domingo, 6 de agosto de 2017

POSSO AJUDAR? NÃO. NÃO PODE... PARA JÁ!


Confesso que embirro com certas formas de tratamento. Chefe, o que vai ser? Dona, mais alguma coisa? Ou, então, quando mal entro em um espaço comercial, um(a) solícito(a) jovem, aproxima-se e diz: posso ajudar? Ainda ontem aconteceu-me essa situação. Respondi, com delicadeza, mas frontalidade: não, não pode! Porque entendo que, em um espaço aberto e com tudo à frente dos nossos olhos, sou eu, se precisar, que me devo dirigir a alguém. O colaborador apenas deve estar atento para, eventualmente, escolher o momento da aproximação. Tal qual em um supermercado. Só que aqui, por vezes, quando peço ajuda, sou logo despachado: se não tem aí é que não há! Ainda questiono: será que no armazém... Tempo perdido. 


Agora, já tem algum tempo, uma outra virou moda: o tratamento por menino. Logo eu, de cabelo todo branquinho, na padaria, a empregada, provavelmente com algum problema ocular ou até, com boa vontade da minha parte, gentilmente, tratar-me por menino! Não bate certo.
Os cabelos do corpo encrespam-se, também, ao sentar-me em uma esplanada ou mesmo em um restaurante, ter o empregado à ilharga, com uma bandeja e um pano, limpando a mesa ao mesmo tempo que fala para o cliente ou, então, limpeza feita, ficar a olhar para o vazio. Dir-me-ão, mas isso são espaços de terceira ou de quarta categoria. Contraponho, é sobretudo um problema de educação, de formação, de capacidade organizacional e de exigência por parte de quem lidera. Jogar os pratos para cima de uma mesa como se fossem discos voadores, convenhamos, é revelador de uma aprendizagem que não foi feita no seu devido tempo. Primeiro, em casa, depois, na escola.
Mais, ainda, detesto, entrar em um serviço, tirar a senha, esperar e, quando chega a minha vez, o(a) funcionário(a) manter os seus olhos pregados no ecrã do computador e não em mim. Normalmente paro de falar, porque a via do silêncio faz despertar alguma coisa. No mínimo, pode funcionar como campainha de alarme. Compreendo que o atendimento canse, esgote e paralise, mas é um problema de educação e de cortesia.
Irrita-me quando, na escada rolante, alguns, ao invés de se colocarem sobre o lado direito, ocupam todo o espaço, impedindo a circulação dos mais apressados. Da mesma forma quando vejo um veículo a ocupar dois lugares. Vezes sem conta apeteceu-me deixar um bilhetinho sensibilizador. Para não falar de quem, todo lampeiro, sem uma sensível diminuição, seja ela de que tipo for, estaciona nos lugares destinados, entre outros, a portadores de deficiência e grávidas. 
No entanto, por paradoxal que pareça, temos a geração mais bem preparada de sempre. No conhecimento (!) enciclopédico, talvez. Não, em muitos casos, no saber estar e no relacionamento social. Como em tudo há muitas e boas excepções. Temos, portanto, um longo caminho a percorrer. Apenas um desabafo nesta manhã de Sábado.
Ilustração: Google Imagens.

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