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sábado, 30 de dezembro de 2017

A BATOTA


Dividiram o partido porquê e para quê? A dúvida, os segredos e o jogo escondido continua. Trouxeram a instabilidade mas não querem explicar a ousadia. Não querem debates. Não querem enfrentar olhos no olhos o seu adversário. Nenhum deles quer, mas são ambos candidatos. Fogem de quê? Têm medo de quê? Querem pedir votos aos militantes para fazer o quê com o partido?


Quem se propõe a candidato a Presidente do PS-Madeira tem de ter a dignidade de enfrentar o património do partido. A sua história, os seus valores e a sua marca. Durante anos e anos o PS-M pediu debates, transparência e frontalidade aos seus adversários. Combatemos a arrogância e o jogo escondido. Recusamos, em voz alta e em uníssono, a batota. Hoje é um dia negro para o partido: um candidato ( ou dois) a Presidente recusa honrar a nossa história, os nossos militantes e os nossos combatentes pela democracia. A troco de quê? Ninguém sabe. Não querem dizer, escondem tudo. Ocultam até onde podem, e até escondem-se de si próprios: um candidato por detrás de outro candidato, também ele escondido e sinuoso. Nunca se viu nada assim, aqui ou em qualquer outro lugar digno do jogo aberto e transparente que a democracia encerra. O que se assiste, de olhos arregalados ou de boca aberta, em qualquer caso, incrédulos, mancha a nossa história e ameaça comprometer o nosso futuro.
Daqui para a frente quando o PS-M pedir debates e transparência ao seu adversário, haverá sempre alguém que lembrará que há militantes socialistas, pendurados em independentes, (apressadamente) socialistas, que um dia recusaram a transparência e o debate de ideias, o esclarecimento e a clareza. Haja dignidade e decoro. Já é feio e absurdo tantos equívocos numa única candidatura, mas é inaceitável o paradoxo de alguns militantes socialistas “matarem a sangue frio” a luta de anos e anos em prol da democracia. Tudo isto por nada ou, pelo menos, por alguma coisa escondida que recusam piamente explicar, confrontar e esclarecer.
Os militantes do PS-M saberão avaliar a gravidade da situação e, estou certo, ajudarão a combater o retorno da arrogância e do défice democrático, principalmente corrigindo a trajectória do partido desses tiques ameaçadores. Quem dividiu o partido devia ter algo muito significativo para dizer aos militantes, do que simplesmente fugir e escapar-se ao confronto. Devia (m) colocar a mão na consciência e explicar porque coloca (m) em causa os melhores resultados de sempre do PS-M na história da democracia? O que carrega (m) consigo de tão extraordinário que mereça estragar todo o esforço feito até hoje por todos os militantes do partido, que foram capazes de colocar o PS-M, pela primeira vez na sua história, na linha da frente das alternativas aos governo regional.
Recusar o debate e o confronto das soluções para o partido e para a Madeira não é apenas uma táctica de campanha interna. É um estado de espírito. Está embrulhado na mesma ligeireza com que se falham os compromissos propalados de cumprimento de mandatos e de juras de lealdade aos eleitores. Uma mancha...
Ilustração: Google Imagens.

NOTA
Artigo publicado na edição de hoje do DN-Madeira e aqui reproduzido com a devida vénia.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

SE DÚVIDAS EXISTISSEM... TUDO FICOU MAIS CLARO!


Acabo de ler no DN um texto sobre as eleições internas no PS-Madeira: "Bernardo Trindade apoia Câmara" (...) pelo seu desprendimento ao apoiar Paulo Cafôfo na corrida à presidência do Governo Regional da Madeira. Se dúvidas existissem, agora, ficou tudo mais claro. Está no seu direito de militante apoiar quem entender. Exactamente como a minha opção deve ser respeitada. Neste processo, certo é que as nuvens dissiparam-se, ou melhor, o nevoeiro sebastiânico foi-se (ou talvez não!), percebendo-se agora, análise da minha inteira responsabilidade, os contornos dos quadros montados por uma teia que está muito para além do racional. De facto, não há como a transparência para se perceber o que está para lá da boca de cena. E não deve ser pouco. O problema é se der erro! Por vezes, as estratégias mal desenhadas ou as ambições desmedidas, onde, muitas vezes, se incluem ajustes de contas, acabam por ser fatais. 


A propósito, há dias escutei, julgo que na RDP-Madeira, uma perspectiva também interessante, o ponto de vista do Engº David Caldeira que foi clarinho ao assumir mais ou menos isto: bom seria que Carlos Pereira e Paulo Cafôfo se entendessem no sentido de Carlos Pereira, no caso de vitória eleitoral, ser vice-presidente de Cafôfo. Ora bem, quer isto dizer que um teria de vender os seus princípios, valores, conhecimento e resultados como as sondagens demonstram, como se o exercício da política tenha de assentar da feliz passagem de Luís Sttau Monteiro no livro "Angústia para o Jantar": "(...) O homem vende-se por pouco. Um Volkswagen, um andar no Areeiro, uma mulher que só casa pela Igreja, ou a amizade dum tipo importante, são suficientes para que se esqueça do que tem de mais íntegro e de mais seu. Por vezes o negócio é mais subtil, menos aparente, e o homem vende-se para ver o seu nome no jornal, para viajar à custa do seu semelhante ou ainda para ter acesso a certos círculos que o deslumbram. A transacção nunca é rápida. O homem vende-se aos bocados, a prestações, dia a dia. Muitos, ao fim dum tempo, já nem sabem que se estão a vender. Atingem uma posição que os obriga a defender interesses contrários a tudo o que sempre sustentaram, e são comprados por essa posição. Continuam, em voz alta, a defender os mesmos princípios de sempre, mas secretamente guerreiam os ideais que dizem ter e fazem o que podem para evitar a sua concretização. A grande maioria dos homens, porém, vende-se por cobardia (…) Os homens que optaram pela vida fácil das carreiras têm medo de não ser promovidos. Os que alcançaram uma posição estável e segura têm medo de transformações. Os que têm prestígio receiam o advento dum mundo que discuta os fundamentos do seu prestígio. Os que vivem à custa dos valores que defendem, receiam todos os outros valores. O medo desempenha na vida dos homens um papel importantíssimo (...)". 
Ora, a política não deve ser isto!
Não pretendo fazer conjecturas, mas ninguém é cego para, no mínimo, perceber o jogo e como as peças andam pelo tabuleiro. Há muito mais política do que aquela política que passa por debaixo dos nossos olhos de meros observadores.
Porém, regresso ao princípio, para sublinhar que respeito as opções. São LEGÍTIMAS e democráticas, ponto final!
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

OBRIGADO CARLOS PEREIRA


Nota prévia: sou socialista e militante. Fui um participante activo, ao longo de muitos anos, até ao ponto de, livremente, assumir que tudo tem um tempo e que o meu deveria terminar. Hoje, sou um mero observador e amigo de muitos com quem tive o prazer de colaborar na defesa da carta de princípios pela qual sempre me regi. Este distanciamento permite-me, hoje, um olhar descomprometido, mais sereno e menos emotivo. E é por isso que escrevo.


Começo com três palavras: obrigado Carlos Pereira. Finalmente, o Partido Socialista, sob a sua égide, regressou aos seus bons e relevantes tempos idos. Por razões que me dispenso analisar, muito menos criticar, até porque também estive envolvido, o PS mergulhou em uma situação deveras preocupante. Perdeu credibilidade política, perdeu notoriedade social e perdeu eleitores. Por isso dirijo-me a si, Carlos: foi com o seu persistente trabalho, extremamente mobilizador de equipas, estrategicamente bem gizado em várias frentes, que penso ser claro que, no plano regional, com todo o respeito pelas outras forças, a política está bipolarizada. Está o PSD, por um lado e o PS pelo outro. As iniciativas políticas, no quadro de um sentido propositivo muito sério e obstinado, quer na República, quer na Região, disso dão conta. E o que me leva a escrever estas linhas é o facto de ter o sentimento que a população não vai perdoar qualquer desinteligência ou tentativa de desestabilização. A Madeira precisa de um poder alternativo regional politicamente forte, consistente, aberto à sociedade, propositivo, credível, respeitado e capaz de uma ruptura com o rotineiro pensamento dominante. Espero, perdoem-me a expressão, que cada "macaco fique no seu galho" e contribua para o sucesso colectivo. Eu diria que não faz qualquer sentido a existência de olhares enviesados, passos superiores à perna, declarações intempestivas ou campanhas silenciosamente pensadas e orquestradas. Sempre que isso aconteceu acabou por ser aniquilador da esperança.
Carlos Pereira, a quem se deve o facto de ter denunciado a "colossal" dívida da Madeira quando todo o poder a negava, e a quem se deve uma grande parte das propostas no âmbito da economia e das finanças, sectores de centralidade absoluta da Região, o político que ninguém ousa contestar os seus argumentos porque são fundamentados em estudos (vide o livro "A Herança"), tem, indiscutivelmente, a responsabilidade de apresentar, em 2019, um programa que rompa, nesse ano, com 43 anos consecutivos de uma política que conduziu a Madeira a uma dupla e severa austeridade por dívidas absolutamente tresloucadas, ao desemprego e à pobreza. Finalmente, há por aí gente preocupada com a sua acção, inclusive na comunicação social. Há que surfar os interesses instalados  porque a qualidade acabará sempre por vencer.
Ilustração: Google  Imagens.