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domingo, 24 de janeiro de 2016

DE CATAVENTO A PRESIDENTE


O meu candidato perdeu. Venceu quem eu não desejava, o Doutor Marcelo. Venceu quem teve uma exposição mediática durante vinte e tal anos e ao colo foi levado. Respeito, obviamente, os resultados, mas não me convencem. Não fui eu que disse, mas Pedro Passos Coelho, que ele era um catavento. Por algum motivo assim desabafou, embora, mais tarde, tivesse pedido o voto no seu candidato. Caso para perguntar, qual deles o melhor? Mas quem sou eu para questionar o voto dos portugueses. A única coisa que depreendo é que não têm emenda. Queixam-se, manifestam-se contra a austeridade, atiram-se ao PSD/CDS pela vergonhosa política perpetrada ao longo dos últimos anos, mas continuam a votar em quem, pela prática, não merecia o seu voto. Há um certo masoquismo político, deduzo, em tudo isto. Quanto mais me bates, mais de ti gosto! Parece-me ser uma inclinação natural de um povo que, embora desta vez tendo tanto por onde escolher, acabou por dar o voto à figura que faz parte do grupo que o espezinha, dentro e fora do país.


Mas esta é, apenas, uma posição. Eu que me encontro afastado das lides políticas, partidárias e outras, sinceramente, já nem quero saber. Mantenho-me, como cidadão atento, e nada mais do que isso. O povo quer assim, gosta que assim seja, detesta tudo o que venha da cidadania mais pura, depois queixa-se, lamenta-se, mas o que fazer, pergunto, quando se deixa enredar e tomar como certa a propaganda inteligentemente montada. Até o Tino, segundo escutei, chegou a estar à frente de Maria de Belém e de Edgar Silva. Espantoso.  
Conta-se pelos dedos de uma mão a paciência que tive, ao longo dos anos, para escutar os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa. Não por ser uma destacada figura do PSD, mas porque nunca as suas posições me convenceram. Talvez porque tenho tido a possibilidade de ler outras análises e de cruzar muita outra informação, Marcelo, nas vezes que o escutei, sempre me deu a ideia de uma figura política superficial, um político plástico, com muito paleio e pouca consistência, de palavra fácil mas sem profundidade e independência política. Bastas vezes dei comigo a pensar sobre as suas posições de natureza social deste nosso país esfrangalhado e de pobreza crescente, e não me ocorre uma única posição pública de chamada de atenção e de combate à miséria. Dou comigo a pensar sobre a exploração que vai no mundo laboral, no desemprego e na emigração e nada trago em memória activa sobre posições claras e inequívocas sobre o combate a esses dramas. Dou comigo a reflectir sobre as dramáticas situações vividas nos sistemas de educação e de saúde, tentando descobrir alguma coisa que me tivesse ficado retido como posição estruturante do seu pensamento. Nada. Ficou-me aquele blá, blá de circunstância que não adianta e não atrasa. E a pergunta que deixo é esta: o que esperar deste novo Presidente da República, se no seu cardápio político o que sobra é uma montanha de palavras, mas vazias de conteúdo político, económico, financeiro, social e cultural? De qualquer forma, é sempre de bom tom cumprimentar os vencedores e Marcelo foi, indiscutivelmente, eleito. Da mesma forma que deixo muito claro que a posição do PS DESILUDIU-ME, completamente. Desde a primeira hora. Mas, enfim, estou fora.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A POUCAS HORAS DO ACTO ELEITORAL, ESTE TESTEMUNHO VALE A PENA SER ESCUTADO


As sondagens são um indicador, devem ser consideradas, mas não dizem toda a verdade. A revista Visão, ainda recentemente, questionava: "Podemos confiar nos estudos sobre intenção de voto? Menos disponibilidade dos inquiridos e desfasamento das bases de dados podem explicar a maior divergência de resultados, mas a verdade é que NINGUÉM VIGIA as empresas de sondagens". "Não há qualquer tipo de fiscalização efectiva", nota António Salvador, 57 anos, presidente do Conselho de Administração da Intercampus e ex-presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Estudos de Mercado e de Opinião. Está tudo dito. Em dez candidatos querem fazer de um o vencedor antecipado. Já teve mais de 60% das intenções de voto, dizem que anda pelos 52% e acabará, é a minha convicção, em uma segunda e absolutamente NECESSÁRIA volta. Espero que isso venha a acontecer. Entretanto, ouçamos Pedro Barroso. É exactamente o que ele diz que me leva a votar em Sampaio da Nóvoa.

 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

PRESIDENCIAIS E A NECESSIDADE DE UMA SEGUNDA VOLTA


Cada dia que passa, quanto mais oiço os candidatos, mais reforço as minhas convicções em Sampaio da Nóvoa. O seu passado, os grandes contributos dados à Educação e à Ciência, as marcas do seu discurso que definem a sua interpretação de um verdadeiro Estado Social, a sua opção europeísta, mas não a qualquer preço, a segurança, por um lado, e a humildade, por outro, o cidadão limpo de muitas teias e movimentos obscuros, tudo isto faz-me acreditar que há razões para um tempo novo. Votarei, como sempre o disse, em Sampaio da Nóvoa. Não quero na Presidência um qualquer de passado ziguezagueante, que utiliza as palavras em função das plateias e dos interesses, que nega hoje o que disse ontem. A Presidência é demasiado importante para entregá-la ao bas-fond da política e tudo o que se esconde para além da cortina do palco.


Por alguma razão três ex-Presidentes da República o apoiam; e por alguma razão é quase infindável a lista de nomes de todas as áreas do conhecimento bem conhecidos na sociedade portuguesa. Pessoas com sentido de análise, preocupadas com o nosso Portugal, que não se deixam ir na treta do comentário fácil, no ar folgazão e nos produtos que a televisão tenta vender. Há um desses candidatos que só me faz lembrar o "calcitrim". Milagroso! Eu, pelo menos, não o compro, mesmo que metralhado, diariamente, com as hipotéticas vantagens anunciadas por uma série de personagens de circunstância. Prefiro guiar-me por outros instrumentos, mais fidedignos, seguros e muito distantes da "banha da cobra".
Ademais, com dez candidatos, até por uma questão de segurança colectiva, desejo uma segunda volta. Julgo que isso irá acontecer. E quando sublinho, por segurança, é porque essa possibilidade garantir-nos-á um poder de escolha mais assertivo. Com dez, escolher à primeira, é como acertar no euromilhões. Com dois, em uma segunda volta, tudo ficará muito mais clarificado. Os debates voltarão a acontecer, as posições dúbias deixarão de ter eficácia e o povo poderá decidir em um dos dois que se apresentarem aos seus olhos. O julgamento das suas palavras, dos princípios e valores que os norteiam será, parece-me óbvio, mais consistente. Ganhará a democracia.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

TODOS OS DIAS, MARCELO AFUNDA-SE!


Um dos primeiros gestos como Presidente da República será "para Ronaldo", disse-o Marcelo Rebelo de Sousa em campanha eleitoral na Madeira. É caso para dizer que este candidato, no plano político, não bate bem da bola. Todos sabemos o que representa a marca CR7 no mundo. Todos sabemos o que significa uma breve frase de Ronaldo no que concerne à promoção da sua terra de nascimento. E sabemos, também, o que isso significa para o turismo na Madeira. Mas não é disso que se trata. Poderia até fazê-lo, se lá chegar, claro, o que duvido, mas nunca deveria dizê-lo. Em visita à Madeira, as grandes questões desta terra não se resolvem com a marca CR7. Se assim fosse todos os problemas estariam resolvidos, se em conta tivermos todo o passado deste notável jogador. Ora, neste contexto, o candidato deveria posicionar-se sobre as questões da economia, sobre a pobreza, sobre a gigantesca dívida pública, sobre as questões laborais, a dupla austeridade, mas nada, nem uma palavra sobre os dramas que milhares de famílias estão a passar. Por exagero da minha parte, CR7 resolve!

Sampaio da Nóvoa, Presidente!

No Continente, Marcelo quer Passos e Portas longe da campanha, e conhecem-se as razões, mas aqui aceitou a presença e os contributos de propaganda de Jardim e de Albuquerque. Está no seu direito, obviamente, mas não deixa de ter uma leitura política. Mas não é isso que me preocupa. O que é inquietante é o silêncio de Marcelo perante os muitos e complexos dossiês da região AUTÓNOMA da Madeira, o seu Estatuto Político-Administrativo, sistematicamente violado pelo Tribunal de Contas e pelo Tribunal Constitucional, com muitas implicações constitucionais que mereciam uma cuidada e distanciada reflexão. Na Saúde e na Educação, por exemplo. Não se ficou a saber o que pensa. Vendeu a imagem, com beijinhos e abraços. O Porto Santo e a Madeira mereciam mais de um candidato. Mas isto é Marcelo, no seu habitual passeio entre a chuva sem se molhar, nem uma coisa nem outra, antes pelo contrário! 
Marcelo é bem o espelho de uma caixa de chocolate, embrulhada em fino papel de celofane, com um belíssimo laçarote, mas fora de prazo. Quem comprar arrisca-se, estou certo disso. Entendo que devemos eleger um Presidente da República de palavra, que cumpra e faça cumprir a Constituição, não um Presidente comprometido com todas as suas costelas partidárias.  
Ilustração: SNAP.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

NA PRESIDÊNCIA UM "GENERAL" QUE NÃO ABDIQUE DE ESTAR COM OS SOLDADOS RASOS


Não tenho o sentimento de medo, mas atormenta-me e muito receio que o povo se deixe ir no paleio de Marcelo Rebelo de Sousa. Um homem quase profissional da política, que vende o seu discurso baseado na sua "experiência" partidária, com sistemáticas, provadas e gravosas contradições. Marcelo não me engana, como Cavaco Silva nunca me enganou ao que vinha. Ainda ontem, em artigo de opinião no DN-Madeira, o Dr. Roque Martins escreveu: "(...) O que existe em Cavaco é má-fé, que é um sentimento racional e significa que a nossa posição está tomada antes de ouvirmos o argumento do outro. (...) "É pobre a democracia que se mede aos palmos. Como pobre a democracia que, nestes anos de chumbo, teve um Presidente constitucionalmente concatenado. O país destroçado e ele (PR) preocupado. Com o funcionamento regular das instituições quando é o funcionamento irregular das instituições que mais importa. Não é o nosso direito de voto que está em causa, é o sentido que ele retirou aos votos que lhe deram". Marcelo encaixa-se, perfeitamente, nesta análise.


Gostaria de ver na Presidência o Homem de Estado, o general que não abdique de estar com os soldados rasos. Dispenso, por isso, o homem providencial produto de jornais e revistas; rejeito um "Cavaco a cores" como alguém disse, que esvazie, ainda mais, a função presidencial. Eu quero sentir que ali está o fiel da balança, o bom senso, a respeitabilidade, a confiança, a competência, a sabedoria, a capacidade de diálogo e a persuasão. Mais, ainda, que o Presidente seja uma referência para todos os portugueses. Carecemos de referências como de pão para a boca! Precisamos de um Presidente que dignifique o País nos planos interno e externo, que não se submeta e faça da intriga político-partidária o "modus-operandi" da sua função. Desejo um Presidente de uma só palavra ao longo de todo o tempo e não de palavra conforme. Quero um Presidente que exerça o seu magistério de influência para que a EDUCAÇÃO seja o pilar fundamental do nosso crescimento e desenvolvimento. Estou com o Doutor Raimundo Quintal, Mandatário Regional: "(...) Aderi desde a primeira hora à candidatura do Professor Sampaio da Nóvoa, porque acredito que será capaz de semear a esperança, fazer crescer a dignidade e podar as desigualdades. Aceitei esta missão, porque estou convicto que este é o tempo de dar as mãos, o tempo de agir para que milhares de seres humanos, que têm sobrevivido vergados nestas ilhas, readquirem o direito de viver felizes. Participo neste projeto, porque, como sabiamente escreveu o Papa Francisco na Carta Encíclica LOUVADO SEJAS: “É fundamental buscar soluções integrais que considerem as interações dos sistemas naturais entre si e com os sistemas sociais. Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise sócio-ambiental. As diretrizes para a solução requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza”.
Ilustração: Google Imagens

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

"SÓ VALE A PENA SER PRESIDENTE DA REPÚBLICA SE FOR EM NOME DAS PESSOAS (...) E DAS QUESTÕES DE CONSTRUÇÃO COLECTIVA"


"(...) Do próximo presidente espera-se uma interpretação mais lata e criativa do teor e abrangência do formalismo constitucional. (...) Pode constituir-se em consciência crítica, atuante, alertando para as situações de mal-estar social. Um presidente capaz de remar contra a maré, alguém habituado à escuta do mundo, com consciência cidadã e um apurado sentido de justiça, de solidariedade e de respeito pelo outro, na raiz das ideias. Os tempos de hoje e de amanhã exigem comprometimento com as grandes questões das pessoas de todos os lugares deste país feito de urbes litorais superlotadas e caóticas, interioridades e insularidades doentes de isolamento, em crescente e inquietante processo de abandono, desertificação e desumanização. (...) O presidente não pode assistir impassível ao crescimento brutal do desemprego, do empobrecimento, dos baixos salários, da precariedade a que estão condenadas esta e as futuras gerações. O presidente não pode encolher os ombros e refugiar-se na cidadela de Belém, quando a fragmentação da sociedade pulveriza a coesão social e a unidade nacional. 


(...) É preciso voltar a colocar a cidadania - e não as questões financeiras - no centro do sistema político e restituir direitos inalienáveis de modernidade civilizacional às pessoas. Esta terá de ser a base de qualquer estratégia política de futuro. Não esquecer os 65% de seniores com pensões abaixo de 200 euros - a imagem da falha democrática do país - a maioria deles condenados ao abandono e isolamento; que a idade não é um problema de cronologia, mas de cidadania; que o aumento da esperança de vida é uma virtuosa consequência do desenvolvimento da humanidade à escala mundial e, sim, tem impacto na organização do Estado Social, no acesso aos direitos humanos, de que não podemos abdicar; que tudo no conjunto coloca novos problemas às famílias, à sociedade, à ação política, mas que urge compatibilizar com os valores da liberdade, igualdade e justiça. Ou não haverá democracia. (...) Há presidente para isto? Há. Alguém cujo posicionamento lúcido e crítico sobre o país, cujo percurso de rigor, de construtor de diálogo, congregador de diferenças, inspira confiança. (...) “Só vale a pena ser presidente da República, se for em nome de um conjunto de pessoas, de discussões, de temas, de questões de construção coletiva, em liberdade, sem medo…” De quem falamos? De Sampaio da Nóvoa, o candidato certo para Belém.
NOTA
Excertos de um importante artigo de opinião da Drª Júlia Caré, publicado na edição de hoje do DN-Madeira.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

MARCELO NEM DISFARÇA O QUE É!


"Eu acho que não se deve deixar para amanhã o que se pode fazer hoje" (...) "se se pode votar, decidir e definir (o Presidente da República) no dia 24", por que deixar para depois? Confesso que este tipo de declaração, conjugada com aqueloutra "(...) daqui a semanas sou presidente da República", enquanto cidadão deixa-me, não digo enervado, mas desapontado com a interpretação que Marcelo Rebelo de Sousa faz da Democracia, 40 anos depois de Abril. Para ele a eleição do mais alto Magistrado da Nação é coisa de somenos importância, é assunto de pescada (antes de o ser já o era), politicamente, transmite a ideia de ser adepto do prato à moda de tempos idos, de Américo Tomaz, por exemplo, cujo acto eleitoral constituía, apenas, uma confirmação do previsto na lei. Marcelo transmite o que lhe vai nas entranhas do seu pensamento e resvala, não se coíbe, é a rifa, tal como sublinhou o candidato Sampaio da Nóvoa "(...) votar em Marcelo é o mesmo que escolher uma rifa. Nunca se sabe o que nos irá calhar em sorte". Podia disfarçar, mas nem isso. Uma certa arrogância tolda-lhe a sensatez que deveria, no mínimo, transmitir. 


Marcelo não aprendeu nada em quarenta anos de democracia. Ou aprendeu tudo! Conhece a idiossincrasia de uma parte do povo que não domina e não sabe cruzar as realidades envolventes, sabe que uma parte do povo não aprende com as experiências passadas e sabe, também, que há interesses instalados ao mais alto nível, que não fazendo campanha directa, dispõem de instrumentos que conduzem ao comportamento que esperam dos eleitores. "(...) Os senhores da aldeia têm a sua própria agenda política e resistem a quaisquer mudanças económicas e sociais que não se ajustem aos seus interesses financeiros. Juntos eles exercem um poder homogeneizante sobre as ideias (...) presidem à circulação de imagens e informações que determinam as crenças e atitudes e, em última instância, o nosso comportamento (...) tornaram-se gestores das mentes" (Ben H. Baddikian). Marcelo sabe disso, é catedrático nos meandros e bas-fond político, daí que não estranhe esta forma de viver e sentir a democracia. Mas está enganado.
Se há uma parte do povo, por razões diversas, educacionais, culturais, entre muitas outras, anda alheada da realidade, uma outra parte é esclarecida e está a ver o jogo. Que entre esta atitude de quem se sente superior aos demais, que transmite sinais de prepotência e de desprezo pelos outros, e um candidato que coloca a democracia acima de tudo, que transmite ideias e deixa ao povo a decisão soberana de, em liberdade, escolher, estou convencido que optará pelo segundo. Se Marcelo Rebelo de Sousa apresenta, na montra, o que tem apresentado, pergunto, o que não esconderá no armazém?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

PRESIDENCIAIS. DEPOIS DO DEBATE, CONCLUO: NEM UM NEM OUTRO!



Segui o debate. Marcelo sempre no seu registo de contrariar os seus posicionamentos anteriores. Disse, mas não disse! Maria de Belém, melhor, mais segura e propositiva. Marcelo continua a demonstrar insegurança. De qualquer forma, do meu ponto de vista, nem um nem outro revelaram condições para o exercício da Presidência. Sampaio da Nóvoa continua a ser o mais credível.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A ENGRENAGEM ESTÁ MONTADA


É certo que o candidato Marcelo Rebelo de Sousa anda a fazer-se de morto. Com desrespeito pelos adversários até já disse que dentro de semanas será presidente. Tenho a sensação que o tiro sair-lhe-á pela culatra, desde que se iniciaram os debates entre candidaturas. O comentador e fazedor de opinião tem sido uma sombra daquela atitude de tudo sabe que o marcou durante anos. Da política ao futebol passando pelos livros, Marcelo demonstrou sempre, eu não diria arrogância, mas a transmissão de uma ideia de homem providencial. Ganhou embalagem, candidatou-se e nem um cartaz na rua que sintetize ao que vem. Nada. Tipo pobrezinho mas honrado, tal como em outros tempos! Agora, nos debates, do discurso a solo para a confrontação das ideias, sinceramente, não consegui até hoje reter, no mínimo, uma. A segunda volta parece-me estar no horizonte mais provável. 


É evidente que compete aos portugueses a eleição do próximo Presidente da República. Eu já fiz a minha opção e, certamente, uma grande parte dos meus concidadãos terão em consciência a sua aposta. O que eu lamento é a ausência de independência de alguma comunicação social. Uns são filhos e outros enteados. A Marcelo abrem-se-lhe as portas, a outros, condiciona-se. São tantos os exemplos. É uma luta que me parece desigual, umas vezes de forma descarada, outras, subtilmente concretizadas. Por exemplo, em tempo de campanha (pré-campanha!) havia alguma necessidade da TVI escutar a opinião do Professor Freitas do Amaral? A este propósito li (aqui) um texto da autoria de Fernando Paulouro Neves: 
"Na engrenagem de propaganda ao candidato Marcelo Rebelo de Sousa, a tvi levou lá o Prof. Freitas do Amaral, a fazer o frete lamentável de elogiar o parceiro. Um tempo de Antena, à semelhança dos que havia antigamente. Não esperava, contudo, assistir a um procedimento pusilânime de Freitas do Amaral, onde, assumindo a postura de inspector pidesco disse desconhecer a vida (privada?política?) do Prof. Sampaio da Nóvoa, chegando ao ponto de insinuar que ele poderia estar em Tancos, no 25 de Novembro. A Pide ou a DGS, que é mais do tempo em que Freitas abençoava a ditadura, não fariam melhor. A "jornalista" poderia ter-lhe dito que até foi publicado, já durante a campanha, uma biografia (não oficial) do Prof. Sampaio da Nóvoa, com a fotografia do candidato na primeira página, que é um trabalho sério do jornalista Fernando Madaíl, como reconheceu, aliás, Pacheco Pereira que sublinhou o facto de isso nem sempre acontecer em biografias que andam por aí (a de Passos Coelho, por exemplo). Nesta campanha eleitoral não têm faltado à comunicação social a fabricação de acontecimentos de favorecimento do super-protegido Marcelo, tratado como um candidato que Deus tivesse enviado à "santa terrinha" (como dizia o Jorge de Sena) para redimir o comportamento político dos indígenas.
Tão indignado como eu, o meu amigo António Russo Dias colocou o seguinte comentário na sua página: "Compreende-se o apoio de Freitas do Amaral a MRS. Ele próprio enumerou algumas razões como a antiguidade da amizade e os laços académicos e profissionais que os unem. "Esqueceu-se" de uma outra: ambos foram entusiásticos apoiantes do fascista Marcelo Caetano. Veremos agora quais serão os apoiantes dos outros nove candidatos que a seráfica locutora entrevistará a seguir".
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A INDEPENDÊNCIA DE MARCELO É UMA TRETA


O candidato à Presidência da República Marcelo Rebelo de Sousa, sistematicamente, parece-me olhar ao espelho e questionar: espelho meu, espelho meu, há alguém mais independente do que eu? Apenas fui fundador do PSD, presidente do PSD, deputado do PSD, autarca do PSD, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros pelo PSD, Ministro dos Assuntos Parlamentares pelo PSD, conselheiro de Estado pelo PSD, professor nas universidades abertas do PSD, enfim, entre tantas funções, alguém poderá colocar em causa a minha independência, perguntará. A verdade, porém, é que assisto ao seu insistente posicionamento como verdadeiro e único independente. Quando não tem nada de independente este assumido neoliberal, tal como a esmagadora maioria dos candidatos não deve assumir uma espécie de virgindade política. Como se isso fosse possível! Obviamente que todos temos as nossas convicções que devem ser respeitadas. Compete-nos, agora, enquanto eleitores, ouvir, perceber a sua mensagem, relacioná-la com tudo o que se encontra à volta, não seguir o caminho dos fazedores de opinião e definir quem melhor assegura a mais alta Magistratura de Portugal. Marcelo independente é, portanto, uma treta.


Eu que sou militante socialista não aposto nos socialistas Henrique Neto e Maria de Belém. Têm esse direito de candidatura, mas com todo o respeito pelos seus percursos de vida, oiço-os e neles não vislumbro a conjugação de capacidades que podem tornar Portugal diferente. Tenho, desde há muito, por Edgar Silva uma grande estima e consideração pessoal, um Homem bom que fica na História da Madeira pela sua vida dedicada à luta pelos que se encontram nas margens da sociedade, porém, neste momento e no contexto da correlação das forças políticas, reconheça-se que não existem condições objectivas para a sua eleição. Prefiro o reforço no candidato que se apresenta abrangente, que transporta princípios e valores sociais, que conhece como nenhum outro as verdadeiras questões da Educação e da Ciência que poderão, a prazo, tornar Portugal um país diferente e competitivo. A questão essencial é esta: ou temos alguém na Presidência com um olhar diferente que provoque um choque nos direitos sociais, mobilizador de qualquer partido que lidere o poder executivo, ou arrastar-nos-emos nesta lengalenga tal como foram estes dez anos perdidos de Cavaco Silva. 
O meu posicionamento por Sampaio da Nóvoa vem de longe. Li muito dos seus contributos para a Educação e Ciência, única forma de romper com a pobreza "que se está a tornar paisagem", conheço a forma clara e muito incisiva como aborda os temas sociais, sei da sua atitude conciliadora através do diálogo, que não é pessoa para olhar para a Constituição da República e entendê-la como um empecilho aos grandes interesses, portanto, emergindo esta candidatura de uma decisão individual e não vinculada a grupos, entendo-a como a que melhor serve Portugal. E isto tudo para dizer que Marcelo Rebelo de Sousa não pode querer passar por aquilo que não é.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O CANDIDATO MARCELO TEM DE SER CONFRONTADO COM A SUA HISTÓRIA POLÍTICA


Estamos a dias da eleição presidencial e constata-se um silêncio (intencional) que enerva. Os debates já deveriam ter começado, a confrontação política há muito que tinha de constituir assunto político do dia-a-dia. As razões do silêncio são perceptíveis. 


Hoje, assisti à presença do candidato Doutor Marcelo Sousa em uma instituição de idosos. Preocupadíssimo com as questões sociais. Irrita-me este tipo de visitas, com beijinhos e abraços de circunstâncias. Repudio, completamente, porque dos pobres são se lembram por ocasião dos actos eleitorais. Participei em muitas campanhas eleitorais, mas nunca, por opção, visitei lugares onde a leitura fosse considerada politicamente oportunista. Marcelo Rebelo de Sousa anda por aí a passar uma imagem que não corresponde ao seu verdadeiro pensamento. E a prova está aí, vasculhando dados históricos, a própria Lei dos Serviço Nacional de Saúde não contou com a sua "benção". 
Está em causa a Presidência da República e, portanto, não é admissível que os candidatos tentem passar "entre a chuva sem se molharem". Temos o direito de os conhecer profundamente. Temos o direito de combater toda e qualquer intenção de levar ao colo seja lá quem for. A bem da democracia e do respeito pelo povo.
NOTA
Ler aqui: 
http://observador.pt/2015/12/27/ps-lembra-marcelo-votou-lei-bases-do-servico-nacional-saude/
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

"DAQUI A SEMANAS SOU PRESIDENTE DA REPÚBLICA"


Só por esta declaração de exacerbada presunção os portugueses deveriam dar a resposta adequada. Trata-se de uma frase que tem história, pois só seria possível no tempo do Almirante Américo de Deus Tomás, porque sabia que o povo não era soberano na decisão. Porque, nesse tempo, as eleições eram falseadas, havia sabotagem eleitoral e que, portanto, fosse qual fosse a intenção do povo, os energúmenos da teia política encarregavam-se de ditar o vencedor. Os tempos são diferentes, daí que o candidato Marcelo Rebelo de Sousa deveria poupar-nos a esse julgamento pessoal a partir de meros indícios e onde a humildade não existe.


Não gosto do político Marcelo Rebelo de Sousa. Respeito-o enquanto pessoa pública. Só aí. No plano político considero-o vazio, plástico e superficial. É um político de generalidades, que diz coisas, que ouve este e aquele, produz sínteses e prega(va), semanalmente, a "homília" partidária. É o tipo político sabe tudo, que tem resposta para tudo, mas que nunca vai ao fundo dos temas. Fica-se por ali. Alguém, depois de tantos anos de comentários políticos, conhecerá o seu pensamento relativamente às políticas de educação, de saúde, ambientais, sociais, culturais, económicas, financeiras, política externa, política de emigração ou política europeia? Enfim, faço um esforço para lembrar-me de uma, apenas uma declaração sua que me tivesse agradado e, infelizmente, não encontro. E, julgo eu, não ando assim tão distraído.
Marcelo tem de ser, por tudo isto, chamado para o centro do debate. Tem de ser confrontado, não a solo, mas frente-a-frente com os outros candidatos. Não pode ser levado ao colo por uma comunicação social que se estende ao jeito de tapete presidencial. Os portugueses têm direito ao confronto das ideias, o direito de ouvir os candidatos sobre o pensamento que transportam em todas as matérias determinantes no exercício da mais alta Magistratura do País. A definição do próximo Presidente da República depende dos portugueses e não de quem anda a fazer, paulatinamente, a caminha política onde se deitará nos próximos cinco anos. Portugal não pode ficar refém de interesses que se jogam nos bastidores. O jogo tem de ser aberto, e é através do debate, olhos nos olhos e perante os portugueses que a opção deve ser tomada. Para que não corramos o risco de ter mais um Cavaco na Presidência, embora com estilo diferente.Quem pode aceitar uma frase destas: serei "politicamente imparcial mas SOCIALMENTE parcial".
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS - "GATO ESCALDADO DA ÁGUA FRIA TEM MEDO"


É curioso. Os partidos são assim ou assado. Os políticos, genericamente, corruptos, palavra esta no sentido mais abrangente do seu significado. Por isso, doravante, dizem, importantes são os movimentos de cidadania que congreguem as vontades do povo que nem sempre são as dos poderes tradicionalmente instituídos. Nada tenho contra esta vaga ou leitura do exercício da política. Sei e defendo que a verdadeira Democracia não começa e não se esgota na via partidária, embora entenda que seja mais profícuo os eleitores mudarem os partidos do que fragmentarem a sociedade. Porém, em abstracto, e isto é que aqui me traz, os mesmos que vilipendiam os políticos, são os mesmos que na hora da eleição de um Presidente da República, de um presidente nascido fora dos corredores normais da politiquice e do seu bas-fond, apareçam a dizer, ah... mas ele não tem passado político, falta-lhe experiência, por onde andou, só agora é que aparece, enfim, mil e uma historietas da treta apenas para descredibilizá-lo, na tentativa de abrir alas, a quem, pergunto? Exactamente àquele que percorreu os tais corredores da política, que concorreu e nunca nada ganhou, que é uma figura partidária desde que o PSD é PSD e que, pasme-se, tenta, agora, passar por um imaculado independente. De uma pressuposta virgindade política própria de altar. A comunicação social anda a fazer-lhe a caminha de tal forma que, segundo se sabe, nem um cêntimo gastará em cartazes! Espantoso, não é?


Falo de Marcelo Rebelo de Sousa vs Sampaio da Nóvoa. O primeiro é, para muitos, "o Professor"; o segundo, apesar de Professor Catedrático e ex-Reitor da Universidade de Lisboa, portador de dois Doutoramentos, um em Ciências da Educação e outro em História Moderna e Contemporânea, para a comunicação social não passa de um quase intrometido em matéria de presidenciais. Parece não interessar a pessoa, o conteúdo, o que significam os valores que defende, o facto de brotar da tal sociedade não partidária, tudo isso, pelo que tenho assistido, é remetido para plano secundaríssimo, pois o que interessa, agora, é o homem partidário, mesmo que desse político ressaltem situações passadas que não abonam em seu favor. Que o diga Paulo Portas que o considerou "filho de Deus e do diabo. Deus deu-lhe a  inteligência e o diabo a maldade"(ver aqui). Depois de tantas cenas pouco edificantes, é vê-los, hoje, tão casados nesta candidatura, ao ponto de ter escutado, esta manhã, uma declaração de Paulo Portas a enaltecer Marcelo como um político "abrangente e caloroso". Que hipocrisia e que sentido oportunista.
Não confio na sondagem hoje publicada que dá uma folgada vitória, logo à primeira volta, ao candidato Marcelo Rebelo de Sousa. Será possível, como foi divulgado, que Marcelo conquiste votos junto do eleitorado do Bloco de Esquerda, do Partido Comunista e do Partido Socialista? Não acredito e parece constituir uma passagem de uma qualquer anedota. Cheira-me, por isso, a grosseira manipulação. Que uma certa comunicação social esteja a levá-lo ao colo, por razões empresariais, partidárias e ideológicas que bem se percebem e que são públicas e notórias, compreendo, mas esta de assumir que uma parte dos eleitores do PCP votarão no candidato da direita, bom, essa é por demais fantasiosa. Logo um eleitorado que é dos mais politicamente esclarecidos no plano das opções eleitorais. Daí que, repito, embora estejam a fazer a caminha a Marcelo, não acredito nesta intenção do eleitorado. Aliás, será que nada significa o facto de Sampaio da Nóvoa ter o apoio explícito de Mário Soares, Ramalho Eanes e Jorge Sampaio, três ex-presidentes da República? Tem significado zero o facto de tantas referências públicas, de todos os quadrantes políticos, económicos, sociais e culturais estarem ao lado de Sampaio da Nóvoa? Ora bem,  exige-se decência e rigorosa independência dos órgãos de comunicação social. Que eu, no meu blogue ou no FB, demonstre a minha intenção de voto, é uma coisa, sou eu e apenas eu, porém, à comunicação social exige-se distanciamento, esclarecimento e rigor. Quando tal não acontece, ora bem, só há uma palavra para caracterizar: manipulação. 
Termino, deixando aqui as declarações de um outro académico, hoje ministro, Doutor Augusto Santos Silva: "(...) António Nóvoa apresentou-se sem subterfúgios nem tacticismos. Quero um Presidente que contribua para consciencializar os Portugueses das dificuldades por que passam, mas também para exortá-los a que as ultrapassem, valorizando o território, a língua, a educação, o conhecimento, a iniciativa e o talento. Quero um Presidente orientado para o futuro, que projete esperança".

domingo, 11 de outubro de 2015

PRESIDENCIAIS. MARCELO, "UM JOGADOR E ÁRBITRO AO MESMO TEMPO".


Quando ouvi o Professor Marcelo dizer: "(...) Cumprirei o meu dever moral de pagar a Portugal o que Portugal me deu", perpassou-me, de imediato que, enquanto cidadão português, a mim nada me deve, nem directa, no plano pessoal, nem indirectamente, no plano dos meus impostos. Sobre esta matéria li um comentário bem humorado do meu Amigo José Manuel Lira Caldeira que aqui reproduzo: "já revistei o rol dos fiados e verifiquei que não me deve nada". Exactamente o que se passa comigo. Ora, o Professor Marcelo tem todo o direito (e ainda bem) de candidatar-se à Presidência da República. Ficou tudo clarificado. Acabou a história de "ser árbitro e jogador ao mesmo tempo" como salientou o Professor Sampaio da Nóvoa, também candidato. Simplesmente porque, por razões éticas e de valores, disse este académico, "não se pode comentar presidenciais quando já se sabe […] que se é candidato”. E Marcelo fê-lo todo o tempo, pelo que razão tem Sampaio da Nóvoa ao sublinhar que "(...) nos últimos meses estávamos a assistir a um jogo que não era muito bonito, do ponto de vista democrático e (...) creio que em democracia o que conta muito é também a ética e os valores. Não se pode fazer de conta (...) não se pode comentar presidenciais quando já se sabe, e isso é uma decisão tomada há muito tempo, que se é candidato".

SAMPAIO DA NÓVOA
uma candidatura que nasce do Povo para o Povo.

O agora candidato Marcelo Rebelo de Sousa usou e abusou da sua condição de comentador da actualidade política. Sentou-se em várias cadeiras, entre outras, a de observador de acontecimentos, a de partidário ao comparecer e tomar posição em iniciativas de campanha eleitoral do PSD/CDS, tal como, recentemente, compareceu à "festa do Avante" do PCP. 
Não vejo mal que, a convite, tivesse intervindo na designada "universidade de Verão" dos jovens social-democratas. Da mesma forma, enquanto independente, Sampaio da Nóvoa, por convite, discursou no Congresso do PS. Quantos, sem qualquer filiação partidária ou mesmo tendo-a, são convidados e pontualmente discursam e apresentam os seus pontos de vista? Faz parte da participação cívica. O caso do Professor Marcelo é completamente diferente, sublinha o Professor Sampaio da Nóvoa, "por razões éticas e morais". Mas, enfim, esses aspectos a ele dizem respeito. Marcelo sente-se bem nesse papel e a mim compete-me, apenas, apreciar este seu jogo calculista de quem há muito demonstra saber colocar as peças visando um hipotético xeque-mate. 
Conheço o Professor Marcelo da televisão. O Professor que sabe tudo: tanto fala de livros, como de bastidores da política, como de futebol. Para tudo tem resposta e, muitas vezes, certezas. Dá-me a ideia que lê todos os jornais, tem uma boa lista de contactos telefónicos, e, ao Domingo, puxa a culatra atrás e aqui vai disto! Também dá notas. Eu, mero observador, quando tenho alguma paciência para escutá-lo, determino também uma nota que nem lhe concederia ir à oral para esclarecer posições. Mas isso sou eu cidadão anónimo. Respeito, porém, outras posições de um certo endeusamento. O que para mim vale sete, para o outro pode valer dez e até mais! Não entro por aí. O que me custa aceitar é ouvir pessoas com responsabilidades políticas e outras darem como facto consumado a eleição para Presidente da República. Ao terminar um ciclo de dez anos de um presidente claramente partidário (Cavaco Silva), parece que nada aprenderam, para repetirem a dose com um outro da mesma família política e que, à luz das posições passadas, não tem condições objectivas para jurar cumprir e fazer cumprir a Constituição. A costela partidária é determinante nos momentos cruciais. Sempre foi assim.
Aliás, no momento que atravessamos, onde a crítica aos partidos políticos, com razão, sublinho, têm vindo a subir de tom, lógico seria ter na Presidência alguém que brote da sociedade, sem vínculos a ninguém, a nenhuma estrutura e que seja portador de um discurso sereno, de defesa dos mais elementares valores humanistas, portanto, que não esteja prisioneiro de grupos com profundas raízes lenhosas. Marcelo está prisioneiro. Sampaio da Nóvoa não está prisioneiro. Marcelo é o "sócio" número 3" do PSD; Nóvoa não tem filiação partidária, portanto, depende, apenas, das suas convicções de homem experiente na vida.
Desde o primeiro momento assumi que votaria no Professor Sampaio da Nóvoa. Mantenho-me fiel à leitura inicial. Agora mais que nunca. E aqui deixo um vídeo da leitura de Paulo Portas sobre Marcelo Rebelo de Sousa. Hoje, certamente, dará, irrevogavelmente, o dito por não dito. Só que esse não é o meu caminho e as palavras estão registadas.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

RESULTADOS PARA PENSAR E MUITO... (II)


No essencial, que leitura política é possível e que repercussões podem acontecer, a partir de 46.247 votos (39,01%) depositados no candidato José Manuel Coelho. As leituras deste processo não podem ser levianas. Deverão ser, meticulosamente, estudadas, até como pressuposto de tornar esta situação de clara fraqueza da restante oposição, particularmente do PS-Madeira, numa grande oportunidade. E pode constituir uma oportunidade.


A partir da reeleição do Professor Cavaco Silva vários cenários são possíveis. Refiro-me à República, mas também e sobretudo ao contexto político na Região Autónoma da Madeira. Desde logo, um certo azedume no discurso de vitória do Presidente da República, deixa antever doravante uma crispação entre Belém e S. Bento. Penso que será inevitável. O Professor Cavaco convive mal com a crítica, e isso ficou bem patente ao longo da campanha, onde procurou fugir a todas as questões embaraçosas. Ainda esta manhã, o Senhor Bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, produziu, de forma contundente, uma leitura semelhante à que aqui faço, portanto, não estarei longe da realidade se admitir que o Professor Cavaco Silva, de orgulho ferido e pressionado pelos influentes do seu partido de origem, ávidos de poder, conduza todo este processo no sentido da marcação de eleições antecipadas. Muito dificilmente não o fará, aliás, a avaliar pela maré eleitoral que concede ao PSD significativa vantagem. As suas palavras de ontem, pedindo a denúncia daqueles que o confrontaram com diversas situações, prognosticam que alguma coisa irá acontecer. As palavras ditas não são neutras, envolvem um significado e uma tensão que devem ser consideradas.
E a acontecer qualquer decisão, obviamente que se repercutirá na condução política da Região Autónoma da Madeira. Se, porventura, este mandato socialista for interrompido, restará saber, em um tempo tão curto, como reagirão os eleitores em função do seu sentido de voto quer para a República quer para as regionais de Outubro. No essencial, que leitura política é possível e que repercussões podem acontecer, a partir de 46.247 votos (39,01%) depositados no candidato José Manuel Coelho. As leituras deste processo não podem ser levianas. Deverão ser, meticulosamente, estudadas, até como pressuposto de tornar esta situação de clara fraqueza da restante oposição, particularmente do PS-Madeira, numa grande oportunidade. E pode constituir uma oportunidade. Mas, dir-se-á que o tempo corre contra quem tem a obrigação de apresentar um alternativa credível, até porque o quadro, inclusive, sociológico, é extremamente complexo e exigente. Os cenários a delinear são vários, não bastando, de forma apriorística, como ainda ontem aqui fiz, sublinhar que os resultados espelham a consequência de 34 anos de jardinismo. Temos de ir mais longe e traçar três cenários fundamentais que consubstanciem a resposta a três outras perguntas: o que fazer caso o Presidente da República dissolva o Parlamento? O que fazer, caso o resultado do PND, na eventualidade de eleições legislativas nacionais, for expressivo, enquanto continuidade do protesto?  O que fazer, nos próximos seis meses, para romper com 36 anos de governo PSD, independentemente das situações anteriores?
Tratam-se de três cenários (existirão outros ou a reformulação destes) que aqui deixo ao correr do pensamento, apenas para dizer que há uma absoluta necessidade de rever tudo, colocar tudo em causa e partir de forma estruturada e muito reflectida. Não é fácil, sobretudo porque a engrenagem nesta terra embora velha está oleada, mas é possível com inteligência, determinação e através da qualidade dos actores políticos. Espero não ficar desiludido!
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

MANUEL ALEGRE - A MINHA ESCOLHA


Portugal não precisa de quem diz mata quando outro diz esfola. Encontramo-nos em um momento de absoluta necessidade de gerar novos equilíbrios através do diálogo, de alguém com passado, com história, com vida e vivência política, com leitura do País e do Mundo.

Sempre tive uma grande admiração por Manuel Alegre. Desde o tempo das ondas da rádio vindas da Argélia, onde esteve exilado e de onde partiu o programa "Voz da Liberdade". Era eu muito jovem e lembro-me do meu pai sintonizar, em um velhinho RCA (que ainda o conservo), muito baixinho e quase com o ouvido colado à saída de som. Mais tarde percebi as razões de uma audição em reduzido volume de som, como também a mensagem que a telefonia irradiava. A minha consideração por Alegre vem daí, desse tempo, desses dez anos a emitir do exterior a necessidade de instauração da Democracia em Portugal.
Em 2008, quando Alegre revisitou as instalações da "Voz da Liberdade", lembro-me ter dito: "Não podemos separar a história da revolução portuguesa do papel desempenhado pela Argélia, que ajudou Portugal a instaurar a democracia e ajudou outros movimentos de libertação, sem pedir nada em troca, apenas com solidariedade para aqueles que se batiam pela liberdade". Foram tempos de resistência à ditadura e o que, para mim, constitui referência e motivo de grande consideração é que Alegre, de 1974 para cá, ao contrário de muito boa gente, não vendeu a sua consciência, os princípios e os valores que o animam. Apesar de estar COM o PS, em vários momentos, ele soube estar CONTRA. Naquilo que é essencial, Alegre funcionou muitas vezes como o contraponto, o abanar da consciência partidária interna, o alerta para os erros de percurso. E eu sei quão difícil é percorrer esse caminho dentro de um partido. Mas fê-lo com os riscos que as tomadas de posição implicam e face aos olhos enviesados que crescem em redor. Não se vendeu e não se deixou corromper pelas teorias económicas balofas de uma sociedade que caminha para a sua auto-destruição. A sua posição de intransigência contra esta maré de desvinculação e destruição dos direitos laborais, essa onda contra a escola pública, contra a mercantilização da saúde, essa subtil e paulatina destruição do estado social, entre muitos outros aspectos, leva-me cada vez mais a considerá-lo como o Homem que Portugal precisa na Presidência da República.
Portugal precisa, urgentemente, com este ou qualquer outro governo de uma figura que faça o necessário contraponto. Portugal não precisa de quem diz mata quando outro diz esfola. Encontramo-nos em um momento de absoluta necessidade de gerar novos equilíbrios através do diálogo, de alguém com passado, com história, com vida e vivência política, com leitura do País e do Mundo. Portugal dispensa o bem vestido mas oco, por dentro, nas concepções que defende. Pelo contrário, Alegre o que expõe na "montra" é o que tem no "armazém" da sua consciência política.
Existem outros candidatos, pois é evidente que sim. Não é isso que está em causa. Esta é a minha opção com o respeito pelas restantes candidaturas. O que me parece defensável é, neste quadro sociológico, perceber qual o melhor caminho para romper com uma candidatura da direita que, ao longo dos últimos cinco anos, com tanta sabedoria económica enunciada, não se lhe reconhece qualquer atitude pública no sentido de esbater as consequências da crise internacional. Mais, ainda. Tenho presente o que foi o candidato Cavaco Silva, enquanto Primeiro-Ministro. Hoje, fala como se tivesse na mão a solução de todos os problemas, mas não esqueço que, durante dez anos, não soube lançar as bases de um futuro promissor para Portugal. Se, há 25 anos, com tanta sabedoria apregoada, o tivesse feito, hoje, Portugal, certamente, seria diferente em todos os sectores e áreas da governação. Não o fez, portanto, considero que é um candidato que Portugal pode dispensar. Eu votarei Manuel Alegre. Votarei na esquerda por um Portugal moderno e solidário.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

SE A DEMOCRACIA TEM CUSTOS...




O candidato Professor Cavaco Silva disse hoje que os portugueses não devem "(...) arrastar esta campanha mais três semanas, por desviar as atenções daquilo que é essencial", pois "lançaria custos acrescidos sobre todos os cidadãos portugueses (...) os custos seriam muito elevados para o país".
Bom, eu posso perceber a aflição de quem sente que cada dia que se passa pior se tornar a sua imagem. Só que aquela declaração, do meu ponto de vista, é inconcebível, desde logo porque constitui uma "violência" sobre o Povo que é soberano na escolha do candidato; depois, se a Democracia tem custos, piores são os da ditadura.
Bastaria que olhasse para o processo nos Estados Unidos. O candidato Cavaco Silva parece-me que ainda não percebeu que a Constituição prevê um segundo sufrágio se um candidato não obtiver mais de 50% dos votos. A segunda volta é legítima e importante, precisamente porque visa, em um naipe de seis candidatos, LEGITIMAR um entre dois mais votados. Tão simples e tão compreensível.

domingo, 16 de janeiro de 2011

O GRITO DE REVOLTA DE UNS E DE OUTROS


Do cruzamento de ideias, díspares nas convicções, fica-me o sentimento genérico de uma sociedade madeirense em convulsão silenciosa. Disse-lhe: é com homens como o senhor que juntos acabaremos com isto. Respondeu-me: mas quando?


Nos últimos dois dias cruzei-me com algumas pessoas com quem pude tomar o pulso à situação política. Vale o que vale esta síntese de meia-dúzia de pessoas, eu sei. Mas, no cruzamento da informação geral e do ambiente que está criado, acaba por ter, pelo menos para mim, algum significado. Pessoas com grande notoriedade social até, como esta manhã aconteceu, algumas daquilo que se configurou chamar de pessoas da Madeira profunda, talvez, melhor dizendo, da Madeira real. Deste cruzamento de ideias, díspares nas convicções, ficou-me o sentimento genérico de uma sociedade madeirense em convulsão silenciosa. Os mais bem formados, atenção, refiro-me apenas à formação académica, dizem-me que existe um Coelho na cartola que merece a sua simpatia; os outros, apresentam um discurso de esgotamento pela vida que levam, nessa sistemática luta de remar contra a maré imposta por outros. Estes, pelas palavras ditas, pouco sabem sobre as eleições presidenciais, antes atacam quem, na Região, não resolve os seus problemas. Esta manhã, por exemplo, ali frente ao Colégio, um pedinte, eterno viajante diário pela cidade, disse-me mais ou menos isto: não tenho trabalho, estou velho e só posso pedir. O dinheiro é para a minha barriga. Quando é que isto muda, senhor? Nestes momentos fico sem palavras, porque a minha cabeça é, instantaneamente, atravessada por sentimentos de solidariedade sustentados no princípio que, se sou feliz, que razões levam a que outros não se encontrem no patamar da felicidade? É complicado. Disse-lhe: é com homens como o senhor que juntos acabaremos com isto. Respondeu-me: mas quando?
Bom, cada pergunta, tão simples, mas com tanta complexidade para encontrar uma resposta distante de uma atitude meramente demagógica e eleiçoeira. Certamente, porque não acreditaria, despedi-me, sem lhe dar um desdobrável do candidato Manuel Alegre. Mas, fiquei a pensar, nas atitudes de uns e nas de outros. A pensar, desde logo, no grito de revolta de uns e de outros. O grito de uns que falam da cartola e no coelho, penso eu, enquadrada e apostada na destruição do mito regional que governa a região; no grito de outros desesperados, mas, provavelmente, sem conhecerem as alternativas que se colocam.
Ora, tudo isto parece-me perigoso e reflecte duas entre mais deduções que podemos fazer: por um lado, o silêncio provocado pelo medo que conduz a uma reacção de avacalhamento da vida política. Não é o projecto alternativo que está em causa e as pessoas que podem dar rosto a essa transformação, mas o de descer, intencionalmente, ao grau zero, para daí fazer renascer a esperança. Por outro, temos os que não têm voz, os descamisados, que apenas olham em seu redor porque não foram educados para verem para além do horizonte visual, e que, por isso, conjugam a análise sumária da sua própria vivência verbalizando o desconforto da pobreza, todavia, sem armas (para além do voto) para operacionalizarem a mudança. 
Tenho vindo a seguir as notícias da Tunísia. Infelizmente, tarde ou cedo, é o que nos espera. Um Amigo de longa data diz-me com frequência: "não sei quando, mas que isto vai dar tragédia, não tenho dúvidas". Este mundo de enganos, esta política feita se interesses, estas assimetrias sociais absolutamente condenáveis, as palavras ditas sem sentido, ao jeito de "com a verdade me enganas".
A propósito, li no blogue "Retórica": A manipulação pela palavra, assente em ardilosas técnicas de enganar o próximo, dificilmente sobreviveria através dos tempos, como tem sobrevivido, se se valesse apenas de falsidades. Porque falsidades há que, de tão óbvias, nunca escapariam à atenção da mais desprevenida vítima. Daí que, não poucas vezes, o manipulador recorra às chamadas meias-verdades. Reduz assim o risco de ser desmascarado e, mesmo no caso de vir a ser descoberto, fica sempre com maior margem para engendrar uma qualquer escapatória. Basta-lhe, por exemplo, embrulhar a real intenção dolosa em mero acidente de discurso: distracção, confusão interpretativa ou até mesmo o desculpável erro. Mas, as meias-verdades deixam, ainda, metade da manipulação à mostra. O ideal será, por isso, manipular com a própria verdade, à custa da credulidade natural das potenciais vítimas".
Estamos a assistir a uma situação que exige uma correcta leitura que não seja de enganas. Para a Presidência da República há opções que, com todo o respeito pelas várias candidaturas em presença, não concorrem para o rápido retorno da credibilidade política; para o futuro da Região, os madeirenses e porto-santenses, cultos e menos cultos, formados pelas universidades ou pela vida que levam, devem olhar para a extrema necessidade de conjugar esforços no sentido de resolver uma situação de 36 anos, penosa e complexa, mas face à qual existe uma saída possível e credível. Descer ao grau zero não tem a minha simpatia, pois gostaria de ver o futuro distante de convulsões sociais.
Fico a pensar nisto e convido os visitantes a falarem das preocupações que os invadem. De forma séria e profunda, porque este é um problema de todos nós.
Ilustração: Google Imagens.