quarta-feira, 27 de setembro de 2017

CONTRADIÇÕES PREOCUPANTES


O novo Presidente angolano, João Lourenço, no discurso de tomada de posse, "riscou" Portugal dos países amigos. Incluiu-nos naqueles a manter relações cordiais desde que os respeitem! Este posicionamento é inqualificável e preocupante, quando muitas empresas e trabalhadores portugueses lá trabalham e, politicamente, ser evidente a luta dos governos portugueses por uma forte e consistente aliança. Só no primeiro semestre, segundo o I, Portugal investiu 3.693 milhões em Angola. Mas antes disso, a elegância do discurso obrigaria a ter presente que Angola teve bandeira portuguesa e que pertence à Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa. Portugal foi um país colonizador, é verdade, mas soube fazer dentro de portas uma revolução que determinou a independência imediata de Angola. 



Ah, pois, entre outros casos, existe um tal ex-vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, denunciado por, alegadamente, estar envolvido em actos de corrupção activa! Ora, se, em Angola, o poder judicial assobia para o lado, aqui ainda existe a preocupação da separação dos poderes. Mas o mais caricato da situação é o facto do General João Lourenço, ter dito mais ou menos isto: se fomos capazes de acabar com a guerra, não somos capazes de acabar com a corrupção no país? Trata-se de uma óbvia admissão da existência de um sistema corrupto. João Lourenço sublinhou: “A corrupção e a impunidade têm um impacto negativo direto na capacidade do Estado e dos seus agentes executarem qualquer programa de governação. Exorto por isso todo o nosso povo a trabalhar em conjunto para estripar esse mal que ameaça seriamente os alicerces da nossa sociedade”. Sendo assim, não deveria João Lourenço separar o trigo do joio "permitindo" que o arguido Manuel Vicente se defenda, não confundindo relações entre Estados Soberanos com as situações judiciais, repito, alegadamente, por motivos de corrupção? São contradições preocupantes.

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