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sábado, 30 de abril de 2016

EM ABRIL ELA VOLTA SEMPRE

Viver com Abril…                             
 Lutar por Abril…
Morrer em Abril…

 



                        







A lousa fria  austera
Onde nasce o cravo
E cresce a gerbera
Não é campa                                                                 

É a rampa
De regresso
Na próxima Primavera
                                                                 
                                                                  


27.Abr.16
Martins Júnior

quinta-feira, 28 de abril de 2016

LÍLIA BERNARDES A GRANDE MULHER E JORNALISTA QUE FOI CONSIDERADA "INIMIGA DA MADEIRA"


Custa-me imenso cumprir o dever social de marcar presença em cerimónias de despedida, sobretudo naquelas que identificamos como partida para a "última morada". Mais, ainda, quando conheço o ser humano em presença, naquilo que o caracteriza, por ter sentido, ao longo da vida, empatia, uma profunda amizade, alicerçada em inquestionáveis princípios e valores. Mesmo quando os encontros não são de grande frequência, quantos de nós já não olhámos para alguém e não nos apercebemos, embora à distância, a sua proximidade na comunhão desse leque de princípios e valores que estruturam a nossa identidade. Trago comigo um telefonema de um colega e Amigo que vive em Alcobaça. Depois das palavras iniciais, disparou: "era só para saber se estavas bem!". Que bom sentir a amizade! Em uma frase tão curta senti, naquele momento, a beleza da vida, o encanto da vivência e da convivência. 


Na despedida da Lília Bernardes, que hoje foi a sepultar, perpassou-me aquela frase, "era só para saber se estavas bem" e penitenciei-me por não ter sido mais próximo. Falta-nos, muitas vezes, essa cultura de termos os amigos  por perto, sempre no primeiro plano das preocupações. Na voragem dos dias, dos afazeres, profissionais e outros, vamos deixando para depois, quando esse depois, em um ápice, deixa de existir. A Lília Bernardes merecia de todos nós essa atenção primeira e não teve por parte de muita gente. Olho para trás, para o seu percurso de vida e, particularmente, para as suas preocupações de família que tantas vezes me falou e entristece-me ter presente os enxovalhos públicos de que foi vítima e os processos na Justiça, apenas porque a sua coluna de jornalista e de Mulher nunca foi de plasticina. Lília, em uma entrevista a João Dias, um dia, sublinhou: "(...) A minha postura perante do Dr. Jardim é muito clara: eu sou paga para lhe fazer perguntas e ele é pago para me dar respostas". Só que ele e muitos outros não gostavam das perguntas. Esse foi o problema que, aliás, profissionalmente, magoou, mas não a deixou vergar, simplesmente porque era seu entendimento: "(...) Se Alberto João Jardim sair do poder não tenho nada para chorar nem para festejar". Nem mais. Há, portanto, gente que perdendo a noção que a vida é finita, dos políticos aos CTT, passando pela comunicação social escrita e televisiva, que hoje deveria curvar-se perante a sua morte e, publicamente, pedir desculpa. São vários ao longo do seu percurso. Porque a Lília não era "inimiga da Madeira". Bem pelo contrário. 
Olho para trás, ainda, e vejo a lutadora, com problemas até ao céu da boca, mas que ainda encontrou tempo para se licenciar, o que exprime uma constante busca pelo conhecimento. A Lília foi uma Mulher lutadora. A sua mãe, julgo com 94 anos, a sua filha e a sua irmã faziam parte da sua preocupação diária. Nunca se queixava das suas maleitas, soube, ainda hoje, que nem à filha confidenciava. Uma Mulher lutadora e sofredora no silêncio dos dias. A Lília seria uma avó presente dentro de poucas semanas. Quis as circunstâncias que não deliciasse esse momento sublime e doce. Que a criança nasça e transporte os princípios e valores da avó. 
Faço minhas as palavras do Dr. Carlos Farinha, da Polícia Judiciária, que ainda ontem sublinhou: "(...) Tenho muita pena de não poder dizer que há muitas Lílias neste país."
Até um dia, Amiga.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

A LÍLIA BERNARDES FALECEU


Palavras para quê?
Morreu uma Amiga.
Morreu aquela que, de quando em vez, me telefonava para desabar ou para trocarmos uma opinião.
Morreu aquela que se dedicou ao jornalismo e fez da sua profissão uma bandeira de luta pela verdade.
Morreu aquela que foi, durante anos, ofendida, enxovalhada pelos poderes públicos e sacrificada na sua vida pessoal.
Morreu a Lília. Eu que tanto dela gostava! Que descanse em paz.