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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

QUEM PAGA A CORRUPÇÃO? O POBRE!


Este vídeo é de 27 de Janeiro. Ontem, Francisco voltou a falar da corrupção, insistindo que quem a paga é o pobre. Trata-se de um recado, oportuno, para a toda a sociedade e, subtilmente, também para o interior da Igreja. Talvez, por isso, por aí se levantem vozes contra Francisco.

 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O PAPA FRANCISCO E A CONFUSÃO NA CABEÇA DE JOÃO CÉSAR DAS NEVES


Com que então... há "um aproveitamento ideológico da visão do Papa", nos debates económicos, ideológicos e políticos? Este economista João César das Neves é espantoso. Posiciona-se como se o Papa não fosse um Homem político como o foi Jesus Cristo. Todos nós, quando nos posicionamos, somos políticos. Como se tudo à nossa volta não tivesse natureza política. Como se tudo o que o Papa Francisco assume já não tivesse sido dito por tantos na nossa História, sobretudo por aqueles que não se encontram, aqui sim, ideologicamente, colados ao Dr. João César das Neves. Se as abordagens do Papa têm como único objectivo "anunciar uma forma diferente de fazer economia", com base na doutrina social da Igreja, que mal existe que outros assumam, claramente, que até o Papa isso defende? Compromete-o no plano ideológico? Deixa-o com algum ciúme, Dr. César?


Obviamente que as instituições, públicas ou privadas, são livres de o convidarem para conferências, seja a que pretexto for. A muitos custa, obviamente, ter de ouvir ou ler autênticos disparates. Um economista que declarou, já tem algum tempo, que "é criminoso subir o salário mínimo", que "é óbvio que os cortes têm de regressar" (...) é já óbvio que a austeridade terá de ser retomada (Maio/2016), ou, então, que "a maior parte dos pensionistas não são pobres, fingem" e, neste pressuposto, aumentar o salário mínimo “é estragar a vida aos pobres", pergunto, se alguém com este currículo discursivo tem credibilidade, quando há Prémios Nobel a dizerem exactamente o contrário? 
Eu não vou tecer mais considerações sobre as Neves perenes deste César "imperador do conhecimento", apenas vou deixar uma carta publicada em Novembro de 2013 por Carlos Paz, também economista: 
Carta Aberta a um MENTECAPTO: 
Meu Caro João,
Ouvi-te brevemente nos noticiários da TSF no fim-de-semana e não acreditei no que estava a ouvir.
Confesso que pensei que fossem “excertos”, fora de contexto, de alguém a tentar destruir o (pouco) prestígio de Economista (que ainda te resta).
Mas depois tive a enorme surpresa: fui ler, no Diário de Notícias a tua entrevista (ou deverei dizer: o arrazoado de DISPARATES que resolveste vomitar para os microfones de quem teve a suprema paciência de te ouvir). E, afinal, disseste mesmo aquilo que disseste, CONVICTO e em contexto.
Tu não fazes a menor ideia do que é a vida fora da redoma protegida em que vives:
- Não sabes o que é ser pobre;
- Não sabes o que é ter fome;
- Não sabes o que é ter a certeza de não ter um futuro.
Pior que isso, João, não sabes, NEM QUERES SABER!
Limitas-te a vomitar ódio sobre TODOS aqueles que não pertencem ao teu meio. Sobes aquele teu tom de voz nasalado (aqui para nós que ninguém nos ouve: um bocado amaricado) para despejares a tua IGNORÂNCIA arvorada em ciência.
Que de Economia NADA sabes, isso já tinha sido provado ao longo dos MUITOS anos em que foste assessor do teu amigo Aníbal e o ajudaste a tomar as BRILHANTES decisões de DESTRUIR o Aparelho Produtivo Nacional (Indústria, Agricultura e Pescas).
És tu (com ele) um dos PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS de sermos um País SEM FUTURO.
De Economia NADA sabes e, pelos vistos, da VIDA REAL, sabes ainda MENOS! (...)"
Regresso ao princípio, a João César das Neves e ao Papa Francisco, porque César disse que existe "um aproveitamento ideológico da visão do Papa", quando no seu ponto de vista "o Papa não está a falar de economia, ele não pretende falar de economia, aliás diz que é alérgico à economia, o objectivo dele é anunciar Jesus Cristo, é a anunciar uma maneira diferente de fazer economia". Que paradoxo de um "académico"! Então, "anunciar uma maneira diferente de fazer economia" não corresponde a posicionar-se sobre a economia, sobre essa economia que nos trouxe "à miséria humana" (palavras suas e contextualizadas) e aos porquês das vagas de "imigrantes, refugiados, pobreza e escravatura" (palavras suas e contextualizadas)?.
Irrita-me este senhor que critica quem fale ou se aproveite das posições do Papa Francisco, quando é o próprio Papa a dizer que "esta economia mata". Não há paciência para este Professor de Economia! Parafraseando a máxima do Professor Abel Salazar, Patrono do Instituto de Ciências Biomédicas, embora em um contexto médico: "Economista que só sabe de Economia nem de Economia sabe."
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 17 de abril de 2016

PAPA FRANCISCO EM LESBOS



Segui as imagens da presenta do Papa Francisco em Lesbos (Grécia), de onde regressou a Roma acompanhado de "três famílias de refugiados da Síria, doze pessoas no total, incluindo seis crianças". Deu um exemplo de solidariedade e de “coragem” face à “colossal crise humanitária”. Mas o que mais me comoveu até às lágrimas foram as imagens do desespero de adultos e de crianças, algumas ajoelhadas aos pés de Francisco, absolutamente emocionado, como se estivesse a questionar: porquê isto? Deus, por onde andarás?
Foi mais um sinal ao Mundo, particularmente, para esta Europa dos muros e do descalabro político, económico, social e cultural, onde apenas conta o dinheiro e, muito raramente, a política de solidariedade entre os povos e de irmandade entre as nações.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

BISPO CARRILHO EM CONTRACICLO COM O PAPA FRANCISCO


Apenas um desabafo na sequência de algumas leituras de circunstância sobre o Papa Francisco. Pensamento enrola-se em pensamento e lá dei eu a confrontar posturas, a do Papa Francisco com a do Bispo António Carrilho. O Papa consegue encher-me, pela sua visão do Mundo, sobre o inteligente ataque às causas dos problemas, sobre a forma como combate o imobilismo e sobre a sua atitude frontal relativamente aos poderosos da economia que nem poupam o Vaticano. O Papa tem a leitura de um Mundo que sobrevive no caos e que fomenta a desesperança e, por isso mesmo, não deixa escapar uma oportunidade para fazer ouvir a sua voz. Mesmo em tempo de fuga de informação e de documentos que revelam extravagâncias financeiras e corrupção no Vaticano, mantém-se "determinado" a avançar com as reformas da Igreja. "Vamos em frente com serenidade e determinação", assumiu, dando a entender que a Sua missão sobreviverá à teia corrupta.



Já o Bispo Carrilho que, agora, nem tem a sombra (condicionadora) chamada Alberto João Jardim, lidera um processo rotineiro e previsível, absolutamente distante da realidade política, económica e social, como se nada estivesse a acontecer na Diocese de uma terra que necessita ser agitada, tantos são os gravíssimos problemas sociais que enfrenta. São palavras do Papa Francisco "(...) Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e solidário". Ora, esta preocupação não encontra eco na Madeira, quando deveria constituir a mensagem central. Não é com fé e caridade, Senhor Bispo, que se resolvem os problemas, antes pela assunção e contextualização da Palavra, tal como o Papa Francisco aconselha: "(...) Eu quero que a Igreja vá para as ruas, eu quero que nós nos defendamos de toda acomodação, imobilidade, clericalismo. Se a Igreja não sai às ruas, converte-se em uma ONG. E a Igreja não pode ser uma ONG". A questão é saber como é que a Igreja desce à rua, isto é, desce às pessoas, agitando-as nas causas dos seus dramas, gerando o necessário desassossego e colocando em sentido o poder político. "(...) Não tenho ouro nem prata, mas trago comigo o mais valioso: Jesus Cristo", disse Francisco. E se traz Cristo, obviamente, que transporta essa Mensagem profunda, que a muitos incomoda, embora batam repetidamente no peito. Eu desejaria essa inquietação nesta Diocese, na esteira do que sublinha o Papa: "Não deixe que ninguém tire a sua esperança". E há quem nos esteja a roubar a esperança, seguindo os caminhos do silêncio que compromete. Porquê? Porquê? Porque há pedras no sapato, desde a incómoda situação do Jornal da Madeira até às dívidas pela megalomania na construção de novos templos? 
O Bispo Carrilho, com lamento o digo, não é a figura que a Diocese precisa. A Igreja é muito mais que os rituais e orientações bafientas. Ela tem de ser política porque Cristo foi um político de primeira água. Quando o Papa Francisco assume que "(...) os jovens têm que sair e se fazer valer, sair a lutar pelos seus valores", parece-me óbvio que ele não  está a fazer-lhes um convite à emigração. Antes convida-os, serenamente, a deixarem de ser amorfos, a não permitirem que os obriguem a carregar a cruz das suas vidas assentes na pobreza e na marginalidade, enfim, incentiva-os à luz da Palavra que lutem pelo direito à esperança, quando, até, esse conjunto de direitos tem configuração Constitucional. Ora, isto não se faz com lengalengas gastas, previsíveis e com cânticos de embalar, antes se faz tocando nas feridas que sangram, em uma tentativa de corrigir processos porque "a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração", disse Francisco. 
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

PAPA CONTRA O DOMÍNIO DO DINHEIRO QUE TRITURA AS POLÍTICAS E ESMAGA O HOMEM


O Papa Francisco é, assim, um bálsamo, o alívio e o conforto através do aroma das suas palavras. Quando afirma, sem peias: "Temos de dizer não a uma economia da exclusão e da iniquidade, porque esta economia mata. Não pode acontecer que não seja notícia que um velho morra de frio na rua e o seja a queda de dois pontos na Bolsa. Isso é exclusão. Não se pode tolerar mais que se deite fora comida quando há gente que passa fome. Isso é iniquidade." (...) Não nos podemos esquecer que a maioria dos homens e mulheres dos nossos tempos vive precariamente, com consequências funestas e que o medo e o desespero se apoderam do coração de muitas pessoas, incluindo nos chamados países ricos". (...) Uma das causas desta situação está na relação que estabelecemos com o dinheiro, já que aceitamos pacificamente o seu predomínio sobre nós e as nossas sociedades", enquanto "a crise financeira que atravessamos nos faz esquecer que na sua origem está uma profunda crise antropológica: a negação da primazia do ser humano". (...) Assim, "instaura-se uma nova tirania invisível". O Papa é claro quando denuncia um desenvolvimento que designa por "globalização da indiferença". 


O Papa Francisco é surpreendente. Gosto da sua visão do Mundo, da sua atitude frontal, directa, sem rodriguinhos, tudo em defesa da Humanidade. Este é o sétimo Papa da minha vida. Não tenho presente Pio XII, pois quando morreu tinha eu nove anos, mas dos restantes tenho presente o essencial dos sucessores de Pedro na Igreja Católica. Tive, sobretudo pela empatia que gerava, uma enorme consideração por João Paulo II, todavia, Francisco cria, em mim, um sentido de esperança, explicável através das acutilantes palavras e dos conceitos que transmite. Sei que não será capaz de ir tão longe quanto desejaria, mas há naquela figura, serena, doce e simpática, uma força e uma determinação que mexe comigo e que me faz acreditar numa nova ordem mundial. É difícil, muito difícil, então não é! O dinheiro não tem pátria, a ambição é desmedida, o labirinto dos interesses económicos e financeiros está para durar, a própria Cúria Romana (órgão administrativo da Santa Sé) é extremamente complexa e com histórias de arrepiar em vários sectores e áreas, onde os poderes em conflito impedem uma desejada e rápida renovação. Mas há uma voz que sai da lengalenga habitual e onde sangra, mete o dedo para sangrar ainda mais! Um dedo que funciona como despertar de consciências. O Papa Francisco é, assim, um bálsamo, o alívio e o conforto através do aroma das suas palavras. Quando afirma, sem peias: "Temos de dizer não a uma economia da exclusão e da iniquidade, porque esta economia mata. Não pode acontecer que não seja notícia que um velho morra de frio na rua e o seja a queda de dois pontos na Bolsa. Isso é exclusão. Não se pode tolerar mais que se deite fora comida quando há gente que passa fome. Isso é iniquidade." (...) Não nos podemos esquecer que a maioria dos homens e mulheres dos nossos tempos vive precariamente, com consequências funestas e que o medo e o desespero se apoderam do coração de muitas pessoas, incluindo nos chamados países ricos". (...) Uma das causas desta situação está na relação que estabelecemos com o dinheiro, já que aceitamos pacificamente o seu predomínio sobre nós e as nossas sociedades", enquanto "a crise financeira que atravessamos nos faz esquecer que na sua origem está uma profunda crise  antropológica: a negação da primazia do ser humano". (...) Assim, "instaura-se uma nova tirania invisível". O Papa é claro quando denuncia um desenvolvimento que designa por "globalização da indiferença". 
Estas são algumas passagens de um documento corajoso, oportuno e notável. Falou para o Mundo, mas falou, do meu ponto de vista, para dentro da própria Igreja. O documento é uma "Exortação Apostólica", um convite à acção que seja fiel aos princípios Cristãos. É um texto claramente político, porque assume uma condenação ao absolutismo dos mercados que se coloca acima das pessoas e das sociedades. Não é uma lengalenga, como tantas vezes oiço, por exemplo, pela boca do Senhor Bispo do Funchal, onde fala da caridade e mais caridade, da fé e mais fé, mas onde se esquece das causas mais profundas dos dramas sociais, da pobreza e da exclusão. Ontem, a sua mensagem assentou, novamente, na fé, naquilo "que vivemos, pensamos e fazemos à luz do dia, em paz" (...) para dizer que nos momentos difíceis do presente temos de "caminhar juntos, independentemente das dificuldades do exterior". E as dificuldades internas, Senhor Dom António, causadas por trinta e tal anos de desmandos? E os três milhões enterrados, anualmente, no Jornal da Madeira, para além dos milhões de passivo? Ora, para alguns, as palavras de Dom António podem significar muito, para mim pouco ou nada valem. É preciso que se chame os bois pelo nome, de forma elevada, é certo, mas directa. O Papa Francisco é o pastor que me contagia, por isso mesmo, enquanto Cristão e enquanto ente político. Ele sublinha: "O Papa ama a todos, ricos e pobres, mas tem a obrigação, em nome de Cristo, de recordar que os ricos devem ajudar os pobres". E mais: "Temos de dizer não a uma economia da exclusão e da iniquidade, porque esta economia mata".  Esta é uma mensagem profundamente Cristã e profundamente política. A Igreja não pode confinar-se aos rituais e às palavras de circunstância, pois a sua Mensagem exige vigor, autenticidade, frontalidade, verdade e nunca, mas nunca, atitudes que se compaginem ou entrelacem com os interesses do poder(es) instalado(os). 
Ilustração: Google Imagens.