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terça-feira, 3 de outubro de 2017

CHIÇA, COMO ISTO "TÁ" QUENTE!


"A horda que assaltou o PSD/Madeira, agora nas eleições autárquicas, engoliu o pão que amassou há quatro anos. Traição então organizada para que um apoio à oposição melhor colocada para o efeito, derrotasse os autonomistas sociais-democratas e estes porventura entregassem o poder. Há quatro anos, essa clique exigiu a minha demissão da liderança do Partido, por só termos vencido em quatro Câmaras Municipais. Agora, só com três Câmaras, espero que sejam coerentes. (...) - Dr. Alberto João Jardim, em artigo de opinião. É caso para dizer, chiça como isto "tá" quente!


Em contraponto, Tranquada Gomes, porta-voz da Comissão Política do PSD, adiantou: as eleições autárquicas "são passado" (?) e que "uma coisa são eleições autárquicas, outra são as eleições regionais. Temos todas as condições para ganhar e que o povo, da mesma maneira que ontem decidiu daquela forma, em 2019 terá razões acrescidas para manter o PSD no rumo da governação da Região" (...) "é óbvio que vamos ter uma leitura humilde dos resultados e tomaremos as medidas que entendermos necessárias (...) sabemos aprender com os erros que cometemos".
Ora, o tiro do ex-presidente do governo, traz na bala matéria venenosa e de morte. É uma espécie de "bomba H" política lançada do refúgio do Quebra Costas para a Rua dos Netos. Dificilmente alguém sobreviverá às respectivas consequências políticas. Vir agora falar de "humildade" quando durante quatro dezenas de anos essa palavra foi banida do vocabulário democrático, corresponde a um chorinho que não convence(rá) ninguém. Achei, até, deselegante, o facto do Dr. Tranquada Gomes vir falar que o PSD falhou ao nível da comunicação com os eleitores, porque isso, na prática, corresponde a sacudir para os que aceitaram ser candidatos o peso das responsabilidades pelo desastre eleitoral. Exactamente o mesmo discurso que a oposição, perdedora durante anos, afirmava nas noites eleitorais. Ora, não existe(iu) falha de comunicação, o que foi evidente é que o povo se manifestou cansado de ouvir lérias ao longo dos anos. Assim aconteceu há quatro anos (7-4) nas autárquicas, depois nas legislativas regionais que ganharam por um fio (diferença de dois deputados) e, agora, novamente nas autárquicas, de forma sustentada, o povo voltou a dizer "alto e parem o baile". Um estudo do jornalista Jorge de Sousa, publicado na edição de hoje do DN-Madeira, dá conta que se fosse o mesmo o sentido de voto nas legislativas de 2019, o PSD-M perderia a maioria absoluta. Trata-se, apenas, de um indicador, mas que não deixa de ser de interessante análise. 
Convençam-se que há um tempo para estar e um tempo para ser oposição. Vir agora dizer que "vamos falar com maior proximidade dos cidadãos" depois de anos de poder centralizador e de medo, não consegue alterar este plano inclinado. Dir-se-á que é a democracia que começou a funcionar e a adultez do povo a vir à tona. O que é bom. No essencial, parece-me que estão a provar o veneno que semearam, a governamentalização e partidarização de tudo, o pé em todas as instituições, desde clubes a casas do povo. O resultado está à vista. As jantaradas já não resolvem, os festins na hora das inaugurações foi chão que deu uvas e as subtis ondas de medo deram lugar à esperança  de que outros são capazes de fazer mais e melhor, porventura com menos encargos. Podem mudar as figuras do governo que não conseguem mudar aquilo que assenta na descoberta que na sociedade há tanta gente bem preparada para assumir os desígnios de uma governação pelas pessoas. 
Uma nota final para o Dr. Tranquada Gomes. O Senhor é o presidente do primeiro órgão de governo próprio da Região. Servir de porta-voz partidário, do meu ponto de vista, fica-lhe muito mal. Chiça, como isto "tá" quente!
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O POVO JÁ NÃO VAI EM CANTIGAS


O povo votou e decidiu. Soberanamente, explicou que não vai em cantigas, que não gosta do quero, posso e mando, que, genericamente, sabe quem deseja nas Juntas, na Câmara e nas Assembleias Municipais. No Continente disse NÃO aos tempos de austeridade, mandou Passos Coelho para fora do espaço de jogo. Nos Açores o povo manifestou contentamento pelas políticas em curso e, na Madeira, confirmou que, em 2019, deseja arejar a governação regional. O povo está, paulatinamente, a experimentar até decidir-se.


Haja juizinho da parte dos partidos políticos e muito juizinho por banda daqueles que podem querer dar um passo superior à perna. Mudar de rumo para ter a experiência de um novo formato de governação, mais próximo das pessoas e não dos poderosos lóbis que muito mal têm feito à Região, necessita, repito, de muito juizinho, de muita humildade e de uma enormíssima congregação de esforços. É possível acabar com o fatalismo da pobreza, com vaidades em catadupa, com gente bem vestida que esconde os seus verdadeiros desígnios, que são possíveis melhores e mais vastas políticas sociais, uma nova dimensão da Educação e um basta aos constrangimentos do serviço regional de saúde. Os resultados disseram que o partido outrora maioritário está ferido de morte, que internamente sangra através de grupos em conflito mais ou menos silencioso. 
O povo disse que já não espera pela promessa de um lugarzinho, antes deseja emprego através de uma outra visão da economia. O povo disse que se marimba para a loucura da obra pública, antes quer ser feliz através de políticas sustentáveis, honestas e compreensíveis. O povo disse que rejeita todas as formas de mentira e todos os superficialismos, preferindo que lhes garantam confiança no futuro. Por isso, em maus lençóis estão todos aqueles que se julgam "donos disto tudo", os que fulanizam, partidarizam e governamentalizam tudo. Esse tempo está a acabar. Ou já acabou! O medo está a dar lugar à esperança e à confiança que outros poderão fazer melhor e que essa ideia peregrina dos insubstituíveis é coisa do passado. Parabéns Madeira. 
Ilustração: Google Imagens.      

sábado, 30 de setembro de 2017

O DEVER DE VOTAR


Estive dois meses e meio fora da Região, mas não deixei de acompanhar a salutar efervescência da campanha que ontem terminou. Regressei a tempo de cumprir o meu dever cívico. Porque só votando podemos ter voz nos próximos quatro anos. Os que "fogem", negligenciam ou dizem que não vale a pena, depois, não me parece que tenham total legitimidade para exercer a crítica. Mas, enfim, esse é um problema de cada um, embora considere que o voto deveria ser obrigatório e sujeito a multa no caso de não comparência, salvo os casos justificados. Se, na cabina de voto, o eleitor vota em branco ou torna nulo o seu voto, esse é um posicionamento individual que respeito. Poderão alguns dizer que é tão democrático votar como não se apresentar no acto eleitoral. Trata-se de uma posição na qual não me revejo. O exercício da Democracia congrega muitos direitos, mas tem um dever e esse é o da escolha dos representantes.


Ao assumir-se a obrigação de votar, do meu ponto de vista, tal envolveria dois motivos complementares, para além, obviamente, da eleição dos quadros que governarão a coisa pública: primeiro, a redução da abstenção, o que favorece, tendencialmente, uma cultura de participação que implica envolvimento prévio; segundo, uma imprescindível ajuda na "limpeza" dos cadernos eleitorais. Porventura existirão outras razões, mas estas reputo-as de fundamentais. 
Bom, mas não quero desviar-me do que aqui me traz. Amanhã, é dia de eleições. Mesmo à distância acompanhei o dia-a-dia das várias candidaturas em todos os concelhos. Exceptuando uma ou outra que soube ser consistentemente propositiva, com os pés assentes no solo e com uma visão correcta do poder autárquico, o que me apraz, saliento, na generalidade, assisti a repetições discursivas com barbas, a tiques ofensivos que a maioridade democrática deveria repelir, ao anúncio de promessas só possíveis entre quem sabe que, a avaliar pelas sondagens, não terá poder decisor ou de influência nas decisões. No lavar dos cestos das vindimas, eu diria que houve muita parra e pouca uva. Pelo meio alguma agressividade, absolutas falhas de memória sobre o passado, uma desmesurada insistência na "obra" física quando se sabe que o cobertor financeiro é extremamente curto, que há dívidas por pagar e que os poderes públicos não devem se servir das empresas privadas para seu próprio financiamento, isto é, à custa de outros, agitarem bandeiras nas inaugurações. Entre muitos, não vi pragmatismo e sentido de responsabilidade entre o essencial e o acessório; não assisti ao respeito pelo princípio das prioridades estruturais, relativamente àquilo que pode ser considerado dispensável em função dos actuais contextos económicos e financeiros. 
Depois do que li, creio que alguns podem começar a escrever o discurso da derrota. Se, durante muitos anos, o povo foi sempre considerado inteligente e sabedor, espero que, amanhã, alguns candidatos tenham a sensatez de manter essa caracterização do povo. Pessoalmente, não preciso de reflectir sobre em quem vou votar no Funchal e para os três órgãos (Assembleia Municipal, Câmara e Junta de Freguesia). Se este não é o seu caso, pense e decida, mas não fique em casa permitindo que outros o façam por si.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

"É TEMPO DE DIZER BASTA A ESTES INCOMPETENTES"


Pelo que foram os quase 40 anos anteriores, sinceramente, não sei a quem se estaria a referir o Dr. Miguel Albuquerque, presidente do governo regional da Madeira. Ainda por cima no concelho do Funchal onde as suas responsabilidades não podem ser descartadas. Será que a referida "incompetência" terá a ver com a dívida de mais de 100 milhões de euros que deixou? Será que a "incompetência" tem a ver com o estado deplorável das zonas mais altas onde a ausência de rigoroso ordenamento do território e respectivo planeamento foram evidentes? Será que tem a ver com a sua assinatura e a dos restantes vereadores do seu partido, relativamente ao novo Savoy? Será... será... será...?


Qualquer poder fica sempre, no final de um mandato, exposto à leitura política dos eleitores. Há aspectos que decorrem bem e outros nem por isso. Há quem aplauda e quem, por qualquer razão, tenha uma opinião menos positiva. É a democracia a funcionar no pleno respeito pelas pessoas e opiniões.
O que me parece inaceitável, mas que se tornou corriqueiro, é despachar pela boca fora palavras que batem na parede, fazem ricochete e ferem de "morte" quem as profere. Ao contrário de um sentido propositivo para o futuro, preferem um blá, blá cansativo que poucos, julgo eu, nele vão. Trata-se do poder pelo poder ao contrário de um poder ao serviço da comunidade. Nem conta dão que causam azedume nas pessoas os comportamentos discursivos na base da injustiça e da ofensa. Estou completamente esclarecido.
Só como nota final, uma frase de André Mansur: "o incompetente aponta o dedo para os outros para desviar a atenção de si mesmo".
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 24 de setembro de 2017

PAULO CAFÔFO CONTINUARÁ PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DO FUNCHAL



PAULO CAFÔFO, Coligação Confiança, lidera com 43,8%, seguido de Rubina Leal (PSD) com 31,8%. Artur Andrade (CDU) fica-se pelos 5% e Gil Canha (Funchal Forte) não vai além de 3,3%. No quadro destes resultados, a "Confiança" elegerá seis vereadores, o PSD quatro e o CDS um. Mas este é, apenas, mais um indicador da tendência de voto.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A PROPÓSITO DE CALOTEIROS... OS SEIS MIL MILHÕES DE DÍVIDA E AQUELES MIL MILHÕES DE FACTURAS "ESCONDIDAS", ONDE 43 MILHÕES SÃO "TROCOS"


FACTO

A Câmara Municipal do Funchal, fez as contas e assumiu, especificando cada montante, que o governo regional deve ao município 43 milhões de euros. O governo veio dizer que é mentira, não confirmou nem desmentiu, não especificou o deve e o haver da "conta corrente" com a Câmara do Funchal, mas o gabinete do secretário das Finanças sentenciou: "(...) A Câmara do Funchal não é apenas uma autarquia caloteira. É também uma autarquia com uma gestão incompetente e incapaz". (Fonte: DN-Madeira)

COMENTÁRIO
E PERGUNTAS 

Não entro na discussão de quem é mais "incompetente, "caloteiro" e "incapaz", pois apenas estou a guiar-me pelo que leio na comunicação social. Agora, sei, que foi este secretário regional das Finanças da Madeira, antes director regional, que não teve coragem política para travar mais de seis mil milhões de dívida do governo regional, montante que estrangulou a economia regional e encostou à parede muitas empresas e famílias, tampouco, uma vez mais, coragem política para denunciar mais de mil milhões de facturas "escondidas", isto é, não reportadas, no tempo certo, aos serviços nacionais, situação que deu lugar a uma investigação judicial designada por "Cuba Livre". Não vou mais longe, mas acrescem duas perguntas:
1ª A dita "prepotência habitual de quem não convive bem com a democracia", terá alguma coisa a ver com o facto da secretaria das Finanças não celebrar contratos-programa com a Câmara do Funchal, pelo que se deduz, subtilmente estrangulando a sua acção política? 
2ª Não seria melhor, pela sanidade dos eleitores, particularmente no decurso da campanha eleitoral autárquica, esgrimir argumentos de forma séria e elevada, com dados concretos e não com palavreado gasto e desprestigiante?
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

PERANTE TANTA PROMESSA, EXISTIRÃO ACORDOS SECRETOS? NA POLÍTICA O SECRETISMO DÁ SEMPRE MAUS RESULTADOS.


É longa a lista de promessas eleitorais da Drª Rubina Leal, candidata do PSD ao município do Funchal. Hoje, li que a candidata promete devolver 4 dos 5% do IRS, deixando 1% para outras funções sociais. Isto significa que, em quatro anos, entende devolver aos contribuintes 4,7 milhões de euros, contra os actuais 1,2 milhões. Rejeita a aplicação da designada "derrama", o que significa devolver às empresas, com elevados saldos positivos, cerca de 1,3 milhões, isto de acordo com a peça hoje publicada, no DN-Madeira, com assinatura do jornalista Roberto Ferreira. A listagem das promessas é tão significativa que vai ao ponto de apoiar o transporte de crianças que residam a 500 metros da escola. Fantástico! Eu também não gosto do IRS, do IMI, da extensa e histórica tabela de taxas e tarifas autárquicas, etc. etc.. O problema que coloco é apenas este: a candidata fala em despesas na ordem dos milhões, mas não fala do campo das receitas, isto é, como irá compatibilizar toda a despesa com os escassos recursos que a Câmara dispõe, face ao enormíssimo peso financeiro das suas responsabilidades, que vão desde o "sagrado" pagamento dos salários aos seus funcionários, à resposta eficaz aos serviços correntes, até à política dos investimentos. Alguns exemplos: a rede de distribuição de água, o ordenamento do território e a requalificação urbana, o dramatismo das zonas altas, acessibilidades e mobilidade, a habitação, o ambiente, a cultura e a ciência, os mercados, as políticas de natureza social, enfim, dentro de cada um do vastíssimo leque de itens, as respectivas áreas e domínios de intervenção. A Câmara é um "mundo"!


Será que a Drª Rubina Leal conta, secretamente, com o apoio do Governo da Região? Se assim é deverá esclarecer todos os eventuais contratos-programa que estejam em negociação ou já foram objecto de definição de apoios. Deve assumir ou negá-los. É que nestas coisas dos dinheiros não existem milagres e o exercício da política não pode estar envolta em secretismo. A receita é x proveniente disto e daquilo e a despesa é y para isto e para aquilo. No final, na Conta de Gerência, o equilíbrio tem de constituir uma preocupação fundamental. Ou, então, se as receitas são inferiores ao montante da despesa, a autarquia, inevitavelmente, voltará a endividar-se. Ainda estão em dívida mais de 60 milhões! A não ser que a Drª Rubina Leal, queira regressar aos cem milhões de euros da dívida deixada pelos executivos a que pertenceu. Acho muito bem que se estabeleçam compromissos, porém com dados concretos e responsáveis. Só na canção do Abrunhosa é  que se ouve o refrão "vamos fazer o que ainda não foi feito". Na Câmara a história é outra. É necessário dinheiro, muitos milhões. Se as palavras das promessas ultrapassarem a realidade, tarde ou cedo serão os cidadãos chamados a pagar a factura. Certo?
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

POR ESTE ANDAR, NÃO SEI O QUE VAI RESTAR PARA O GOVERNO REGIONAL!


A época é fértil em promessas, eu sei. Se são para cumprir, logo se verá! Mas, haja bom senso, é o mínimo que se pede, para que não se saia do perímetro de responsabilidades das autarquias. Se assim não acontecer, pouco restará para o governo funcionar. A não ser que alguns queiram confirmar o que, em um determinado contexto, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, em Maio de 2010, então com outras responsabilidades, sublinhou: a Madeira é uma grande autarquia e o seu presidente uma espécie de "líder autárquico em grande". Não alinho, seja em que contexto for, nessa leitura, mas também não aceito que as autarquias se sobreponham às responsabilidades que devem pertencer ao poder regional autónomo. Cada um deve acomodar-se na sua esfera de competências e actuar na solução dos problemas estruturais quer sejam de natureza económica, financeira, social e cultural. Sem atropelos.


A proposta da candidata Drª Rubina Leal (PSD), ontem dada a conhecer, de criar uma rede de "cuidadores de idosos", no âmbito da autarquia, que dê resposta às necessidades da população, parece-me ultrapassar a esfera das prioridades do município, a capacidade financeira para tal, para além de sobrepor-se, de forma claríssima, às responsabilidades da secretaria regional da Inclusão e dos Assuntos Sociais, onde, até há pouco, a candidata foi responsável por essa importante pasta. Desde logo, questiono, qual é o papel da Segurança Social? E do próprio Orçamento Regional? Será esta uma via para descartar responsabilidades regionais que, por experiência vivida, sabe a candidata que o governo, ao longo dos anos, tem sido avesso ou ineficaz? Tratar-se-á de uma crítica directa ao governo de Miguel Albuquerque? Talvez. Não deixa, porém, de corresponder a uma intromissão em um espaço que não deve ser da responsabilidade autárquica. A não ser assim, não levaria muito tempo e teríamos as autarquias a pagar, por exemplo, um complemento de pensão a todos os que auferem de uma pensão inferior ao salário mínimo. Nos Açores é o OR que assume essa responsabilidade. Na Madeira esse complemento não existe. Ora, cada nível de intervenção deve, pois, assumir as suas responsabilidades: ao governo o que é da competência do governo; às autarquias a intervenção que o bom senso determina, no respeito pela hierarquia de responsabilidades e capacidade financeira de intervenção. 
A moda pegou nos livros escolares (o direito à Educação é Constitucional, Artigo 74º, pelo que se deve enquadrar nas políticas de governo) e já vai na rede de cuidadores de idosos (direito previsto na Constituição, Artigo 72º). Que "temos cerca de 108 idosos para cada 100 jovens" é da estatística conhecida e isso o governo deveria ter presente. Outra coisa, quanto a mim errada, é assumir que "o município tem de se preocupar com as políticas do envelhecimento". Essas são políticas da competência do governo regional e não da autarquia. Não é correcto, também, assumir que, se for eleita, a autarquia comparticipará na aquisição dos medicamentos a todos os cidadãos com mais de 65 anos. Essa não deve ser política da Câmara, mas do governo. Tal como nos Açores onde existe o COMPAMID (Complemento para a Aquisição de Medicamentos pelos Idosos) suportado pelo Orçamento Regional. 
Onde isto vai! Alguém consegue descortinar onde termina a responsabilidade do governo e começa a acção das câmaras municipais ou vice-versa?
É preciso ter presente que o Funchal estava "falido" em 2013 com mais de 100 milhões de responsabilidades financeiras. Hoje, segundo dados vindos a público, a dívida ronda os 60 milhões, o que, ainda assim, é muito limitador da sua capacidade de intervenção em múltiplas áreas e domínios que são da sua exclusiva competência. Por exemplo, o investimento na rede de distribuição de águas onde, historicamente, muita, mesmo muita, é perdida; a nova ETAR; a reabilitação urbana que custa muitos milhões e a requalificação das zonas altas da cidade, por erros cometidos, cuja intervenção levará tantos anos quantos os de democracia temos e à custa de muitos e muitos milhões! Apenas estas quatro preocupações para não enumerar muitas outras que levam recursos financeiros que não existem. Ora, o que a candidata Drª Rubina Leal não disse e nunca refere, sobretudo para que as propostas tenham credibilidade e sustentabilidade, é onde cortará ou onde irá buscar o dinheiro para desenvolver as medidas, mesmo aquelas que se sobrepõem ou "complementam" a (ir)responsabilidade do governo. Do meu ponto de vista, todas as propostas devem ser quantificadas para que sejam credíveis. Investirei x milhões aqui, cortando y e k acolá. Mesmo quando a candidata fala do IRS, tem o dever, com números, de dizer que, em média, o IRS vale x em receita e o investimento na sua proposta custa y. Por essa via, não existe outra, a candidata pode demonstrar conhecimento, por um lado, orçamental, por outro, a certeza da exequibilidade das propostas que faz. Não sendo assim, para além de assistirmos a duplicações entre governo (Segurança Social) e Câmara, as propostas deixam de ter qualquer sustentabilidade. Diria mais: VERDADE. Torna-se paleio eleitoral gasto e sem sentido nos tempos que correm.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

"EM POLÍTICA O QUE PARECE É"


Tem qualquer coisa de estranho. Na "cerimónia" de tomada de posse da nova secretária da Inclusão e dos Assuntos Sociais (pouco mais de dez minutos) o presidente do governo remeteu-se ao silêncio. Ninguém lhe perguntou o motivo, por isso, não existe uma explicação política. Não é que tivesse de discursar, mas podia, se quisesse, sendo estranho que o líder de uma equipa de governo que nomeou uma nova secretária, apenas tivesse feito figura de corpo presente. Falou depois, aos jornalistas, com declarações triviais. Esse "solene" silêncio pode ter um significado político. Não gosto de fazer especulações, mas existem dois aspectos que, desde ontem, bailam frente aos meus olhos de mero observador: primeiro, que poderá (!) existir um desconforto político entre a ex-secretária e o presidente do governo e, neste caso, o silêncio é de ouro; segundo, pode colocar-se a questão da nova secretária surgir como uma solução de recurso e, aí, também nada melhor do que boca calada para não ferir qualquer susceptibilidade. Certo é que os ventos para o Dr. Miguel Albuquerque não estão de feição (nunca estiveram), os tempos são de alguma aflição política e de perturbação interna a avaliar pelo coro de críticas que vão sendo feitas publicamente e que a recente sondagem do DN deu conta. Afinal, o que, durante anos, criticaram nos outros partidos, enfrentam, agora, em silêncios que corroem.


Em política, é costume dizer-se que "o que parece é", frase atribuída a António de Oliveira Salazar, vejam lá! As duas sondagens publicadas pelo DN para o Funchal colocam a candidata do PSD-M em uma situação de claríssima desvantagem e de muito difícil recuperação. A sua saída do governo, justificada pela necessidade de total entrega à candidatura, não me convence. Poderia ser temporária, com a pasta que tutela assumida, em acumulação, pelo secretário da Educação ou pelo próprio presidente do Governo. Mas não, trata-se de uma saída definitiva com a possibilidade de, daqui por dois meses, nem Câmara nem governo! Regressará à Assembleia. Talvez! 
O que estará por detrás de uma situação destas? Ou, ainda, no campo da especulação, será este um serviço prestado ao partido a compensar, em 2019, com um lugar elegível nas eleições nacionais ou nas europeias? Tenho por adquirido que não há nem almoços nem favores grátis!
O consolado da Drª Rubina Leal na "Inclusão e Assuntos Sociais" não foi de forma a deixar uma marca. Correu muito, andou de um lado para outro, com muitas fotografias de permeio, esteve em muitas iniciativas, apareceu sempre em assuntos politicamente não estruturantes mas, peneirada a sua actividade, interrogo-me sobre o que restou de importante? Concretamente, no plano das políticas de família, da protecção à infância, do combate à pobreza, do emprego com estabilidade, no âmbito da coesão social, da verdadeira paz social e não aquela que é apregoada para consumo? Destes dois anos fica-me a sua persistência em reclamar mais verbas da República, comparando-as sempre com as atribuídas aos Açores, como se, em sede de Orçamento de Estado, não existissem regras e fórmulas que determinam os quantitativos a transferir, independentemente do partido que lidere na República. Vi-a, várias vezes, a cumprimentar com o chapéu alheio, esquecendo-se que a Segurança Social é Nacional, mas, curiosamente, não lhe escutei uma palavra de exigência, por exemplo, na integração no Orçamento da Região, de um complemento de pensão para os mais vulneráveis da nossa sociedade. De resto, como existe nos Açores, onde "todos os pensionistas que auferem um valor inferior ao salário mínimo, recebem 54 euros de complemento regional de pensão (...) actualmente, na Região Autónoma dos Açores 35 mil idosos beneficiam do complemento regional de pensão, sendo que a verba anual despendida é na ordem dos 25 milhões de euros". O próprio PSD açoriano, agora, até deseja que o governo regional aumente em 10% tal complemento. Isto para não falar da comparticipação nos medicamentos dos idosos pobres que, em 2016, beneficiou 4.871 pessoas, valor que ascendeu a 797 mil euros. Tudo do Orçamento Regional. Por aqui, assisti ao seu silêncio público. 
Teria ficado uma marca positiva se outras tivessem sido as suas preocupações. Pouco restou e o futuro dirá sobre as razões mais substantivas que conduziram à sua definitiva saída do governo. Estou convicto que não foi, apenas, pela Câmara do Funchal. Parece-me uma história menos bem contada. Porém, o que aqui deixo escrito apenas constitui uma mera especulação.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

DISCURSOS SEM QUALIDADE


Há políticos que ainda não perceberam que as suas intervenções, mesma aquelas durante as quais o povo se diverte entre a espetada, a poncha e o croquete, exigem um mínimo de qualidade. Parece que falam para pacóvios ou para quem, como por aí se diz, anda a tirar documentos para estúpido. O povo já não é isso, não é o de 74, de 80 e mesmo de 90. O povo já não engole tudo quanto dizem de cima do palco. Nem do púlpito, como outrora acontecia! No meio da sua humildade, olha, observa e diz lá para com os seus botões: vais ter! Ora, fiquei estupefacto quando ontem escutei palavreado solto de arrepiar e que espremido nada deita. Entre Passos, Miguel e Fafá, a cantora parece que, ainda assim, foi a melhor.


O de lá, com total amnésia, pegou no microfone e deu três tiros que fizeram ricochete e atingiram-no. Falou do hospital, dizendo que o “povo da Madeira” merece esta infraestrutura (merece ou tem direito?), que lamentava o atraso do governo da República nesta matéria e esqueceu-se, por um lado, que esta é uma história que vem, no mínimo, com avanços e recuos, desde 2001, e que esteve quatro anos como PM e nada resolveu. Mas, ali, foi capaz de dizer que com ele no governo já havia novo hospital. Espantoso. Hoje, sabe-se que, pelo menos, existe uma garantia de comparticipação de 50% nacional. Adiante. Falou do Banif, mas não assumiu as suas responsabilidades quando, muito antes da resolução imposta pelo Banco de Portugal (20.12.2015), não se lhe ouviu uma palavra de preocupação, muito menos de intervenção. Pior, ainda, quando sublinhou que a República está a exigir à Madeira uma taxa de juro superior à da República pelos empréstimos feitos: "A República estar a exigir à Madeira mais do que paga ao FMI é profundamente injusto". É injusto, pois é, mas qual o governo que a impôs e quem é que, sistematicamente, tem levantado essa questão? Não disse, mas o povo, genericamente, sabe.
O de cá, não sei como comentar. Quando de um discurso sobressaem, apenas, que a oposição é uma "geringonça incompetente" que "paralisou, desmanchou e abandonou os concelhos", que é só "conversa fiada", de "promessas", de "mentiras", que a "cidade (Funchal) estagnou", que tudo o que vê é "publicidade paga e sorriso Pepsodente" e que "esta vereação (Funchal) é a pior desde D. Manuel", parece-me que está tudo dito. Os eleitores sabem que não foi por mero acaso que, há quatro anos, sete das onze autarquias foram à vida e que os então eleitos levaram estes últimos quatro anos a pagar monstruosas dívidas criadas e pregadas no tecto, estrangulando uma parte da economia local. E que o actual governo, ao contrário do que acontecia, bloqueou contratos-programa com as autarquias que não seguiam a sua orientação política. Este tipo de discurso já não pega, porque existe maior capacidade de interpretação dos dados trazidos pela comunicação social e porque a oposição, também, tem um discurso muito mais estruturado e acutilante. O tempo de ganhar todos os concelhos e a esmagadora maioria das freguesias já pertence à História. O quadro político é hoje substancialmente diferente. Os "gatinhos" já abriram os olhos e, portanto, conquistaram um sentido de orientação que lhes permite decidir segundo a sua consciência. Quando votam não estarão "dependentes" nem da espetada, nem da poncha, nem do vinho a copo!
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS E O MITO DOS INSUBSTITUÍVEIS QUANDO, AFINAL, HÁ TANTO CIDADÃO DE QUALIDADE


Li o texto do DN. Puxei atrás a minha cassete de vida. Quem quiser conhecer o breve percurso de vida do João Pedro Vieira bastará seguir a edição do DN, de 19 de Julho, página 5. Pela sondagem do DN será eleito Vereador da Câmara do Funchal. Eu, apenas, aqui, deixo a minha vivência, quando fui seu professor na Escola B+S Gonçalves Zarco. Foi dos alunos, confesso, que mais me tocou e que continuo a trazer em memória activa. O João Pedro, para todos os professores, era um exemplo de dedicação, de empenhamento, de participação, de responsabilidade, de ajuda aos outros com dificuldades em perceber a "matéria" leccionada em várias disciplinas, um exemplo de companheirismo, de cortesia, de humor, um exemplo de cidadania, enfim, esgoto as palavras caracterizadoras de um jovem fantástico. Habituei-me a ver no João Pedro, hoje Médico (separam-nos 40 anos) a figura que eu idealizava para toda a juventude em formação: gerações nascidas pós-Abril de 1974, com princípios e valores democráticos, cultos, questionadores, inconformados, insatisfeitos com as respostas, pessoas de causas onde o ser deveria assumir sempre relevância maior em relação ao ter. 


O João Pedro foi e é tudo isto: insubmisso e tolerante, frontal e sem coluna de plasticina. Sempre gostei dele. Tenho presente muitos momentos, mas um levou-me a que dos olhos brotassem uma lágrima de satisfação profissional. Foi quando experimentou o parapente. Saiu do Pico da Cruz para aterragem no Lido. Chegado ao solo, correu para mim, deu-me um forte abraço e, repetidamente, exclamou: obrigado. Nessa fase da minha vida, incompreendida por muitos, o que esta palavra significou para mim! Do ram-ram da escola, de um programa absolutamente anacrónico, tínhamos saltado para outras regulares experiências no mar e em terra. Aquele obrigado significou que eu tinha razão, que a verdadeira escola está muito para além dos muros da escola.
Há, por aí, muitos jovens de qualidade. Lamentavelmente, no plano da participação política, ainda se refugiam, porque partem do errado pressuposto, por um lado, que não vale a pena, por outro, que talvez pelo silêncio consigam singrar na vida profissional. Esquecem-se que a construção do futuro deles depende. Que mais vale a honestidade da frontalidade do que uma vida a dançar o "baile pesado". O João Pedro seguiu o seu caminho, diferente, porque teve a felicidade de ter pais humildes e convictos, trabalhadores e estudiosos, que souberam transmitir o significado da vida e a preocupação pelos outros distante do egoísmo pessoal. 
Há dias, o João Pedro mandou-me uma mensagem. Quer tomar um café, como pretexto para uma conversa mais profunda. Vamos a isso. Para já, quem por aqui passar, fixe este nome, e que tenha a certeza que, uma vez eleito, o Funchal terá um Homem de rara inteligência, trabalhador e com grandes preocupações sociais. Um abraço, João Pedro. Felicidades.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 9 de julho de 2017

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS TRANSFORMADAS EM "QUEM DÁ MAIS?"


Está a atingir o clímax das propostas, algumas, convenhamos, sem sentido. Há candidatos que chegam ao ponto de confundirem o que deve ser da esfera de competências do governo regional, relativamente a tudo aquilo que as autarquias, e bem, devem propor e responsabilizar-se pelo seu cumprimento. Trago aqui um aspecto muito concreto: aquele que tem a ver com a responsabilidade autárquica no sector da Educação. Não sendo exclusiva, porque há competências descentralizadas na administração municipal, mas em uma Região tão pequena, com um número de habitantes muito inferior ao concelho de Sintra, as responsabilidades no quadro dos direitos fundamentais por toda a "acção social educativa", pertencem ao governo regional. Aliás, existe uma Portaria nesse sentido. Porém, o que se verifica, é que há propostas para todos os gostos e diferentes de concelho para concelho. Uns prometem livros para todos, outros prometem transportes e outros, ainda, "bolsas" de estudo aos estudantes. O governo, esse, assiste, manhosamente, impávido e sereno a este "leilão", que de todo não me parece correcto. Presumo, porque o seu orçamento é curto e se os outros pagarem, tanto melhor. Sustento que, em síntese, com uma justiça social feita (ou deveria ser) em sede de IRS, as responsabilidades pelo cumprimento do direito constitucional à Educação é da competência do governo no âmbito das políticas para este sector.

... DE PROPOSTAS, CLARO!

Por partes. A esmagadora maioria das autarquias da Região apresenta dívidas incomportáveis. Até ao céu da boca. E sendo o dinheiro um recurso sempre escasso, para atender às necessidades mais sentidas e reclamadas pela população, pergunto, qual a razoabilidade de assumirem compromissos que a outras instituições dizem respeito? Apontei um caso concreto: a Educação. Mas, façamos agora um "zoom" e situemo-nos na proposta que a candidata Rubina Leal apresentou, ontem, e que hoje foi reproduzida pelo DN-Madeira. Diz a candidata, sublinho, actual secretária regional da Inclusão e Assuntos Sociais, que pretende apoiar o transporte de 7.700 alunos, alargando, desta feita, os passes sociais aos alunos do 2º ciclo. Quer, segundo a sua posição, "colmatar uma lacuna" porque entende que se justifica um apoio, entre outras razões, também a quem tenha a residência a 500 metros da escola e não a 1.500/2.000, segundo o que está disposto pelo governo.
Ora bem, 500 metros significa estar a seis/sete minutos do estabelecimento de ensino, o que me parece uma proposta ridícula. Pode significar entrar em uma dada paragem para sair na seguinte, com a Câmara a pagar! Depois, não deixa de ser curioso que seja a secretária regional, agora candidata à Câmara do Funchal, que se apresente a combater uma Portaria do governo a que pertence, a qual estipula os apoios, por escalões, inclusive, os de âmbito dos transportes. Mas há mais. Por um lado, assiste-se ao secretário da Saúde a pedir para os utentes do hospital (e não só) subirem os andares dispensando os elevadores (até, de degrau em degrau, estão inscritas as calorias consumidas), por outro, a secretária dos Assuntos Sociais, proponha o transporte público quase até à sala de aula, em uma idade que bem podem (e devem, por hábito) andar a pé. E os alunos do 3º ciclo e secundário? E onde corta no orçamento camarário para pagar este apoio? Ficou por explicar.
E todo este "leilão" acontece quando não há dinheiro, quando a candidata reclama, apontando o dedo, a falta de obras aqui e ali que tanto jeito davam às populações. Quando a candidata sabe que são necessários muitos milhões para corrigir o pandemónio urbanístico e de equipamentos nas zonas altas e super-altas, quando sabe que durante quase quarenta anos, por falta de investimento, é alta e preocupante a água que se perde na rede e quando sabe que a reabilitação urbanística consome incontáveis milhões. Isto para não falar da dívida da autarquia.
Há oito/nove anos, na  Assembleia Legislativa, assumi que a Portaria da "Acção Social Educativa" do governo era (e continua a ser) INDECOROSA. Aquilo é um amontoado de palavras e pouco mais. Tanto assim é que os autarcas fazem propostas que venham minorar os problemas. Pois bem, deduzindo-se, agora, que aquela proposta da candidata Rubina Leal vai totalmente contra as regras impostas pelo governo a que pertence, só tem uma saída política: na próxima Quinta-feira, na reunião semanal do governo, "mandar ao fundo" a Portaria da Acção Social, exigir a revisão da mesma, para que se possa apresentar ao eleitorado com credibilidade, defendendo, de uma vez por todas, a separação das águas, entre o que deve ser da exclusiva competência do governo e da autarquia à qual concorre.
Eleições autárquicas transformadas em "quem dá mais", não, obrigado.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

É MAIS FÁCIL UMA CAMPANHA NEGATIVA DO QUE UMA CAMPANHA PROPOSITIVA


Começam a aparecer indicadores que denunciam que, alguns, pouco ou nada aprenderam com os anos que já levamos de DEMOCRACIA. Em poucas palavras: as campanhas negativas e ofensivas, muitas vezes, da dignidade das pessoas, continuam a prevalecer relativamente às campanhas de natureza propositiva. Já não é tanto a promessa fácil que está em causa, enquanto engodo para a conquista do voto, mas a proposta global definidora de uma maneira de encarar e preparar as cidades e vilas para um futuro sustentável em todos os sectores e áreas de actividade. Julgo eu, depois de muitos anos a acompanhar este processo, que é residual o número daqueles eleitores que ainda alinham ou toleram o discurso ofensivo, a promessa pontual ao nível do beco, da tampa de saneamento básico, da posição das mesas de uma esplanada ou em cartazes de uma franciscana pobreza na mensagem. Estão enganados os que pensam que, por essa via, ganham a confiança dos eleitores.  


Choca-me, por isso, quarenta e três anos depois de Abril, os alegados actos de corrupção não sejam dirimidos em sede própria, nos Tribunais, ou, então, uma juventude partidária, que deveria ser irreverente e propositiva em defesa do seu futuro, escolha exactamente a mesma conversa dos seus eventuais e históricos mentores. É triste assistir à democracia nivelada por baixo. Por um lado, por exemplo, no caso da corrupção, porque a lei é para ser cumprida, reunidas as provas concludentes da sua existência na gestão e administração da "coisa pública", não exista coragem para solicitar a respectiva investigação, antes julguem preferível alimentar ou o boato ou as manifestações mediáticas provocadoras de dúvida; por outro, na comunicação através de cartazes, os eleitores sintam que aquilo com que são confrontados não corresponde, grosso modo, à vivência do dia-a-dia.
Isto é preocupante em uma altura que é sensível que a população nutre desconfiança na generalidade dos políticos, bem presente nas altíssimas taxas de abstenção (existem outros aspectos, claro) que em nada favorecem a participação que a democracia exige. Estou em crer que todos os actos políticos menos bem pensados acabam por concorrer para esse desgaste conducente à ideia de que não vale a pena, porque todos são corruptos e todos são desonestos. Melhor dizendo, todos à excepção dos que produzem as declarações. Ora, o exercício da política não se compagina com este quadro de tensão e ofensa permanente. Para o eleitor não partidário, a esmagadora maioria, interessa-lhe, sobretudo, uma visão mais abrangente, de proposta séria em todos os sectores e áreas. Desejam credibilidade. O eleitor, à distância, com a sua experiência, confrontado com certas posições, acaba por descobrir e é capaz de dizer para com os seus botões: o que tu queres sei eu! Portanto, eu que me incluo nesse vasto leque de pessoas que pensam a sociedade e que desejam uma luta civilizada entre pontos de vista distintos, sinto-me defraudado quando em causa não está uma palavrinha simples mas de grande alcance: PROPOSTA.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

NÃO É POSSÍVEL "CANTAR E ASSOBIAR" AO MESMO TEMPO


Li as críticas e, de imediato, assaltaram-me três perguntas: primeira, alguém pode ser politicamente visado (culpado) por, em quatro anos, não ter tido possibilidades de resolver um assunto que outros, durante quase quarenta anos, não resolveram?; segunda, terá bom senso uma crítica política por obras indiscutivelmente prioritárias e não realizadas, quando outros não só não as solucionaram como deixaram uma dívida de 105 milhões de euros que urgia pagar?; terceira, será politicamente honesto confundir um saldo CONTABILÍSTICO positivo de seis milhões, com capacidade financeira de investimento, quando no decorrer do último mandato sublinharam, também, que a administração tinha dado "lucro"?


Ora bem, quando leio: "(...) O PSD/Madeira denunciou hoje a falta de investimento da Câmara na cidade do Funchal, e em particular nas redes de abastecimento de água potável" (...) a cidade “tem uma rede de água envelhecida, pouco eficiente e com grandes perdas" (...) neste momento "mais de 60% da água fornecida pela Câmara do Funchal perde-se na rede, ou seja, mais de metade da água que é paga pela Câmara é totalmente desperdiçada antes de chegar a casa das pessoas" (...) “O que os funchalenses não percebem é como a Câmara do Funchal e o seu presidente se gabam de ter tido um lucro de 6 milhões de euros no último ano, e no entanto não tenha sido feito nenhum investimento na rede de água da cidade. Nenhum funchalense percebe como é que a Câmara dá lucro, mas a factura da água continua a ser a mais alta da Madeira". Pois é, o partido que assim se posiciona é o mesmo que teve nas mãos a possibilidade de solucionar este grave problema e não o fez, apesar de tantos apelos e de públicas boas relações com o governo da região. Eu sei que o Dr. Raimundo Quintal muito lutou por isso, no tempo da presidência do Dr. Miguel Albuquerque, e reconheço que alguma obra foi realizada (as chamadas "obras invisíveis"), mas também sei que o problema de hoje tem causas profundas de desinvestimento prioritário na rede, que governo e câmara não foram capazes de solucionar ao longo de quatro décadas. Repito, quase quarenta anos!
Todos sabemos que não é possível "cantar e assobiar ao mesmo tempo", isto é, ou as dívidas são pagas e são mantidos os serviços necessários ao funcionamento da cidade, ou há investimento em obras e criam-se mais dívidas que, paulatinamente, se tornam impagáveis. De resto, as instituições públicas não podem viver à custa do financiamento privado, clarifico melhor, não podem chutar para a frente, solicitando às empresas que façam as obras no convencimento que um dia, um dia bem longínquo, alguém pagá-las-á!
Foi assim durante muitos anos, ao ponto dos madeirenses e portosantenses estarem a pagar uma dívida de quase seis mil milhões e de alguns políticos serem hoje arguidos por dívidas não reportadas (escondidas). Estamos todos a pagar por não terem sido respeitadas as PRIORIDADES, uma delas, obviamente, o caso das perdas de água, recurso escasso e cada vez mais primordial no futuro.
Portanto, o que dizer destas iniciativas políticas que repetem o discurso político do passado e não têm em conta os recursos financeiros de hoje? E o que dizer quando é manifesta a ausência de sentido de responsabilidade e de um discurso que coloque o governo da região na defesa das PRIORIDADES, as quais não são apenas do Funchal, mas de toda a Região? Sem contratos-programa assumidos nesse quadro, tiremos o cavalinho da chuva, nunca será possível, repito, "cantar e assobiar" em simultâneo. 
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

COMPORTAMENTOS POLÍTICOS. TOCA A ESTRANGULAR...


FACTO

Título do DN-Madeira, edição de hoje, página 5:
"Governo Regional deu 71 milhões à CMF entre 1992 e 2011. Desde que Paulo Cafôfo foi eleito, o investimento do GR no Funchal passou para zero"

PERGUNTA

Perante isto, o que tem a dizer a secretária regional Drª Rubina Leal, candidata à Câmara do Funchal?

COMENTÁRIO BREVE

Os eleitores têm direito ao esclarecimento da posição dos diversos candidatos.

quarta-feira, 29 de março de 2017

MUITO OBRIGADO, SENHOR PRESIDENTE!


Não tenho palavras para agradecer. Eu que tantas e tantas vezes escrevo condenando o que por aí se faz, acabo por me render às evidências do Senhor Presidente: "As pessoas estão a viver pior nesses concelhos. Muito pior de quando o PSD governava”, portanto “não queiram para a Ponta do Sol aquilo que, por um erro, por um engano, por uma omissão, os outros concelhos tiveram de levar em cima (...) Se têm dúvidas com aquilo que se passa nesta terra comparem com as câmaras da oposição”. Comparei e, por isso, vou mais longe e enalteço o esforço do governo regional em todos os sectores, áreas e domínios da governação. Um exemplo internacional da arte de bem governar, simplesmente porque, para o Senhor Presidente dizer o que disse, é porque tem, não apenas nas autarquias, mas na actividade do seu próprio governo o exemplo bastante, os insofismáveis indicadores que justificam as comparações. Muito obrigado, se tal o posso fazer, em nome daqueles que foram explorados ao longo de quarenta anos.


Rendo-me ao facto da pobreza ter baixado dos 30% para valores quase residuais; o desemprego, em pouco mais de dois anos, ter vindo dos vinte e dois mil para uma percentagem próxima do pleno emprego; ter sido conseguido o milagre da redução dos fluxos da emigração forçada; os jovens terem, hoje, a garantia de esperança no futuro, graças ao empreendedorismo; na saúde, as listas de espera por uma cirurgia, sem limpeza de nomes, encontrarem-se a níveis que causam inveja em qualquer parte do globo; ter acabado com essa vergonha de faltar medicamentos, e não só, nas unidades de saúde; ter colocado médicos, enfermeiros e restantes técnicos a viverem uma época de felicidade no trabalho; em apenas dois anos ter sido possível lançar as bases de um novo sistema de educação público, conforme determina a Constituição, reduzindo os apoios ao sector privado, os quais deixaram de ter significado preocupante; obrigado, pelos mais idosos e indefesos beneficiarem, agora, de uma ajuda de € 60,00 em complemento das suas magras pensões pagas pelo Estado; obrigado por ter interiorizado as palavras do Doutor Alfredo Bruto da Costa (já falecido) que disse, na Madeira, que a "armadilha da pobreza é a armadilha das desigualdades"; obrigado pelo apoio anual aos ainda pobres para atenuarem a aquisição dos medicamentos prescritos; obrigado pela riqueza criada que justificou uma redistribuição tão significativa que fez baixar para nível insignificante o "rendimento social de inserção"; obrigado pelos níveis de conforto nos "bairros sociais"; obrigado, Senhor Presidente, por ter colocado a dívida da Região, que foi estimada em mais de seis mil milhões, em um valor de dívida flutuante, e não fora aqueles mil milhões escondidos (Cuba Livre), praticamente a Região não devia nada a ninguém; obrigado por ter retirado, totalmente, o CINM dos interesses privados, colocando-o ao serviço da Região; obrigado, em termos comparativos, pelos escalões de IRS serem mais favoráveis que nos Açores, os combustíveis, idem, até uma simples botija de gaz passou aqui para um valor mais baixo que na região açoriana; obrigado pelo ferry que, finalmente, nos liga ao Continente; obrigado por aquela Portaria que tantos maldizentes falam, mas que tornou possível ligações aéreas tão baratas no quadro da continuidade territorial; obrigado por ter acabado com essa pouca-vergonha do monopólio dos portos e da protecção a grupos exploradores; obrigado por não ter dado ouvidos aos especialistas e nos ter protegido da mãe natureza, com a aplicação de novas muralhas nas ribeiras, aumentando, até, os espaços de circulação viária; obrigado pela rigorosa implementação de regras no ordenamento territorial, desde o POTRAM aos PDM's, durante tantos anos abandonados e a saque sobretudo na orla costeira, dando continuidade à excelência dos projectos iniciados na Câmara Municipal do Funchal onde foi presidente; obrigado pelo quase total esbatimento das assimetrias, a todos os níveis, entre zonas altas e zonas litorais; obrigado, pelo trabalho ímpar realizado no Porto Santo, destino hoje sustentável e que deixou de ser sazonal, onde as empresas regressaram pujantes e o emprego ter deixado de ser uma miragem; obrigado, pelo exemplo que deu ao assinar contratos-programa municipais, apenas com aqueles que seguem as verdadeiras políticas de desenvolvimento, colocando em sentido as autarquias que nada fazem; obrigado pela transferência dos milhões do IRS para os municípios; obrigado pela nova cultura e a nova mentalidade sensível na população; obrigado pelos milhões da "bola" entre tantas dádivas. Por isso, faço minhas as palavras de Lélio Ribeiro, em 1944, no decorrer da inauguração do Estádio Nacional:
Senhor Presidente!
"Devemos-te a esperança!
Devemos-te a paz!
Devemos-te o presente!
Mas a partir de hoje a nossa dívida tornou-se ainda maior:
Devemos-te a certeza!
Devemos-te o futuro!
Em nome de todos nós!
Em nome de todos aqueles que hão-de vir depois de nós, 
mais fortes e mais saudáveis!
Bem hajas (...) por teres cumprido a tua promessa!
Obrigado pelos séculos fora!
Obrigado para sempre (...)"
Viva Senhor Presidente
Viva a Madeira. 
Conta o historiador que a multidão, nessa inauguração, "doida de entusiasmo, ergueu-se, voltada para a tribuna, às palmas e aos vivas, acenando os chapéus, agitando bandeiras, numa ovação verdadeiramente delirante, espantosa, única" (livro O Desporto e as Estruturas Sociais, do Professor José Esteves, página 149).
Obrigado Senhor Presidente! Viva a sua ironia!
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 24 de março de 2017

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS E A AVALIAÇÃO DAS CONSEQUÊNCIAS!


A Drª Rubina Leal, secretária regional da Inclusão e Assuntos Sociais e candidata do PSD-M à Câmara Municipal do Funchal, no plano meramente político, está metida em uma situação muito complexa de gerir. Escrevo, saliento uma vez mais, no plano da apreciação política. A questão é simples: se ganhar a Câmara, o que parece muito improvável face à sondagem publicada pelo DN-Madeira em Janeiro passado, saltará do governo para a Câmara e alguém a substituirá na pasta que agora ocupa. Se perder, o que, volto a salientar, constitui a hipótese que se presume crível, nestas circunstâncias ficará tão fragilizada que obrigá-la-á a repensar o seu futuro. 
Deixo aqui a primeira página do DN-Madeira
que sintetiza uma sondagem realizada,
em Janeiro passado pela mesma empresa:
EUROSONDAGEM.


É que o Funchal corresponde a quase metade da população da Madeira e uma derrota no maior concelho colocá-la-á em situação de pouca credibilidade no patamar da governação. É uma questão de leitura política. Não estão em causa questões técnicas e profissionais, mas as leituras políticas e respectivas consequências que entram na equação. É assim em qualquer parte, pelo que este quadro não deve ser menosprezado, embora saiba eu que, na Madeira, há uma tendência genérica para a desvalorização. 
Depois, coloca-se uma outra questão: no caso de perder, assumirá o lugar de vereadora? Se tal não acontecer, a óbvia pergunta que se coloca talvez seja esta: então, as pessoas votarão nesta candidatura para quê? Para verem o seu voto substituído por uma outra figura da lista em quem não entregaram o seu voto? E o próprio Dr. Miguel Albuquerque, por extensão, não ficará politicamente "chamuscado" com a derrota, uma vez que se tratou de uma escolha sua?
Mais, ainda, continuo no plano especificamente político, não foi a Drª Rubina Leal vereadora da Câmara que aprovou vários orçamentos que conduziram a autarquia a uma dívida superior a cem milhões de euros? Que posições travão é que assumiu no período que teve responsabilidades? O escrutínio rigoroso destas situações, entre muitas outras, deve motivar os cidadãos, porque, se relativamente ao actual presidente da Câmara, julgo que os funchalenses têm uma leitura global do mandato, portanto, estão em condições de decidir o que melhor entenderem, já o que ficou lá para trás deve merecer cuidada apreciação para que não sejam cometidos velhos erros políticos.
Ilustração: Google Imagens.