terça-feira, 3 de julho de 2018

SABER OCUPAR O SEU LUGAR. ENIGMÁTICO? NEM POR ISSO!


Li, porque me chegou, uma daquelas frases que, sem contextualização, vão caindo nas páginas do facebook. A síntese é de Cláudia Peixoto que não sei quem é: "Antes de correr, aprenda a andar. Tudo na vida tem sua hora. Tartarugas também chegam lá!". Nada de especial, fixei-me, apenas, na básica metáfora do "antes de correr, aprenda a andar". O problema está exactamente aí, no contexto político e não só, convenhamos, vermos gente a querer correr sem saber andar. Ou com um andar muito desajeitado! Para esses, desde já, bom seria terem consciência que a hora não chegará e a tartaruga viverá de miragens. Porque lhes falta cultura, inteligência e visão. 


Porque a vida é muito mais que a leitura apressada de umas sebentas. Porém, até à queda, não deixam de influenciar, de impor vontades acéfalas, de demonstrar um inimaginável desejo de poder, em exponencial ambição em função do tempo que por ali andam. E os seus chefes, por outras razões, muito fraquinhos no espaço emocional e da administração da "coisa pública", ziguezagueantes, até com picos de mau humor, inebriados, deixam-se ofuscar, porque são mais lentos e incapazes que a tartaruga. Mergulham então e deixam-se enlear no bas-fond das traições, onde se multiplicam incomensuráveis interesses, cumplicidades, abstractos jogos de xadrez onde as peças, algumas importantes, vão soçobrando, porque o xeque-mate das ambições dos requintadamente sentados no sofá, assim exige. E, em um quadro de desespero e sôfregas ânsias, de euros que contam, de ovos no dito e poleiros que se pretendem, os estrategos até se dão ao luxo de utilizar pontas de lança inexperientes, os que abrem caminho à sua tropa. Vivem o momento de relativa importância, às vezes de peito cheio, mas são apenas peões, não percebendo que são utilizados na treta palaciana e que nunca serão uma coisa para qual não nasceram. Vivem da aparência das circunstâncias, do poderzito de quem está atrás do balcão ou tem umas quaisquer chaves na mão, onde o ter, mesmo que pouco, vale mais que o ser. Quanto mais pequeno o território mais se nota a sua presença, havendo verbos que os caracterizam: infernizar, mentir, excluir, aldrabar e ganhar. Um dia, tudo termina e alguém dita: acabaste! Não aprendeste a andar e, portanto, não sabes correr. Volta para a tua "profissão" se ainda sabes fazer alguma coisa!
Ilustração: Google Imagens.

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