quarta-feira, 29 de março de 2017

MUITO OBRIGADO, SENHOR PRESIDENTE!


Não tenho palavras para agradecer. Eu que tantas e tantas vezes escrevo condenando o que por aí se faz, acabo por me render às evidências do Senhor Presidente: "As pessoas estão a viver pior nesses concelhos. Muito pior de quando o PSD governava”, portanto “não queiram para a Ponta do Sol aquilo que, por um erro, por um engano, por uma omissão, os outros concelhos tiveram de levar em cima (...) Se têm dúvidas com aquilo que se passa nesta terra comparem com as câmaras da oposição”. Comparei e, por isso, vou mais longe e enalteço o esforço do governo regional em todos os sectores, áreas e domínios da governação. Um exemplo internacional da arte de bem governar, simplesmente porque, para o Senhor Presidente dizer o que disse, é porque tem, não apenas nas autarquias, mas na actividade do seu próprio governo o exemplo bastante, os insofismáveis indicadores que justificam as comparações. Muito obrigado, se tal o posso fazer, em nome daqueles que foram explorados ao longo de quarenta anos.


Rendo-me ao facto da pobreza ter baixado dos 30% para valores quase residuais; o desemprego, em pouco mais de dois anos, ter vindo dos vinte e dois mil para uma percentagem próxima do pleno emprego; ter sido conseguido o milagre da redução dos fluxos da emigração forçada; os jovens terem, hoje, a garantia de esperança no futuro, graças ao empreendedorismo; na saúde, as listas de espera por uma cirurgia, sem limpeza de nomes, encontrarem-se a níveis que causam inveja em qualquer parte do globo; ter acabado com essa vergonha de faltar medicamentos, e não só, nas unidades de saúde; ter colocado médicos, enfermeiros e restantes técnicos a viverem uma época de felicidade no trabalho; em apenas dois anos ter sido possível lançar as bases de um novo sistema de educação público, conforme determina a Constituição, reduzindo os apoios ao sector privado, os quais deixaram de ter significado preocupante; obrigado, pelos mais idosos e indefesos beneficiarem, agora, de uma ajuda de € 60,00 em complemento das suas magras pensões pagas pelo Estado; obrigado por ter interiorizado as palavras do Doutor Alfredo Bruto da Costa (já falecido) que disse, na Madeira, que a "armadilha da pobreza é a armadilha das desigualdades"; obrigado pelo apoio anual aos ainda pobres para atenuarem a aquisição dos medicamentos prescritos; obrigado pela riqueza criada que justificou uma redistribuição tão significativa que fez baixar para nível insignificante o "rendimento social de inserção"; obrigado pelos níveis de conforto nos "bairros sociais"; obrigado, Senhor Presidente, por ter colocado a dívida da Região, que foi estimada em mais de seis mil milhões, em um valor de dívida flutuante, e não fora aqueles mil milhões escondidos (Cuba Livre), praticamente a Região não devia nada a ninguém; obrigado por ter retirado, totalmente, o CINM dos interesses privados, colocando-o ao serviço da Região; obrigado, em termos comparativos, pelos escalões de IRS serem mais favoráveis que nos Açores, os combustíveis, idem, até uma simples botija de gaz passou aqui para um valor mais baixo que na região açoriana; obrigado pelo ferry que, finalmente, nos liga ao Continente; obrigado por aquela Portaria que tantos maldizentes falam, mas que tornou possível ligações aéreas tão baratas no quadro da continuidade territorial; obrigado por ter acabado com essa pouca-vergonha do monopólio dos portos e da protecção a grupos exploradores; obrigado por não ter dado ouvidos aos especialistas e nos ter protegido da mãe natureza, com a aplicação de novas muralhas nas ribeiras, aumentando, até, os espaços de circulação viária; obrigado pela rigorosa implementação de regras no ordenamento territorial, desde o POTRAM aos PDM's, durante tantos anos abandonados e a saque sobretudo na orla costeira, dando continuidade à excelência dos projectos iniciados na Câmara Municipal do Funchal onde foi presidente; obrigado pelo quase total esbatimento das assimetrias, a todos os níveis, entre zonas altas e zonas litorais; obrigado, pelo trabalho ímpar realizado no Porto Santo, destino hoje sustentável e que deixou de ser sazonal, onde as empresas regressaram pujantes e o emprego ter deixado de ser uma miragem; obrigado, pelo exemplo que deu ao assinar contratos-programa municipais, apenas com aqueles que seguem as verdadeiras políticas de desenvolvimento, colocando em sentido as autarquias que nada fazem; obrigado pela transferência dos milhões do IRS para os municípios; obrigado pela nova cultura e a nova mentalidade sensível na população; obrigado pelos milhões da "bola" entre tantas dádivas. Por isso, faço minhas as palavras de Lélio Ribeiro, em 1944, no decorrer da inauguração do Estádio Nacional:
Senhor Presidente!
"Devemos-te a esperança!
Devemos-te a paz!
Devemos-te o presente!
Mas a partir de hoje a nossa dívida tornou-se ainda maior:
Devemos-te a certeza!
Devemos-te o futuro!
Em nome de todos nós!
Em nome de todos aqueles que hão-de vir depois de nós, 
mais fortes e mais saudáveis!
Bem hajas (...) por teres cumprido a tua promessa!
Obrigado pelos séculos fora!
Obrigado para sempre (...)"
Viva Senhor Presidente
Viva a Madeira. 
Conta o historiador que a multidão, nessa inauguração, "doida de entusiasmo, ergueu-se, voltada para a tribuna, às palmas e aos vivas, acenando os chapéus, agitando bandeiras, numa ovação verdadeiramente delirante, espantosa, única" (livro O Desporto e as Estruturas Sociais, do Professor José Esteves, página 149).
Obrigado Senhor Presidente! Viva a sua ironia!
Ilustração: Google Imagens.

Sem comentários: