quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O ESTATUTO POLÍTICO-ADMINISTRATIVO É ASSUNTO MUITO SÉRIO. NÃO PARA ESPECTÁCULOS MEDIÁTICOS.


O PSD-Madeira, a solo, apresentou uma versão do que entende dever ser a revisão do Estatuto Político-Administrativo da Região. Preparou o foguete, lançou-o e corre agora atrás da "cana"! A sensação que tive, quando li a proposta, é que não é para ser levado a sério. Por um lado, quem, há anos, anda a engonhar a revisão, não é crível que a deseje; por outro, necessitando o Estatuto de uma larga convergência partidária, torna-se estranho que a proposta não tenha merecido um primeiro debate informal entre os partidos. Isto é, o que fica claro, tendo presente os comportamentos passados, é que o PSD-M assumiu o protagonismo e, dizendo não dizendo, se quiserem, venham atrás, disponibilizamo-nos para os acertos marginais. Sabendo das inconstitucionalidades que lá se encontram, e sabendo, ainda, que o Estatuto é aprovado na Assembleia da República, onde não têm maioria política, repito, o documento não é para levar a sério.


E tanto assim é que, ainda hoje, o deputado social-democrata Miguel de Sousa lamenta a apresentação pública de um "instrumento legislativo tão importante", por não ter envolvido todos os partidos em uma causa que é comum. Sublinhou, de forma incisiva e contundente: "Demos o ‘show’ de sermos os primeiros! O mais provável é sermos os únicos". Até dentro do próprio grupo o parlamentar não foi, segundo sublinhou "nem ouvido nem achado para a matéria", apenas "convocaram-me para uma reunião sem conhecer a proposta. Era conhecida só por alguns predilectos. Recebi o texto na véspera da sua apresentação em conferência de imprensa".
Obviamente que concordo com a posição do social-democrata Miguel de Sousa quando assume que o Estatuto, pela sua relevância, deveria conduzir a "um intervalo na luta político-partidária", simplesmente porque este documento é a base do funcionamento da Região a todos os níveis. Quando não se assiste a uma discussão prévia dentro do PSD, facilmente se adivinham as dificuldades de aceitação da proposta pelos demais. Ora, tudo isto corresponde a velhos hábitos de quero, posso e mando. E falam de "renovação"! Talvez seja mais "rotação" de pessoas do que alteração de atitude política. Este foi o I Acto. Outros se seguirão.
Ilustração: Google Imagens.

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