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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

"ABSOLUTA (A)NORMALIDADE"


Entre centenas de situações que poderiam aqui ser desenvolvidas, pergunto: qual a dificuldade em colocar a tempo e horas os professores? Só por vícios de muitos anos, incompetência, negligência e economicismo; como admitir, passados 40 anos de Abril, a junção de turmas? Só por visão estrábica do que é a pedagogia no actual quadro organizacional do sistema e grave inabilidade para tratar os assuntos da Educação; como proibir que os professores falem, livre e sem peias sobre a realidade? Só por medo, mentalidade retrógrada e princípio de Peter; como admitir a intencional não vinculação de centenas de professores que coarcta o futuro de muitos quanto à sua estabilidade profissional e familiar? Só porque, quem decide, se esqueceu, rapidamente, do seu passado sindicalista; como assumir essa “absoluta normalidade” quando o sistema se mostra erigido sobre areia e quando o momento é de angústia? Só por cegueira política e tentativa de enganar-se a si próprio, já que junto da comunidade educativa tudo isto e muito mais é motivo de sofrido gozo.


Tudo se encontra em “absoluta normalidade”: os estabelecimentos de educação e ensino com orçamentos limitadíssimos, bloqueados na possibilidade de executarem projectos educativos portadores de futuro, a que se junta a gravosa situação de equipamentos didácticos obsoletos ou em fim de uso; a complexa burocracia que os invade pela existência de papelada que nada resolve o desejável rigor e qualidade; a absurda e inqualificável avaliação do desempenho docente, nada formativa, que atira professores contra professores, deslocando o centro das preocupações educativas do aluno para o docente; as instalações a necessitarem de manutenção e muitas outras que não funcionam; a insensibilidade na inclusão dos portadores de necessidades educativas especiais; as dívidas aos professores contratados, por caducidade de contrato, na ordem de € 1000,00 a cada um; o bloqueio das carreiras apesar de cumpridas as avaliações, o que põe em causa a Autonomia Política e Administrativa da Região; a indisciplina e uma certa violência consequência de uma preocupante pobreza que chega à escola, reveladora de desestruturações familiares, desemprego e de uma mentalidade não co-responsável; a paranóia do aumento do número de horas passadas na escola, ignorando um tempo para ser criança e a oferta educativa fora da escola; a demência pedagógica de quem aceita exames no 1º e 2º ciclos, ao contrário de uma rigorosa avaliação contínua; o pagamento de mensalidades na fase pré-escolar, injusto, desumano e de clara dupla tributação, quando a justiça social se faz em sede de IRS, enfim, tanto que o sistema precisa de trabalho e projecto! Só que para ele, o secretário, isto é treta, porque existe uma “absoluta normalidade”. Ou melhor, digo eu, subsiste uma normal anormalidade.
NOTA: Artigo de opinião, da minha autoria, publicado na edição de hoje do DN-Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

OBVIAMENTE, DEMITA-SE!



Muitas vezes escrevo sobre o sector da Educação. E muitas vezes dou comigo a pensar se não estarei a exagerar. É evidente que tudo o que escrevo, primeiro, merece o estudo e os contactos para verificar a veracidade dos acontecimentos; só depois equaciono, obviamente, com o meu pensamento relativamente ao sector que foi a minha paixão de vida profissional. Hoje, o DIÁRIO publicou três cartas do leitor. Todas castigando a política seguida pela Secretaria Regional de Educação e dos Recursos Humanos. Com a devida vénia ao DN aqui ficam:

Obrigado Secretário

Como pai e encarregado de educação vejo-me na obrigação de agradecer ao senhor secretário da Educação o belíssimo trabalho que tem feito. Em nome do meu filho claro está! Pois qual não foi o meu espanto hoje ao deixar o meu filho na escola, (Básica dos 2º e 3º Ciclos do Curral das Freiras) sou confrontado com um batalhão de professores (menos de meia dúzia! sim nem chegam a 6). Gostaria de saber onde está a tal “normalidade”. Pois para o meu filho não ter aulas é uma alegria, mas para mim, não. É uma bela vergonha o que se passa em algumas escolas...não tente tapar o sol com uma peneira, assuma a trapalhada que estão a fazer. 
Assinada por J.A.

Pobre Ensino

O ensino vai de mal a pior, agora resolveram deixar os alunos sem aulas e não renovam os contratos dos professores necessários para não vincularem... Por este andar o ano lectivo arranca em Outubro e os professores contratados vão estar muito motivados para trabalhar, pois são tratados como lixo. Embora a escola não possa cumprir as suas funções sem eles, não os deixam trabalhar prejudicando os alunos que vão ficar sem aulas. Afinal quem governa e como é governado este país. Qual o nosso rumo? Este país está condenado devido à classe política dominante que é medíocre, mas ainda assim leva a grande fatia das receitas e não deixa a classe obreira desempenhar as suas funções. Felicitações à secretária da educação.
Assinada por Júlia Freitas

Vergonha na Educação

Professores dos quais a escola precisa não tiveram renovação de contrato para não terem mais um ano de serviço completo e deste modo não vincularem na carreira.
Agora pergunto eu qual vai ser a motivação destes professores que vão ser colocados nas escolas por outra via pois são necessários. 
Assim vamos andando uma vergonha ver professores com 7, 8, 9 e 10 ou mais anos de serviço e não lhe renovarem o contrato sendo eles necessários no sistema de ensino. Como querem um ensino de qualidade assim? Mantendo os trabalhadores precários, sem vinculo, sem futuro! Pais revoltem-se estão a brincar com o futuro dos vossos filhos.
Assinada por José Inácio Silva

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A FOTO DIZ TUDO



Esta fotografia é de ontem publicada no DIÁRIO. Foi no Curral e sublinha a edição do DN-Madeira: "Secretário continua a apregoar normalidade, mas só na Escola do Curral das Freiras faltam colocar cerca de 40 professores". A fotografia é espantosa. Transmite a ideia de um velório, onde não falta a referência a uma marcha pela inclusão! É a "absoluta normalidade" na abertura do ano escolar. Se quem se intitula presidente do governo e UI, mas, de facto, fosse presidente, esta equipa já deveria estar fora, porque o exercício da política não é uma emprego para a vida, mas sim uma missão.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O SECRETÁRIO PEDE QUALIDADE E DESPEDIU 180 PROFESSORES


O que apresentaram de novo para o ano escolar de 2014-2015? Nada. Rigorosamente nada. Paleio de circunstância, coisitas que já eram do conhecimento público, mas naquilo que pode ser considerado estrutural: zero. A escola vai continuar como sempre foi e não se alterará qualquer milímetro ao conhecido. Em uma palavra: rotina. A conferência de imprensa, como costuma  dizer um meu amigo, foi "água do Luso" ou "timex" que, dizem, não adianta nem atrasa. Para quê, então, uma conferência de imprensa de apresentação do novo ano lectivo? Apenas por vaidade política, como fazem os alunos mais jovens, de dedinho no ar, para dizer: estamos aqui! Anunciar o número global de alunos, já se sabia! Anunciar a vergonhosa Portaria de apoio social, já  se sabia! Anunciar o número de alunos por turma, também já era conhecido. Anunciar que existe "menos alunos" e menos professores devido à falácia da baixa natalidade, também já era conhecido (e os emigrantes? E o facto da maior  redução se dar no 3ºciclo?)! Anunciar o número de dias de aulas, pois claro, era tão evidente que dispensava uma conferência de imprensa. Então, para quê o espectáculo? Promoção política, enchendo umas linhas e uns minutos de  rádio e televisão, talvez. Só que o espectáculo continua a ser de péssima qualidade. Já lá vou à justificação do que aqui assumo.



Começou logo por Jaime Freitas, o secretário, dizer o óbvio, que "deseja que o sistema de ensino da Região ofereça uma educação de qualidade e para isso, sublinhou, há dois factores a destacar: a avaliação do sistema e a melhoria dos resultados nos exames nacionais" (DN-Madeira). Fantástico, porque logo aqui denuncia que não sabe o que diz.
Ora, a educação de qualidade não depende apenas da existência de estabelecimentos de educação e ensino e de um sistema de avaliação interna e externa. E embora seja verdade que a "qualidade do sistema educativo tem de se reflectir nos resultados escolares", sobre essa qualidade o secretário fez o possível por ignorar todas as variáveis que conduzem à melhoria da qualidade. Ignorou, desde logo, a questão social, quando ele sabe que muitas escolas públicas estão transformadas, desde há muito, em remediadoras sociais, pois enfrentam gravíssimos problemas, entre os quais a crescente indisciplina e alguma violência que o secretário ou desconhece ou faz por desconhecer. Paradoxalmente, ou talvez não, falou de 25 milhões que serão entregues ao sistema privado (ele que falou de "escassez de recursos"!), mas não deu qualquer garantia para gerar um apoio, tal como refere a Constituição, ao sistema público, onde os dramas sociais, inclusive, os comportamentos desviantes são uma nota diária; tampouco a garantia de acabar com os preocupantes passivos das escolas, borrifando-se para a necessária articulação entre a Educação e os Assuntos Sociais, no sentido de colmatar problemas a montante do sistema educativo. E, no âmbito dos apoios, fugiu ao equacionamento de um outro drama, o do preço dos manuais e dos encargos que o início do ano escolar têm para as famílias. É neste quadro de falência  que veio falar de qualidade. Qualquer professor ficou esclarecido.
Importante para o secretário, neste início de ano escolar, é o Sistema de Aferição da Qualidade do Sistema Educativo. Percebo. Mais uma avaliação, mais um sistema  de controlo na aferição dos procedimentos. Já não basta o VERGONHOSO conceito de avaliação de desempenho docente (um dia hei-de vê-lo na Escola a ser avaliado pelos seus pares), que o secretário, teimosamente, mantém, que desune a escola, que é pomo de conflito, agora, complexifica-a, com mais umas resmas de papel para, directa e indirectamente, vasculhar o que lá  se faz, coarctando a sua liberdade, a sua autonomia pedagógica, gestionária e administrativa. Tudo em nome da centralização.
Mas há mais. Professores que estão há anos estagnados nos seus escalões apesar de avaliados, mas o secretário não lhes dirige uma palavra; escolas a merecerem obras de restauro, mas nem uma palavra; piscinas que não funcionam, mas nem uma palavra; exames a serem realizados no 1º e 2º ciclos, sem qualquer sentido, mas  nem uma palavra; sobre a liberdade das escolas definirem o seu próprio currículo e programas, mesmo que de forma limitada e experimental, nem uma palavra; a possibilidade de libertar as escolas para uma nova perspectiva organizacional e pedagógica, nem uma palavra, digo eu, Jaime Freitas e a sua equipa apenas segue o caminho conhecido, o caminho do controlo, da rédia curta, dos olhos em cima de tudo o que a escola faz, o caminho do passado esquecendo-se que quem repete o passado, mesmo que subordinado a um "sistema de aferição de qualidade" só pode esperar no futuro os mesmos resultados que obteve nesse passado. Portanto, quando disse: "Não concordo com rankings que são explanados de forma sensacionalista que não ajudam a educação", percebe-se, facilmente, o seu receio. Ele deseja qualidade enquanto chavão, quer bons resultados nacionais, mas não sabe como lá chegar. O problema é esse. É essa a sua defesa.
Ilustração: Google Imagens.