quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

QUE PLANEAMENTO JUSTIFICA A EXISTÊNCIA DE TANTOS "PROJECTOS"?


A palavra "projecto" anda por aí, nas secretarias do governo, na boca dos representantes das muitas instituições, nas escolas, nas entrevistas na rádio, na televisão, nos jornais, por todo o lado, com uma frequência inusitada, o "projecto" virou moda. Ainda ontem escutei uma senhora, eu diria cheia de "projectos", ao ponto de ter dado um exemplo de um "projecto" que, na sua substância, deduzi tratar-se de uma metáfora, assenta mais ou menos nisto: um jovem cai, magoa-se, levanta-se e por aí adquire a experiência que a vida não é uma linha contínua. O "projecto" de que falou, no essencial, filia-se nessa preocupação de transmitir uma mensagem, digo eu, de características fúteis, pois sempre foi assim, mesmo quando não se falava de "projectos" tão amiudadas vezes. 


O problema, porém, que não vejo debatido e equacionado, situa-se a um outro nível,  o do planeamento e o da análise dos resultados. Em síntese, em que planeamento tais projectos se enquadram e qual o balanço no cruzamento de tantos "projectos", traduzido em estudos, números e verificação global das melhorias introduzidas e sentidas. Fico com o sentimento que tal proliferação de "projectos" situa-se mais nos impulsos individuais e dos serviços do que propriamente em consequência de um quadro geral e integrado, repito, geral e integrado, depois de um diagnóstico das situações, de uma visão de conjunto sobre os problemas, de uma detecção antecipada dos problemas, da necessidade de uma intervenção na causa dos problemas, na determinação das prioridades, integração das políticas sectoriais nas políticas globais, enfim, no quadro de um controlo sobre o futuro, tal como escreveu Henry Mintzberg (in Teoria Geral da Administração). Portanto, esta estrutura do pensamento vigente será que assenta nos princípios e nos factores do desenvolvimento que o planeamento deve considerar? Duvido. A percepção que me fica é que cada um anda a "trabalhar" na e para a sua capelinha, desde há muito e para justificar a existência de lugares, certamente animados de nobres preocupações, mas distantes de um quadro geral potenciador do desenvolvimento. E assim, com "projectos" para tudo, se gastam milhares de euros nas suas concretizações e milhares de horas inconsequentes. 
Em conclusão, não se deve falar de PROJECTO, enquanto corpo organizado de tarefas, quando esse corpo não assume uma característica integrada de resposta a um planeamento geral. Alguém conhecerá os desígnios do planeamento global da Região que justifique a existência de tantos e variados "projectos"? Ora, só se deve falar de PROJECTO quando existe uma combinação de tarefas e de recursos coordenados entre si, no espaço e no tempo, com vista a obtenção de um determinado objectivo. Esse objectivo pode ser sectorial, obviamente, mas nunca desligado do leque de princípios orientadores do que se pretende para o futuro. 
Ilustração: Google Imagens.

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