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sábado, 12 de julho de 2014

A MENTIRA DO DIA


25% dos alunos estiveram activos, refere o DIÁRIO, na sequência de uma entrevista ao Prof. Elmano Santos, responsável pelo Desporto Escolar na Região. É a mentira do dia, ou melhor, uma declaração que corresponde a "gato escondido com o rabo de fora". Oxalá, ficaria eu muito satisfeito, que o desporto escolar, de uma forma regular, repito REGULAR, conseguisse mobilizar 25% dos alunos da Região. Só que isso não é bem assim. Aliás, nos tempos de algum financiamento, distantes da crise e da claríssima falta de dinheiro para sustentar as actividades, feitas as contas da participação, o desporto escolar mobilizava, de forma regular, três a quatro mil estudantes (8 a 9%), com um pico (natural) na designada "festa do desporto escolar", face às características da mesma. Hoje, com menos apoios, vem o responsável assumir que "fizemos mais e melhor com menos recursos". É a mentira do dia que, por outro lado, evidencia uma total deselegância e ausência de respeito por aqueles que, no Desporto Escolar, durante, julgo eu, mais de vinte anos, lutaram e não conseguiram subir os valores da estatística da participação regular dos estudantes. Com todas as dificuldades, sinceramente, o Prof. António Jorge Andrade não merecia que um colega, indirectamente, dissesse que em apenas um ano e pouco fez mais do que o seu antecessor durante vinte e tal anos! 


Sou, desde há muito, um crítico relativamente a dois aspectos essenciais: primeiro, à incapacidade de mudança da Educação Física Escolar para uma disciplina designada por "Educação Desportiva Escolar", facto que determinaria um nova e mais consistente organização e disponibilidade dos especialistas. Mas essa é  uma outra história muito mais complexa; segundo, a classificação do Desporto Escolar de "parente pobre" da política desportiva regional. Basta comparar a disponibilidade financeira atribuída a todo o sistema desportivo para mobilizar cerca de 17.000 praticantes federados, relativamente aos míseros valores atribuídos para que algum desporto na escola acontecesse.
Mas, ainda assim, concedo o benefício da dúvida, porque posso estar a fazer uma leitura incorrecta. Mas aí, deve o Professor Elmano Santos, apresentar no sítio da Internet da Secretaria Regional da Educação, todos os dados que justificam a defesa que 25% dos alunos estiveram activos, de forma regular, no Desporto Escolar. Deve apresentar os núcleos em actividade regular e em actividade esporádica, o número de concentrações realizadas e as que foram anuladas, o número de docentes envolvidos, o número de alunos por cada núcleo de actividade regular e todo o financiamento de cobertura. Se assim não acontecer, as declarações de hoje, não passarão de simples e baixo paleio político.
Repito, oxalá esteja eu enganado, porque o meu desejo é que o Desporto Escolar corresponda ao centro das preocupações do desenvolvimento do desporto.
Ilustração: Google Imagens.   

terça-feira, 20 de novembro de 2012

POLÍTICA DESPORTIVA: "A APOSTA EM CAVALOS ERRADOS"


Mais adiante o Jornalista insiste: Mas o futuro não deveria ter sido acautelado de forma mais prudente e séria? Resposta é concludente e arrasadora para o governo regional: "(...) o que nós vimos em Portugal foi uma enorme tendência para o despesismo, para a aposta em cavalos errados. Fizemos muitas coisas boas, mas também temos de reconhecer que tivemos opções que à luz da retrospectiva poderiam ter sido melhores. No entanto, culpar alguém individualmente por esta situação não é justo". Ora, aqui está, falou de Portugal, eu falo especificamente da Madeira, onde esse futuro não foi acautelado e se é verdade que assim aconteceu, face à falência de toda a estrutura, temos de encontrar um culpado político e esse é, indiscutivelmente, aquele que foi centro da decisão: Dr. Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional. É por isso que não pode dizer, embora politicamente compreenda, que "(...) o nosso Governo Regional tem muito orgulho naquilo que o desporto regional conseguiu em tão pouco tempo. Muita da projecção que a Madeira tem conseguido lá fora deve-se àquilo que conseguimos em tão pouco tempo no âmbito desportivo. O desporto é uma grande conquista da Autonomia, é um dos grandes diamantes da coroa da Madeira". Eu diria que este governo não pode orgulhar-se de um desporto que "fabricou títulos" (à custa da colaboração, em média, de cerca de 200 praticantes continentais e estrangeiros), mas que deixou um rasto de analfabetismo desportivo consubstanciado numa população onde 77% não tem qualquer actividade física ou desportiva regular (15/65 anos). Não pode orgulhar-se de uma política que conduziu a um estado de total dependência e, hoje, de insolvência da esmagadora maioria dos clubes e associações. Política que nem possibilita, nas infraestruturas construídas (por exemplo piscinas) os meios necessários ao seu pleno funcionamento.

 
Li, com muito interesse a entrevista do Dr. Francisco Gomes (Clube Amigos do Basquete) publicada na edição de ontem no DN-Madeira. Reli, depois, saltando de pergunta em pergunta, para tentar perceber o embaraço do entrevistado perante as perguntas do jornalista, muitas de extrema oportunidade. Para mim, enquanto leitor e através do meu olhar resultante minha própria formação, descobri tantas incoerências que, ao fim e ao cabo, explicam a dificuldade em tocar no cerne das questões. Mas quero aqui ressalvar dois aspectos fundamentais: primeiro, o CAB, um clube com um percurso singular, eu diria fantástico no campo da formação educativa através do desporto, de alguns bons milhares de jovens que por lá passaram desde a sua fundação, em 1979; em segundo lugar, a pessoa do Dr. Francisco Gomes, que foi exímio atleta e sempre excelente aluno e cidadão. O que aqui escrevo tem, portanto, uma claríssima componente política em função das respostas dadas ao jornalista. Não confundo a acção altamente meritória do clube, com a pessoa em causa, face à política desportiva que a Madeira tem. E neste aspecto, caro Dr. Francisco Gomes, ao contrário do que sublinhou, a falência do sistema desportivo regional tem responsáveis. Quando o jornalista questiona "a participação nas competições nacionais, a sobrevivência das equipas seniores (...) e de quem é a culpa?", não me parece correcto que fale "(...) da conjuntura difícil que vivemos, que não envolve apenas este ou aquele dirigente, um secretário ou outro secretário". Não, digo-lhe eu, há culpados políticos, pessoas que em devido tempo, há trinta anos, foram informadas, mas que, teimosamente, seguiram os caminhos que entenderam seguir, de um desporto ao serviço da política e não um desporto ao serviço do desenvolvimento. E tanto assim é que, pressionado pelo jornalista, surgiu a contradição face às declarações assumidas: "(...) a situação difícil que vivemos hoje é o culminar de décadas de opções que foram tomadas, que poderiam ter sido tomadas de forma diferente, é verdade (...) mas não podemos olhar para trás e pensar apenas naquilo que poderíamos ter feito melhor". Pois, diz bem, poderiam, mas não foram! Daí existirem responsáveis. E quando adianta que o que "se está a passar ocorre porque não há capacidade financeira para honrar determinados compromissos, promessas e indicações que foram dadas", tal asserção pode significar que se houvesse dinheiro o regabofe continuaria, isto é, quase zero aposta no desporto educativo escolar e milhões num associativismo absolutamente desconforme com a realidade económica, financeira, social e cultural da Madeira, região pobre, dependente e assimétrica. Outra coisa são os contratos-programa assinados e não cumpridos. E neste aspecto, uma vez mais, há responsáveis políticos, existem pessoas que mandaram avançar e que, depois, retiraram o tapete!
Mais adiante o Jornalista insiste: Mas o futuro não deveria ter sido acautelado de forma mais prudente e séria? Aqui, a resposta é concludente e, do meu ponto de vista, arrasadora para o governo regional: "(...) o que nós vimos em Portugal foi uma enorme tendência para o despesismo, para a aposta em cavalos errados. Fizemos muitas coisas boas, mas também temos de reconhecer que tivemos opções que à luz da retrospectiva poderiam ter sido melhores. No entanto, culpar alguém individualmente por esta situação não é justo". Ora, aqui está, falou de Portugal, eu falo especificamente da Madeira, onde esse futuro não foi acautelado através do planeamento e dos "cavalos certos" e, se é verdade que assim aconteceu, face à falência de toda a estrutura, temos de encontrar um culpado político e esse é, indiscutivelmente, aquele que foi centro da decisão: Dr. Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional. Tudo girou em seu redor. É por isso que não pode dizer, embora politicamente compreenda, que "(...) o nosso Governo Regional tem muito orgulho naquilo que o desporto regional conseguiu em tão pouco tempo. Muita da projecção que a Madeira tem conseguido lá fora deve-se àquilo que conseguimos em tão pouco tempo no âmbito desportivo. O desporto é uma grande conquista da Autonomia, é um dos grandes diamantes da coroa da Madeira". Eu diria que este governo tem sim uma coroa de espinhos, não pode orgulhar-se de um desporto que "fabricou títulos" (à custa da colaboração, em média anual, de cerca de 200 praticantes continentais e estrangeiros), mas que deixou um rasto de analfabetismo desportivo consubstanciado numa população onde cerca de 77% não tem qualquer actividade física ou desportiva regular (15/65 anos - estudos europeus aplicados com o mesmo protocolo em todo o Portugal). Não pode orgulhar-se de uma política que conduziu a um estado de total subsidiodependência que levou à insolvência da esmagadora maioria dos clubes e associações, com claro prejuízo para a juventude. Política que nem possibilita, nas infraestruturas construídas (por exemplo piscinas) os meios necessários ao seu pleno funcionamento.
E quanto à excelente pergunta do Jornalista, "se valeu a pena traçar um caminho que neste momento não nos leva a lado algum, a não ser para o abismo", a resposta em nada foi convincente: "(...) É claro que valeu a pena, apesar de reconhecer que poderíamos ter feito coisas de forma melhor. Não é por acaso que temos um João Rodrigues, um Marcos Freitas, um Cristiano Ronaldo, entre tantos outros". Ora bem, eles, de facto, são madeirenses e dos seus nomes tenho muito orgulho, mas sejamos honestos, não são consequência de uma política desportiva sustentável: Ronaldo, por exemplo, saiu da Madeira aos onze anos, salvo erro; João Rodrigues é uma andorinha num mar de desencanto, pois ainda hoje a nossa principal instalação desportiva continua a não ser tratada com a prioridade que deveria ter; o Marcos, esse talvez sim, é consequência de uma Associação que promoveu o ténis-de-mesa, dinamizando-o no meio escolar com uma prática de base informal. Há outros, pois sim, existem e que, repito, são o nosso orgulho, mas a questão é esta: com outra política, com outras prioridades e com menos custos, apostando, como foi referido, nos "cavalos" certos, quantos madeirenses hoje teriam a actividade física e a prática desportiva regular no quadro dos seus hábitos culturais e quantas referências madeirenses não teríamos no plano da competição desportiva de rendimento elevado?
Finalmente, assumiu: "Criou-se a ideia em torno do desporto de que não é uma actividade necessária válida para a sociedade. E não é assim!". Eu respondo tal como o Dr. Álvaro Cunhal: "Olhe que não, olhe que não!". Sabe, as pessoas são levadas a integrar determinadas actividades no plano dos consumos culturais se a isso forem conduzidas. E para tal, como sabe, existem estratégias conjugadas de política educativa e de articulação entre os sistemas educativo e desportivo.
Eu percebo o Dr. Francisco Gomes, uma vez que está entre dois amores: o do CAB, onde sofre as consequências de uma política desportiva regional errada de raiz; e o amor político, o do PSD, onde a sua participação impede de ir ao âmago das questões. Não por falta de capacidade e de inteligência, simplesmente porque não pode! O problema é esse.
Peço que não leve a mal as minhas considerações. A Democracia é assim, implica debate entre a diversidade de opiniões.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 5 de maio de 2009

DESPORTO ESCOLAR - COM A VERDADE NOS ENGANAM

Dizem e eu acredito que neste Jogos Desportivos Escolares participarão, a partir de hoje, cerca de 6000 alunos. Não duvido da grandeza do número. O problema é que com a verdade nos enganam. Nem de perto nem de longe aquele número de participantes corresponde a uma actividade que se desejaria regular ao longo de todo o ano lectivo.
Conheço, há muitos anos, o esforço do Gabinete Coordenador do Desporto Escolar e dos seus técnicos. E conheço também as sérias limitações orçamentais com que se debatem. São, de facto, parentes pobres de outros gastos inglórios que por aí se fazem ao nível do sector federado. Mas, adiante. Se em 2007/08 rondou 3500 praticantes com alguma regularidade ao longo do ano, com as incríveis, desajustadas e ruinosas portarias publicadas daí para cá, o desporto educativo escolar mergulhou numa situação confrangedora, obviamente, por drástica diminuição do quadro competitivo regular. Ter, 6, 7 ou 8 mil envolvidos, mais constitui uma grande concentração desportiva inter-escolas, consequente das aulas de Educação Física, do que propriamente uma festa final de uma actividade de complemento curricular onde o Desporto Escolar se enquadra.
A Secretaria Regional da Educação e a Direcção Regional de Educação continuam a matar o Desporto Escolar e um Gabinete que tem uma história de trabalho e de perseverança. O Desporto Escolar que deveria movimentar entre 60 a 90% dos escolares, na Região, pouco vai além dos 7%. Apesar de todos os constrangimentos, ainda assim, conseguiram encenar uma "festa", mas é preciso que fique muito claro que isto não corresponde a um trabalho devidamente estruturado, responsável e de qualidade tanto ansiado pelos professores.
O tema da cerimónia de abertura é "A Vida na Terra e no Céu". Eu complemento... "perdoai-lhes Senhor...!"