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quarta-feira, 14 de março de 2018

"AS PRIORIDADES AO CONTRÁRIO"


"O coordenador do BE-Madeira, Paulino Ascensão, já reagiu à resposta do PSD-Madeira em relação à entrevista que Mariana Mortágua concedeu ao DIÁRIO, publicada na edição impressa de hoje, num artigo em que a esquerdista acusa o Governo Regional de ter “as prioridades ao contrário”.

“O Governo Regional da Madeira tem as prioridades ao contrário, tem toda a razão a deputada Mariana Mortágua. Se não há um hospital decente e um serviço de saúde decente na Madeira é porque o PSD não quis. O PSD esbanjou milhões nos estádios, no novo cais, no Lugar de Baixo, no heliporto, na cota 500 e em tantas obras feitas à pressa, não ter um hospital foi uma escolha do Governo Regional do PSD”, começa por afirmar Paulino Ascensão, defendendo as declarações de Mariana Mortágua.


De acordo com o bloquista “este governo de Miguel Albuquerque, deitou milhões pelas ribeiras abaixo, destruiu pontes e muralhas centenárias, descaracterizou a paisagem do Funchal para nada. O orçamento regional para 2018 prevê muitos milhões para vias rápidas que não são prioridade, para estreitar mais ribeiras e um valor residual para a saúde que tantas carências apresenta”.
“É o PSD quem prejudica a Madeira e a maioria dos madeirenses. O PSD escorraçou o ferry do Armas para proteger o monopólio nos portos e no transporte marítimo. O PSD criou um modelo de subsídio de mobilidade que torna os preços das viagens insuportáveis e afasta a concorrência, que subsidia as companhias aéreas e as agências de viagens à custa dos madeirenses; O PSD levou a Madeira à bancarrota, fez perder rendimentos, aumentar os impostos, levou ao desemprego, à pobreza e à emigração de uma nova geração. O PSD aceitou as condições dos juros da dívida mais caras para a Madeira que os da República, com um governo PSD em Lisboa. O PSD nos governos de Lisboa e da Madeira negociou as verbas da Segurança Social com valores para os Açores superiores aos da Madeira”, acrescenta Paulino Ascensão, prosseguindo nas ‘alfinetadas’.
“O governo da República tem rigorosamente a mesma legitimidade política e democrática que o Governo Regional ou que o presidente da Assembleia Municipal do Funchal. Legitimidade assente numa maioria de deputados eleitos democraticamente”.
“O Governo Regional em vez de governar em prol da maioria dos madeirenses, dedica-se a satisfazer as suas clientelas partidárias e a inventar supostos inimigos externos, para tentar esconder a sua incompetência e má fé. O Governo Regional não faz o trabalho de casa”, concluiu o bloquista".

Fonte: DN-Madeira

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A HISTÓRIA DO NOVO HOSPITAL

"O presidente do PS-M, Carlos Pereira, veio esclarecer, novamente, as dúvidas que dizem respeito à construção do novo hospital, garantindo que “o Governo da República vai co-financiar 50% da obra do hospital quando o Governo Regional apresentar um concurso público internacional”. Carlos Pereira reiterou que não há no Orçamento de Estado obras pagas a pré-pagamento, referindo que se não há concurso público, não há pagamento. Por seu turno, mostrou-se indignado com as reações do PSD e do Governo Regional, que estão, sistematicamente, a constituir obstáculos à construção e ao cofinanciamento do novo hospital. Assista às declarações".

 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

GOVERNANTES OBCECADOS POR CARLOS PEREIRA


Desde há muitas semanas que o governo regional da Madeira parece obcecado pela figura do Dr. Carlos Pereira. Basta o presidente do PS-Madeira abrir a boca ou escrever um texto de análise política e zás, o governo perde uma manhã ou uma tarde para engendrar uma resposta. O governo comporta-se como oposição, de comunicado em comunicado. Dá a entender que governa em insegurança permanente, que não está confiante nas atitudes e opções que toma. Agora foi o hospital, misturando alhos com bugalhos, como se tivesse alguma legitimidade para dele falar, quando revela uma história muito triste, de avanços e de recuos desde o início de 2000! E com alguma latinha à mistura quando fala de uma tentativa de "baralhar a opinião pública". Mas quem anda a "baralhar" há tantos anos? Max, no seu fado 31, não diria melhor... "o meu sargento baralhoua"

Até o Secretário das Finanças, ele que teve responsabilidades políticas nos anteriores governos, agora, também levanta a voz. Com que então... a República é que manda nisto! E a Autonomia onde pára? Não existe ou serve apenas para esgrimir o supérfluo, a conversa de treta? Já passou meio mandato, meus senhores. É tempo de assumirem responsabilidades, porque de comunicados o povo está farto. O Senhor Secretário, aliás, todos, deveriam ler o livro de Carlos Pereira: A Herança. Está tudo lá! Lendo e relendo, certamente, perceberiam quem andou e anda a "baralhar".

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O NOVO HOSPITAL

"(...) entre 2000 e 2011 tivemos disponíveis 25 mil milhões de euros (...) esse valor dava para construir 80 hospitais..."

 

NOTA

Julgo eu, um moderador não deve participar no debate como "advogado do diabo". Ou não será assim?

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A "DESILUSÃO" DO DEPUTADO JAIME FILIPE RAMOS


O Senhor Deputado do PSD manifestou-se desiludido com o Orçamento de Estado para 2017. Por um lado, genericamente, falou de "uma inversão de prioridades", por outro, em síntese, de dívidas da República à Madeira. Está no seu direito de opositor ao actual governo de Portugal. Correspondendo à táctica política de sempre, não sobrevalorizo. A história do confronto sem sentido de responsabilidade tem barbas e com tão maus resultados. O que para mim é espantoso é o facto de falar em "inversão de prioridades" quando aqui, durante 40 anos, em outros tantos orçamentos da Região, foi exactamente isso que aconteceu, o que nos conduziu a uma situação de dupla austeridade (tripla no Porto Santo) e, consequentemente, a uma dívida que muitos dizem ser IMPAGÁVEL. No exercício da política não vale tudo, pois exige-se, no mínimo, coerência. Aliás, em função da idade, o Senhor Deputado tendo tomado o combóio em andamento, deve estar lembrado de quantos discursos fez de apoio ao governo PSD que trouxe a Região a uma "calamidade" económica e financeira que todos estamos a pagar. 


Quanto ao novo hospital, penso que por coerência, o Deputado deveria ter presente que a história vem desde 2001 (no mínimo), com promessas sucessivas, ano após ano, Orçamento após Orçamento, de Programa de Governo em Programa de Governo, até ao ponto do pai do Senhor Deputado Jaime Filipe Ramos, o ex-Deputado Jaime Ramos ter assumido (2008) que o novo hospital NÃO ERA uma necessidade urgente e básica. Pergunto, então, de quem é a culpa de tanto atraso? E que razões levaram a que, nos últimos anos (2011/2015), com um governo liderado pelo Dr. Passos Coelho tal processo não tenha sido considerado? Isto para não falar na trapalhada da expropriação de terrenos em Santa Rita, da abertura de concurso público, da informação que oito consórcios estavam interessados, do pagamento e apresentação de projectos, tudo para nada! Em 2004, recordo, o então presidente do governo disse que, se fosse eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008. Ora, na política exige-se memória fresca e, repito, coerência.
Depois, pelo que li e ouvi, desejam a inscrição de uma verba no OE. Pergunto, para quê? De projectos nada percebo, outros estão indiscutivelmente mais bem preparados para deles falar, mas há aqui um peça que me parece faltar: querem o dinheiro para quê? Expliquem. Apresentaram alguma coisa que tivesse sido negada?
Enquanto cidadão observador, olho para esta discussão e pressinto politiquice a mais e seriedade a menos. É muito capaz do presidente do governo ter razão quando esta tarde afirmou: “(...) As coisas tecnicamente têm andado bem, politicamente não tão bem como desejávamos, mas é um processo iniciado neste momento”. "Politicamente não tão bem", porquê? Explique! Está a assumir uma parte da responsabilidade? Teve promessas em gabinete que depois não foram cumpridas? Tem o dever de explicar.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 16 de outubro de 2016

ABSOLUTA SEM-VERGONHICE


É inquestionável a necessidade e o direito de ser oposição, isto é, o dever de propor alternativa no quadro da responsabilidade política de acompanhar e de discordar com as opções de quem, circunstancialmente, exerce o poder. Não é fácil, mas é assim que a democracia funciona e exige. Mas há por aí uma geração de políticos que não nos levam a sério, que nós, os cidadãos, ou somos parvos ou andamos a tirar documentos para estúpidos. A propósito do Orçamento de Estado para 2017, quando oiço "(...) Parece que abriu a época de caça ao contribuinte (...)" - Assunção Cristas (CDS/PP) (...) e que "Cada linha deste orçamento é mais um aumento de impostos" - Duarte Marques (PSD), a ideia que me fica é a do apagão sobre tudo quanto se passou sobretudo entre 2011 e 2015, sobre aquela brutal carga de impostos que a coligação PSD/CDS impôs aos contribuintes portugueses. Assistimos a um saque, directo e indirecto, à substancial diminuição dos direitos sociais, a um compulsivo empobrecimento da população, à desregulação laboral, ao quase desaparecimento da designada classe média, ao aumento da pobreza e da saída de muitos milhares de portugueses para outras paragens, enquanto tentativa de sobrevivência. Alguém pode esquecer-se da severa austeridade que passámos e que ainda aí anda?


De Pedro Passos Coelho já nem falo, porque ali parece-me existir uma permanente angústia ainda por resolver, passados tantos meses, derivada do facto de ter sido apeado do poder através de uma maioria parlamentar e da convivência nos areópagos europeus. As suas declarações estão sempre envolvidas em tons negros, nunca de pendor propositivo mas de ave agoirenta e de subserviência ideológica a essa Europa sempre penalizadora para com os mais vulneráveis e portas escancaradas para quem serve os grandes interesses. Passos Coelho não me aquece nem arrefece, o que me custa aceitar é a falta de memória pelo que fizeram e que, de substancial, de nada valeu. O discurso que a sua via política era a única e imprescindível ao sucesso foi "chão que deu uvas". Meses a dizer que o "diabo" apareceria em Setembro, vamos em Outubro e, ao que parece, o défice vai ficar pelos 2,5%, embora de forma ainda que ténue, aos portugueses está a ser devolvida a parte que lhes sugaram, os pensionistas longe de estarem bem, sentem alguma atenção, os benefícios sociais estão de volta, enfim, a longa lista de compromissos entre os quatro partidos da base parlamentar, caminham com a segurança que nem a Europa consegue beliscar. Parece que alguns ficam aborrecidos por muitos estarem ligeiramente melhores. Que egoísmo!
Uma nota final: o novo hospital para a Madeira. Ah, pois, o cavalo de batalha dos últimos tempos. Uma vez mais assiste-se a um apagão na memória. Mas  para que conste: "(...) Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declarava que a opção vai para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assumiu que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo disse que, se for eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF assumiu que o actual hospital estava fora de prazo e em Dezembro foi anunciado o concurso público e, logo a seguir,que oito consórcios mostraram-se interessados; em 2006 foi dito que a obra avançava no final de 2008; em 2007, o secretário assumiu que a construção do novo hospital estava decidida, definitiva e irrevogavelmente. A partir de 2008, o PSD começou a oferecer sinais de dúvida, com o Deputado Jaime Ramos a dizer que o novo hospital não era uma necessidade urgente e básica; no entanto o presidente do governo continuou a sublinhar que a prioridade era um novo hospital. Daí para cá constatou-se o recuo, todavia, de trapalhada em trabalhada. Entre muitas a das expropriações (...)". Drª Rubina Berardo (PSD), "um jogo de espelhos"? Consulte os documentos e as declarações. Ficará esclarecida sobre os governos do PSD de há dezasseis anos a esta parte. O mesmo peço ao secretário regional da Finanças, personalidade que conhece todo o processo do hospital desde há muitos anos. Embora a construção do novo hospital seja uma prioridade, a par de tantas outras que estão à frente dos nossos olhos e que o governo regional não quer ver, manda a honestidade política que não atirem pedras quando têm telhados de vidro.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

NOVO HOSPITAL: A POLÍTICA DA MENTIRA POLÍTICA A TODO O VAPOR


Sobre a possibilidade de um novo hospital, li, no dia 25 de Fevereiro de 2015, a seguinte posição do actual secretário da Saúde do governo regional da Madeira: "(...) É uma prioridade, é uma preocupação, é tecnicamente sustentável a necessidade de um novo hospital". Leio, hoje, 03.07.2015: "(...) Na nossa opinião, para os doentes, é essencial que, nos próximos 20 anos, tenhamos um hospital moderno capaz diferenciado e que responda ao que neste momento já não é (...)". Ora, um horizonte temporal de 20 ANOS corresponde a CINCO LEGISLATURAS. Corresponde também, grosso modo, a uma pena máxima para todo o povo. Muitos, provavelmente, alguns largos milhares, porventura os que mais precisam, já não andarão pelo planeta Terra! 


Detesto este tipo de política. Para ser eleito dizem tudo o que soa bem ao ouvido das pessoas, acredito, até, por convicção pessoal, embora sem se comprometerem com datas, depois, chutam para a frente. Ao invés de enfrentar, como vulgarmente se diz, "o touro pelos cornos", nomeiam uma comissão para concluir sobre aquilo que há muito está assumido. É o pau que vai e volta para que folguem as costas.
Repito, aqui, a sequência dos posicionamentos políticos desde 2001 (14 anos), em um texto divulgado a 5 de Março de 2011: "(...) Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declarava que a opção vai para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assumiu que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo disse que, se for eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF assumiu que o actual hospital estava fora de prazo e em Dezembro foi anunciado o concurso público e, logo a seguir, que oito consórcios se mostraram interessados; em 2006 foi dito que a obra avançava no final de 2008; em 2007, o actual secretário assumiu que a construção do novo hospital estava decidida, definitiva e irrevogavelmente. A partir de 2008, o PSD começou a oferecer sinais de dúvida, com o Deputado Jaime Ramos a dizer que o novo hospital não era uma necessidade urgente e básica; no entanto o presidente do governo continuou a sublinhar que a prioridade era um novo hospital. Daí para cá constata-se o recuo, todavia, de trapalhada em trapalhada (...)". Para além disto existem actas de discursos proferidos na Assembleia Legislativa, no plenário e nas Comissões Especializadas, houve expropriação de terrenos e alguns milhões investidos em projectos e não só. E agora, o horizonte temporal é de 20 anos! Se me falassem em duas legislaturas, por fases, para a entrada em pleno funcionamento, bom, seria aceitável. Prolongar até vinte anos... constitui a política da mentira política a todo o vapor. E o povo acreditou, uma vez mais, que agora seria diferente. Torna-se importante que o presidente do governo se pronuncie sobre esta matéria. Cada um sabe de si e responde por si, eu, se tivesse responsabilidades políticas, não me deixava cair nesta situação, pois colocaria a mim próprio a seguinte pergunta: se assumo que a obra é prioritária, se não me deixam concretizá-la em tempo aceitável, então, o que estou aqui a fazer? Ia-me embora, por uma questão de responsabilidade e dignidade política. Porque a minha consciência nunca esteve nem estaria à venda.
Edição do DN-Madeira: 
Ilustração: Google Imagens - Maqueta do que ficou conhecido por "Novo Hospital"

domingo, 8 de março de 2015

UM GOVERNO DE GESTÃO COM "GATO ESCONDIDO COM O RABO DE FORA"


Divulga a edição de hoje do DN-Madeira, em uma peça do Jornalista Élvio Passos, que o "SESARAM, Serviço Regional de Saúde da Região, quer "oferecer" unidade hospitalar". Lê-se que estão "a preparar o caminho para que a Unidade de Medicina Nuclear do Hospital Dr. Nélio Mendonça seja entregue a privados". Coexistem aqui uma série de questões que devem ser, no plano político, colocadas e respondidas. Desde logo a Região está a sete meses de eleições legislativas antecipadas, encontrando-se este governo em gestão. Perguntas face às quais os eleitores devem ser esclarecidos: o que se esconde por detrás desta medida? Qual o posicionamento do candidato do PSD sobre esta matéria? Está, politicamente, envolvido? 


Qual a "verdade" substantiva desta opção? Como justifica o governo os investimentos e protocolos realizados face à alteração do paradigma de funcionamento? Em função da capacidade instalada na Região, de natureza privada, significará aquela opção que se preparam para recuar em todas as áreas que, permitam-me o termo, "rebentaram" com a resposta de qualidade e o conhecimento técnico e científico existente na Região? E se assim é, no plano político, quem são os responsáveis?
Sempre defendi que o serviço público ao direito à Saúde não está no sítio onde é prestado, mas na existência de resposta às necessidades da população. Neste pressuposto, ao governo deve competir a regulação a preços vantajosos para o Orçamento Regional. Parece-me óbvio. O que não é aceitável é inaugurar com pompa e circunstância, propagandear as vantagens da centralização, matar empresas, gerar desemprego especializado e, agora, depois do sector público tomar uma opção política, fazer uma nova opção estratégica. Isto é, depois de tudo "prontinho" recuar e entregar tais serviços a uma empresa. Politicamente, tudo isto não pode ser escondido. Tem de ter uma resposta convincente e transparente, porque os eleitores devem ser esclarecidos de todas as eventuais manobras e interesses.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 30 de novembro de 2014

UM GOVERNO COM POLÍTICAS EM ZIG-ZAG... AFINAL, É NECESSÁRIO UM NOVO HOSPITAL


O governo regional da Madeira tem o dever de explicar-se. Afinal, que razões substantivas, as verdadeiras, levaram a abandonar o projecto do novo hospital, em S. Rita, investir nos terrenos anexos ao velho hospital, acabar com quase toda a iniciativa privada convencionada, com quase toda a capacidade instalada (o direito à saúde está muito para além do local onde é prestado) e apostar em um hospital de sucessivos remendos. O governo tem o dever de contar TODA A VERDADE e não apenas a verdade conveniente. 


Recordo o que já escrevi em 2011:
"(...) Podem acrescentar o que quiserem, podem expropriar terrenos de bananeiras, casario, etc., porque o que ali estão a fazer são efectivamente remendos. Fica melhor, pois fica. Torna-se mais operacional em determinadas áreas, ninguém coloca em causa. Mas não deixa de constituir um remendo. Dizem as Ordens dos Médicos e dos Enfermeiros, dizem os Sindicatos, dizem os especialistas em construções hospitalares, dizem os que zelam pela SEGURANÇA, só o Secretário diz, por conveniência política, exactamente o contrário, para contornar o clamoroso erro que foi a não construção do novo hospital. A posição do governo regional é, de facto, delirante! "(...) Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declarava que a opção ia para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assumiu que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo disse que, se for eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF assumiu que o actual hospital estava fora de prazo e em Dezembro foi anunciado o concurso público e, logo a seguir,que oito consórcios mostraram-se interessados; em 2006 foi dito que a obra avançava no final de 2008; em 2007, o actual secretário assumiu que a construção do novo hospital estava decidida, definitiva e irrevogavelmente. A partir de 2008, o PSD começou a oferecer sinais de dúvida, com o Deputado Jaime Ramos a dizer que o novo hospital não era uma necessidade urgente e básica; no entanto, o presidente do governo continuou a sublinhar que a prioridade era um novo hospital. Daí para cá constatou-se o recuo, todavia, de trapalhada em trapalhada (...)".
Finalmente, 13 ANOS DEPOIS, o governo volta a referir que é necessário. Então, o que se passou, que interesses estiveram em jogo e que interesses estão hoje em jogo? Certamente que não são os interesses dos utentes.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 19 de outubro de 2014

PORTO DO FUNCHAL FALTA CONHECER AS RAZÕES... ESCONDIDAS NOS ARMÁRIOS SECRETOS!


O problema é que não é apenas o novo cais que dizem estar em causa. Olhemos para o que se passa com a questão do hospital. Tantas vozes se levantaram, desde médicos, a enfermeiros, passando por arquitectos e engenheiros, inclusive, políticos, e aquilo que estão a realizar.


Uma oportuna peça do jornalista Ricardo Duarte Freitas no DN-Madeira: "Custa 18 milhões de euros, não poderá funcionar em 23% da época alta dos cruzeiros e ainda vai condicionar as operações no actual porto. Estudo da WW conclui que só o prolongamento do molhe da Pontinha poderá ‘salvar’ o novo cais".
A teimosia, a ignorância e a megalomania política, por um lado e, por outro, a total incapacidade para ouvir outros que justificam as suas posições através do conhecimento científico, conduzem a que exista uma grande probabilidade daquela obra ser um logro. Vão inaugurá-la, com pompa e circunstância, nesse momento vão atacar todos quantos se opuseram à opção em curso, parte da população considerará que ficou "bonitinho" esquecendo-se, pelo que li, que bem melhor e seguro teria sido o prolongamento do actual molhe. 
Nem com o desastre da marina do Lugar de Baixo presente, esta vice-presidência e este presidente do governo ganharam alguma experiência no sentido de saberem ouvir outras opiniões livres e sustentadas no plano científico. Um dia conheceremos as razões... a todos os níveis!
O problema é que não é apenas o novo cais que dizem estar em causa. Olhemos para o que se passa com a questão do hospital. Tantas vozes se levantaram, desde médicos, a enfermeiros, passando por arquitectos e engenheiros, inclusive, políticos, e aquilo que estão a realizar. Desde as promessas de há catorze anos, as juras na marcação de datas para a inauguração de um novo hospital até às ridículas opções que foram tomadas nos últimos anos, numa clara aposta pelo remendo, existe um fosso de contradições e de apostas ignorantes. Eu diria que não existe bom e barato e estou certo que o alegadamente barato sairá muito mais caro! Mas este governo é assim, desbarata o dinheiro público, rasga compromissos políticos, é completamente surdo à opinião dos sectores profissionais directamente ligados e toca a fazer aquilo que lhe dá na real gana. Enfim... governam-se.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 8 de abril de 2014

"NOVO" HOSPITAL, O GOVERNO E O SÍNDROME DO DROGADO


A propósito da construção do "novo" hospital, a Câmara Municipal do Funchal entendeu, e bem, solicitar ao governo a apresentação de vários estudos que uma obra daquela natureza e naquele local de implantação exigem. O presidente do (des)governo, com a mesma mentalidade de há 40 anos, respondeu: "(...) O que tiver de ser feito, vai ser feito e brincar aos partidos, não se brinca nisto, principalmente quando se trata da saúde. Não há pachorra para aturá-los, vai-se fazer o que se tiver de fazer". Pois, lá veio à tona a veiazinha ditatorial. A história do slogan "Prà frente sempre", porque "(...) "quem se atravessar no meu caminho vai ter de me enfrentar pessoalmente". Um velho disco de 45 rotações riscado e inaudível. Ainda não percebeu que "errar é humano, mas insistir no erro é idiotice" (Julio Aukay).

O projectado...

Tal como disse relativamente ao aterro junto ao cais... é mesmo para avançar, "grite quem gritar", mesmo depois da experiência dos muitos milhões inutilmente gastos na Marina do Lugar de Baixo e em tantas obras de evidente risco, por desrespeito pelos instrumentos de planeamento e pelos avisos dos homens e mulheres de ciência. Nem presente tem as vidas que poderiam ter sido poupadas a 20 de Fevereiro, se o planeamento territorial tivesse sido acautelado. Este homem não tem emenda. Continua a defender o que um dia disse: "(...) Tenho sido criticado por quem? Pelos tontos desta terra e quando sou criticado pelos tontos, tenho muito prazer nisso". É uma questão de ser ou não o "único importante" a quem alguns se vergam.
E o remendo...
Daí que, naquele "abica-burros", muito bem faz, em defesa da cidade e também do direito à Saúde, a Câmara solicitar estudos complementares. A teimosia do "senhorio" pode sair muito cara. Há treze anos, pelo menos, que anda nesta lengalenga do "novo" hospital. Para ele, chegou a hora de avançar, todavia, não na lógica da segurança e da qualidade, mas na lógica do síndrome do drogado que só acalma se tiver dose acrescida de produto. Com o governo passa-se o mesmo, treme todo quando lhe falta o cimento! 
Avançará (!), pelo que se depreende, contra tudo e contra todos, não se sabendo com que financiamento, depois de abandonar o projecto de S. Rita e no quadro de uma dívida pública que está a custar os olhos da cara aos madeirenses.
Ilustração: Google Imagens e DN-Madeira

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

HOSPITAL "MEIAS-SOLAS". O VICE-PRESIDENTE DO GOVERNO TEM O DEVER DE EXPLICAR


"(...) Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declarava que a opção ia para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assumiu que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo disse que, se for eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF assumiu que o actual hospital estava fora de prazo e em Dezembro foi anunciado o concurso público e, logo a seguir, que oito consórcios mostraram-se interessados; em 2006 foi dito que a obra avançava no final de 2008; em 2007, o actual secretário assumiu que a construção do novo hospital estava decidida, definitiva e irrevogavelmente. A partir de 2008, o PSD começou a oferecer sinais de dúvida, com o Deputado Jaime Ramos a dizer que o novo hospital não era uma necessidade urgente e básica; no entanto o presidente do governo continuou a sublinhar que a prioridade era um novo hospital. Daí para cá constata-se o recuo, todavia, de trapalhada em trabalhada (...)".
 
 
Se o Governo não é uma sociedade secreta
tem o dever de explicar e de ser transparente.
Simplesmente porque o dinheiro
não é destes dois senhores
mas de todos os contribuintes.
Assume o Presidente do Conselho de Administração do SESARAM que a ampliação do Hospital Dr. Nélio Ferraz Mendonça, hospital, sublinhe-se, com 60 anos desde que foi apresentado o respectivo projecto, está na responsabilidade da Vice-Presidência que prevê esteja concluído lá para 2017/2018. Sobre esta matéria escrevi vários textos desde Março de 2011. Tive a oportunidade de assistir a um "Ciclo de Conferências: Um hospital para século XXI" promovido, em conjunto, pelas Ordens e Sindicatos dos Médicos e dos Enfermeiros. Não escutei uma palavra discordante quanto a tal necessidade, nessas conferências que envolveram engenheiros, arquitectos, técnicos especialistas e, naturalmente, médicos e enfermeiros. Na sequência do que ouvi, eu que nada percebo de construções hospitalares, mas tendo em consideração o conhecimento de tantas figuras que se debruçaram sobre a matéria, obviamente que, no mínimo, é estranho que o governo regional faça tábua rasa do conhecimento e continue a avançar por uma solução tipo "meias-solas" em uns sapatos velhos. Este hospital tem 60 anos!
A este propósito escrevi um texto (aqui) que a determinada altura referia: "(...) Podem acrescentar o que quiserem, podem expropriar terrenos de bananeiras, casario, etc., porque o que ali estão a fazer são efectivamente remendos. Fica melhor, pois fica. Torna-se mais operacional em determinadas áreas, ninguém coloca em causa. Mas não deixa de constituir um remendo. Dizem as Ordens dos Médicos e dos Enfermeiros, dizem os Sindicatos, dizem os especialistas em construções hospitalares, dizem os que zelam pela SEGURANÇA, só o Secretário diz, agora, por conveniência política, exactamente o contrário, para contornar o clamoroso erro que foi a não construção do novo hospital. A posição do governo regional é, de facto, delirante! "(...) Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declarava que a opção ia para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assumiu que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo disse que, se for eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF assumiu que o actual hospital estava fora de prazo e em Dezembro foi anunciado o concurso público e, logo a seguir,que oito consórcios mostraram-se interessados; em 2006 foi dito que a obra avançava no final de 2008; em 2007, o actual secretário assumiu que a construção do novo hospital estava decidida, definitiva e irrevogavelmente. A partir de 2008, o PSD começou a oferecer sinais de dúvida, com o Deputado Jaime Ramos a dizer que o novo hospital não era uma necessidade urgente e básica; no entanto o presidente do governo continuou a sublinhar que a prioridade era um novo hospital. Daí para cá constata-se o recuo, todavia, de trapalhada em trabalhada (...)".
Se volto a referir esta matéria é porque o Vice-Presidente tem o dever político de explicar muita coisa: o porquê da teimosia, qual a posição dos especialistas, se foram ou não ouvidas as ordens e os sindicatos, qual o ponto de situação relativamente aos terrenos expropriados em Santa Rita, quanto custará esta ampliação, enfim, existe aqui um rol de questões que não podem nem devem circunscrever-se aos bafientos corredores e gabinetes do governo como se de uma sociedade secreta se tratasse. Este processo está envolto em secretismo e qualquer cidadão tem o direito de ser devidamente esclarecido.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

AS OBRAS NO HOSPITAL SÃO REMENDOS... SENHOR SECRETÁRIO


Em 23 de Julho de 2011, sublinhei, na sequência de uma conferência realizada pelas Ordens dos Médicos, dos Enfermeiros e Sindicatos: "(...) O Dr. Manuel Brito, na sua intervenção, designou as obras em curso no velho hospital como "HOSPITAL TUNNING". Exemplificou que um carro topo de gama de há 60 anos, mesmo que lá se coloque umas jantes actuais, um motor moderno de um Ferrari, nunca deixará de ser um carro com 60 anos. Percebe-se a metáfora e tem toda a razão. Ora, quando se sabe que o actual hospital Dr. Nélio Mendonça tem 60 anos, não é seguro, não garante privacidade aos doentes, não dispõe de espaços sociais atrativos e amplos, quando os acessos não são funcionais, não tem flexibilidade funcional interna, apresenta dificuldades nos acessos, não tem conforto de uso, não respeita normas de segurança, quando nos mesmos elevadores circulam os cadáveres, os limpos e sujos, as pessoas, quando apresenta carência de espaços (salas de estar, gabinetes, vestiários, espaços de arrumos, sanitários, etc. etc., pergunto, como é possível um só só homem, neste caso presidente do governo, não perceba o que está em causa, não consiga ouvir ninguém e ponha em marcha uma ampliação do velho hospital ao invés de caminhar no sentido da construção, por fases, de um hospital que corresponda ao século XXI?


As obras no hospital "não são remendos", disse, esta manhã, o Secretário da Saúde e dos Assuntos Sociais. Ora, para qualquer cidadão minimamente esclarecido, AS OBRAS NO HOSPITAL SÃO REMENDOS. Podem acrescentar o que quiserem, podem expropriar terrenos de bananeiras, casario, etc., porque o que ali estão a fazer são efectivamente remendos. Fica melhor, pois fica. Torna-se mais operacional em determinadas áreas, ninguém coloca em causa. Mas não deixa de constituir um remendo.  Dizem as Ordens dos Médicos e dos Enfermeiros, dizem os Sindicatos, dizem os especialistas em construções hospitalares, dizem os que zelam pela SEGURANÇA, só o Secretário diz, agora, por conveniência política, exactamente o contrário, para contornar o clamoroso erro que foi a não construção do novo hospital. A posição do governo regional é, de facto, delirante. Em 5 de Março de 2011 aqui escrevi: "(...) Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declarava que a opção vai para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assumiu que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo disse que, se for eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF assumiu que o actual hospital estava fora de prazo e em Dezembro foi anunciado o concurso público e, logo a seguir,que oito consórcios mostraram-se interessados; em 2006 foi dito que a obra avançava no final de 2008; em 2007, o actual secretário assumiu que a construção do novo hospital estava decidida, definitiva e irrevogavelmente. A partir de 2008, o PSD começou a oferecer sinais de dúvida, com o Deputado Jaime Ramos a dizer que o novo hospital não era uma necessidade urgente e básica; no entanto o presidente do governo continuou a sublinhar que a prioridade era um novo hospital. Daí para cá constata-se o recuo, todavia, de trapalhada em trabalhada. Entre muitas a das expropriações. (texto que aqui escrevi
Em 23 de Julho de 2011, voltei a sublinhar na sequência de uma conferência realizada pelas Ordens dos Médicos, dos Enfermeiros e Sindicatos: "(...) O Dr. Manuel Brito, na sua intervenção, designou as obras em curso no velho hospital como "HOSPITAL TUNNING". Exemplificou que um carro topo de gama de há 60 anos, mesmo que lá se coloque umas jantes actuais, um motor moderno de um Ferrari, nunca deixará de ser um carro com 60 anos. Percebe-se a metáfora e tem toda a razão. Ora, quando se sabe que o actual hospital Dr. Nélio Mendonça tem 60 anos, não é seguro, não garante privacidade aos doentes, não dispõe de espaços sociais atrativos e amplos, quando os acessos não são funcionais, não tem flexibilidade funcional interna, apresenta dificuldades nos acessos, não tem conforto de uso, não respeita normas de segurança, quando nos mesmos elevadores circulam os cadáveres, os limpos e sujos, as pessoas, quando apresenta carência de espaços (salas de estar, gabinetes, vestiários, espaços de arrumos, sanitários, etc. etc., pergunto, como é possível um só só homem, neste caso presidente do governo, não perceba o que está em causa, não consiga ouvir ninguém e ponha em marcha uma ampliação do velho hospital ao invés de caminhar no sentido da construção, por fases, de um hospital que corresponda ao século XXI? Eu penso que este governo entrou num estado de loucura, de desnorte completo que impede que, no mínimo, ouçam quem sabe. Preferem o Hospital Tunning, quando os doentes, hoje, querem segurança, privacidade, bom serviço e áreas sociais; quando os profissionais almejam por boas práticas, espaços amenos, informação e transparência. O hospital Dr. Nélio Mendonça tem 60 anos (início dos projectos), não é seguro, não garante privacidade aos doentes, não dispõe de espaços sociais atrativos e amplos, quando os acessos não são funcionais, não tem flexibilidade funcional interna, apresenta dificuldades nos acessos, não tem conforto de uso, não respeita normas de segurança, quando nos mesmos elevadores circulam os cadáveres, os limpos e sujos, as pessoas, quando apresenta carência de espaços (salas de estar, gabinetes, vestiários, espaços de arrumos, sanitários, etc. etc., pergunto, como é possível um só só homem, neste caso presidente do governo, não perceba o que está em causa, não consiga ouvir ninguém e ponha em marcha uma ampliação do velho hospital ao invés de caminhar no sentido da construção, por fases, de um hospital que corresponda ao século XXI? Eu penso que este governo entrou num estado de loucura, de desnorte completo que impede que, no mínimo, ouçam quem sabe.
Queira ou não o Secretário Regional, este hospital é um remendo. Foram obrigados a remendar porque o dinheiro foi desviado para outras obras não prioritárias. E se assim não é, pergunto, então, que razões levaram o governo a gastar milhões em projectos e expropriações visando a construção do novo hospital?
Fora da esfera do poder político, acredite Senhor Secretário, meta na cabeça, que uma grande parte da população não é ESTÚPIDA!
Ilustração: Arquivo pessoal e Google Imagens.

sábado, 5 de março de 2011

O NOVO HOSPITAL CENTRAL - UMA PROMESSA NÃO CUMPRIDA

ADVOGADA DAS CAUSAS PERDIDAS


Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declara que a opção vai para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assume que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo diz que, se for eleito gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF refere que o actual hospital está fora de prazo e em Dezembro é anunciado o concurso público e, logo a seguir, oito consórcios mostram-se interessados; por aí fora...

Há Deputados(as) que, das duas, uma: ou defendem o indefensável, aquilo que ninguém entende por falta de razoabiilidade argumentativa, ou estão talhados(as) para as causas perdidas. Ora, a questão do Hospital, afinal, é porque o Governo da República não quis assumir a sua responsabilidade. À posição assumida pela Senhora Deputada Rafaela Fernandes do PSD, acabo de ler algumas mensagens na edição on-line do DN que provam que há muita gente que tem dificuldades em engolir aquele tipo de declarações: "(...) O Governo (3D) Desviar, Devertir, Destrair! e a culpa é dos Cubanos (...) Desculpe mas isso não deve ser verdade, não acredito, nunca até hoje foi noticiado, e isso seria uma notícia que nenhum dos actuais grupos de comunicação social deixaria passar, que o governo da República tornasse público, claramente, que não apoiava a construção do novo hospital, se para mais alguns partidos como o CDS e o PCP desenvolviam esforços nesse sentido, de o projecto ser de interesse comum (PIC), ao que parece os deputados do PSD-M na AR, é que se deitaram à "sombra da bananeira", e talvez receosos do sucesso dos seus colegas da oposição toca "deitar areia em cima", aliás o "PIC" tornou-se foi "PIG" (...) Se há coisa que adoro são tangas... mas não destas! (...) Realmente... a culpa é sempre dos outros. De facto, há outras prioridades....como estádios, marinas,etc... (...) Vira o disco e toca o mesmo! Pois é! Aqueles malandros, sabem que vamos gastar tantos milhões na paradisíaca lixeira do Funchal e outros tantos no indispensável sumidouro do Lugar de Baixo, e nem nos pagam um Hospital! É incrível que mesmo sabendo dessas urgentes e incontornáveis despesas, ainda estejam à espera que tenhamos dinheiro para coisas pouco interessantes como hospitais. O governo central, ao contrário do nosso, não sabe o que são prioridades!!! (...) E o estádio dos Barreiros? Teve apoio da República!? (...) A "metralhadora" de barretes e manobrismo político como tentam fugir à impopularidade é de uma criatividade absolutamente delirante".
A posição do PSD é, de facto delirante. Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declarava que a opção vai para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assumiu que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo disse que, se for eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF assumiu que o actual hospital estava fora de prazo e em Dezembro foi anunciado o concurso público e, logo a seguir,que oito consórcios mostraram-se interessados; em 2006 foi dito que a obra avançava no final de 2008; em 2007, o actual secretário assumiu que a construção do novo hospital estava decidida, definitiva e irrevogavelmente. A partir de 2008, o PSD começou a oferecer sinais de dúvida, com o Deputado Jaime Ramos a dizer que o novo hospital não era uma necessidade urgente e básica; no entanto o presidente do governo continuou a sublinhar que a prioridade era um novo hospital. Daí para cá constata-se o recuo, todavia, de trapalhada em trabalhada. Entre muitas a das expropriações.
Perante um quadro destes, e lá vão dez anos, vem a Senhora Deputada Rafaela Fernandes dizer que a culpa é de Lisboa. Nem teve presente que a saída das regiões Objectivo 1 da UE, além de ter custado menos 500 milhões de receitas, pode também estar em causa um hospital. Se calhar foi a oposição que esteve em Bruxelas a manifestar a riqueza da Madeira à custa de um PIB empolado pela Zona Franca, portanto uma riqueza que nunca existiu.
Hoje, é Sábado de Carnaval. Este é, apenas, mais um DESFILE.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

"FALAR A VERDADE"... ESSA É BOA!


E nesta súbita alteração na opção política há muitos aspectos que terão de ser explicados, desde logo, as razões substantivas (as não aparentes e divulgadas) da opção tomada, a listagem completa de quem vendeu os terrenos expropriados, se houve ou não intermediários e se já voltaram a ser vendidos, quanto custarão as indemnizações e eventuais pagamentos de mais-valias, o que fará o governo regional com os terrenos expropriados, quanto custará a nova obra comparativamente a todo o processo anterior...


O grupo parlamentar do PSD na Assembleia Legislativa da Madeira corre, diariamente, contra o prejuízo. Ontem foi a defesa indefensável da não construção de um novo Hospital. Como se fosse politicamente sustentável passar uma mensagem daquelas e como se todos fossem parolos. 
O governo, depois de muita insistência por parte da oposição, avançou com o projecto, gastou milhares nesse estudo, expropriou terrenos e pagou a alguns, alimentou, politicamente, a irreversibilidade do processo e agora, anos depois de tanta azáfama, vem dizer, não senhor, há outras opções menos onerosas e que resolvem, cabalmente, a situação. Ora, daqui se infere que a normalidade deste governo é a da navegação à vista e que corre ao sabor da pressão política e pública. A estratégia e a definição das prioridades ficam para depois. Dir-se-á que o caso do hospital é o caso do aterro. No caso do hospital foram necessários dez anos para definir um rumo; no caso do aterro, sem a sustentabilidade dos estudos e contra tanta voz técnica e científica, apresenta, um ano depois da tragédia, uma resposta que poderá constituir um monumental erro. Talvez, mais tarde e tarde demais venha a recuar! Veremos.
E vem o PSD sublinhar que se trata de "falar verdade à população". Mas qual verdade? A do governo, obviamente. Porque a verdade é múltipla e, portanto, não se esgota na decisão de um governante. Há muitas verdades sobre um mesmo assunto, porque são muitos os olhares e leituras sobre qualquer processo. O caso do Hospital é paradigmático. E nesta súbita alteração na opção política há muitos aspectos que terão de ser explicados, desde logo, as razões substantivas (as não aparentes e divulgadas) da opção tomada, a listagem completa de quem vendeu os terrenos expropriados, se houve ou não intermediários e se já voltaram a ser vendidos, quanto custarão as indemnizações e eventuais pagamentos de mais-valias, o que fará o governo regional com os terrenos expropriados, quanto custará a nova obra comparativamente a todo o processo anterior, o qual, em certos casos, estou convicto que será dirimido nos Tribunais. Tudo isto e muito mais terá de ser devidamente esclarecido. Se alguém tem a obrigação de "falar a verdade" é o governo regional do PSD que sempre foi governo e com maioria absoluta. Não é a oposição que tem de dar justificações. O governo governa; a oposição fiscaliza. É assim em todo o regime democrático.
E no meio disto vem o presidente do governo falar de políticas que prosseguem "contra a burguesia frustrada". Mas qual burguesia frustrada? Estará o presidente do governo a falar para dentro do seu próprio partido? Talvez. É que, por maior esforço que faça não sei onde ela se encontra no quadro dos partidos da oposição e do Povo em geral. Afinal, quem são os grandes da economia regional, as tais multimilionárias famílias e em que quadro político aparentemente se encontram?
E que "lata" é essa, permitam-me a palavra, de vir falar que é aqui que se desenvolve o Estado Social de acordo com o desenvolvimento da economia quando, por um lado, a economia regional está de pantanas e do Orçamento Regional não sai um cêntimo para contrabalançar a austeridade, no campo dos apoios aos pensionistas, do abono de família, dos desempregados, até aos cortes salariais dos funcionários públicos, etc. etc? Quando toda a Segurança Social é paga pela República (e assim tem de ser), até os próprios funcionários, mas onde, localmente, no quadro da AUTONOMIA, o governo não demonstra sensibilidade social?
Há muitas verdades... é ou não verdade?
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O HOSPITAL E AS INCOERÊNCIAS...


As incoerências políticas ficaram ainda mais à mostra, concretamente, há dinheiro para resolver o problema do "aterro", mas não há dinheiro para pagar um pouco mais de 2% a todos aqueles que auferem pensões muito baixas; há dinheiro para mais quatro piscinas, mas não há para resolver as dívidas do sector de saúde superior a 120 milhões de euros; há dinheiro para um estádio de futebol, mas não há para resolver a gravíssima situação em que se encontram os estabelecimentos de educação e ensino com elevadíssimos encargos assumidos e não pagos, e por aí fora. Uma vergonha política.


Com que então... hospital ao fundo! Nem mais. Há dez anos para cá constituia uma obra importante. Arrastaram-na no tempo com histórias e mais histórias. Por fim, era a luta com o governo da República no sentido de ser considerada uma obra de interesse comum, mas agora passa a segundo plano. No mesmo dia que anunciam obras no "aterro" a leste do cais da Cidade do Funchal. O que isto significa é que o governo está completamente à nora, desorientado, em conflito consigo próprio, sem rumo e descapiltalizado no pensamento estratégico e no cofre.
Vamos lá ver, até pode ser defensável esta súbita alteração, por circunstâncias várias, só que deveria ser explicada de uma forma absolutamente transparente e consistente. Não foi e certamente não será. Depois, são as incoerências políticas que ficam ainda mais à mostra, concretamente, há dinheiro para resolver o problema do "aterro", mas não há dinheiro para pagar um pouco mais de 2% a todos aqueles que auferem pensões muito baixas; há dinheiro para mais quatro piscinas, mas não há para resolver as dívidas do sector de saúde superior a 120 milhões de euros; há dinheiro para um estádio de futebol, mas não há para resolver a gravíssima situação em que se encontram os estabelecimentos de educação e ensino com elevadíssimos encargos assumidos e não pagos, e por aí fora. Uma vergonha política. Ainda hoje, a propósito, cruzei-me com um madeirense que vive no Curral das Freiras. Disse-me: "eu estou de acordo com a piscina que estão a fazer no Curral, mas a gente nem esgotos tem... vai tudo para a ribeira". Pois é, meu caro, no dia do voto, lembre-se disso - respondi-lhe.
Esta deliberação sobre o hospital, dez anos depois da assunção de uma responsabilidade política, terá de ser devidamente explicada. Pessoalmente, pressuponho, que o governo, ao deliberar hoje sobre a suspensão do projecto, está a colocar-se, atempadamente, a salvo da censura política com o aproximar do acto eleitoral legislativo de Outubro próximo. Só que as incoerências são muitas, as fragilidades enormes e, portanto, a explicação terá de ser dada, na sede própria, na Assembleia Legislativa da Madeira. E aqui vamos...
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

PRIMEIRO A SAÚDE, DEPOIS OS FUTEBÓIS...

Nada justifica, a não ser a falta de senso e a ânsia de todos os dias ter alguma coisa para inaugurar (há nisto qualquer coisa de patológico), que o futebol, sobretudo o de natureza profissional, aos olhos da opinião pública, seja considerado uma prioridade. Não estão aqui os valores de uma e de outra obra, se considerarmos os 40 e tal milhões para o estádio do Marítimo e os valores que estão em causa para pôr a funcionar uma infra-estrutura hospitalar. O que está aqui em causa é como se olha para as coisas, como delas se fala e como se publicitam estas iniciativas. Chega a ser pornográfica a leviandade com que se derrama dinheiro em iniciativas que não constituem uma prioridade social, em relação a outras reclamadas pelas pessoas, pelos técnicos e pelos políticos mais atentos.
Este Hospital Central, ou melhor, os hospitais da Madeira estão a rebentar pelas costuras. Todos sabem disso. Não há dinheiro para nada. Assoberbados de dívidas e que são do conhecimento público, agora, até material de uso corrente vai faltando, sendo necessário que os serviços, com muita boa vontade e espírito de entreajuda, vão colmatando as insuficiências de uns em relação aos outros. Enquanto isto acontece, falam de futebol, de transferências milionárias, de uma fugaz passagem por uma competição europeia, de dinheiro, muito dinheiro para realizar um "campeonato regional" travestido de série nacional de uma qualquer divisão, falam de boca cheia como se nada se estivesse a passar no seio das famílias madeirenses, já não falo sequer daqueles que vivem nas margens dos direitos sociais, mas daqueles que convencionámos designar por classe média.
Há muita maldade por aí e muita gente a fingir aquilo que não é e, porventura, nunca foi. Passam pela sociedade como homens de solidariedade, homens de bem, homens que alardeiam um sentimento de benfeitor, fazem voluntariado, pertencem a organizações de caridade, têm acesso aos centros de decisão onde podem influenciar comportamentos e atitudes políticas, mas preferem o silêncio, a medição das palavras, os salamaleques perante o poder político e o económico, que mais parecem travestis desta trágico-comédia regional.
O problema agora é saber como se sai desta teia quando, hoje, mais um capítulo da novela "Os Delfins" dá a entender que estão todos mergulhados numa relação azeda a avaliar pelas palavras ditas. E ninguém pode esperar que nada de bom dali saia. A lógica que ali preside é idêntica à do Partido Revolucionário Institucional (PRI) que liderou, hegemonicamente, o México entre 1929 e 2000 (81 anos). Os princípios são os mesmos (poder e mais poder) e a atitude mental é idêntica à mexicana.
Ora, a solução para a Madeira não passa por aí, mas pela mudança substancial dos comportamentos políticos. E isso necessita que a Região, todo o seu Povo, tome consciência que esta terra que amamos só pode ter futuro se mudar de paradigma, o que implica outras pessoas, outros actores políticos, que apareçam sem manhas, com as mãos limpas, com inovação, com criatividade e com um alto sentido de responsabilidade. Acredito que é possível, acredito que este povo saberá se "levantar do chão" e tomará nas suas mãos o seu destino, distante de intermediários (os novos colonos) que tornaram a Região insustentável no número de desempregados e de pobres.