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domingo, 17 de julho de 2016

EUROPEU DE FUTEBOL... O POVO SAIU À RUA


Agora, julgo eu, que a euforia amainou, talvez seja tempo de uma outra reflexão. As praças encheram-se de pessoas, crianças, jovens, adultos, até com os de idade muito avançada, quase todos trajados com  as cores nacionais, elevaram cascóis, sofreram e explodiram de alegria, beberam e, fraternalmente, abraçaram-se e os foguetes estalejaram. No dia 11, no regresso, quase foi feriado nacional. Parafraseando a canção, o povo voltou a sair à rua, cantando se o rei (futebol) faz anos, que venha à praça, para nos conhecer! Foram 48 horas de êxtase, antes e depois daqueles 120 minutos na martirizada França e, depois, tudo regressou à normalidade. O fumo desapareceu no céu e as bandeiras e cascóis regressaram ao armário! Ficaram os novos "Comendadores". Mas isso é história para um outro comentário.

É tão fácil quanto difícil explicar que, sendo dois aspectos diferentes, eu sei, paradoxalmente, somos um dos povos com pior taxa de participação desportiva na Europa. Só nos superam pela negativa a Bulgária e Malta. Em Portugal não chega aos 30% os que assumem manter esse hábito com alguma regularidade. Não tem muitos anos, em estudos comparados e sujeitos ao mesmo protocolo, a taxa de participação dos portugueses não ia além dos 23%. Salienta a investigadora Salomé Marivoet: "(...) Sabia que apenas 57 por cento dos portugueses (dos 15 aos 74 anos) têm ou tiveram uma experiência desportiva, sendo que os restantes 43 por cento nunca praticaram desporto ao longo da sua vida? Esta é apenas uma das conclusões de um estudo elaborado pelo Centro de Estudos e Formação Desportiva, que reuniu todos os resultados num livro intitulado "Hábitos Desportivos da População Portuguesa". Mas fixemo-nos nos 30%, com muito boa vontade, e tenhamos presente que o intervalo 15/74 anos abrange milhares que estão na escola. Independentemente de outras e mais profundas considerações, podemos concluir da disparidade entre o comportamento exteriorizado pelo povo durante o europeu e uma prática desportiva assumida como bem cultural. As razões são múltiplas, aliás, há muito que aqui tenho deixado a minha opinião. Deixo, apenas, estes dados para reflexão. Pessoalmente, gostaria que a manifestação de amor à Pátria e o orgulho naqueles que nos representaram fossem mais coincidentes com uma prática regular da actividade física ou desportiva.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 12 de julho de 2016

ODE AO DESPORTO... "TU ÉS A PAZ"


Através da página online, do DN-Madeira, vi este vídeo. Segui e fui-me comovendo. Lembrei-me da "Ode ao Desporto" do Barão Pierre de Coubertin, pedagogo e historiador francês, que ficou para a história como o fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna: "Ó Desporto, tu és a paz! Estabeleces relações felizes entre os Povos (...)". Aqui fica o vídeo da criança que, de forma sublime, aconchega um adepto francês, ao ponto deste abraçá-lo. Que gesto tão belo, quando se assiste, diariamente, a tanto "comentário incendiário" que tornam o desporto naquilo que nunca deveria ser. 



Barão Pierre de Coubertin
I "Ó Desporto, prazer dos Deuses! Essência da vida (...)
II Ó Desporto, tu és a beleza! És o arquitecto deste edifício que é o corpo, que pode tornar-se abjecto ou sublime, se degrada na vileza das paixões, ou saudavelmente se cultiva no esforço. (...)
III Ó Desporto, tu és a Justiça! A equidade perfeita, em vão perseguida pelos Homens nas instituições sociais, estabelece-se, por si própria, à tua volta. (...)
IV Ó Desporto, tu és a audácia! Todo o sentido do esforço muscular se resume numa única palavra: ousar. (...)
V Ó Desporto, tu és a Honra! Os títulos que tu conferes não têm qualquer valor se adquiridos por meios diferentes da lealdade absoluta. (...)
VI Ó Desporto, tu és a alegria! Ao teu chamamento o corpo alegra-se, os olhos sorriem e o sangue circula. (...)
VII Ó Desporto, tu és a fecundidade! Por vias indirectas e nobres, encaminhas ao aperfeiçoamento. (...)
VIII Ó Desporto, tu és o progresso! Para bem te servir é necessário que o Homem se aperfeiçoe no corpo e na alma. (...)
IX Ó Desporto, tu és a paz! Estabeleces relações felizes entre os Povos, aproximando-os no culto da força dominada. (...)"
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

EUROPEU DE FUTEBOL... QUE BOFETADA DE LUVA BRANCA!


Obviamente que fiquei feliz com a vitória portuguesa no Europeu de futebol. Diria mais, fiquei muito feliz. Confesso, porém, que não sou daqueles que vão para as praças para viver, colectivamente, estes momentos. Sou assim, nada a fazer. O que não significa que, por exemplo, não me comova quando oiço o nosso hino nacional ou a bandeira que sobe o mastro quando alguém atinge o mais alto lugar do pódio. Simplesmente porque os atletas são as extensões do nosso orgulho pátrio. Todavia, há um mas, há sempre um mas...


Milhares e milhares em praças, milhares no aeroporto para saudarem os campeões, televisões e rádios em directo para outros milhões, eu próprio estou aqui a escrever com os olhos colados à televisão, enfim, compreendo tudo isto, compreendo a força do futebol que é universal, compreendo, no que a Portugal diz respeito, perante tanta desilusão na vida de tanta gente, uma alegria faça explodir sentimentos profundos. Compreendo o entusiasmo de todos os emigrantes porque aquela vitória acaba por ajudar a mitigar a distância e, muitas vezes, os olhares distantes nos países onde trabalham. Mas há um aspecto que me encheu de felicidade: a bofetada de luva branca de um povo a todos quantos andam a brincar com a nossa infindável paciência, considerando-nos uns pobres coitados onde a austeridade tem de ser exemplo para os demais. A Alemanha e a França, entre outros, Juncker, Shäuble, Lagarde e quejandos que nos deixem da mão e que nos respeitem.
Por outro  que lado, agora no plano interno, que felicidade também sentiria se este nosso povo, que se movimenta pletórico de energia, de entusiasmo e de felicidade, também soubesse sair à rua aos milhares, com superior disciplina, para dizer não a esta Europa que espezinha, maltrata, impõe regras vergonhosas conducentes à pobreza. O povo não vive de futebóis e de ídolos, vive do seu emprego, dos direitos ao trabalho, à educação, à saúde e à segurança social. E todos esses direitos estão cada vez mais ameaçados por essa gentinha política que, rigorosamente, nada tem de estadistas, antes de políticos oportunistas ao serviço de interesses que a esmagadora maioria da população não descortina. 
Parabéns Portugal, mas não fiquemos por um dia histórico. Há mais vida para além do futebol.
Ilustração: Arquivo próprio e Google Imagens.  

quarta-feira, 6 de julho de 2016

DO NOSSO JARDIM... FLORES PARA PORTUGAL




Sanções europeias sim, sanções talvez, sanções não. Nem eles sabem o que querem. Por aproximação ao futebol, andam de prolongamento em prolongamento, de massacre em massacre psicológico, que nada ajudam a saída deste sufoco financeiro que varreu e varre a Europa. Deveriam tais senhores usar a legenda da UEFA "Respect" nas relações connosco. E porque aqueles que nos representam são as extensões do nosso orgulho enquanto Povo, nesta noite de afirmação, deixo à equipa nacional uma composição com flores do jardim que trato na descontração do fim-de-semana.