sábado, 17 de junho de 2017

FUTEBOL "INDÚSTRIA CANIBAL"


Gosto de acompanhar um bom espectáculo de futebol. Tal como fico preso à televisão aquando de outras modalidades de onde sobressaem imensos aspectos deste a técnica à beleza do movimento, só possíveis com muitos anos de persistente dedicação. O que não suporto é ter de passar de canal em canal e ter de levar com todos, sentados e pagos, a falar da mesma coisa, bastas vezes ofendendo-se, em uma insuportável gritaria. De uma ninharia fazem uma novela! E levam dias a falar da mesma coisa. Quando não há assunto para especular até ao tutano, vistas as repetições de todos os ângulos, coisa que o árbitro não dispõe, ficam por aí na falta que o árbitro não viu, no fora-de-jogo mal apontado, na grande penalidade que ficou por marcar, enfim, permitam-me a expressão, em uma chafurdice para a qual não há paciência. Há quem goste, aceito, mas não deixa de ser demais. Agora é a paranóia dos e.mails e se o Ronaldo fica ou não em Madrid. Faço como um dia o Herman despachou: não gosta... mude de canal que também é a cores. É a minha opção preocupado que estou com outros aspectos bem mais importantes. 


Ora que raio, se existiu ou se existe corrupção, pequena ou grande, que envolve, dizem, dirigentes e árbitros, apresentem as provas na sede própria, na Justiça. Ponto final. Aliás, sabe-se que ela, corrupção, anda por aí. Por todo o sítio. É a própria comunicação social que, diariamente, nos informa. E é o próprio Ministério Público que monta tantas operações no sentido de verificar papelada comprometedora. E são os Tribunais que, uma vez ou outra, condena por provas concludentes dessa corrupção. Outra coisa é o espectador ter de levar com horas a fio de paleio maldizente e especulativo. Entre a miséria de um big brother ou coisa parecida, em sessões contínuas, e certos programas de pressuposto "desporto", venha o diabo e escolha!
Gente identificada com os designados três grandes do futebol, como se outros não existissem ou servissem, apenas, para compor o ramalhete; gente, sou capaz de apostar, muitos, sem um passado nem um presente de actividade física ou desportiva regular, tão gordos se apresentam, mas que falam e falam como se doutorados fossem; gente que proporciona um  péssimo exemplo para os mais novos que ficam embebedados no discurso e que acabam por reproduzir, mais tarde, essa discussão estéril. Falam de esquemas tácticos, de regras de arbitragem, de técnica, de características dos jogadores, substituindo-se aos treinadores, como se acompanhassem o dia-a-dia do treino, ou alguma capacidade tivessem advinda de uma qualquer licenciatura em desporto. Em alguns casos é chamada ignorância altifalante.
Desde os anos sessenta que tenho um certa simpatia por um determinado clube. Mas passo muito bem sem ele. Sou sócio de um clube há 67 anos, mas passo muito bem sem ele. Não frequento estádios e há dezenas de anos que não assisto ao vivo a uma partida. Portanto, é para o lado que melhor durmo se tais clubes ganham ou perdem. Porém, parece-me óbvio que um clube, seja ele qual for, após uma caminhada de trinta e seis jornadas, chega em primeiro lugar, é porque tem, no mínimo, o mérito da regularidade. A vitória fica a dever-se aos árbitros e aos dirigentes? Não me parece razoável, porque se assim fosse o escândalo já tinha sido há muito despoletado. De resto, porque a corrupção é inaceitável, quem tem provas, tem o dever de as remeter para o Ministério Público e deixem-nos desse matraquear diário de e.mails deste e daquele! Até porque, todos, da FIFA à UEFA  até aos clubes e jogadores, pelo que se sabe, em função de processos anteriores e do que é público, como diz a voz do povo, ninguém têm água com que se lave. Galeano tinha razão quando se pronunciou sobre o futebol: "(...) é uma indústria canibal".
Ilustração: Google Imagens.

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