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sábado, 17 de fevereiro de 2018

COMO SE FAZ UM CANALHA


Por José Soeiro, in Expresso Diário 
16/02/2018)

No mais recente filme de João Salaviza, um dos mais reconhecidos e brilhantes realizadores portugueses da nova geração, chama-se “Russa” e acontece no bairro do Aleixo, no Porto. Ao mesmo tempo que o filme estará em competição em Berlim, bem acompanhado por outras obras portuguesas, 948 delegados e delegadas juntam-se no Congresso do PSD que consagrará Rui Rio como novo líder do partido.


Há imagens que não se esquecem e que definem as pessoas. Uma delas é a de Rui Rio num barco, no Rio Douro, a abrir uma garrafa de champanhe com os seus convivas enquanto assiste à demolição de uma das torres do Bairro do Aleixo. No bairro – sei-o porque estava lá – o clima era de desespero, com um enorme aparato policial montado, mulheres que gritavam de raiva ao ver a sua casa ser implodida, homens a chorar junto ao gradeado enquanto o pó dos destroços se espalhava, crianças atónitas junto ao lugar onde até há poucos dias brincavam e que parecia, agora, um cenário de guerra. Se acaso a demolição daquelas torres tivesse sido negociada com a população, talvez um Presidente da Câmara estivesse junto aos moradores naquele momento, de consciência tranquila por ter cumprido o seu dever e garantido uma alternativa para a vida daquela gente. Se não fosse esse o caso, uma pessoa normal que tivesse tomado convictamente aquela decisão teria ao menos o pudor de se remeter ao silêncio perante o sofrimento dos outros. Rui Rio não fez uma coisa nem outra. Foi para a frente do bairro, no aconchego de um barco no meio do rio, juntou os amigos e celebrou, frente aos cidadãos desesperados da sua cidade, o momento em que as suas casas a vinham a baixo. Perante o sofrimento dos outros, Rui Rio sorriu e brindou. Independentemente do que cada um possa pensar sobre as soluções para o Aleixo – e há muitas opiniões – uma coisa parece-me estar para além das discordâncias políticas: quem faz isto é um canalha. E eu, como muitos outros, não esqueço.
Talvez por isso as palavras de Salaviza, que não é do Porto mas esteve pelo Aleixo para fazer o seu novo filme, sejam tão contundentes: “Rui Rio é uma espécie de papão, de pesadelo que assombra a memória dos moradores do Aleixo.Trata-se de um tipo tenebroso e sinistro que decidiu brincar com a vida de centenas de pessoas para ceder aos interesses da especulação imobiliária. Há uma imagem dele muito paradigmática quando, na demolição da torre, o vemos no Douro, num barco de luxo a fazer uma pequena celebração com champanhe e abrindar à demolição. Ele transforma aquele momento de aniquilação de uma comunidade numa celebração. E é este tipo que tem esta forma de estar na política e de jogar com a vida das pessoas que quer ser primeiro-ministro de Portugal…”.
Não é a primeira vez, aliás, que o caso é tratado por um filme. Quem quiser perceber o processo do Aleixo deve ver “Ruído ou As Troianas”, do realizador portuense Tiago Afonso. Está lá tudo: a origem do bairro e de quem foi para lá, a explicação cristalina – através de uma imagem da marginal do Porto – para o apetite imobiliário por aqueles terrenos, a revolta contra o modo como o poder autárquico tratou aquelas pessoas, a dignidade das mulheres que resistem, o modo como as crianças representam aquele espaço, o ambiente vivido no dia da demolição, a relação de tudo isso com a cidade. Num registo diferente, é também no Aleixo que se passa Bicicleta, um filme de Luís Vieira Campos, com argumento de valter hugo mãe, do qual guardo a imagem de umas intermináveis escadas, num bairro em que, propositadamente, a Câmara deixou de consertar o elevador, condenando as pessoas a terem de viver como um sacrifício as mais singelas necessidades do dia-a-dia.
Sobre o mal que Rui Rio fez ao Porto e sobre os mitos acerca da sua governação no Porto, não repetirei o eloquente resumo feito por Adriano Campos. Também não tenho grande esperança que Rui Rio vá alguma vez ver algum destes filmes – ou que se deixasse transformar por eles, caso os visse. Direi apenas isto: ninguém deve querer para o seu país aquilo que Rui Rio fez com quem mais sofria no Porto. E este é um bom fim-de-semana para o lembrar.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A RECAUCHUTAGEM DO PSD-MADEIRA


Há hoje no PSD-M um constrangimento generalizado pela fraude que representa a mensagem de renovação, violentamente imposta à opinião pública madeirense. Os militantes sociais democratas que ansiavam pela mudança no seu partido, olham para o futuro com um sorriso amarelo, perante a avassaladora presença do passado, que impõe nomes, regras, vícios, impedindo o fim das clientelas e dos interesses: as facções uniram-se para dar lugar ao PSD-M que sempre conhecemos.


O Miguel de Sousa ofereceu o programa ao actual líder que, segundo ele, não tinha programa e nem sequer sabia falar; o Jaime Ramos distrai as atenções para abrir caminho ao outro Jaime, o filho, que aproveita para impôr os seus nomes numa futura ALRAM; o João e Silva sonha com a Assembleia Legislativa da RAM e marimba-se para a sua convicção das negociatas; o Manuel António negoceia duramente para manter-se em jogo; enquanto o Sérgio Marques acomoda-se ao supremo do cinismo do PSD-M: um gabinete de estudos. Não, não é uma acusação de oportunismo grosseiro. É mesmo cuidar da vidinha e o resto que se lixe: a renovação, a limpeza, as soluções distintas que abalariam as cumplicidades construídas em 36 anos, o dialogo, o debate, a tolerância, os madeirenses.
Depois do monumental plágio dos programas da oposição, prepara-se a monumental cosmética: um PSD-M trasvestido de novo, cheio de trapos velhos. Entre contrapartidas para uns e outros, o novo líder do PSD-M é o somatório dos adversários que combateu e a soma quase perfeita do PSD de Jardim. Na prática, tudo igual. No essencial nada mudou. Outra vez a uma só voz, contra a alternância. O Congresso colou o que faltava: O PSD do novo líder quer ser interlocutor de Passos Coelho, esse destruidor de esperanças que maltratou os madeirenses; aplaudiu a divida irresponsável que matou a economia; subscreveu o PAEF-RAM e eleva a herói, tornando-o no Presidente do PSD até ao fim dos seus dias, o vilão da divida oculta que poucas horas antes era o símbolo da revolta no PSD-M e da desgraça dos madeirenses, disseram todos eles!.
Afinal, nada de novo, era tudo um bluff demolidor. A campanha esfumou-se e a dura realidade é que o PSD-M de Jardim não acabou. 
No fim, contentam-se com uma inevitável mudança de estilo. Essa pitada minúscula, com pequenas alterações de comportamento, serve para esconder a dimensão extraordinária da semelhança. Uma cosmética escaldante, ajustada ao homem da máquina do PSD-M, o companheiro de sempre de Jardim, que sorri hipocritamente por continuar a mandar no seu partido.
Ilustração: Google Imagens.
NOTA
Artigo de opinião, assinado pelo Deputado do PS-M, Carlos Pereira, publicado na edição de ontem do DN-Madeira.

sábado, 10 de janeiro de 2015

"RENOVAÇÃO"



Apenas fumo. Politicamente, o "novo" implica pessoas e uma ideologia. Ora, se as pessoas são as mesmas e seguem a mesma ideologia, logo não existe qualquer acto "renovador". Apenas fumo, repito.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

UM MOMENTO HISTÓRICO


Regresso ao assunto: os madeirenses e porto-santenses estão a atravessar um momento histórico depois de 38 anos de governo de um só partido. Ou aproveitam esta oportunidade ou correm o sério risco de terem pela frente mais uns anos de "laranja amarga". Os mesmos que sob a batuta do "chefe" conduziram o processo, vergando-se e deleitando-se com as vitórias e os lugares políticos, são os mesmos que hoje se colocam ao fresco como não tendo nada a ver com o produto da sua sementeira. No essencial dizem agora aquilo que a generalidade da oposição andou a dizer durante tantos anos. Não acrescentam rigorosamente nada ao pensamento político de crescimento e desenvolvimento da Madeira, naquilo que é estrutural, como evidenciam a realidade sentida, desde sempre, sobre a forma como o seu partido sempre funcionou e estabeleceu os laços com o povo da região. E se quanto à primeira parte os partidos têm sido muito claros, já quanto à segunda não deixa de ser interessante, por uma necessidade de poder, aquilo que agora enaltecem.   

Inteligência política, precisa-se!
A população dispensa todos aqueles
que gerem espaços de interesse pessoal. 

Sobre as maroscas que se diz andarem por detrás da cortina, entre os protagonistas Jardim e Jaime, a "novela" continuou hoje, no DN-Madeira, com mais umas cenas que prometem interessantes capítulos lá para o final de Outono. 
Sérgio Marques - "Cúpula instalada quer perpetuar-se no poder".
Miguel Albuquerque - “O PSD pode implodir e até desaparecer” (...) A ser verdade o que diz a notícia, achamos que se está a brincar com coisas sérias (...)”.
Miguel de Sousa - O povo não está para aturar mais abusos" (...) “Estão a brincar com o fogo. (...) O povo não está para aturar mais abusos” (...) “Jaime Ramos fez do PSD um partido que enjeita a democracia, usa métodos que não são transparentes e ferem a verdade da democracia interna”.
Esta é a realidade. A realidade do conflito interno que tem muitos significados e que não ficará por aqui. Após as eleições prevejo que seja pior. Sem querer fazer futurologia, parece-me óbvio que João Jardim não aceitará ficar a governar a Região com um líder partidário que lhe é politicamente hostil e, no plano das relações pessoais, pouco agradável. E a contrária, relativamente a qualquer um dos outros é verdadeira, sobretudo porque existem promessas para cumprir, mesmo em final de mandato. A situação é claramente explosiva. As relações internas, sobre as quais apenas se conhece missa-metade, estou em crer que tornarão insuportáveis as relações do novo líder (haverá?) com a Assembleia, com o Governo, ou com os dois, o que determinará o colapso da estrutura. Resta saber o que fará a dupla Jardim/Jaime face aos muitos interesses que estão em jogo, sobretudo externos.
No meio desta confusão de fim de ciclo, a questão é determinar como é que a oposição está organizada no sentido de oferecer aos madeirenses, por antecipação, uma alternativa credível. O DN-Madeira deu um primeiro passo ao despoletar um inquérito online: "Deve haver eleições no PS-M após a escolha do líder nacional do partido?" Às 12 horas desta Quinta-feira, 60% tinham votado que sim, 27% que não e 13% "só se o António Costa ganhar" as primárias que decorrem ao nível nacional.
Ora bem, esta "sondagem" constituiu apenas um indicador. Não mais do que isso. Mas é um indicador. E pelos meus contactos, é convicção minha que uma sondagem, com todo o rigor científico, não se afastará daqueles indicadores. O PS pode, então, estar a construir a sua própria derrota. Que lamento. É evidente que desconheço as eventuais negociações que possam estar a ser feitas com outros partidos. Pelas informações que me chegam, o CDS-PP não parece interessado desde que o PS-M mantenha o líder que preside aos seus destinos. E esse é um outro indicador que me leva a prognosticar que nada de bom vem a caminho. Dos outros partidos pouco ou nada se sabe, para além do facto do CDS/PP ser um pretendente natural do PSD-M no que diz respeito à repartição do poder. O namoro existe. Preocupante. E assim, no essencial, a pergunta que fica talvez seja esta: na possibilidade de haver eleições legislativas regionais em Março e não em Outubro, encontrando-se o PSD-M em estilhaços depois de 38 anos de liderança consecutiva, na presença de sondagens e de indicadores que não são favoráveis, face à negativa imagem que o PSD/CDS têm no governo da República com influência directa na Região, que silenciosas manobras políticas se escondem que conduzem a que o PS-Madeira, partido fulcral no futuro da Região, não se mexa no sentido da construção de uma alternativa? Gostaria de conhecer a resposta.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

PALHAÇADA POLÍTICA


Quase diariamente lê-se por aí que este, aquele e aqueloutro estão a preparar o programa do candidato a, b, c, d, e, f (ena, tantos!) que, por sua vez, estão a reunir milhentos contributos de outras figuras da sociedade, ditas especialistas nisto e naquilo. E isto, desde figuras candidatas e que ainda são governantes, a outros com largo currículo pelos corredores do poder. Olho e fico a magicar, afinal, será que esta gente, omnipresente em todos os sectores, áreas e domínios desta terra, detentora da verdade absoluta, que castigou a oposição durante quase quarenta anos, dizendo pelos quatro cantos que não tinham e não eram alternativa política, será que esta gente, repito, não vê que apenas estão a confirmar que governaram à vista, face à necessidade de tais contributos de última hora? E para que serviram aqueles congressos, com pompa e circunstância, com painéis temáticos, com salas apinhadas e com convidados tidos como detentores de um conhecimento de excelência, desde médicos, enfermeiros a professores, de economistas a financeiros, de docentes universitários a juristas, de engenheiros a arquitectos, eu sei lá quantos, na expressão, de humor e sarcasmo, do falecido jornalista Alfredo Farinha (A Bola, jornal que o ainda presidente não gosta), quantos "paineleiros" passaram por esses concorridos encontros que se destinavam a projectar a Madeira do futuro? Quantos contribuíram com documentos e intervenções aplaudidas de pé? Prova-se, agora, não bastasse a própria práxis política do governo, que tudo aquilo foi um logro, um embuste, uma forma ardilosa de enganar o povo através de manifestações que se destinavam a enfeitar os congressos, mas que jazem nos arquivos da Rua dos Netos.

Para que serviram estes encontros?

Pelo meio surgem os "imaculados" da "Autonomia XXI.4", com  velhos contributos para animar as hostes e fazerem passar a ideia que são portadores da "boa nova". Não descansam na arte de enganar, pois partem do princípio que todos têm ou são de memória curta. É evidente que todos os programas devem beneficiar de uma actualização, até na sequência do que a prática vai ditando. Todavia, não é o caso. Os que governam, há dezenas anos, e são candidatos, transmitem a ideia que nem acreditam naquilo que o seu "chefe" determina. Os outros, sabem ao que vêm e, portanto, assumem que estas manobras políticas constituem o foguetório que alimenta a presença na comunicação social. E assim "lá vamos, cantando e rindo, levados, levados (...)", digo eu, e de que maneira! Palhaçada política.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 21 de março de 2014

"NÃO ACEITO QUE A MADEIRA TENHA DE SER POBRE"


Pertencemos a um País aparentemente livre e democrático. Pelo menos a partir do texto constitucional. Daí que ninguém tenha nada a opor às bocas que se abrem e às línguas para dizer coisas. Exactamente isso, coisas! Palavras, palavras e só palavras, transformadas em frases que, analisadas à lupa, valem zero e nula a sua credibilidade. A intervenção de ontem do Dr. Miguel de Sousa (PSD), Vice-Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, trouxe-me à memória um velho professor, que tinha sido dirigente da hierarquia política do Estado Novo. Tinha eu regressado à Madeira, depois de dois anos de comissão militar na Guiné-Bissau (1972/74), estávamos no final do ano de 1974, com ele me cruzei, falámos, amenamente e, a páginas tantas, com uma necessidade de colagem aos ventos de mudança, disparou: "sabes que eu nunca tive nada a ver com aquela gente"! Não havia necessidade, pensei. O Dr. Miguel  de  Sousa pareceu-me que também nunca teve nada a ver com os trinta e oito anos de governação PPD/PSD. Nada. Não foi membro do governo, não é vice da Assembleia, não aprovou todos os Orçamentos  e Contas de Gerência da Região, nunca fez intervenções políticas de apoio ao regime, enfim, do ponto de vista político está imaculado e olho-o com uma auréola sobre a sua cabeça.


Mas não, é CULPADO. É um dos culpados do estado a que a Madeira chegou. Não confundo o respeito bilateral que existe entre nós com a questão política. Sei separá-las e devo separá-las. O Dr. Miguel de Sousa é um dos culpados políticos, porque permitiu, anuiu, consentiu, nunca a sua voz se levantou para dizer fosse o que fosse aos madeirenses e portosantenses. Aliás, são todos culpados, todos os candidatos do PSD na luta pela liderança do partido. Os seus discursos não convencem, simplesmente porque laboraram no erro e sacodem culpas.
É fácil dizer: "(...) Não aceito que a Madeira tenha de ser pobre" e "a Madeira, se bem orientada e gerida, pode ter um 'superavit' que assegure suficiente bem-estar e conforto às famílias madeirenses". É fácil, mas necessário se torna ter moral e fundamento histórico para o dizer. E o Dr. Miguel de Sousa, tal como os outros, não tem. Porque este lá, não mexeu uma palha, aceitou todas as loucuras do "chefe", aplaudiu e curvou-se aos erros da "Madeira Nova". Vir agora dizer que deseja uma "Nova Madeira", constitui, para além de uma enorme falta de imaginação política, cair num trocadilho que, facilmente, as pessoas entendem ao que o candidato vem.
Mais, ainda. Há quantos anos a oposição lamenta e aponta os erros da governação? Há quantos anos fala da necessidade de novas políticas e que a Assembleia Legislativa da Madeira é uma enorme fraude política? Há quantos anos se fala que o problema não é a drástica redução do número de deputados, mas o que lá a maioria produz? Há quantos anos existe uma luta contra um jornal pago com os nossos impostos? Há quantos anos se fala da necessidade de uma reorganização administrativa da Madeira? Há quantos anos se pede que o presidente do governo regional preste contas à Assembleia de quem depende? Mais, ainda: e de quem foi a culpa de a Madeira estar, consecutivamente, desprestigiada no plano nacional? Quem moveu todas as guerras políticas com a República, por ausência de uma estratégia de diálogo com bom senso? Quem, neste aspecto, colocou em causa "(...) A nossa reputação" (...) "a nossa autoestima e orgulho colectivo"? Terá sido a oposição ou todos, mas todos aqueles que querem passar agora incólumes?
"(...) Muitas pessoas afastaram-se da vida política". Pois, e de quem foi a culpa? Quantos foram vilipendiados, de políticos a cientistas, com as mais bárbaras ofensas à dignidade? E alguma voz se fez ouvir? Ora bem, querem dar música celestial, querem passar uma esponja sobre o passado, só que a esponja está suja e quanto mais esfregam  o quadro das memórias, mais porcaria ressalta. Oposição é o que merecem. Um longa cura de oposição, para que possam expiar os "pecados" que conduziram a uma dívida impagável de mais de seis mil milhões, desemprego e pobreza.
Ilustração:  Google Imagens.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

RELVAS, O "LICENCIADO" EM EQUIVALÊNCIAS, REGRESSA À RIBALTA


Para mim, do ponto de vista político (e não só), o regresso à ribalta do controverso Miguel Relvas era a peça que talvez faltava para compreender muitas coisas. Os dois, Pedro Passos Coelho que o convidou e Miguel Relvas que aceitou, encontram-se no mesmo patamar de credibilidade. Julgo que não há português que se esqueça do atribulado tempo de Relvas no governo. Saiu, ou melhor, foi empurrado pela comunicação social, pela pressão pública e pelo desconforto que, certamente, o governo sentia ao ter aquela peça no seu seio. No que concerne formação académica, o "licenciado" em equivalências deixou um rasto de oportunismo que não é fácil esquecer. Mas eis que Passos Coelho que o mandou embora, agora, o reabilita. Eu só encontro uma expressão para justificar uma situação destas: pouca-vergonha. Digamos que um está para o outro, ou melhor, são faces da mesma moeda. E se assim posiciono-me é porque no exercício da política exige-se total transparência. A participação política não pode estar à mercê de favores, amizades, compromissos, cumplicidades e fidelidades antigas. E neste caso, Miguel Relvas tem uma imagem política e, por via disso, pública, que apenas ajuda a denegrir a avaliação que as pessoas infelizmente fazem dos partidos e dos políticos. Relvas deveria estar a fazer a sua travessia do deserto, deveria estar envolvido nos seus interesses profissionais e ponto final. Na política, não. Só falta regressar à governação. Ridículo.


Em Agosto de 2013 escrevi: "Obviamente que nada tenho de pessoal contra os Relvas deste nosso País. Tenho sim contra os relvas oportunistas, que nos corroem a paciência, que se movimentam nos largos corredores do oportunismo político e que edificam as suas vidas por processos menos transparentes e, politicamente, condenáveis. Os líderes e os subalternos. Esses relvas, existem muitos, chateiam-me, porque o exercício da política exige credibilidade em dose igual à do conhecimento, à seriedade, à honestidade e ao rigor no desempenho. Na política essa relva(s) deveria ser cortada tal como se faz, periodicamente, aos relvados. E quanto à erva daninha, após molhada, arrancada pela raiz para que não fique qualquer hipótese de voltar a germinar. Mas não, face a tanta porcaria acumulada, há senhores que ao contrário de a limparem, continuam a querer acumulá-la, aumentando, por aí, o cheiro nauseabundo da politiquice caseira. Relvas volta à ribalta depois de ter dado um primeiro passo, por convite, para alto comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa. Tudo isto anda, de facto, conspurcado. Que tristeza de políticos e de política!
Obviamente que o problema é do PSD e não meu. Mas sou português e não deixo de lado o dever de uma leitura sobre o que se passa e que influencia a vida de todos nós. E o que se passa é que nós estamos entregues a gente sem um pingo de bom senso, entregues a exploradores e vendidos aos bocados, sempre com aquele discurso que, amanhã, teremos o paraíso. E já lá vão três anos de penosos constrangimentos. Ontem, o discurso do Primeiro-Ministro já foi de preparação para a carga de "pancada" que vem a caminho. Depois de Maio, o mês da teórica saída da "troika" de Portugal, o caminho ainda será mais duro, porque nada ficou resolvido. O povo vai continuar sob o domínio estrangeiro e sob o domínio das correias de transmissão que, cá dentro, se encarregarão de cumprir os desígnios de outros. Entretanto, um destacado militante do PSD-Madeira, o Dr. Filipe Malheiro, assume, hoje, no DN-Madeira, que uma "corja bandalha" tomou conta do PSD-Nacional: "(...) O Governo de Pedro Passos Coelho pode vender a propaganda que quiser, mas a melhoria que eles apregoam em termos de contas públicas não chegaram ao bolso dos cidadãos, às famílias. Nós continuamos a ter miséria, pobreza e desemprego. E isto é que me repugna nestes indivíduos que estão a liderar o PSD e que lamentavelmente foram recuperar essa figura sinistra chamada Miguel Relvas, o que por si só indicia o carácter desta corja que lá está. Esta gente só é afastada do poder se o povo quiser, mas o povo é demasiadamente pacífico". Pois, até estou de acordo, mas a questão também é outra: e por aqui?
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 25 de novembro de 2012

SERÁ QUE ELE É ADEPTO DA "UNIÃO REGIONAL"?


Interrogo-me, do que seria este senhor se não estivesse condicionado às leis do País? Interrogo-me se a sua permanente cantilena em redor da revisão da Constituição da República não terá, lá no fundo, um qualquer resquício do outrora condicionamento da liberdade e do delito de opinião? Interrogo-me sobre a sua subtil intenção da Madeira procurar outro caminho, sejamos claros, rumo à independência, face ao alicerce no qual assenta o seu pensamento político? Estas questões deveriam ser interpretadas e respondidas, porque não são, apenas, palavras ditas da boca para fora para chantagear e amedrontar outros para além da Ponta de S. Lourenço. As palavras não são neutras, elas exprimem sentimentos e intenções que não devem passar em claro. Tenho um grande receio das pessoas que assim se comportam, que no mesmo dia que se dizem "por uma democracia transparente", logo depois, assumem exactamente o contrário; que um dia se dizem portugueses e, dias depois, desfraldam a bandeira da independência. Cuidado com esta gente, porque quanto mais perdem influência junto do povo, mais apertam o círculo dos constrangimentos e do controlo sobre as pessoas.
 
 
Antes foi assim...
Será que ele deseja a "Lista da União Regional"?
O problema é do PSD-M, dos seus militantes e, portanto, as questões internas gerais aos seus responsáveis dizem respeito. Porém, um aspecto parece-me que extravasa a questão meramente partidária e entra no campo da essência da democracia. E do aspecto que a seguir alinho a minha reflexão, considero extremamente preocupante. Leio no DN-Madeira a propósito das intervenções: "(...) Mesmo assim, o presidente do PSD-M não quis arriscar e, conforme foi possível confirmar no CEMA, vários discursos passaram pelo crivo da Quinta Vigia, ao longo da semana (...)". Se assim foi, e acredito no trabalho dos jornalistas de serviço, este "visto prévio" sobre os discursos de uma parte dos congressistas, tem muito que se lhe diga. E tem porque cheira a qualquer coisa já vista e sentida nos tempos da censura, onde tinha de prevalecer o pensamento da então "União Nacional" e, depois, da respectiva "Acção Nacional Popular". Quem desalinhasse era demitido, perseguido, interrogado e preso, apenas por ter opinião. Curiosamente, leio, também, que várias figuras foram demitidas das funções que desempenhavam e que tudo se conjuga para uma blindagem estatutária, exactamente no sentido da manutenção do "regime" que um homem considera desejável. Repito, o problema é de quem lá está, de quem dá para aquele peditório e de quem pouco se importa de servir de capacho de um directório politicamente nauseabundo.
Mas a questão parece-me ser muito mais grave. Interrogo-me, sobre o que seria este senhor se não estivesse condicionado às leis do País? Interrogo-me se a sua permanente cantilena em redor da revisão da Constituição da República não terá, lá no fundo, um qualquer resquício do outrora condicionamento da liberdade e do delito de opinião? Interrogo-me sobre a sua subtil intenção da Madeira procurar outro caminho, sejamos claros, rumo à independência, face ao alicerce no qual assenta o seu pensamento político? Estas questões deveriam ser interpretadas e respondidas, porque não são, apenas, palavras ditas da boca para fora para chantagear e amedrontar outros para além da Ponta de S. Lourenço. As palavras não são neutras, elas exprimem sentimentos e intenções que não devem passar em claro. Tenho um grande receio das pessoas que assim se comportam, que no mesmo dia que se dizem "por uma democracia transparente", logo depois, assumem exactamente o contrário; que um dia se dizem portugueses e, dias depois, desfraldam a bandeira da independência. Cuidado com esta gente, porque quanto mais perdem influência junto do povo, mais apertam o círculo dos constrangimentos e do controlo sobre as pessoas.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 29 de março de 2012

A DANÇA DAS CADEIRAS PARA QUE TUDO FIQUE NA MESMA



Se bem que folgue com o ataque ao "vigia da quinta", ao homem que se intitula de "único importante", pelo significado político que tem, de afronta de um grupo que não está para o aturar, na prática, isto é, para o cidadão comum, é como se virasse um vinil e ouvisse a mesma música. Não haja ilusões sobre isto. Tudo, mas tudo o que saia do interior do PSD-M constituem versões, com mais piano ou com novos instrumentos, mas o som, a melodia estará lá e será sempre reconhecida aos primeiros acordes. Aliás, perante qualquer candidatura que se oponha ao atual "vigia da quinta", perguntar-se-á, quem são aqueles que estão por detrás, isto é, que grupos económicos suportam e que figuras estarão a servir de cobertura nesta corrida? Na política não se pode ser ingénuo e todos sabem que, quando se querem "queimar" preferem a praia!


É difícil, confesso, dizer que olho para a situação sem a presença das minhas convições partidárias. Mas sei fazer esse "esforço" no sentido de colocar-me, apenas, na pele do cidadão normal, aquele cidadão que apenas é eleitor e que, portanto, não tem funções diretas ou indiretas a um partido político. Ora, aquilo que se assiste no PSD-Madeira é o corolário, previsível, de uma estrutura velha, cansada, distante de qualquer sentido inovador, que em consequência de trinta e seis anos de poder absoluto se mostra incapaz de produzir soluções adequadas às situações. E porquê? Porque a máquina política tem uma estrutura própria, rotinada, e não é pela ascensão ao "conselho de administração" de outros que dela sempre fizeram parte, que essa máquina alterará o produto que fabrica. A máquina, quanto muito, poderá beneficiar de alguns acertos marginais, mas o produto, esse, será o mesmo. Na política, depois de tantos anos, as "árvores" ganham enormes raízes, lanhosas e profundas, que se estendem por tudo quanto é sítio. Dir-se-á que o exercício prolongado da política  não faz crescer ervas daninhas, as quais, com uma simples regadela, consegue-se levantá-las pela raíz. Na política tudo isso é muito complicado, porque joga com os grandes e pequenos interesses, os cordões umbilicais que determinam o alimento para quem lidera. Logo, sendo assim, se bem que folgue com o ataque ao "vigia da quinta", ao homem que se intitula de "único importante", pelo significado político que tem, de afronta de um grupo que não está para o aturar, na prática, isto é, para o cidadão comum, é como se virasse um vinil e ouvisse a mesma música. Não haja ilusões sobre isto. Tudo, mas tudo o que saia do interior do PSD-M constituirão versões, com mais piano ou com novos instrumentos, mas o som, a melodia estará lá, e será sempre reconhecida aos primeiros acordes. Aliás, perante qualquer candidatura que se oponha ao atual "vigia da quinta", perguntar-se-á, quem são aqueles que estão por detrás, isto é, que grupos económicos suportam e que figuras estarão a servir de cobertura nesta corrida? Na política não se pode ser ingénuo e todos sabem que, quando se querem "queimar" preferem a praia! 
Ora, do meu ponto de vista, as raízes com quase quarenta anos têm de ser removidas, o terreno trabalhado e novamente semeado. Os responsáveis pela crise não podem, porque em parte alguma o foram, a solução. Os responsáveis estão identificados, porque estiveram lá, assumiram responsabilidades, vergaram-se e aceitaram todas as orientações durante muitos anos. Não podem dizer agora que nunca tiveram nada a ver com aquela gente, pois são coresponsáveis diretos e indiretos pela tragédia política, económica, financeira, social e cultural. Aqui não há lugar a um qualquer baile de máscaras quando se sabe que terminada a sessão eleitoral as "moscas" rodarão nas cadeiras para se sentarem mais à frente ou ligeiramente mais atrás, mas estarão lá sentadas à mesa do orçamento e dos privilégios.
Conclusão, pouco me rala e nada tenho a ver com tal dança, mas preocupa-me que o povo, perante este alegado conflito, não descubra que a solução não está ali, nem "no banco", mas na oposição credível que existe. Oxalá, o povo consiga olhar para o "Laboratório de Ideias" como a planta que poderá crescer no sentido da sua própria felicidade.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

EM REFLEXÃO...


Ora, ele está em reflexão. Pois bem, que chegue à conclusão que não foi o inimigo externo o culpado, não foi a Lei das Finanças Regionais a culpada, não foram os bancos, que lhe cortaram o crédito, os culpados, não foi a Constituição da República a culpada, mas as suas políticas absolutamente loucas porque desajustadas da dimensão de uma Região que deveria crescer e se desenvolver de forma equilibrada e sustentável. Que ele chegue à conclusão que deve um pedido de desculpas ao povo da Madeira.


O homem que conduziu a Madeira ao desastre disse estar em "reflexão". Eu julgo que precisa de uns dias de reflexão que conduzam a um acto de contrição. Reflexão por ter apostado, apenas, na sua sucessiva reeleição; reflexão pela dívida que acumulou e que escondeu; reflexão pelo controlo de toda a sociedade; reflexão pelo desastre económico, financeiro, social e cultural das suas políticas e reflexão pelas subtis perseguições que fez ou que o sistema se encarregou de operacionalizar ao longo de muitos anos. A prateleira está cheia de homens e mulheres que não se vergaram. Exactamente, este homem deve reflectir profundamente no que fez e no que não permitiu que se fizesse. E deve pedir perdão aos madeirenses e porto-santenses pelo sufoco que gerou nas famílias e no aperto que ultrapassará o limite das possibilidades de cada um na sequência das suas tresloucadas medidas.
Ele fala de obras e eu falo de pobreza e de desemprego. Ele fala do Continente e eu falo da Madeira AUTÓNOMA que tem órgãos de governo próprio e um orçamento próprio. Ele fala do "inimigo externo" e eu falo de um grupo e de um "chefe" que não soube ser equilibrado, que gastou tudo apenas por ambição política. Conservou-se no poder, é certo, mas destruiu a sociedade, empobreceu as famílias, deu cabo do tecido empresarial e matou, por uns tempos, a Autonomia que tanto custou a conquistar. De que servem agora os mamarrachos construídos e inaugurados com pompa e circunstância? De que serve o cimento lançado por toda a Região, tornando-a toda igual, destruindo a identidade de locais que deveriam ser preservados? Quem vai pagar a manutenção e o funcionamento de centenas de infraestruturas desajustadas dos princípios de um desenvolvimento sustentável? Eu sei, o povo, claro, o povo pagará, com o seu magro bolso e com a sua quase infinita paciência. Eu disse quase, porque aquilo que se sabia e que a última campanha eleitoral traduziu em palavras é que os madeirenses vão ser esmagados por culpa de um homem e de um partido. E esse povo naturalmente que se revoltará. Não há outros responsáveis neste processo. Não é a oposição nem a República.
A Madeira, com 260 mil habitantes, é inferior em população a muitos concelhos do país. Apenas tem a dignidade de Região Autónoma. E, por isso, teve aqui uma Assembleia, um Governo, directores regionais, directores de serviço, chefes de divisão, institutos, sociedades de desenvolvimento, empresas públicas, dinheiro europeu e nacional, eu sei lá, dispôs, organizacionalmente, de um "Estado" dentro de um Estado. Então esta gente não tem de ser responsabilizada política e até criminalmente? Eu não tenho dúvidas sobre esta matéria. Se alguém fizesse na sua vida privada o que faz na vida pública estaria hoje preso. Não teria quaisquer hipóteses de fugir à Lei.
Ora, ele está em reflexão. Pois bem, que chegue à conclusão que não foi o inimigo externo o culpado, não foi a Lei das Finanças Regionais a culpada, não foram os bancos, que lhe cortaram o crédito, os culpados, não foi a Constituição da República a culpada, mas as suas políticas absolutamente loucas porque desajustadas da dimensão de uma Região que deveria crescer e se desenvolver de forma equilibrada e sustentável. Repito, que chegue à conclusão que deve um pedido de desculpas ao povo da Madeira. E, atenção, não pode demitir-se. Vai ter de aguentar, entre dentes, este osso duro de roer, porque ganhou as eleições com maioria absoluta, após uma campanha que terá custado alguns milhões. Lá mais para a frente, então sim, se não aguentar deverá sair e abrir portas a um novo acto eleitoral clarificador. E assumo isto por dois motivos: primeiro, porque a maioria da população eleitora não votou no PSD; segundo, não me parece legítimo que algumas margens se apresentem a aproveitar situações políticas, face a um povo que votou enganado no dia 9 de Outubro. Um povo que não teve o conhecimento prévio e exacto da situação.
Dentro de algumas semanas ou, se calhar, dias, tudo ficará mais claro. Aguardemos.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 9 de abril de 2011

CASO DE POLÍCIA? E NA MADEIRA?


Mas já que fala de "criminosos", se o problema se chama finanças, pergunto, afinal, se, por aqui, nesta Região Autónoma não haverá criminosos pelo facto de terem levado a Região ao caos em que se encontra? Os 12.000 à espera de uma cirurgia, o caos na Educação, a dívida de seis mil milhões de euros, os 17.000 desempregados, os 70.000 pobres, os empresários aflitos, enfim, tudo isto e muito mais não será também um caso de polícia?

Chamou criminoso ao Governo nacional e disse que Cavaco Silva devia dar umas palmadas a Teixeira dos Santos.
Estou fora da Região a acompanhar o Congresso do PS. Curiosamente, ninguém falou do Presidente do Governo Regional. Pelo menos até este momento. O desprezo é a melhor resposta.
Mas já que fala de "criminosos", se o problema se chama finanças, pergunto, afinal, se, por aqui, nesta Região Autónoma não haverá criminosos pelo facto de terem levado a Região ao caos em que se encontra? Os 12.000 à espera de uma cirurgia, o caos na Educação, a dívida de seis mil milhões de euros, os 17.000 desempregados, os 70.000 pobres, os empresários aflitos, entfim, tudo isto e muito mais não será também um caso de polícia?
E, já agora, por que não tem a coragem de dizer isso frente a frente ao Primeiro-Ministro, antes, como a foto demonstra, pede-lhe misericórdia; por que não tem a coragem de, quinzenalmente, debater os problemas da Região na Assembleia Legislativa; ou, então, por que razão não aceita um debate regular com os partidos da oposição? Vamos todos pagar cara esta leviandade. 
Imagem: Dn-Notícias Lisboa.

sábado, 2 de abril de 2011

PAINÉIS, PARA QUÊ?


Pouco se importam com a repetição, com o riscado vinil de tanto ser utilizado, o formato é único, depende, apenas do intérprete, às vezes parece em 78 rotações (há deputados(as) que falam muito rápido), outras, em 45 rotações. A maioria das vezes, o registo é de 33 rotações. Arrasta-se. Em todas elas, há sempre um da maioria que corrobora, com simpatia... Vossa Excelência, Senhor Deputado, acaba de fazer uma excelente intervenção...! 


Assisto, todos os dias, a um frenesi sobre os "painéis" políticos que o PSD anda para aí a organizar. Ora, se a solução dos problemas passasse por aí, porque há anos que os fazem, obviamente, se deles resultasse alguma coisa, a Madeira não teria os problemas que tem de enfrentar. Ora, aquilo não passa de uma encenação, porque, no fundo, ao contrário de Lavoisier, nada cria, tudo se perde e nada se transforma. Não passa de uma encenação e de uma coisa pior, a capturação da sociedade, de mais algumas figuras que ali vão, concedo-lhes o benefício da dúvida, de boa fé. E mais, se não têm servido para nada, neste momento, os ditos "painéis" parecem-me valerem zero face ao contexto político, económico-financeiro e social da Região. Porque ali ninguém se atreverá a colocar em causa o pensamento do líder, pelo que as palavras e os conceitos serão medidos e, portanto, tudo se conjuga para que seja um tempo artificial e politicamente perdido. Ganham a imagem, é verdade, de uma sala cheia, a imagem e o som da propaganda, mas, substantivamente, para a população, para os ganhos de uma Região aflita, de acordo com a cartilha, pergunto, se alguém, no seu perfeito juizinho, acreditará em qualquer outra estratégia que não seja a conhecida?
Ora, melhor seria que começassem a governar, independentemente de faltarem escassos sete meses para o final da Legislatura. Sendo a situação regional muito grave, prevendo-se um colapso financeiro para muito breve, sendo evidentes os sinais de acrescida preocupação no quadro empresarial, logo no crescimento do desemprego e da concomitante pobreza, bom seria que o tempo fosse aproveitado para apresentarem soluções e não para, a todo o momento, sacudirem responsabilidades próprias.
Aliás, não há uma intervenção, uma declaração política ou um artigo de opinião que não seja direccionado para o "inimigo externo". Assim se comportam o presidente do governo, os secretários e, por extensão, no parlamento, todos os deputados da maioria social-democrata. Pouco se importam com a repetição, com o riscado vinil de tanto ser utilizado, o formato é único, depende, apenas do intérprete, às vezes parece em 78 rotações (há deputados(as) que falam muito rápido), outras, em 45 rotações. A maioria das vezes, o registo é de 33 rotações. Arrasta-se. Em todas elas, há sempre um da maioria que corrobora com simpatia face à "eloquência discursiva"... Vossa Excelência, Senhor Deputado, acaba de fazer uma excelente intervenção...! 
A excelente intervenção não passa de mais um ataque para fora, muitas vezes nem para a oposição é, mas para a República, como se toda esta gente que governa a Madeira há 35 anos consecutivos não tivesse qualquer responsabilidade política. Todos afinam pelo mesmo diapasão, o livrinho é sempre o mesmo e o refrão da cantiga não muda.
Curiosamente, esta manhã, escutei uma parte de um programa da RDP. Raramente o escuto, mas, no trânsito lá fui ouvindo, julgo que os sete minutos finais do programa. A páginas tantas o prof. Virgílio Pereira (PSD) disse que tudo isto estaria melhor se, de facto, fossemos mais autónomos e que toda a Madeira deveria ser uma zona franca. Bom, sobre a zona franca não me vou pronunciar, mas, questiono, mais autónomos em quê? Para produzir mais disparates, para aumentar a megalomania e riqueza de uns quantos, para não cumprir os instrumentos de planeamento, para criar mais endividamento, para gerar mais desemprego e mais pobreza? Se, com a autonomia existente, temos uma realidade bem complexa, permito-me adivinhar o que não seria ou como estaríamos em uma "autonomia total" à moda do dr. Jardim! 
Regressando ao início, aos painéis temáticos, para quê, se deles nada resulta. O que a Madeira precisa, urgentemente, é de MUDANÇA DE PARTIDO na governação da terra. Todos nós precisamos de gente que traga inteligência e consistência política, rigor, seriedade, honestidade, bom senso, respeito pelo povo, planeamento e uma coisa tão simples quanto isto: impor uma austeridade para dentro do governo, não a derramando em cima dos cidadãos indefesos. 
Ilustração: Google Imagens.