sábado, 19 de agosto de 2017

E AO TERCEIRO DIA RESSUSCITOU!


A festa era em honra de Nossa Senhora do Monte, a Padroeira. Parafraseando, é caso para dizer, ao terceiro dia, aleluia, aleluia MP. Ressuscitou! 


No dia da tragédia, ao fim da tarde, ouvi que a Câmara do Funchal, de imediato, através de especialistas residentes e não residentes, investigariam, ao pormenor, as causas da queda do famigerado carvalho. Os trabalhos iniciaram-se e, ao terceiro dia, foram interrompidos. Quem ordenou está no seu pleno direito, obviamente. Enquanto cidadão apenas questiono, porquê ao terceiro dia? Por que não após a tragédia, com a necessária limitação na acessibilidade ao espaço? Falta de atenção, incúria? Não sei. O que terá acontecido para que assim tivesse sido decidido? Que razões levaram para, agora, falar-se, de uma fictícia compaginação de investigações, uma em curso da responsabilidade da Câmara e outra por uma nova equipa de peritos, tendo presente que o Senhor Procurador, entretanto, veio enaltecer que "o que vai valer é a nossa peritagem"? (Fonte DN-Madeira, edição de hoje) 
Tudo isto pode ter uma justificação plausível, mas aos meus olhos, é muito estranho e daí que devesse ser explicado ao povo, sobretudo o atraso, mas também aquilo que não é perceptível enquanto meros observadores. Os silêncios, muitas vezes, podem ser considerados comprometedores e à Justiça, pede-se o dever de total TRANSPARÊNCIA. Para que nela se confie, não podem restar dúvidas, entre outras e neste caso, sobre a oportunidade da decisão. É claro que é defensável que uns desconfiem dos outros, na lógica do apagamento ou da introdução de provas. Quais, não sei! Porém, a considerar essa hipótese tal é válida em qualquer sentido, da parte da Câmara ou de quem ressuscita ao terceiro dia. Bom, estas são divagações de uma pessoa que, de Justiça, apenas sabe o significado da palavra, mas que não tem dúvidas que não teriam lugar se tudo fosse muito mais claro. De resto, o que importa é que seja investigado, embora tudo isto, ainda muito a quente, evidencie sinais perturbadores. Eu que aprecio a transparência dos actos sinto-me pouco agradado com esta actuação do MP.
Entretanto, esta semana (16.08.2017), li um artigo de um Vice-Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira (PSD), onde são produzidas declarações geradoras de preocupação. Aqui, repito alguns excertos: "(...) O seu capataz político, financeiro e empresarial, o que ‘mamou’ sem escrúpulos nas suas barbas, e obviamente com o seu consentimento, é o porcalhão que ainda estrebucha para se vingar dos que se opuseram à pouca vergonha que orientou a sua conduta criminosa. Todos os negócios tinham de ser dele. Ou pelo menos dez por cento, se fossem grandes empreitadas. (...) O outro, o verdadeiro chefe, tão inteligente que ele é e nunca viu a permanente vigarice do seu braço corrupto. (...) O terror sobre as pessoas permitia tudo. Dava para ter imunidade total. O povo votava no líder amado e abria a caça ao tesouro por parte do Ali Babá do regime. (...)" Hoje, é o terceiro dia. Neste caso, não houve mortos, mas fala-se de corrupção e de 10% de vantagens em concursos. Será que o MP ressuscitará ao terceiro dia para uma investigação, uma vez que isto é muito mais do que palavreado político? Ou estarei desenquadrado neste comentário, porque a investigação já decorre desde  o dia 16?
Ilustração: Google Imagens.  

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

"GOVERNO REGIONAL LOUVA VÁRIAS ENTIDADES E EXCLUI A CÂMARA DO FUNCHAL"



A peça assinada pelo jornalista Jorge Freitas Sousa, publicada na edição de hoje do DN-Madeira, que destaca o facto do secretário regional da Saúde, com a tutela da Protecção Civil, ter destacado o meritório trabalho de todas as instituições e pessoas envolvidas no socorro às vítimas da tragédia do Monte, deixando de fora a Câmara do Funchal, demonstra, claramente, a politiquice que não há maneira de se esbater com o tempo. É muito lamentável que um governante confunda pessoas com instituições. Alegadamente, pelo que se percebe, ao querer atingir o presidente da Câmara e toda a sua Vereação, onde se incluem vários partidos, o governante atingiu dezenas de trabalhadores da Câmara, desde cantoneiros aos técnicos que, tal como os outros, deram, certamente, o seu melhor naquele dia de sofrimento. Poderia o secretário ter feito um agradecimento generalizado, evitando que alguém ficasse de fora, mas não, foi intencional, o que não lhe ficou bem. Diz muito da histórica politiquice e muito pouco da seriedade e distanciamento que um governo deve ter em relação a tudo o que é menor. E se alguém pensa que o povo não vê, esqueça, porque lá diz o ditado popular: "gato escaldado, da água fria tem medo". 
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

UM ARTIGO QUE TEM MUITO QUE SE LHE DIGA, PORQUE ATINGE 40 ANOS A FERRO E FOGO


O blog do regime fedorento
Era tudo dinheiro para o partido. Só que o partido está falido e o homem está rico

Por MIGUEL DE SOUSA, Deputado do PSD-Madeira, publicado na edição de hoje do DN-Madeira e aqui transcrito com a devida vénia.


Não sei se é o criador, o mentor, o escritor, o escrevinhador ou tudo isso.
Mas é dele e da cambada de gajos que ficaram de fora por falta de carácter e utilidade, dedicando-se apenas ao trabalho sujo que um regime, findo a sua validade, precisa fazer depois de se aguentar quase quarenta anos sem que alguém pudesse sequer piar. Até um simples e inexplicável soluço fora de tempo podia terminar com uma carreira promissora. O azar de um opositor se sentar na mesma mesa do Apolo ou se cumprimentarem num arraial popular. Pior era ter um qualquer primo na oposição.
Mesmo que ele não seja o escritor gosta ou, pelo menos, aceita o que é escrito, e possivelmente até incentiva e dá as principais orientações. Mas tenho para mim que ele é o autor ! Ninguém escreve assim todos os dias na sua vida!
De qualquer modo é a covardia do regime cessante. Elogiar pela frente, zurzir por detrás. Sem respeito pelos próprios, familiares e amigos.
O seu capataz político, financeiro e empresarial, o que ‘mamou’ sem escrúpulos nas suas barbas, e obviamente com o seu consentimento, é o porcalhão que ainda estrebucha para se vingar dos que se opuseram à pouca vergonha que orientou a sua conduta criminosa . Todos os negócios tinham de ser dele. Ou pelo menos dez por cento, se fossem grandes empreitadas.
Não dava entrevistas, não aceitava perguntas e tratava, abaixo de cão, quem ele achava que não pactuava com o seu estilo bruto e soez. O regime era seu. Até o chefe se atirava ao filho para atingir o pai.
Agora, o seu objectivo único é conseguir a sucessão dinástica para a situação presente. Mesmo com a distância táctica do infeliz sucessor, naturalmente morto com tal histórico familiar. Muito terá de fazer para apagar essa chaga.
O outro, o verdadeiro chefe, tão inteligente que ele é e nunca viu a permanente vigarice do seu braço corrupto. Do dono do blog. Nada ! O terror sobre as pessoas permitia tudo. Dava para ter imunidade total. O povo votava no líder amado e abria a caça ao tesouro por parte do Ali Babá do regime.
Quer se queira quer não, um blog fedorento, que saúda o regime corrupto anterior e condena e critica toda a renovação e limpeza consequente, só pode ser feito por quem está a mal consigo próprio. Definha na angústia do desprezo, da inutilidade e das acusações de tudo o que a tirania e a corrupção permitiram , esta mesmo que não directamente dele mas a mando do seu abutre mais directo.
Onde anda essa ave de rapina ? Fugido ? Escondido ? Auto-destruído ? Á beira do suicídio ? Só aparece no blog ? Ou anda a trabalhar para novos ataques e crimes a coberto de soluções políticas futuras que vem orientando ? Ainda não é tudo seu e, qual vampiro, certamente quer mais.
Como iletrado e covarde que é, põe alguém pago - foi assim com os discursos que berrou toda a vida - a escrevinhar um blog que espezinha quem teve a coragem de nunca ser cúmplice de tanta pouca vergonha feita. Um blog que agride quem ele odeia, os verdadeiros e honestos empresários da Madeira, a actual liderança do partido e do governo da terra, tudo sem direito a contraditório ou sequer defesa. O regime anterior tinha essa marca e, agora, vemos bem quem a promoveu.
Terá sido democrático um regime que tinha como coordenador e alma mater um bastardo tirano deste quilate?
Se há honra que sinto é desse bandido nunca me ter suportado porque sempre denunciei os seus abusos e golpes. Por isso a raiva de atitudes suas e agora do seu blog ! No anonimato do escrito sabujo e podre que o seu “chefe” de sempre, aquele que até lhe dava para ler textos manuscritos, não manda acabar.
Porque se não é o autor e se não está de acordo com o seu conteúdo execrável então imponha o seu estatuto e acabe ou mande acabar com aquela vergonha. Porque mesmo que não o escreva tem a sua cumplicidade ! Mancha o seu carácter. E toda a gente sabe que se não gostasse o mesmo já tinha acabado. Mas, também como todos pensamos, está na sua natureza. Ninguém muda com aquela idade ! E já não manda !
Afinal, este resquício escrito repugnante só mesmo produzido por aquele regime caduco banido pelo povo e orientado pelo cacique político que dizia o financiar.
Era tudo dinheiro para o partido ! Só que o partido está falido e o homem está rico !

COMENTÁRIO

Este artigo atinge o coração de um regime que, ininterruptamente, governa a Madeira há 40  anos. Mais do que qualquer alegada inimizade pessoal, trata-se de um texto perfeitamente identificável relativamente às pessoas em causa, e que clarifica, de dentro para fora, toda perversão democrática ao longo de sucessivos mandatos. Um texto a ter em conta.  

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

UM CRESCIMENTO ACIMA DA MÉDIA EUROPEIA



"O Produto Interno Bruto, em termos homólogos, aumentou 2,8% em volume no 2º trimestre de 2017, avançou esta manhã o Instituto Nacional de Estatística. A taxa é idêntica à verificada nos primeiros três meses do ano" - Expresso.
Enquanto isto, Passos Coelho, ontem à noite insistiu: o país está “adiado do ponto de vista estrutural e cativado do ponto vista orçamental” (...) “O Governo entendeu, este ano, fazer um aumento extraordinário das pensões, em Agosto, justamente a um mês da campanha eleitoral para as eleições autárquicas”. Aliás, há muito que estava acordado com a maioria parlamentar na Assembleia.
Ora bem, o País continua a crescer, demonstra alguma capacidade para ir ao encontro dos mais vulneráveis, embora de forma muito limitada, mas Passos parece continuar a preferir a AUSTERIDADE, melhor dizendo, o roubo na débil carteira dos portugueses.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

AS MARCAS IMPÕEM-SE PELA QUALIDADE



PRADA é uma marca que pode suscitar paixões junto de muitos. A mim nada me diz. Tenho muita consideração e respeito, apenas isso. Até o Papa, mito ou não, renegou os sapatos Prada, vermelhos, preferindo os seus, pretos e ortopédicos, sinónimo de igualdade. Mas há gente obcecada, acredito. O fatinho até lhes pode ficar mal, repuxado aqui e ali, mas o espelho não dá para ver, porque tem a etiqueta Prada. São leais à marca. Aliás, marca que se queira impor no mercado tem de trazer o novo, a arte, o desejo e a sedução. Imagine-se ficar nos idos 1913, ano da sua criação, ou apresentar-se com os mesmos argumentos dos anos 70, 80 ou 90? Morreria aos poucos. Acontece com as marcas e acontece com as pessoas quando, querendo estar em uma pressuposta moda, preferem vestir uma pele que não é a delas. Li que existem 27 regras sobre fatos e que todos os homens deveriam ter em conta. Descurá-las constitui um erro. Por outro lado, a marca Prada não critica as outras, não necessita de rebaixá-las para se tornar conhecida. Antes prefere a proposta inovadora, elegante, contida, sofisticada e com charme. Ora, quando uma marca, Prada ou qualquer outra, centra as suas preocupações nos outros, por muito leal que seja a sua intenção, e esquece-se de olhar para si própria, para a sua própria história, perde credibilidade e torna-se banal. Os clientes fogem e até o perfume se torna enjoativo.

NOTA
Qualquer semelhança com nomes e entidades políticas são meras coincidências.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 6 de agosto de 2017

POSSO AJUDAR? NÃO. NÃO PODE... PARA JÁ!


Confesso que embirro com certas formas de tratamento. Chefe, o que vai ser? Dona, mais alguma coisa? Ou, então, quando mal entro em um espaço comercial, um(a) solícito(a) jovem, aproxima-se e diz: posso ajudar? Ainda ontem aconteceu-me essa situação. Respondi, com delicadeza, mas frontalidade: não, não pode! Porque entendo que, em um espaço aberto e com tudo à frente dos nossos olhos, sou eu, se precisar, que me devo dirigir a alguém. O colaborador apenas deve estar atento para, eventualmente, escolher o momento da aproximação. Tal qual em um supermercado. Só que aqui, por vezes, quando peço ajuda, sou logo despachado: se não tem aí é que não há! Ainda questiono: será que no armazém... Tempo perdido. 


Agora, já tem algum tempo, uma outra virou moda: o tratamento por menino. Logo eu, de cabelo todo branquinho, na padaria, a empregada, provavelmente com algum problema ocular ou até, com boa vontade da minha parte, gentilmente, tratar-me por menino! Não bate certo.
Os cabelos do corpo encrespam-se, também, ao sentar-me em uma esplanada ou mesmo em um restaurante, ter o empregado à ilharga, com uma bandeja e um pano, limpando a mesa ao mesmo tempo que fala para o cliente ou, então, limpeza feita, ficar a olhar para o vazio. Dir-me-ão, mas isso são espaços de terceira ou de quarta categoria. Contraponho, é sobretudo um problema de educação, de formação, de capacidade organizacional e de exigência por parte de quem lidera. Jogar os pratos para cima de uma mesa como se fossem discos voadores, convenhamos, é revelador de uma aprendizagem que não foi feita no seu devido tempo. Primeiro, em casa, depois, na escola.
Mais, ainda, detesto, entrar em um serviço, tirar a senha, esperar e, quando chega a minha vez, o(a) funcionário(a) manter os seus olhos pregados no ecrã do computador e não em mim. Normalmente paro de falar, porque a via do silêncio faz despertar alguma coisa. No mínimo, pode funcionar como campainha de alarme. Compreendo que o atendimento canse, esgote e paralise, mas é um problema de educação e de cortesia.
Irrita-me quando, na escada rolante, alguns, ao invés de se colocarem sobre o lado direito, ocupam todo o espaço, impedindo a circulação dos mais apressados. Da mesma forma quando vejo um veículo a ocupar dois lugares. Vezes sem conta apeteceu-me deixar um bilhetinho sensibilizador. Para não falar de quem, todo lampeiro, sem uma sensível diminuição, seja ela de que tipo for, estaciona nos lugares destinados, entre outros, a portadores de deficiência e grávidas. 
No entanto, por paradoxal que pareça, temos a geração mais bem preparada de sempre. No conhecimento (!) enciclopédico, talvez. Não, em muitos casos, no saber estar e no relacionamento social. Como em tudo há muitas e boas excepções. Temos, portanto, um longo caminho a percorrer. Apenas um desabafo nesta manhã de Sábado.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

MOMENTOS DE VERÃO


Fiz uma pausa em documento que ando a ler e a "mastigar" a História e os conceitos. Desloquei-me para a piscina. Estendi a toalha e deitei-me de frente para o Sol. Uma temperatura agradável e uma ligeiríssima brisa a fazer do Sol uma carícia ao corpo. A alguns metros duas senhoras conversavam. Pela descrição o bolo deve ser uma delícia. Não decorei a receita, mas provei-o nas palavras ditas. Pela aparência das senhoras, certamente nada preocupadas com as dietas de Verão, devem ser especialistas na arte da transformação dos ingredientes. Um pouco mais ao lado, já na beira da piscina, uma mãe, de magreza a fazer inveja a outras das "passerelles", entretinha-se com três criancinhas. Aí começou o meu desconforto que nem aquela suave brisa atenuou. Joãozinho para aqui, Pedro para acolá, Francisco, cuidado, não mergulhes agora, amanhã não vêm, vão ficar de castigo, enfim, coitadinhas das crianças com aquela voz, ainda por cima, estridente. Resolvi entrar na água, porque sou muito sensível aos decibéis acima do tolerável!


Pior, ainda, uma outra jovem mãe. Chegou, com a pequena Maria, a filha, desejosa de pular para a água. Maria, aí não, olha, tens ali uma menina, brinca com ela, enquanto, agarrada ao telemóvel, com o seu dedo indicador, deu-me a sensação de andar, incessantemente, para a frente e para traz. Mamã, vem para aqui. Resposta célere: pergunta à menina se quer brincar contigo! Seguiu-se um longo telefonema e a criancinha ali. Só! Dei comigo a reflectir sobre este quadro de um fim de tarde de Verão: uma mãe de protecção absoluta, uma outra completamente desconectada com a filha e, pelo meio, uma receita de um bolo, pressuponho, delicioso, que, pela idade das personagens, bem poderia chamar-se: "bolo da avó". Talvez, apenas naquele momento, entre as duas mãezinhas, o preferissem.
Entretanto, regressei à água, passei pelo duche e fui-me embora, de volta à leitura. Ficou-me a "Corzinha de Verão", parafraseando "Os Deolinda".
Ilustração: Google Imagens.