segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A TRAGÉDIA DO MONTE E A AUSÊNCIA DE SOLIDARIEDADE


Pediram ao presidente do governo regional, Dr. Miguel Albuquerque, um comentário sobre as investigações em curso à queda da árvore no Monte, a tal que vitimou treze pessoas no Verão passado. Segundo me apercebi o jornalista quis saber o que ele pensava sobre a constituição de arguidos e da eventualidade de ser chamado a depor. Laconicamente, respondeu: "Não tenho nada que comentar. À justiça o que é da justiça, à política o que é da política". Pois, em abstracto, é verdade, em função da separação de poderes, é assim. Só que existe aqui um pormenor: o carvalho em causa, segundo li, é quase secular e o presidente do governo é o mesmo que foi presidente da Câmara do Funchal entre 1994 e 2013. Cerca de quatro anos depois da sua saída, o carvalho tombou e vitimou. Poderia ter tombado no dia seguinte à tomada de posse do actual executivo e aí, certamente, a resposta teria sido a mesma. Quanto às causas, não me pronuncio, até porque nada percebo desse sector de actividade. Agora, de um aspecto estou certo: naquela declaração existe uma lamentável ausência de SOLIDARIEDADE. Poderia ter acontecido no decorrer do mandato do Dr. Miguel Albuquerque, o que me leva a dizer que teve sorte! Não sei se hoje seria presidente do governo.


A palavra solidariedade é fundamental na política como em todos os domínios da vida. O que, politicamente, o Dr. Miguel Albuquerque quis dizer foi, desenrasca-te e se fores condenado por coisa que, objectivamente, não fizeste, é a vida, meu caro! Esqueceu-se das palavras do provérbio: "Quem o mal deseja a seu vizinho, vem o seu pelo caminho". Nunca se sabe o que nos espera o dia de amanhã, pelo que vem à colação um outro provérbio: "Hoje por mim, amanhã por ti". No centro desta história está, repito, a palavra SOLIDARIEDADE. Parece que a certos políticos interessa a "morte política" dos outros, esquecendo-se que estão no mesmo barco da vida pública e democrática. Seria absolutamente natural que dissesse que, no seu tempo de presidente da autarquia, os serviços tinham zelado pelo espaço e que nada fazia prever aquela tragédia. Teria sido, politicamente, sensato, mas não, preferiu deixar sós, no meio da arena política e judicial, o actual presidente da Câmara, a vereadora do Ambiente e o responsável pelos parques e jardins. Sinceramente, detesto políticos que se comportam assim. 
As tragédias não avisam. Lá vem o dia que acontecem. Ainda há dias, felizmente, apenas com consequências materiais, caiu um tronco de pinheiro no Monte. Poderia ter vitimado duas pessoas. Pergunto: quantas árvores, no Funchal, terão caído no tempo do Dr. Miguel Albuquerque? Por vezes, existe incúria, é verdade, por isso, as investigações são necessárias para apuramento de responsabilidades. Não é isso que está em causa. No centro deste texto está a palavra SOLIDARIEDADE, pessoal e institucional, independentemente do assunto se encontrar em fase de investigação. Não é desta política que precisamos.
Ilustração: Google Imagens.

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