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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O PRINCIPAL OPOSITOR DA AUTONOMIA


O assunto não é novo. Tem barbas compridas! Dir-se-á que de tanto ouvir a lengalenga, presumo que sejam poucos os que ainda toleram expor os ouvidos à musiquinha do costume. O problema é que ele, o presidente do governo regional, se para ele cantasse em circuito fechado, no duche ou entre os seus mais próximos, nada de mal causaria, o mesmo já não se pode dizer quando faz eco da musiquinha política pimba que há muitos anos percorre a Região. A questão essencial e preocupante resume a esta síntese: tudo o que aqui está bem feito fui que fiz... de tudo o resto os senhores de Lisboa são os culpados.


Para umas situações existe governo, para outras é como se não existisse. A assumpção das responsabilidades nos bons e maus momentos e declarar, claramente, os erros estratégicos, não fazem parte do modus operandi político de sua excelência! Trata-se de uma atitude doentia que contraria o facto da Madeira ser uma Região Autónoma dotada de órgãos de governo próprio. Dir-se-á que ele se nega a si próprio, isto é, na maioria das vezes, sendo presidente do governo, discursa como se não fosse. Fala do e para o País como se a Madeira não fosse Autónoma. Dispara para a República como se os milhões não chegassem aqui, pela Europa e pelo Orçamento de Estado, pelo facto de pertencermos à Nação Portuguesa. Dá fogo à peça como se a organização institucional da Região não fosse semelhante à de um Estado! 
Pergunta-se, então, para que serve dispor de órgãos de governo próprio, de um Estatuto Político-Administrativo próprio e um orçamento próprio? Para que serve tanta direcção regional, tantos directores de serviço, tantos chefes de divisão, tantos institutos, tantos serviços descentralizados e autónomos se, na hora da verdade, no momento da responsabilização, a "factura" dos erros é expedida para Lisboa? Pode-se então concluir que o principal mentor da engrenagem acaba por ser o principal opositor da autonomia. Não é politicamente sério quem por esses caminhos segue. Não é sério quem, a seu mando (?), vem para aí desfradar a  bandeira do FAMA (Fórum para a Autonomia da Madeira), que apesar de negada transporta a "fama" de ser descendente da velha FLAMA (Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira, a quem é atribuída fase das bombas, em 1975), ao jeito de ameaça: se "os actuais partidos do arco do poder não conseguirem atingir os objectivos da autonomia plena", o actual movimento FAMA poderá avançar também com um pedido formal para passar a partido político. É o PSD 1 a passar para PSD 2, já que o primeiro, integrado na estrutura nacional, não pode defender o princípio da independência da Madeira. Que gentinha esta! Assumam-se, de uma  vez por todas como independentistas, mas digam como vamos viver e como protectorado de quem?
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 18 de março de 2014

ENTÃO, NÃO É ESTA A REGIÃO DA PLUTOCRACIA?


O político Alberto João Jardim, por vezes faz-me rir. Há dias escreveu: "(...) A plutocracia, num sentido social, significa a influência da riqueza e do dinheiro, o predomínio dos ricos. E, num sentido político, é o regime político-social em que os ricos detêm o poder. Algumas democracias, infelizmente, tornaram-se plutocracias. (...)". Eu que sempre vivi aqui, que, felizmente, não tive de emigrar, olho para estes trinta e tal anos, quase quarenta de uma única voz, e dou comigo a pensar se aquelas palavras têm a ver com um qualquer outro espaço territorial que não este. Afinal, quem detém o poder aqui na Madeira? Então, as engrenagens tão sofisticadas que foram montadas, os que nada tinham e são hoje reis e senhores de milhões, através do jogo das influências e dos bons telefones, do acesso rápido aos corredores do poder? Quem permitiu as "negociatas" que um autarca chegou a falar? Quem admitiu que a concorrência não se concretizasse em pleno em todos sectores da nossa sociedade? Então este não é o "reino" da plutocracia? Ora, a forma do autor daquela frase se posicionar traz no seu bojo a frase que o povo bem conhece: "com a verdade me enganas".


Não bastasse isso, o Senhor Gabriel Drumond, ex-deputado do PSD e apaniguado da FAMA, (ou "flama", pois não consigo estabelecer os contornos das diferenças) quase em simultâneo veio dizer, no jornal do regime, esta pérola: "(...) Os partidos do arco do poder, PSD, PS e CDS não têm razão de existir hoje em dia, pois são partidos de interesses pessoais e de cariz capitalista. Estes partidos perderam a ideologia. São partidos com tendência a desaparecer, pois portaram-se muito mal com as populações". Então, meu caro senhor, pergunto-lhe, não era "o PSD que ponha a Madeira em marcha"? Que se portaram mal, disso todos sabemos, basta olhar para a dupla austeridade em consequência de uma monstruosa dívida criada que alimentou muito capitalista com poucos escrúpulos. Isso é verdade, temos às costas mais de seis mil milhões de dívidas e uma sociedade presa aos interesses capitalistas de alguns senhores! Não apenas lá, mas também aqui, onde podem ser dados muitos exemplos de políticas que acabaram por gerar um polvo de compridos tentáculos. Daí que se "ria o roto do esfarrapado", sem qualquer moral para tecer sejam lá que considerações forem.
Posto isto, onde um rosário de situações poderiam aqui ser enunciadas, o que me parece, claramente, é que toda esta nova engrenagem constitui o tiro de partida para uma eventual criação de um novo partido. O homem está de saída porque tem consciência que poucos são aqueles que ainda o aturam e tal como um pequeno, dono da bola e que está a levar uma abada, pega na bola, mete-a dentro da pasta e vai para outro lado jogar, onde possa ser, novamente, capitão da equipa. Não é de somenos importância aquela tirada de que não está farto da Madeira, mas sim do PSD-Madeira. 
Enquanto isto, um candidato acérrimo defensor da "Madeira Nova", zangado, candidata-se com o slogan: "Nova Madeira". Para além da falta de imaginação, estou esclarecido. 
Ilustração: Google Imagens.