizar?
Sinceramente, com todo o respeito pelo Doutor Manuel Braga da Cruz, este tipo de discurso cansa por não ser verdadeiro. Aliás, devem ser os cidadãos, em função dos diversos posicionamentos ideológicos, que se devem juntar aos partidos, fazendo ouvir a sua voz. Por que não aderem, foi a questão que não mereceu uma opinião. Porque de abertura à sociedade, genericamente, todos os partidos têm vindo a defender essa necessidade.
Ilustração: Google Imagens.

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