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sexta-feira, 10 de junho de 2016
segunda-feira, 22 de junho de 2015
MEDALHAS HÁ MUITAS... TAL COMO OS CHAPÉUS!
É coisa a que não dou importância face à sua banalização. Sou mais sensível às instituições do que às pessoas. Embora o País tenha Pessoas (com P maiúsculo) em vários sectores face às quais me curvo. Ora, as insígnias das Ordens Honoríficas pressupõem o reconhecimento do Estado pela extrema relevância dos serviços prestados em qualquer sector ou área de actividade. O Artigo 3º, número 1, da Lei das Ordens Honoríficas refere: "As Ordens Honoríficas Portuguesas destinam-se a galardoar ou a distinguir, em vida ou a título póstumo, os cidadãos nacionais que se notabilizem por méritos pessoais, por feitos militares ou cívicos, por actos excepcionais ou por serviços relevantes prestados ao País".
Isto parece-me muito claro que poucos peitos deveriam ostentar tais distinções. Porém, a banalização, desde há muito que anda por aí, ao ponto de hoje ter lido, no artigo do Dr. Raul Ribeiro (DN-Madeira) que até o "Costureiro da Maria" foi galardoado com a Ordem do Infante D. Henrique. O autor do artigo referia-se à Mulher do Presidente da República e ao estilista Carlos Gil.
Mas não é este reconhecimento de Estado que aqui me trouxe, nem todos os outros, até porque desconheço os "actos excepcionais por serviços relevantes prestados ao País" praticados por algumas figuras. Situo-me na distinção atribuída ao ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos, quando o ex-Primeiro-Ministro José Sócrates foi o único que desempenhou tais funções e que até ao momento não foi galardoado. Podia ter sido em 2012, 2013 ou 2014, antes da prisão preventiva, mas não o foi. Não quero e não faço juízos de valor sobre o mérito ou demérito de qualquer um deles, apenas constato que, neste caso, o Presidente da República utilizou, clara e manhosamente, a sua posição para, uma vez mais, achincalhar o ex-primeiro-ministro. E Teixeira dos Santos foi na história, o que lamento, porque a coluna política jamais pode ser de plasticina. Teixeira dos Santos, aqui, também foi estilista (político, claro) cortando na casaca como quis e entendeu.
Ilustração: Google Imagens.
sexta-feira, 12 de junho de 2015
REPRESENTANTE DA REPÚBLICA: "SOMOS UM PAÍS QUE ESTÁ A ANDAR PARA A FRENTE". VÊ-SE!
No Telejornal da RTP-Madeira, de 10 de Junho, segui a entrevista ao Senhor Representante da República para a Madeira, Juiz Conselheiro Ireneu Cabral Barreto. A entrevista foi curta (07'00) pois tive a percepção que o Jornalista, perante o ziguezagueante das respostas, abreviou antes que se tornasse enfadonho. E julgo que fez muito bem em função das oportunas questões colocadas. De qualquer forma um aspecto fez-me cruzar o que felizmente conheço com a resposta do Senhor Representante, quando, a propósito da questão, estaremos num "país desalentado", referiu que há motivos para os jovens terem esperança no futuro. O ilustre político disse basear a sua convicção "em sinais" e também através de um concurso literário, por si promovido, que contou com uma larga participação de jovens da Região, o qual "excedeu as expectativas" não só pelo número, mas pelo conteúdo dos trabalhos apresentados. Daí a sua convicção: "os jovens não estão desalentados" (...) "somos um país que está a andar para a frente". Vê-se!
Senhor Representante, quando se fala do desalento de uma juventude, constitui um erro grave fazermos uma leitura pela árvore que está à nossa frente, muito próxima dos nossos olhos, que nos impede ver, neste caso, a floresta do desencanto. Expoentes máximos em tantas áreas Portugal sempre os teve. É a nata que qualquer sistema educativo produz, mesmo que assente em premissas erradas. Hoje, naturalmente, apresenta mais talentos, simplesmente porque há mais escola e mais associativismo, de acordo, aliás, com o que deriva das obrigações constitucionais. Mal seria se assim não acontecesse.
Nem todas as famílias são pobres, há crianças, jovens e jovens-adultos que tiveram a felicidade de nascer em condições favoráveis. Esses chegam lá, ao topo, e poucos, oriundos das classes menos favorecidas, no meio de muita dedicação e sacrifício das famílias, ressalvo, também conseguem ter sucesso. Porém, a esmagadora maioria, provam-no os variadíssimos indicadores, ficam pelo caminho. Saberá o Senhor Representante quantas vezes mais possibilidades tem de se licenciar, um filho de um Licenciado em relação a um filho das designadas classes operárias? Conhecerá o Senhor Representante as vergonhosas taxas de insucesso e de abandono escolar em Portugal? Conhecerá o Senhor Representante a diminuição do investimento público na Educação? Dominará o Senhor Representante os níveis de pobreza que chegam à Escola, consequência do avassalador número de desempregados? Como pode então dizer que "é um invejoso da nossa juventude" quando o Senhor Representante chegou a Juiz Conselheiro? Há aqui uma insanável contradição de natureza política. Por vezes os tais "sinais" são como "a luz ao fundo túnel" que acaba por ser o comboio! Repito, a árvore pode esconder a floresta.
Mas o menos assertivo, perante o seu "espanto" sobre a juventude, foi ter dito mais adiante: temos pela frente o "desafio da Educação. Temos de colocar os nossos jovens em patamares de Educação que sejam competitivos no país e no mundo". Boa. Em que ficamos, Senhor Representante? É óbvio que o discurso político tem de ser apontado para um futuro melhor, esperançoso, mas esse mesmo discurso não pode ignorar a realidade que nos circunda e constrange. É nesse balanço, com frontalidade, entre a realidade que caracteriza a triste situação real e a construção do futuro desejável, que um político deve assentar o seu discurso moderado e de confiança.
Ilustração: Google Imagens.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
SÓ FALTOU DIZER: OBRIGADO PEDRO E OBRIGADO PAULO. OS PORTUGUESES TÊM UMA DÍVIDA DE GRATIDÃO!
Tive a paciência de o escutar. Perdi o meu tempo. Foi um discurso de elogios e de auto-elogios, do tipo, eu alertei, eu disse, eu fui a "voz dos que não tinham voz", eu estive, eu acompanhei, etc. etc.. Um discurso que Passos Coelho ou Paulo Portas poderiam ter escrito tal foi, por vezes, a descarada aproximação às políticas do governo. Quem, estrangeiro, dominando o Português, ouvisse o discurso, certamente que já não regressaria ao seu país, tantos os elogios em função do notável trabalho realizado, deixando transparecer um país com indicadores sociais fantásticos a fazerem inveja aos mais ricos. Por isso, censurou os “profetas do miserabilismo” e quem faz da “crítica inconsequente um triste modo de vida”. E sendo este o seu último 10 de Junho enquanto Presidente, de passagem, já deixou os pontos fundamentais do próximo programa de governo: contas externas equilibradas, uma dívida pública sustentável, uma economia competitiva e uma carga fiscal equilibrada com a dos outros países europeus. Daqui por dois anos dirá, certamente: eu avisei!
Falou da quase bancarrota em 2011, ignorando que a crise foi fabricada fora do país, a qual arrastou toda a economia europeia (mas isso pouco interessa), pois fundamental é que "nos últimos tempos, tem vindo a se verificar uma recuperação gradual da nossa economia e criação de emprego".
Ora bem, obviamente que não se tratou de um ataque de amnésia, foi, do meu ponto de vista, a sua costela partidária a falar mais alto. E o Presidente até poderia ter falado, moderadamente, de esperança e de confiança, mas não faz sentido ignorar a dura realidade portuguesa bem espelhada nos vários indicadores: emigração, desemprego, abandono escolar, pobreza, pensionistas em desespero, instituições sem dinheiro, graves problemas nos sectores da educação e da saúde, escândalos na banca com milhares de portugueses enganados na tal história do papel comercial (em Lamego os manifestantes foram "enjaulados" para não se aproximarem e fazerem ouvir a sua voz), ou como ainda hoje li, no Porto, onde há "famílias inteiras a viver nas ruas da cidade entre quais se conta, pelo menos, "100 crianças entre os 1.500 sem-abrigo". Situação que acontece um pouco por todo o país. Estarei eu a ser um dos “profetas do miserabilismo”? Será que, na opinião do Senhor Presidente da República, esta é uma “crítica inconsequente" porque é esse o meu "triste modo de vida”?
Reflicto, procuro os meus papéis, confronto indicadores, procuro as minhas análises clínicas e todos os resultados do meu último check-up médico, olho-me ao espelho, bom, por enquanto, penso que estou saudável de acordo com o conceito da Organização Mundial de Saúde. Por aqui fico.
Ilustração: Google Imagens.
terça-feira, 9 de junho de 2015
NA VÉSPERA DO 10 DE JUNHO
Em Lamego, o Presidente da República deixou um apelo nas celebrações do 10 de Junho: "(...) Temos de ultrapassar as dificuldades, de erguer a cabeça e de seguir em frente".
Mas, afinal, o que têm feito os portugueses, no mínimo, desde há quatro anos? Ao ponto de mais de 300.000 terem emigrado! Aquela conversa de "erguer a cabeça" é jargão de futebolista quando leva uma abada. Ora, os portugueses não baixaram a cabeça, encontraram sim obstáculos quase intransponíveis, desde o tecido empresarial gerador emprego até a falência de todos os sistemas, passando pelo roubo na carteira dos reformados e pensionistas. E que fez o presidente? Do meu ponto de vista nunca senti que estivesse do lado da moderação e da arbitragem séria, antes apadrinhou, por omissão, todas as medidas impostas externamente. O resultado está à vista.
Ilustração: Google Imagens.
terça-feira, 10 de junho de 2014
DIA DE PORTUGAL (ADIADO)
No quadro político e social no qual nos fizeram mergulhar, serão porventura poucos os que olharão, hoje, para esta data com ORGULHO. Obviamente que o meu sentimento e o da esmagadora maioria dos portugueses é elevadíssimo pela nossa História, todavia, é inegável o esmorecimento por aquilo que tem sido feito aos portugueses nos últimos anos. Um período de novo e grave empobrecimento, de saque, de uma clara divisão entre muito ricos e pobres, que tem deixado o país sem esperança no futuro e nas garras de uma economia financeira liderada por instituições de sentido mafioso. Quando estou fora, certamente como todos, sinto o apelo do regresso, porque é aqui que estão as pessoas e as coisas que fazem o meu mundo. Mas ao lado desse apelativo sentimento, outros me envolvem de uma incontida revolta. Do Presidente da República ao governo, toda essa gente não merece este Povo. Mas vão pintá-lo, hoje, em tons garridos, solenemente vão jurar sobre a esperança de um futuro melhor, quando se sabe que as palavras soam a aldrabice e fuga à verdade.
O Povo emigra, o povo esperneia, o povo sente a fome, uma em cada quadro crianças está em privação, a recolha de alimentos sucede-se, as empresas de corda ao pescoço, o desemprego em alta, o PIB que já vai nos 132% depois de três anos de esbulho, mas lá no alto do púlpito serão derramadas as palavras que ditam que não podemos andar para trás, que o caminho (do empobrecimento) tem de ser continuado e que a felicidade, mínima que seja, está ali ao virar da esquina. Mentirosos e aldrabões! Não está. Obviamente que não está. Temos constragimentos para mais de trinta anos e todo o esforço feito desde 1974, com altos e baixos, é certo, perder-se-á. Porque deram cabo do nosso país e porque eles, fanaticamente, acreditam que a austeridade, a redução dos salários, o corte nas pensões e reformas, a substancial perda de direitos sociais, uma carga fiscal insuportável e a nossa presença no Euro, constituem a receita certa para (re)construirmos um país devastado por uma crise que foi fabricada externamente. Para ficar como desejam, falta agora rasgar a Constituição da República.
Um pouco por tudo isto, neste dia tenho presente os nossos irmãos emigrantes, nem todos bem sucedidos, muitos que trabalham apenas para se alimentarem, que fugiram e continuam a sair deste espaço que não lhes garantiu futuro. Por esses mantenho respeito, ao contrário do Presidente da República que, ainda há dias, disse que "(...) Devemos assumir uma visão serena e realista desta nova realidade do mundo global, recusando a ideia que a emigração representa necessariamente uma perda irreversível para o país". Fala quem nunca foi emigrante, quem está no "quentinho de Belém" e não tem noção da desestruturação dos laços de família. Fala quem não sabe o que significa a emigração de tantos e qualificados quadros, formados no País e aproveitados lá fora. Fala quem apenas vê a necessidade de algum dinheiro proveniente das remessas, cada vez menor, mas que dão jeito aos que ficam. Será que podemos ter orgulho nesta gente? Eu não tenho nem lhes concedo o direito para falarem da minha Pátria!
Ilustração: Google Imagens.
terça-feira, 11 de junho de 2013
MELHORÁMOS NA PRODUÇÃO DE CONCENTRADO DE TOMATE!
Senti vergonha daquele discurso quando tanto havia a dizer, embora sem entrar nos domínios concretos da governação. Ele é o Presidente da República, não pode nem deve, por isso, andar à volta do zero, ao jeito de "não me comprometa", através de discursos inócuos, internos e externos, decepcionantes, que não deixam nada, nenhum alerta, nenhum farol que sirva de orientação. Uma vez mais foi contra a rocha, encalhou e continuou a permitir que a tripulação desta gigante caravela continue a fazer o que lhe dá na real gana, apenas por fanatismo político-partidário. É um Presidente encalhado à procura de um salva-vidas. Mete dó! Os assobios e os apupos, para ele e para o governo são sintomáticos. Quantos vendo-os pela televisão, bem distantes, não os apuparam! Quantos? E este homem não tem olhos para ver o que se está a passar no País, não consegue ver e perceber as grandes contradições entre o FMI, a Comissão Europeia, o BCE e as vozes de tantos outros actores nos planos da economia e das finanças espalhados pelo mundo. Poderia ter um discurso político vigoroso para fora e para dentro, mas preferiu baixar até ao nível do concentrado de tomate. À pobreza do povo juntou-se a pobreza discursiva do Presidente da República!

O discurso de ontem do Presidente da República seguiu a linha por ele traçada: está um país a querer ouvi-lo falar de alhos e ele responde, politicamente, com bugalhos. Ele chama a isto "cooperação estratégica", isto é, não me venham com as tretas dos desempregados, dos pobrezinhos, dos empresários aflitos, da corja internacional que anda a colocar os pés em cima dos países mais vulneráveis, não me venham com essa das estatísticas de um país que definha, porque eu tenho as minhas próprias estatísticas. Por exemplo, as estatísticas da agricultura nos últimos vinte anos, o enorme salto quantitativo e qualitativo que demos. E assim andou, quase vinte minutos, à volta da agricultura, naquele que foi o DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS. Um discurso vazio, como é seu apanágio. Um discurso que não fica para a História, talvez fique para a agricultura, embora com muitas reticências. Um discurso longe da realidade do País. Um discurso onde até falou do concentrado de tomate (ou falta dele!). E mesmo sobre a agricultura, julgo eu, com um conjunto de frases feitas, numa clara tentativa de branqueamento do que fez durante dez anos de primeiro-ministro, período norteado pelo bloqueio através das suas opções políticas. Repito, um discurso vazio, absolutamente desadequado e ridículo, que só estaria perfeito para ser realizado no decorrer de uma qualquer sessão de uma associação de agricultores. E não sei se muitos agricultores não reagiriam negativamente, porque me parece óbvio perguntar, se tudo é tão promissor no sector primário, por que razão há tanta fome em Portugal? Para quê, então, centenas de instituições de solidariedade social? O quadro traçado foi tão colorido que me questionei, sobre a ingratidão daqueles agricultores que bloqueiam estradas com marchas lentas e que se manifestam frente à Assembleia da República! Ora, o Presidente falou da evolução dos últimos vinte anos na agricultura, quase dizia, já que ontem foi o Dia de Portugal, que isto está bem melhor que no tempo de D. Afonso Henriques.
Senti vergonha daquele discurso quando tanto havia a dizer, embora sem entrar nos domínios concretos da governação. Ele é o Presidente da República, não pode nem deve, por isso, andar à volta do zero, ao jeito de "não me comprometam", através de discursos inócuos, decepcionantes, que não deixam nada, nenhum alerta, nenhum farol que sirva de orientação. Uma vez mais foi contra a rocha, encalhou e continuou a permitir que a tripulação desta gigante caravela faça o que lhe dá na real gana, apenas por fanatismo político-partidário. É um Presidente encalhado à procura de um salva-vidas. Mete dó! Os assobios e os apupos, para ele e para o governo, são sintomáticos. E quantos vendo-os pela televisão, bem distantes, não os apuparam! Quantos? Este homem não tem olhos para ver o que se está a passar no País, não consegue ver e perceber as grandes contradições entre o FMI, a Comissão Europeia, o BCE e as vozes de tantos outros actores nos planos da economia e das finanças espalhados pelo mundo. Poderia ter um discurso político vigoroso para fora e para dentro, mas preferiu baixar até ao nível do concentrado de tomate. À pobreza do povo juntou-se a pobreza discursiva do Presidente da República!
Ilustração: Google Imagens.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
DIA DE PORTUGAL
Hoje é um dia triste a avaliar por aquilo que andam a fazer do nosso País. O dia que deveria ser de alegria, de orgulho nacional, infelizmente, não é para a esmagadora maioria dos portugueses. Comemorar o quê? A desesperança, os múltiplos constrangimentos consequência de aterradoras políticas económicas, financeiras e sociais? Comemorar a pobreza galopante e a perseguição aos funcionários do próprio Estado, aos reformados e pensionistas? Comemorar um país onde se surrupiam direitos à educação, à saúde e à segurança social? Comemorar um país que todos os dias vê os seus filhos, qualificados e não qualificados, emigrarem em busca de uma estabilidade perdida? Comemorar um país que se afunda com um Presidente da República cego, surdo e mudo? Assistir a discursos vazios, aldrabões e mentirosos? Olhar neste dia para um palco onde desfilham mais de quarenta novos comendadores de qualquer coisa, uma parte dos quais tal como canta Rui Veloso, "Quem és tu, de onde vens? Conta-nos lá os teus feitos; Que eu nunca vi pátria assim; Pequena e com tantos peitos"? Condecorações, algumas, repito, algumas, banalizadas, porque não se encontra a razão substantiva do grande feito, em contraponto com outras que merecem respeito e admiração!
Gosto, obviamente, como todos os portugueses, da Pátria a que pertenço. Foi aqui que nasci e vivo. Outra coisa é assistir, diariamente, à aldrabice política para a qual nos empurraram e envolveram. Assistir ao roubo na já de si magra carteira dos portugueses, ver o empobrecimento premeditado e ver o país entregue a gente medíocre e altifalante que goza connosco, metendo na cabeça dos portugueses que tem de ser assim, porque "viveram acima das suas possibilidades"!
Nesta encruzilhada, que implicaria a tomada de decisões, que justificaria a intervenção política segura, profunda e acutilante, doesse a quem doesse, ainda ontem o Presidente da república veio sublinhar os "métodos de vida saudável" porque (...) praticar desporto é bom para evitar as doenças do coração e, por isso, eu, que fui um atleta que pratiquei 110 metros barreiras, 400 metros barreiras e salto em altura, ainda hoje, todos os dias, em cima de um tapete, faço 1.500 metros”. Disse isto a um País onde milhões passam mal, um País com fome, com mais de um milhão de desempregados, com crianças a viverem no meio de grandes dificuldades e idosos (e não só) refugiados nas instituições de solidariedade social.
Mas, enfim, hoje é Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas e, neste dia, apesar de tudo, o sentimento pátrio vem ao de cima!
Ilustração: Google Imagens.
domingo, 10 de junho de 2012
DIA DE PORTUGAL
Hoje é dia de Portugal. Sinto este dia pelo País a que me orgulho de pertencer e sinto-o, sobretudo, pelas incompreendidas comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo. Gente que teve de sair porque o seu país não lhe garantiu o mínimo aceitável para viver com dignidade. Gente que vive lá fora também no meio de muitos sacrifícios, porque el dorado nunca foi e não é para todos. E quando vejo o governo português, desde o primeiro-ministro ao ministro Relvas, com declarações incentivadoras da emigração, apetece-me dizer-lhes na cara e com todas as letras o que revelam ser com atitudes daquela natureza.
Presenciei o primeiro dia do "Festival do Atlântico". Gostei do fogo-de-artifício, da sequência, algum mesmo inovador e espectacular. Pela proximidade, dei uma volta pela zona antiga da cidade. Bares e restaurantes, alguns com casa bem composta. Sentei-me num bar e degustei um bebida. Apreciei o ambiente. Nas prateleiras vários símbolos de Portugal marcados pela realização do Euro. A expressão "Força Portugal" está, de resto, um pouco por todo o lado. Entre um gole e outro, para trás tinha ficado o estuporado golo da Alemanha, fui conversando sobre o portuguesismo desta minha terra e das nossas gentes em contraponto com uns sujeitos que por aí andam que, de quando em vez, agitam, de forma provocatória e chantagista, a bandeira da auto-determinação ou mesmo da independência. Vão perguntar aos milhares que estiveram ontem, no Parque de Santa Catarina, a seguir o jogo, o que sentem sobre esta matéria e o que pensam dos papagaios que vão dando uma no cravo outra na ferradura. Seria, estou convencido disso, o desmoronar de uma construção meramente teórica, insustentável e oportunista. Somos portugueses e ponto final! O resto é treta.
O problema tem sido estes políticos que nos têm governado, ininterruptamente, desde há 36 anos. O problema tem residido no desnorte governativo, no controlo da sociedade onde tudo o que mexe tem de ser laranja, o problema tem sido a ausência de uma verdadeira democracia, de uma claríssima inversão das prioridades económicas, financeiras, sociais e culturais. Tudo por causa de um homem obcecado pelo poder, um homem que se nunca governou com discernimento, agora, já não governa, limita-se a dizer umas coisas, a abanar os seus fantasmas perante uma Madeira que "definha", utilizando a palavra por ele dita esta manhã, todavia, relativamente a Portugal. Naturalmente, para ele, o problema é sempre dos outros, nunca ele e do seu governo.
Ora, hoje é dia de Portugal. Sinto este dia pelo País a que me orgulho de pertencer e sinto-o, sobretudo, pelas incompreendidas comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo. Gente que teve de sair porque o seu país não lhe garantiu o mínimo aceitável para viver com dignidade. Gente que vive lá fora também no meio de muitos sacrifícios, porque el dorado nunca foi e não é para todos. E quando vejo o governo português, desde o primeiro-ministro ao ministro Relvas, com declarações incentivadoras da emigração, apetece-me dizer-lhes na cara e com todas as letras o que revelam ser com atitudes daquela natureza. Ainda, esta manhã, decepcionou-me, uma vez mais, o discurso do Presidente da República. Repetitivo, previsível e sem qualquer ânimo. Já o Professor Sampaio da Nóvoa, deixou uma marca pela profundidade das palavras ditas. Mas os presidentes passam, os governos também, não são eternos, mesmo aqueles que, por razões conhecidas, permanecem por demasiado tempo.
Era eu adolescente e lembro-me de meu pai, no tempo da ditadura, com um ar irónico e sarcástico, sublinhar o que Salazar dizia... que éramos um "país em vias de desenvolvimento". Passaram-se tantos anos e continuamos com a mesma lengalenga. Talvez porque somos um país que, inclusive, permite que um primeiro-ministro venha agradecer e elogiar a tolerância face ao conjunto de maldades que lhe andam a fazer. Talvez!
Ilustração: Google Imagens.
sábado, 2 de junho de 2012
COMENDAS A PATACO
Ora, diga-me lá Senhor Representante da República, onde é que o Dr. Brazão de Castro se enquadra? Em que área temática? Qual foi o seu feito na Educação ou nos Recursos Humanos? Esconder estatísticas? Controlar as escolas e ter um rol de graves desconsiderações junto dos professores? (são tantos os exemplos)? Qual o seu currículo que permita a consideração de actos excepcionais e/ou serviços relevantes ao País? Quem o terá indicado? Já não bastará a ridícula atribuição do seu nome a um estabelecimento de ensino?
Ao ler a notícia sobre as habituais atribuições de Comendas do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, onde consta o nome do Dr. Brazão de Castro, ex-secretário de várias "coisas", lembrei-me da "Valsinha das Medalhas" do Rui Veloso e Carlos Tê. Eis o refrão:
"Encosta o teu peito ao meu, sente a comoção e chora
Ergue o olhar para o céu, que a gente não se vai embora
Quem és tu donde vens, conta-nos lá os teus feitos
Que eu nunca vi pátria assim, pequena e com tantos peitos"
Quanto aos outros, do meu ponto de vista, são INDISCUTÍVEIS. O Arquitecto Paulo David e o compositor e cantor Sérgio Borges, cada um no seu espaço de intervenção, são figuras que merecem a consideração de todos. Obviamente que outros andam por aí, em vários sectores e áreas de actividade, com trabalhos notáveis que constituem uma marca de rara qualidade e prestigiante entre os insulanos da Madeira. Passem em revista os vários sectores e verificarão quantos, inclusive instituições, merecedoras de distinção. Agora, o Dr. Brazão de Castro! O que é que ele fez por onde passou? Que marca deixou? Alguém se lembra de alguma iniciativa de carácter excepcional? Bastará uma grande longevidade no governo para ser distinguido com o Grau de Grande-Oficial da Ordem do Mérito. A Lei é clara:
Artigo 3.º
Artigo 3.º
Finalidade geral das Ordens Honoríficas Portuguesas
1- As Ordens Honoríficas Portuguesas destinam-se a galardoar ou a distinguir, em vida ou a título póstumo, os cidadãos nacionais que se notabilizem por méritos pessoais, por feitos militares ou cívicos, por actos excepcionais ou por serviços relevantes prestados ao País. Uma atribuição de um título honorífico não pode ser feita através de uma lista de interesses, do tipo, quem está a seguir! Ora, diga-me lá Senhor Representante da República, onde é que o Dr. Brazão de Castro se enquadra? Em que área temática? Qual foi o seu feito na Educação ou nos Recursos Humanos? Esconder estatísticas? Controlar as escolas e ter um rol de desconsiderações junto dos professores? (são tantos os exemplos) Qual o seu currículo que permita a consideração de actos excepcionais e/ou serviços relevantes ao País? Quem o terá indicado? Já não bastará a ridícula atribuição do seu nome a um estabelecimento de ensino? Será que, por aqui, já acontece o mesmo que nas comunidades madeirenses que, durante algum tempo (não sei se continua), se assistia a lóbis de grande pressão para condecorar este e aquele?
1- As Ordens Honoríficas Portuguesas destinam-se a galardoar ou a distinguir, em vida ou a título póstumo, os cidadãos nacionais que se notabilizem por méritos pessoais, por feitos militares ou cívicos, por actos excepcionais ou por serviços relevantes prestados ao País. Uma atribuição de um título honorífico não pode ser feita através de uma lista de interesses, do tipo, quem está a seguir! Ora, diga-me lá Senhor Representante da República, onde é que o Dr. Brazão de Castro se enquadra? Em que área temática? Qual foi o seu feito na Educação ou nos Recursos Humanos? Esconder estatísticas? Controlar as escolas e ter um rol de desconsiderações junto dos professores? (são tantos os exemplos) Qual o seu currículo que permita a consideração de actos excepcionais e/ou serviços relevantes ao País? Quem o terá indicado? Já não bastará a ridícula atribuição do seu nome a um estabelecimento de ensino? Será que, por aqui, já acontece o mesmo que nas comunidades madeirenses que, durante algum tempo (não sei se continua), se assistia a lóbis de grande pressão para condecorar este e aquele?
Bom, eu só gostaria de perceber, simplesmente porque atribuo uma grande relevância aos títulos honoríficos. E, neste pressuposto, obviamente que não podem ser atribuídos a pataco. Sendo assim, o Presidente da República só pode estar a brincar com os madeirenses e portosantenses! Sobretudo com aqueles a quem os madeirenses reconhecem indiscutível valor.
Ilustração: Google Imagens.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
TRÊS COMENDADORES DE GRANDE MÉRITO
Tenho em muita consideração e estima pelo Dr. Rui Nepomuceno. Pela suas convicções políticas e pela saudável teimosia na defesa de uma sociedade onde haja mais justiça que direitos. Aprecio-o, também, pela sua obra literária de cunho histórico, de grande interesse para um melhor conhecimento da Região. Finalmente, aprecio-o pela delicadeza no trato, pela forma como interaje com as pessoas, sempre, mas sempre, com uma característica que rareia nos tempos que correm. Defende princípios e valores mas não impõe, no diálogo, a sua vontade. Sinto que sou seu Amigo e sei que ele me considera nesse rol. Por duas ou três vezes trocámos correspondência. Na última escreveu: "(...) Com amistosos parabéns e toda a solidariedade, desejo-lhe as maiores felicidades no cargo que exercerá no Parlamento Regional (...) e um bom trabalho em defesa da Democracia, da Autonomia e do Socialismo (...) valores que de forma elevada e coerente sempre tem prosseguido (...)". A amizade também se mede por, nos momentos exactos, testemunhá-la com palavras sinceras e de entusiasmo. Nunca o considerei um adversário político mas um Homem, naquilo que é essencial, apostado na defesa dos indefesos. E não esqueço, por razões políticas muito delicadas, circunstancialmente, ter-me defendido no Tribunal do Funchal (28.08.96), de forma exemplar, num processo ridículo que resultou da minha candidatura à Presidência da Câmara em 1993, processo movido pelo PSD, claro. Guardo a carta que, posteriormente, me remeteu cujas palavras muito me sensibilizaram, não só por não as merecer, mas porque estou certo vieram do fundo do seu coração: "(...) é que nesse dia defendi um Democrata e Humanista que se tem afirmado pela firmeza, altruísmo e sinceridade da sua prática como homem e como político. Como tal sou eu que agradeço a confiança que depositou em mim e o tratamento como companheiro, que na realidade somos, nesta difícil luta pela transformação desta injusta Sociedade".
Do Doutor Roberto Ornelas Monteiro apenas tenho como referência que foi um notável profissional da Medicina. Quanto à Drª Luisa Clode não há vez que não nos cruzemos que não tenhamos uma agradabilíssima conversa. Tem sempre qualquer coisa para dizer e para comentar. É uma pessoa encantadora. A Madeira muito lhe deve, entre outros campos, sobretudo no plano cultural.
Três novos Comendadores por mérito próprio.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
DIA DE PORTUGAL E O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
O Senhor Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, apelou ontem ao Estado e à sociedade civil para atraírem e acarinharem os portugueses que vivem e trabalham no estrangeiro e que pretendem regressar ao seu País. Fica-lhe bem, reconheço, mas o Senhor Presidente sabe que isso é de todo impossível. E julgo mais, que o Senhor Presidente, nesta matéria deveria abster-se deste tipo de declarações ou, no mínimo, ter mais cuidado. É que aquela sugestão traz no seu bojo muita hipocrisia. Quando o País não encontra solução para os seus milhares de desempregados, como poderá abrir as portas aos que tiveram de emigrar para sobreviver?
Os próprios emigrantes de longa duração, que estabilizaram as suas vidas, sabem que é assim. Ainda no Verão passado, perto de Lausane (Suíça), entrei num hiper. Quando procurava um produto ouço uma voz portuguesa. Abeirei-me. Ela desempenhava funções, segundo deduzi, de alguma responsabilidade. Falámos durante algum tempo e disse-me que, regressar, nem pensar. Só em férias porque continuava a gostar de Portugal. E deu-me, como exemplo, a irmã que se tendo licenciado em Línguas e Literaturas e, depois de uma fracassada profissionalização numa escola em Portugal (são milhares os que estão nesta situação), teve de rumar à Suíça onde trabalha num restaurante. Ganha muito mais do que um professor em Portugal, disse-me. Ademais, a minha interlocutora, sublinhou que era casada, que tinha filhos e com o que o casal ganha, tem já uma casa paga na aldeia onde nasceu.
Ora bem, outra coisa seria o Senhor Presidente da República falar daqueles que, nos países de acolhimento, vivem nas margens da sociedade, com imensas dificuldades e que necessitam que a Pátria olhe por eles. Porque são portugueses. E há muitos nesta situação. Outra coisa é atrair e acarinhar, genericamente, os que querem regressar, pois isso constitui uma leviandade que, face às circunstâncias conjunturais, não é aceitável para um Presidente da República. Antes de falar, desde logo, deveria olhar para os milhares de jovens portugueses que enchem as bancadas dos treinos da selecção nacional e questionar-se sobre as possibilidades que eles teriam em Portugal.
domingo, 8 de junho de 2008
A VALSINHA DAS MEDALHAS (II)
Traduzi, ontem, em texto, o meu posicionamento (em abstracto) relativamente às comendas do 10 de Junho. Sou muito crítico relativamente a essa matéria. Entendo que é melhor não atribuir o título de Comendador do que nivelar, por baixo, distinções que só devem ser reconhecidas aos que prestaram relevantes serviços à Pátria.
A propósito disto li, esta manhã, uma entrevista com um dos condecorados. Entrevista conduzida pelo jornalista Luís Calisto tem, por título, "Condecoração Retroactiva", querendo com isto dizer, e isso é bem patente ao longo do texto, que a história do futuro Comendador resume-se a ter andado a distribuir uns papéis na Faculdade em nome do MUD (Movimento da Unidade Democrática, em consequência da "canalhada" que tinham feito ao seu avô, o banqueiro Henrique Figueira da Silva.
Bom, nego-me a discutir os méritos das pessoas. É assunto que me passa ao lado. A responsabilidade é de quem propõe o que não significa que, enquanto cidadão, não tenha uma leitura relativamente ao processo. Fico, por isso, intrigado quando vejo na lista das 39 personalidades, nomes que apenas desempenharam a sua função profissional. Apenas isso. O que defendo é um critério de grande exigência e de irrepreensível rigor. Aliás, não é absolutamente necessário que a Madeira ou os Açores tenham personalidades condecoradas. Para isso, ao nível regional existem condecorações e é bom que se reconheça o mérito. No 10 de Junho a história é, obviamente, outra!
A propósito, sei que, nos Açores, serão condecorados o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, que se dedica à investigação marinha, a Irmandade de Nossa Senhora do Livramento, uma instituição de recolhimento de jovens desprotegidos e o escritor Daniel de Sá. Para reflectir.
sábado, 7 de junho de 2008
10 DE JUNHO E AS COMENDAS
O 10 de Junho constitui uma data de relevante importância. É o dia da nossa afirmação enquanto Povo com uma História cujo balanço nos orgulha. É o dia, também do reconhecimento da Pátria por aqueles que distantes, trabalham e sentem a Bandeira de Portugal. Mas o 10 de Junho também está associado às condecorações de figuras que pelo seu nobre desempenho em função de causas, em vários sectores e domínios, são merecedoras do reconhecimento do País. E aqui é que o problema surge. De ano para ano, parece que, em Portugal, não há mais ninguém para condecorar tão vulgarizadas estão a ficar a atribuição das comendas.
Não discuto nomes, embora sobre alguns, porque os acompanhei de perto ao longo dos anos, questiono-me sobre o que fizeram pela Pátria. Face a tamanha desvalorização da comenda, questiono-me sobre o sentimento de respeito que se poderá nutrir por figuras que mais não fizeram do que cumprir a sua função (e nem sempre bem), sendo certo que do seu trabalho pouco ou nada resultou para a comunidade em geral.
A atribuição de uma Comenda constitui um acto muito sério. Não pode ser vulgarizada. E em Portugal há, ainda, muitos Homens e Mulheres cuja acção em prol de todos deveria e não é reconhecida. Enfim... parece que se entrou no domínio do quem está a seguir!
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