quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O GOVERNO "TUNING". PARECE UM MERCEDES COM UM MOTOR DE UM FIAT 500!


O Dr. Miguel Albuquerque, presidente do governo da Madeira, anda com a cabeça feita em um oito! Passaram-se dois anos e em seu redor poucos se entendem ou o entendem. Acredito que, nos bastidores esteja a fazer um esforço de estabilização do navio, mas em vão. Nem tempo tem para concentrar-se na governação. Politicamente, está confrontado com quatro frentes de "fogo posto": a herança recebida superior a seis mil milhões; o grupo que andou por aí a governar durante trinta e tal anos e que, silenciosamente, não desarma; o grupo de "dissidentes" que perderam a vergonha, desapertaram o colete de forças e soltaram a língua, o que foi sensível nas últimas autárquicas e nos textos publicados e, finalmente, com o desgaste demolidor de quarenta anos com maioria absoluta na Assembleia e décadas de vitórias nas autarquias e juntas de freguesia. Porque também, é preciso ter presente, confundiram maioria absoluta com poder absoluto. Obviamente que o povo, o tal povo que sempre foi considerado soberano e inteligente, analisou e já denunciou estar fartinho e cheio da corte. Temos, pois, a tempestade perfeita que tudo varre. Um autêntico furacão destruidor que, na escala convencional, anda a caminho do grau 4 de cinco na escala política!

O Dr. Miguel Albuquerque está no olho do furacão!

O Dr. Miguel Albuquerque, politicamente, anda aos papéis. Para qualquer lado que se volte esbarra em uma parede ou tropeça em si próprio. Não estou a exagerar, pois basta ler o que é publicado, ter atenção aos acontecimentos que correm na frente dos nossos olhos, os blogues, mesmo os anónimos, que não lhe dão descanso, as súbitas mudanças de secretários (seis em dois anos) e de directores regionais, enfim, um ambiente que não tem paralelo pelo menos ao nível regional. Se existem quadros de pública e notória instabilidade, de desnorte, de incapacidade ou seja lá o que se considere, este é um deles. A dança de cadeiras entre os mesmos, as estapafúrdias decisões relativamente a tutelas (a Justiça na Educação é de pasmar), denunciam a existência de bóias de salvação, o agarrar-se a qualquer coisa que permita respirar. Ainda hoje , o Jornalista Ricardo Miguel Oliveira (DN) sintetizou com um olhar felino: "(...) Uns voltam à casa que bem conhecem, outros conquistam o cargo desejado e há tiques de um passado recente a ressuscitar. Assim vai o remodelado governo regional".
Fazer futurologia não é, como vulgarmente se diz, a minha praia. Mas noto, qualquer pessoa nota, que estas situações vêm em crescendo, multiplicam-se, desgastam e ferem de morte política o governo. Quando o próprio ex-presidente do governo, Dr. João Jardim, em artigo de opinião, na sequência dos resultados autárquicos, admitiu esperar que o Dr. Albuquerque retirasse as devidas ilações políticas, percebe-se o que ele quis com isto dizer, daí que não restem dúvidas que está para durar o conflito das sensibilidades. Era, aliás, uma questão de tempo, o "tsunami" político aconteceria. Passaram à fase dos remendos. Sai este, entra aquele, convida-se quem há pouco tempo andava a "dormir na forma", atribuem-se substanciais poderes na economia e finanças a quem nunca deu provas políticas de rigor, logo, parece-me que isto tem todos os condimentos para ir de mal para pior. Apenas pela análise dos dados, doravante, resta-me a ideia de uma descida aos infernos da política. É sensível que o Dr. Miguel Albuquerque já não tem mão nisto! 
Solução, perguntar-se-á. Em democracia há sempre uma solução. A chave está nos partidos políticos e no povo relativamente a qualquer governo do tipo "duracel". Nos partidos, porque são eles que devem demonstrar coesão, pessoas certas nos lugares certos, conhecimento dos dossiês, competência técnica e política, propostas sérias e exequíveis, sinceridade e nunca qualquer tipo de aventureirismo. No povo, a capacidade de olhar e perceber, à distância, ao que vêm os protagonistas, o jogo de natureza política, perceber nos lábios dos políticos a idoneidade e a credibilidade para navegarem em águas tão revoltas. A mudança nunca é um risco, mas sim uma oportunidade; não é uma aventura, mas uma possibilidade de trazer para a res publica um novo ânimo. Porque a saga dos imprescindíveis acaba(ou) sempre mal. Olhemos para o que se está a passar.
Ilustração: Google Imagens.

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