quinta-feira, 27 de julho de 2017

"EM POLÍTICA O QUE PARECE É"


Tem qualquer coisa de estranho. Na "cerimónia" de tomada de posse da nova secretária da Inclusão e dos Assuntos Sociais (pouco mais de dez minutos) o presidente do governo remeteu-se ao silêncio. Ninguém lhe perguntou o motivo, por isso, não existe uma explicação política. Não é que tivesse de discursar, mas podia, se quisesse, sendo estranho que o líder de uma equipa de governo que nomeou uma nova secretária, apenas tivesse feito figura de corpo presente. Falou depois, aos jornalistas, com declarações triviais. Esse "solene" silêncio pode ter um significado político. Não gosto de fazer especulações, mas existem dois aspectos que, desde ontem, bailam frente aos meus olhos de mero observador: primeiro, que poderá (!) existir um desconforto político entre a ex-secretária e o presidente do governo e, neste caso, o silêncio é de ouro; segundo, pode colocar-se a questão da nova secretária surgir como uma solução de recurso e, aí, também nada melhor do que boca calada para não ferir qualquer susceptibilidade. Certo é que os ventos para o Dr. Miguel Albuquerque não estão de feição (nunca estiveram), os tempos são de alguma aflição política e de perturbação interna a avaliar pelo coro de críticas que vão sendo feitas publicamente e que a recente sondagem do DN deu conta. Afinal, o que, durante anos, criticaram nos outros partidos, enfrentam, agora, em silêncios que corroem.


Em política, é costume dizer-se que "o que parece é", frase atribuída a António de Oliveira Salazar, vejam lá! As duas sondagens publicadas pelo DN para o Funchal colocam a candidata do PSD-M em uma situação de claríssima desvantagem e de muito difícil recuperação. A sua saída do governo, justificada pela necessidade de total entrega à candidatura, não me convence. Poderia ser temporária, com a pasta que tutela assumida, em acumulação, pelo secretário da Educação ou pelo próprio presidente do Governo. Mas não, trata-se de uma saída definitiva com a possibilidade de, daqui por dois meses, nem Câmara nem governo! Regressará à Assembleia. Talvez! 
O que estará por detrás de uma situação destas? Ou, ainda, no campo da especulação, será este um serviço prestado ao partido a compensar, em 2019, com um lugar elegível nas eleições nacionais ou nas europeias? Tenho por adquirido que não há nem almoços nem favores grátis!
O consolado da Drª Rubina Leal na "Inclusão e Assuntos Sociais" não foi de forma a deixar uma marca. Correu muito, andou de um lado para outro, com muitas fotografias de permeio, esteve em muitas iniciativas, apareceu sempre em assuntos politicamente não estruturantes mas, peneirada a sua actividade, interrogo-me sobre o que restou de importante? Concretamente, no plano das políticas de família, da protecção à infância, do combate à pobreza, do emprego com estabilidade, no âmbito da coesão social, da verdadeira paz social e não aquela que é apregoada para consumo? Destes dois anos fica-me a sua persistência em reclamar mais verbas da República, comparando-as sempre com as atribuídas aos Açores, como se, em sede de Orçamento de Estado, não existissem regras e fórmulas que determinam os quantitativos a transferir, independentemente do partido que lidere na República. Vi-a, várias vezes, a cumprimentar com o chapéu alheio, esquecendo-se que a Segurança Social é Nacional, mas, curiosamente, não lhe escutei uma palavra de exigência, por exemplo, na integração no Orçamento da Região, de um complemento de pensão para os mais vulneráveis da nossa sociedade. De resto, como existe nos Açores, onde "todos os pensionistas que auferem um valor inferior ao salário mínimo, recebem 54 euros de complemento regional de pensão (...) actualmente, na Região Autónoma dos Açores 35 mil idosos beneficiam do complemento regional de pensão, sendo que a verba anual despendida é na ordem dos 25 milhões de euros". O próprio PSD açoriano, agora, até deseja que o governo regional aumente em 10% tal complemento. Isto para não falar da comparticipação nos medicamentos dos idosos pobres que, em 2016, beneficiou 4.871 pessoas, valor que ascendeu a 797 mil euros. Tudo do Orçamento Regional. Por aqui, assisti ao seu silêncio público. 
Teria ficado uma marca positiva se outras tivessem sido as suas preocupações. Pouco restou e o futuro dirá sobre as razões mais substantivas que conduziram à sua definitiva saída do governo. Estou convicto que não foi, apenas, pela Câmara do Funchal. Parece-me uma história menos bem contada. Porém, o que aqui deixo escrito apenas constitui uma mera especulação.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

PEDRÓGÃO, O GRAU ZERO DO COMBATE POLÍTICO


Há qualquer coisa de macabro ou, no mínimo, de irresponsabilidade, porque joga com a morte, horrível, de dezenas de pessoas apanhadas pelas chamas. É de muito mau gosto trazer para o centro do debate político (será político?) não as causas, não as questões fundamentais para que o drama não se repita, mas os números da morte, se foram 64, 70, 80 ou mais. O que é que isso resolve? Mesmo para o governo, pergunta-se, a existência de um maior número de vítimas acrescentará alguma coisa? O que pode pesar, doravante, na apreciação dos portugueses não é o lamentável e doloroso número de vítimas, mas as causas que subjazem aos incêndios e a rápida recuperação da destruição. Portanto, o líder da bancada parlamentar do PSD na Assembleia da República vir exigir 24 horas para que o governo apresentasse a listagem correcta das vítimas, tem duas leituras possíveis: primeiro, um combate político miserável e imoral, porque utiliza a morte como arma de guerra política; segundo, a denuncia que não tem mais nada a arguir na cena política nacional, do que entreter-se com uma situação tão macabra "denunciada" por uma popular que alegava possuir uma lista de 73 vítimas mortais!


A Procuradoria-Geral da República (PGR) acabou com esta pouca-vergonha política, ao divulgar um comunicado no qual é referido: "Confirma-se, pois, a existência, até ao momento, de 64 vítimas mortais, cuja identidade se considera poder, agora, ser publicitada com segurança e sem perturbação da investigação". Resta ao recém empossado líder da bancada parlamentar do PSD, se lhe restar um pingo de responsabilidade, pedir desculpa aos portugueses. Julgo eu que existe uma diferença entre mortes directas e indirectas. Ainda esta manhã escutei uma notícia que dava conta de um idoso que tinha sido evacuado e hospitalizado por inalação de fumos. Mais tarde, viria a morrer com uma pneumonia. Não tenho formação para interpretar este tipo de elementos, mas a Justiça domina tal enquadramento. 
Portanto, o que está em causa pós tragédia é a recuperação das habitações, é o apoio aos afectados em diversos domínios, são as empresas e os postos de trabalho, é o regresso a uma certa normalidade que levará muito tempo. Tudo o resto é baixíssima política e corresponde ao grau zero do combate político. Respeitem os mortos, as famílias, o luto e preocupem-se com o realmente é importante!
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 25 de julho de 2017

SERÁ QUE HÁ PESSOAS A DECLINAR CONVITES?


A dança de cadeiras entre governantes sempre me deixou alguma perplexidade. Parece que existem aqueles e não mais do que aqueles. Obviamente que não discuto competências nem as opções de quem preside ao governo. Lá sabe(m), porquê. Agora, que deixa uma imagem de ser limitado o leque de escolha, isso parece-me evidente. Pode estar a acontecer a existência de pessoas que declinam convites ou, então, estamos em presença de um círculo vicioso de amizades. E porquê? Não sendo assunto novo, há dias, a candidatura de Rubina Leal à Câmara Municipal do Funchal, recrutou elementos que são membros do actual governo. Ontem, o governo, para substituir a secretária regional Rubina Leal, convidou Maria Rita de Andrade, actual presidente do Conselho Directivo do Instituto de Emprego da Madeira. Ora bem, ao longo de anos falaram da necessidade de estabilidade como valor maior, agora são os próprios que saltitam daqui para ali e dali para acolá como se tudo fosse normal. Do meu ponto de vista, não é, claro, no decorrer de uma legislatura.


O Instituto de Emprego tem muito que se lhe diga, porque se trata de uma área de intervenção política complexa e preocupante. O seu foco é o emprego ou a falta dele e isso é o que mais preocupa a população. Maria Rita Andrade para lá entrou no dia 01 de Maio de 2015. No Dia do Trabalhador, curiosamente. Dois anos depois, o mínimo exigível para conhecer os cantos à casa e determinar um rumo, que deveria estar muito para além do cumprimento de alguns programas, a Senhora salta para a governação regional. Pergunto: porque está mais à mão ou porque domina os dossiês da Inclusão e dos Assuntos Sociais? Fica a ideia de ser, repito, quem mais à mão estava. Já não refiro, sequer, a questão, se bem que importante, do passado e experiência no quadro político, outrossim em intervenções, escritas ou não, que permitam perceber e avaliar, nesse sector, o seu pensamento em matéria relevante quanto a dos Assuntos Sociais e Inclusão. Não basta uma Licenciatura em Sociologia! Trata-se de uma posição de governo. 
Neste contexto, porque levo muitos anos de vida, de experiências e de contacto com pessoas que muito considero, independentemente dos quadrantes políticos, pessoas que respeito pela sua visão de conjunto deste sector, obviamente que me nego a aceitar a inevitabilidade de uma sucessiva dança de cadeiras, como se tudo o resto fosse um imenso deserto.  
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

DISCURSOS SEM QUALIDADE


Há políticos que ainda não perceberam que as suas intervenções, mesma aquelas durante as quais o povo se diverte entre a espetada, a poncha e o croquete, exigem um mínimo de qualidade. Parece que falam para pacóvios ou para quem, como por aí se diz, anda a tirar documentos para estúpido. O povo já não é isso, não é o de 74, de 80 e mesmo de 90. O povo já não engole tudo quanto dizem de cima do palco. Nem do púlpito, como outrora acontecia! No meio da sua humildade, olha, observa e diz lá para com os seus botões: vais ter! Ora, fiquei estupefacto quando ontem escutei palavreado solto de arrepiar e que espremido nada deita. Entre Passos, Miguel e Fafá, a cantora parece que, ainda assim, foi a melhor.


O de lá, com total amnésia, pegou no microfone e deu três tiros que fizeram ricochete e atingiram-no. Falou do hospital, dizendo que o “povo da Madeira” merece esta infraestrutura (merece ou tem direito?), que lamentava o atraso do governo da República nesta matéria e esqueceu-se, por um lado, que esta é uma história que vem, no mínimo, com avanços e recuos, desde 2001, e que esteve quatro anos como PM e nada resolveu. Mas, ali, foi capaz de dizer que com ele no governo já havia novo hospital. Espantoso. Hoje, sabe-se que, pelo menos, existe uma garantia de comparticipação de 50% nacional. Adiante. Falou do Banif, mas não assumiu as suas responsabilidades quando, muito antes da resolução imposta pelo Banco de Portugal (20.12.2015), não se lhe ouviu uma palavra de preocupação, muito menos de intervenção. Pior, ainda, quando sublinhou que a República está a exigir à Madeira uma taxa de juro superior à da República pelos empréstimos feitos: "A República estar a exigir à Madeira mais do que paga ao FMI é profundamente injusto". É injusto, pois é, mas qual o governo que a impôs e quem é que, sistematicamente, tem levantado essa questão? Não disse, mas o povo, genericamente, sabe.
O de cá, não sei como comentar. Quando de um discurso sobressaem, apenas, que a oposição é uma "geringonça incompetente" que "paralisou, desmanchou e abandonou os concelhos", que é só "conversa fiada", de "promessas", de "mentiras", que a "cidade (Funchal) estagnou", que tudo o que vê é "publicidade paga e sorriso Pepsodente" e que "esta vereação (Funchal) é a pior desde D. Manuel", parece-me que está tudo dito. Os eleitores sabem que não foi por mero acaso que, há quatro anos, sete das onze autarquias foram à vida e que os então eleitos levaram estes últimos quatro anos a pagar monstruosas dívidas criadas e pregadas no tecto, estrangulando uma parte da economia local. E que o actual governo, ao contrário do que acontecia, bloqueou contratos-programa com as autarquias que não seguiam a sua orientação política. Este tipo de discurso já não pega, porque existe maior capacidade de interpretação dos dados trazidos pela comunicação social e porque a oposição, também, tem um discurso muito mais estruturado e acutilante. O tempo de ganhar todos os concelhos e a esmagadora maioria das freguesias já pertence à História. O quadro político é hoje substancialmente diferente. Os "gatinhos" já abriram os olhos e, portanto, conquistaram um sentido de orientação que lhes permite decidir segundo a sua consciência. Quando votam não estarão "dependentes" nem da espetada, nem da poncha, nem do vinho a copo!
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 22 de julho de 2017

ELE ESTÁ AÍ... MAS NÃO ME ESQUEÇO, COELHO!



Vivo em um país felizmente livre, ou livre qb! Livre no que concerne à liberdade individual, mas qb relativamente ao restante, por exemplo, a tantas e tantas amarras europeias e outras. É essa liberdade individual que permite, por exemplo, que o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho continue na sua senda ultraliberal, bem clara nas declarações que todos os dias profere. Está no seu direito, só que ainda não percebeu que, no plano interno, a maioria do povo não deseja o seu regresso. Ou será que percebeu e o seu jogo é outro? Por isso, continua a palrar, agora na Madeira, pela mão do seu amigo Miguel Albuquerque. Pela minha parte, não esqueço quem tanto mal fez aos madeirenses, por isso mesmo considero um atrevimento dar palco a um político que nos esmagou. 


Quando Pierre Moscovici, comissário europeu dos Assuntos Económicos assume que "(...) o progresso de Portugal é muito impressionante", vem o inefável Pedro assumir que "(...) o tempo desta maioria está cada vez mais a esgotar-se, o tempo desta maioria é um tempo perdido para Portugal". Pacheco Pereira, com fina ironia, relembrando declarações passadas, atirou certeiro: "Passos Coelho não consegue ocultar o seu desejo de que o diabo nos visite", isto quando "hoje o nível de confiança dos consumidores está ao nível mais alto de sempre". Mais, ainda, quando a generalidade dos portugueses percebe o que se está a passar com a PT/Altice, vem o Pedrinho, face às declarações de António Costa, dizer que "(...) É uma péssima imagem. É uma coisa quase terceiro-mundista ter um primeiro-ministro que faz, publicamente, acusações a empresas que, em princípio, criam emprego, trazem investimento ao país e podem gerar riqueza". Emprego e riqueza, quando estamos a ver que as manobras visam, a prazo, o despedimento, dizem, de 3.000 trabalhadores? Chamo a isto a defesa da pouca-vergonha. A revista Visão desta semana coloca em título: "Patrick Drahi veio às compras. É conhecido por tratar as pessoas com desprezo e pagar-lhes o menos possível (...)". E o Pedro aceita e o Pedro verga-se! Qual o objectivo do Pedro, perguntar-se-á? Presumo, apenas manter-se fiel à cartilha dos senhores que supervisionam toda esta engrenagem mafiosa, que esmaga povos e nações, em uma lógica de poder subtil, mas absoluto? A sua esperança filia-se no princípio que, sendo "bem comportado" aos olhos de tais senhores, terá, mais cedo que tarde, a recompensa de um lugar como Durão teve e tantos outros têm tido? Talvez.
É nesta lógica que, certamente, se apresenta na Madeira. No plano político, questiono, qual a diferença entre o Pedro e o Miguel? Sinceramente, não sei.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS E O MITO DOS INSUBSTITUÍVEIS QUANDO, AFINAL, HÁ TANTO CIDADÃO DE QUALIDADE


Li o texto do DN. Puxei atrás a minha cassete de vida. Quem quiser conhecer o breve percurso de vida do João Pedro Vieira bastará seguir a edição do DN, de 19 de Julho, página 5. Pela sondagem do DN será eleito Vereador da Câmara do Funchal. Eu, apenas, aqui, deixo a minha vivência, quando fui seu professor na Escola B+S Gonçalves Zarco. Foi dos alunos, confesso, que mais me tocou e que continuo a trazer em memória activa. O João Pedro, para todos os professores, era um exemplo de dedicação, de empenhamento, de participação, de responsabilidade, de ajuda aos outros com dificuldades em perceber a "matéria" leccionada em várias disciplinas, um exemplo de companheirismo, de cortesia, de humor, um exemplo de cidadania, enfim, esgoto as palavras caracterizadoras de um jovem fantástico. Habituei-me a ver no João Pedro, hoje Médico (separam-nos 40 anos) a figura que eu idealizava para toda a juventude em formação: gerações nascidas pós-Abril de 1974, com princípios e valores democráticos, cultos, questionadores, inconformados, insatisfeitos com as respostas, pessoas de causas onde o ser deveria assumir sempre relevância maior em relação ao ter. 


O João Pedro foi e é tudo isto: insubmisso e tolerante, frontal e sem coluna de plasticina. Sempre gostei dele. Tenho presente muitos momentos, mas um levou-me a que dos olhos brotassem uma lágrima de satisfação profissional. Foi quando experimentou o parapente. Saiu do Pico da Cruz para aterragem no Lido. Chegado ao solo, correu para mim, deu-me um forte abraço e, repetidamente, exclamou: obrigado. Nessa fase da minha vida, incompreendida por muitos, o que esta palavra significou para mim! Do ram-ram da escola, de um programa absolutamente anacrónico, tínhamos saltado para outras regulares experiências no mar e em terra. Aquele obrigado significou que eu tinha razão, que a verdadeira escola está muito para além dos muros da escola.
Há, por aí, muitos jovens de qualidade. Lamentavelmente, no plano da participação política, ainda se refugiam, porque partem do errado pressuposto, por um lado, que não vale a pena, por outro, que talvez pelo silêncio consigam singrar na vida profissional. Esquecem-se que a construção do futuro deles depende. Que mais vale a honestidade da frontalidade do que uma vida a dançar o "baile pesado". O João Pedro seguiu o seu caminho, diferente, porque teve a felicidade de ter pais humildes e convictos, trabalhadores e estudiosos, que souberam transmitir o significado da vida e a preocupação pelos outros distante do egoísmo pessoal. 
Há dias, o João Pedro mandou-me uma mensagem. Quer tomar um café, como pretexto para uma conversa mais profunda. Vamos a isso. Para já, quem por aqui passar, fixe este nome, e que tenha a certeza que, uma vez eleito, o Funchal terá um Homem de rara inteligência, trabalhador e com grandes preocupações sociais. Um abraço, João Pedro. Felicidades.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

NO ESTADO DA REGIÃO, TRATARAM OS MADEIRENSES COMO INCAPAZES


O Professor Marcelo Rebelo de Sousa, um dia e em um certo contexto, ressalvo, comparou a Madeira a uma grande autarquia. Infelizmente, teve e tem razão. O debate de ontem na Assembleia Legislativa sobre o "Estado da Região", pouco adulto e nobre, mais me pareceu um de uma assembleia municipal recôndita, para pior, já que por essas bandas, muitas vezes, se discutem assuntos de relevo para a população. Senti um governo encostado às cordas, bandarilhado pela oposição, um presidente do governo distante de um discurso coerente, assertivo, estruturalmente confiante, antes em permanente auto-elogio, jogando as culpas para outros, para o sempre inimigo externo. Já não há paciência para escutar que existe "uma estratégia montada em Lisboa para conquistar a Região". As palavras podem ser outras, bem como o tom e o objectivo, mas, questiono, quantas vezes os madeirenses já não ouviram tal musiquinha?


Ora, enaltecer que existe uma estratégia montada pressupõe, concomitantemente, a admissão da sua própria incapacidade de governação e, pior ainda, parte do pressuposto que os madeirenses são incapazes de fazer escolhas. Da propaganda falaciosa do "povo superior" caem, agora, na área do medo que o poleiro se quebre. Os ouvidos já não suportam que às perguntas, muitas pertinentes, o presidente do governo justifique que os que se opõem se limitam às "fanfarronices de sempre e às mesmas girândolas de desgraças". Os cidadãos, pelo menos os atentos, olham para este enquadramento, frágil e inconsequente, e, certamente, questionam-se: colocar o dedo na ferida das políticas de saúde que, todos os dias, sangram, abundantemente, constitui uma fanfarronice e uma girândola de desgraças?; falar de "800 nomeados políticos em menos de três anos de governo" (JPP) numa terra de desemprego abundante, constitui uma fanfarronice e uma girândola de desgraças?; falar da gritante pobreza e pedir um "basta de caridade" através da "promoção do direito ao trabalho" (PCP) enquadra-se na fanfarronice e em uma girândola de desgraças?; colocar em causa "um governo que pensa que está em estado de graça quando os madeirense não acham graça nenhuma ao estado caótico a que a Região chegou" (BE), em todos os sectores, constitui uma fanfarronice e uma girândola de desgraças? São evidências, diariamente destacadas pela comunicação social, entre outros, nos três pilares da democracia: saúde, educação e assuntos sociais. É o que sentem os madeirenses, face à presença de um governo aos papéis, ziguezagueante, previsível, acomodado e do qual não se vislumbra um caminho de esperança e de confiança no futuro. E o líder parlamentar da maioria, em solo de bateria, com aquele ar altivo, rufou: ninguém pode negar que "a Madeira está melhor em 2017 do que em 2015". Não disse em quê, obviamente. No tempo do anterior governo também som era idêntico. Adiante!
Depois, em todo aquele "debate" ficou a convicção de uma "conversa fiada" de quem tem por hábito culpar terceiros. "A culpa é de Lisboa. Esta é a desculpa dos novos governantes com vícios antigos" (PS). De facto, cansa ouvir a lengalenga, em uma Região Autónoma, que criou, no plano institucional, um "Estado" dentro do Estado, facto que justifica a pergunta "(...) Para que serve a Autonomia se os senhores não governam"?. "Comparando, o executivo regional é um carro que patina na lama apesar de acelerar" (PTP). 
Ora, perante a realidade, será pedir de mais que o governo deixe de ter medo da sua própria sombra, que seja prospectivo, que saiba antecipar e desenhar o futuro, que não seja refém dos grupos económicos que o condicionam, que saiba corrigir os erros de casting de quem foi seleccionado para governar, que saiba dar corda aos sapatos e, nos lugares certos, sem pedras na mão, mas com honestidade, seriedade, frontalidade e verticalidade, exija a solução de problemas vários, que saiba diversificar a economia, que não ande ao sabor dos interesses e pressões venham de onde vierem, que deixe de andar sempre com o fardo da insegurança, passando culpas para outros e a outros níveis (já não falam de "contencioso das autonomias" mas o refrão é o mesmo, a "culpa é de Lisboa" - CDS), repito, será pedir de mais? Tem, pois, razão o director do DN: "após sete horas de "debate" sobra o costume: há uma culpa que ninguém assume".
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

O COMPROMETEDOR SILÊNCIO DO PRESIDENTE DO GOVERNO


CARLOS PEREIRA TEM RAZÃO: A MADEIRA SÓ TEM A GANHAR COM UMA GESTÃO PÚBLICA DA ZONA FRANCA DA MADEIRA


Facto:

Desde há muitos anos que o Dr. Carlos João Pereira, Deputado do PS, defende, com dados inequívocos, a gestão pública da Zona Franca da Madeira. O governo fez sempre ouvidos de mercador e com um sistemático coro de críticas. Agora, veio a Comissão Europeia assumir que a concessão da ZFM a um privado está em clara violação do processo concorrencial.
O líder do PS-Madeira ressalvou que, aquando do fim da concessão, o Governo Regional tinha duas opções: “a gestão pública (defendida pelo PS/M) ou a gestão privada. Tendo optado pela gestão privada, o Governo Regional deveria ter colocado a concessão a concurso público internacional, em nome da transparência, optando pela proposta que melhor defendia os interesses da Região Autónoma da Madeira - o que (incompreensivelmente) não se verificou” - DN-Madeira.

Perguntas:

Que razões claras, objectivas e fundamentadas estão na origem da opção de entrega da ZFM a um conhecido empresário madeirense privado? O presidente do governo não tem nada a dizer sobre esta matéria?
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 15 de julho de 2017

SENHORA DEPUTADA SÃO MUITO MAIS IMPORTANTES OS CONHECIMENTOS ÚTEIS DO QUE OS INÚTEIS!


Não é que tivesse achado estranha a atitude da Senhora Deputada Sara Madruga da Costa (PSD-M). Pelo que leio e pelas reacções vindas a público, trata-se de um continuum que caracteriza a sua prática política. Dizia-me, há muitos anos, o Professor Doutor Salvato Trigo, no decorrer de uma aula sobre "comunicação social", que há pessoas que andam sempre à procura do anormal. Reflecti, através das suas exposições, que "é, indiscutivelmente, mais importante transmitir os conhecimentos úteis, porque os inúteis cada um que os obtenha por si só". Os úteis são importantes porque trazem no seu bojo uma aplicação prática.

Deputado Luis Vilhena

Estive para não escrever uma linha sobre o comunicado da Senhora Deputada do PSD-M. Porque considerei inútil preocupar-se com o facto do Deputado Carlos Pereira (PS-M) ter questionado o Primeiro-Ministro sobre o novo hospital e não ter obtido resposta imediata (debate sobre o Estado da Nação). Quem foi ou é deputado sabe, que quando interpela o governo, há sempre respostas que ficam por dar. Muitas vezes necessário se torna "reformular a questão". Voltar a insistir. Depende do tempo disponível, da relevância de uns assuntos em relação a outros, do próprio ambiente do debate, enfim, há múltiplas situações que se jogam no calor do debate político. É assim, não há volta a dar.
Repito, estive para não comentar, mas o comunicado do Deputado Luis Vilhena (PS-M), sinceramente, aguçou-me o apetite. Eis uma parte do texto seleccionado pelo DN-Madeira:
“Seria muito mais profícuo para os madeirenses que a deputada Sara Madruga da Costa, em vez de apontar o dedo aos seus colegas de outros partidos, por fazerem o seu trabalho, tentasse arranjar espaço dentro da sua bancada parlamentar para colocar questões” (...) “É mais fácil dizer que o ‘deputado x’ ficou sem resposta do que explicar porque é que a própria nem sequer pergunta fez”, acrescentou. “Diz tanto de quem se põe em bicos de pés para cavalgar o trabalho alheio, como quem reproduz sem fazer as perguntas que se impõem”, criticou. Foi este o sentimento que tive quando li a declaração da Senhora Deputada. As velhas "escolas" partidárias não contam nos dias de hoje.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

"500 DIAS = 5 PAUTAS, 5 SENTIDOS, 5 ESTROFES..."


QUE VENHAM OUTROS 500!

"Quando me seduzi pelos tempos ímpares, desde Outubro de 2014, comprometi-me a fixar 500 textos. Acabei de cumpri-los hoje mesmo. Soavam as badaladas de cada dia ímpar e logo batiam dentro de mim os apelos do dever assumido, dever-prazer de estar com quem, longe ou perto, geminava comigo ideias e sensações. E a quem deixo a grata expressão do meu reconhecimento.


Faz de tudo este pombo-correio das redes sociais. Transporta no bico penugens de afecto, semeia “canções ao vento que passa”, espalha mágoas e atira setas certeiras em alvos incertos, esbanjando perdulárias risadas de primavera sem data. Por outras palavras, tudo se escreve nas águas correntes, conforme ao gosto do autor e ao sabor do incógnito espectador. Pela parte que me toca, o compromisso nunca foi o de encher canais ou poluir o ar que os outros respiram, mas sim o de conectar-me com a força anímica que move montanhas e alavanca os espíritos. Porque, afinal, “nenhum homem é uma ilha”!
Tocado pelo mesmo impulso, decidi caminhar por nova pista, paralela à anterior, num projecto mais amplo e consistente. Porque “o tempo é a medida de todas as coisas” e fica sempre escasso, estabeleço uma pausa estival nos “dias ímpares” permanecendo, no entanto, com os meus “compagnons de route”, amigas e amigos, apenas duas vezes por semana.
Tirando a “prova dos zeros” aos 500 dias anteriores, reduzo-os aos 5 dedos da minha mão aberta, ofereço-os como os 5 sentidos do meu todo e componho-os como se fossem 5 estrofes sonoras nas 5 pautas da sinfonia de cada vida. Quanto desejaria, enfim, que ficassem como 5 estrelas alumiando as 500 noites do SENSO&CONSENSO!"
Estamos juntos!

NOTA

Texto do Padre José Martins Júnior
07.Jul.17

terça-feira, 11 de julho de 2017

JÁ SE SABIA, MAS NÃO HÁ COMO RECORDAR... "PEDIRAM-ME PARA FAZER A MUDANÇA E BOICOTARAM-ME" - Miguel Andrade, ex-director regional de Saúde (1992/1994)


"Saiu porque não lhe deram condições de trabalho. As mesmas pessoas do PSD que, ainda hoje, dificultam a administração da saúde" (DN-Madeira, edição de hoje). "Fazer mudanças no SRS, implicava com muita gente e muitos interesses instalados (...)". Vale a pena ler a entrevista ao Dr. Miguel Andrade (página 24).


Daqui ressalta um ponto que reputo de enorme importância. Quanto mais tempo um partido político detém o poder, mais crescem as raízes dos interesses. E essas raízes, no presente caso, que se estendem, na Madeira, a todos os sectores e áreas de actividade política, são enormes, grossas, "tentaculares" e poderosas que dão cabo de tudo. 
Em matéria política, em defesa do cidadão, só há uma possibilidade de contrariar esse crescimento anormal, exactamente quando o povo corta o mal pela raiz. Isso faz-se no dia das eleições. Só que há 41 anos que o povo vira o disco e ouve a mesma música. Assim, o boicote continuará, inevitavelmente.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 9 de julho de 2017

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS TRANSFORMADAS EM "QUEM DÁ MAIS?"


Está a atingir o clímax das propostas, algumas, convenhamos, sem sentido. Há candidatos que chegam ao ponto de confundirem o que deve ser da esfera de competências do governo regional, relativamente a tudo aquilo que as autarquias, e bem, devem propor e responsabilizar-se pelo seu cumprimento. Trago aqui um aspecto muito concreto: aquele que tem a ver com a responsabilidade autárquica no sector da Educação. Não sendo exclusiva, porque há competências descentralizadas na administração municipal, mas em uma Região tão pequena, com um número de habitantes muito inferior ao concelho de Sintra, as responsabilidades no quadro dos direitos fundamentais por toda a "acção social educativa", pertencem ao governo regional. Aliás, existe uma Portaria nesse sentido. Porém, o que se verifica, é que há propostas para todos os gostos e diferentes de concelho para concelho. Uns prometem livros para todos, outros prometem transportes e outros, ainda, "bolsas" de estudo aos estudantes. O governo, esse, assiste, manhosamente, impávido e sereno a este "leilão", que de todo não me parece correcto. Presumo, porque o seu orçamento é curto e se os outros pagarem, tanto melhor. Sustento que, em síntese, com uma justiça social feita (ou deveria ser) em sede de IRS, as responsabilidades pelo cumprimento do direito constitucional à Educação é da competência do governo no âmbito das políticas para este sector.

... DE PROPOSTAS, CLARO!

Por partes. A esmagadora maioria das autarquias da Região apresenta dívidas incomportáveis. Até ao céu da boca. E sendo o dinheiro um recurso sempre escasso, para atender às necessidades mais sentidas e reclamadas pela população, pergunto, qual a razoabilidade de assumirem compromissos que a outras instituições dizem respeito? Apontei um caso concreto: a Educação. Mas, façamos agora um "zoom" e situemo-nos na proposta que a candidata Rubina Leal apresentou, ontem, e que hoje foi reproduzida pelo DN-Madeira. Diz a candidata, sublinho, actual secretária regional da Inclusão e Assuntos Sociais, que pretende apoiar o transporte de 7.700 alunos, alargando, desta feita, os passes sociais aos alunos do 2º ciclo. Quer, segundo a sua posição, "colmatar uma lacuna" porque entende que se justifica um apoio, entre outras razões, também a quem tenha a residência a 500 metros da escola e não a 1.500/2.000, segundo o que está disposto pelo governo.
Ora bem, 500 metros significa estar a seis/sete minutos do estabelecimento de ensino, o que me parece uma proposta ridícula. Pode significar entrar em uma dada paragem para sair na seguinte, com a Câmara a pagar! Depois, não deixa de ser curioso que seja a secretária regional, agora candidata à Câmara do Funchal, que se apresente a combater uma Portaria do governo a que pertence, a qual estipula os apoios, por escalões, inclusive, os de âmbito dos transportes. Mas há mais. Por um lado, assiste-se ao secretário da Saúde a pedir para os utentes do hospital (e não só) subirem os andares dispensando os elevadores (até, de degrau em degrau, estão inscritas as calorias consumidas), por outro, a secretária dos Assuntos Sociais, proponha o transporte público quase até à sala de aula, em uma idade que bem podem (e devem, por hábito) andar a pé. E os alunos do 3º ciclo e secundário? E onde corta no orçamento camarário para pagar este apoio? Ficou por explicar.
E todo este "leilão" acontece quando não há dinheiro, quando a candidata reclama, apontando o dedo, a falta de obras aqui e ali que tanto jeito davam às populações. Quando a candidata sabe que são necessários muitos milhões para corrigir o pandemónio urbanístico e de equipamentos nas zonas altas e super-altas, quando sabe que durante quase quarenta anos, por falta de investimento, é alta e preocupante a água que se perde na rede e quando sabe que a reabilitação urbanística consome incontáveis milhões. Isto para não falar da dívida da autarquia.
Há oito/nove anos, na  Assembleia Legislativa, assumi que a Portaria da "Acção Social Educativa" do governo era (e continua a ser) INDECOROSA. Aquilo é um amontoado de palavras e pouco mais. Tanto assim é que os autarcas fazem propostas que venham minorar os problemas. Pois bem, deduzindo-se, agora, que aquela proposta da candidata Rubina Leal vai totalmente contra as regras impostas pelo governo a que pertence, só tem uma saída política: na próxima Quinta-feira, na reunião semanal do governo, "mandar ao fundo" a Portaria da Acção Social, exigir a revisão da mesma, para que se possa apresentar ao eleitorado com credibilidade, defendendo, de uma vez por todas, a separação das águas, entre o que deve ser da exclusiva competência do governo e da autarquia à qual concorre.
Eleições autárquicas transformadas em "quem dá mais", não, obrigado.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

DESABAFO: PARA ONDE CAMINHAMOS?


Os tempos que estamos a viver apresentam, cada vez mais, sinais de grande preocupação. Sempre foi assim, sempre passaram pelos olhos do ser humano, situações absolutamente chocantes. É milenar, infelizmente. Torna-se, apenas, mais gritante, porque nós estamos a vivê-las, porque a notícia corre, hoje, em um instante através da globalização tecnológica. Um pouco por todo o lado, em todos os continentes, perdeu-se a vergonha. Compaginamos situações e interroga-mo-nos: que raio se está a passar que, ao invés de atitudes responsáveis, vemos um contínuo resvalar da dignidade, do bom senso, do respeito, da ética e da moral? É demasiado simplista reduzir tudo a um tempo do Homem peça da economia e de políticas que, dizendo não dizendo, empurram para o caminho da riqueza, da ganância, do dinheiro fácil, da luxúria, da aldrabice, de um salve-se quem puder. Já não é o "pilha-galinhas", coitado, que está em causa, mas gente do topo das hierarquias que nos assustam com os seus comportamentos. 


Esta semana que agora termina, três casos deixam um rasto de perplexidade e de muita preocupação. Três casos entre muitos outros, desde entidades bancárias a fraudes de todo o género, passando, também, por ditas gradas figuras do Estado, inclusive, dos Órgãos de Soberania. 
Primeiro: como é possível um Major-General, alegadamente, esteja envolvido em questões de suspeita de uma rede que, fazia o seu "negócio" com os fornecimentos de bens às messes? Um General, que eu saiba, para lá chegar, passa por muitos crivos de avaliação, não apenas de competência, mas por questões de idoneidade e exemplaridade. Como é possível? Como é possível estarem envolvidos, uma vasta hierarquia até ao nível hierárquico de Sargento? Um General a "apadrinhar" um Sargento? 
Segundo: Como é possível que um antigo Juiz, agora com 51 anos, tenha sido "julgado e condenado pelo Tribunal de Bragança a uma pena suspensa de dois anos e onze meses de prisão por adulterar o estado de dezenas de processos, passando-os para concluídos, quando ainda não havia sentença, para "viciar" estatísticas e "aumentar artificialmente" a sua produtividade. Que, agora, volte a ser julgado e condenado pelo crime de violência doméstica, por ter infligido "maus-tratos físicos e graves e reiterados maus-tratos psíquicos à ofendida", tendo assim cometido, "sem dúvida, o crime de violência doméstica". Como é possível, quando a selecção de pessoas no acesso à Magistratura é ou deveria ser de um extremo rigor? Como é que um homem destes exerceu a função de juiz de causas que lhe passaram pela mesa de trabalho?
Terceiro: Nada tenho contra a homossexualidade. Respeito-a, totalmente. Causa-me, sim, perplexidade e tristeza não apenas os muitos e escandalosos casos que vão sendo conhecidos na Igreja, e que o Papa, reiteradamente, pede perdão, mas este que, alegadamente, envolve altas figuras do Vaticano. Li: "O apartamento alvo da polícia está afeto à Congregação para a Doutrina da Fé, organismo que, entre outras atribuições, tem a responsabilidade de lidar com os escândalos de abuso sexual de menores por membros da Igreja. (...) "A polícia do Vaticano interrompeu uma orgia homossexual no apartamento onde vive o cardeal Francesco Coccopalmerio, um dos principais conselheiros do Papa Francisco." Isto, quando "a Igreja Católica volta a ser abalada por um escândalo sexual, pouco depois de o seu chefe das finanças, o Cardeal George Pell, ter sido formalmente acusado de crimes sexuais". Como é possível? Parece-me, óbvio, que têm, na minha modesta opinião, direito de optarem pelo caminho que melhor entenderem, mas têm o dever de respeitar a instituição, saindo da Igreja que os acolheu.
Três casos, entre centenas e centenas, de todos os sectores e áreas de actividade, que nos levam a olhar para o Mundo de uma forma enviesada e com a preocupação de alguma coisa fazer. Apenas um desabafo.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

SOBRE A DISPONIBILIZAÇÃO DE MEIOS AÉREOS NO COMBATE A INCÊNDIOS NA MADEIRA

Carlos Pereira, Deputado do PS-M foi muito claro na RTP-Madeira.

 

Nota
Enquanto cidadão e telespectador, confesso que tenho muita dificuldade em aceitar que um moderador de um debate intervenha com posições que são as do poder político regional. Para essa tarefa está lá a representante desse poder. É isto que sistematicamente acontece. Parto do princípio que se trata de um lapso não intencional e, portanto, a corrigir. 

segunda-feira, 3 de julho de 2017

A QUEIXINHAS


(Por Estátua de Sal, 03/07/2017)



A Dona Cristas parece uma daquelas meninas mimadas a quem um menino mau puxou os cabelos e vai logo fazer queixa ao paizinho. Hoje lá foi ao beija-mão ao Professor Marcelo para fazer queixa do governo das esquerdas (Ver noticia aqui). O Costa é o chefe da quadrilha dos meninos maus, e dentro da quadrilha foi a menina Constança e o menino Azeredo que puxaram os cabelos à Assunçãozinha.
Vai daí, ela pede a demissão dos ministros com um ar muito sério para demonstrar que não é uma questão de birra infantil mas sim uma grave questão de Estado, um assunto para pessoas crescidas e não para meninas mimadas. Gostava de ter visto a cara do Célinho a ouvir tanta aleivosia. Provavelmente deve ter-lhe dito que fazer queixinhas é muito feio, que uma boa cristã não faz queixinhas. e que ainda não chegámos ao Brasil e não premiamos a delação.
As minhas perguntas, para a D. Cristas, são as seguintes:
Se o mau do Costa não demitir os ministros a Assunção pede a demissão do primeiro-ministro e a queda do governo?
Se, a seguir, o Costa assobiar para o ar e não se for embora – satisfazendo o pedido (ordem?!) da menina zangada -, e Marcelo não o demitir, irá pedir a demissão do Presidente da República?!
Como ambos os cenários acima são ridículos, fica a claro a caricata figura que a oposição anda a fazer em todo este folhetim, o triste papel que a D. Cristas, mais o Coelho, andam a desempenhar. Alguém os viu apresentar alguma proposta para resolver os problemas do fogo e das armas roubadas que andam a cavalgar? Apenas os ouvimos a pedir responsabilidades, a empolar o caos e a pedir demissões.
Triste país, onde ninguém discute a causa das coisas. A desagregação do Estado e dos serviços públicos que decorre da asfixia financeira que o serviço da dívida nos impõe, mais a exigência da redução do déficit público a mata-cavalos. Mas isso a D. Cristas não diz: ajoelha de mãos-postas no regaço do Schauble, pede-lhe a benção e que lhe seja ungida a testa, por ser muito devota e cumpridora.
Perante este cenário, e perante esta oposição de opereta, antes de demitir os ministros dever-se-ia por começar por demitir os líderes da oposição. Parece que Passos já está em queda livre, e já começaram a afiar-se as espadas dentro do PSD. E a D. Cristas quer ter o chinelo maior que o pé e fala demasiado grosso, tendo em conta a valia eleitoral do CDS.
É que, como dizia Benjamim Disraeli, “não há governo seguro sem forte oposição”. E a oposição que temos não chega sequer a ser uma tragédia triste. É mais uma comédia de mau gosto.

Do blogue Estátua de Sal.
https://estatuadesal.com/

terça-feira, 27 de junho de 2017

AI ACIF... ACIF!


Com que então... a ACIF gosta e não gosta que a Madeira disponha de uma ligação marítima, por ferry, ao Continente. A sua presidente considerou, "óptimo" que a Comissão Europeia tenha autorizado a concessão de subsídios aos passageiros e à carga agregada na linha ferry para a Madeira, sublinhando que "(...) é sempre positivo quando vemos estrangulamentos serem desbloqueados", mas, lá veio o mas, a “concorrência desleal não pode existir”. Ora bem, pergunta-se, o que significa ou pretende significar essa história da "concorrência desleal"? Porque "(...) há empresários que acham o ferry negativo para a sua área de negócio"? Que empresários? Os mesmos que sempre fizeram trinta por uma linha para manter o privilégio das várias rendibilidades nas ligações e portos?

ARMAS ou qualquer outro...


Como se depreende da sabedoria popular, "pelo bulir dos beiços percebe-se ao que vem". Eu percebo, ou melhor, parafraseando o falecido Deputado do PCP João Amaral, "eu sei que você sabe que eu sei (...). A Senhora presidente da ACIF fez-me lembrar a confissão de um sujeito a um padre: "roubei uma cordinha, senhor padre". Oh filho se foi só isso, não te preocupes. Vai pôr a corda onde estava e pronto. E o sujeito continuou a insistir na história da cordinha, até que, o padre, perdendo a paciência, ter-lhe-á dito: mas porquê essa insistência, homem de Deus? A muito custo a resposta lá saiu: na ponta da cordinha veio uma vaca, senhor padre! 
Ora, então não se percebe a posição da ACIF? Compreende-se, pois claro. É sempre "óptimo" desbloquear "estrangulamentos", mas, cuidado, a concorrência (desleal) não pode existir. Repito, o que é isso de "concorrência desleal"? Preços mais baixos, adequação das empresas ao mercado, pode ser considerado "desleal" porque, porventura, pode bulir com interesses instalados? Então a livre concorrência, estabelecidas as regras, por princípio, não é fundamental para que as pessoas possam ter mais e melhores produtos a custo mais acessível, transporte marítimo de passageiros e veículos? Qual é o problema? Qualquer cidadão minimamente atento percebe o problema! Percebe que, para além da cordinha, existe uma vaquinha bem gorda, alimentada ao longo de muitos anos.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 25 de junho de 2017

38.000 MADEIRENSES À ESPERA DE UMA CONSULTA (DN)


O problema do sistema de saúde é político, não é técnico, nem financeiro. Se fosse técnico seria a consequência da má qualidade e abandono dos profissionais de saúde, concretamente, médicos, enfermeiros e restante pessoal qualificado em várias áreas complementares. Não é, a avaliar pelo reconhecimento, muitas vezes público do que fazem, em função das lacunas de meios e dos cortes cegos ao nível dos salários, já de si dos mais baixos na Europa. Financeiro também não, quando se vê gastar (diferente de investir) milhões em actos secundários, do governo às autarquias, sem qualquer efeito multiplicador e ao longo de dezenas de anos. Tivesse o sistema de saúde sido prioritário e não estaria a Madeira, na saúde, por exemplo, a correr atrás do prejuízo. Só pode ser político, isto é, de péssima administração e gestão da "coisa pública". E tanto assim é que, entre 2015 e 2017, a Madeira dispôs de quatro secretários na pasta da Saúde e vários Conselhos de Administração do SESARAM.


Ninguém pára para reflectir. Não há semana que a comunicação social não reporte situações que envergonham. É a falta de medicamentos, é a saída de médicos do sistema, é a sangria de enfermeiros "despachados" para outros países que aproveitam a qualidade formada nas instituições portuguesas, são as instalações que não satisfazem, são as listas de espera desde cirurgias a uma consulta de rotina, é o novo hospital em situação de permanente impasse há mais de quinze anos, são as decisões internas geradoras de conflito, é o paleio político para consumo mediático, mas sem efeito duradouro e consistente para todos os utentes, é a ausência de educação para a saúde, eu sei lá, para além dos temas de informação ou de reportagem, a série de questões estruturais que chegam ao conhecimento das pessoas. Portanto, esta é uma questão claramente POLÍTICA. Organizem-se e se falta capacidade para conduzir este processo, têm uma boa solução, ceder o lugar a quem, politicamente, se sinta capaz de o fazer! 
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 20 de junho de 2017

SONDAGEM DETERMINA MUITO JUIZINHO NA OPOSIÇÃO



O PSD-Madeira a cair significativamente não é nada que espante. Depois de quarenta anos no poder até considero que o desgaste ainda é, estranhamente, favorável. Mas, neste momento, a verdade é que, enquanto indicador, o PS-Madeira, já  por duas vezes, triplica o número de deputados. Parece existir aqui uma grande consistência do eleitorado quando às suas opções. Pelo menos por agora.
Ora, isto significa que a oposição tem de ter muito juizinho se quiser surgir aos olhos do povo de forma consistente, focado em um único objectivo, isto é, permitir que esse povo experimente outras formas de governo. No espaço continental esse aspecto está consolidado, pois os eleitores dão e retiram a confiança sempre que entendem. Na Região Autónoma dos Açores o mesmo acontece. Falta à Madeira essa experiência que é vital na democracia. E sendo assim, necessário se torna adultez política. A começar pelas autárquicas.
Ilustração: DN-Madeira

SAVOY: O MONSTRO ENCALHADO



Li uma peça no DN-Madeira na qual um Arquitecto, julgo que Paulo David, falava de "navios encalhados", referindo-se a algumas zonas históricas do Funchal, no caso concreto, Moinhos, que uma vez reabilitados tornar-se-ão zonas apelativas, agradáveis e de valor. No caso do Savoy, parece-me exactamente o contrário, pois trata-se de um "navio encalhado" no pior sentido. Coloquem, agora, uma chaminé!!!
Ilustração: Arquivo próprio.

domingo, 18 de junho de 2017

UMA SÓ PALAVRA: VERGONHA.


Foto DN/Flagrante.

Uma foto obtida do mar ou do cais Molhe da Pontinha apresenta-nos esta obra, em construção, do novo Hotel Savoy. Não sei se já chegou ao topo! São 20 andares, 15 dos quais acima da cota de soleira. A explicação, pormenorizada, pode ser lida no texto da Drª Violante Saramago Matos, AQUI. Várias foram as vozes que se levantaram sobre esta megalómana obra, inclusive, a do presidente da delegação regional da Ordem dos Arquitectos. Inclusive, uma petição acabou por não ser entregue na Assembleia, por não ter reunido o número suficiente de assinaturas. Significativo do alheamento. Para já, trata-se de uma obra que rebenta com a escala do anfiteatro da cidade do Funchal. Há uma pergunta que, neste momento, deve ser colocada: tendo sido do Dr. Miguel Albuquerque a responsabilidade total da autorização da sua construção, hoje, o que pensa, após o que está à vista de todos? Seria interessante conhecer a sua leitura sobre esta agressão paisagística que ajuda a descaracterizar o anfiteatro da cidade do Funchal. Mais, seria bom que fosse do conhecimento de todos os funchalenses os pareceres das entidades envolvidas.

sábado, 17 de junho de 2017

FUTEBOL "INDÚSTRIA CANIBAL"


Gosto de acompanhar um bom espectáculo de futebol. Tal como fico preso à televisão aquando de outras modalidades de onde sobressaem imensos aspectos deste a técnica à beleza do movimento, só possíveis com muitos anos de persistente dedicação. O que não suporto é ter de passar de canal em canal e ter de levar com todos, sentados e pagos, a falar da mesma coisa, bastas vezes ofendendo-se, em uma insuportável gritaria. De uma ninharia fazem uma novela! E levam dias a falar da mesma coisa. Quando não há assunto para especular até ao tutano, vistas as repetições de todos os ângulos, coisa que o árbitro não dispõe, ficam por aí na falta que o árbitro não viu, no fora-de-jogo mal apontado, na grande penalidade que ficou por marcar, enfim, permitam-me a expressão, em uma chafurdice para a qual não há paciência. Há quem goste, aceito, mas não deixa de ser demais. Agora é a paranóia dos e.mails e se o Ronaldo fica ou não em Madrid. Faço como um dia o Herman despachou: não gosta... mude de canal que também é a cores. É a minha opção preocupado que estou com outros aspectos bem mais importantes. 


Ora que raio, se existiu ou se existe corrupção, pequena ou grande, que envolve, dizem, dirigentes e árbitros, apresentem as provas na sede própria, na Justiça. Ponto final. Aliás, sabe-se que ela, corrupção, anda por aí. Por todo o sítio. É a própria comunicação social que, diariamente, nos informa. E é o próprio Ministério Público que monta tantas operações no sentido de verificar papelada comprometedora. E são os Tribunais que, uma vez ou outra, condena por provas concludentes dessa corrupção. Outra coisa é o espectador ter de levar com horas a fio de paleio maldizente e especulativo. Entre a miséria de um big brother ou coisa parecida, em sessões contínuas, e certos programas de pressuposto "desporto", venha o diabo e escolha!
Gente identificada com os designados três grandes do futebol, como se outros não existissem ou servissem, apenas, para compor o ramalhete; gente, sou capaz de apostar, muitos, sem um passado nem um presente de actividade física ou desportiva regular, tão gordos se apresentam, mas que falam e falam como se doutorados fossem; gente que proporciona um  péssimo exemplo para os mais novos que ficam embebedados no discurso e que acabam por reproduzir, mais tarde, essa discussão estéril. Falam de esquemas tácticos, de regras de arbitragem, de técnica, de características dos jogadores, substituindo-se aos treinadores, como se acompanhassem o dia-a-dia do treino, ou alguma capacidade tivessem advinda de uma qualquer licenciatura em desporto. Em alguns casos é chamada ignorância altifalante.
Desde os anos sessenta que tenho um certa simpatia por um determinado clube. Mas passo muito bem sem ele. Sou sócio de um clube há 67 anos, mas passo muito bem sem ele. Não frequento estádios e há dezenas de anos que não assisto ao vivo a uma partida. Portanto, é para o lado que melhor durmo se tais clubes ganham ou perdem. Porém, parece-me óbvio que um clube, seja ele qual for, após uma caminhada de trinta e seis jornadas, chega em primeiro lugar, é porque tem, no mínimo, o mérito da regularidade. A vitória fica a dever-se aos árbitros e aos dirigentes? Não me parece razoável, porque se assim fosse o escândalo já tinha sido há muito despoletado. De resto, porque a corrupção é inaceitável, quem tem provas, tem o dever de as remeter para o Ministério Público e deixem-nos desse matraquear diário de e.mails deste e daquele! Até porque, todos, da FIFA à UEFA  até aos clubes e jogadores, pelo que se sabe, em função de processos anteriores e do que é público, como diz a voz do povo, ninguém têm água com que se lave. Galeano tinha razão quando se pronunciou sobre o futebol: "(...) é uma indústria canibal".
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O CORPO DE DEUS MUTILADO


Sim, é disso que se trata. O Corpo de Deus está mutilado na humanidade por todo o mundo, vou alumiar aqui alguns exemplos...


1. Hoje especialmente está mutilado em Londres nas vítimas do grave incêndio que consumiu um edifício residencial, Grenfel Tower, em Londres. Pomo-nos em silêncio perante tamanha hecatombe infernal.
2. Na Venezuela onde a violência, a fome e a falta dos bens essenciais são uma realidade quotidiana, Deus fica mutilado perante a barbárie, a prepotência e a teimosia. Sim, a teimosia ditatorial que faz o seu caminho e não se importa que mutile o Corpo de Deus nos seus cidadãos, deixando-os a morrer à fome, na pobreza e na violência, especialmente, suscitada pelas forças de segurança. Um drama que não se imagina onde vai parar.
3. O terrorismo semeia a morte por todo o lado, fazendo vítimas inocentes, especialmente, crianças indefesas e tantas pessoas que estava no lugar errado e na hora errada, porque alguém sem amor à sua vida e muito menos à dos outros faz explodir as bombas do ódio e da vingança, às vezes invocando-se erroneamente o nome de um deus. Um absurdo que não limpa nenhum terrorista da condição de criminoso.


4. Entre nós o Corpo de Deus está mutilado nos serviços da saúde que falham em muitos domínios, não por causa do nosso dedicado corpo de pessoas que se dedica aos doentes, médicos/as, enfermeiros/as e todo o pessoal auxiliar que fazem das tripas coração para salvar o mais que podem os seus/nossos doentes. Mas o Corpo de Deus não deixa de se mutilar por causa da consulta que não veio a tempo razoável, faltaram os medicamentos, faltou a máquina do coração, os medicamentos, o mamógrafo e todo o material para ser feita a urgente e a tão desejada cirurgia, que iria salvar ou adiar o momento derradeiro deste mundo.
5. O Corpo de Deus fica mutilado todas as vezes em que se recorre à violência por ódio, por vingança e para impor uma vontade pessoal, mesmo que seja a mais absurda do mundo. Daí que tenhamos que contar com tantas pessoas com o coração negro porque foram espancadas, violadas sexualmente ou simplesmente escravizadas de alguma maneira para que vingasse o gosto mórbido dos pequenos e grandes ditadores que existem por todo o lado.



6. O Corpo de Deus está mutilado por tantos que estão sem pão e sem chão, jogados no olho da rua do desespero, na exclusão do trabalho digno, nos sem abrigo, nos toxicodependentes, na solidão e depressão infernais, na indiferença que é o pior veneno dos tempos atuais, nos excluídos das decisões que vêm a ter implicação na vida de todos… A mutilação do Corpo Divino está nas feridas e nas chagas de tantos idosos jogados ao abandono de lares, hospitais e alguns até completamente exilados nas suas próprias habitações bem perto de familiares próximos.
7. O drama dos refugiados. É a maior chaga do nosso tempo. São multidões em fuga dos métodos de violência que regrediu ao tempo da pedra lascada, levada a cabo por grupos rebeldes, que nasceram como cogumelos, resultantes de políticas erradas das grandes potenciais mundiais, o negócio das armas e as posições hipócritas de muitos governantes de países ditos civilizados.



8. Por isso, há este dia do Corpo de Deus, para que no pão e no vinho, que se transubstanciam em Corpo e Sangue de Cristo na Eucaristia, para que daí venha a radicalidade transformadora da vida e do mundo para que o sonho nos torne militantes da construção de um mundo mais humano e fraterno.

9. O Papa Francisco numa das suas catequeses sobre a Eucaristia escreveu e termino com isso: «Por vezes, alguém pergunta: “Por que deveríamos ir à igreja, visto que quem participa habitualmente na Santa Missa é pecador como os outros?”. Quantas vezes ouvimos isto! Na realidade, quem celebra a Eucaristia não o faz porque se considera ou quer parecer melhor do que os outros, mas precisamente porque se reconhece sempre necessitado de ser acolhido e regenerado pela misericórdia de Deus, que se fez carne em Jesus Cristo. Se não nos sentirmos necessitados da misericórdia de Deus, se não nos sentirmos pecadores, melhor seria não irmos à Missa! Nós vamos à Missa porque somos pecadores e queremos receber o perdão de Deus, participar na redenção de Jesus e no seu perdão». Vamos todos contribuir com a nossa medida de bondade empenhada para que tenhamos menos o Corpo de Deus mutilado à nossa volta

NOTA
Texto do Padre José Luis Rodrigues, publicado no seu blogue "Banquete da Palavra"

segunda-feira, 12 de junho de 2017

É MAIS FÁCIL UMA CAMPANHA NEGATIVA DO QUE UMA CAMPANHA PROPOSITIVA


Começam a aparecer indicadores que denunciam que, alguns, pouco ou nada aprenderam com os anos que já levamos de DEMOCRACIA. Em poucas palavras: as campanhas negativas e ofensivas, muitas vezes, da dignidade das pessoas, continuam a prevalecer relativamente às campanhas de natureza propositiva. Já não é tanto a promessa fácil que está em causa, enquanto engodo para a conquista do voto, mas a proposta global definidora de uma maneira de encarar e preparar as cidades e vilas para um futuro sustentável em todos os sectores e áreas de actividade. Julgo eu, depois de muitos anos a acompanhar este processo, que é residual o número daqueles eleitores que ainda alinham ou toleram o discurso ofensivo, a promessa pontual ao nível do beco, da tampa de saneamento básico, da posição das mesas de uma esplanada ou em cartazes de uma franciscana pobreza na mensagem. Estão enganados os que pensam que, por essa via, ganham a confiança dos eleitores.  


Choca-me, por isso, quarenta e três anos depois de Abril, os alegados actos de corrupção não sejam dirimidos em sede própria, nos Tribunais, ou, então, uma juventude partidária, que deveria ser irreverente e propositiva em defesa do seu futuro, escolha exactamente a mesma conversa dos seus eventuais e históricos mentores. É triste assistir à democracia nivelada por baixo. Por um lado, por exemplo, no caso da corrupção, porque a lei é para ser cumprida, reunidas as provas concludentes da sua existência na gestão e administração da "coisa pública", não exista coragem para solicitar a respectiva investigação, antes julguem preferível alimentar ou o boato ou as manifestações mediáticas provocadoras de dúvida; por outro, na comunicação através de cartazes, os eleitores sintam que aquilo com que são confrontados não corresponde, grosso modo, à vivência do dia-a-dia.
Isto é preocupante em uma altura que é sensível que a população nutre desconfiança na generalidade dos políticos, bem presente nas altíssimas taxas de abstenção (existem outros aspectos, claro) que em nada favorecem a participação que a democracia exige. Estou em crer que todos os actos políticos menos bem pensados acabam por concorrer para esse desgaste conducente à ideia de que não vale a pena, porque todos são corruptos e todos são desonestos. Melhor dizendo, todos à excepção dos que produzem as declarações. Ora, o exercício da política não se compagina com este quadro de tensão e ofensa permanente. Para o eleitor não partidário, a esmagadora maioria, interessa-lhe, sobretudo, uma visão mais abrangente, de proposta séria em todos os sectores e áreas. Desejam credibilidade. O eleitor, à distância, com a sua experiência, confrontado com certas posições, acaba por descobrir e é capaz de dizer para com os seus botões: o que tu queres sei eu! Portanto, eu que me incluo nesse vasto leque de pessoas que pensam a sociedade e que desejam uma luta civilizada entre pontos de vista distintos, sinto-me defraudado quando em causa não está uma palavrinha simples mas de grande alcance: PROPOSTA.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

THERESA MAY NA SENDA DE AZNAR?


Francisco Louçã, in Público

06/06/2017)

Vale a pena olhar para Espanha por estes dias que correm. Na economia, uma nova vaga pode derrubar o Popular, o banco Opus Dei, que seria então o primeiro banco europeu a ser “resolvido” já de acordo com as ameaçadoras regras da União Bancária, ou seja, com confisco de depósitos. Na política, Pedro Sanchez ganhou as eleições no PSOE, contra o aparelho e contra o El Pais, e promete oposição a Rajoy, em concorrência ou aliança com o Podemos de Pablo Iglesias.


Mas é Theresa May, primeira-ministra britânica, quem antes de todos devia estudar com atenção a história recente de Espanha e, em particular, o episódio da derrota impossível da direita, então conduzida por José Maria Aznar, em 2004. Aznar estava há oito anos no poder, tinha maioria absoluta, as sondagens anunciavam vitória esmagadora, a oligarquia mediática desprezava os adversários. Era um dos grandes do mundo: com Barroso e Blair, fora às Lajes apoiar Bush e iniciar a invasão do Iraque. E foi derrubado pela viragem surpreendente nas eleições, logo depois de ter tentado aproveitar um atentado da Al Qaeda, mentindo sobre os seus autores, para obter ganhos internos. Foi demasiado evidente, fracassou, perdeu as eleições.
Esse ataque foi de dimensão dificilmente comparável com o que ocorreu em Manchester ou agora em Londres, mesmo que as motivações fossem semelhantes e a desumanidade seja indistinguível. Mas a forma de gestão política de uma crise de segurança, que atinge a pessoa comum que se passeia na rua, ou as crianças e adolescentes que saem de um concerto, essa deve ser analisada com atenção. É uma difícil mas também rara oportunidade para os governantes, ainda mais em campanha eleitoral, e May nem fingiu que não queria aproveitar o momento para reforçar a sua imagem de liderança política depois de semanas de perda. Aznar, no seu tempo, fez ainda um pouco mais, deformou as informações para enganar a opinião pública, faltavam poucas horas para o voto. Só que esses momentos estão naquela fronteira invisível que é gerada pela emoção: um pouco mais é demais e o jogo político depende de como é sentida a credibilidade do governo. Aznar perdeu tudo e May poderia seguir o seu caminho.
As probabilidades ainda a favorecem, mesmo que nestas vésperas do voto a diferença entre Conservadores e Trabalhistas já seja reduzida. Lembremo-nos, no entanto, da evolução desta espantosa campanha: há duas semanas May tinha quase 20% de vantagem e a imprensa era unânime, Corbyn é um “activo tóxico”, vai conduzir o Labour a uma “derrota histórica”, é “demasiado radical para vencer eleições”. A vitória esmagadora dos Conservadores foi festejada um pouco cedo demais, agora instalou-se a dúvida e não será por acaso que um homem de direita descobre que, afinal, May é uma continuidade de Thatcher (e de Blair, que foi o herdeiro de Thatcher), o que pode levar o país a mais problemas.
Ora, o que virou o jogo eleitoral foi o debate sobre os programas dos partidos e o que querem fazer no governo. Quanto a critério democrático, não está mal. O contraste, aliás, foi a chave do sucesso de Corbyn: no seu manifesto propõe a nacionalização dos correios, dos caminhos de ferro, da água e da distribuição da energia, a criação de um novo banco público e a recusa da venda de um banco nacionalizado (o Royal Bank of Scotland, um dos maiores do mundo), e ainda a manutenção da propriedade pública de duas cadeias de televisão. Os Conservadores de May, pelo contrário, prometeram prosseguir o curso da privatização e dos cortes nos serviços públicos, a receita que já conhecemos.
Pode um programa socialista, moderado como este, ganhar as eleições? Pois pode. Mas ganhar eleições não basta, é preciso governar e, no passado, os trabalhistas fracassaram em duas grandes ocasiões: em 1945 e em 1966. Para mais, o bom senso dirá que, com o Brexit e o peso da finança globalizada, a situação é ainda mais difícil agora.
Em todo o caso, que um partido contrarie o consenso de que Macron é hoje o exemplo mais exuberante – e continua a prometer que a sua primeira grande medida será facilitar os despedimentos – e que demonstre que um programa de nacionalizações pode mobilizar amplo apoio popular, isso sim é um sinal de como o mundo pode girar.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

EM DEFESA DE UMA MELHOR SUPERVISÃO


À margem da sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo, e no seguimento de um outro encontro realizado no passado mês de Fevereiro, a eurodeputada Liliana Rodrigues voltou a reunir-se com Corina Cretu, Comissária para o Desenvolvimento Regional. Em cima da mesa esteve a criação de mecanismos eficazes para a supervisão de projectos financiados com valores abaixo dos 50 milhões de euros.


A deputada socialista defende que, “apesar da supervisão dos pequenos projetos ser da competência dos Estados Membros, é necessário que a Comissão sugira novos critérios a ter em conta aquando da supervisão dos mesmos, de forma a reforçar os mecanismos de controlo”. Referindo ainda que, “para além da óbvia preocupação com a fraude, mais fácil de camuflar nestes pequenos projectos, há outros critérios que devem ser contemplados, como a conservação do património histórico e cultural ou o respeito pela qualidade ambiental”. De referir que, por diversas vezes, a deputada Liliana Rodrigues questionou a Comissão Europeia nesse sentido, nomeadamente no que respeita à demolição de pontes e muralhas históricas na cidade do Funchal.
Para Liliana Rodrigues, a Comissão Europeia “não pode ver-se associada a projectos que interferem de forma séria na comunidade em que vão ser implementados sem ter em atenção, ou pelo menos dando orientações claras para que as autoridades nacionais responsáveis o façam, perspectivas distintas quanto à correcção e pertinência dos projectos apresentados. Por várias vezes tive oportunidade de referir a destruição de pontes e de muralhas históricas na cidade do Funchal como um mau exemplo de utilização de dinheiro do Fundo de Coesão. Não foram ouvidas outras opiniões antes de iniciar a destruição de património histórico, mesmo havendo descontentamento e manifesta contestação por parte dos cidadãos e especialistas. Há toda uma avaliação anterior que está a faltar ou que pelo menos não está a contemplar muitos aspectos que deveriam ser tidos em conta, daí a pertinência da criação de mecanismos que venham suprir estas lacunas. Não esqueçamos que o património histórico, cultural e ambiental possui uma dimensão europeia”.
Indo de encontro ao defendido por Liliana Rodrigues, a Comissária do Desenvolvimento Regional sublinhou o compromisso da Comissão de apresentar uma estratégia eficaz e inovadora para as regiões ultraperiféricas da Europa, examinando formas de tornar a política de coesão pós-2020 menos de "tamanho único” para todos os Estados Membros e atender mais às especificidades, aos pontos fortes e aos desafios das Regiões Ultraperiféricas.
Em Outubro deste ano, já durante a Presidência da Guiana Francesa no Grupo das Regiões Ultraperiféricas do Parlamento Europeu, a deputada Liliana Rodrigues trabalhará com a Comissão no sentido de desenvolver uma estratégia de supervisão que promova o rigor na implementação destes projectos de menor dimensão apoiados por financiamento europeu.
NOTA