terça-feira, 19 de junho de 2018

QUESTÕES DE UMBIGO E DE DEMOCRACIA


Quando se aventa a hipótese ou se coloca a circular nas redes sociais, julgo eu, para ver se pega, a hipótese de suspender de uma instituição pública um qualquer ente, por alegado delito de opinião, fico preocupado com o rumo dessa instituição e mais preocupado, ainda, com o rumo da vida e da vivência democráticas. Parece que os cidadãos são todos anormais, que não conseguem discernir e isolar os comportamentos certos dos errados, de um lado e do outro, obviamente, que não conseguem perceber onde se encontram as razões mais substantivas que conduzem às diversas análises. Enfim, parece que os demais cidadãos são todos burrinhos, desmiolados, que vão para onde os querem conduzir. Se foi assim, hoje já não é. Podem alguns pensar que a mediocridade de pensamento é universal, mas quanto enganados estão, nas questões básicas, os que demonstram tendências absurdas e de jaez absoluto. De alguns diálogos que tenho com pessoas humildes do ponto de vista da escolarização, desde os que trabalham a terra até ao sector dos serviços, observo que "vilões", no sentido mais pejorativo, são os outros que os tentam enganar. Há uma experiência de vida que, embora não conhecendo toda a história, por alguns sinais, sabem que "não vão por ali".



Há gente que não tem esta percepção e vai daí, quem não interessa, por melhores que sejam, primeiro, segue o aviso, subtil, depois, descarado, ao jeito de, ou te calas ou vais borda fora. Como se o problema deixasse de existir. Tem qualquer coisa de ditatorial. O processo pode estar errado, mas não interessa, sou eu que mando. Deixam de ser líderes, se alguma vez o foram, e desnudam-se na categoria de chefes. 
Contaram-me, há muitos anos, aquela de um chefe de esquadra que marcou uma audição, com um suspeito, para uma dada sexta-feira. O cabo de esquadra, ao fazer o ofício na velhinha máquina de escrever, perguntou ao chefe se sexta se escrevia com ch ou com x!. O chefe, de mãos à ilharga, altivo, respondeu: marca para Quarta às 10! Pois é. O chefe tem sempre razão, diz o artigo 1º e, quando não tem, o artigo 2º prevê que se aplica sempre o artigo 1º. Os chefes são assim, por vezes são mais fracos que os próprios cabos. Não são líderes, não têm noção das suas limitações, desenvolvem sonhos balofos, não sabem conjugar esforços, qual metáfora, para questionar se é com ch ou com x, funcionam dentro da sua redoma, embriagados pelas circunstâncias temporais na esperança de uma promoção, sem a noção que a vida real muda quando menos se espera. Quando pensa que está tudo seguro, pode surgir um tsunami arrasador. Regressam, qual "jogo da glória" à casa inicial. 
Quem tenta afastar, por delito de opinião ou por qualquer outra razão, por exemplo, porque  simplesmente não gosta, evidencia medo e incompetência. O diálogo, no sentido da concertação de esforços, obteve sempre melhores resultados ao contrário da lógica do "agora mando eu", mesmo que confundam ch com x! Uns falam muito alto e grosso, outros nem falam, piam e abrigam-se por debaixo do guarda-sol dos interesses pessoais, outros, ainda, com um pé aqui outro ali, aguardam os sinais da "meteorologia". Ora, as organizações são estruturas vivas, dinâmicas, cheias de conflitos e desde que estes não sejam disfuncionais, a cultura do diálogo e do contraponto torna-se determinante para o êxito. Quando a palavra exclusão é a preferida, bom, em última instância, poderão ficar os medíocres, os tais que não sabem se é com ch ou com x!
Ilustração: Google Imagens.

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