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quinta-feira, 7 de março de 2019

VIOLÊNCIA - A PROPÓSITO DE UM DIA... DA MULHER!


Não sou muito adepto de dias disto e daquilo. Simplesmente porque, na esmagadora maioria desses dias, existem causas que já deveriam, há muito, estar plenamente interiorizadas, através de uma cultura inscrita na matriz das condutas humanas. Infelizmente, ainda se sente a necessidade de gritar para que a sociedade acorde e alguns possam perceber a vergonha. O grito ainda se torna mais oportuno quando, pasme-se, até um Juiz elabora acórdãos execráveis, absolutamente desconformes com a ofensa, a morte e com a crescente condenação pública. Quem também assim se comporta, definindo sentenças humilhantes para as vítimas, colocando-se do lado do agressor, enquanto cidadão entendo que não tem condições para analisar processos de violência doméstica e, vou mais longe, todos os demais. Um Juiz não pode, em circunstância alguma, assumir a sua matriz, o seu pensamento sobre as diversas matérias. Em síntese, deve estudar, analisar e cumprir a Lei. Um Juiz não é um legislador. É um cumpridor da Lei. Se não concorda deve dedicar-se a uma qualquer outra tarefa. Mas não é esse aspecto que aqui me traz. Em poucas palavras, ao correr do pensamento, quero deixar uma brevíssima reflexão sobre a violência.


Ora, toda a organização da nossa sociedade assenta na VIOLÊNCIA. Da escola ao mundo laboral passando por muitos ambientes familiares. Em tempos li um texto extremamente interessante sob o título: "Escola violenta ou a violência da escola?" De facto, começa aí o drama. É na escola que a violência começa a ganhar contornos, pela forma como está organizada, pela competição que não significa aprendizagem e conhecimento, pela meritocracia que não significa sabedoria e, ainda, por quererem convivialidade sem atenderem aos factores estruturantes da formação do carácter. Se a família não ajuda, logo, a escola tem o dever de ajudar a resolver os desvios comportamentais. Há dias, nas páginas do DN, perguntava o Pediatra Dr. Mário Cordeiro: "(...) Onde está a música, a arte, a pintura, a escultura, a ética, os debates e dilemas sobre o bem e o mal, o voluntariado, a cidadania? Onde? (...)" O que existe é "matéria" para despejar e alunos transformados em engolidores da mesma! A cultura da violência está lá.
Depois, é o mundo laboral, dos baixos salários, da precariedade, da pobreza, do trabalho e salários por objectivos, das várias toxicodependências, é a cultura da violência de uma sociedade que discute, intencionalmente, o supérfluo e não o mais importante. Uma sociedade que está em guerra silenciosa em tantos sectores, guerra que potencia a expressão concreta da violência. Apenas um exemplo comezinho: ainda ontem, o que é habitual, vários canais serviram, à mesma hora, a cultura do futebol que se traduz, hoje, por uma cultura de violência de palavras e actos! É o futebol "jogo, humor e festa" substituído pela doutrina do ódio e da trapaça.
Estamos a formar, directa ou indirectamente, por irresponsabilidade política transversal e multidisciplinar, permitam-me a palavra, "monstros", não havendo quem decida actuar na prevenção. O forte continua a ditar a submissão do mais fraco; o homem, grosso modo, a subordinação da mulher, desde a diferença nos salários até à responsabilidade familiar.
É pavoroso o que se está a passar nesta sociedade doente, muito doente, que mata, que persegue, que apresenta distúrbios de variadíssima ordem e onde tentam resolver com pensos rápidos manifestações que têm uma dolorosa e profunda raiz histórica.
Finalmente, perante este quadro genérico, não se me afigura estranho que o "Dia da Mulher" também sirva para espectáculos de streap-tease, como se o respeito, a liberdade e a igualdade passassem por aí. Tudo a necessitar de uma escola que ajude a saber dizer NÃO. 
Ilustração: Google Imagens.

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