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domingo, 18 de outubro de 2015

ARCO DA GOVERNAÇÃO, QUE DESIGNAÇÃO TÃO ESTÚPIDA!


"Sempre me perturbou a designação que por aí se ouve, desde políticos a jornalistas, passando por comentadores e eleitores em geral: "os partidos do arco da governação". Com o devido respeito pelas pessoas que utilizam, recorrentemente, aquela expressão, sublinho que a considero estúpida e sem qualquer sentido. É evidente que percebo o que querem exprimir, mas quando a utilizam estão, obviamente, a circunscrever a democracia a dois ou três partidos, passando todas as restantes correntes de pensamento a meros enfeites do processo democrático. É que a expressão induz no erro e influencia os comportamentos eleitorais. De tanto a repetirem, o eleitor pode ser levado a pensar que só A ou B podem ser poder político e que C ou D podem servir de bengalinha na lógica de que os "ovos não devem ser colocados todos no mesmo cesto". E isto tem conduzido, não podemos ignorar, a um pensamento político quase unanimista por toda a Europa, onde muitas vezes não se percebe onde terminam os princípios e valores de um partido político e começa o outro. 


Quando falam do "arco da governação" estão, pois, a afunilar o pensamento quase único. 
Jorge de Campos, in A Caixa Negra, cita Jacques Piveteau: "(...) o espectacular transformou-se numa droga cujos efeitos não podem acalmar-se senão através do consumo sempre acrescido de doses cada vez maiores". Se o espectacular assim é, também o é a repetição do pensamento. De múltiplas formas fazem promover uma e só uma verdade. E a este propósito, K. Popper e J. Condry, no livro Televisão – um perigo para a democracia, alertam, por exemplo, para o facto da televisão ser, hoje, "incapaz de ensinar o que é necessário à sua evolução" (desenvolvimento), talvez porque transmitem a verdade conveniente! Por seu turno, Umberto Eco, in Apocalípticos e Integrados, adverte que a "civilização democrática salvar-se-á se da linguagem da imagem se fizer um estímulo à reflexão crítica e não um convite à hipnose". O que porém acontece é que, na linha de pensamento de Aor da Cunha, servem para "moldar, esticar ou comprimir imagens com textos que reproduzam a vida política, social, cultural e económica à sua maneira, conforme os critérios ideológicos e particulares do momento não só dos jornalistas, mas também segundo os "proprietários" dos emissores (…)". Há como que uma lógica ditatorial do pensamento único. Daí o "arco da governação". E os outros pensamentos? Ora, temos a Europa e uma grande parte do Mundo que temos porque há gente que "não conta". Que apenas compõem o ramalhete. (...)"
Ilustração: Google Imagens.
NOTA
Texto, da minha autoria, aqui publicado em 12 de Dezembro de 2013. Neste momento alguns continuam a pensar,  inclusive o Presidente da República, que só o PSD, o CDS e o PS podem formar governo. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

UMA CAMPANHA DE PROXIMIDADE EM DEFESA DA REGIÃO



Nunca assisti a uma campanha com tanta proximidade como a que o candidato Carlos Pereira (PS) está a realizar. Com encargos reduzidos, Carlos Pereira e a sua equipa têm vindo a calcorrear os concelhos da Madeira e Porto Santo, não para cumprir o número político diário, mas para falar com as pessoas. Diariamente sigo, no site do PS-Madeira, as imagens e as suas propostas. E quanto às propostas, não se perde em assuntos que são de Junta ou de Câmara, antes tem vindo a apresentar e a comprometer-se com as grandes questões regionais que só podem ter solução na Assembleia da República e no futuro governo da República. 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

LEGISLATIVAS NACIONAIS E O ARGUMENTÁRIO DO PS-MADEIRA


"Sempre com a Madeira" é o slogan do PS na Região. Confesso que pouco ligo a estas frases, porque aprendi, ao longo de muitos anos que elas ao quererem dizer muito, acabam por pouco transmitir. Veja-se, por exemplo o slogan da candidatura do PSD-M: "Autonomia sempre". Um paradoxo quando se sabe, pela prática, que foram os próprios que venderam a Autonomia a pataco. Hoje, não existe Autonomia, temos, apenas, um símbolo na Avenida do Mar e das Comunidades. De resto, tudo é  comandado por Lisboa em função das obrigações que o ajustamento financeiro determinou. E assim será por muito tempo. Por esta razão e muitas outras, sendo esta uma eleição para determinar a futura composição da Assembleia da República e, daí, o governo de Portugal para os próximos quatro anos, que dou mais valor ao argumentário dos partidos. Gostei do que li relativamente ao PS-Madeira e aqui deixo à reflexão dos leitores.

1. QUEM NÃO SE SENTE NÃO É FILHO DE BOA GENTE

Depois de quatro anos de governação da coligação PSD/CDS podemos sempre dizer que “quem não se sente não é filho de boa gente”. Os madeirenses e porto-santenses passaram pelo pior período da sua história e foram humilhados pelo governo da república que vingou-se do povo da Madeira pela incompetência e irresponsabilidade do governo do PSD-M. O PAEF-RAM trouxe maldades inimagináveis como os impostos mais altos do país, cortes nos rendimentos e perdas de conquistas da autonomia como o subsídio de insularidade. Os resultados estão à vista de todos: maior taxa de desemprego do país, sobretudo nos estratos mais jovens; maior risco de pobreza, emigração imparável e investimento a cair vertiginosamente, sendo a Madeira a região do país com maior proporção de falências. PSD/CDS nunca forma solidários com a Madeira, mesmo nos momentos mais difíceis.

2. PSD-M AGACHADO A LISBOA

Depois de 90 dias de Governo Regional há uma certeza: este PSD-M não defende o interesse dos madeirenses e porto-santenses nem luta pela Madeira como precisamos. Perante um Governo da República tão hostil à Madeira este Governo Regional anda de cócoras aceitando tudo o que é proposto e imposto: aceitaram pagar divida com os 40 milhões do fundo de coesão e devia ser para criar emprego; não quiseram negociar os juros da dívida da Madeira para poupar 1,5 milhões de euros por mês. Já os Açores com uma dívida menor reduziram em 25 milhões o custo com a divida; a proposta de subsídio de mobilidade para as viagens foi mal negociado e o governo regional nem sequer negociou a proposta apresentada pelo governo de coligação. Nestes termos temos um governo bastante pior que o dos Açores onde as viagens já não serão todas de 86 euros e em alguns casos podem atingir valores superiores a 200 euros. Bastava ter copiado os Açores. 

3. O PS É O PARTIDO QUE MAIS AJUDOU A MADEIRA

Na história da nossa Autonomia não há dúvidas que o PS foi o único partido que nunca abandonou os madeirenses e porto-santenses nas alturas mais duras e mais difíceis. Em 1998 a dívida da Madeira de 770 ME ameaçava prejudicar o nosso futuro. O governo do PS pagou a dívida. Em 2010, perante a grave catástrofe do 20 de Fevereiro, foi o PS quem, mais uma vez, estendeu a mão solidária a todos nós criando a Lei de Meios, que trouxe mais de 1000 milhões de euros para reconstruir a Região.

4. PARTIDO SOCIALISTA TEM O PROGRAMA CERTO

Menos impostos (fim da sobretaxa IRS, redução de contribuição segurança social e redução do IVA da restauração, por exemplo) e mais rendimentos (entrega de salários da função pública e reforço do salário mínimo, por exemplo) e mais atenção aos mais pobres (compensações salariais e luta contra a pobreza) 

5. SÓ HÁ DOIS CAMINHOS - VOTO ÚTIL

A 4 de Outubro só há dois partidos que podem governar: o PS ou a coligação PSD/CDS. Neste sentido, o que está em causa é votar na continuidade destas políticas que desgraçaram a Madeira ou apostar numa mudança de governo e colocar Passos Coelho e Paulo Portas na rua da governação. Votar em qualquer outro partido é deitar fora o voto. Passa a ser um voto que não conta para nada porque nenhum outro partido terá a possibilidade de governar. 

6. PS-M MOSTROU CAPACIDADE PARA BATER O PÉ PELA MADEIRA

É consensual que a liderança do PS-M não se agacha a Lisboa, seja quem for. Em primeiro lugar estarão sempre os interesses dos madeirenses e porto-santenses. Quem ousar colocar esses interesses em causa terá sempre a oposição frontal e transparente do PS-M e dos candidatos à Assembleia da República. 

7. COMPROMISSO COM OS MADEIRENSES

O Compromisso dos candidatos do PS-M para com os eleitores da Madeira é muito claro e tem a total compreensão do futuro primeiro-ministro de Portugal, António Costa. 
a. Transformar o CINM num projecto de interesse nacional e integrá-lo na estratégia de Investimento Directo Estrangeiro levado a cabo pelo AICEP. Pela importância do CINM para o IDE de Portugal, a Madeira deve indicar um administrador para o AICEP;
b. Estratégia integrada de renegociação da dívida da RAM com a solidariedade do Estado. Juros pelo menos iguais aos que os Açores pagam pela divida ao Estado; aval do Estado para renegociação com os restantes 75% da dívida que está junto da banca;
c. Consulta à ALRAM para nomeação de diplomatas portugueses nos países com forte expressão de emigrantes da RAM;
d. Entrega à RAM do espólio cultural associado à Madeira e Porto Santo que está espalhado pelo país;
e. Co-financiamento da infraestrutura de fibra óptica para as comunicações entre a Madeira e o continente; 
f. Garantia de concretização do novo Hospital em projecto de interesse comum;
g. Entrega do Palácio de S. Lourenço à RAM para instalar o Museu dos Descobrimentos. Um projecto de interesse nacional;
h. Assegurar que o princípio da continuidade territorial é assumido pelo Estado sem qualquer plafonamento. Evitando que os contribuintes da RAM acabem por pagar o que deve ser o Estado.;
i. Estabelecer uma alteração à LFR que assegure reduções de impostos de pelo menos 40% face às taxas estabelecidas no plano nacional;
j. Integrar na agenda europeia e nacional a necessidade de introduzir compensações à RAM pelas perdas ocorridas na divisão de fundos europeus pelo PIB empolado;
k. Assegurar a participação da RAM nas rondas negociais sobre a ZEE. Introdução de uma força de intervenção rápida para proteger os mares da Madeira.
l. RTP-M: assegurar maior investimento na produção de programas com conteúdos regionais e financiamento da recuperação digital do arquivo da Madeira.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

EU NÃO POSSO DIZER, MAS TU PODES. VAI LÁ E DIZ!


Esta gentinha da Coligação PSD/CDS parece-me desesperada. Estamos a viver uma campanha eleitoral em que certos sinais são evidentes. Mas se olharmos bem outra coisa não seria expectável. A Coligação, depois destes quatro anos de enormes sacrifícios para a população portuguesa, tem de vender o seu produto, como um recomendável, ignorando todos os efeitos nefastos que produziram e continuam a produzir. E, então, qual bengalinha, ou melhor, qual bode expiatório, lá vem, directa ou indirectamente, o anterior governo e José Sócrates. Desonestamente, quatro anos depois de tanta promessa, ignoram que a crise foi externa e que se espalhou por toda a Europa, ignoram que o mesmo ex-primeiro-ministro, no primeiro mandato, trouxe a dívida pública de mais de 6% para menos de 3% do PIB, ignoram o combate à pobreza, o reforço dos direitos sociais, o 12º ano, as energias renováveis, a abertura aos mercados externos de que hoje Portugal beneficia, a baixa do preço dos medicamentos, as novas possibilidades à investigação científica, as ligações ao interior do país, e muito mais. Agarram-se, apenas, ao lado negativo (erros de governação todos têm e José Sócrates e os seus governos, não estão imunes), para no mais sórdido dos ataques, produzirem declarações cujos efeitos assemelham-se aos que atiram pedras tendo telhados de vidro. Lamentável.


Li em: https://vaievem.wordpress.com/
"Paulo Rangel, deputado europeu e figura proeminente do PSD, fez na universidade de verão do seu partido um ataque descabelado à justiça. Querendo atingir António Costa e o PS, porém saiu-lhe o tiro pela culatra. Ao perguntar aos jovens que o escutavam se “Alguém acredita que se os socialistas estivessem no poder haveria um primeiro-ministro sob investigação?”, Rangel disse várias coisas ao mesmo tempo:

  • que José Sócrates foi investigado e está preso porque o PSD (e o CDS) estão no governo. Logo, dá razão à tese do próprio Sócrates de que é um preso político;
  • que a justiça é controlada pelos governos e só investiga políticos quando os partidos a que pertencem não estão no governo;
  • que Passos Coelho não foi investigado nos casos Tecnoforma e dívidas à Segurança Social porque o PSD está no governo;
  • que Paulo Portas não foi investigado no “caso submarinos” porque o CDS está no governo;
  • que Miguel Macedo, ex-ministro do PSD, não foi ainda constituído arguido no caso “vistos gold” porque o PSD está no governo;
  • que Marco António Costa não foi ainda constituído arguido no caso Câmara de Gaia porque o PSD está no governo.
Conclusões que podem ser extraídas das declarações de Paulo Rangel:
quando o PSD não estiver no governo Passos Coelho será investigado sobre os casos acima citados;
idem para Miguel Macedo; idem para Marco António Costa; quando o CDS deixar de estar no governo Portas será´investigado no “caso submarinos”.
E assim, de uma penada, Paulo Rangel faz de procuradores e juízes meros paus-mandados do governo que estiver em funções.
O que é que Passos Coelho tem a dizer à “lição” dada pelo seu ex-rival aos futuros quadros do PSD?"
O leitor que retire as suas conclusões. Mas antes, leia Ricardo Costa, no Expresso:
"As declarações que Paulo Rangel fez no sábado sobre a justiça são erradas. Mas não foram feitas ao acaso. Foram um erro propositado. Paulo Rangel recorreu a um truque retórico clássico: o de se dizer uma coisa sabendo que toda a gente vai entender outra. É certo que assim pode defender-se com o que disse e que, palavra por palavra, mais não é que uma ligeira insinuação. Mas o objetivo pretendido é inaceitável. Porque ao tentar ganhar votos, não lança apenas uma suspeita sobre o PS, mas uma perigosa dúvida sobre a Justiça que, aos seus olhos, se deixa domesticar."
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

AS SONDAGENS E A REALIDADE


Coloco a um lado as convicções partidárias, mesmo as mais fervorosas e dependentes por razões várias. Faço apenas um exercício tendo como ponto de partida as sondagens que, alegadamente, repito, alegadamente, dizem existir um equilíbrio entre a Coligação PSD/CDS e o Partido Socialista, com os restantes partidos a uma larga distância. E neste pressuposto, questiono-me: quantos funcionários públicos, em geral, que foram tratados a pontapé, reduzindo-lhes salários através  de uma enormíssima carga fiscal (não só) e direitos sociais conquistados, poderão votar na Coligação? Quantos, em particular, professores que há anos têm as suas carreiras congeladas, que são vítimas do espezinhamento profissional por dispensa (nos últimos quatro anos, Nuno Crato abateu 11.000 professores ao quadro e, este ano, 23.000 não conseguiram colocação) ou um estranho conceito de mobilidade, poderão votar na Coligação? Quantos reformados e pensionistas espoliados e ofendidos na sua dignidade, que viram os seus contratos rasgados, poderão votar na Coligação? Quantos médicos e enfermeiros, recentes e mais antigos, vítimas da exploração profissional, poderão votar na Coligação? Quantos jovens desempregados poderão votar na Coligação? Quantos, vítimas do papel comercial do BES, emigrantes ou residentes, os próprios titulares e seus familiares, que se manifestam por todo o país, poderão votar na Coligação? Quantos trabalhadores do sector empresarial privado, a recibo-verde ou não, sujeitos cada vez a mais horas de trabalho e remunerações mais baixas, sujeito a um banco de horas, poderão votar na Coligação? Quantos polícias, os milhares que se manifestaram nas escadarias da Assembleia da República, votarão na Coligação? Quantos militares que reunidos nas suas associações (oficiais, sargentos e praças) dos três ramos das Forças Armadas, ofendidos na sua dignidade, votarão na Coligação? Quantos cidadãos que tiveram de hipotecar ou devolver à banca o seu património em função de uma estúpida austeridade, poderão votar na Coligação? Quantos trabalhadores vítimas das privatizações a eito, muitas delapidando a riqueza nacional, ainda assim estão disponíveis para votar na Coligação PSD/CDS? E já agora, as manifestações, algumas com mais de cem mil pessoas, foram levianas, não sentidas e absolutamente deslocadas da realidade?


Há qualquer aqui que não bate certo. Estas sondagens deixam qualquer pessoa com a "pulga atrás da orelha". Serão verdadeiras? Duvido. Estará o povo a ser sincero? Duvido. Perante os factos, quando hoje se sabe que outro poderia ter sido o caminho, quando a dívida em percentagem do PIB está substancialmente pior do que estava, quando os mesmos de sempre (FMI e quejandos) apontam para a necessidade de mais austeridade (sempre a mesma receita), quando, dizem, os "cofres estão cheios" mas não devolvem o produto do roubo, pergunto-me se a "bota dá com a perdigota"?
NOTA
Li, no Funchal Notícias, uma oportuna reflexão sobre este tema da autoria do Dr. Mota Torres. Vale a pena sua leitura. Aqui.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

UMA EQUIPA DE QUALIDADE




Assisti à apresentação dos candidatos do PS-Madeira às Legislativas Nacionais. Fiquei maravilhado pela qualidade dos candidatos. Ali pontificam, da esquerda para a direita: Tânia Andreia da Conceição Marques de Freitas, advogada, Luís Miguel Vilhena de Carvalho, arquitecto, Carlos Pereira, economista, Maria Adelaide Ribeiro, professora, Cláudio Filipe Gouveia Torres, biólogo, Joana José Pedra Coelho, advogada. Absolutamente exemplar foi a intervenção do líder da equipa, Dr. Carlos Pereira. 
Isto significa que há muito mais gente para além dos partidos e dentro destes pessoas com idade jovem e capazes de operar novas soluções políticas. E isso é muito bom para a democracia. Uma equipa para vencer.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

LEGISLATIVAS: CARLOS PEREIRA (PS) O MAIS BEM PREPARADO PARA DEFENDER A MADEIRA


Cerca de quarenta dias nos separam das Legislativas Nacionais. Cada momento eleitoral, obviamente, face aos contextos, acaba por revestir-se de características particulares. O acto de 2011 surgiu na esteira da crise internacional que varreu toda a Europa. Os vencedores muito prometeram e, ao longo do mandato, muito mentiram. São factos, não são meras observações especulativas de natureza partidária. Hoje, sabe-se, que o caminho bem poderia ter sido outro e que a dívida, em percentagem do PIB, não teria um substancial agravamento. É minha convicção que o desemprego não teria a expressão que hoje tem (existem 509.000 trabalhadores que não contam para a taxa de desemprego) e, por extensão, a pobreza porventura teria sido atenuada. A experiência que todos nós tivemos vai agora a julgamento: não apenas a do desemprego e a da pobreza, mas a emigração forçada, a passagem de 550.000 para 900.000 trabalhadores com o salário mínimo, a sucessiva perda de direitos sociais e uma enormíssima e desajustada carga fiscal. Para os madeirenses e portosantenses estará em julgamento uma dupla, penosa e incomportável austeridade em consequência da leviandade política dos sucessivos governos da Madeira. Em julgamento, também, estará uma mudança de paradigma político europeu. Lutar contra esta Europa selvagem, subjugada ao jogo de casino, que distribui as migalhas enquanto impõe a perda de identidade e independência nacional, julgo que deve constituir motivo de grande preocupação para todos nós.


Sobre a mesa tenho as diversas candidaturas da Madeira à Assembleia da República onde tudo aquilo, directa ou indirectamente, se jogará. Uma dessas candidaturas distingue-se pela experiência política, conhecimento dos dossiês e inequívoca capacidade de intervenção. Não tenho a menor dúvida que é a do Dr. Carlos Pereira do Partido Socialista. Deixemo-nos de tretas e de conversa fiada: as questões hoje são, fundamentalmente, de natureza económica e de política financeira e, nesse quadro, é o mais bem preparado de todos. Ninguém o iguala. Se dúvidas existissem, o livro “A Herança”, recentemente publicado, demonstra, inequivocamente, o seu valor. E se isto acentuo é porque a questão central da Madeira é a sua gigantesca dívida. Ou a Região tem na República um político capaz de dirimir e reivindicar atitudes que não lesem, ainda mais, os diversos sectores de actividade e, por extensão, todo o povo, ou continuaremos na lengalenga partidária de representantes que nada fazem e muitas vezes aplaudem decisões por razões de interesse partidário. Neste quadro, estas Legislativas acabam por se sobreporem a muitas outras, face à necessidade de soluções justas e geradoras de um futuro de esperança.
Mas há um outro aspecto que não considero de somenos importância. O Dr. Carlos Pereira não é um político acomodado e, partidariamente, subserviente. Já deu provas disso ao longo de dois mandatos na Assembleia Legislativa. A recente querela como Dr. António Costa sobre a autonomia do partido na Região, provou que, naquele como em outros domínios, coloca a Madeira em primeiro lugar. Foi frontal, não se agachou e saiu prestigiado. Esta atitude diz bem da sua verticalidade e respeito por quem o elege. Essa é uma marca que acaba por definir o Homem de uma só palavra que o exercício da política exige e que os cidadãos devem valorizar.
Ilustração: Google Imagens.
NOTA
Artigo da minha autoria publicado no Funchal Notícias.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

POLITICAMENTE REPUGNANTE


Não encontro outra expressão para caracterizar as declarações de Passos Coelho: politicamente repugnante. Ele e Paulo Portas são livres de fazerem a campanha que entendam, de dizerem, inclusive, todas as ardilosas mentiras, mas não se livram de uma catalogação de políticos repugnantes. Passos Coelho disse: “(...) Estamos hoje a lutar mais por Abril e pela liberdade do que tantos outros (...) Nestes quatro anos fomos nós a defender o estado social (...)". Que o digam os milhares de portugueses desempregados e sem subsídio de desemprego, que o digam os quase três milhões de pobres, que o digam as instituições de solidariedade social, que o digam os jovens e as centenas de milhar que tiveram de emigrar, que o digam os familiares dos que suicidaram, que o digam os médicos face às doenças do foro psiquiátrico e que o digam, entre tantas outras, as pessoas que requereram a insolvência. São, repito, declarações politicamente repugnantes.


Ele demonstra que não sabe nada de História. Tinha 10 anos, era um imberbe quando se deu Abril e ninguém lhe terá explicado o que foram os 48 anteriores, as prisões, as torturas e as lutas pelos direitos sociais. Não lhe explicaram e parece-me que a vida não lhe ensinou que a dignidade das pessoas não tem preço. Ele que deu "passos" na destruição do estado social, cortando direitos, ele que com as suas políticas espoliou reformados e pensionistas, agravou a vida dos portugueses com taxas, sobretaxas e com uma sufocante carga fiscal, tem a lata de se assumir como um homem de Abril, da liberdade e do estado social. Politicamente repugnante. 
Deixo aqui 2' 41" de uma declaração de Raquel Varela (Dezembro de 2014) sobre este "homem sem qualidade" que governa Portugal.

terça-feira, 23 de junho de 2015

OS "MITOS URBANOS" DE PASSOS COELHO. SE MIGUEL ALBUQUERQUE O APOIA É PORQUE É IGUALZINHO!


Aproximando-se as eleições legislativas nacionais, o Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho tem vindo a evidenciar um grande interesse em falar de "mitos urbanos", no essencial, na tentativa de apagar declarações porque, segundo ele, nunca as disse ou foram mal interpretadas. Vou deixar aqui uma série delas, deixando à consideração do leitor aquilo que para ele são "mitos urbanos".


"(...) acho que o Estado deve dar o exemplo. Nós não devemos aumentar os impostos (...) o orçamento apresentado na Assembleia na República este ano (2010), de alguma maneira vai buscar a quem não pode fugir que são os funcionários públicos e portanto precisamos de um governo não socialista em Portugal (...) não faz sentido andar a pedir às pessoas, às famílias portuguesas para pagarem mais a crise (...) na prática estão a preparar-se (anterior governo) para aumentar a carga fiscal. Como? Reduzindo as deduções que podemos fazer em sede de IRS (...) significa sempre o mesmo esforço de tratar os portugueses à bruta (...) os sacrifícios não têm sido distribuídos com justiça e equidade (...) não contarão (comigo) com mais ataques à classe média em nome dos problemas externos (...) nós não olhamos para as classes de rendimento a partir dos mil euros dizendo aqui estão os ricos de Portugal que paguem a crise (...) nós hoje obrigamos as pessoas a pagarem com aquilo que não têm (...) há uma condição: é a de não trazer novo aumento de impostos, nem directos nem encapotados (...) acusava-nos o partido socialista de querermos liberalizar os despedimentos. Que lata! (...) relativamente a medicamentos que tinham até hoje uma comparticipação de 100%, porque correspondem a doenças graves, que atingem muitas vezes pessoas que não têm condições para comprar esses medicamentos, para esses baixam-se as comparticipações, para esses não há dinheiro para o Estado apoiar (...) para que o caminho que têm pela frente não seja ainda de mais impostos, mais desemprego e mais falências de empresas (...) não dizemos hoje uma coisa e amanhã outra (...) não basta a austeridade (...) não se pode cortar cegamente (...) as medidas agora anunciadas traduzem uma incompreensível insistência no erro, porque se volta a lançar exigências adicionais sobre aqueles que sempre são sacrificados, porque se atacam alicerces básicos do estado social (...) se eu fosse primeiro-ministro não estávamos hoje com as calças na mão, a pedir e a impor um plano de austeridade (...) o que o país precisa para superar esta situação de dificuldade não é de mais austeridade (...) o IVA, já ontem o referi, não é para subir (...) temos hoje pessoas que deixaram de ter subsídio de desemprego (...) eu não quero ser primeiro-ministro para dar empregos ao PSD e para proteger os que são mais ricos em Portugal" (...) "(...) Estar desempregado não pode ser um sinal negativo (...) Já alguém se lembrou de perguntar aos 900 mil desempregados de que lhes serviu até hoje a Constituição?".  E muitos mais "mitos urbanos" podia aqui adiantar. Bastam estes.
O interessante disto é que um outro "mito urbano" desponta. Ainda hoje li que o presidente do governo da Madeira, Dr. Miguel Albuquerque, foi à Ponta do Sol apoiar Passos Coelho porque ninguém deve "arriscar" uma mudança de governo na República. Diz a sabedoria mais ou menos isto: diz-me com quem andas e eu te direi quem és. No plano político, só pode ser igual, embora a matreirice política seja outra. São muitos anos "a virar frangos"!
Só falta agora que Paulo Portas venha também falar de "mitos urbanos". Ele que escreveu, entre 1988/1995, enquanto jornalista do "Independente": "As cabeças da maioria passam a fronteira do absurdo sem pestanejar". (...) Contra a ditadura fiscal... "desobedecer, desobedecer, desobedecer". (...) "O Estado decreta, arbitra, taxa, cobra e recebe com a facilidade com que um ladrão perfeito entra em casa de pessoas decentes". Nos dias que correm não há "ladrão" mais perfeito que o "governo". Portas aceitava que a classe média fugisse aos impostos, de acordo com o bom e velho princípio que "ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão". "Os portugueses comovem-se com pouco e deixam-se enganar depressa e bem". (...) "As contas não falham por magia. (...) Falham porque as decisões de política estavam erradas" (...) "Quem promete números tem de os cumprir. Quem promete algarismos tem de ser exacto. Quem faz a política do rigor não pode desconversar" (...) "tão pouco é bonito vir dizer que, se não chegar agora à meta anunciada, logo se verá, no outro ano ou no ano que virá depois". "O pior socialismo que existe é a social-democracia" e os "impostos estão para a social-democracia como a bola está para o futebol". É esta figura que hoje é Vice-Primeiro-Ministro de Portugal. Outro com muitos anos a "virar frangos" nas feiras por  onde passou!
Ilustração: Google Imagens.