domingo, 3 de dezembro de 2017

BANCO ALIMENTAR CONTRA A FOME. POR FAVOR, NÃO GOVERNAMENTALIZEM!


Por elementar dever e por obrigação moral, milhares de madeirenses e de porto-santenses, ao longo deste fim-de-semana, estão a deixar a sua contribuição. No plano meramente teórico não deveria de existir um banco alimentar. Quando ele se torna necessário é porque a política social falhou. Os políticos falharam. Portanto, na existência de significativas bolsas pobreza, obviamente que são louváveis todas as iniciativas no sentido de colmatarem as insuficiências sentidas pela população mais vulnerável. 


Discretamente, cada um deve participar, por solidariedade para com os outros. É grandioso e, por isso, curvo-me perante o trabalho realizado por tantas instituições, desde o Banco Alimentar até às paróquias. O que não aceito é o aproveitamento político da pobreza. O Banco Alimentar é uma instituição INDEPENDENTE do governo e da Igreja, assim reza o seu estatuto nacional. Recolhe, aceita donativos e distribui pelas instituições que mitigam a fome. Portanto, governo, partidos políticos e Igreja longe.
O curioso é que não é assim, fundamentalmente, por parte do governo regional. Depois de anos a fio a negar, na Assembleia Legislativa, a necessidade da sua existência, inclusive, votando contra propostas apresentadas, sobretudo pelo PCP, eis que depois da sua criação, os governantes aparecem quase dando a entender que aquela é mais uma iniciativa do governo. A Drª Rubina Leal foi visitante assídua e, agora, a recém secretária da Inclusão e dos Assuntos Sociais, que eu desse conta, pelo menos por duas vezes, apareceu a botar declarações sobre o Banco e a recolha de produtos. Feio, muito feio e oportunista. Não faz sentido que os partidos se apropriem desta iniciativa, muito menos que o governo regional por lá apareça, quando tem um lamentável histórico de posições contrárias à sua existência.
Ilustração: DN-Madeira. Francisco José Cardoso.

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