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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

PARABÉNS, CARLOS PEREIRA


Na política há duas palavras que me fazem sair do sério: interesses e ingratidão. Os partidos políticos estão muito à mercê de ambas. O jogo nos bastidores, as artimanhas meticulosamente construídas, os interesses em afastar e matar politicamente quem, eventualmente, faz sombra ou, simplesmente, de quem não se gosta, toda a engrenagem que se encontra por detrás do palco, mais complexo que um tabuleiro com peças de xadrez, que conduz a muitos venderem a sua consciência aos bocados, porque estão em causa interesses empresariais e ou obediências por favores ou posições atribuídas, tudo isto me repugna. Da mesma forma a ingratidão, como consequência. Quem não se vende, os intelectualmente sabedores e honestos, aqueles que pautam a vida pelo rigor e pelo conhecimento, que não têm medo de enfrentar o futuro, porque conhecem o terreno e os escolhos, que não andam com o  nariz colado ao joelho, que constroem e deixam a sua marca alicerçada na qualidade que rejeita os medíocres e interesseiros, estes são, implacavelmente, afastados. Como vulgarmente se diz, fazem-lhe a folha, devagarinho, com tempo, semeando e regando a mentira, criando o ambiente até o golpe final.

O último dos preferidos pelo povo é que ganhou. Por que será?

Na "primeira oitava" do recente congresso socialista, não posso conter as palavras em favor de um Amigo que muito estimo e considero. Não apenas no plano político. Mesmo distante da Região, segui o desenrolar dos trabalhos. E tenho que o dizer: parabéns, Amigo Carlos Pereira. 
Dirijo-me a si. Sabe, Carlos, tão bem quanto eu, que "não ofende quem quer, mas quem pode", não é assim? Pois, a consciência do trabalho realizado, a luta pela não ingerência nas questões internas e regionais do partido, a ausência de qualquer referência, com substância elogiosa ao anterior presidente e restante direcção do PS-M, (absolutamente deselegante, mas percebo, ora se percebo que não foi um deslize!) no decorrer da intervenção de Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS Nacional, sei lá, braço direito ou esquerdo de António Costa, toda esta mixórdia conduz-me à leitura, Amigo Carlos, que tudo foi pensado ao pormenor. António Costa não teve coragem de vir ao Congresso. Ele lá saberá as razões políticas do que terá gizado com outras conivências. 

E tudo isto porquê? Pelo facto do Carlos, em 2015, ter assumido um claro NÃO à oportunista candidatura de Bernardo Trindade como cabeça de lista pela Madeira. A autonomia estatutária venceu a decisão unilateral de António Costa. O Carlos sabe que nesse momento assinou o documento da guerra e não um tratado de paz. E a bomba deflagrou agora. Há muito que ela vinha a caminho à velocidade dos interesses e do "afastamento" pela via "democrática". 

Retomo o meu pensamento. Esse foi o momento-chave da "condenação" de Carlos Pereira, de sempre um dos mais brilhantes parlamentares da Madeira. Manobraram, sentaram-se à porta e esperaram que o funeral passasse. E já passou! Seria bom que alguns tomassem consciência de um outro provérbio bem português: "o acerto de hoje é o erro de amanhã". 
Frequentemente, interrogo-me, se não será estranho que um dos melhores, o mais bem preparado em assuntos de economia e finanças, de onde depende tudo ou quase tudo, presença quase diária na comunicação social pelo seu sentido propositivo e sustentado técnica e politicamente, aquele que trouxe o PS de uma situação muito complexa para um patamar de credibilidade e notoriedade política e social, seja afastado e até, pasmo, pedido por uma alminha pequenina, a sua expulsão do partido. Isto leva-me a pensar na pequenez desde as alminhas de paróquia até aos engravatados, tidos por referências sebastiânicas e que agora surgem entre o denso nevoeiro. Que não se esqueçam, uns e outros, a figura triste que fizeram (que estão a fazer) e que "onde comem, deixam migalhas". E são esses sobejos que permitem diversas leituras, desde o porquê de agora surgirem até ao que lhes move(u). O tempo, grande mestre que é (o PS-M tem a obrigação de ganhar em 2019), estou certo, devolverá ao Dr. Carlos Pereira a dignidade e o reconhecimento político pelo trabalho realizado que abriu portas à vontade de mudança. Dignidade e reconhecimento que o povo reconheceu (vide sondagem), independentemente dos enquadramentos políticos de quem se pronunciou. Saiba o António Costa, a Ana Catarina e outros que "há mais marés que marinheiros". 

NOTA

A minha crítica ao Dr. António Costa enquadra-se enquanto secretário-geral do PS. Nada tem a ver com o trabalho que está a realizar enquanto Primeiro-Ministro em prol de Portugal.

Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A UNIDADE INDISPENSÁVEL


As eleições para os órgãos das autarquias locais realizadas no passado dia 1 de Outubro, que deram ao PS no seu todo uma estrondosa vitória em todo o País, permitiram ainda, em face dos resultados apurados, na RAM, recolocar o PS-M no lugar que era o seu, o de segundo maior partido na Região, e abrir o caminho para que, mantendo um trabalho sério, atento, persistente e respeitador da vontade e anseios da população, possa vir, em breve, a assumir novas, mais complexas e desafiantes responsabilidades a bem da democracia, da autonomia e do progresso da Madeira e do Porto Santo.


De facto, no quadro de um resultado francamente positivo e animador, um pouco por toda a Região, com a conquista de três câmaras municipais e um papel determinante, diríamos, decisivo, na (re)conquista da CMF, o PS-M tem a obrigação e a exigente responsabilidade de olhar para o desafio que constitui a eleição para a Assembleia Legislativa Regional em 2019 e, em consequência, para o governo regional, com o entusiasmo, a seriedade e a prudência que a todos convoque para que, num clima de unidade e coesão partidárias, serem criadas condições internas e externas para a disputar com optimismo e lúcida esperança na vitória, assumindo a coragem indispensável para abraçar novos empenhamentos, novos combates, novas realizações, novas ambições. Só assim entendemos ser possível cumprir esse objectivo de ruptura com uma política que, comprovadamente e displicentemente, a não colocar as pessoas no centro da actividade política e, por isso mesmo, incapaz de responder aos anseios e necessidades da população que diligentemente deveria servir. 
Concretizar este decisivo propósito de criação de um novo paradigma político de governação de qualidade, com resultados positivos, inovadores e transformadores, onde as pessoas são a razão das razões, implica, antes de mais, não fazer igual ao passado e, muito menos, com os mesmos protagonistas e as suas velhas ideias como se comprova, repetidamente, pelos factos. A realidade está à vista de todos e não só é necessário como é possível e desejável alterar este quadro, para que dele resulte um desenvolvimento sustentado transversal a toda a Região. Urge a adopção de políticas que não excluam ninguém, inclusivas e integradoras e que deem primazia ao interesse de todos, sempre com a Madeira e o Porto Santo em primeiro lugar e, obviamente, com as pessoas como entusiasmante motivação. 
São imensos os problemas existentes e resultam da herança dos muitos anos de poder e governação do PSD-M, que fragilizou a credibilidade, destruiu a base de recursos da Madeira e do Porto Santo, facto que veio a condicionar o seu desenvolvimento e abalou, seriamente, a confiança dos cidadãos na construção de um futuro melhor. As persistentes bolsas de pobreza e o retorno a uma emigração indesejada demonstram o estado a que foi conduzida a Região. A elevada dívida pública regional e a consequente forte carga fiscal que incide sobre cidadãos em geral, trabalhadores e empresas, em particular, estão aí para provar os erros da governação passada e presente do PSD-M. É fundamental, por isso, consubstanciar uma ruptura com o passado, através da afirmação de um projecto que integre todos os cidadãos, colocando-os, repetimos, no centro das preocupações governativas. 
Estamos conscientes, e acreditamos, que uma nova orientação de esperança, para ser bem-sucedida, tem de ser elaborada sob a liderança do PS-M, sublinhando as suas marcas e a sua matriz constantes na “Declaração de Princípios”, - “O PS entende que a prática da solidariedade e a promoção da integração social se fazem no quadro da efectivação dos direitos civis, políticos e sociais de que são titulares as mulheres e os homens. É a realização dos direitos que permite caminhar para uma sociedade solidária, que não pactue com a exclusão” -, de modo a colocar em prática as políticas e as opções que o povo da Madeira e Porto Santo aspiram, seja no sistema Educativo, no sistema de Saúde, nas Políticas Socias, na Mobilidade, na Competitividade, seja, ainda, no necessário desagravamento fiscal. É nosso entendimento que o magno problema da nossa Região Autónoma é, em parte significativa, de natureza económico-financeira, mas também de falta de competência, de rigor, de seriedade política e de probidade dos seus responsáveis políticos. Estamos convictos que o PS-Madeira constitui o caminho certo para que as famílias e as empresas da Região possam confiar no futuro com renovada e acrescida esperança, só possível através de uma justa e correcta governação de proximidade, repetimos, de e para as pessoas. 
É, pois, pelas razões enunciadas, imperioso manter um PS-MADEIRA FORTE, UNIDO e COESO, com a estabilidade que temos observado, em torno de um projecto que assegure a sua paulatina, mas determinada afirmação, assegurando um percurso de crescente dignificação e prestígio indispensáveis ao cumprimento dos seus objectivos maiores.
Os signatários entendem, ainda, num acto de reconhecimento e justiça, que o presidente do PS-Madeira, Carlos Pereira, tem tido a capacidade de aproveitar, com saudável teimosia, as oportunidades que se lhe deparam para no quadro da acção do governo República, favorecer o povo da Madeira e Porto Santo, e a sabedoria de conduzir os destinos do PS-M ao ponto de o colocar, enquanto principal força política, para uma alternativa de governo. É justo dizer que, hoje, o partido está mais mobilizado a favor da Madeira e do Porto Santo, através do reforço das energias no campo da organização, anulando os focos de instabilidade e aproveitando o capital autárquico para alavancar a mudança que se impõe. 
Por conseguinte, tona-se indispensável que, com as adaptações que as circunstâncias postulem, continue o rumo traçado e sufragado pelos socialistas em 2015, reforçando a aposta numa liderança socialista que alie a competência com a capacidade de trabalho e a sensibilidade política. Uma liderança que saiba, - e tem sabido -, distinguir bem os interesses dos madeirenses e porto-santenses e que seja capaz de trabalhar, com denodo, na defesa dos superiores interesses da Região e da sua população, em qualquer circunstância, doa, politicamente, a quem doer. Que lute pela defesa da Autonomia e consagre o interesse da Região no panorama nacional. Uma liderança que tenha domínio dos dossiês e destreza na abordagem nas áreas críticas da governação.
Importa, assim, não desperdiçar energias, não alimentar desgastantes conflitos inúteis de autoflagelação, não “engrossar” o adversário principal, o PSD-M, mas, sobretudo, travar a ideia, que se foi cimentando no passado, de que o PS-M desenvolve ciclicamente (?), quando próximo do poder, uma incómoda instabilidade interna impeditiva da concretização das legítimas aspirações que o inspiram e justificam enquanto partido político, na procura incessante de afirmar os seus princípios, as suas ideias, o seu projecto e o seu programa, o que exige dos seus quadros e de outras personalidades que a eles se queiram juntar, a compreensão do papel que a todos incumbe nesta aliciante caminhada.
Assim, entendem os subscritores, devem ser propósitos imediatos do PS-M:

A – Manter vivos e activos os mecanismos de defesa intransigente da sua autonomia organizativa e estratégica, nos termos dos estatutos, enobrecendo as características autonómicas da nossa organização na adequação aos interesses das populações da Madeira e do Porto Santo;

B – Municiar o PS-M de renovados órgãos dirigentes, dando cumprimento ao estipulado nos estatutos, com o seu refrescamento por via electiva;

C – Promover acções de dinamização do Partido em todos os concelhos, de modo a estimular uma muito maior participação dos militantes em todas as fases do processo, nomeadamente na preparação do Programa Eleitoral de Governo;

D – Reavaliar os recursos disponíveis para enfrentar a multiplicidade de solicitações que as circunstâncias exigirão;

E – Potenciar a significativa presença do PS-M nas autarquias locais, sensibilizando os seus membros para a imperiosidade do seu empenhamento nas acções do Partido rumo a 2019;

F – Valorizar o papel dos quadros do Partido, e dos militantes em geral, mantendo-os integrados e mobilizados face aos objectivos a atingir;

G – Não desinvestir no concurso de personalidades independentes, garantindo embora que o PS-M é dirigido por militantes e de que serão estes a responder pelos resultados obtidos;

H – Aceitar, recusando todas as interferências abusivas, as colaborações que se revelarem úteis e que não colidam com a autonomia decisória do PS-M;

I - Desenvolver iniciativas, - privadas ou outras -que permitam uma abordagem sobre o papel da comunicação social numa democracia pluralista e tendente a uma presença noticiosa mais regular na comunicação social nacional e regional em função da qualidade do projecto do PS-M; 

J – Disponibilizar uma particular atenção às expectativas geradas, ou a gerar, em todas as áreas de actividade da sociedade (dita) civil, comungando das suas preocupações e anseios e procurando integrá-la no processo que o PS – M conduzirá até às eleições, num desempenho que lhes sobreviverá;

K – Definir uma abordagem aos empresários e sectores empresariais e tentar agilizar um discurso que, tranquilizador, os não iniba, se não do apoio, pelo menos de uma neutralidade que se pretende favorável ao quadro geral dos objectivos a atingir;

L – Tentar contrariar e desfazer velhas ambiguidades e receios, junto dos sectores eclesiásticos, que, também neste domínio, possam, pelo menos, evitar interferências nada recomendáveis.

M – Preparar o Programa Eleitoral de Governo tendo em conta a circunstância de o PS poder, nessa altura, continuar a ser responsável pelo governo do País e, portanto, ser um interlocutor essencial na definição das linhas mestras das propostas a apresentar.

As próximas Eleições Regionais estão ao alcance do PS-M. Os dois estudos de opinião divulgados este ano, bem como os resultados das eleições autárquicas assim o demostraram, mas, para isso, é indispensável que o caminho até 2019 não comprometa as boas conquistas obtidas até hoje.

Os signatários da reflexão aqui expressa, militantes ou simples defensores da “Declaração de Princípios” do Partido Socialista, cônscios do actual momento político regional, entenderam subscrever este documento como um veemente apelo à UNIDADE, de tal forma que o PS-Madeira continue, a bem de todos, a trilhar o caminho do sucesso, e de recuperação da esperança só possível no quadro de uma enorme e perceptível coesão interna.

Este manifesto é ainda um alerta e uma convocatória a todos os socialistas e simpatizantes, mas também dirigido aos cidadãos em geral, que, insatisfeitos e inconformados com a governação do PSD-M, se disponibilizam para, unidos em torno deste conjunto de ideias, serem parte de um projecto de futuro e com futuro!

Funchal, 13 de Outubro de 2017

Subscritores 

Este documento tem como primeiro subscritor o Presidente Honorário do PS-Madeira, Dr. Emanuel Jardim Fernandes e confirmado por todos quantos aqui constam. 

José Carlos Mota Torres 
Maximiano Martins 
Padre Martins Júnior 
Gil França 
Quinídio Pinto Correia 
Arlindo Oliveira 
Rafael Jardim 
Ricardo Freitas 
João André Escórcio 
Pedro Fragueiro
Manuel Vieira de Sousa
António Loja

domingo, 5 de junho de 2016

O PS MAIS NÃO ESTÁ A FAZER DO QUE CUMPRIR A SUA "CARTA DE PRINCÍPIOS"



O Dr. Francisco Assis tem uma posição que, discordando, aceito. Em democracia é assim: o respeito pela diferença de opinião constitui um direito inalienável. Foi coerente, entrou no congresso do PS e disse o que pensa. Lamentavelmente foi apupado. Teria sido melhor o silêncio ou a ausência de aplausos. Eu, se lá estivesse, não me teria manifestado. Era a minha resposta perante a discordância de opinião. Mas a política e as paixões conduzem a manifestações muitas vezes carregadas de uma certa irracionalidade. Eu, quando desempenhei funções políticas, também estive, várias vezes, no campo da discordância. Em algumas situações o tempo deu-me razão. Em outras, mais tarde, pedi desculpa pelos equívocos e análises erradas. Neste caso, penso que o Dr. Francisco Assis não tem razão. Está a cometer um erro de análise. Simplesmente porque, no plano ideológico, o PS não é um partido de direita, mas um partido de esquerda que abrange, no pleno respeito pela sua "Carta de Princípios", uma grande parte do eleitorado do centro. Se as águas tinham de ser separadas, o Dr. António Costa fê-las, correctamente, reposicionando o PS na sua vertente moderada e em função do seu património histórico, onde se enquadra uma enorme e sensata preocupação pelas pessoas e pelas questões sociais. Aliás, interrogo-me: então, são ideológicos os acordos à esquerda e deixam de o ser os acordos à direita? Meu Caro Francisco Assis, tenha presente o que a coligação PSD/CDS fez ao povo português durante quatro anos. Para que serviu tanta austeridade, se ninguém sentiu qualquer melhoria em função do esforço pedido? E a crise, foi fabricada externamente, ou somos todos culpados pelo desastre que varreu tantos países na Europa? E as ziguezagueantes políticas europeias face às quais perdemos muito da nossa identidade de país quase milenar? Ficou a dever-se à esquerda ou à direita? 
Ilustração: Google Imagens. 

sábado, 29 de novembro de 2014

FEIO, MUITO FEIO! ÀS VEZES É MELHOR ESTAR CALADO


Há situações que me irritam. Talvez porque a palavra solidariedade muito me diga. Li o que o líder do PS-Madeira disse sobre o ex-Secretário-Geral do PS, Engº José Sócrates (DN-Madeira): "As pessoas conhecem-nos, já cortámos há muitos anos com o engenheiro José Sócrates (...)". Ora bem, eu vou considerar que se tratou de um deslize muito infeliz. Simplesmente porque há circunstâncias que obrigam, quer no plano da responsabilidade institucional, quer no das relações interpares, a uma grande contenção nas palavras. Aquela frase é chocante, até porque pode conduzir a uma outra leitura: se cortou com o antigo secretário-geral, também deve estar em corte com o actual, uma vez que não o apoiou nas primárias. E pode, ainda, conduzir a um segunda leitura, esta mais arrepiante: uma condenação pública sem julgamento.


Estou afastado das lides político-partidárias desde 2011. Apenas sou um militante de base, que tem convicções e com quotas em dia. Não gosto de dar tiros para dentro, o que me leva a conter muitas vezes. Mas há limites. Quando se apregoa a solidariedade para fora torna-se obrigatório assumir uma grande solidariedade dentro de portas. As pessoas ocupam, circunstancialmente, os lugares, mas há uma memória de respeito, mesmo quando somos confrontados com situações que nos deixam angustiados. Os líderes não são figuras descartáveis, ao jeito de "rei morto, rei posto"! 
Um líder tem de ter sempre presente que não pode agradar a todos e daí que, no caso em apreço, deva ter presente duas perguntas: quantos madeirenses, neste momento, já cortaram comigo? E mesmo no interior do partido, quantos já cortaram com a minha prestação política? O tempo é de serenidade e de respeito.
Feio, muito feio. Às vezes é melhor estar calado.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

ESTREBUCHAR


Não tem muitos anos e lembro-me que o PS-Madeira era pomo de conversa quase diária sobre quezílias internas. Por um motivo ou outro, alguns até de ridícula importância, tudo servia para daí resultar uma imagem pública muito pouco agradável. O PS funcionava como o centro da polémica, do conflito e da desinteligência sistemática que, por um lado, o PSD aproveitava para explorar as fraquezas, por outro, deixavam um rasto de pouca credibilidade política para governar. Quando não havia mais nada para dizer, alguns encontravam na Rua do Surdo, na antiga sede, a "mina" de notícias, sob a forma de "fontes", geradoras de descredibilização. Apesar disso, o PS-Madeira conseguiu resultados eleitorais entusiasmadores, em candidaturas municipais, europeias e legislativas regionais e nacionais. A fasquia dos 30% do eleitorado foi ultrapassada em vários momentos. Isto num tempo de grande fulgor do PSD, onde dinheiro era coisa que não faltava e onde as obras se multiplicavam por todo o lado. Hoje, a situação é exactamente ao contrário: não há dinheiro, as dívidas andam pregadas no tecto e, no plano interno, é o que se sabe: "resmas" de candidatos à liderança, ataques pessoais, "facadas nas costas", expulsões, dívidas por consumos de água e energia, ausência de afirmação política no plano nacional, escorraçados em sete das onze câmaras municipais, enfim, olha-se para aquilo e qualquer pessoa questiona: que credibilidade têm estas pessoas para governar?


Interessante como os tempos mudam. Hoje existe um PS-Madeira estável, sem conflitos internos, propositivo, com uma grande e segura prestação política na Assembleia, um partido aberto e voltado para a sociedade, ganhador de municípios e apoiando outros onde colocou primeiro os interesses da Madeira e só muito depois os interesses partidários, e a questão que eu coloco é esta: será que o povo já deu conta disso, da postura política serena e ao mesmo tempo acutilante em contraponto o que se passa no PSD-Madeira? Não sei. É evidente que, no plano político, há um tempo de assimilação que começa pela observação e só mais tarde pela confirmação. Os resultados do último acto eleitoral autárquico podem estar a funcionar como de observação. Talvez. Oxalá passe à fase da confirmação. Mas, mesmo aí, tenho acompanhado esta atitude de abertura à sociedade, de perante um contexto que implica grandes mudanças paradigmáticas, o partido não se fechar sobre si próprio, antes convidando todos para essa mudança em 2015. Considero essa atitude inteligente, porque para combater os interesses instalados, combater os pequenos e grandes poderes, necessário se torna que os partidos políticos deixem de lado os egoísmos partidários e se centrem naquilo que pode e deve ser comum a todos. A luta por essa unidade deve estar mais apostada naquilo que os une e não naquilo que constitui o posicionamento ideológico. A Região precisa de um novo paradigma, de novos actores políticos, precisa de gente sem manha e sem rabos de palha, precisa de homens e mulheres capazes de recuperarem a Autonomia perdida e, com bom senso, capazes de olhar, em primeiro lugar, para as pessoas. E as pessoas são muito mais que os militantes dos partidos. Vamos a isso.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 14 de janeiro de 2012

CONGRESSO DO PS-MADEIRA

 

CONGRESSO DO PS: TRÊS INTERVENÇÕES FANTÁSTICAS


A saúde, em todas as suas vertentes, a educação, da qual dependemos para um futuro melhor e a política de ambiente, aquela política central que não pode ser desligada do ordenamento do território (Thomas Dellinger teve o engenho de situar o problema no planeamento), repito, constituíram uma opção certa na construção de um novo poder político na Região. Há quem faça painéis, com uma avalancha de representantes do regime a repetir paleio que todos conhecem. Neste Congresso, em uma hora, três intervenientes diagnosticaram os problemas e apontaram caminhos.


Está em curso o XV Congresso do PS-Madeira. Esta manhã assisti à cerimónia de abertura dos trabalhos. Uma cerimónia que a organização entendeu dar um figurino diferente, convidando três personalidades da sociedade madeirense para abordarem outros tantos sectores de relevante importância: a saúde, o ambiente e a educação. Tratou-se de uma excelente opção que cativou toda a assembleia que assistiu, em silêncio, aos conteúdos técnicos e políticos, através de vozes que vem da sociedade. Todas as intervenções arrancaram aplausos, porque os convidados, respectivamente, Dr. João Bosco, Professor Doutor Thomas Dellinger e Dr. Paulo Cafôfo, de forma muito directa e sucinta, tocaram nos assuntos que verdadeiramente preocupam e porque souberam alinhar o rol de respostas que terão de ser dadas no plano político. Este momento, do meu ponto de vista, ficará a marcar o primeiro dia de trabalhos, simplesmente porque é por aí que o PS marcará a diferença na afirmação política e pública de uma necessária alternativa. Isto não quer dizer que um Congresso não deva servir para escutar a opinião dos militantes. Não é isso. Aliás, ao longo desta tarde, na esteira da apresentação das moções, os militantes terão direito a dizer o que lhes vai na alma. Mas, para além das questões meramente internas, dirimidas com fervor, porque também são de desabafo, aquela opção de audição sobre os sectores determinantes da nossa sociedade, afigurou-se-me como uma estratégia muito bem conseguida. A saúde, em todas as suas vertentes, a educação, da qual dependemos para um futuro melhor e a política de ambiente, aquela política central que não pode ser desligada do ordenamento do território (Thomas Dellinger teve o engenho de situar o problema no planeamento), repito, constituíram uma opção certa na construção de um novo poder político na Região. Há quem faça painéis, com uma avalancha de representantes do regime a repetir paleio que todos conhecem. Neste Congresso, em uma hora, três intervenientes diagnosticaram os problemas e apontaram caminhos.
O PS-M tem um novo líder, Victor Freitas. Faço votos para um mandato de sucesso. Esta abertura hoje demonstrada poderá ser o prenúncio de uma cada vez maior integração na sociedade. O caminho é duro, muito estreito, mas aliciante, até porque o PS-M é a única alternativa de poder na Região. Basta olhar para a normalidade dos resultados eleitorais desde 1976. Neste caso, político, eu diria que a excepção não subverte a regra histórica.
Uma palavra para o Dr. Jacinto Serrão. O mesmo que levou o PS-M a resultados fantásticos (três deputados na Assembleia da República, dezanove deputados na Assembleia Legislativa da Madeira, mais de 40% de votos em várias autarquias e um deputado europeu), face a várias situações da conjuntura nacional, não teve a sorte do seu lado. E, quando isso acontece, nada há a fazer. Aqui como lá, a mudança acabou por verificar-se. Porém, o seu posicionamento em matéria europeia, sobre as quais tem sido frontal (a sua Moção ao Congresso Nacional do PS foi esclarecedora), lança-o, certamente, para novos vôos políticos.
Neste Congresso que amanhã termina, rodeia-se de uma enorme expetativa a intervenção final do Secretário Geral, Dr. António José Seguro. É que a intervenção acontece em um momento de negociação do governo regional com o governo da república a propósito do acordo de ajustamento financeiro. Para além desta matéria de fulcral importância, é natural que o Secretário Geral aborde o actual quadro político nacional.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

IDEIAS QUÊ? CLARAS? PREFIRO AS GEMAS!


Que fique claro, convicções políticas à parte, que nutro pelo Deputado Lino Abreu a maior consideração e estima. Sou seu Amigo. Mas, manda a honestidade, (ele sabe que assim foi), que diga que pertenceu ao Deputado Carlos Pereira, a liderança das grandes análises, críticas, denúncias e propostas no campo da economia e das finanças regionais. Não estou a dizer que o CDS/PP não foi participativo ou que teve uma postura sombria. Não é isso. O que quero transmitir, à luz dos factos, é que quando falam de "Ideias Claras" eu diria que se tratam, na generalidade, de "Ideias Repetidas".

Não só algumas ideias boas não são originais, como algumas originais não são boas. Posso então concluir que, por mais que alguns se esforcem, algumas ideias não são nem boas nem originais. Li isto algures e há muito tempo. E tem-me servido de reflexão quando proponho alguma coisa. É sempre bom não ter a memória curta, ter cuidado com as posições que outros já assumiram (coloca-se aqui a questão do plágio), o que implica, por exemplo, no plano político, não andar a reboque daquilo que outros já adiantaram. E vem isto a propósito de algumas posições (propostas) do CDS/PP que, embora boas, não são originais. Esta legislatura está agora a começar e, portanto, parece-me lógico que se olhe, para não ir mais longe, no mínimo, para a última legislatura. E aí, basta vasculhar o Diário das Sessões, tudo, mas tudo, quanto foi dito nos vários sectores da governação e, particularmente, no campo da economia e das finanças. No Diário das Sessões e nas Comissões Especializadas. Que fique claro, convicções políticas à parte, que nutro pelo Deputado Lino Abreu (o que esteve mais envolvido nestas questões) a maior consideração e estima. Sou seu Amigo. Mas, manda a honestidade (ele sabe que assim foi), que pertenceu ao Deputado Carlos Pereira, a liderança das grandes análises, críticas, denúncias e propostas no campo da economia e das finanças regionais. Não estou a dizer que o CDS/PP não foi participativo ou que teve uma postura sombria ou cúmplice do governo. Não é isso. O que quero transmitir, à luz dos factos, é que quando falam de "Ideias Claras" eu diria que se tratam, na generalidade, de "Ideias Repetidas". Não há mal nenhum em repeti-las, mas já tenho dificuldade em aceitar que não se sublinhe a origem. Eu sei que, na política, existe esse estranho hábito de fazer do exercício político uma "passerelle", no quadro de um pensamento que se baseia no princípio que a última imagem é que fica, isto é, tudo o que está para trás não conta. Eu sei disso. Eu nunca repeti as ideias dos outros e quando o fiz ou faço, coloco a fonte, o livro e a página. É assim que deveria ser o procedimento normal, inclusive, no debate político.
Ora, dou comigo a ler coisas que já li, propostas que discuti em grupo e que assinei, porém, lançadas por outros nos meios de comunicação social como se fossem originais. Não gosto deste procedimento, pelo que, se me é permitido um pouco de humor, prefiro as gemas às claras.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 5 de novembro de 2011

O QUE É ISSO DE UMA "CANDIDATURA SOLITÁRIA"?


Não estou a ver um cidadão candidatar-se, por exemplo, a uma banda de música, sem currículo, sem formação e que confunda, qual metáfora, um violino com um clarinete. Pior ainda se quiser pegar na batuta e almejar reger a orquestra. Não chega lá, obviamente. Ora, no caso da política o mesmo se passa, com uma variável ainda mais importante e complexa: é que um partido justifica-se para ser poder, para implementar uma política a partir da qual um povo inteiro possa dela beneficiar no que concerne ao seu bem-estar económico, financeiro, social e cultural.


Os partidos políticos, nem todos, é certo, têm destas coisas: qualquer militante é um putativo candidato à presidência. O princípio é esse, o que não significa que qualquer um não deva fazer um esforço, mesmo que mínimo, para perceber que um partido político não é propriamente uma associação desportiva de bairro, um grupo folclórico ou uma banda de música. Mas mesmo aí deverá fazer um esforço para que os associados acreditem que está habilitado com o conhecimento necessário ao desempenho da função. Não estou a ver um cidadão candidatar-se, por exemplo, a uma banda de música, sem currículo, sem formação e que confunda, qual metáfora, um violino com um clarinete. Pior ainda se quiser pegar na batuta e almejar reger a orquestra. Não chega lá, obviamente. Ora, no caso da política o mesmo se passa, com uma variável ainda mais importante e complexa: é que um partido justifica-se para ser poder, para implementar uma política a partir da qual um povo inteiro possa dela beneficiar no que concerne ao seu bem-estar económico, financeiro, social e cultural. E esse pressuposto não pode nem deve ser ignorado. Das duas, uma: ou uma pessoa, neste caso militante, reúne as condições políticas e todas as outras credibilidades para candidatar-se à "batuta" ou, então, não o deve fazer sob pena de ser considerada ridícula e desprestigiante. Quando se me apresenta, por exemplo, uma "candidatura solitária", obviamente que me interrogo: o que está por detrás disso? Qual o seu interesse e motivações? Solitária porquê? Se é solitária revestir-se-á de algum interesse nas quatro vertentes essenciais, isto é, nos planos político, económico, social e cultural? 
Não há candidaturas solitárias, ou não deveriam existir. Uma candidatura deverá, em todas as circunstâncias, encerrar um projecto para o exterior e não para o interior. É assim em qualquer instituição séria e credível. Aliás, os tempos que atravessamos não se prestam a brincadeiras. O momento é muito sério e necessita de uma oferta ao povo de grande qualidade e de irrepreensível responsabilidade. Estamos a passar por uma fase difícil, de pobreza, de desemprego, de uma economia de rastos, com os empresários aflitos, com uma monstruosa dívida pública e, portanto, sendo o momento extremamente delicado, obviamente que exige respostas adequadas que só alguns estão em condições de oferecer. "Elementar meu caro Watson"!
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

EM DEFESA DA VERDADE CONTRA A COMUNICAÇÃO SEM FUNDAMENTO


O PS tinha um programa de Governo (não uma lista de obras), apresentou uma equipa de governo, fez um esforço de quase meio milhão de documentos distribuídos e perdeu estrondosamente. Então, o que está por detrás da derrota? Pois, o tal senhor dos disparates, esquece-se dos 20.000 exemplares do JM distribuídos de borla, esquece-se das permanentes festas, do pêro à agro-pecuária, todas com palco pago com dinheiro público, esquece-se que o candidato do PSD não debate com ninguém os problemas e as propostas de solução, esquece-se da máquina que distribui cimento, areia, blocos, tinta e cabazes de géneros alimentícios, esquece-se da teia das casa do povo, juntas de freguesia e câmaras, esquece-se do estádio cultural em que nos encontramos, esquece-se da subsidiodependência, esquece-se da cumplicidade de uma parte da Igreja, cúmplice pelo seu silêncio, esquece-se de tudo e pimba fala de grupos económicos, de pessoas e da péssima estratégia.

Discutam os dois governos apresentados, ao nível da formação,
da capacidade e à luz do organograma para fazer face à crise.
Há para aí um sujeito que, semanalmente, deixa sair boca fora disparates em catadupa. Mente de forma descarada, inventa e afirma com um ar tão convincente que é muito capaz de conduzir as pessoas para uma realidade que só existe em tão "fenomenal" cabecinha.
A propósito das últimas eleições legislativas regionais, oiço que o grupo Blandy, um outro grupo hoteleiro e uma série de indivíduos, naturalmente, testas de ferro de tais grupos, tomaram de assalto o PS e impuseram uma candidatura. Na primeira vez que escutei semelhante disparate sorri e exclamei: ao ponto que este indivíduo chegou! Na segunda vez, confesso, achei demais. E antes que chegue à terceira, em defesa do PS e porque estive envolvido, entendo que devo escrever e esclarecer sobretudo tão imaginária cabecinha. Vamos por partes.
1. Grupos Económicos. É falso que o grupo económico Blandy se tivesse envolvido na candidatura do Dr. Maximiano Martins. A relação com o sector da comunicação social foi estritamente comercial. Aliás, e muito bem, o Dr. Jacinto Serrão, não sei precisar a data, mas logo no início do seu mandato, assumiu com o DN/TSF um determinado valor para realizar publicidade. Chegou a fazer um caderno que foi divulgado após o congresso. Aproveitando a verba que tinha sido contratualizada, o PS disponibilizou à candidatura a possibilidade de promoção do candidato e das propostas para um novo ciclo político. Foi assim que sairam várias páginas de publicidade, devidamente identificadas como tal e, na TSF, foi possível realizar idêntica promoção até à data da marcação das eleições por parte do Senhor Presidente da República. E se esta foi a relação comercial com o grupo Blandy, a participação do grupo hoteleiro, malevolamente envolvido, foi zero. Nunca houve qualquer reunião nem qualquer benesse directa ou indirecta. O PS utilizou instalações (salas) que pagou como qualquer outro cliente. O próprio Dr. Bernardo Trindade, num primeiro momento, manifestou o seu desejo de não participar na equipa de governo. Tinha saído do governo da República e considerava necessário um tempo de afastamento da política. Portanto, quanto aos grupos económicos estamos esclarecidos.
2. Candidatura do Dr. Maximiano Martins. Talvez tivesse sido melhor começar por aí, mas pouco interessa a ordem da abordagem. Os resultados, por razões várias, em alguns actos eleitorais anteriores, infelizmente, não foram os melhores para o PS. Tinha havido um esforço muito sério e empenhado por parte da direcção, mas a verdade é que as percentagens na ordem dos 13-15% geraram um certo desconforto interno. Houve quem considerasse que o projecto saído do último congresso deveria ser conduzido até às eleições regionais e houve quem se posicionasse no quadro de uma nova candidatura. Essa dúvida persistiu durante semanas até que, num determinado sábado, o Dr. Emanuel Jardim Fernandes (Presidente Honorário), o Dr. Jacinto Serrão (Presidente do PS), o Deputado Victor Freitas (candidato que tinha perdido no último congresso por escassa margem de votos) e eu próprio (líder do grupo parlamentar), reunimos e, serenamente, passámos a pente fino a situação. Foi esse encontro que determinou que o Dr. Jacinto Serrão, quanto a mim, numa atitude absolutamente lúcida, decidiu escolher o Dr. Maximiano Martins como candidato. Presumo que nessa tarde de sábado o Dr. Jacinto Serrão terá equacionado todos os aspectos, todos os prós e contras, uma vez que nada, repito, nada tinha ficado definido nesse tal encontro e decidiu convidar o Dr. Maximiano Martins. Tomei conhecimento da sua decisão pela edição do DN do dia seguinte (domingo) com alguma surpresa, sobretudo pela rapidez da sua decisão. Como se deduz não houve qualquer assalto ao poder, não existiu qualquer pressão, apenas os dados contextuais e conjunturais conduziram à decisão do Dr. Jacinto Serrão. Não existe aqui qualquer candidato "imposto e auto-proposto" como por aí tenho lido. Finalmente, para que fique claro, a lista de candidatos à ALRAM foi, obviamente, da total responsabilidade do Dr. Jacinto Serrão (outra situação não seria admissível), enquanto que a formação do governo foi da responsabilidade exclusiva do Dr. Maximiano Martins.
Processo Eleitoral. Após a pública aceitação do Dr. Maximiano Martins, por relações de amizade pessoal de muitos anos, pediu de imediato a minha colaboração e a do Dr. Carlos Pereira. A partir daí a história é conhecida: foi nomeada pela direcção do PS uma Comissão Técnica Eleitoral e todo o trabalho foi desenvolvido através de uma estratégia que assentou nos seguintes pressupostos: rápida promoção da imagem do candidato (páginas de publicidade no DN/TSF mais um outdoor); outdoors caracterizando a situação regional, falando a verdade (A Madeira Faliu), logo seguido de um outro gerador de esperança (Um Novo Governo, Uma Esperança); três edições de um Jornal de Campanha (cada um com 75.000 exemplares), o primeiro, totalmente caracterizador da situação e com as propostas mais relevantes para todos os sectores; o segundo, que divulgou o organograma de um governo PS e situou outros aspectos propositivos no quadro da actualidade política; finalmente, um terceiro, onde foi dado conhecimento dos rostos e dos currículos do governo proposto pelo PS. Pelo meio desta estratégia, muito curta no tempo, quase diariamente, alimentámos conferências de imprensa, comunicados e exclusivos. Simultaneamente, uma vasta e generosa equipa percorreu ruas e veredas, por todos os concelhos, deixando a mensagem da candidatura, através da distribuição de jornais, manifesto eleitoral e alguns brindes de campanha.
Por outro lado, é falso que alguma vez tivesse existido qualquer atitude de "esconder" o Dr. Jacinto Serrão. Ele foi um dos mais activos nos contactos exteriores. O que ele fez e quanto a mim bem foi permitir que o Dr. Maximiano Martins surgisse como rosto, como primeiro candidato, evitando-se assim, a possibilidade de uma interpretação de candidatura bicéfala.
Não foram realizados comícios, é verdade. O tempo, sendo de dificuldades, conduziu a essa decisão. Por outro lado, com recursos financeiros muito escassos, a estratégia de campanha teria de assentar na informação ao povo e não no espectáculo e na generalização dos mega jantares à borla. Considero ter sido uma boa decisão. O PS tinha um programa de Governo (não uma lista de obras), apresentou uma equipa de governo, fez um esforço de quase meio milhão de documentos distribuídos, mas a verdade é que perdeu estrondosamente. Então, perguntar-se-á, o que está por detrás da derrota? Pois, o tal senhor dos disparates, esquece-se dos 20.000 exemplares do JM distribuídos de borla, esquece-se das permanentes festas, do pêro à agro-pecuária, todas com palco pago com dinheiros públicos, esquece-se que o candidato do PSD não debateu com ninguém os problemas e as propostas de solução, esquece-se da máquina que distribui cimento, areia, blocos, tinta e cabazes de géneros alimentícios, esquece-se da teia das casa do povo, juntas de freguesia e câmaras, esquece-se do estádio cultural em que nos encontramos, esquece-se da subsidiodependência, esquece-se da cumplicidade de uma parte da Igreja, cúmplice pelo seu silêncio, esquece-se de tudo e pimba fala de grupos económicos, de pessoas e da péssima estratégia. O que ele faria melhor, não diz, certamente porque não sabe. Haja paciência.
Obviamente, tenho consciência que nem tudo decorreu bem. Houve falhas, pois houve, mas daí deduzir-se que o resultado espelha a desorganização, que o Dr. Maximiano não deveria ser o candidato, enfim, são tudo histórias sem qualquer consistência. Olhemos para o que aconteceu à CDU e ao Bloco de Esquerda ou para a entrada do PAN na Assembleia! Daí que, assuma, o PS fez o melhor, se não resultou temos de olhar para todas as variáveis que não as exclusivamente internas. Por tudo isto, custa escutar os tais disparates ampliados através de um microfone. Basta de agredir o PS e as pessoas que lutam por uma alternativa credível na Região. Voltem-se para a vergonha que é este governo proposta pelo PSD. É esse governo que terá a responsabilidade de tirar os madeirenses do pântano onde os colocou. Os mesmos que lá nos colocaram são os mesmos que nos empurrarão para o fundo.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

PELA BOCA MORRE O PEIXE


E é aí que o articulista deixa cair a máscara quando assume (repare bem o leitor): "(...) Publicitar uma frase do Ministro Gaspar (A situação da Madeira é insustentável) sobre a dívida da Madeira, teve um efeito perverso. A esmagadora maioria do povo que vota, não vê televisão, não ouve rádio, muito menos lê jornais (...). Pergunto, então, se o problema foi da ausência de estratégia do PS ou devido à ignorância do povo? E se a ignorância existe, como assumiu o articulista, a quem se deve este estádio de educação e de cultura depois de trinta e tal anos de governo ininterrupto?


Li, no Jornal da Madeira, de um articulista de serviço, a propósito dos recentes resultados eleitorais: "(...) O caso do Partido Socialista é catastrófico, anormal, com laivos de indigência política. Foi um descalabro de estratégia, incoerente, ilógica, sem qualidade política no conteúdo das propostas, nem das mensagens. Para além de dar a ideia de que o Partido foi tomado de assalto por um determinado grupo, sem respeito pelos dirigentes actuais, legitimamente eleitos, mas forçados a ceder o seu lugar e o seu papel moderador e mobilizador a estranhos, ainda houve o desplante de avançar com slogans simplesmente deploráveis. Publicitar uma frase do Ministro Gaspar sobre a dívida da Madeira, teve um efeito perverso. A esmagadora maioria do povo que vota, não vê televisão, não ouve rádio, muito menos lê jornais (...)".
Bom, eu já não falo dessa repetitiva tecla que tudo foi mau ao nível da estratégia, da qualidade política e do assalto externo ao partido. Trata-se, apenas, de conversa de treta, em que um lançou a atoarda e uma série de desmiolados foram atrás. Aliás, não posso esperar de um PSD uma análise que não seja a de dar pancada no seu directo adversário político, bem como não posso esperar que o Jornal da Madeira faça uma análise distante e fundamentada. O Jornal existe para, de forma contrária aos apregoados valores "cristãos", fazer da mentira a verdade conveniente do regime. E todos pagamos um "imposto" para que assim seja! Por "fidelidade ao Evangelho" como se extrai do seu Estatuto Editorial, o Jornal custou, nos últimos dezoito anos, 48 milhões de euros ao erário público e, ainda assim, tem uma passivo acumulado superior a 30 milhões de euros. Todos pagamos este "imposto" como pagamos o silêncio da Diocese pelos milhões aplicados em novos templos. Ainda há dias, foram 2,8 milhões! Portanto, aquele naco de prosa que transcrevi insere-se nessa lógica perversa, onde não interessam as análises, mas fazer a cabeça do cidadão desprevenido. E é aí que o articulista deixa cair a máscara quando assume (repare bem o leitor):  "(...) publicitar uma frase do Ministro Gaspar (A situação da Madeira é insustentável) sobre a dívida da Madeira, teve um efeito perverso. A esmagadora maioria do povo que vota, não vê televisão, não ouve rádio, muito menos lê jornais (...). Pergunto, então, se o problema foi a ausência de estratégia do PS ou devido à ignorância do povo? E se a ignorância existe, como assumiu o articulista, a quem se deve este estádio de educação e de cultura depois de trinta e tal anos de governo ininterrupto? Terão sido os partidos da oposição os culpados e, particularmente, o Partido Socialista? Mais, ainda, ao articulista, Senhor Gilberto Teixeira, não lhe corre um pingo de tristeza por constatar ser miserável um partido ganhar sucessivas eleições por um voto maioritariamente pouco esclarecido?
Ora bem, eu respeito todas, mas todas as convicções partidárias e os seus espaços ideológicos. Tenho e mantenho excelentes relações de amizade com figuras de todos os partidos políticos. Inclusive, com o Senhor Gilberto Teixeira, com quem trabalhei, nos anos 60, no antigo e estimulante Jornal da Madeira, orientado, entre outros, pelo Sociólogo Paquete de Oliveira. Respeito-os a todos, outra coisa é sentir que uma grande parte dos votos que entram nas urnas têm a marca de um povo que "(...) não vê televisão, não ouve rádio, muito menos lê jornais (...)". No meio de tudo isto e do que esta afirmação reflecte no plano das opções de governo, fica-me a pena de assim ser, mas o regozijo de ter sido um PSD a assumir a realidade. "Pela boca morre o peixe", não é verdade?
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 10 de abril de 2011

CONGRESSO DO PS (II)


(...) Esquecem-se que o Mundo está a passar por uma grave crise que a todos atinge, esquecem-se que nenhuma instituição credível internacional foi capaz de a prever, entram em estado de completa amnésia e toca a colocar o acento tónico das críticas em uma só figura: Sócrates, o culpado de todos os males. E pergunto, onde estavam esses comentadores, os economistas, os grandes empresários, os banqueiros, os políticos que passam uma esponja sobre todo o processo, onde estão registadas as suas posições devidamente fundamentadas, muito para além da mera crítica política?



O Congresso do PS já estava marcado muito antes da crise política. Eu penso que veio em boa altura, a menos de dois meses de um importante acto eleitoral, pois permitiu clarificar muita coisa. Não constituiu, apenas, um momento de exaltação e de afirmação do colectivo partidário, mas sobretudo, um momento para trocar por miúdos as razões que levaram à crise política. Já aqui desenvolvi o meu posicionamento sobre esta matéria, o qual não se filia na maioria dos comentadores que oiço, que não só não observam com rigor toda a história deste processo, como influenciam o eleitorado que não é portador de todos os dados contextuais.
Mas, atenção, faço aqui, desde logo, um ponto prévio: sou dos que entendem que para a democracia funcionar em pleno e em defesa dos cidadãos, a manutenção de um partido no poder por mais de oito anos consecutivos não me parece saudável. As curas de oposição são fundamentais, pois é aí que se encontra a inovação, a criatividade, os novos desenhos que reflectem posicionamentos estratégicos portadores de futuro. As longas permanências no poder não são de todo benéficas. Neste momento, não está aqui em causa, o meu ponto de vista, a defesa das minhas convicções partidárias, mas muito mais do que isso. E regresso ao que interessa. Observo comentários enviesados, que não vão a montante, não regressam às causas, não contextualizam, comentários que, facilmente, se esquecem do que foi realizado em muitos sectores, áreas e domínios da governação, facilmente se esquecem das reformas sistémicas que foram operacionalizadas, esquecem-se que o Mundo está a passar por uma grave crise que a todos atinge, esquecem-se que nenhuma instituição credível internacional foi capaz de a prever, entram em estado de completa amnésia e toca a colocar o acento tónico das críticas em uma só figura: Sócrates, o culpado de todos os males. E pergunto, onde estavam esses comentadores, os economistas, os grandes empresários, os banqueiros, os políticos que passam uma esponja sobre todo o processo, onde estão registadas as suas posições devidamente fundamentadas e que devem se situar muito para além da mera crítica política? Onde estavam para equacionar o dilema entre um PEC 4 e um FMI guloso e contrário aos princípios que nortearam a sua criação entre 22 de Julho de 1944 e 27 de Dezembro de 1945, para promover a cooperação monetária internacional e o crescimento equilibrado do comércio internacional? Onde estavam? Não os ouvi a comentar a necessidade de um esforço colectivo nacional para combater os interesses obscuros de uma Europa onde 24 dos 27 países são da direita política e o que isso significa neste contexto, no contexto da política de finanças! Mas, enfim, esse é assunto que lá vai. O problema, agora, é a crise política que temos pela frente e que só se resolve com eleições.
Bem disse o Engº José Sócrates a abrir o Congresso que nestes seis anos de governo já conheceu cinco líderes do PSD e que “isto não vai ficar por aqui”. Acredito. E acredito porque o que verdadeiramente está em causa parece ser, para o PSD, o assalto ao “pote”, como se o exercício da política pudesse ter o significado que aquela palavra arrasta consigo. Quando o que está em causa, e esse é um grande desafio que todo o Portugal tem pela frente, é o que diz respeito às suas contas públicas e um regresso, tão cedo quanto possível, a uma situação de normalidade para todos os cidadãos no quadro do seu bem-estar.O que este Congresso veio dizer a Portugal foi, exactamente, essa denúncia sobre os porquês da crise política. E veio dizer mais, que este não é o momento para “brincadeiras” e jogos de poder, mas de concertação de esforços e de entrega a quem conhece os dossiers e a quem tem melhores relacionamentos na Europa, a responsabilidade de governar. A inexperiência pode-nos ser fatal, porque cada hora pode significar uma eternidade! Este momento é bem diferente de uma situação considerada normal, onde o testemunho do poder é passado sem turbulência. Este é um momento que não admite "estados de graça", é extraordinariamente complexo e isso o eleitorado deverá ter em conta. Ora bem, dir-me-ão, se neste percurso de seis anos, entre o muito que de positivo foi concretizado, muitos aspectos merecem reflexão e até alguma condenação, obviamente que estou de acordo. Eu próprio, neste Congresso, por variadíssimas razões de política nacional e internacional, perante um texto extremamente bem escrito e acutilante, apoiei uma Moção cujo primeiro subscritor foi o Presidente do PS-Madeira. E essa Moção tornou-se importante neste Congresso, porque ali foram equacionados aspectos fulcrais que uma grande parte evita falar. Tão importante, que a Moção foi muito aplaudida e garantiu, em votação dos delegados ao Congresso, o triplo do número de lugares na Comissão Nacional (5 pela Lista A de José Sócrates e 13 pela Lista B de Jacinto Serrão, o que significa que muitos, de Norte a Sul, votaram na lista encabeçada pelo Dr. Jacinto Serrão), órgão mais importante entre congressos. Mas uma coisa é o momento da divergência de opinião, da luta ideológica ou do pensamento estratégico acerca do futuro, outra é a convergência que tem de existir a partir do momento que o Congresso encerrou as suas portas. Agora, é Portugal que está em causa. Agora, é o nosso País que deve constituir o desígnio de todos.
No dia 06 de Junho estará em causa exactamente isso: ou o Povo entrega o País aos que vêem nele um grande “pote” ou entregam-no à experiência, reforçando, concomitantemente, a esquerda política no sentido de combater uma Europa onde, repito, vinte e quatro dos vinte e sete países são liderados por partidos ou coligações de direita. Se olharmos para a História de todo este processo, de toda esta crise, pergunto, quem esteve na sua origem? A esquerda certamente que não foi.
Ilustração: Arquivo próprio.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

XVII CONGRESSO NACIONAL DO PS (I)


"Eu não tenho medo das eleições, nem do julgamento democrático dos portugueses. Eu confio no julgamento dos portugueses. E lutarei, com alegria, pela vitória. Se alguém é capaz de prejudicar o seu País apenas para satisfazer os seus interesses partidários, é porque não está à altura das responsabilidades de liderar o governo de Portugal" - José Sócrates.

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quinta-feira, 24 de março de 2011

RECENTRAR O IDEAL EUROPEU


Sou apoiante da Moção do Dr. Jacinto Serrão por dois motivos: primeiro, porque essa Moção traz no seu bojo uma preocupação pelo rumo europeu; segundo, porque as relações entre o PS na República e o PS na Madeira têm de tomar um rumo completamente diferente. Está em causa a criação de condições para uma estratégia de poder na Madeira. E se há um lugar onde esses assuntos devem ser discutidos, esse é o do Congresso.


Estamos a entrar num período de grandes incertezas que atravessam, transversalmente, toda a sociedade. Se estavamos numa situação de "instável estabilidade", agora, com um governo de gestão, as preocupações obviamente que se multiplicaram, na sequência daquilo que considero ter sido uma grande irresponsabilidade política de todos os partidos da oposição na Assembleia da República.
Se, de facto, tivesse a percepção da existência de uma alternativa consistente, propositiva ao ponto de acreditar que só teríamos a ganhar com isso, evitaria qualquer comentário. Esperava para ver. O que acontece, porém, é que não há alternativa ao governo socialista face à complexidade do problema europeu. As sucessivas declarações do Dr. Pedro Passos Coelho dão a perceber que ele nem sabe o que dizer aos portugueses. Li, numa revista, julgo que na Visão, as linhas orientadoras do programa de governo do PSD. Fiquei horrorizado, desde o cheque-ensino à muito polémica questão dos políticos serem melhor remunerados. Eu diria que está lá tudo o que a direita gosta. Mas regresso à Europa. A essa Europa que se meteu por ínvios caminhos políticos que, aliás, tem constituído preocupação minha neste espaço de reflexão.
É precisamente esse caminho que exigiria ontem e exige, neste momento, no plano interno, prudência nas atitudes, ao mesmo tempo que vale a pena o esforço de remar contra essa Europa dominada por uma geração de políticos que, pessoalmente, me irritam. Paulatinamente, construiram o monstro, geraram esta monumental e sufocante teia de grandes interesses, andam agora aos papéis, mas, simultaneamente, não têm coragem de apresentar sinais de retomar um caminho de prosperidade e bem-estar para todos. Pelo contrário, aos erros políticos acrescentam mais erros; aos dramas sociais acrescentam mais dramas; ao caos económico-financeiro acrescentam mais caos. Enquanto isso crescem as fortunas, algumas certamente mal explicadas.
É sensível esta postura oriunda dos directórios europeus. Blá... blá e mais blá, blá, todos os dias pela comunicação social, sempre em prejuizo dos mais frágeis da sociedade. E não vejo quem agarre a ponta à meada visando a correcção da agulha do crescimento e do desenvolvimento. E é neste quadro esquizofrénico que Portugal se movimenta e tenta sobreviver. Sendo este, portanto, um momento extremamente delicado, outra responsabilidade política nacional teria sido ontem necessária.
Esta Europa não me convence. Nunca me convenceu apesar do meu profundo sentimento europeísta. Os meus princípios e valores sociais não se coadunam com esta Europa de muito jogo para além do cenário. Razão tem, pois, o Dr. Jacinto Serrão quando, na sua Moção de Estratégia Global, apresenta um conjunto de aspectos que tentam recentrar os problemas, que não são apenas portugueses, mas da Humanidade.
E a este propósito, amanhã, durante todo o dia, decorrerão votações para a eleição de delegados ao Congresso do PS. Sou apoiante da Moção do Dr. Jacinto Serrão por dois motivos: primeiro, porque essa Moção traz no seu bojo essa preocupação pelo rumo europeu; segundo, porque as relações entre o PS na República e o PS na Madeira têm de tomar um rumo completamente diferente. Está em causa, também, a criação de condições para uma estratégia de poder na Madeira. E se há um lugar onde esses assuntos devem ser discutidos, esse é o do Congresso. Não estão em causa divisões entre pessoas, mas gerar pensamento político sobre as condutas. Não está em causa o Engº José Sócrates, mas a concertação de estratégias ganhadoras. Engolir em seco nunca fez o meu jeito, por isso, mesmo sabendo que o momento político é delicado, estou convicto que este debate entre quatro candidaturas só ajudará o PS e, naturalmente o País. Se daí resultar um contributo, mesmo que muito pequeno, para recentrar as preocupações europeias (pelo menos no debate), já dou por bem empregue o esforço.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

OU SIM OU SOPAS...


Na altura já tínhamos quase vinte anos de jardinismo e esse facto implicava a definição de uma estratégia de poder devidamente concertada. Lutámos por isso, mas as contingências políticas impediram sempre que essa estratégia fosse assumida quer os socialistas estivessem no poder ou na oposição. Dir-se-á que senti sempre que o PS nacional preferia que "merecessemos para ter" ao invés de "semear para recolher".


Há uma história de luta contra certos procedimentos. Lembro-me, em 1996, por aí, em nome da direcção do Dr. Mota Torres, assinado por todo o Secretariado, ter escrito uma carta ao Engº António Guterres. Já lá vão 15 anos. Nessa carta equacionámos as relações entre o PS Nacional e a Federação do PS na Região Autónoma. Um longo dossier de preocupações devidamente sistematizadas. Já nessa altura e até muitos anos antes, todos sentíamos um certo desconforto nas relações institucionais. Dessa exaustiva carta resultou um encontro com o Dr. Jorge Coelho (na Madeira), um outro com o Dr. António José Seguro (na sede Nacional) e, mais tarde, o Engº José Sócrates acabou por ficar com a responsabilidade da articulação entre o Secretariado Nacional e a Direcção do PS na Madeira. Lembro-me, inclusive, de uma reunião que tivemos na velha sede na Rua do Surdo, ao longo de uma manhã de Sábado, com José Sócrates. Isto para dizer que, por aqui, nunca houve um sentimento de se vergar a uma posição nacional. Dir-se-á que fomos engolindo e calando. Sentíamos que uma coisa era seguir princípios ideológicos, outra a condução política regional. E sublinho que sempre esteve presente uma rejeição a qualquer paternalismo, até porque nos competia resolver os problemas locais, todavia, não aceitávamos que complicassem a nossa actuação política. 
Na altura, já tínhamos quase vinte anos de jardinismo e esse facto implicava a definição de uma estratégia de poder devidamente concertada. Lutámos por esse desiderato, mas as contingências políticas impediram sempre que essa estratégia fosse assumida quer os socialistas estivessem no poder ou na oposição. Dir-se-á que senti sempre que o PS nacional preferia que "merecessemos para ter" ao invés de "semear para recolher". E mais, alimentei o sentimento que para o PS-Nacional, a Madeira era um caso perdido. Daí a onda de ministros a tecerem loas ao governo da Região que culminou com o disparate político do Dr. Jaime Gama no Congresso Nacional das Juntas de Freguesia. Todos se lembrarão que de “Bokassa da Madeira”, Jaime Gama promoveu o Dr. Jardim a “notável (…), responsável por uma “conquista extraordinária” e por “um feito ímpar” na Região".
É evidente que não podem ser assacadas todas as culpas ao PS Nacional. Nós tivemos as nossas fragilidades e não foram poucas. Alguma turbulência interna, consequência dos inêxitos eleitorais. Mas a verdade é que o saco foi enchendo e, hoje, já não há saco que aguente a ausência de articulação, daí tornar-se para mim muito clara a necessidade de uma ruptura, pois uma coisa é a matriz ideológica que une os socialistas, outra é o caminho que, na Madeira, o partido deve seguir em função dos contextos políticos locais. E o partido, neste aspecto, nunca percebeu, ou se percebeu alheou-se, que esta não é uma Federação qualquer, igual à do distrito de Lisboa, Santarém ou Porto. Bastará que se "pese" a produção de trabalho político diário entre esta e qualquer outra Federação. Ademais, é uma Federação sediada numa Região Autónoma, com um governo ininterrupto do mesmo partido, com uma monumental teia de interesses, onde o medo se instalou, onde existe uma governamentalização de todas as instituições, onde a sociedade civil foi capturada e onde tentam condicionar a comunicação social. Ora, isto implicaria, necessariamente, uma estratégia partidária concertada que passaria, inevitavelmente, por múltiplas variáveis. Estou a falar de relações partidárias, diferenciando, por isso, as relações dessa natureza com as relações institucionais que se colocam governo a governo. Mas não sejamos anjinhos neste processo! Há ministros e secretários de Estado que se esquecem que são militantes do PS e se o são devem-no ao PS.
Daí que entenda este "grito" que o Dr. Jacinto Serrão pretende dar com a apresentação de uma Moção de Estratégia Global no próximo Congresso Nacional. Tem riscos, obviamente que sim. Mas são riscos calculados e menores. A História faz-se também de rupturas com o passado. Não está em causa, pelo menos defendo isso, afrontar a liderança do actual Secretário-Geral Engº José Sócrrates, mas no espaço próprio dizer o que vai na alma dos socialistas da Madeira o que, pelas vias normais, durante anos nunca foi entendido. Talvez, assim, acordem e o quadro mude.
Desta Moção, ou melhor, desta atitude de frontalidade política, penso que tem de ficar claro, junto de todos os madeirenses e porto-santenses que o PS, na Madeira, tem uma estratégia política própria para a Região. Demarca-se do PS Nacional, no quadro da sua autonomia partidária, não se confunde com as orientações tendencialmente neo-liberais, tem, convictamente, uma posição de centro-esquerda que não se confunde com o centro-direita. E mais do que isso, tem uma concepção alargada e séria da AUTONOMIA político-administrativa da Região, mas de raíz não conflitual. Penso que tudo isto terá de ficar muito claro. A bola, portanto, está do lado de José Sócrates. Ou manda para fora ou aproveita a oportunidade para conjugar esforços no sentido da actividade socialista na Madeira ganhar rumo.
O Dr. Jacinto Serrão tem em mãos uma tarefa muito difícil até pelos laços de amizade que tem nos diversos órgãos nacionais do PS. Mas também é verdade que é ali, no Congresso, que o Partido deve resolver os seus problemas internos. A Democracia interna dispensa "missas", antes faz apelo à frontalidade e à correcção das orientações.
Ilustração: Google Imagens.