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domingo, 21 de junho de 2009

A URGÊNCIA DA REDEFINIÇÃO

Excelente, porque lúcida e profunda, a análise da semana desenvolvida pelo Jornalista Luis Calisto na edição de hoje do DN-M. Não vou tecer comentários àquilo que o Jornalista, do meu ponto de vista, equacionou e bem no que concerne aos principais actores da cena política regional, mormente, no que ao presidente do governo regional diz respeito. Mas há uma passagem que me parece fundamental em defesa dos madeirenses e portosantenses e sobretudo da DEMOCRACIA: "(...) O PS precisa de urgente redefinição. Um congresso, uma convenção, uns estados gerais, seja o que for onde todos debatam e escolham uma linha de rumo, com os actuais e/ou novos dirigentes, que traga alguma dignidade à tão maltratada vida pública regional".
É a voz de fora e independente que surge e não a voz de dentro. Nem mais. Em poucas linhas está tudo dito. Aliás, ainda ontem, publiquei aqui um texto que chamava à atenção para as preocupações que, neste momento, deveriam constituir a ideia central de quem tem esse dever e responsabilidade de OLHAR e OUVIR a realidade externa, não apenas a do Partido. O partido deve é reflectir sobre os sinais da sociedade, pelo que não ter consciência ou ignorar o que se passa para além dos muros partidários, do grupo restrito que o orienta, como se fosse possível impor uma vontade, uma ideia, uma estratégia ou um projecto(?) que não encontra eco, obviamente que tal significará, por mera comparação, estar a malhar, inconsequentemente, no ferro frio. Aliás, ninguém compra um produto ou porque não lhe atribui valor ou porque tem dúvidas.
Por aproximação às regras básicas do "marketing" sabe-se que gestão do processo deve ser determinada por objectivos específicos dentro de cada segmento e área de actuação, através de um planeamento onde deverá haver uma preocupação com o desenho estratégico, a análise, o exame e a orientação para o consumidor (o eleitor). Mas para isso torna-se necessário: conhecer e dominar os segmentos da sociedade em todas as suas variáveis, identificar o tipo de necessidades, o comportamento do eleitor em função dos traços da sua personalidade e da sua própria história, os centros de interesse, as expectativas, as crenças, os índices sócio-económicos e os estilos de vida e de valores. Daqui se poderá concluir que a adesão a um projecto implica, assim, um conjunto de etapas interligadas e sequentes, com eventuais recuos e avanços até à decisão final. Bernard Dubois, fala de quatro grandes fases: a do despertar que leva à ideia de adesão, a fase da recolha e tratamento da informação e, só depois, a formulação e tomada de decisão.
Ora, bastará que um líder se situe neste quadro para perceber que há fases imprescindíveis e que estão interligadas às quais se juntam o discurso de liderança, o discurso da convicção, o discurso que baseado no conhecimento atinge e conduz, neste caso o eleitor, para a sua adesão. Como tudo isto tem andado a ser feito com muito amadorismo, obviamente, que o produto tem ficado na prateleira e retirado por perda de limite de prazo. Os resultados dos actos eleitorais espelham isso. Mas estou em crer que melhores dias virão. Espero pela "redefinição".

sábado, 20 de junho de 2009

LÍDERES E LIDERANÇAS

Confesso a minha crescente preocupação no quadro da actividade à qual, em exclusivo, me dedico. Trata-se de uma actividade nobre, a política, mas para que ela assim possa ser caracterizada, há princípios, valores e competências que são determinantes, sem as quais a participação fica enfraquecida e sem sentido. Nunca gostei de me sentir mais um, muito menos um conivente, mais um que ali está, acomodado, tipo "timex" que não adianta nem atrasa. Ora, a lógica em que se fundam os partidos eu sei que é complexa, só que, sinceramente, começo a não ter paciência para aturar comportamentos estranhos, atitudes de prepotência e a mais completa ausência de humildade política.
Ainda ontem, alguém referia-me, insistentemente, "os militantes... os militantes... os militantes", como se pudéssemos entregar o partido à lógica do pensamento muitas vezes sectário e arrebanhado do militante, quando o que está em causa é a SOCIEDADE NÃO MILITANTE, são os milhares de eleitores que olham para um partido como INSTRUMENTO, como meio e não como fim, como esperança para uma vida colectiva melhor. Os militantes (e eu sou um militante) devem ter essa percepção, a percepção que estão ao serviço dos outros e que da sua desinteressada colaboração ao Partido poderá resultar o bem-estar da maioria. E a dele próprio, claro! Portanto, compete ao militante ter uma visão alargada do processo, possuir essa humildade e essa capacidade para perceber que um Partido não se esgota em 3, 4 ou 5 mil pessoas que constituem a sua base interna de apoio. Porque há muito mais POVO para além do Partido.
E isto envolve o mais humilde militante, do sítio mais recôndito da Região, até ao topo da hierarquia. E, neste caso, entre os do topo, há uma diferença substancial entre ser líder e ser chefe. Por essa razão, sigo, entre outros, Katzenbach que diz que o atributo mais comum que une os Verdadeiros Líderes é o facto de saberem como alcançar altos padrões de desempenho através da alteração dos comportamentos e das competências das pessoas. Um líder assume um compromisso com a mudança; evidencia coragem para desafiar as bases do poder e as normas; gera a auto-motivação e a motivação dos outros; demonstra capacidade de iniciativa para se mover para lá dos limites definidos. Enfim, um líder “acaba por ser uma pessoa que pela sua palavra ou pelo seu exemplo pessoal, influencia os pensamentos, comportamentos e/ou sentimentos de um número significativo de pessoas”.
Um líder não ofende, apenas elabora e comunica, de forma convincente, um caminho claro, adaptado e persuasivo; não exclui, une porque sabe apreciar a natureza da audiência; investe a sua energia ou canaliza a energia dos outros para a construção da instituição; exerce a liderança de uma forma directa ou, indirectamente, descobre uma forma de influenciar os outros pela verdade, pelo seu exemplo, pela respeitabilidade, pela tolerância e pela segurança, através de um discurso que demonstra profundo conhecimento sobre o que está a falar. Um líder não diz hoje uma coisa e amanhã outra. É por isso que há uma substancial diferença entre ser líder e ser chefe!

Aqui, sim, os militantes têm uma palavra a dizer. Porque o Partido é apenas um instrumento para chegar ao poder e implementar uma política. De resto, um partido não pode confinar-se a meia-dúzia de interesses pessoais. É por isso que estou cansado. Assim, NÃO!
Nota:
Os blogues, há sempre quem ataque os autores dos blogues, porque escrevem e dizem coisas que não são do agrado. O problema que nunca é equacionado é se um blogue é funcional ou disfuncional. O funcional ajuda a reflectir e parecendo destrutivo não é. A discordância funcional ajuda a instituição. O disfuncional é que é perigoso, porque, lentamente, vai corroendo os alicerces da instituição. Os conflitos têm estas características. O que é preciso é saber diferenciá-los, compreender e retirar as ilações necessárias.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

UM DIA EM CHEIO MAS PARA REPENSAR

Hoje, confesso, tive um dia em cheio. Abordei um assunto muito sério na Assembleia Legislativa da Madeira perante, infelizmente, uma maioria pouco sensibilizada para as questões da Educação, mantive uma interessante troca de impressões com dois leitores deste meu blogue e quase terminei o dia com um longo encontro com uma pessoa que já não a via há muitos anos e que, sinceramente, pela sua postura serena, inteligente, sincera, franca e aberta, ajudou-me a compor algumas peças do "puzzle" político regional. Pensava eu que dominava alguns "dossiês" mas não, há muita coisa escondida, trancada a sete chaves, mas que pelo caminho vai produzindo o sofrimento de muitas pessoas. Uns, agacham-se, curvam-se, deixam-se enlear na lama, outros(as) sofrem porque a coluna falou mais alto. Percebi melhor este pequeno mundo onde vivemos. Uma conversa que me escorreu garganta abaixo como mel e que terá continuidade um dia. Não se trata de bilhardices, não se trata de invejas mas de questões muito sérias, profundas e que marcam, negativamente, esta terra que amamos.
A páginas tantas, inevitavelmente, veio à colação o PS, os insucessos, a alternativa que não surge, os conflitos, as desinteligências em contraponto à necessidade sentida de uma mudança que se torna imprescindível. Respondi, vagamente, que isto vai melhorar. Perguntou-me de imediato: acredita? Respondi que sim, que tem de melhorar e que tenho a certeza que o PS será poder nesta Região mais cedo do que muitos julgam.
Regressei a casa com um turbilhão de coisas na cabeça: com o teor da nossa amena, profunda e interessante conversa e com a história do PS a bailar entre os temas. E fico boquiaberto quando é este o sentimento de uma pessoa, livre, aberta, cansada mas desejosa de querer um bom futuro para os netos, que espelha, certamente, a vontade de uma extensa classe média e de uma extensa população que vive com muitas dificuldades, como é que o PS-M se deixa enredar em paixões internas que nada, rigorosamente nada, dizem às pessoas. As pessoas querem um partido com qualidade, um partido com propostas, um partido profissional que olhe para fora e não para dentro. As pessoas querem ver um Partido de excelência para o qual o Povo olhe e diga: esses senhores podem ir embora que há quem os substitua para melhor. Enquanto falava com essa pessoa, eu que conheço a história, embora o contexto seja outro, lembrei-me de um quadro que vi num museu em Oslo: o GRITO de Edvard Munch. De facto, apetece gritar!

sábado, 13 de junho de 2009

MAIS CÉREBRO QUE MÚSCULO

Confesso a minha extrema dificuldade em entender certas pessoas do mundo da política partidária. Parecem denunciar uma característica sofredora, de acomodação às situações, de colocar as eventuais amizades pessoais acima das convicções e, sobretudo, do quadro real que deriva dos actos eleitorais. Confesso, também, a minha perplexidade sobre um mundo de estranhos e tácticos silêncios em claro desrespeito por um Povo que está lá fora, ansioso e desejoso que lhe apresentem dados sobre os quais possa reflectir, refazer posicicionamentos e acreditar na esperança de um novo tempo. Estranho, ou talvez não, que haja pessoas que não admitam que este pântano é o que melhor serve quem há mais de trinta anos governa como quer e entende a Região. Deixa-me prostrado o facto de não se perceber ou de não se querer perceber que o que está em causa é muito mais importante que um efémero lugar ou cargo institucional, remunerado ou não, que o regime democrático exige. Mais. Considero pouco inteligente que pessoas com formação académica e política não entendam que só com profissionalismo, rigor, disciplina, quadros, imagem, credibilidade social e projecto um partido pode almejar o poder. E que só isso, por vezes, não chega face ao poder tentacular que os poderes de longa duração, tipo "duracel", manifestam. Custa-me aceitar que pessoas haja que acreditem que perante um carro de combate blindado e de lagartas trituradoras, munir-se de umas quantas catanas, permitam-me, de passagem, esta imagem bélica, será suficiente para desapear um poder mesmo que velho, corroído e podre, como se ele caísse nas mãos pelo desgaste do próprio tempo! Que acreditem que, por falta "combustível" o carro de combate não passará de uma velha peça de museu mais dia-menos-dia. Há uma grande dose de ingenuidade em tudo isto e isso paga-se (pagou-se) nas urnas, com juros.
Ora, o conflito pessoal, a velha história de uns contra os outros, o olhar atento para quem se move no xadrez político interno, as aparências de paz, um pé aqui e outro ali, as ligações nem sempre transparentes a grupos económicos, o tal olhar para o umbigo que apenas se aplica aos outros, o discurso político pouco afinado, incoerente e nada determinado, parece-me também evidente que não ajuda, não tem ajudado, à necessária e imprescindível credibilização. O afunilamento das questões que se colocam, a fulanização e a ausência de humildade política para reconhecer capacidades, competências e aceitação popular, acabam por constituir a cereja no bolo que tanto agrado proporciona a quem escreve em nome do regime.
No meio de tudo isto, ouço, que o "adversário está lá fora" (é verdade que sim) mas os mesmos que o assumem (e bem), mostram-se incapazes de resolver os jogos dos adversários que estão cá dentro. Para esses, nunca é tempo de falar de coisas sérias e quando alguém fala, pois é, lá está(ão) ele(s), a denegrir(em), a instituição, a deitarem abaixo o que tanto custa construir. Enganam-se os que assim pensam. Eu, pelo menos, parto do princípio que as sociedades movem-se no conflito e na reprodução. As instituições também. Conflitua-se através do debate elevado para reproduzir uma situação melhor. Tome-se, por exemplo, o debate interno do PS, em 2005, onde João Soares, José Sócrates e Manuel Alegre, aos olhos de todos os portugueses, numa complexa fase interna do PS, abriram-se à sociedade com os seus projectos. O conflito reproduziu uma maioria absoluta.
É evidente que há momentos para analisar percursos e discutir projectos. É no final dos mandatos. É este o caso pois até já deveria ter acontecido. Não há mal algum que isso aconteça. A contrária é que me parece preocupante porque corresponde a uma estratégia de interesses pessoais que não são certamente os do Povo, os daquele Povo sofredor, abstencionista e descrente até aquele Povo escolarizado e culto, farto e cheio de tudo isto, que deseja que chegue aquele dia para deitar o voto na esperança. O que significa que, em todo este processo precisamos de mais cérebro do que músculo.
Escrevo e desabafo assim por convicção, por respeito a princípios e valores sociais, económicos e culturais, porque há muitos anos que sirvo a instituição PS mas nunca, nunca, dela me servi para atingir fosse o que fosse. Ocupei lugares de destaque na hierarquia interna mas nunca fui candidato a lugares de prestígio político nacional. Nunca gostei de nadar em meias-águas e, de quando em vez, retornar à superfície para respirar. Nunca andei resguardado na toca só de lá saindo para o ataque. Nunca precisei de andar em bicos-de-pés nem precisei de padrinhos para ser notado. Tenho feito, apenas, o meu trabalho com o rigor necessário, falando olhos nos olhos com as pessoas. Não tenho inimigos, tenho pessoas com as quais discordo. Agora, o que nunca me verão fazer é uma vénia perante aquilo que não acredito. Sou assim e, como diz o povo, "quem dá o que tem a mais não é obrigado!".

terça-feira, 9 de junho de 2009

A CAMPAINHA DE ALARME SOOU NO VERMELHO!

Ao longo da tarde de ontem recebi várias mensagens e telefonemas que me deixaram, por um lado, algum conforto, por outro, apreensivo relativamente ao que aqui escrevi sobre os recentes resultados eleitorais. O conforto deriva do facto de várias figuras me terem dito que me acompanhavam, totalmente, nas preocupações que expus, uma vez que esta situação merece uma ponderada e muito séria reflexão, a partir não só da vontade popular expressa em votos, mas também do som de fundo audível na sociedade, o qual transmite que alguma coisa tem, rapidamente, de mudar. Por seu turno, a apreensão resulta do sentimento que tenho que nenhum passo será dado nesse sentido, porque as palavras ditas pelo meu Camarada Dr. João Carlos Gouveia são muito claras quanto à manutenção do actual rumo, defendido que está pelas normas estatutárias. Se eu tivesse tamanha responsabilidade, mesmo eleito, legitimamente, pelo voto directo das bases do partido, na noite deste último acto eleitoral teria criado espaço para uma clarificação de todo o processo. Porque colocaria à frente da minha legitimada teimosia a leitura dos dados saídos das urnas.
Ora bem, tenho pelo Dr. João Carlos Gouveia consideração pessoal, como pessoa de bem, sustentada, até, numa lisura no trato pessoal que me agrada sobremaneira. Nada, rigorosamente nada de pessoal tenho contra o líder do PS-Madeira. Mas não é isso que está em causa. O que é motivo da minha total discordância é a manifesta incapacidade de natureza política para conseguir estabilizar internamente e de propor às gentes da nossa terra uma alternativa. Eu sei que não é fácil. Eu sei que qualquer um que presida ao PS-M tem, 24 horas depois, a "folha feita" pelo partido do poder. Inventam tudo e mais alguma coisa para denegrir a imagem, esfrangalhá-la e triturá-la na praça pública. Eu sei e tenho presente tudo o que inventaram a meu respeito quando me envolvi na política. Sei, portanto, em que terra vivo, como se comporta o poder e qual a disparidade dos recursos humanos e financeiros entre o PSD e o PS. Mas isso não significa que se mantenha tudo como está, quando se vê que o corpo socialista sangra em vários concelhos, quando é sensível o afastamento e o desinteresse das pessoas, sobretudo dos quadros técnicos.
A campainha de alarme soou no vermelho. Pela segunda vez! Não pode, por isso, perder-se mais tempo. Exige-se, como ontem referi, uma enobrecedora humildade política, bom senso, desprendimento, muito diálogo sereno, diálogo sem veneno e sem ódios; exige-se respeito pelos que dirigem o PS mas a essa equipa exige-se que nutra respeito pelos eleitores, pelos que sofrem, pelos que desesperam por uma alternativa que corrija o rumo da Madeira e do Porto-Santo, respeito, também, pelos militantes que não podem continuar a viver no desconforto da permanente derrota.
Raras, muito raras são as vezes que me pronuncio sobre a vida interna do PS-M. Não gosto. Porém, no último mês senti, por quatro vezes, essa necessidade de reflexão. Não para denegrir ou gerar conflitos tácticos, mas para alertar e para convergir no sentido do interesse da Região onde o PS é fundamental. Rejeito, liminarmente, a palavra "competição" muito utilizada no discurso do Dr. João Carlos Gouveia para justificar os ditos desconfortos internos. Eu não estou em competição seja lá com quem for, não pertenço a um qualquer grupo de combate, nunca tive e não tenho interesses a defender que não os do Povo, apenas sei que o barco encalhou e que todos, na próxima maré alta (eleições autárquicas e legislativas nacionais), temos de colocá-lo a navegar, não à vista mas com um líder e com os instrumentos necessários à navegação política de hoje.
E sobre esta matéria não volto a escrever nos próximos tempos. Disse tudo o que de essencial tinha para transmitir, com o sentimento socialista que brota de mim espelhado em um passado de participação partidária do qual me orgulho.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

PERANTE UMA SITUAÇÃO MUITO GRAVE PEDE-SE HUMILDADE E SENTIDO DE RESPONSABILIDADE

O resultado do PS-M no acto eleitoral de ontem merece uma séria reflexão no interior dos órgãos do partido. Digo mais, não apenas nos órgãos mas junto das bases do partido para que tenham consciência do suicídio colectivo. Este resultado é extremamente preocupante e não prognostica um futuro de curto prazo promissor em função dos actos eleitorais que se avizinham. Fundamentalmente porque não se pode, levianamente, atribuí-lo apenas à conjuntura nacional, isto é, de um povo eleitor zangado com PS por um conjunto de políticas, ditas reformistas (!), porque a verdade é que, por aqui, a história não pode ser analisada apenas por esse ângulo: essencialmente porque esta é uma região autónoma, onde se transpira política ao segundo, porque há pobreza aos montes, há gente a passar mal, há 12.000 desempregados, há empresários aflitos, há falências porque a economia está visivelmente estagnada, porque há um governo há 32 anos consecutivos no poder e com uma montanha de fragilidades. Factos que, por si só, justificariam um resultado, no mínimo, para o PS-M, acima dos 30%, aliás, como já teve na sua fase de crescente credibilidade política e social. Se é válida a leitura de um cartão amarelo ao governo da república também é válida a mesma postura do povo da Madeira relativamente ao governo regional. Até porque, o quadro genérico da complexa situação da Madeira não tem nada a ver com a Lei das Finanças Regionais. O drama vem de longe e em crescendo. E tanto assim é que, ainda há cinco anos, nestas mesmas eleições, o PS-M obteve 30,6% da vontade dos eleitores e 29,03% há dez anos. Dez anos depois, baixar para uns ridículos e preocupantes 14,69% que constitui metade da sua base eleitoral tem, obviamente, que ser bem explicadinho, sem subterfúgios e com total assunção de responsabilidades políticas.
Ademais, o Dr. Emanuel Jardim Fernandes foi um excelente candidato, não só por aquilo que ele representa na história do PS e pela sua credibilidade social, como pelo excelente mandato que fez no Parlamento Europeu nos últimos cinco anos. Não foi, portanto, o candidato que deitou por terra a esperança de um rápido regresso do PS-M (após o "peblescito" de 2007) aos patamares que lhe permitissem acalentar a esperança de ganhar autarquias, eleger o mesmo número de deputados à República e bater-se de igual para igual nas eleições regionais de 2011. O meu Amigo Emanuel é vítima e não culpado.
Ora, aquele resultado (14,69%), repito, é muito preocupante porque pode tornar, por muitos anos, a expressão eleitoral do partido socialista meramente residual no espectro político regional. É por isso que entendo que estando em causa a Madeira e o Porto Santo e a própria Democracia, esta não é hora de egoísmos nem de teimosias porque o PS-Madeira, enquanto instituição política, é preciso que as pessoas tomem consciência disto, é muito mais que meia-dúzia de dirigentes circunstancialmente eleitos. O PS tem uma missão a cumprir, tem uma responsabilidade política e um desígnio que se enquadram na construção de uma resposta alternativa de poder. Essa resposta não se compadece perante leituras amadoras do processo político. Nem leituras nem posturas.
Daí que, do meu ponto de vista, se imponha clarividência relativamente ao que se está a passar e, neste pressuposto, aconselhe uma agenda composta por cinco determinantes pontos a cumprir de forma imediata:

1. A convocação de um encontro (audição seleccionada) de dois dias, que reúna um conjunto de personalidades da história do PS (que se afastaram ou foram afastados), deputados (europeu, nacional e regional), direcção do PS, direcção da JS e independentes convidados, visando o debate sereno das possíveis saídas para a crise e de onde resulte a cicatrização das feridas abertas. Um conclave não de catarse mas de estudo e definição de políticas.
2. Rápida definição das candidaturas às autarquias locais, sobretudo à Cidade do Funchal (há figuras que não se podem colocar à margem porque o seu patamar de intervenção é outro) e concelhos onde é possível recuperar os ganhos anteriores, só possível com personalidades de reconhecida idoneidade política e social, o que implica, uma vez mais, ultrapassar clivagens que são públicas e notórias.
3. Definição de uma estratégia política baseada na audição entretanto realizada que implica olhar também para o terceiro acto eleitoral deste ciclo: legislativas nacionais.
4. Clara assunção perante toda a Região que a actual Direcção do PS não se recandidata no próximo acto eleitoral interno, aliás, como foi primeira preocupação dos seus membros. Na prática, esta Direcção mais do que política seria gestionária do processo político.
5. Rápida indicação de uma candidatura de unidade, técnica e politicamente credível, para o próximo acto eleitoral interno visando as eleições regionais de 2011.

Face à proximidade dos actos eleitorais não encontro outra saída possível. Trata-se de, paciente e rapidamente juntar e colar os cacos dando para o exterior um claro sinal de um partido que merece apoio popular e que esse apoio é determinante para o futuro da Madeira e do Porto Santo.
O PS-M tem, portanto, de operacionalizar um grande esforço nos meses que faltam para os próximos actos eleitorais sob pena de uma descredibilização total. É preciso ter presente que o PS-M está fragilizado na maioria dos concelhos, por lutas internas, por falta de tacto no relacionamento e solução dos problemas que foram surgindo, embora não parecendo no discurso político está a braços com uma gravíssima crise no seio do seu grupo parlamentar, a comissão política tem muitas vozes discordantes e, no meio de tudo isto, uma direcção olhada de esguelha pelas estruturas nacionais, o que me leva a dizer que nem nos momentos mais conturbados da história do PS a situação foi tão frágil e dramática. Esta é a realidade, infelizmente caracterizo-a, mas não há que escondê-la, em nome do futuro. Até porque é preciso respeitar os eleitores e é preciso respeitar tantos homens e mulheres, militantes e independentes, que ao longo de muitos anos, com prejuízo nas suas vidas, ofereceram a cara e o trabalho voluntário na defesa de uma política.
E que fique claro que nada do que aqui escrevo tem a ver com pessoas mas com as suas políticas. As pessoas merecem-me a melhor consideração. E tenho por elas, confesso, consideração e respeito pessoal. O problema é, do meu ponto de vista, mais profundo e ultrapassa o voluntarismo e, muitas vezes, a chamada gestão do metro quadrado que é quanto mede a mesa de trabalho de um Deputado na Assembleia. Temos de ter coragem para estancar a trapalhada e a ausência de rumo ou de um rumo difuso que não é entendível pelo comum dos cidadãos. Isto parece-me absolutamente determinante.
Aliás, quando esta direcção se propôs liderar os destinos do PS de uma forma “institucional e de transição” eu fui um dos que, publicamente, no Diário de Notícias, assumiu que esse Congresso deveria ser adiado pelo menos quatro meses para que o Partido encontrasse uma solução estável, duradoura e socialmente credível. Não quiseram e embarcaram na aventura. O resultado está aí.
Ora, manter o mesmo quadro significa que os resultados serão, nas próximas eleições, os mesmos ou piores. Parece-me óbvio. Para mim e para muitos que acreditam em princípios e valores e que centram no Ser Humano a primeira finalidade do exercício da política, obviamente que constituirá um rude golpe se tal vier a acontecer.
Nota:
Quanto ao resultado do PS Nacional, tal como referiu Manuel Alegre, o governo terá de repensar as suas políticas de confronto sistemático com vários sectores profissionais. Há muito que venho a dizer isso com particular preocupação no sector da Educação. O PS tem uma matriz de esquerda e é nessa esquerda que se deve situar.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

SINTO-ME INCOMODADO

Há espaços próprios para os descontentamentos. É verdade que sim. Porém, não gosto de saber dos assuntos que dizem respeito ao espaço reservado da função que exerço através da comunicação social ou de outros canais menos apropriados. Não gosto que os adversários políticos saibam primeiro do que eu sobre as estratégias políticas do partido onde milito há muitos anos. Por isso e muito mais sinto-me incomodado. Porque tudo se resume a uma frase: respeito mas gosto de ser respeitado. De forma mais clara: estou activamente na política por convicções, por princípios e por valores. E sobretudo porque entendo que um partido com a dimensão daquele que integro só se justifica se a sua vocação for a de ser poder. E, para isso, nada, rigorosamente nada, pode ser operacionalizado de forma menos consentânea com os interesses (e são muitos, mesmo muitos) que subjazem a esse caminho que pode conduzir ao poder. Porque só o poder pode realizar a nobre missão de tornar a nossa sociedade mais justa e mais feliz.
Não faço e nunca fiz do exercício da política uma carreira. A minha profissão é a da docência. Costumo dizer que estou "emprestado" ao exercício da política porque esse exercício constitui, também, um serviço público à comunidade. Nunca alinhei em jogos de bastidores, nunca me coloquei ao serviço fosse de quem fosse, nunca fui a voz da consciência de alguém, por isso, também exijo o respeito na mesma proporção que tenho pela instituição. Comigo é assim. Por isso, há dias, escrevi um post que subordinei ao título: "O copo que enche". E está a encher. E ao ritmo com que enche lá virá o dia que uma só gota fará entornar os desconfortos sentidos.
Para mim Basta! No plano pessoal respeito e tenho consideração pelas pessoas; no plano da intervenção política, aí, alto e parem o baile, porque não sou e não quero ser uma peça de uma máquina dirigida à distância, não sou peça de um qualquer jogo de xadrez, com movimentos para diante, para trás ou para o lado em função de projectos e ambições que desvirtuam a vocação (finalidade da instituição) e a missão (maneira original como cumpre a sua vocação) de uma instituição, repito, que só se justifica se quiser ser poder.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

BLOCO CENTRAL, NUNCA.

Rejeito, liminarmente, a hipótese do bloco central equacionada pelo ex-Presidente da República Dr. Jorge Sampaio. Bloco Central é já quase o que temos na prática. Antes prefiro, a opção de Jorge Sampaio, salvaguardados os contextos, o tempo e os espaços de intervenção política, quando foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Mais. O PS tem uma matriz de esquerda que constitui uma marca histórica na defesa de princípios e de valores da liberdade, da fraternidade e da solidariedade que não devem ser esbatidos por meros interesses conjunturais. Aliás, entendo que o povo eleitor tem de saber, a todo o momento, o que pode esperar dos diferentes partidos do espectro político, isto é, tem de perceber as respectivas marcas diferenciadoras.
Não basta, grosso modo, reduzindo este desabafo ao discurso mais simplista, todos dizerem que defendem os pobrezinhos. Interessa, fundamentalmente, perceber a matriz ideológica que subjaz ao discurso político. Prefiro, por convicção e autenticidade, não por dogmatismo, perder um acto eleitoral a confundir os eleitores para daí abocanhar umas franjas eleitorais. O deslizar suave ao sabor dos interesses e dos lugares que o poder suscita, ao ponto de já não se perceber a matriz de um e de outro, deixa-me desconfortável. Não é que alguns valores sejam apenas património da esquerda, não é isso que está em causa, mas o facto da história dizer-nos que a práxis política diferencia uns dos outros, nos caminhos, nas estratégias e sobretudo na sensibilidade. A minha opção é clara: prefiro uma esquerda associada aos valores do humanismo, da igualdade e da solidariedade e em permanente processo de reinvenção, à eficiência de natureza capitalista própria da direita que deu naquilo que todos estamos a viver. Por isso, ao PS resta-lhe o regresso ao caminho que torne o povo mais feliz.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

UM ESCLARECIMENTO QUE NÃO SE JUSTIFICA

Excepcionalmente, simplesmente porque este meu espaço de comunicação não existe nem para catarses nem para ofensas seja lá a quem for. Não é essa a minha forma de estar na vida e sobretudo no relacionamento com as pessoas.
Ora bem, esta manhã fui alertado para a leitura de um post no blogue do meu Amigo Dr. Miguel Fonseca, a propósito de um texto que escrevi sob título "umbigos há muitos". Escrevi-o de forma aberta e genérica, em função do que penso da participação na política, sem qualquer intenção de atingir pessoas. Fi-lo na convicção que há necessárias correcções de atitude e nunca como provocação directa ou indirecta. Tenho plena consciência que não ofendi ninguém. Considero, portanto, que o meu Amigo Dr. Miguel Fonseca, figura que, sinceramente, muito considero, não foi feliz na interpretação que fez e nas questões que coloca. Se, eventualmente, algum desabafo tivesse que fazer, faria-o pessoalmente e com a cordialidade que deve existir entre membros do mesmo partido. Ademais, a minha história na participação política evidencia que não alimento nem entro em "guerras" pessoais e "golpes-de-mão". O que não invalida que não tenha opinião. Tenho opinião, sim, e respeito a opinião dos outros, desde que elaboradas com sustentabilidade e através da assunção de posições escritas com sensatez e sem toques amargos. E sabe o meu Amigo que nunca corri nem corro para nada, mas sempre que o PS precisou da minha colaboração, já que falamos de umbigos, ele esteve sempre na sede. Tal como o do meu Amigo.
Com a maior consideração e estima pessoal.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

AQUILO QUE SOU ESTÁ NA MONTRA. NÃO ESCONDO NADA NO ARMAZÉM.

Assim, NÃO.
Qualquer que seja o comentador de rádio, televisão ou de outros meios, deve ter o cuidado de se preparar sob pena de ser desagradável para as pessoas objecto dos seus comentários e, por via disso, descredibilizar-se por ausência de fundamento no que afirma. A especulação, a partir de alguns factos, tem limites, até porque se torna necessário compaginar uma série de elementos fundamentais para que a especulação seja possível (a especulação significa, por definição, investigação teórica).
Ontem, lamentavelmente, na RTP-M, a ideia que ficou no ar é que, possivelmente, quero ser candidato à Presidência da Câmara do Funchal e, por isso, aproveitei a substituição de dois Deputados para assumir um lugar de destaque no grupo parlamentar do PS-M, ganhando, por essa via, algum protagonismo, para logo desligar-me dessa tarefa, em Julho, tendo em vista corporizar essa tal candidatura. Esta foi a ideia que restou do comentário, para além de uma "colagem" política ao presidente do PS, Dr. João Carlos Gouveia no quadro, sublinho eu agora, de um vergonhoso oportunismo político.
Não sou pessoa de jogos de bastidores, de jogos calculistas, de atitudes oportunistas, nem de colagens com interesse pessoal. Rejeito, liminarmente, essa forma de estar na política. Aliás, no caso em apreço, a assunção de responsabilidades na coordenação dos trabalhos do grupo parlamentar do PS-M, surgiu na sequência do número limitado de Deputados disponíveis e por se ter gorado a hipótese mais desejável e que eu próprio entendia como a melhor colocada para o desempenho de tal tarefa. Assumi, no limite, para preservar o grupo parlamentar de qualquer instabilidade em função do trabalho desenvolvido nos últimos dois anos, porque se aproximam actos eleitorais importantes e a pedido de várias e credíveis pessoas do PS. Não assumi por colagem seja a quem for mas com o sentido do dever.
Foi, por isso, que balizei no tempo a minha disponibilidade. Ela terminará no final da presente sessão legislativa, ou melhor dizendo, irá até ao início da próxima sessão legislativa. Nessa altura o problema será, novamente, reequacionado. Porque uma coisa é o Partido, outra a dinâmica do Grupo Parlamentar, embora este esteja, estatutariamente, dependente da sua Comissão Política. É assim em todos os partidos políticos. Assumi porque entendi ser necessário defender o palco do debate político. Serei o coordenador dos trabalhos e o meu protagonismo será aquele que tenho enquanto responsável pela Educação, Cultura e Desporto. Nada mais do que isso.
Fica, portanto, claríssimo, que NÃO sou candidato à Presidência da Câmara do Funchal. De resto, interpreto o exercício da política subordinado a um vasto conjunto de princípios e de valores, dos quais não me afasto nem um milímetro. Aquilo que sou está na montra. Não escondo nada no armazém. Os que me conhecem sabem que sou assim. E ponto final.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

CALMA, MEUS SENHORES!

Calma, meus senhores. O exercício da política não pode ser um salve-se quem puder. Não se pode estar na política ao jeito de abutre sobre uma peça. O bom senso e o respeito pelos princípios da militança devem imperar mesmo quando não se concorda. Eu conheço o estilo pois também, em outros tempos, recebi cartas mais ou menos abertas. Lamento. E lamento por três motivos essenciais:
1º Porque há um tempo próprio para analisar percursos, discutir os resultados das estratégias seguidas e definir novos caminhos. Há um tempo de Congresso e há um tempo para concretizar uma política;
2º A proximidade de três actos eleitorais determinam a existência de serenidade, pois está em causa a elaboração de listas concorrentes, a elaboração de projectos políticos gerais e sectoriais e, consequentemente, uma atitude geradora de confiança no eleitorado;
3º Porque os eventuais problemas devem ser resolvidos dentro dos órgãos partidários, mesmo os mais delicados, isto é, os que envolvam pessoas e não políticas.
É legítimo que não se goste do estilo, é legítimo ter dúvidas, é legítima a existência de impulsos no sentido de fazer valer uma leitura do processo, mas manda o bom senso, o contexto político regional, a idade e a experiência de vida, uma atitude de moderação, fundamentalmente, porque todos os passos mal dados apenas castigam a imagem pública do PS e favorecem a do PSD. Todos os que amam a DEMOCRACIA e que por ela lutaram, todos os que por respeito a princípios e valores pensam de forma diferente, todos os que entendem que é possível romper com este círculo vicioso da política regional, a todos se exige contenção e capacidade de gestão do silêncio, o que não significa, de modo algum, concordância com os processos em curso.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

VIVEMOS NUMA ERA DE CONFLITOS EM TODAS AS ÁREAS. NAS ORGANIZAÇÕES, TAMBÉM.

As instabilidades são normais nos partidos políticos. Receio tenho dos partidos a uma só voz. Eles podem esconder e escondem certamente, tensões muito mais graves do que aquelas que outros apresentam aos olhos de todos. O PS ao nível nacional, ainda há três anos e meio, teve três linhas de pensamento estratégico, debatidas publicamente e verificou-se, no final, que se tornaram importantes no que diz respeito à capacidade de governação do País. Não veio nenhum mal por isso. Os partidos a uma só voz, parecendo que o são, acabam por demonstrar, claramente, que os grupos existem e, subrepticiamente, digladiam-se. Tome-se em consideração o PSD da Madeira onde, porventura entre outras, é público e notório que há grupos em fila no assalto ao poder. Ninguém ignora que entre o Dr. Albuquerque e o Dr. Cunha e Silva existem acentuadas divergências e interesses de poder. Que no meio disto está o Dr. Jardim e que não foi um mero "fait-divers" a questão de mandar o presidente da Câmara do Funchal para Bruxelas. Atrás destas figuras estão "exércitos" prontos para o combate. Estou convicto que poucos duvidarão que assim é. É uma constatação da realidade. Mas isto passa-se no PSD da Madeira que é poder e passa-se no PSD nacional onde é oposição.
Quando se trata dos partidos da oposição madeirenses, particularmente no que diz respeito ao PS, coitados, cai o "carmo e a trindade", porque estão desunidos, são sempre os mesmos, não se entendem, enfim, aproveita-se o momento para descarregar e esmagar, potenciando e reforçando o poder de quem lidera esta terra há 33 anos. Não se olha para o importante, para as propostas alternativas, se elas têm ou não credibilidade política, se existem ou não pessoas capazes de substituir os actuais secretários, tudo é esquecido e, facilmente, alguns caiem na ratoeira da facilidade onde apenas vêem o óbvio. O trabalho que é feito na Assembleia, repito, o valor dos projectos apresentados, a defesa de uma linha de pensamento estratégico, as fugas do poder ao debate aos olhos de todos, o condicionamento no uso da palavra, tudo é esquecido ou menorizado e o que é trazido à superfície são as questões internas partidárias. Não deveria ser assim, mas é. Esquecem-se de um aspecto importante que pertence aos manuais da gestão dos recursos humanos, que nos dizem que onde existem pessoas existem conflitos de ideias, de valores, de convicções, de estilos e de padrões. E que isto não pode ser evitado sob pena de anular as ideias e a própria criatividade. Evitar pode significar gerar uma atmosfera falsa e sobretudo de insegurança. Portanto, só resta saber gerir os conflitos, transformando os desacordos em oportunidades visando a melhoria do desempenho.

domingo, 31 de agosto de 2008

FESTA DA LIBERDADE

Milhares de madeirenses estiveram na Fonte do Bispo. Dia de Sol, muita animação e divertimento. O habitual numa festa que constitui um ponto de encontro de muitos que discordam da orientação política de quem governa a Madeira. Na foto, o Ministro Augusto Santos Silva que, em nome do PS Nacional, esteve na Festa da Liberdade. Da sua intervenção, destaco: o PS "não quer criar um novo partido federalista porque Portugal é um único país, um estado unitário e a República é uma democracia" (...) "O que queremos para a Madeira é o que queremos para Portugal. Queremos que a Madeira inteira seja também terra de liberdade".
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domingo, 20 de julho de 2008

UNIVERSIDADE DE VERÃO DO PS

Sob o título genérico "Desenvolvimento Económico em Liberdade", o Partido Socialista - Madeira, inicia, hoje, um programa de indiscutível interesse, destinado a militantes e toda a população que se interessa em ouvir e debater questões da maior relevância no quadro da governação da Região. É o seguinte o programa:
DIA 20
A EUROPA E O DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO
09.30 H. - Deputado Europeu Dr. Manuel dos Santos e Dr. Emanuel Jardim Fernandes
UM NOVO MODELO DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO PARA A MADEIRA
14.30 H. - Deputado Dr. Carlos Pereira
DIA 26
A COMUNICAÇÃO SOCIAL NUMA SOCIEDADE ABERTA
09.30 H. Ministro dos Assuntos Parlamentares Doutor Augusto Santos Silva e Dr. Tolentino Nóbrega (jornalista do Público)
A IMPORTÂNCIA DO TURISMO NA RAM
14.30 H. Engº Nuno Jardim Fernandes e Dr. Bernardo Trindade, Secretário de Estado do Turismo.
DIA 27
A REFORMA DOS PARLAMENTOS E A QUALIDADE DA DEMOCRACIA
09.30 H. Dr. António José Seguro e Vítor Freitas.
O PLANO TECNOLÓGICO NA SOCIEDADE DE INFORMAÇÃO
14.30 H. Dr. Maurício Marques e Dr. Carlos Zorrinho

sábado, 14 de junho de 2008

AS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS DE 2009

Manuel Maria Carrilho, militante do Partido Socialista, escreve, hoje, um artigo de opinião, no Diário de Notícias de Lisboa, que constitui uma oportuna chamada de atenção para a Direcção Nacional do PS. Estou totalmente de acordo com o texto e, por isso, aqui deixo a parte mais significativa que não dispensa a leitura integral do artigo.
"É preciso ter mundo, ver longe e ouvir perto: o momentum será, nos próximos tempos, de quem compreender isto. E de quem, depois de o compreender, seja capaz de avançar na linha das suas consequências. É este, a meu ver, o caminho que nos poupará ao dilema entorpecedor que comprometerá os resultados alcançados e tornará ainda mais problemático o futuro do País. E são cinco os eixos fundamentais dessa via:
1) Assumir responsável e pedagogicamente os dados da actual crise, assim como a mudança de paradigma civilizacional - na energia, no crédito, no consumo, nos transportes, no turismo, etc. - que ela impõe com urgência;
2) Colocar Portugal na linha da frente do combate pela elaboração de um "plano europeu" capaz de responder à crise, e por uma União Europeia que avance no governo económico, na harmonização fiscal e na dinamização de um espaço público efectivamente comum;
3) Fazer do combate à pobreza, da luta contra as desigualdades e do reforço da classe média uma autêntica prioridade política na acção do Executivo;
4) Rever com realismo, à luz dos condicionalismos que se conhecem e dos que se antecipam, as chamadas "grandes obras", sejam elas rodoviárias ou ferroviárias, aeroportuárias ou comemorativas. Reorientar todo o investimento possível para a qualificação do território, das instituições e, sobretudo, das pessoas;
5) Organizar um "comité de peritos", com personalidades nacionais e internacionais, que acompanhe o ano 2008/2009, preparando desde já o programa a apresentar ao País para o período 2009/2013, tendo como horizonte a próxima década.
Este programa deveria ser debatido de forma regular e aberta, nuns renovados Estados Gerais que deveriam ser convocados a partir do próximo Outono. Os próximos tempos serão, sem dúvida, extraordinariamente difíceis e exigentes. Mas algo me diz, nesta época de palpites, que vai ser por aqui, com este tipo de inspiração, que se vai ganhar em 2009".

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A OPORTUNA REFLEXÃO DE MÁRIO SOARES

Segundo me apercebi terá causado algum mal estar, junto da Direcção do PS nacional (ainda bem), o artigo de opinião do fundador, Dr. Mário Soares. Entre outras passagens, sublinhar que há necessidade de uma "reflexão profunda às questões que nos afligem mais: a pobreza, as desigualdades sociais, o descontentamento das classes médias", constitui um toque inteligente na consciência governativa sobre aquelas que são preocupações determinantes que o Partido Socialista, situado na esquerda do espectro político, não pode nem deve adormecer. O PS tem princípios e valores a defender que o distinguem da direita. Governar à esquerda implica assumir um olhar marcadamente distintivo que não pode confundir-se com políticas do tipo "maria vai com as outras".
É evidente que, ao contrário do governo que antecedeu a equipa do Engº José Sócrates, são sensíveis várias medidas de protecção aos que vivem na pobreza e exclusão social. Desde os apoios criados na maternidade até ao outono da vida, não se pode ignorar alguma atenção que tem sido dada. Como socialista, porém, na esteira das preocupações de Mário Soares, sinto, todavia, que tais apoios são migalhas em função das reais necessidades do País. Neste pressuposto, eu quero um PS que, em circunstância alguma, se confunda com o centro-direita. E, bastas vezes, confunde-se e ultrapassa-o. Quero um governo PS que, embora condicionado pelas dinâmicas de Bruxelas, seja capaz de não resvalar nos interesses que a sábia e paciente direita neo-liberal europeia, despida de valores e de prioridades, matreiramente, impõe e que está a gerar desemprego por todo o lado, mão-de-obra barata, especulação e, cada vez mais, uma péssima distribuição da riqueza. Quero um PS, como disse Manuel Alegre, que não se situe num espaço "de ingenuidade, nem de piedosa boa-fé" perante o directório europeu. Eu quero um PS que não nivele por baixo, que não acabe com a classe média, que não arranje bodes expiatórios na classe trabalhadora, que tenha coragem de ir às fontes de riqueza, muitas delas apenas especulativas, e que dê, ao contrário de outros, sinais claros que há lugar à esperança em Portugal. Porque, como disse Soares "há mais vida para além do défice". Quero um PS de diálogo com os parceiros sociais, que respeite as dinâmicas sindicais, que não se apresente à mesa da negociação sob a fórmula de "isto ou nada". Quero um PS reformador mas com um sentido reformista que não atente contra a fragilidade das pessoas e das empresas em função do deus mercado. Quero um PS que não considere a Madeira, no plano político, um caso perdido.
A tradição, os princípios e valores do PS não são aqueles. Eu quero um PS que não mande para fora do País quadros que ousam levantar pertinentes questões de governação. Eu quero um PS de debate interno, que não reduza ao silêncio, por razões de poder, os seus militantes de qualidade e as forças vivas internas. Não quero um PS de metodologia governativa idêntica ao jardinismo, onde todos se curvam, ninguém tem valor político e onde tudo gira à volta de um só homem.
É esse PS de esquerda em liberdade, aberto, plural, dialogante, rigoroso, inovador e criativo, nos planos interno e externo, que olha para o desenvolvimento nas vertentes económica, social e cultural, que desejo para Portugal. Não quero um PS tipo terceira via, arrogante, que levanta o punho e mão fechada, olha para a esquerda mas que governa com os tiques da direita, simplesmente porque esse posicionamento não se coaduna com a sua matriz, não faz parte da minha natureza política e tampouco se filia nos princípios e valores que me guiam na vida.
Acredito que as vozes que se estão a levantar como as de Mário Soares, Manuel Alegre, Ferro Rodrigues, Medeiros Ferreira, Helena Roseta, Ana Benavente, Ana Gomes, João Cravinho, entre muitos outros que não se acomodam, mais cedo do que se possa pensar, recolocarão o PS no espaço político ideológico que lhe pertence e que corresponde à simpatia e ao desejo de mudança de milhões de portugueses.