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sábado, 7 de junho de 2014

O ERRO DE ANTÓNIO JOSÉ SEGURO. E PORQUE NÃO UMA SONDAGEM NA MADEIRA?


Já me pronunciei sobre a decisão do Dr. António José Seguro. Considero-a péssima para o PS e sobretudo para o país. Digo-o, abertamente, apesar de ser seu Amigo há muitos anos. Desde os anos 90! Depois destes três anos de esforço contínuo pela recuperação da credibilidade eleitoral perdida, sublinho, por factores externos ao país, é verdade que António José Seguro, depois de duas vitórias, merecia conduzir o partido até às legislativas. Repito, merecia! Tratou-se de um esforço notável, pela antecipação que fez dos problemas e  pela consecutiva negação das medidas de austeridade que só viriam a tornar mais complexa a situação do país. O tempo passou e deu-lhe razão: a dívida aumentou substancialmente, o desemprego não diminuiu (os portugueses é que emigraram), a economia paralisou e a pobreza atingiu níveis altamente preocupantes. António José Seguro combateu, diariamente, o monumental roubo à carteira dos portugueses, defendeu os reformados e pensionistas e apresentou medidas visando o crescimento. São factos que podem ser demonstrados não só através das propostas, mas também no contraponto do que defendeu relativamente à situação actual. É verdade que não gostei de alguns acenos ao PSD, quando deveria ser a esquerda a levá-los. De qualquer forma, globalmente, dir-se-á que não foi compreendido. As pessoas, influenciáveis que são, formaram uma ideia menos positiva, que ele não era a solução, que outro existia melhor colocado para defrontar e ganhar as legislativas do próximo ano. E sendo assim, apesar de todo o seu labor, eu julgo que deveria ter saído. Constitui um monumental erro pessoal, para o PS e para o país, a sua decisão em querer continuar, pelo menos até Setembro. Estou convencido que perderá as "primárias" para António Costa (as primeiras sondagens são claras) e acabará por sair por uma porta estreita, quando as circunstâncias proporcionaram-lhe a oportunidade de uma saída pacífica, com grandeza e humildade política. Lamento.


Ainda anteontem participei em um almoço de amigos de longa data. Fui convidado e lá estive no meio de trinta pessoas que muito considero. No final, deixei-me ficar em cavaqueira com um grupo restrito. Falaram-me da política regional e a páginas tantas colocaram o problema de quem estaria melhor colocado para responder aos problemas do país. Foi unânime: António Costa. Reconheceram o esforço de Seguro, mas para o confronto político com a actual coligação PSD/CDS e, com possibilidades de ganhar com maioria absoluta, Costa seria o mais indicado. Confesso que joguei à defesa, isto é, não me expus, fui de parcas considerações, exactamente, para perceber o sentimento das pessoas, embora aquele fosse um pequeno grupo e dali não fosse sensato partir para o universo dos eleitores. Mas foi um indicador a juntar a outros.
Daí a minha dificuldade em compreender a posição de António José Seguro, por maiores que sejam as pressões, a correlação de forças internas e a sua mágoa pelas situações criadas após a vitória eleitoral europeia. Para uma figura politicamente experiente, com capacidade para perceber os sinais externos, inclusive, a sua cotação junto dos jornalistas e comentadores, não deixa de ser esquisito que não tivesse colocado o país acima de tudo e de todos. Atrasar o processo, gerar esta história das primárias, permitir que se instale alguma perturbação no eleitorado, consequentemente, admitir algum fulgor(!) na coligação por ausência de uma clara e consistente alternativa, parece-me que constitui já não digo um tiro no pé, mas na própria cabeça. 
Pela amizade e pelo trabalho político gostaria que Seguro chegasse a Primeiro-Ministro, porque se trata de um Homem íntegro e politicamente verdadeiro e honesto, só que as circunstâncias políticas muitas vezes não são aquilo que desejamos. Os ventos (públicos) não estão a seu favor e, sendo assim, melhor teria sido que saísse e mantivesse um estatuto de grandeza que falta a muitos fazedores de política. Para já, nestas circunstâncias, Primárias, NÃO, OBRIGADO.
E, já agora, como gostaria eu de ler uma sondagem, na Madeira, a fim de perceber quem estará melhor colocado no PS-M para ganhar as legislativas regionais do próximo ano na Madeira!
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

SE EU ESTIVESSE NO LUGAR DE SEGURO...


(...) Mas, se lá, um vitorioso, provavelmente sairá, pergunto, na Federação da Madeira, um líder que perdeu as eleições europeias, o que deverá fazer quando, também no horizonte, estão as legislativas regionais? Quando é sintomática a dificuldade em juntar os partidos políticos para uma coligação sob a égide do actual líder do PS? Quando o seu nível de aceitação popular não permite acalentar a hipótese de "mudança" no próximo ano? Regresso ao princípio: se eu estivesse nesse lugar convocaria um congresso. Já. E pelas mesmas razões não concorreria. Finalmente, li a edição de hoje do DN-Madeira. Apesar de não ter qualquer responsabilidade política no PS-Madeira, a quem apenas pago as quotas, desde já anuncio que votarei no Dr. Carlos Pereira, caso venha a candidatar-se, por entender que é a única solução na construção de uma alternativa, inclusive, com possibilidades de acordos com outras forças políticas.


Se eu estivesse no lugar de Seguro, perante duas eleições vitoriosas e depois de três anos a credibilizar o partido, no próximo Sábado, na Comissão Nacional, por paradoxal que pareça, colocaria o lugar à disposição dos militantes e convocaria eleições. Uma posição, esta sim, irrevogável". E mais, não concorreria à liderança. Apenas saía, em alta, apesar de, naturalmente, contar com muitos apoios. Seguro deveria assumir esta posição, magoado, é certo, mas, em nome do PS e do futuro do país, sair pela porta grande e no momento certo. Esse constituiria um acto político que não está ao alcance de muitos, porque é necessária uma alta dose de desprendimento político. Sejam quais forem as causas e as pressões exercidas. Não se trata de fraqueza nem de calculismo, trata-se apenas de uma resposta para não perturbar e prolongar uma crise interna quando as legislativas nacionais estão no horizonte. 
Seguro é vítima, também, de uma comunicação social que, desde a primeira hora, não o entendeu. Eu diria que Seguro não caiu em graça. Com poucas excepções, jornalistas e comentadores alinharam pelo mesmo diapasão, mas a verdade é que ganhou as autárquicas e as Europeias. Mesmo assim, a cabeça dos eleitores está feita: este não... venha outro. Costa, neste caso, gera empatia com o eleitorado, vá lá saber-se porquê! Aliás, o mesmo aconteceu com Sócrates. Foi visado, maltratado e responsabilizado, quando se sabia e hoje confirma-se que a crise foi externa, não teve origem no governo da República, que foi uma crise que varreu e continua a varrer a Europa, agravado pelo chumbo do PEC IV que veio a determinar a entrada da Troika em Portugal. Mas a cabeça do povo eleitor foi feita!
Ora, quando isto é tão evidente, julgo, no caso em apreço, que,a Seguro, só lhe restará a saída com a noção do dever cumprido. Envolver-se na questiúncula interna poderá resultar, entre outras, uma de três consequências: primeira, uma sua vitória, por pouco, deixando o partido internamente dividido. Perguntar-se-á, à posteriori, para que serviu o congresso? Se a situação já não era famosa tenderá a degradar-se; segundo, uma vitória tangencial de Costa não favorecerá a necessária unidade interna; terceiro, em qualquer dos casos, dificuldades acrescidas nas eleições legislativas nacionais do próximo ano. Portanto, não vejo outra saída para António José Seguro que não a sua "saída limpa" deste processo.
Mas, se lá, um vitorioso, provavelmente sairá, pergunto, na Federação da Madeira, um líder que perdeu as eleições europeias, o que deverá fazer quando, também no horizonte, estão as legislativas regionais? Quando é sintomática a dificuldade em juntar os partidos políticos para uma nova coligação sob a égide do actual líder do PS? Quando o seu nível de aceitação popular não permite acalentar a hipótese de "mudança" no próximo ano? Regresso ao princípio: se eu estivesse nesse lugar convocaria um congresso. Já. E pelas mesmas razões não concorreria.
Finalmente, li a edição de hoje do DN-Madeira. Apesar de não ter qualquer responsabilidade política no PS-Madeira, a quem apenas pago as quotas, desde já anuncio que votarei no Dr. Carlos Pereira, caso venha a candidatar-se, por entender que é a única solução na construção de uma alternativa, inclusive, com possibilidades de acordos com outras forças políticas.
Ilustração: Google Imagens.