Ser contra apenas por ser contra constitui uma atitude de credibilidade reduzida. Há assuntos face aos quais o voto contra se justifica em toda a sua extensão. Em outros, embora não concordando, no mínimo, parece-me politicamente não comprometedor, a via da abstenção. Um país que foi sugado até ao tutano nos últimos anos, onde o desemprego é preocupante, onde meio milhão teve de fazer malas e emigrar, com jovens licenciados ou não com o credo na boca, com pobreza, idosos a pagar a factura, pensionistas que sentem que em cada mês há mais mês, pergunto, como se pode ser contra o complemento solidário para idosos, contra o rendimento social de inserção, contra o abono de família, contra o pavoroso IMI, etc.? Ser contra isto denuncia, publicamente, que se é contra o povo e que se apoia a pobreza. Respeito todas as outras posições político-partidárias, mas este não é o meu entendimento da democracia e sobre o que está em causa no plano interno e externo. Mais, ainda, porque se verificou que todos os constrangimentos impostos pela severa austeridade não se traduziram na palavra ESPERANÇA e no sentimento de que hoje estamos melhor! Pelo contrário, a situação piorou na relação entre a dívida e o PIB.
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sexta-feira, 18 de março de 2016
quinta-feira, 17 de março de 2016
terça-feira, 8 de março de 2016
UNIÃO EUROPEIA E OS VAMPIROS DO NOSSO TEMPO
Eles não descansam. Armados em fiscais com carta branca, em conluio com outras instituições, escudados em um Tratado, anunciam e invadem os países mais vulneráveis, com palavras e atitudes que ofendem a independência nacional. São os dentes vampirescos de uma roda dentada que faz girar a máquina trituradora dos povos. Alguns deles, dizem-se, até, pertencentes à família socialista europeia, como é o caso do presidente do eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem (centro esquerda) ou do comissário para os assuntos económicos e financeiros, Pierre Moscovici. São políticos "vendidos" relativamente aos princípios e aos valores humanistas. Entre outros, politicamente, não os suporto, pela forma como agem e como decidem do alto da sua cadeira do poder. Estão ao serviço dos interesses do tal deus mercado, do capitalismo selvagem, pouco lhes importando como vivem os povos, as suas debilidades, os sacrifícios que fazem e a falta de esperança que os envolve. Ouvi-los a falar de um "plano b" ou de novas medidas de austeridade face ao Orçamento de Estado de Portugal (2016), cria uma espécie de vómito, isto, para mim, que entendo que o exercício da política deve estar ao serviço do Homem.
Uma Europa que caminha para o abismo (se já não está!), que não consegue, pela via diplomática, resolver os seus problemas, os dos migrantes, por exemplo, que se apresenta fraquíssima e de joelhos com os mais fortes, tenhamos em consideração as imposições da Grã-Bretanha e os silêncios com a Espanha, França e Itália, torna-se altiva e de nariz empinado com os mais vulneráveis. O que fizeram e continuam a fazer, por exemplo, à Grécia e o que teimam relativamente a Portugal. Porque estes países entenderam seguir caminhos diferentes da orientação política draconiana. Lamentavelmente, em Portugal, há quem acompanhe esta deriva aos princípios basilares da comunidade europeia, quando sabem que a crise teve uma origem externa na qual fomos envolvidos tal como os restantes.
Continuo, por múltiplas razões e em nome do futuro, a defender a necessidade de Portugal estudar uma eventual saída do eurogrupo. Simplesmente porque, mesmo considerando todas as desvantagens, e são muitas, tal estudo terá o mérito de, por um lado, equacionar esta complexa problemática e, por extensão, colocar em sentido os directórios europeus. Atente-se no caso da Islândia, cujo presidente, Olafur Ragnar Grimsson, em Fevereiro do ano passado, atribuiu parte do sucesso da recuperação da Islândia "ao facto de o país não ter dado ouvidos aos organismos internacionais, especialmente à Comissão Europeia, que recomendavam a aplicação de medidas de austeridade. O colapso da banca em 2008 arrancou mais de 10% da riqueza da Islândia em apenas dois anos e mais do que duplicou a taxa de desemprego para o nível recorde de 11,9%. No entanto, a Islândia foi um dos países europeus que mais depressa sacudiu a poeira da crise, tendo a economia regressado ao crescimento em 2011 (...) a taxa de desemprego oscila, actualmente, entre 3% e 4% e o Governo antecipa um crescimento de 3,3% do PIB este ano" - Negócios."
A receita da UE e a do FMI é sempre a mesma: aplicar o chicote, o sofrimento dos povos, mesmo que estes pouco ou nada tivessem contribuído para o desastre. Muitos já se esqueceram que a crise começa com a queda do Lehman Brothers. O presidente Olafur Ragnar Grimsson sublinhou, ainda, o que é muito esclarecedor, que, "no caso da Islândia, a União Europeia se equivocou. "Porque deveriam ter razão noutros casos?" E a pergunta surge, naturalmente: o que vem Pierre Moscovici fazer a Portugal na próxima Quinta-feira? Acalmar os mercados? Exigir mais sacrifícios? É tempo de sacudirmos a canga e demonstrarmos a nossa honradez secular.
Ilustração: Google Imagens.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
EUROPA FORTE COM OS FRACOS E OS "MUROS" POR DERRUBAR
Querem cada vez mais medidas de austeridade. A cartilha dessa gentalha europeia, que usa e abusa do seu quase infinito poder, perdida no labirinto do dinheiro, humilha, claramente, os mais fracos e ajoelha-se perante quem lhe faz frente. Os "ingleses" não se puseram com meias medidas, colocaram sobre a mesa as regras e fortaleceram as suas convicções. Porque a Europa "tem medo, como o diabo da Cruz", do referendo que vem a caminho na Grã-Bretanha sobre a manutenção ou saída da União. Seria o início do descalabro. De um outro modo, mas tendencialmente convergente, anda essa gentalha a "piar fininho" com a Itália e até mesmo com a França. Relativamente a Portugal e outras economias mais débeis, ficam enfurecidos porque a exploração tem de continuar. De todo, não é nesta Europa que acredito. Esse é o caminho que, paulatinamente, me conduz a situar-me no campo dos eurocépticos. Mas, porque raio um país tem de, antecipadamente, subordinar-se ao controlo externo, perdendo a sua independência e autoridade?
Apeteceu-me escrever umas linhas sobre esta matéria e sobre alguns "socialistas" do topo europeu rendidos ou, melhor, vendidos nas suas convicções. Mas não. Não sou economista e, portanto, julgo de bom senso guiar-me por aqueles que admiro pelas suas sustentadas posições. Li o artigo do Dr. João Abel de Freitas, economista, (http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/opiniao/566259-orcamento-de-estado-2016) hoje publicado e que aconselho a sua leitura. Aqui fica um excerto:
"(...) Pode-se questionar, mas vai “gerar” o diferencial de 0,4%?
Penso que o montante a injectar é de tal maneira vigoroso (acima de 1000 milhões de euros) que até pode gerar mais. A resposta precisa é, no entanto, mais complexa. Só mesmo na posse de ensaios em modelo robusto se poderá dar uma resposta aproximada: os “tais ensaios de sensibilidade”.
Mas a minha resposta de tanta contestação às projecções do Governo não decorre destes graus de incerteza. Não há fundamentação técnica para isso. A situação é bem outra. Este governo é mal visto. Não é da cor dominante. Saiu dos padrões da Troika. E, mesmo após o “chumbo” pelo Tribunal de Contas Europeu de que a austeridade em Portugal e outros países foi mal gerida, de que a Troika não só não soube detectar as razões da crise como não soube lidar com ela, ainda assim continua arrogante e na mesma linha de actuação - a da austeridade e empobrecimento.
Outras propostas orçamentais como as de França e Itália não cumpriram o que está nos tratados e a UE fechou os olhos. Em 2015 e nos anteriores o Governo Passos/Portas não cumpriu e não foi apertado. Só mesmo uma razão estritamente política leva a tanto alarido e alarme".
Ilustração: Google Imagens.
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