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sábado, 8 de setembro de 2018

VANDALISMO


Fiquei surpreendido com a notícia que deu conta que figuras públicas, algumas exercendo cargos, uma outra com opiniões publicadas no DN-Madeira, foram vítimas de actos de vandalismo nas suas viaturas. Diz o Diário, na sua edição de hoje, que o padrão de actuação é sempre o mesmo, o recurso a pedras para partir os vidros. Não creio que esta seja uma atitude com algum grau de generalização na Região, pela descrição parece ser dirigida por "encomenda", embora se saiba que os actos de vandalismo sempre aconteceram. De qualquer forma, julgo existir um genérico défice de educação e de cidadania a esse nível. Quando desempenhei a função de vereador da Câmara do Funchal tive consciência da sistemática destruição de muito mobiliário urbano, entre outros, receptores de lixo ardidos e espelhos de ajuda ao trânsito intencionalmente quebrados. Não sei quantas queixas são anualmente apresentadas e, nesse quadro, se existem ou não surtos e estudos sobre as respectivas causas. Porém, parece-me, no mínimo, muito estranha a relação entre as vítimas e a notoriedade pública das mesmas. 


Se, no caso do mobiliário urbano, se explique pela existência de consumos excessivos de álcool (e não só), uma vez que há uma relação directa entre o final da semana, a dinâmica dos grupos e os estragos nos bens públicos, já no caso dos cidadãos que viram as suas viaturas vandalizadas, talvez aí o móbil da actuação tenha outros contornos. Estou em crer, até prova em contrário, que poderá existir uma intenção de natureza política. Se assim se concluir será muito grave. Há que estudar esta “onda” de hostilidade, antes que o ambiente se agrave. 
Ora, independentemente das causas e das figuras envolvidas, e independentemente de ter contornos de natureza política, como primeiro esforço, julgo ser de importância vital que os partidos políticos e, sobretudo, as organizações de juventude, actuem no que concerne à moderação das atitudes. Parece-me sensível a existência de um clima de adversidade irresponsável e de crispação que pode potenciar actos não conformes com a tolerância e o respeito pelos outros. Fiquei perplexo quando, há dias, o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, por exemplo, previu uma próxima sessão legislativa “agitada”. Agitada, porquê? Agitada poderá pressupor, naquele contexto, não estou a exagerar, uma sessão com casos que não dignificam a Democracia. Uma coisa é ter alma na defesa dos pontos de vista, respeitando os limites da linguagem e da tolerância, outra, a ofensa deliberada e os comportamentos inadequados. Quando o presidente do primeiro órgão de governo próprio antevê sessões menos próprias, então, existe uma pedagogia a fazer no interior dos partidos políticos.
Concomitantemente, talvez não esteja errado ao afirmar que, no plano da cidadania e da formação integral, a escola não funciona(ou) na sua plenitude. E isso é notório em múltiplas situações na vida do dia-a-dia, nas atitudes e nos conflitos absolutamente gratuitos, na relação entre pessoas, na intolerância, na agressividade, nas acções sub-reptícias tendentes a criar situações delicadas a quem desejam atingir. Pessoas bem formadas, obviamente, tendem a não entrar pelos caminhos ilícitos e contrários a vivência democrática. A escola de cultura, menos enciclopédica, que tantas vezes defendo, eu diria que está muito distante do desejável. Portanto, julgo existir aqui muitos factores que deveriam enquadrar a formação e a mentalidade da generalidade das pessoas, que exerçam a actividade política ou não. E aí, repito, há um flagrante défice. Não é por acaso que desde o início deste meu blogue, ao título acresci a frase: "Região Autónoma da Madeira - Um longo caminho para a democracia".
Ilustração: Google Imagens.   

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