Mostrar mensagens com a etiqueta Mundial de Futebol. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mundial de Futebol. Mostrar todas as mensagens

sábado, 19 de julho de 2014

SOBRE O MUNDIAL DE FUTEBOL... UM TEXTO PARA REFLECTIR


"Aprendi tudo errado!
Há poucos minutos, entre uma consulta e outra, ouvi batedores da polícia militar fechando a Avenida 23 de Maio, em São Paulo. Nada mais que cinco pistas fechadas e, como nunca vi antes, nem de madrugada, nos quinze anos que atendo neste consultório, a Avenida 23 de Maio, a mais movimentada de São Paulo, estava vazia. Fiquei perplexo, e o paciente seguinte que me perdoe, mas fiquei aguardando na janela, desconfiado e certo que teria uma decepção... e tive!!! Não preciso descrever que o ônibus da seleção brasileira passou, com toda a pista livre para eles, escoltado por mais de dez batedores da PM além do helicóptero Águia. Pois é, um ônibus com cerca de 30 milionários a bordo, quase todos morando no exterior, cuja função é jogar futebol, tratados como verdadeiros heróis, de uma forma completamente diferente que qualquer outra profissão possa almejar!


Nós médicos somos descartáveis, tratados como qualquer um pelo nosso governo federal, substituídos por quem nem comprovação que é médico precisa ter! ... enfermeiros, paramédicos, bombeiros, policiais e todos que dão a vida para salvar outras, nem se fale, são arrochados e massacrados trabalhando sem condições e ganhando uma miséria. Professores, ah, coitados dos professores, nem faço comentários a respeito pois precisaria de um lençol para conter as lágrimas. Cientistas, engenheiros e outros que fazem crescer nosso país e trazem tecnologias para melhorar nossas vidas, têm, como única esperança, serem contratados por uma multinacional e tratados como estrangeiros.
E lá vão eles, triunfantes... quem? Os jogadores de futebol!... ah sim, em todos os jornais, revistas, TVs, estarão estampados os heróis de nossa Nação!... mas o que eles fazem mesmo? Salvam vidas? Educam? Trazem segurança ou saúde? Criam Leis, lutam por melhores salários ou desenvolvem tecnologias para melhorar a vida do povo? Não, jogam bola!...
E para explicar para uma criança que é mais importante estudar que jogar bola?
Realmente, não sei mais! Porque eu... aprendi tudo errado !
Tercio Genzini

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O CONTROLO REMOTO


Esta é a nossa cultura, falar de tudo mesmo sem perceber.


Queiroz passou de besta a bestial... num ápice. 7-0 frente à Coreia do Norte prova que se fala sem conhecer. Hoje, na edição do DN-Madeira, publiquei este texto. Um texto, a propósito, penso eu.
"Não tenho acompanhado a par e passo o Mundial de Futebol. Segui umas partes, quando calha, vou sabendo dos resultados e, de quando em vez, apanho os comentários que vão sendo produzidos. É evidente que, após esta primeira ronda de qualificação, buscarei o espectáculo que o alto rendimento é capaz de produzir e que me encanta. E nesse aspecto, oxalá, Portugal esteja entre os melhores. Faz parte da nossa auto-estima enquanto Povo sentirmo-nos representados ao mais alto nível, sobretudo por aqueles que nasceram em Portugal.
Mas, como vinha dizendo, tenho apanhado uns comentários, em directo, nos jogos, ou naqueles programas que o meu “zapping” obriga a passar e a escutar. Invariavelmente, fico com aquela sensação, aliás, sempre foi assim, que este é um Povo que não tem hábitos de prática desportiva (77%) mas que percebe daquilo como ninguém. O Queiroz assim e o Queiroz assado, a táctica, este e aqueloutro no lugar de uma dada opção técnica, enfim, concluo eu, mata-se uma pessoa a fazer uma Licenciatura e cursos e mais cursos pós-graduação, adquire uma notável folha de experiências e de competências e, depois, piores que as vuvuzelas, uns senhores, e senhoras, também, cujo “desporto”, não vai além da corrida para apanhar o autocarro, ditam a sentença: toma lá que disto pouco percebes. Não acho razoável. Dirão, alguns: é o futebol, meu amigo! Talvez. Mas é também uma questão de formação, de educação e de cultura. Acrescento: esta é a nossa cultura, falar de tudo mesmo sem perceber.
Eu que gosto de ver o espectáculo e de vivê-lo, espero pelo dia que o meu controlo remoto possa dispor da possibilidade de escolher apenas o som ambiente ou o ambiente mais os comentários. Muitas vezes, certamente, escolherei a primeira função".
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 12 de junho de 2010

MUNDIAL DE FUTEBOL E OUTRAS HISTÓRIAS!


Falta-nos curar essa chaga, diz-nos Agustina Bessa-Luís, "(...) que tarda em sarar, o analfabetismo inculto, aquele que sabendo ler e escrever, licenciado ou não, ocupa posições de chefia que não é capaz de produzir valores reclamados pelos cidadãos e de que o País tanto precisa".


Este futebol, mesmo ao mais alto nível, não me atrai. Pode parecer pretensioso, mas não é, confesso, é aquilo que sinto, talvez pelo facto desta indústria ter atingido contornos, interesses e polémicas verdadeiramente obscenos. Talvez. Sem miserabilismo ou sobranceria, que rejeito, este futebol há muito que constitui uma indústria canibal, na feliz expressão de Eduardo Galeano. Ou, como escreveu o meu Amigo Doutor Manuel Sérgio, "(…) o interesse do capitalismo vigente é querer democratizar na medida em que quer vender. O desporto como mercadoria, a cultura como produto vendável, segundo as leis do mercado, é tudo quanto o capitalismo sabe de cultura e desporto (…)". Certamente, por isso, assisto a essa loucura pelo resultado a qualquer preço, ao endeusamento do praticante, aos milhões que correm, desproporcionais às capacidades do país e do associativismo desportivo, assisto à imagem pública dos dirigentes, à corrupção e à violência que estão a corromper e a corroer os princípios e os valores mais puros e essenciais do desporto. E o pior é que as novas gerações estão a ser educadas neste ambiente sem qualquer contraponto educativo. Falta-nos curar essa chaga, diz-nos Agustina Bessa-Luís, "(...) que tarda em sarar, o analfabetismo inculto, aquele que sabendo ler e escrever, licenciado ou não, ocupa posições de chefia que não é capaz de produzir valores reclamados pelos cidadãos e de que o País tanto precisa". Mas temos futebol para esquecer tudo o resto! Por isso, não esqueço as palavras, em tempos ditas, do saudoso jornalista Carlos Pinhão: "(…) somos os melhores do mundo em sub-20, os melhores da Europa em sub-18 (…) somos os melhores em subdesenvolvimento".
Ilustração: Google Imagens.