segunda-feira, 7 de maio de 2018

OH MINHA SENHORA, NESTE CONTEXTO VOU DIZER COCÓ?


FACTO

A secretária Regional do Ambiente e Recursos Naturais, Drª Susana Prada foi ao Palácio da Justiça entregar ao Procurador do Ministério Público uma queixa-crime contra o Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz, Filipe Sousa. Motivo: ter sido alvo de ofensas. Quais? A secretária regional teve uma “atitude desonesta e de clara falta de vergonha (...) A senhora secretária mentiu descaradamente à opinião pública aqui de Santa Cruz e madeirense (...)", isto a propósito das obras realizadas pelo Governo Regional para abastecimento à população da Eira da Cruz. "Como em política não pode valer tudo, em defesa do seu bom nome e honra, Susana Prada entendeu tomar prontamente uma acção de firme repulsa relativamente a este tipo de comportamentos e assim apresentar a devida queixa crime". Fonte: DN-Madeira.

COMENTÁRIO

Obviamente que não sou advogado de defesa dos "Juntos pelo Povo", mas sou cidadão e leitor. Este comentário parte do princípio que o jornalista publicou as partes mais "ofensivas" e que levaram a Senhora secretária a ficar abespinhada (furiosa).
Ora bem, no exercício da política não pode valer tudo. Concordo. O problema está em saber o que significa "valer tudo". A Senhora secretária tem estado na Assembleia Legislativa, enquanto membro do governo, portanto, tem escutado algumas, essas sim, ofensas da dignidade, "da honra e do bom nome" daqueles que foram eleitos pelo Povo. Algumas vezes, de forma reles e a roçar o ordinário. Para não falar dos enxovalhos que muitos sofreram ao longo de quase quarenta anos. Basta uma consulta junto do "Dr. Google" ou do Youtube.
Pois bem, a palavra desonesto pertence ao léxico português. Pode significar falseamento da verdade; falta de vergonha pode significar capricho; tal como a palavra mentir que pode significar, também, falsidade, engano, embuste. E sendo assim, estou certo que a queixa não se daria, se o referido partido tivesse dito (repito, segundo o que li), que "a sua atitude falseou, politicamente, a verdade, traduzido em um capricho, o que levou ao engano os eleitores, pelo que, na nossa opinião se tratou de um embuste político". Com sinónimos e floreados tudo teria passado sem mácula. Era um ramo de flores para a secretária colocar na secretária!
Tive um Amigo, já falecido, que, às vezes, referindo-se a uma determinada situação que, politicamente, o contrariava, dizia, expressivamente, a palavra "merda" (porcaria, sujidade, excremento). A sua mulher quase o repreendia, dizendo: "Oh menino!" E ele respondia: querida, neste contexto vou dizer "cocó?" 
Ora, comparado com o que se ouve, as expressões publicadas nem "piropo" político são! Mas deu origem a uma queixa que só vai dar trabalho, para no final ser arquivado. 
Ai se todos começam a fazer queixa do que ouvem!
Ilustração: Google Imagens.

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