sábado, 30 de dezembro de 2017

A BATOTA


Dividiram o partido porquê e para quê? A dúvida, os segredos e o jogo escondido continua. Trouxeram a instabilidade mas não querem explicar a ousadia. Não querem debates. Não querem enfrentar olhos no olhos o seu adversário. Nenhum deles quer, mas são ambos candidatos. Fogem de quê? Têm medo de quê? Querem pedir votos aos militantes para fazer o quê com o partido?


Quem se propõe a candidato a Presidente do PS-Madeira tem de ter a dignidade de enfrentar o património do partido. A sua história, os seus valores e a sua marca. Durante anos e anos o PS-M pediu debates, transparência e frontalidade aos seus adversários. Combatemos a arrogância e o jogo escondido. Recusamos, em voz alta e em uníssono, a batota. Hoje é um dia negro para o partido: um candidato ( ou dois) a Presidente recusa honrar a nossa história, os nossos militantes e os nossos combatentes pela democracia. A troco de quê? Ninguém sabe. Não querem dizer, escondem tudo. Ocultam até onde podem, e até escondem-se de si próprios: um candidato por detrás de outro candidato, também ele escondido e sinuoso. Nunca se viu nada assim, aqui ou em qualquer outro lugar digno do jogo aberto e transparente que a democracia encerra. O que se assiste, de olhos arregalados ou de boca aberta, em qualquer caso, incrédulos, mancha a nossa história e ameaça comprometer o nosso futuro.
Daqui para a frente quando o PS-M pedir debates e transparência ao seu adversário, haverá sempre alguém que lembrará que há militantes socialistas, pendurados em independentes, (apressadamente) socialistas, que um dia recusaram a transparência e o debate de ideias, o esclarecimento e a clareza. Haja dignidade e decoro. Já é feio e absurdo tantos equívocos numa única candidatura, mas é inaceitável o paradoxo de alguns militantes socialistas “matarem a sangue frio” a luta de anos e anos em prol da democracia. Tudo isto por nada ou, pelo menos, por alguma coisa escondida que recusam piamente explicar, confrontar e esclarecer.
Os militantes do PS-M saberão avaliar a gravidade da situação e, estou certo, ajudarão a combater o retorno da arrogância e do défice democrático, principalmente corrigindo a trajectória do partido desses tiques ameaçadores. Quem dividiu o partido devia ter algo muito significativo para dizer aos militantes, do que simplesmente fugir e escapar-se ao confronto. Devia (m) colocar a mão na consciência e explicar porque coloca (m) em causa os melhores resultados de sempre do PS-M na história da democracia? O que carrega (m) consigo de tão extraordinário que mereça estragar todo o esforço feito até hoje por todos os militantes do partido, que foram capazes de colocar o PS-M, pela primeira vez na sua história, na linha da frente das alternativas aos governo regional.
Recusar o debate e o confronto das soluções para o partido e para a Madeira não é apenas uma táctica de campanha interna. É um estado de espírito. Está embrulhado na mesma ligeireza com que se falham os compromissos propalados de cumprimento de mandatos e de juras de lealdade aos eleitores. Uma mancha...
Ilustração: Google Imagens.

NOTA
Artigo publicado na edição de hoje do DN-Madeira e aqui reproduzido com a devida vénia.

domingo, 24 de dezembro de 2017

A PROPAGANDA. VINHO E ALHOS E UMA ESPÉCIE DE HOSPEDEIRA DE BORDO



Não estou a ver qualquer governo do nosso País ou de além fronteiras, no Natal ou em outros momentos festivos, todos juntos, em um passeio pelos locais de grande concentração de pessoas. Mas aqui, na Região Autónoma da Madeira, aconteceu. Foram ao mercado dos lavradores e no bar ali existente deliciaram-se com uma sandes de vinho e alhos. Bom proveito lhes tivesse feito. Não sei se foi acompanhado de uma "laranjada". Talvez, porque a cor naturalmente puxa! Como facilmente se percebe não existiu aqui qualquer tipo de propaganda! Nada disso. O que existiu foi uma simples presença no sentido de demonstrarem uma grande proximidade ao povo. Só isso.

Ainda mais interessante foi a secretária do turismo subir a bordo do avião TAP, após a chegada ao Funchal, o tal que possibilitou a vinda à Madeira de estudantes universitários que de outra maneira possivelmente não passariam esta quadra com as suas famílias, para lhes dar as boas-vindas. Qual propaganda, qual quê! Esqueceram o vergonhoso preço imposto pelas companhias aéreas, particularmente pela TAP (serviço público e continuidade territorial, o que é isso?) e eis que, com bolo de mel e brisa, demonstrando evidentes qualidades de hospedeira de bordo, a secretária só não disse: em 2019, não se esqueçam, que fomos nós que possibilitámos a vossa vinda. De resto, tratou-se de um vídeo profissional, extremamente bem feito, calculado para um objectivo, mas, como é evidente, sempre longe da propaganda. E os outros é que a fazem. Espantoso.

 
Ilustração: Google Imagens e Youtube

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

SE DÚVIDAS EXISTISSEM... TUDO FICOU MAIS CLARO!


Acabo de ler no DN um texto sobre as eleições internas no PS-Madeira: "Bernardo Trindade apoia Câmara" (...) pelo seu desprendimento ao apoiar Paulo Cafôfo na corrida à presidência do Governo Regional da Madeira. Se dúvidas existissem, agora, ficou tudo mais claro. Está no seu direito de militante apoiar quem entender. Exactamente como a minha opção deve ser respeitada. Neste processo, certo é que as nuvens dissiparam-se, ou melhor, o nevoeiro sebastiânico foi-se (ou talvez não!), percebendo-se agora, análise da minha inteira responsabilidade, os contornos dos quadros montados por uma teia que está muito para além do racional. De facto, não há como a transparência para se perceber o que está para lá da boca de cena. E não deve ser pouco. O problema é se der erro! Por vezes, as estratégias mal desenhadas ou as ambições desmedidas, onde, muitas vezes, se incluem ajustes de contas, acabam por ser fatais. 


A propósito, há dias escutei, julgo que na RDP-Madeira, uma perspectiva também interessante, o ponto de vista do Engº David Caldeira que foi clarinho ao assumir mais ou menos isto: bom seria que Carlos Pereira e Paulo Cafôfo se entendessem no sentido de Carlos Pereira, no caso de vitória eleitoral, ser vice-presidente de Cafôfo. Ora bem, quer isto dizer que um teria de vender os seus princípios, valores, conhecimento e resultados como as sondagens demonstram, como se o exercício da política tenha de assentar da feliz passagem de Luís Sttau Monteiro no livro "Angústia para o Jantar": "(...) O homem vende-se por pouco. Um Volkswagen, um andar no Areeiro, uma mulher que só casa pela Igreja, ou a amizade dum tipo importante, são suficientes para que se esqueça do que tem de mais íntegro e de mais seu. Por vezes o negócio é mais subtil, menos aparente, e o homem vende-se para ver o seu nome no jornal, para viajar à custa do seu semelhante ou ainda para ter acesso a certos círculos que o deslumbram. A transacção nunca é rápida. O homem vende-se aos bocados, a prestações, dia a dia. Muitos, ao fim dum tempo, já nem sabem que se estão a vender. Atingem uma posição que os obriga a defender interesses contrários a tudo o que sempre sustentaram, e são comprados por essa posição. Continuam, em voz alta, a defender os mesmos princípios de sempre, mas secretamente guerreiam os ideais que dizem ter e fazem o que podem para evitar a sua concretização. A grande maioria dos homens, porém, vende-se por cobardia (…) Os homens que optaram pela vida fácil das carreiras têm medo de não ser promovidos. Os que alcançaram uma posição estável e segura têm medo de transformações. Os que têm prestígio receiam o advento dum mundo que discuta os fundamentos do seu prestígio. Os que vivem à custa dos valores que defendem, receiam todos os outros valores. O medo desempenha na vida dos homens um papel importantíssimo (...)". 
Ora, a política não deve ser isto!
Não pretendo fazer conjecturas, mas ninguém é cego para, no mínimo, perceber o jogo e como as peças andam pelo tabuleiro. Há muito mais política do que aquela política que passa por debaixo dos nossos olhos de meros observadores.
Porém, regresso ao princípio, para sublinhar que respeito as opções. São LEGÍTIMAS e democráticas, ponto final!
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

MENSAGEM DE NATAL DA EURODEPUTADA LILIANA RODRIGUES (PS)

A DEMOCRACIA EXIGE LUTA ENTRE CONTRÁRIOS. MÁ EDUCAÇÃO, NÃO!


Não se trata de para aqui vir armar-me em moralista. Nada disso. Os actos ficam com quem os pratica, dizem. Passei pela Assembleia Legislativa em dois mandatos (1996/2000 e 2007/2011). Defendi posições políticas e escutei a defesa de outras com as quais não concordava. A democracia baseia-se nesse pressuposto. Nunca me levantei em direcção aos "passos perdidos" para não ouvir aqueles por quem não nutria simpatia política. Considerava uma claríssima falta de respeito. Inclusive, nos discursos "duracel" de um ex-presidente do governo que falava duas horas, durante as quais dizia cobras e lagartos de algumas figuras.


Ontem, o passado voltou a repetir-se: quando o deputado Carlos Pereira (PS) tomava a palavra, o presidente do governo saía da do hemiciclo. As cópias são sempre piores que o original. Incomodado pela pressão política e pelas 80 propostas de alteração ao Orçamento da Região? Não sei! Mas se é por sentir-se politicamente acossado, paciência, é a vida, como bem exprimiu o Engº António Guterres. Faz parte dos deveres e dos direitos de oposição ao governo ser PROPOSITIVO. Não bastam as palavras mais ou menos enfeitadas na arte de bem falar. Na política exige-se a proposta séria e fundamentada ao jeito de... "vossas excelências propõem isto, nós propomos aquilo e com estes fundamentos...". Sair da sala é, no mínimo, ridículo.
Da mesma forma é grotesco o vice-presidente sublinhar "(...) vêm para aqui de uma forma demagógica criticar o investimento do governo, então digam quais são (as obras) que não querem (...)", isto é, como se apenas um fosse o portador da verdade. Ora, dispõem de maioria absoluta, historicamente, chumbam tudo quando emerge da oposição, mas isso não significa que não tenham de escutar as propostas dos outros. Não existe demagogia alguma, o que existe são pontos de vista diferentes quanto ao investimento. De resto, a população, ao contrário do que alguns imaginam, está atenta à repetição política do passado e aos discursos de grande fragilidade e está atenta a quem tem capacidade de se opôr com argumentos sustentáveis. 
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

VULGARÍSSIMO


Acredito que por detrás das horas de antena da TVI sobre o tema estejam a fossar a porca da política e a porca dos negócios. Acredito numa outra tese: que o grupo de investimentos Altice, dedicado a negócios especulativos, ao sentir dificuldades no negócio da compra da TVI/Media Capital quis dar um sinal ao governo do que poderá esperar de agressividade se não abrir as pernas ao negócio. Eis aqui uma amostra como vos vamos tratar se não nos deixarem fazer o que queremos!

Por Carlos Matos Gomes, in Facebook, 12/12/2017
Estátua de Sal


Vulgaríssimo. O caso da associação Raríssima é vulgaríssimo. É uma receita vulgaríssima: A partir de um vulgar caso de irregularidades, neste caso uso de dinheiros públicos por parte de uma associação, em que a dirigente recebia um salário, despesas de representação, andava de BMW de luxo, comprava camarão e vestidos com o cartão de crédito, encena-se um vulgar espectáculo mediático de justiça popular.
Como se monta este espectáculo e esta trama? Como se faz desde a antiguidade, passando pela inquisição! Como se montaram os autos de fé. Um dado poder, neste caso, um dado grupo de comunicação (TVI/Media Capital), recebe uma denúncia de existência de pecados ou heresias. Esse grupo está em dificuldades económicas, ou pretende chantagear o governo. O chefe manda investigar a existência de ligações a quem quer que seja no governo – só isso interessa – tem de haver alguém, há sempre!
Logo que descoberto, neste caso um ministro que foi um vice-presidente de um órgão social (Assembleia Geral), uma deputada que foi a uma atividade da organização, previamente transformada para o efeito em inimigo público, há, como dizem os encenadores (directores de comunicação e informação), carne para colocar na fogueira – literalmente no caso da Inquisição, metaforicamente neste caso. A partir daqui é só atear a fogueira e manter as chamas. Este caso substitui na arena dos média o célebre capitulo 6 do relatório dos incêndios!
Sou contra os salários dos corpos directivos destas associações, os BMW de serviço, o camarão, os vestidos e até as gravatas de seda à custa do contribuinte, não conheço de lado nenhum a senhora, desconhecia e existência da Raríssimas, não conheço o ministro que foi vice presidente da Assembleia geral, nem a deputada que viajou, nem o deputado que estava para ser dirigente. Mas também me repugna ser metido numa bancada geral de um espectáculo com uma fogueira no meio, ou no peão de uma arena para onde vão ser atirados uns condenados às feras. Também recuso ser tratado como parte da matilha que vai meter o dente nos condenados.
Não acredito na bondade e, menos ainda, na prestação de serviço público, de uma estação de televisão que investe (é de investimento que se trata) horas de antena (horas e não minutos já de si caríssimos de emissão) para punir exemplarmente uma anónima senhora que recebia um salário de 6 mil euros tinha um BMW de serviço e comprava 250 euros de camarão! Admiro os justiceiros que acreditam nesta bondade comunicacional!
Eu não acredito. Acredito numa outra possibilidade menos pura, mais manhosa e ranhosa.
Acredito que por detrás das horas de antena da TVI sobre o tema estejam a fossar a porca da política e a porca dos negócios. Acredito numa outra tese: que o grupo de investimentos Altice, dedicado a negócios especulativos, ao sentir dificuldades no negócio da compra da TVI/Media Capital quis dar um sinal ao governo do que poderá esperar de agressividade se não abrir as pernas ao negócio. Eis aqui uma amostra como vos vamos tratar se não nos deixarem fazer o que queremos!
Acredito, pois, que o caso TVI/Raríssima é um vulgaríssimo caso de ameaça velada (do tipo chantagem preventiva) ao governo.
Por mim, recuso-me a participar neste espectáculo degradante de atirar carne à matilha. Recuso- me a fazer parte da matilha e a ladrar quando me acenam com restos! Repugnam-me linchamentos, multidões e jogadas de falso moralismo que me utilizam como carne para canhão, ou membro de uma claque.

NOTA
Deixo aqui, também, em contraponto, um texto de João Miguel Tavares.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

"SE FOR PRECISO TRABALHO 20 HORAS POR DIA"


A frase é do Dr. Miguel Albuquerque, presidente do governo regional, ao terminar esta semana onde 40 militantes foram convidados a sair pela porta dos fundos! Mas esse é um problema interno que só ao partido diz respeito. A questão que aqui coloco é outra. No jantar de Natal, do PSD, o presidente do governo falou do crescimento económico que se verifica na Madeira, da baixa da taxa de desemprego e da promessa de investimento na área social. Ora bem, o sentimento que nutro é que pode trabalhar sem descanso, que a marca negativa que ficou destes dois últimos anos parece-me irrecuperável.


No exercício da política, julgo eu, findou o tempo de enganar as pessoas através das palavras. O planeamento, no adro das igrejas, à saída das missas, foi chão que deu uvas e à gritaria em cima dos palcos, seja em que circunstância for, a maioria do povo olha com os olhos enviesados da desconfiança. Hoje, o eleitor valoriza muito mais a sinceridade, a humildade, a transparência e a competência para ir ao encontro das pessoas, do que propriamente foguetes lançados ou as frases assassinas que dizem. Os "soundbiyes" para ficarem no ouvido perderam fulgor! Uma grande parte do povo já não vai por aí, e tanto assim é que, por maior número de palcos e de situações intencional e estrategicamente criadas, a verdade é que, factualmente, em 2013 e em 2017, nas eleições autárquicas, o resultado foi inequivocamente desfavorável a um poder que tem sido absoluto. E se juntarmos a esses resultados os estudos de opinião (sondagens) publicados, prova-se, também, que o soberano povo entende que a hora é de novos protagonistas e de novas políticas. O Dr. Miguel Albuquerque não tem esta leitura, entende que o combate político deve continuar a assentar nas premissas de ontem, exactamente ao jeito jardinista. Isto é, através do discurso truculento e do combate à distância que, depois, pia fininho.
Então vejamos. Falou do crescimento económico, mas todos sabemos que este está a ser impulsionado pelas medidas do governo da República que, concomitantemente, fez baixar a taxa de desemprego, embora continue pior que a taxa nacional. Os madeirenses e porto-santenses sabem que não ficam a dever nada às políticas regionais, por clara inexistência das mesmas, mas às políticas da República que tiveram e têm repercussões na Região. Os indicadores são tantos e inegáveis. Um certo, embora ainda distante do desejável, desafogo na carteira das pessoas, fez disparar o consumo interno, logo um assinalável crescimento que está a impulsionar, moderadamente, todo o sistema empresarial. Quais foram as medidas deste governo regional? Não me lembro de uma! Presente, tenho, as sucessivas mudanças de personagens no governo, em uma dança de cadeiras sinónima de instabilidade no plano da governação.

Terceiro vector: o investimento na área social. Trata-se da bengalinha que dá jeito quando a governação anda com a proa debaixo de água. O presidente fala mas não se compromete. Será desta que os madeirenses e porto-santenses terão um IRS, já não vou mais longe, pelo menos igual ao dos Açores? Será que serão implementadas medidas defensoras do sistema empresarial e da correspondente empregabilidade? Será que os mais vulneráveis, sem andarem a pedinchar nas instituições, passarão a dispor de um valor anual, já não peço mais, igual ao dos Açores? Será que é desta que os mais pobres beneficiarão, mensalmente, no quadro do Orçamento Regional, de um complemento de pensão? Será que todos passarão a ter todos os combustíveis, já não vou muito longe, exactamente igual ao dos Açores? Será que é desta que os cerca de 1000 idosos à espera de vaga em um lar verão a luz ao fundo do túnel? Será que, nos próximos dois anos, o sistema de saúde deixará a situação de caos organizacional, gestionário e financeiro? E mais e mais...
É por isso que o povo já não vai em paleio. Mais do que as designadas "obras públicas", com inaugurações a preceito, banda e discursos, o povo quer a solução de outros problemas que têm a ver com a sua vida, com alguma felicidade enquanto por aqui andarem. Quem desviar olhar desta realidade, como diz o povo, "está feito ao bife"!
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

DEBATE SIM... SÉRIO E PROFUNDO


Trata-se de uma obrigação da Democracia com "D" bem maiúsculo. Os partidos políticos são a base da vivência colectiva. Melhor educação, melhor saúde, melhor política social, melhor agricultura, pescas, ambiente, por aí fora, depende do esclarecimento de todos e não apenas dos militantes de um partido. Todos nós temos o direito de aquilatar o conhecimento dos candidatos à presidência de um partido político, o que pensam e o que sabem sobre Economia, Finanças e Administração Pública, entre outros dossiês. As pessoas não querem, porque estão cansadas de paleio e de tricas partidárias, saber de hipotéticas desinteligências, de tudo o que é menor, mas sim como poderão vir a ser governados. E isto extravasa o campo partidário para entrar no domínio do interesse colectivo. 


Debater e ficar a conhecer a capacidade e a inteligência técnica e política dos candidatos, pelo menos para mim, torna-se determinante na construção do futuro. O voto não pode ser entregue às cegas. Em 2019, nas eleições legislativas regionais, perfazem 43 anos de domínio de uma única força política. A Democracia exige alternância, fundamentalmente, porque a inovação encontra-se sempre do lado de fora. Há sempre novos caminhos que se distanciam da acomodação que um poder tipo "duracel" normalmente denuncia. 
Tudo isto para concordar com a posição do Dr. Carlos Pereira, (re)candidato à liderança do PS-Madeira. Ele quer debates, temáticos ou não, face aos quais os madeirenses possam aquilatar das capacidades dos concorrentes. Não apenas os militantes, mas todos os eleitores. Porém, repito, não de debates comezinhos, de trololó em redor de coisitas sem significado, mas sim relativamente a dossiês que preocupam os madeirenses e os porto-santenses. É um direito dos eleitores. 
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 3 de dezembro de 2017

BANCO ALIMENTAR CONTRA A FOME. POR FAVOR, NÃO GOVERNAMENTALIZEM!


Por elementar dever e por obrigação moral, milhares de madeirenses e de porto-santenses, ao longo deste fim-de-semana, estão a deixar a sua contribuição. No plano meramente teórico não deveria de existir um banco alimentar. Quando ele se torna necessário é porque a política social falhou. Os políticos falharam. Portanto, na existência de significativas bolsas pobreza, obviamente que são louváveis todas as iniciativas no sentido de colmatarem as insuficiências sentidas pela população mais vulnerável. 


Discretamente, cada um deve participar, por solidariedade para com os outros. É grandioso e, por isso, curvo-me perante o trabalho realizado por tantas instituições, desde o Banco Alimentar até às paróquias. O que não aceito é o aproveitamento político da pobreza. O Banco Alimentar é uma instituição INDEPENDENTE do governo e da Igreja, assim reza o seu estatuto nacional. Recolhe, aceita donativos e distribui pelas instituições que mitigam a fome. Portanto, governo, partidos políticos e Igreja longe.
O curioso é que não é assim, fundamentalmente, por parte do governo regional. Depois de anos a fio a negar, na Assembleia Legislativa, a necessidade da sua existência, inclusive, votando contra propostas apresentadas, sobretudo pelo PCP, eis que depois da sua criação, os governantes aparecem quase dando a entender que aquela é mais uma iniciativa do governo. A Drª Rubina Leal foi visitante assídua e, agora, a recém secretária da Inclusão e dos Assuntos Sociais, que eu desse conta, pelo menos por duas vezes, apareceu a botar declarações sobre o Banco e a recolha de produtos. Feio, muito feio e oportunista. Não faz sentido que os partidos se apropriem desta iniciativa, muito menos que o governo regional por lá apareça, quando tem um lamentável histórico de posições contrárias à sua existência.
Ilustração: DN-Madeira. Francisco José Cardoso.

sábado, 2 de dezembro de 2017

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA - OS DADOS PÚBLICOS NÃO DEMONSTRAM A VERGONHOSA REALIDADE



Em um momento de grande reflexão sobre a "violência doméstica", deixo aqui a intervenção da Eurodeputada Liliana Rodrigues ao programa "Madeira Viva" da RTP-Madeira, para além de um texto publicado no DN-Madeira.

NOTA

Texto publicado no DN-Madeira e aqui reproduzido.

Para Guida Vieira, “foi um ano negro para a Madeira em todos os sentidos”.

A Madeira foi a região do país com o maior número de mulheres assassinadas este ano em contexto familiar, totalizando cinco dos 18 casos registados pelos Observatório das Mulheres Assassinadas (OMA), revelam dados avançados à agência Lusa.
Em declarações à agência Lusa, Guida Vieira, da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR)da Madeira, revelou que há mais quatro casos que não foram noticiados, o que faz subir para nove o número de mulheres assassinadas na Madeira, que registou este ano o maior número de sempre relativamente a estas situações.
“Foram assassinadas de maneiras bárbaras e nós ainda temos outros números que não foram publicados pela comunicação social” e, como tal, o Observatório das Mulheres Assassinadas não pode pronunciar-se sobre esses casos porque se baseia nos crimes noticiados na imprensa, explicou a também conselheira para a igualdade no concelho do Funchal.
Portanto, há cinco casos oficiais e quatro não oficiais porque “os seus agressores não foram identificados”, disse Guida Vieira, sublinhando ter conhecimento de que estas quatro mortes estão relacionadas com “processos de violência doméstica graves”.
“Isto quer dizer que os dados públicos não são a realidade”, adiantou, anunciando que a UMAR Madeira vai fazer hoje uma declaração pública para alertar para a necessidade de ser feito “um trabalho de investigação”, no sentido de perceber “porque é que estes crimes não são divulgados e o autor não é identificado”.
Em relação aos casos divulgados pelo observatório, Guida Vieira adiantou que nem todos foram situações de violência doméstica.
“Nós consideramos que foi mesmo violência de género exercida sobre mulheres, porque houve um sobrinho que matou uma tia, um filho que matou a mãe”, adiantou.
Para Guida Vieira, “foi um ano negro para a Madeira em todos os sentidos”.
“Não é porque o tema não tenha sido debatido, que a sociedade não esteja mais aberta, nós achamos que é sobretudo uma questão que tem a ver muita com a mentalidade fechada de ser uma ilha, uma região insular”, sustentou.
“Ainda temos gente muito antiga, há homens que sentem que podem cometer estes crimes atrozes”, disse, frisando que a maior parte das mulheres eram mais velhas.
Para a responsável, é preciso “mudar a mentalidade em relação a esta situação” e apostar num trabalho de prevenção juntos dos mais novos para que esta situação possa mudar.
Segundo dados do relatório, a que a Lusa teve acesso, o concelho de Santana na Ilha da Madeira, registou dois femicídios, seguido dos demais concelhos, cada um com um registo.
O distrito do Porto registou quatro homicídios, enquanto os distritos de Aveiro, Braga, Bragança, Évora, Faro, Leiria e Viana do Castelo registaram um cada um.
Até 20 de novembro, o OMA contabilizou um total de 45 órfãos após femicídio consumado, adianta o documento divulgado a propósito do Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres (25 de novembro).

O FUTURO DA POLÍTICA DE COESÃO APÓS 2020: OPORTUNIDADES, DESAFIOS E NOVAS ETAPAS


Intervenção da Eurodeputada madeirense (PS) Liliana Rodrigues, sobre as políticas de Coesão.