quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

A PALAVRA DO MOMENTO: ESTRATÉGIA


Por estes dias, por razões várias, muito se tem falado de estratégia. O termo banalizou-se na boca de alguns, porventura levados pelo significado mais superficial e não pela extensão do mesmo. Eu diria, talvez, mais pela aparência e ou subjectividade de alguns dados do que pelo estudo e definição de um caminho. A evolução do comportamento das organizações determinou que de uma situação estável no início do século passado, tornou-se reactivo, centralizado, lento e ineficiente aí por meados dos anos trinta e, logo depois, a gestão estratégica foi evoluindo no sentido do desenvolvimento de uma posição concorrencial nos espaços de competência, da capacidade de manobra e posição de força em função da turbulência do ambiente, isto é, do "mercado das ideias", mas também pela necessidade de garantir uma capacidade de reserva, uma vez que é tão importante o ataque como o domínio da arte da retirada.


O que por aí leio não bate certo com aquilo que nos trouxe, entre muitos outros, Alfred Chandler, Peter Drucker, Henry Mintzberg, Ansof , Chiavenato ou Michel Godet. Ser pensador estratégico (desde T'ai Kung - 900 aC, Sun Tzu - 500 aC entre tantos e tantos até aos dias de hoje) e homem de acção tem muito que se lhe diga, porque atravessa toda a História. Da arte da guerra até ao âmbito gestionário.
No aspecto que, em abstracto e em síntese, aqui me trás, quando em causa está um pensamento prospectivo sobre o futuro, seja ele qual for, consubstanciado no apelo à imaginação e ao sonho em função da dinâmica social, na capacidade de prever e de ousar, de escolher, apreciar e de considerar os elementos da equipa, de saber imaginar os movimentos possíveis em várias jogadas, tudo isto implica um acrescentado conhecimento para que se possa falar de uma eficaz atitude estratégica. Só depois vem o planeamento com os seus, pelo menos dez princípios: o da integração, o da coerência, participação, equilíbrio, globalidade, prioridade estrutural, transformação graduada, interacção, flexibilidade e optimização dos meios. Por aí fora. Portanto, a estratégia não corresponde e não pode corresponder à boa vontade inscrita em meia dúzia de folhas A4, com enfeitadas palavras, mais ou menos programáticas, falhando nos extensos pressupostos que enformam o domínio dos factores básicos. Não basta, repito, boa vontade, mas conhecimento assertivo, uma experiência acumulada e permanente correcção dos erros antes cometidos.
Significa, portanto, que tais domínios só estão ao alcance de quem os estuda, pacientemente, tal qual um jogador frente a um tabuleiro de xadrez, até porque qualquer decisão deve ser, sempre, estruturante, isto é, deve comprometer, profundamente, o futuro. As jogadas não pensadas provocam danos. O sucesso não é possível apenas com a boa vontade de amadores. Não se consegue com aprendizes de feiticeiro. Não se consegue com ausência de qualidade. É por isso que algumas organizações têm êxito e outras não. Uma organização, seja de que tipo for, da empresarial à política, carece de pessoas qualificadas, desde os líderes, no vértice estratégico, à linha hierárquica descendente até ao patamar operacional. Se assim não acontecer, a organização tende, naturalmente, a falhar na sua vocação e missão, a falhar nos objectivos ou metas, nas próprias estratégias, nas políticas e nos procedimentos. De resto, complementarmente, quando as organizações não se viram para fora, antes desenvolvem uma cultura virada para dentro, em função de interesses muito específicos e particulares, não há estratégia que as valham. A estratégia nasce da criatividade, da inovação, transporta uma visão de longo prazo, construída passo a passo, pelo que estes aspectos, determinantes, não se coadunam com pessoas impreparadas.
Ilustração: Google Imagens.

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