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segunda-feira, 16 de julho de 2018

FRASE INFELIZ


"(...) Enchem aviões como chouriços e tratam os passageiros com menos piedade que os nazis nos comboios para Auschwitz. (...)"


Sempre que escrevo, leio e releio os textos. Muitas vezes até dou o texto a ler antes de publicá-lo. Há frases e sentidos que saem sem que correspondam àquilo que desejamos expressar. O Dr. Miguel Sousa, Deputado do PSD e Vice-Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, certamente que não (re)leu o que escreveu no seu último artigo no DN-Madeira. Pode-se criticar a TAP, e devemos criticá-la pela forma incorreta como tem tratado a Região Autónoma da Madeira, não apenas nos cancelamentos, atrasos, nas escandalosas tarifas praticadas, mas também no tratamento proporcionado aos seus clientes. A TAP e todos os seus administradores, pagos a peso de ouro, merecem uma severa crítica. Porém, há limites. Auschwitz foi o maior campo de concentração nazi, um campo de morte e de extermínio para cerca de 1.300.000 de pessoas. Por aqui fico, porque tenho, desde há muitos anos, uma relação cordial com o autor do artigo.    

sábado, 19 de agosto de 2017

E AO TERCEIRO DIA RESSUSCITOU!


A festa era em honra de Nossa Senhora do Monte, a Padroeira. Parafraseando, é caso para dizer, ao terceiro dia, aleluia, aleluia MP. Ressuscitou! 


No dia da tragédia, ao fim da tarde, ouvi que a Câmara do Funchal, de imediato, através de especialistas residentes e não residentes, investigariam, ao pormenor, as causas da queda do famigerado carvalho. Os trabalhos iniciaram-se e, ao terceiro dia, foram interrompidos. Quem ordenou está no seu pleno direito, obviamente. Enquanto cidadão apenas questiono, porquê ao terceiro dia? Por que não após a tragédia, com a necessária limitação na acessibilidade ao espaço? Falta de atenção, incúria? Não sei. O que terá acontecido para que assim tivesse sido decidido? Que razões levaram para, agora, falar-se, de uma fictícia compaginação de investigações, uma em curso da responsabilidade da Câmara e outra por uma nova equipa de peritos, tendo presente que o Senhor Procurador, entretanto, veio enaltecer que "o que vai valer é a nossa peritagem"? (Fonte DN-Madeira, edição de hoje) 
Tudo isto pode ter uma justificação plausível, mas aos meus olhos, é muito estranho e daí que devesse ser explicado ao povo, sobretudo o atraso, mas também aquilo que não é perceptível enquanto meros observadores. Os silêncios, muitas vezes, podem ser considerados comprometedores e à Justiça, pede-se o dever de total TRANSPARÊNCIA. Para que nela se confie, não podem restar dúvidas, entre outras e neste caso, sobre a oportunidade da decisão. É claro que é defensável que uns desconfiem dos outros, na lógica do apagamento ou da introdução de provas. Quais, não sei! Porém, a considerar essa hipótese tal é válida em qualquer sentido, da parte da Câmara ou de quem ressuscita ao terceiro dia. Bom, estas são divagações de uma pessoa que, de Justiça, apenas sabe o significado da palavra, mas que não tem dúvidas que não teriam lugar se tudo fosse muito mais claro. De resto, o que importa é que seja investigado, embora tudo isto, ainda muito a quente, evidencie sinais perturbadores. Eu que aprecio a transparência dos actos sinto-me pouco agradado com esta actuação do MP.
Entretanto, esta semana (16.08.2017), li um artigo de um Vice-Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira (PSD), onde são produzidas declarações geradoras de preocupação. Aqui, repito alguns excertos: "(...) O seu capataz político, financeiro e empresarial, o que ‘mamou’ sem escrúpulos nas suas barbas, e obviamente com o seu consentimento, é o porcalhão que ainda estrebucha para se vingar dos que se opuseram à pouca vergonha que orientou a sua conduta criminosa. Todos os negócios tinham de ser dele. Ou pelo menos dez por cento, se fossem grandes empreitadas. (...) O outro, o verdadeiro chefe, tão inteligente que ele é e nunca viu a permanente vigarice do seu braço corrupto. (...) O terror sobre as pessoas permitia tudo. Dava para ter imunidade total. O povo votava no líder amado e abria a caça ao tesouro por parte do Ali Babá do regime. (...)" Hoje, é o terceiro dia. Neste caso, não houve mortos, mas fala-se de corrupção e de 10% de vantagens em concursos. Será que o MP ressuscitará ao terceiro dia para uma investigação, uma vez que isto é muito mais do que palavreado político? Ou estarei desenquadrado neste comentário, porque a investigação já decorre desde  o dia 16?
Ilustração: Google Imagens.  

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

UM ARTIGO QUE TEM MUITO QUE SE LHE DIGA, PORQUE ATINGE 40 ANOS A FERRO E FOGO


O blog do regime fedorento
Era tudo dinheiro para o partido. Só que o partido está falido e o homem está rico

Por MIGUEL DE SOUSA, Deputado do PSD-Madeira, publicado na edição de hoje do DN-Madeira e aqui transcrito com a devida vénia.


Não sei se é o criador, o mentor, o escritor, o escrevinhador ou tudo isso.
Mas é dele e da cambada de gajos que ficaram de fora por falta de carácter e utilidade, dedicando-se apenas ao trabalho sujo que um regime, findo a sua validade, precisa fazer depois de se aguentar quase quarenta anos sem que alguém pudesse sequer piar. Até um simples e inexplicável soluço fora de tempo podia terminar com uma carreira promissora. O azar de um opositor se sentar na mesma mesa do Apolo ou se cumprimentarem num arraial popular. Pior era ter um qualquer primo na oposição.
Mesmo que ele não seja o escritor gosta ou, pelo menos, aceita o que é escrito, e possivelmente até incentiva e dá as principais orientações. Mas tenho para mim que ele é o autor ! Ninguém escreve assim todos os dias na sua vida!
De qualquer modo é a covardia do regime cessante. Elogiar pela frente, zurzir por detrás. Sem respeito pelos próprios, familiares e amigos.
O seu capataz político, financeiro e empresarial, o que ‘mamou’ sem escrúpulos nas suas barbas, e obviamente com o seu consentimento, é o porcalhão que ainda estrebucha para se vingar dos que se opuseram à pouca vergonha que orientou a sua conduta criminosa . Todos os negócios tinham de ser dele. Ou pelo menos dez por cento, se fossem grandes empreitadas.
Não dava entrevistas, não aceitava perguntas e tratava, abaixo de cão, quem ele achava que não pactuava com o seu estilo bruto e soez. O regime era seu. Até o chefe se atirava ao filho para atingir o pai.
Agora, o seu objectivo único é conseguir a sucessão dinástica para a situação presente. Mesmo com a distância táctica do infeliz sucessor, naturalmente morto com tal histórico familiar. Muito terá de fazer para apagar essa chaga.
O outro, o verdadeiro chefe, tão inteligente que ele é e nunca viu a permanente vigarice do seu braço corrupto. Do dono do blog. Nada ! O terror sobre as pessoas permitia tudo. Dava para ter imunidade total. O povo votava no líder amado e abria a caça ao tesouro por parte do Ali Babá do regime.
Quer se queira quer não, um blog fedorento, que saúda o regime corrupto anterior e condena e critica toda a renovação e limpeza consequente, só pode ser feito por quem está a mal consigo próprio. Definha na angústia do desprezo, da inutilidade e das acusações de tudo o que a tirania e a corrupção permitiram , esta mesmo que não directamente dele mas a mando do seu abutre mais directo.
Onde anda essa ave de rapina ? Fugido ? Escondido ? Auto-destruído ? Á beira do suicídio ? Só aparece no blog ? Ou anda a trabalhar para novos ataques e crimes a coberto de soluções políticas futuras que vem orientando ? Ainda não é tudo seu e, qual vampiro, certamente quer mais.
Como iletrado e covarde que é, põe alguém pago - foi assim com os discursos que berrou toda a vida - a escrevinhar um blog que espezinha quem teve a coragem de nunca ser cúmplice de tanta pouca vergonha feita. Um blog que agride quem ele odeia, os verdadeiros e honestos empresários da Madeira, a actual liderança do partido e do governo da terra, tudo sem direito a contraditório ou sequer defesa. O regime anterior tinha essa marca e, agora, vemos bem quem a promoveu.
Terá sido democrático um regime que tinha como coordenador e alma mater um bastardo tirano deste quilate?
Se há honra que sinto é desse bandido nunca me ter suportado porque sempre denunciei os seus abusos e golpes. Por isso a raiva de atitudes suas e agora do seu blog ! No anonimato do escrito sabujo e podre que o seu “chefe” de sempre, aquele que até lhe dava para ler textos manuscritos, não manda acabar.
Porque se não é o autor e se não está de acordo com o seu conteúdo execrável então imponha o seu estatuto e acabe ou mande acabar com aquela vergonha. Porque mesmo que não o escreva tem a sua cumplicidade ! Mancha o seu carácter. E toda a gente sabe que se não gostasse o mesmo já tinha acabado. Mas, também como todos pensamos, está na sua natureza. Ninguém muda com aquela idade ! E já não manda !
Afinal, este resquício escrito repugnante só mesmo produzido por aquele regime caduco banido pelo povo e orientado pelo cacique político que dizia o financiar.
Era tudo dinheiro para o partido ! Só que o partido está falido e o homem está rico !

COMENTÁRIO

Este artigo atinge o coração de um regime que, ininterruptamente, governa a Madeira há 40  anos. Mais do que qualquer alegada inimizade pessoal, trata-se de um texto perfeitamente identificável relativamente às pessoas em causa, e que clarifica, de dentro para fora, toda perversão democrática ao longo de sucessivos mandatos. Um texto a ter em conta.  

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

ALBERTO JOÃO JARDIM É UM "LÍDER" FRACO. É MAIS "CHEFE" QUE LÍDER!


O espectáculo público pelo poder interno do PSD-M está cada vez mais interessante. O texto do Dr. Miguel de Sousa, hoje publicado na página de opinião do DN-Madeira, a par de outros tantos, constitui a manifestação clara que Alberto João Jardim sempre foi um líder fraco. Politicamente foi um "chefe" nunca um líder político. Foi um homem que pensou na eleição seguinte e nunca na geração seguinte. Foi um político forte com os mais fracos e extremamente fraco com os mais fortes. O texto de hoje começa assim: "Cunha e Silva, em 10 de Abril, prometeu “mudar o que deve ser mudado”. Manuel António Correia, em 2 de Dezembro, diz “mudar aquilo que deve ser mudado”. A diferença é “aquilo”. Igual é tudo o resto. A falta de coragem em identificar e enunciar o que está mal e tem de ser mudado urgentemente, dadas as suas responsabilidades directas nestes últimos 14 anos de governação. Dizer o que deve ser mudado implicava reconhecer o que está errado. Era acusar o seu próprio governo das muitas más decisões e dinheiro mal gasto, perdido e pago pelos contribuintes. Não têm essa categoria. Ao contrário, andam por aí como “inocentes” da maior catástrofe financeira da História da Madeira, quando são os seus maiores e mais directos responsáveis: os que nos levaram ao Inferno da dívida sem que os seus investimentos sirvam seja lá para o que for. Campo de golfe da Ponta do Pargo (35 milhões nem para golfe nem para nada), marina do Lugar de Baixo (120), lagoa Santo da Serra, central de lixo no Porto Novo, centros cívicos, piscinas, restaurantes, bares, parque aquático, as bioalgas no Porto Santo (conhecidas pela fábrica do caldo verde), obras inacabadas, etc. Sem pudor ainda andam naquela de fazer adjudicações só para enganar as pessoas, como se elas fossem parvas e ainda dessem credibilidade a qualquer iniciativa desses dois cavalheiros, quais “anjos da morte” do nosso dinheiro. Prometem, em vésperas de eleições, construir a Escola Secundária da Ribeira Brava (já devia estar concluída e a funcionar) e traíram a promessa de construção de uma escola nova em Porto Santo. Isto é uma pouca vergonha. Até já nem o Secretário da Educação fala. Temos de acabar rápido com isto. A Madeira não aguenta mais asneiras. É o povo que paga. Não são eles! (...)".


Em outras ocasiões, outros, nem dizendo 5% do que este candidato assume, foram postos a andar num ápice. Rua, foi a sua palavra de ordem. Com este, Alberto João Jardim amocha. Assobia para o lado como se nada tivesse a ver com aquilo. O "chefe" encolhe-se. Faz de conta que as palavras pertencem à oposição, tantas foram as vezes que os partidos equacionaram e chamaram à atenção para as loucuras megalómanas do governo chefiado por Jardim. Ora, se ele, Jardim, não enfrenta o candidato, a pergunta que ressalta exprime-se em uma única palavra: porquê? Que razões o levam ao silêncio? Tem medo de quê? Que saberá o candidato, que já foi vice-presidente do governo e secretário e ainda é vice-presidente da Assembleia Legislativa, para levar Jardim a preferir falar do tempo e não dos erros da sua governação, agora denunciados, não pela oposição, mas por um dos mais significativos elementos da estrutura hierárquica social-democrata? Nem um pio! Engole em seco e discursa no mesmo tom de há quase quarenta anos. Os "chefes" são normalmente assim, escouceiam para baixo e têm medo de quem os enfrenta. Os líderes, esses, têm uma outra configuração, impõem-se pelo exemplo, assumem e responsabilizam-se pelos erros, não intimidam, antes acalmam, não chutam para longe os problemas, antes focalizam-se nas soluções, são pessoas que sabem delegar, não chamam a si todos os êxitos, antes repartem com a equipa, não discursam no singular, antes no plural, os líderes, enfim, são pessoas autênticas que, pelo exemplo, são capazes de produzir outros líderes. Jardim não conseguiu nada disto. Foge a sete pés de Miguel de Sousa, como durante anos fugiu da Assembleia Legislativa e dos debates na televisão ou na rádio. Sempre teve pés de barro. 
Li em David Cohen, as paranóias das organizações (os partidos são organizações), isto é, as doenças organizacionais que acabam, por aproximação ao exercício da política, por afectar o povo, destroem a moral dos colaboradores (militantes) e podem ser a raiz para a destruição da liderança e para o desmantelamento de uma organização: o comportamento frenético, a depressão, a depressão frenética, a esquizofrenia, a paranóia, o comportamento neurótico e a intoxicação. Cohen sugeria que, neste quadro, colocassem a empresa (o partido) no divã, pela desordem, o caos e a falência. Por isso, a pergunta persiste: que medo(s) persegue Jardim?
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 4 de outubro de 2014

PORTO DO FUNCHAL - "ONDE HÁ FUMO HÁ FOGO"


Constatação: Jaime Filipe Ramos, deputado do PSD, sublinhou: "o próximo Governo do PSD vai rever o modelo portuário", porque tal medida é "urgente para a competitividade da economia regional". A Presidência do Governo, leia-se Alberto João Jardim, é peremptório através de um esclarecimento: o Governo Regional do PSD não tem qualquer intenção de alterar o actual sistema das operações portuárias ou do transporte marítimo de carga para o continente, negócios actualmente dominados pelo Grupo Sousa. Ora, o que é que isto significa? Resposta possível: que o governo não se entende com o grupo parlamentar, de quem depende, e que Jardim, desesperadamente, tenta manter a liderança face aos movimentos de cinco grupos que se lhe opõem. A guerra já não é de surdos, é aberta e frontal!

Vê-se!

No meio disto, discretamente, está o Grupo Sousa, que por razões diversas, pressuponho, mantém o monopólio das ligações, impondo os preços que quer e entende. Os madeirenses e os portosantenses sofrem, mas como disse o outro da alta finança, "eles aguentam, ai aguentam, aguentam"! 
Só a História, abertos todos os dossiês, permitirá perceber toda a trama deste longo processo que pode ser legal, mas tem todos os indícios de ser imoral e rigorosamente nada defensora dos interesses do povo da região. Mesmo que uma pessoa não queira, cheira a troca de favores políticos, a amizades e cumplicidades. Não se trata de uma insinuação, mas ao cidadão, depois de tanta tinta que tem corrido, a realidade transporta o cheiro bafiento de um bas-fond que estamos longe de imaginar. A sabedoria popular diz e com razão que "onde há fumo, há fogo", ora penso que este é um dos casos. Certo é que eles não se entendem. As razões diversas, a questão dos portos deveria ser averiguada em sede de Assembleia. Só que na Assembleia as comissões de inquérito nunca funcionam na lógica do apuramento da verdade. Até um dia!  
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 14 de setembro de 2014

MIGUEL DE SOUSA FEZ UM UPGRADE E ACTUALIZOU O SOFTWARE POLÍTICO?


Três páginas do DN-Madeira, mais uma primeira de alto a baixo, a falar grosso. Assim o fez o Dr. Miguel Sousa. Não foi um cidadão qualquer que o fez, quase como girândola política do que tem vindo a assumir, foi o vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, primeiro órgão de governo próprio da Região e ex-vice-presidente do governo regional da Madeira. Não sei se terá mais a dizer depois do que assumiu. Quem chegou à Madeira na manhã de ontem e se predispôs ler as suas declarações, certamente, ficou estupefacto: como é possível, na "terra do Jardim", o "absolutista e decapitador político" alguém se atrever a dizer tanto contra o seu próprio partido, contra o governo e continuar intocável! Não fora o enquadramento da entrevista e estaria a pensar que o fatinho político pertencia a alguém da oposição. Aquele bombardeamento fez-me lembrar, em Guileje, nas matas da Guiné, o obus 140mm que, ao tempo, assustava na sequência da ordem de fogo. Miguel de Sousa praticamente cobriu todas as grandes denúncias feitas pela oposição ao longo de muitos anos. Disparou forte e feio contra os membros do governo PSD e contra o seu partido, o que me leva a dizer que esta entrevista merece ser lida e interpretada com todo o cuidado pela oposição.



"Com a verdade me enganas" pode ser uma outra leitura política porque Miguel de Sousa tem contra si o facto de só agora a luz ter iluminado a sua consciência política. Foram muitos anos a assobiar para o lado, a votar a favor muito daquilo que agora contraria ou a manter um silêncio cúmplice. Parece-me que Miguel de Sousa optou, nesta caminhada interna, por fazer um upgrade e actualização do seu software político. Tudo isto parece-me evidente. Porque ele, pressuponho, parte do princípio que o povo, muitas vezes, tem memória curta, e daí esta entrevista (que até pode ser sincera), poder levar muitos a acreditar que ali está a solução, primeiro para o PSD e, depois, para a Madeira. Do meu ponto de vista não está como nunca esteve. 
Mas é uma possibilidade que não deve ser descurada. E o que assisto é ao silêncio, entrecortado com uma única voz que se opõe em assuntos muito sérios e profundos, através dos quais tudo gira, particularmente, os de natureza económica e financeira: o Dr. Carlos Pereira. De resto, lamento dizê-lo, há, por enquanto, um vazio, onde cada um parece estar para seu lado, sem inovação, sem o necessário e frontal contraponto, sem a chama necessária para acabar com 38 anos monocolores. Cada um parece estar a gerir o seu "negócio" feito de cadeiras, confortáveis para alguns, enquanto se enchem páginas e páginas e muitas horas de rádio de uma discussão política a cinco, com a oposição fora do palco. Sinto que os candidatos do PSD estão a esmagar anos de luta, dizendo hoje o que a oposição sempre andou a dizer, quando seria natural uma lógica contrária, de marcação cerrada a quem agora aparece depois de ter conduzido ou ajudado a conduzir a Madeira a um estado de bancarrota. No mínimo, isto é preocupante. 
Não sei que "negócios" existem, não sei o que se passa nos bastidores, para além dos artigos de  opinião, das promessas de programa (parafraseando o Vasco Santana, programas há muitos!) se existem ou não, particularmente entre o PSD, o PS e o CDS, concertações políticas em curso, não sei se o objectivo será repartir a dois ou a três o próximo poder, agora, sei que este silêncio e esta desunião não é normal. É estranho, quando o PSD está completamente esfrangalhado que a oposição esteja na bancada a assistir ao espectáculo. Leiam aquela entrevista e tenham-na em consideração. 
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 30 de agosto de 2014

MIGUEL DE SOUSA SERÁ CONSEQUENTE? E SE FOR?


Uma vez mais, o deputado social-democrata e vice-presidente da Assembleia, Dr. Miguel de Sousa, veio à praça pública dizer que a Região deveria regressar às taxas de IVA que vigoravam: "(...) "não aceito que a Madeira seja o território onde a sua população pague mais IVA do que os portugueses do Continente e dos Açores. É insuportável que a taxa normal seja de 18 % nos Açores e 22% na Madeira. E que a taxa intermédia seja de 10% nos Açores e de 12% na Madeira" (...) "toda a economia da Madeira, e principalmente as nossas famílias, não podem pagar mais IVA do que os outros portugueses. Não podem e não devem. É inaceitável e, imediatamente, há que fixar taxas iguais às praticadas nos Açores". E disse mais: que os deputados da Região na Assembleia da República "têm de votar contra o Orçamento de Estado". 


Em abstracto volto a assinar por baixo este disparo político, embora não traga nada de novo. Quantas vezes este assunto foi assinalado pela oposição em sede de Assembleia Legislativa da Madeira? Quantas, perante o silêncio político do Dr. Miguel de Sousa? Esqueceu-se de sublinhar que se estamos a pagar uma dupla austeridade, tal facto fica a dever-se a uma dívida calculada em mais de 6.3 mil milhões de euros. E que essa dívida não foi explicada e condenada por ele próprio! Estes e outros assuntos que já tive aqui a oportunidade de comentar! Só agora vêm à baila, neste caso por dois motivos: primeiro, pelo facto de ser candidato à liderança do PSD-M; segundo, porque é líder de uma grande empresa e ter noção dos encargos que acarretam a venda ao público em um mercado de fortíssima concorrência. 
Mas não é por aí que quero explanar o meu ponto de vista. O que hoje coloco é a sua posição política logo na abertura da próxima sessão legislativa da Assembleia da Madeira. É aqui que se colocam, entre outras, algumas questões interessantes: será consequente, entre várias propostas que tem feito, apresentando um projecto de resolução tendo em vista aconselhar o governo regional da Madeira (PSD) a negociar a baixa  do IVA? E o que fará no caso da votação não lhe ser favorável? Passará a deputado independente? Mas esqueçamos este quadro e coloquemo-nos em um outro, em função do que tem dito sobre outros candidatos que se mantêm na dupla circunstância de "candidatos-e-governantes". Sendo assim, deixará de ser vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, quando se sabe da sua difícil relação com Jaime Ramos, líder do grupo parlamentar do PSD? Prescindirá antes de ser prescindido? Pedirá a suspensão ou renúncia do mandato?
É claro que a maioria da população não quer saber destas questões. Interessa-lhe é que a vida não lhes seja tão agreste quanto tem sido. Daí que a substituição de toda esta gente, acredito eu, se encontre em um primeiríssimo plano. Os 7-4 nas últimas autárquicas são um referencial a ter sempre em conta. Penso que essa determinação do povo não terá retorno por mais que os candidatos se esforcem em assumir que são diferentes. Para mim são todos iguais. Se o dinheirinho estivesse a correr e os cargos políticos assegurados, obviamente que ninguém se atreveria a candidatar-se contra o "chefe". Só que a história é hoje outra bem diferente. Daí o interesse político das manobras que aqui saliento.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

ESTÃO A PROVAR O VENENO DISTRIBUÍDO PELO "CHEFE"


Achei piada e soltei gargalhadas quando li estas duas posições no DN-Madeira de anteontem: nas Secretarias da Educação e da Saúde, lideradas por Jaime Freitas e Francisco Jardim Ramos, há contactos a dizer aos militantes, que são simultaneamente funcionários públicos, para não participarem em determinadas iniciativas políticas. “As pessoas vêm me contar”, disse Miguel Albuquerque. (...) Essa pressão é feita de forma discreta. “São procedimentos mais ou menos subtis” (...) “telefonam de uma instituição a dizer "não vá ao jantar ou ao convívio do Miguel Albuquerque se não deixa de ser nomeado ou a sua carreira está em perigo" (...). Uma outra foi a Dr. Miguel de Sousa, de frontal ataque ao presidente do governo, no quadro das suas últimas iniciativas e declarações. Sobre essas, no habitual artigo de opinião, sublinhou: tais posições "(...) não vão mudar seja o que for, pela simples razão de que não provocam menos desemprego, menos dívida pública, menos impostos, menos gastos públicos". Ora, um e outro parecem estar a tomar consciência do que aconteceu durante quase quarenta anos, no que concerne ao relacionamento entre o poder autocrático do PSD e a oposição. Eu diria que estão a provar o veneno distribuído pelo "chefe", perante o silêncio cúmplice dos próprios e de muitos que nunca tiveram a coragem de dizer basta. A posição do Dr. Miguel Albuquerque não trouxe qualquer novidade e, se ela existe, é apenas porque se deslocou da relação "poder-oposição" para a relação "poder-oposição+vida interna do psd". Quanto ao Dr. Miguel de Sousa, bom, o seu desenho parece-me, politicamente, mais interessante. É que a escrita dele é hoje a de um puro oposicionista apesar de ser vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira. A espaços, como vulgarmente é dito nos meios políticos, mais parece um "perigoso esquerdista", tal é a sua crítica ou acto de contrição!


Toda esta movimentação de pessoas que dão a entender nunca terem tido nada a ver com o produto vendido durante anos, constitui, do meu ponto de vista, o maior espectáculo político de todos estes anos de democracia e Autonomia. Suplanta tudo, inclusive, os momentos de total desinteligência interna no PS, muitas delas fabricadas, que serviu para alimentar páginas, debates e aproveitamento no sentido da degradação da sua imagem pública. O momento do PSD é, portanto, único porque tem qualquer coisa de fantasmagórico. As cenas de falsa aparência, as ilusões de óptica, os malabarismos, os contorcionismos à mistura com algumas palhaçadas, enfim, todos os dias, quer o "chefe" quer os que caminham para a cadeira, oferecem aos espectadores situações divertidas de uma real irrealidade que diverte e impressiona. E o melhor virá a seguir, lá para o Natal ou após, quando o acto eleitoral acontecer. Será uma noite, agora sim, de "facadas" que se prolongarão semanas afora. O day-after será, presumo eu, muitíssimo mais conturbado do que os tempos de proposta. Alguém sairá presidente da contenda estatutária e ao actual, restar-lhe-á depor as armas, caso não renasça das cinzas e como salvador das hostes. É sempre uma possibilidade, aliás, já avisada. 
O que lamento é que este quadro não esteja a ser devidamente equacionado por toda a oposição política. Pelo menos não é sensível o estabelecimento de pontes de convergência no sentido de acabar com esta podridão política a que se chegou após quase quarenta anos de governo de um só partido. A ideia que o cidadão comum fica, a não ser que alguma coisa decorra nos bastidores, é que cada um está voltado para a sua capelinha esquecendo-se dos desígnios da "paróquia". Cuidado, pressinto que teremos eleições antecipadas em Março ou Abril do próximo ano. Começa a ser tarde!
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

DR. MIGUEL DE SOUSA, NÃO NOS TRATE POR IMBECIS!


O Dr. Miguel de Sousa escreveu, na edição de ontem do DN-Madeira: "Há que por termo ao enterro de dinheiro, de cada um e de todos nós, na ex-marina do Lugar de Baixo. Parece já terem sido gastos mais de 100 milhões de euros num projecto que era para ser uma marina pública. Nossa. Feita com o nosso dinheiro e a poucos quilómetros de uma outra, também nossa, também feita com o nosso dinheiro. Duas marinas. Uma ao lado da outra. Disparate!" Não me leve a mal, mas está a tratar os madeirenses e portosantenses por imbecis, por tontos, estúpidos, desmiolados, gente que não tem um pensamento mínimo sobre o passado. O Dr. Miguel  de Sousa é um dos mais antigos parlamentares. Para além da sua profissão é Vice-Presidente da Assembleia, já foi governante, é membro dos órgãos políticos do PSD-Madeira, portanto, não é um político que chegou agora de Marte ou da Lua! Viveu aqui, aprovou tudo, nunca se ouviu a sua voz, teve palco para dizer que o "rei ia nu" e agora, quando o leio, fico atónito com tanta frontalidade. E o problema não é apenas esse, o problema é que continua a ter palco na Assembleia Legislativa onde poderia assumir, no "período antes da ordem do dia", na frente de todos e do seu grupo parlamentar, a denúncia não só do que ali se fez e continua a fazer, mas a denúncia de todos os disparates da dita Madeira-Nova. Há uma linha de coerência que, pelo menos para mim, não está no meio que se escolhe (artigo de opinião ou Assembleia). A linha de coerência implica dizer em todo o lado, a todo o tempo e desde sempre o que se pensa, mesmo que isso custe o lugarzinho e os dissabores entre  pares.


Não suporto esta forma de estar na política. Irrita-me. Mas não é apenas o Dr. Miguel de Sousa que se apresenta às pessoas como se nada tivesse a ver com o estado a que a Região chegou. Ainda ontem o Senhor Roberto Silva, outro Deputado do PSD, com largas responsabilidades nas megalomanias no concelho do Porto Santo, onde foi presidente da Câmara, veio mostrar-se chocado em plena sessão solene: pelas dificuldades que os locais atravessam, "difícil pela pobreza que entrou porta a dentro dos Porto-santenses", e desafiou os responsáveis municipais a realizarem um estudo e implementar um plano estratégico de desenvolvimento a longo prazo. Quer dizer, este senhor que esteve vários mandatos na Câmara, que se achou intocável, que foi "rei e senhor" na ilha, com uma descomunal lata, coloca-se de fora e pede aos outros que resolvam um problema que há muito é gritante. Pergunto: o Senhor Roberto não tem um rasgo de bom senso e de respeito por si próprio? Se o problema é a existência de um plano por que raio ele não foi elaborado há muitos, muitos anos? O que andou a fazer? Que posições frontais perante o governo regional assumiu para que a Câmara do Porto Santo não estivesse hoje falida? E sobre a questão da pobreza, que trabalhos desencadeou no sentido de tornar a ilha minimamente sustentável? 
Outro que não tem nada a ver com a situação
vivida no Porto Santo.
Ora bem, podem até pensar que o povo é estúpido, que não vê, que é desatento, que o povo normalmente come e cala-se, critica em voz baixa, que a informação não chega de forma esclarecida a todos, podem pensar tudo isso, mas enganam-se, lá chegará o dia que os manda pela porta fora durante aquele acto solitário do voto. No Porto Santo foi assim, em outros seis  concelhos o mesmo aconteceu e acontecerá, mais cedo que tarde, ao nível do governo regional.  É que já não há paciência para tolerar gente culpada que quer passar por inocente. 
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 13 de maio de 2014

O DR. MIGUEL DE SOUSA SABE QUE, EM CONFLITOS INTERNOS E PAZ PODRE, O PSD DÁ 10-0 À "MUDANÇA"


O Dr. Miguel de Sousa é um homem político com muita lata ou então de memória política muito curta. Li a parte inicial do seu texto de ontem: "Desintegra-se a coligação que lidera a Câmara Municipal do Funchal. Como previsto e anunciado. Sem respeito pelos eleitores que, por uma ou outra razão, resolveram dar confiança a quem parece não merecer (...)". Esta a frase inicial do seu texto. Confesso que desisti do resto. Não sei o que escreveu. Nem me interessa, sobretudo porque o Dr. Miguel de Sousa, demonstrou, uma vez mais, uma ausência de memória, repito, política. Eu, sinceramente, prefiro esta realidade da Câmara do Funchal, com possibilidades de solução, porque não existem organizações perfeitas, do que um governo que anda há trinta e tal anos em paz podre e em sucessivos equívocos. O Dr. Miguel Sousa sabe, ora se sabe, porque é que o governo ainda não caiu. Hoje, por exemplo, e este é apenas um exemplo, posiciona-se contra o Jornal da Madeira, mas sabe o que tem significado o JM na permanente campanha em favor de gente que, também hoje, não lhe merece consideração e respeito. Nem pessoal. E o Dr. Miguel de Sousa também sabe, porque é vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, o que tem sido a governamentalização do primeiro Órgão de Governo Próprio. A vergonha em que se transformou, com quase duzentos projectos agendados e não discutidos, para além da captura de uma casa de todos por um único partido. 


Quando se jogam pedras à casa do vizinho, diz a sabedoria popular que devemos olhar para os nossos telhados de vidro. E o PSD no poder, sabe o Dr. Miguel de Sousa, que os telhados estão todos esburacados. Não foi eu que escrevi, também por exemplo, que "Jaime Ramos, no jornal pago pelo PSD, fala em candidatos que agora cospem no prato que lhes deu e dá de comer. AHAHAH. Nada seria mais cómico se não fosse sério. Quem será que comeu do orçamento ao longo de todos estes anos de fartura financeira? Porque não denunciou? Ou se auto-denunciou? Se calhar o Sr. Ramos gostaria que tudo continuasse na mesma, debaixo do seu controlo. Engana-se" (Miguel de Sousa). Não fui eu que falei, desprezando o povo eleitor, seja ele qual for, de "um povo com um palito nos dentes e a boca a cheirar a bacalhau" (presidente do governo). E não fui eu que assumi que "(...) devem tudo a Jardim" (Deputada Ana Serralha). E estas são apenas frases que trago quase de memória. O historial de conflitos internos e de paz podre, muito podre, o Dr. Miguel Sousa, sabe que o PSD dá 10-0 à "MUDANÇA". 
A política faz-se com acutilância mas com seriedade. E no campo da seriedade, sabe o Dr. Miguel de Sousa que quem colocou o Funchal com uma dívida de noventa e quatro milhões de euros não foi a "MUDANÇA". Que a actual equipa deve merecer crítica pelo facto de não ter sabido garantir a desejada união, obviamente que sim. Todavia, rejeito, quando fala de desintegração "como previsto e anunciado. Sem respeito pelos eleitores (...)". Porque no outro lado da barricada a desintegração é pública e notória a avaliar pelas declarações políticas.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 21 de março de 2014

"NÃO ACEITO QUE A MADEIRA TENHA DE SER POBRE"


Pertencemos a um País aparentemente livre e democrático. Pelo menos a partir do texto constitucional. Daí que ninguém tenha nada a opor às bocas que se abrem e às línguas para dizer coisas. Exactamente isso, coisas! Palavras, palavras e só palavras, transformadas em frases que, analisadas à lupa, valem zero e nula a sua credibilidade. A intervenção de ontem do Dr. Miguel de Sousa (PSD), Vice-Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, trouxe-me à memória um velho professor, que tinha sido dirigente da hierarquia política do Estado Novo. Tinha eu regressado à Madeira, depois de dois anos de comissão militar na Guiné-Bissau (1972/74), estávamos no final do ano de 1974, com ele me cruzei, falámos, amenamente e, a páginas tantas, com uma necessidade de colagem aos ventos de mudança, disparou: "sabes que eu nunca tive nada a ver com aquela gente"! Não havia necessidade, pensei. O Dr. Miguel  de  Sousa pareceu-me que também nunca teve nada a ver com os trinta e oito anos de governação PPD/PSD. Nada. Não foi membro do governo, não é vice da Assembleia, não aprovou todos os Orçamentos  e Contas de Gerência da Região, nunca fez intervenções políticas de apoio ao regime, enfim, do ponto de vista político está imaculado e olho-o com uma auréola sobre a sua cabeça.


Mas não, é CULPADO. É um dos culpados do estado a que a Madeira chegou. Não confundo o respeito bilateral que existe entre nós com a questão política. Sei separá-las e devo separá-las. O Dr. Miguel de Sousa é um dos culpados políticos, porque permitiu, anuiu, consentiu, nunca a sua voz se levantou para dizer fosse o que fosse aos madeirenses e portosantenses. Aliás, são todos culpados, todos os candidatos do PSD na luta pela liderança do partido. Os seus discursos não convencem, simplesmente porque laboraram no erro e sacodem culpas.
É fácil dizer: "(...) Não aceito que a Madeira tenha de ser pobre" e "a Madeira, se bem orientada e gerida, pode ter um 'superavit' que assegure suficiente bem-estar e conforto às famílias madeirenses". É fácil, mas necessário se torna ter moral e fundamento histórico para o dizer. E o Dr. Miguel de Sousa, tal como os outros, não tem. Porque este lá, não mexeu uma palha, aceitou todas as loucuras do "chefe", aplaudiu e curvou-se aos erros da "Madeira Nova". Vir agora dizer que deseja uma "Nova Madeira", constitui, para além de uma enorme falta de imaginação política, cair num trocadilho que, facilmente, as pessoas entendem ao que o candidato vem.
Mais, ainda. Há quantos anos a oposição lamenta e aponta os erros da governação? Há quantos anos fala da necessidade de novas políticas e que a Assembleia Legislativa da Madeira é uma enorme fraude política? Há quantos anos se fala que o problema não é a drástica redução do número de deputados, mas o que lá a maioria produz? Há quantos anos existe uma luta contra um jornal pago com os nossos impostos? Há quantos anos se fala da necessidade de uma reorganização administrativa da Madeira? Há quantos anos se pede que o presidente do governo regional preste contas à Assembleia de quem depende? Mais, ainda: e de quem foi a culpa de a Madeira estar, consecutivamente, desprestigiada no plano nacional? Quem moveu todas as guerras políticas com a República, por ausência de uma estratégia de diálogo com bom senso? Quem, neste aspecto, colocou em causa "(...) A nossa reputação" (...) "a nossa autoestima e orgulho colectivo"? Terá sido a oposição ou todos, mas todos aqueles que querem passar agora incólumes?
"(...) Muitas pessoas afastaram-se da vida política". Pois, e de quem foi a culpa? Quantos foram vilipendiados, de políticos a cientistas, com as mais bárbaras ofensas à dignidade? E alguma voz se fez ouvir? Ora bem, querem dar música celestial, querem passar uma esponja sobre o passado, só que a esponja está suja e quanto mais esfregam  o quadro das memórias, mais porcaria ressalta. Oposição é o que merecem. Um longa cura de oposição, para que possam expiar os "pecados" que conduziram a uma dívida impagável de mais de seis mil milhões, desemprego e pobreza.
Ilustração:  Google Imagens.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

INDEPENDÊNCIA


O Dr. Miguel de Sousa e outros da sua área política não deveriam apenas apontar e disparar para o ar. Seria conveniente e importante, mais do que provocar estoiros inconsequentes que nem ferem os ouvidos mais sensíveis, que dissesse(m), de forma clara e inequívoca, o que pretende(m), que estudos existem visando a concretização dessa hipotética independência, se existem interesses ou não que ultrapassam Portugal e, neste caso, por parte de quem. Seria conveniente que as cartas fossem colocadas em cima da mesa, os tais interesses geoestratégicos, aqui sim, que "sociedades secretas", se existem, andam a magicar tal hipótese e com que conivência! Que encontros têm existido e se há ou não documentos sobre a matéria. Seria fundamental para a compreensão das atitudes e declarações.

 
Penso que é conceder demasiada importância a certas pessoas, ou melhor, a certas declarações de políticos cá da paróquia. Por um lado, pela ausência de novidade e sustentabilidade no que assumem, por outro, porque o sentido repetitivo numa tecla usada e gasta conduz a que se deva passar ao lado. Ora, quando o Dr. Miguel de Sousa, Vice-Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira diz "(...) Não sei se a Madeira não vai ser independente" (...) e que "neste momento, ser português, é muito mau para a Madeira", questiono-me se estas declarações transportam alguma credibilidade política! É evidente que percebo, e bem, onde ele quer chegar. "Neste momento", não interessa, face ao calote que existe por pagar. Mas, certamente, que interessou, quando "paletes" de dinheiro caíram por aí, vindas da magnânima União Europeia, via Portugal, em conjunto com outras tantas "paletes" com o selo do Orçamento de Estado. Como a maminha começa a ficar muito velhinha e murcha, logo, "neste momento", há que se virar para uma outra. Qual, não disse, nem certamente, saberá dizer. Ou saberá? Para já, importante é manter a chantagem, o ruído, como há trinta anos acontece. Só que, por lá, já conhecem bem o prato do dia e cada vez mais, em outros espaços de decisão, o paleio é bem conhecido.
Ora, o Dr. Miguel de Sousa e outros da sua área política não deveriam apenas apontar e disparar para o ar. Seria conveniente e importante, mais do que provocar estoiros inconsequentes que nem ferem os ouvidos mais sensíveis, que dissesse(m), de forma clara e inequívoca, o que pretende(m), que estudos existem visando a concretização dessa hipotética independência, se existem interesses ou não que ultrapassam Portugal e, neste caso, por parte de quem. Seria conveniente que as cartas fossem colocadas em cima da mesa, os tais interesses geoestratégicos, aqui sim, que "sociedades secretas", se existem, andam a magicar tal hipótese e com que conivência! Que encontros têm existido e se há ou não documentos sobre a matéria. Seria fundamental para a compreensão das atitudes e declarações. Se assim não for, continuaremos a assistir, periodicamente, ao folclore do costume, ao lançamento de bombinhas de mau cheiro e pouco mais do que isso. Se existe coragem, pois então, afirmem de peito aberto as convicções, não se coloquem com rodriguinhos, com jogos de palavras que valem zero. Abram o debate para que todos percebam onde querem chegar.
Pois bem, porque não vale a pena discorrer sobre o desconhecido, por aqui fico, tal como inicialmente escrevi, por ausência de novidade e sustentabilidade no que assumem.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

COM QUE ENTÃO... É TEMPO DE MUDANÇA!


É contra esta forma de exercer a política que me revolto. Nunca consegui aceitar uma decisão partidária sabendo que ela estava errada ou condenada ao fracasso. Não suporto a hipocrisia política. Costumo dizer que aprecio as pessoas que mostram na montra o que lhes vai no armazém! Ora, o que o Dr. Miguel de Sousa veio assumir é que há grandes pecados políticos cometidos ao longo dos 36 anos de poder absoluto e que de nada vale escondê-los. Só que, digo eu, politicamente, os erros pagam-se com a derrota eleitoral. É por esse caminho que o povo eleitor deve seguir, aliás, como tenho vindo a sublinhar. Tem, por isso, razão o visado destas linhas: "é tempo de colocar tudo em avaliação", todavia, tal só é possível com novos atores políticos, nunca através de uma qualquer reciclagem!

Achei piada às declarações do Dr. Miguel de Sousa (PSD-Madeira) relativamente às candidaturas internas do seu partido: "o tempo é de definir mudanças políticas e que só depois deve vir o processo de escolha de nomes (...) há necessidade de "corrigir o que está errado, mal gerido ou não se justifica manter" e de se "deixar de gastar mal" os recursos públicos (...) "é tempo de colocar tudo em avaliação" e "definir o que pode melhorar a nossa situação" (...) há, também, necessidade de "inventar um novo futuro". O DN repescou estas declarações assumidas no decorrer de um recente Conselho Regional.
Repito, achei piada do ponto de vista político, naturalmente. Repare o leitor: corrigir o que está errado, deixar de gastar mal, colocar tudo em avaliação e inventar um novo futuro! Se assim disse, esta é uma arrasadora declaração contra aquele que tem sido o líder do partido, ao mesmo tempo que dá razão à oposição política que, durante anos, fartou-se de enunciar e denunciar investimentos errados, dinheiro mal gasto e que a Região precisava de mudar de paradigma nos setores vitais ao desenvolvimento. E que se saiba, pelo menos enquanto Deputado, a sua voz e o seu voto foi sempre de total concordância com as políticas desenhadas pelo Dr. Alberto João Jardim, as quais, prova-se, hoje, através do programa de reajustamento financeiro, estavam erradas e enquadradas nesse claro esbanjamento dos recursos públicos. 
É contra esta forma de exercer a política que me revolto. Nunca consegui aceitar uma decisão partidária sabendo que ela estava errada ou condenada ao fracasso. Não suporto a hipocrisia política. Costumo dizer que aprecio as pessoas que mostram na montra o que lhes vai no armazém! Ora, o que o Dr. Miguel de Sousa veio assumir é que há grandes pecados políticos cometidos ao longo dos 36 anos de poder absoluto e que de nada vale escondê-los. Só que, digo eu, politicamente, os erros pagam-se com a derrota eleitoral. É por esse caminho que o povo eleitor deve seguir, aliás, como tenho vindo a sublinhar. Tem, por isso, razão o visado destas linhas: "é tempo de colocar tudo em avaliação", todavia, tal só é possível com novos atores políticos, nunca através de uma qualquer reciclagem!
Ilustração: Google Imagens.