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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

AGORA COMEÇO A PERCEBER O PORQUÊ DE TANTO INTERESSE DA DIREITA EM GOVERNAR


Preocupa-me saber, depois dos "cofres cheios", da tal almofada financeira que até o Presidente da República referiu, insistentemente, se o défice ficará nos 3% ou abaixo disso. "O governo da coligação PSD/CDS gastou em Novembro 278,3 milhões de euros da almofada financeira de 945,4 milhões de euros prevista no Orçamento do Estado de 2015, segundo o relatório da execução orçamental da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) que apoia o Parlamento. Com a redução de um terço do montante, a meta do défice está comprometida", Expresso. Querem ver que o culpado será o actual Primeiro-Ministro e os partidos que formam a maioria na Assembleia da República? Ou a culpa será, ainda, do Sócrates?


"Quando ao défice público, a UTAO estima que tenha ficado nos 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB), no fim de setembro, um valor acima da meta do anterior Governo para a totalidade do ano. Este é o valor central da estimativa da UTAO que aponta para um défice no intervalo entre 3,4% e 4% do PIB que, corrigido de medidas extraordinárias poderá reduzir-se para 3,5%. (...)" - Expresso.
Toda a notícia, aqui:
http://expresso.sapo.pt/economia/2015-12-04-Defice-em-risco.-Governo-gastou-em-novembro-um-terco-da-almofada-financeira-diz-a-UTAO
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

"AQUI SE FAZEM, AQUI SE PAGAM"


Provavelmente que não se trata de uma qualquer vingança, mas uma entre outras possíveis leituras da situação que resulta do último acto eleitoral. Já aqui salientei que se o problema se designa por ESTABILIDADE POLÍTICA ao longo dos próximos quatro anos, que me parece ser mais consistente uma plataforma de esquerda do que uma coligação, embora vencedora legítima, mas minoritária no Parlamento. Mas isso que resolva o Presidente da República. Está lá para isso, com o solene compromisso de não ser sectário e partidário, antes defensor dos interesses nacionais em nome de todo o povo português. Estou até convencido que o Presidente indigitará o Dr. Passos Coelho. Que o faça, mas também que assuma as suas responsabilidades face a um governo, sem base parlamentar de apoio, portanto, com prazo datado no invólucro. 


A questão que agora Passos Coelho/Paulo Portas colocam e dramatizam, de não quererem governar com o programa dos outros e, sobretudo, todo o chinfrim que têm feito na sequência das reuniões inter-partidárias, faz-me trazer à memória tudo quanto fizeram há quatro anos, aquando do chumbo do PEC IV e o manifesto desejo de irem ao "pote". As declarações feitas na altura estão disponíveis no youtube, daí que ache estranho que se sintam magoados. Em 2011 também havia um governo legitimamente eleito e nem consideração tiveram pela avassaladora crise, sublinho, gerada fora do país e que arrastou muitos para uma situação de enorme complexidade. A sofreguidão pelo poder falou mais alto. Agora estão a expiar os pecados políticos de ontem. Não acredito que seja por vingança, mas estão a sentir, lá isso estão, a total ausência de compreensão e de solidariedade manifestada em 2011. Caso para dizer: "aqui se fazem, aqui se pagam".
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 20 de setembro de 2015

A INCOMENSURÁVEL LATA DE PAULO PORTAS


Paulo Portas pediu hoje aos eleitores que votem na coligação PSD/CDS-PP visando um "Governo maioritário" e acusou o PS de ter um programa "ultraliberal" (...) "Nós somos social-democratas ou democratas-cristãos e, por isso, temos autoridade para dizer isso: é realmente um programa ultraliberal, que cabe numa folha de Excel, tem muito pouca sensibilidade social, afeta prioritariamente as pensões mais baixas". Exclamo: ao ponto que a falta de vergonha na cara chegou! Quem mais proporcionou apoios à protecção social dos portugueses e que, por isso, foi criticado, é agora apontado como "ultraliberal", como gente mais à direita da direita personificada pelo PSD/CDS, como "aventureiros e radicais", por exemplo, no que concerne à Segurança Social.


Paulo Portas, líder de um partido que, face à análise factual do seu comportamento político, há muito abandonou a democracia-cristã, deveria ler a opinião do Professor Diogo Freitas do Amaral, personagem que foi presidente fundador do CDS e único português Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas (1995-1996), relativamente a esta última legislatura liderada por Passos Coelho: "(...) Cortou salários e pensões, levou inúmeras empresas à falência ou a grandes despedimentos. Cortou no acesso à saúde e às prestações sociais. Aumentou muito mais do que o previsto o flagelo do desemprego. E, mesmo assim, não conseguiu atingir, em Maio de 2014, os principais objectivos iniciais do "Memorando"de 2011 -  nem na dívida pública, nem no défice orçamental, nem no crescimento económico, nem na descida do desemprego" (...) "exijo que o PS mantenha o código genético que lhe imprimiu Mário Soares: Democracia, Europa, Estado Social. Tudo numa linha moderada de progresso e nada numa linha radical de regresso ao Estado Liberal, hoje, infelizmente, protagonizada pelo PSD que não nasceu com essa vocação" (...) "justiça social em democracia e na Europa, hoje, só com o PS". - Revista VISÃO, 10 a 16 de Setembro de 2015, pág. 52.
Não vou aqui tecer mais comentários. Os leitores que concluam.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A MENTIRA E A ALDRABICE EM TEMPO DE CAMPANHA ELEITORAL


O que mais me custa em uma campanha eleitoral é ter de escutar a mentira oferecida em doses industriais de braço dado com a falta de vergonha na cara. É que já não se pode ouvir o senhor "irrevogável", Dr. Paulo Portas, falar de troika e de "bancarrota", como não consigo ouvir o Dr. Passos Coelho, todos os dias, passando culpas como se não tivesse sido primeiro-ministro entre 2011 e 2015. O Dr. António Costa tem razão quando diz que a troika só se irá embora quando estas duas personagens também forem. 


Sobre a troika, no sentido da sua contextualização histórica, socorro-me do jornalista do Expresso Nicolau Santos: "o pedido de ajuda aos credores internacionais começa com o chumbo do PEC 4, em 2011, com um conjunto de medidas "que poderiam evitar o pedido de resgate". O leitor que oiça o depoimento que aqui partilho do jornalista Nicolau Santos. Aqui: https://www.facebook.com/joaoandreescorcio/posts/10206178988848681
Mas há mais. O Engº José Sócrates recebeu um país com um défice de 6,83%, após dois governos PSD/CDS, numa altura em que não havia crise alguma nem problema algum na economia e nos mercados. Em 2008, quando terminou o seu primeiro mandato e se apresentou a eleições, o governo de José Sócrates tinha baixado o défice para 2,6% (2007 e 2008), sendo o primeiro em muitos anos a cumprir as regras da União.
A sensação que fico é que há ali, na Coligação, uma explicável fome de poder. O Dr. Passos Coelho já se esqueceu que foi o PSD que criou o famigerado "pagamento especial por conta" que estrangulou os pequenos e médios empresários; que foi a ex-líder social-democrata, que esteve na origem da ruinosa titularização das dívidas fiscais e contributivas ao Citigroup, e que a situação não foi pior tal ficou a dever-se à política de receitas extraordinárias. Isto para não ir mais longe, ao tempo do Professor Cavaco Silva (PSD), enquanto Primeiro-Ministro, (que hoje se arroga defensor do equilíbrio das contas) onde se verificaram os défices orçamentais mais elevados (em 1993, -8,9% do PIB). O Dr. Passos Coelho esquece-se que o défice inferior a 3% foi concretizado sem colocar em causa o apoio social que conheceu, a partir de 2005, um dos maiores e mais consistentes incrementos junto dos mais carenciados da sociedade. Lembro-me, por exemplo, da baixa no preço de 4.000 medicamentos que significou uma poupança para os portugueses de 726 milhões de euros; o Complemento Solidário para Idosos, instrumento poderoso para atenuar a pobreza, na altura, para 200.000 portugueses; o apoio pré-natal; o Salário Mínimo que cresceu 20% nos anos de liderança do PS; o Abono de Família, uma das prestações mais importantes que cresceu 25% no mesmo período. Tratou-se, aliás, do maior aumento de sempre conjugado com o 13º mês desta prestação social; a Acção Social Escolar, baseado nos escalões do abono de família, e que veio a beneficiar milhares de alunos e suas famílias; o apoio à parentalidade, onde a licença passou de cinco para dez dias de licença, acrescido de mais um mês caso o pai ficasse com a criança; a reforma da segurança social permitindo safar o País que se encontrava no abismo para uma situação de garantia de futuro.
Mais, ainda: o PSD esquece-se da conjuntura internacional, essa crise fabricada externamente, que arrastou todo o Mundo, uns países mais do que outros, para uma situação deveras complexa, com os défices a crescerem e a estrangularem as contas públicas. Parece que os olhos continuam sedentos de poder, pelo que não deixam ver que a Espanha chegou, no período anterior à crise, a ter um superavit e logo a seguir à crise, chegou aos 11,4% de défice; a Inglaterra aos 12%, França aos 7,7% e por aí fora. Perante isto, falem e debatam as propostas para o futuro e deixem a mentira e a aldrabice.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 13 de setembro de 2015

HÁ MULHERES E HOMENS DE ENORME QUALIDADE NA POLÍTICA. O DEVER DO CIDADÃO É ESCOLHÊ-LOS.


Vive-se um tempo de descrença política. Há uma certa fúria contra os políticos. Há razões para tal, face às atitudes, às mentiras, às aldrabices várias, aos discursos falsos, às promessas não cumpridas, aos casos de Justiça, às obras megalómanas e não prioritárias, aos assaltos à carteira da maioria dos portugueses, enfim, há razões para que todos nos sintamos de pé atrás, quando nos contam, apenas, metade da história. Ainda ontem quando Passos Coelho e Paulo Portas, de visita a um mercado, foram vaiados e confrontados com os lesados do BES e, segundo escutei, por professores, tal aconteceu e, certamente, voltará a acontecer ao longo da campanha, é porque o discurso da mentira foi dominante nestes quatro últimos anos. As pessoas revoltam-se porque exigem decência e transparência no relacionamento e porque se sentem defraudadas nas suas expectativas, por mínimas que sejam. Aos lesados da fraude chamada BES, Passos Coelho acabou por arengar que "se não têm dinheiro para ir lá [tribunal] eu organizarei uma subscrição pública para os ajudar a recorrer ao tribunal". Uma declaração que poderá vir a incendiar ainda mais as relações que são tensas. Porque o que lhe compete não é, depois de ter dito que o BES era uma instituição segura, falar de peditórios, mas exercer a influência política necessária para que o problema tenha uma solução em tempo aceitável. Ao contrário de apaziguar, julgo que incendiou. Basta de peditórios, tantos que seriam necessários. Exigem-se políticas sérias e honestas. É para isso que os actos eleitorais servem.


E, depois, como se aquela posição de Passos Coelho não bastasse, Paulo Portas, "o irrevogável", veio sublinhar que eles (oposição) são assim, que há pessoas a mando de alguns partidos que aparecem para gerar a confusão. Ainda pior, como se o essencial dos problemas apresentados se resolvessem com tiradas daquelas. E o "irrevogável" senhor, mentindo, foi mais longe: "(...) quem chamou estrangeiros, lhes deu poder e autoridade para influenciar as políticas em Portugal foi quem levou o país à bancarrota e chama-se Partido Socialista". Esquece-se que chumbou o PEC IV, esquece-se da crise internacional gerada fora do País e que se tornou avassaladora em toda a Europa, esqueceu-se das suas declarações sobre o "sisma grisalho" relativamente às agressões aos reformados e pensionistas: "(...) Num país em que grande parte da pobreza está nos mais velhos e em que há avós a ajudar os filhos e a cuidar dos netos, o primeiro-ministro sabe e creio que é a fronteira que não posso deixar passar" (...) "Não quero que em Portugal se verifique uma espécie de cisma grisalho, que afectaria mais de três milhões de pensionistas, uns da Segurança Social, outros da Caixa Geral de Aposentações". A verdade é que a fronteira foi ultrapassada, Aceitou o rebuçado de vice-primeiro-ministro e todos conhecemos a história daí para a frente. São, portanto, espécies com a mesma plumagem. Se um diz mata o outro manda esfolar.
Embora assim seja, o que conduz a população à descrença e à tal fúria contra os políticos, considero um erro colocar todos os políticos no mesmo saco. Não são todos iguais. Há Homens e Mulheres na política de um valor extraordinário. Depois, toda a nossa vida depende das boas ou más políticas. Daí que as estruturas políticas sejam importantes. Não as podemos secundarizar. É por isso que, agora, somos chamados a julgar os actores e as políticas dos últimos quatro anos e a eleger os actores e as políticas que se nos afigurem como as eventualmente melhores para os próximos quatro anos. 
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

MENTEM, DESCARADAMENTE, ALDRABAM COM AS PALAVRAS CERTAS, MAS SEMPRE COM UM SORRISO NOS LÁBIOS.


Pontal, a dita "festa" de uma coisa sobre a qual nada há para festejar. Alguém pode ou deve festejar o desemprego, a precariedade, a pobreza, a emigração, a ausência de esperança nos jovens? No Pontal não falaram da realidade do país, antes, com muito descaramento, falaram de um país que apenas existe nas suas mentes. Passos Coelho pediu um voto de "confiança" e que todos decidam "com a cabeça e com o coração" pois, sublinhou, "(...) governamos a pensar nos portugueses". E Paulo Portas, intruso em um comício laranja, mandando, assim, a democracia cristã às malvas, teve a lata de pedir que António Costa não dividisse o País. Isto é, a coligação pode vender o seu peixe, mentindo e aldrabando, os outros devem abster-se de qualquer sinal de novo projecto! Devem manter-se calados porque só há uma verdade. Espantoso!

Aquele bracinho do PP a querer agarrar as laranjas!

"Governámos a pensar nos portugueses". Poderia ter dito, "governámos a pensar nos portugueses", mas não, destacou a palavra: . E esta palavra, politicamente, tem muito significado. É a consciência a ditar que a população sabe, pela vivência de todos os actos, que não foi assim. Qualquer pessoa entende que este foi um governo rendido aos interesses do grande capital e subserviente a uma Alemanha trituradora. E qualquer pessoa percebe que foi esta coligação que roubou direitos sociais, atentou contra o equilíbrio entre gerações jogando umas contra as outras, espoliou os aposentados rasgando contratos rubricados entre as partes, aplicou uma vergonhosa política fiscal que destruiu a designada classe média, tornou os ricos ainda mais ricos e os pobres mais pobres. E quando isto e muito mais aconteceu, obviamente que ele, Passos Coelho, sabe que não governou a pensar nos portugueses. Daí a necessidade da palavra só para mascarar a realidade! E tanto assim é que a dívida em percentagem do PIB cresceu e já anda pelos 130% e a verdadeira taxa de desemprego é superior aos 20% (há um estudo de Eugénio Rosa que situa o desemprego entre os 23,8% (desemprego oficial + inactivos disponíveis) e 28,6% (desemprego oficial + inactivos disponíveis + sub-emprego tempo parcial). Isto é, 509.000 desempregados não são considerados no desemprego oficial. É o país do sucesso que vendem em contraponto aos pedidos de ajuda junto das instituições de solidariedade social.
Comparável só a mentira vendida antes de Abril de 74. Hoje, em tempo que designam democrático (!), a mentira é refinada, ignora os contextos, passa uma esponja sobre a desgraça social, transporta o sorriso, mas também a ameaça do tipo não queiram voltar ao passado! Mas qual passado, questiono. Eu falo do presente e do presente envenenado vendido em 2011. Falo perante dados concretos de uma sociedade que se esvai; falo de política e não de politiquice; falo de indicadores económicos, financeiros, sociais e culturais; falo de milhões que viram coarctados os seus direitos à saúde e à educação; falo de privatizações que nunca deveriam ter acontecido; falo do roubo na banca e do que estamos a pagar e falo da grosseira mentira de que o país, ao contrário de ontem, "tem os cofres cheios". Tenham vergonha, porque em uma democracia que fizesse jus ao seu significado, nem 10% teriam nas próximas eleições. São tantos os partidos em quem votar! 
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

DO PROGRAMA DO PSD/CDS: CRECHES "NON STOP"


Sobre o Programa da Coligação PSD/CDS, anteontem apresentado, li no jornal I: "PSD e CDS querem creches abertas de madrugada e escolas com autonomia para marcar menos férias". Por aqui, o secretário regional considera antipedagógicas as turmas com menos de 15 alunos tal como o ensino misto e, por isso, quer trabalhar no sentido de acabar progressivamente com estas realidades(!). A pergunta que coloco é esta: saberá esta gentinha o que anda a dizer e a fazer? Do meu ponto de vista, não sabem. 


Creches abertas de madrugada quase significa assumir o internato desde bebés e significa um absurdo corte com a vida e a vivência familiar. Complementarmente, a liberdade dos estabelecimentos de ensino para que se mantenham mais tempo abertos, portanto, com menos férias ou pausas lectivas, significa a escola tornar-se em um armazém de jovens. E tudo isto porquê? Porque Passos Coelho e Paulo Portas não pretendem resolver a questão central e básica que é a da organização estrutural da própria sociedade. Demonstram, por isso, defender a escravização laboral, os baixos salários e a desestruturação familiar. Como se mais horas de trabalho significasse melhor trabalho e maior produção. São políticos incapazes de irem à causa dos problemas, antes preferem a política do penso rápido oferecendo a resposta certa para o problema errado. Relembro, uma vez mais, as palavras do Frei Fernando Ventura, numa entrevista à SIC, sobre esta estrutura de sociedade: “(…) estamos a pagar facturas altíssimas (…) estamos a criar gerações de “monstros”. Estamos a criar gerações de jovens sem memória. Estamos a criar gerações de pessoas sem história. E quando a memória e a história não se encontram, nós temos os cataclismos sociais. As nossas crianças desde os três meses estão nos berçários, nos infantários, porque têm de estar porque os pais precisam, desesperadamente, de ter dois e três empregos para sobreviverem (…) a história dos novos e dos velhos não se encontra, as crianças não têm voz, as crianças não têm sequer pais, porque têm de trabalhar “25 horas por dia” se for preciso. (…) É esta estrutura por dentro que precisa de mudar (…)”. Mas Passos e Portas pouco se ralam com estas questões fundamentais na construção do futuro. Importante é o blá, blá, a promessa fácil, interessa é enganar, falsear a verdade, assumir o disparate com convicção e algum sorriso cínico. Paradoxalmente, saliento, dizem querer implementar medidas visando a defesa da natalidade, mas logo a seguir prometem criar condições para que as crianças fiquem à guarda das instituições. Que pobres cabeças que nem descobrem as contradições do seu próprio discurso político.
E pela Madeira, questiono, onde é que o secretário regional da Educação leu, segundo o DN-Madeira, que é "antipedagógica" a existência de turmas com menos de 15 alunos? Onde é que foi descobrir que a existência de turmas mistas são prejudiciais na aprendizagem? Deve explicar se esta posição corresponde ao seu pensamento, que vale o que vale, e sobretudo tem o dever de explicar, no plano científico (não no plano político) tais posições, se elas abrangem todas as idades, todos os ciclos ou apenas a especificidade de algumas disciplinas no quadro do actual "modelo" organizacional. "Modelo", saliento eu, absolutamente ultrapassado. No plano pessoal tenho muito interesse em perceber.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

POLITICAMENTE REPUGNANTE


Não encontro outra expressão para caracterizar as declarações de Passos Coelho: politicamente repugnante. Ele e Paulo Portas são livres de fazerem a campanha que entendam, de dizerem, inclusive, todas as ardilosas mentiras, mas não se livram de uma catalogação de políticos repugnantes. Passos Coelho disse: “(...) Estamos hoje a lutar mais por Abril e pela liberdade do que tantos outros (...) Nestes quatro anos fomos nós a defender o estado social (...)". Que o digam os milhares de portugueses desempregados e sem subsídio de desemprego, que o digam os quase três milhões de pobres, que o digam as instituições de solidariedade social, que o digam os jovens e as centenas de milhar que tiveram de emigrar, que o digam os familiares dos que suicidaram, que o digam os médicos face às doenças do foro psiquiátrico e que o digam, entre tantas outras, as pessoas que requereram a insolvência. São, repito, declarações politicamente repugnantes.


Ele demonstra que não sabe nada de História. Tinha 10 anos, era um imberbe quando se deu Abril e ninguém lhe terá explicado o que foram os 48 anteriores, as prisões, as torturas e as lutas pelos direitos sociais. Não lhe explicaram e parece-me que a vida não lhe ensinou que a dignidade das pessoas não tem preço. Ele que deu "passos" na destruição do estado social, cortando direitos, ele que com as suas políticas espoliou reformados e pensionistas, agravou a vida dos portugueses com taxas, sobretaxas e com uma sufocante carga fiscal, tem a lata de se assumir como um homem de Abril, da liberdade e do estado social. Politicamente repugnante. 
Deixo aqui 2' 41" de uma declaração de Raquel Varela (Dezembro de 2014) sobre este "homem sem qualidade" que governa Portugal.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

OS TRÊS DA VIDA AIRADA


A realidade de que nos falam Cavaco Silva, Passos Coelho e Paulo Portas, nas suas pregações e "conversas em família", não cola com a vida concreta da esmagadora maioria dos portugueses. Sustenta-se em ardilosos argumentos, em meias- verdades ou mentiras exaustivamente repetidas, na exploração de medos decorrentes dos complicados problemas que nos afligem no plano nacional e europeu, na tortura de números para que digam o que eles pretendem. Esta "realidade" vai pairando sobre a sociedade e pode impregnar-se e atrofiar-nos o futuro. Algumas almas rendidas às "novidades" do neoliberalismo e os paladinos da ordem das velhas sociedades clamam que a "realidade é de direita", concluindo que não há alternativas porque é moderno sujeitarmo-nos a humilhações, ao acentuar das desigualdades, ao estilhaçar da democracia.


Aquelas três personagens, que nos últimos quatro anos articuladamente nos desgovernaram, tudo fazem para que os portugueses se submetam às instituições, aos tratados, às práticas políticas da União Europeia, quando está hoje sobejamente demonstrado que os dogmas e valores por que se regem estão à margem da vontade dos povos europeus, povos livres e iguais entre si, empenhados em construir sociedades solidárias com desenvolvimento humano e paz. A realidade que nos conduz ao futuro - sempre uma construção humana - é a que emana dos anseios das pessoas, da sua ação individual e coletiva, não aquilo que nos querem impor a partir do que cabe naqueles espartilhos.
A vida dos portugueses nestes últimos anos foi marcada por muito sofrimento injusto, por perda de esperança e de confiança, por sentimentos de impotência face à avalancha de "políticas inevitáveis". O país está a perder população e a desestruturar-se, a destruir capacidades para o seu desenvolvimento.
O caminho para dar a volta a este estado de coisas passa por não nos submetermos "à realidade" inventada por estes governantes, por tomarmos o desafio de exigir verdade e agir com dignidade. O que aquele trio da vida airada gerou, como ainda esta semana a CGTP-IN denunciou, em consonância com outros estudos sérios, foi o agravamento das desigualdades na repartição do rendimento - tendo a riqueza relativa a ordenados e salários passado de 36,1% em 2011 para 34,5% em 2014, enquanto os lucros, que já tinham um peso maior no PIB, passaram de 41,6% para 43,3% -; muitas mais horas trabalhadas por ano pelos mesmos salários; um sistema tributário ainda mais injusto; mais pobreza e menos recursos para quem é pobre; depauperação das funções sociais do Estado, com profundas implicações para a coesão social e o desenvolvimento do país.
A "estabilidade política" reclamada pelo presidente da República (PR) e pelos partidos do Governo não é mais do que um convite aos portugueses para aceitarem a inevitabilidade daquelas políticas desastrosas e se distanciarem do acompanhamento crítico da vida política, da intervenção pública que põe a nu as destruições causadas e obriga a mudanças de rumo.
Com a crise, veio ao de cima a frágil formação democrática do PR, a sua perspetiva económica que nega a economia política e expressões de compromisso com gente que vive de promiscuidades. Isso articulou-se em pleno com os objetivos do grande poder económico e financeiro internacional e nacional, de que Passos é o governante de serviço, e com a agenda social retrógrada dos setores mais conservadores e reacionários, de que Portas e outros ministros são eficazes executantes.
A Cavaco Silva só preocupa que o poder seja exercido por forças que garantam a subjugação. Perante tantos desafios com que nos deparamos é incapaz de apelar aos portugueses para fazerem do próximo ato eleitoral um tempo de debate sobre os seus problemas, as suas causas e as formas de os resolver; nem um apelo para que se mobilizem e participem ativamente nas eleições. Ele pré-define políticas e governantes e convida os portugueses a sancionar as suas escolhas.
Para travar a exploração, para recuperarmos soberania e democracia, é preciso desconstruir este trio e derrotar as políticas que se propõe prosseguir.
*Artigo Professor Universitário Manuel Carvalho da Silva, publicado no Jornal de Notícias.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

PASSOS COELHO MENTIU, MENTE E ESPECIALIZOU-SE NA POLÍTICA DO MEDO


Ao contrário do que Passos Coelho afirmou numa recente entrevista, ele sabia muito bem ao que vinha quando, em 2011, se candidatou a Primeiro-Ministro. Não passa pela cabeça de ninguém que não conhecesse a situação de crise económica e financeira, despoletada externamente, com gravosas consequências em muitos países, particularmente junto dos mais frágeis. Quem se candidata ao governo de um país, obvia e obrigatoriamente que transporta o domínio de muitos dossiês internos e externos. Só um imbecil é que se atreve a tal responsabilidade sem qualquer estudo que sustente o rumo a seguir. Ora, Passos Coelho disse o que disse em tempo de campanha eleitoral de 2011, chumbou o PEC IV acordado em Berlim (ao tempo, uma boa solução, semelhante à espanhola), foi um dos responsáveis pela presença da troika e tudo fez para que uma crise política acontecesse em Portugal. Portanto, ele sempre esteve consciente da “obrigação” de mentir aos eleitores para ganhar o poder. Mentiu, prometendo mundos e fundos, aldrabou a consciência colectiva e fez, durante estes quatro anos, exctamente o contrário das promessas eleitorais. Agora, arma-se em anjinho com o discurso que, em consciência, só lhe restava seguir o caminho que todos conhecemos. Isto só tem uma designação: cretina aldrabice política.


Ele sabia que se transmitisse a sua verdade não teria quaisquer hipóteses de ganhar o poder. Ele sabia que, para servir os desígnios do grande capital e construir o seu futuro político em outras instâncias, teria de mentir. Mas, pior, ainda. Chega a 2015 com um país derrotado como provam os indicadores económicos, financeiros, sociais e culturais, onde campeia a precariedade laboral, desemprego, pobreza e falência dos sistemas de saúde e de educação. Passos Coelho serviu quem não deveria ter servido, foi um aluno perversamente brilhante em obediência ao senhor Wolfgang Schaeuble, estendeu-se, ao jeito de uma passadeira vermelha, para que outros passeassem por cima, nada se ralando que ao lhe pisarem eram dez milhões que estavam a sofrer. E fez tudo certinho com o amém do Presidente da República e com o aplauso da direita europeia que se está nas tintas para a solidariedade entre os povos e a irmandade entre as nações. As suas recentes posições sobre a Grécia explicam muita coisa.
Em 2011 Passos Coelho mentiu. Em 2015 joga com a palavra MEDO, acenando, sistematicamente, com o discurso assente na ideia de, cuidado, não queiram regressar ao passado, olhem para o futuro! Pergunto: mas qual futuro com esta gente quando retiraram a esperança à juventude, quando esmifraram os aposentados, quando tornaram a vida difícil para a maioria dos portugueses através da carga fiscal, quando rebentaram com o sistema nacional de saúde, quando deixaram a educação em polvorosa, quando vêm com a treta de mais seiscentos milhões de austeridade em 2016, quando os direitos sociais são sucessivamente roubados e quando crescem as fortunas na mesma proporção que se multiplicam os novos pobres. Chega de aldrabice. Chega de vir agora falar de uma guerra sem quartel à pobreza e à exclusão social. Chega de discursos mentirosos e hipócritas que apontam para o sucesso, quando é facilmente demonstrável que, hoje, estamos piores do que estávamos, de nada tendo servido a penosa austeridade. O povo quer novas políticas, o povo precisa de gente politicamente honesta, que sirva e que não se sirva, o nosso país precisa de políticos que vivam, sintam e se interroguem sobre os dramas do povo que servem. Nós precisamos de políticos de coragem, que não se verguem aos ditames de uma teia europeia que caminha para o abismo. Neste contexto, Passos Coelho, Paulo Portas e outros que tais devem sair de cena, simplesmente porque o trabalhinho sujo está feito. Alguém tem de corrigir este azimute com verdade. Não com a verdade conveniente! Quanto antes.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 23 de junho de 2015

OS "MITOS URBANOS" DE PASSOS COELHO. SE MIGUEL ALBUQUERQUE O APOIA É PORQUE É IGUALZINHO!


Aproximando-se as eleições legislativas nacionais, o Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho tem vindo a evidenciar um grande interesse em falar de "mitos urbanos", no essencial, na tentativa de apagar declarações porque, segundo ele, nunca as disse ou foram mal interpretadas. Vou deixar aqui uma série delas, deixando à consideração do leitor aquilo que para ele são "mitos urbanos".


"(...) acho que o Estado deve dar o exemplo. Nós não devemos aumentar os impostos (...) o orçamento apresentado na Assembleia na República este ano (2010), de alguma maneira vai buscar a quem não pode fugir que são os funcionários públicos e portanto precisamos de um governo não socialista em Portugal (...) não faz sentido andar a pedir às pessoas, às famílias portuguesas para pagarem mais a crise (...) na prática estão a preparar-se (anterior governo) para aumentar a carga fiscal. Como? Reduzindo as deduções que podemos fazer em sede de IRS (...) significa sempre o mesmo esforço de tratar os portugueses à bruta (...) os sacrifícios não têm sido distribuídos com justiça e equidade (...) não contarão (comigo) com mais ataques à classe média em nome dos problemas externos (...) nós não olhamos para as classes de rendimento a partir dos mil euros dizendo aqui estão os ricos de Portugal que paguem a crise (...) nós hoje obrigamos as pessoas a pagarem com aquilo que não têm (...) há uma condição: é a de não trazer novo aumento de impostos, nem directos nem encapotados (...) acusava-nos o partido socialista de querermos liberalizar os despedimentos. Que lata! (...) relativamente a medicamentos que tinham até hoje uma comparticipação de 100%, porque correspondem a doenças graves, que atingem muitas vezes pessoas que não têm condições para comprar esses medicamentos, para esses baixam-se as comparticipações, para esses não há dinheiro para o Estado apoiar (...) para que o caminho que têm pela frente não seja ainda de mais impostos, mais desemprego e mais falências de empresas (...) não dizemos hoje uma coisa e amanhã outra (...) não basta a austeridade (...) não se pode cortar cegamente (...) as medidas agora anunciadas traduzem uma incompreensível insistência no erro, porque se volta a lançar exigências adicionais sobre aqueles que sempre são sacrificados, porque se atacam alicerces básicos do estado social (...) se eu fosse primeiro-ministro não estávamos hoje com as calças na mão, a pedir e a impor um plano de austeridade (...) o que o país precisa para superar esta situação de dificuldade não é de mais austeridade (...) o IVA, já ontem o referi, não é para subir (...) temos hoje pessoas que deixaram de ter subsídio de desemprego (...) eu não quero ser primeiro-ministro para dar empregos ao PSD e para proteger os que são mais ricos em Portugal" (...) "(...) Estar desempregado não pode ser um sinal negativo (...) Já alguém se lembrou de perguntar aos 900 mil desempregados de que lhes serviu até hoje a Constituição?".  E muitos mais "mitos urbanos" podia aqui adiantar. Bastam estes.
O interessante disto é que um outro "mito urbano" desponta. Ainda hoje li que o presidente do governo da Madeira, Dr. Miguel Albuquerque, foi à Ponta do Sol apoiar Passos Coelho porque ninguém deve "arriscar" uma mudança de governo na República. Diz a sabedoria mais ou menos isto: diz-me com quem andas e eu te direi quem és. No plano político, só pode ser igual, embora a matreirice política seja outra. São muitos anos "a virar frangos"!
Só falta agora que Paulo Portas venha também falar de "mitos urbanos". Ele que escreveu, entre 1988/1995, enquanto jornalista do "Independente": "As cabeças da maioria passam a fronteira do absurdo sem pestanejar". (...) Contra a ditadura fiscal... "desobedecer, desobedecer, desobedecer". (...) "O Estado decreta, arbitra, taxa, cobra e recebe com a facilidade com que um ladrão perfeito entra em casa de pessoas decentes". Nos dias que correm não há "ladrão" mais perfeito que o "governo". Portas aceitava que a classe média fugisse aos impostos, de acordo com o bom e velho princípio que "ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão". "Os portugueses comovem-se com pouco e deixam-se enganar depressa e bem". (...) "As contas não falham por magia. (...) Falham porque as decisões de política estavam erradas" (...) "Quem promete números tem de os cumprir. Quem promete algarismos tem de ser exacto. Quem faz a política do rigor não pode desconversar" (...) "tão pouco é bonito vir dizer que, se não chegar agora à meta anunciada, logo se verá, no outro ano ou no ano que virá depois". "O pior socialismo que existe é a social-democracia" e os "impostos estão para a social-democracia como a bola está para o futebol". É esta figura que hoje é Vice-Primeiro-Ministro de Portugal. Outro com muitos anos a "virar frangos" nas feiras por  onde passou!
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 21 de junho de 2015

SONDAGENS


A recente sondagem da Católica que atribui à Coligação PSD/CDS 38% e 37% ao Partido Socialista fez-me lembrar as sondagens no Reino Unido, que atribuía uma vitória à esquerda, mesmo que escassa, e acabou por se traduzir numa folgadíssima vitória da direita de David Cameron. Para além de uma significativa percentagem de indecisos, presumo que os eleitores devem andar a gozar com as empresas de sondagem. É uma convicção, falível, obviamente, mas que assenta no pressuposto que não existe uma ligação de proximidade entre quem vergasta e a vítima dos golpes duros e sem piedade. 


Ainda hoje li um interessante artigo de opinião da jornalista do Público Ana Cristina Pereira, publicado no DN-Madeira, que salienta: "Ouvi pela rádio o debate quinzenal na Assembleia da República. Ia a conduzir como tantas vezes acontece àquela hora e ia tendo um acidente quando ouvi o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, dizer: “As pessoas de rendimentos mais baixos não foram afectadas por cortes nenhuns.” Quem tanto escreve sobre direitos humanos e exclusão social não podia deixar de pensar logo nos cortes no abono de família, nos subsídios de desemprego, no rendimento social de inserção (RSI), no complemento solidário para idosos. E nos cortes na saúde e na educação, inclusive em apoios concretos como a acção social escolar ou a comparticipação de medicamentos. O RSI mostra bem o que aconteceu aos mais pobres dos mais pobres. (...)". 
Na mouche! Embora, a agressão não tivesse ficado por aí. Tudo em nome de uma severa austeridade com a promessa de um país com futuro. Dizem a generalidade dos indicadores que não estamos melhores e afirmam, também, os que dedicam a sua vida à solidariedade, que não têm mãos a medir para chegar a todas as carências sentidas. Tudo apesar das privatizações em catadupa e do "brutal aumento de impostos". Perante isto, questiona-se, será possível que os resultados sejam aqueles? Duvido. E isto nada tem a ver com a minha posição partidária. Tem a ver, fundamentalmente, com a realidade. Um povo sujeito a uma austeridade tão violenta e à falsidade das promessas eleitorais em 2011, aos dois partidos, nem aos 10% deveriam chegar. Mas sondagens não são para desvalorizar. Daqui por três meses se saberá a verdade.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

A CAMPANHA DO MEDO


Não há intervenção política dos vários membros do governo que não esteja envolvida no síndrome do medo: prestem atenção, não queiram voltar a 2011, lembrem-se do que o anterior governo fez, cuidado porque pode estar de volta um novo resgate, reparem que eles prometem uma coisa e fazem outra, enfim, todos os dias somos confrontados com uma insuportável lengalenga. Como se o regime democrático não despoletasse alternativas e todos nós, portugueses, estivéssemos satisfeitos com a produção política dos últimos quatro anos. Se Passos Coelho, Paulo Portas e outros vivessem em Hollywood provavelmente conseguiriam o "óscar" de melhores actores!


O medo anda aí. A intoxicação é permanente no sentido de coarctar a livre leitura das situações políticas. Há uma clara e deliberada intenção de suave empobrecimento ao mesmo tempo que garantem que, amanhã, o desemprego será residual, a pobreza esbatida e que a felicidade fará parte das nossas vidas. A engrenagem é perfeita e a desmontagem da máquina de propaganda extremamente complexa. Ainda hoje, a edição do Jornal de Notícias adianta que "(...) cada português aufere 79% do rendimento médio dos europeus". Mas quantos sabem disto? Todavia, temos, cada vez mais, uma impiedosa e sufocante carga fiscal, impeditiva do crescimento das pequenas e médias empresas e, por essa via, bloqueadora das altas taxas de desemprego. Mas não é tudo. Despudoradamente, retiram direitos sociais, bloqueiam carreiras profissionais, mantêm a obcecada atitude de servilismo perante os gulosos mercados, como se alternativa não existisse a este estado que comprime e onde não há lugar à esperança. É sempre a mesma treta: amanhã, sim! Mais ou menos a história do dístico na taberna: "amanhã fia-se, hoje não". Daí a instigação do medo, a lembrança, o estado a que chegámos cuja culpa é sempre dos outros. Quem por esses caminhos anda, parece-me óbvio que a muitos não convence. Pelo contrário, fazem despoletar outras lembranças, outras promessas, outras compaginações sobre a luta acontecida contra o PEC IV, o desejo de saltarem para o poder a qualquer preço, para hoje aqui chegarmos piores do que então estávamos, apesar de todos os sacrifícios. Intencionalmente, não falam da fabricada crise internacional, do crescimento que então tínhamos e do défice abaixo dos 3%, mas são céleres a dizer que foi o anterior governo que chamou a "troika" ao mesmo tempo que ignoram todos os actuais e péssimos indicadores económicos e sociais. Medo e baixa política é o que se passa debaixo dos nossos olhos de cidadãos espectadores e indefesos.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

PODEM CONTINUAR JUNTOS PORQUE A FARINHA É A MESMA


O capitão de Abril, Vasco Lourenço tem carradas de razão: se estão satisfeitos "com a porcaria que têm feito" devem continuar juntos. Aos olhos do povo português esta é a realidade, bastando para tal ter presente todos os indicadores do país que éramos e do país que somos. Aliás, retenho nos ouvidos tudo quanto Passos Coelho disse e prometeu durante a campanha eleitoral de 2011 e tudo o que concretizou após a sua eleição. Não melhorámos, não gerámos riqueza, não nos tornámos mais competitivos, não esbatemos a pobreza, não criámos mais emprego, não melhorámos a dívida face ao produto e não abrandámos os números da emigração. Piorámos nos direitos sociais, roubaram-nos nos salários e pensões e piorámos no acesso à saúde e à educação. Esta a realidade factual.


Aliás, governo que depois de quatro anos ainda continua a olhar para o passado, para o anterior governo, que não fala da crise internacional a partir de 2008 que varreu a Europa, que não assume os seus erros, que não demonstra qualquer pingo de solidariedade por aqueles que mais sofreram com as suas políticas, pergunto, se é merecedor de uma qualquer confiança? Governo que não demonstra capacidade para perceber os erros dos directórios europeus e que apenas se limita a curvar-se às lógicas liberais de uma Europa conspurcada por interesses, pergunto, se é merecedor de uma qualquer confiança? Governo que roubou nos salários e nas pensões, reduziu direitos sociais, forçou a emigração, penalizou empresas, carregou no IVA, no IMI, no IRS, colocou os sistemas de educação e de saúde na penúria, pergunto se é merecedor de uma qualquer confiança? Governo que não tutelou como devia alguns sistemas, inclusive, o bancário, pergunto se deve ser merecedor de confiança? 
Este casamento de interesses assenta em uma premissa, exactamente a que deriva da leitura que ambos dominam a "porcaria que têm feito". Isoladamente, pressuponho, os resultados seriam desastrosos, talvez piores que os das eleições europeias. Trata-se, apenas, de um pressentimento. E vai daí uma coligação, que não deixa de ser legítima, mas que tem um óbvia e  concreta leitura política. Vasco Pulido Valente escreveu que "(...) os portugueses, coitados, quanto mais pobres ficam, mais querem dar ares de grandes senhores". Será que vão, nas urnas, perceber a marosca destes senhores?
Ilustração: Google Imagens.  

sábado, 18 de abril de 2015

GOVERNO SEM VERGONHA NA CARA


É o descaramento total. O governo pretende ir, novamente, à carteira dos pensionistas para “roubar”, em 2016, seiscentos milhões de euros. Há aqui uma atitude gangster, um esbulho próprio de uma cambada de políticos malfeitores. Foi a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), são, ainda, as taxas e sobretaxas, o aperto nos escalões do IRS, o aumento das contribuições para os sistemas de saúde, o IVA, o pavoroso e inexplicável IMI, onde se paga, escandalosamente, para viver numa casa que não pertence ao Estado, é o facto de há vários anos as pensões estarem congeladas, o que significa perda de poder compra, é a água, a energia, as comunicações, é a substancial redução dos direitos sociais, é a situação de pensionistas a aguentarem a vida dos filhos desempregados e, como se isto não bastasse, querem dar mais um golpe, uma cacetada, rasgando e mandando para o lixo contratos, baseados na Lei, assumidos de boa-fé, presumia-se, com os trabalhadores. Os que cumpriram, sem piar, quarenta e mais anos de descontos, concluem, uma vez mais, que o Estado português não é pessoa de bem. É rasca! 

Condenam o BES e todos os outros banqueiros que geraram situações imperdoáveis, mas, afinal, comportam-se de forma idêntica. Uns foram literalmente enganados com a história do papel comercial com retribuição garantida, diziam; no caso dos pensionistas fazem tábua rasa dos contratos assumidos. Só o nome do “papel” é que muda porque os comportamentos são semelhantes.
Vivemos num Estado ladrão, armado até aos dentes, perante um povo indefeso. Um Estado que debita sem a nossa expressa autorização. Gentalha que não governa para o povo, mas para a cadeia de interesses faminta de dinheiro fresco. Quem governa não actua nas causas, junto dessa cáfila de especuladores do “deus mercado”; quem governa não mostra os dentes a essa Europa de vários discursos que, subtilmente, transfere com uma mão e esfola com a outra; quem governa apenas segue a liturgia do dinheiro, da ganância de uns à custa da pobreza de milhões. Não falam em melhorar as condições de vida das pessoas, mas na redução do preço do trabalho. Espantoso. 
Talvez para alimentarem os “cofres cheios” (que ridículo), segundo a expressão da Ministra das Finanças. Não é de estranhar, por isso, que os pobres estejam cada vez mais pobres e a fugirem do país (os que podem), ao mesmo tempo que crescem as fortunas, muitas, mal explicadas. A classe média, essa, dia-a-dia está a ser dizimada em nome dos “mercados”. É tempo de acabar com esta pouca-vergonha, com a mentira, com a verdade conveniente atrelada à ameaça, por parte de partidos que são, apenas, correias de transmissão de outros execráveis poderes. A falta de vergonha é tal que nem recuam sabendo da óbvia inconstitucionalidade das propostas. E o Presidente da República… moita! Raios-os-partam.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

A RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA


O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, afirmou que o novo governo grego não reconhece a 'troika' como interlocutora válida nas negociações sobre o programa de resgate à Grécia. Segundo Varoufakis, a Grécia quer dialogar com a Europa, mas não com a 'troika', que inclui Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, credores do país. E pronto, clarinho como água da nascente, finalmente, aparece alguém a falar grosso com os especuladores. Em Portugal, passa-se precisamente o contrário, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, agacha-se e assume que não apoiará a iniciativa do novo governo grego para a realização de uma conferência europeia para a renegociação da dívida. "Não estarei do lado de nenhuma conferência que seja para perdoar a dívida ou reestruturar a dívida à custa dos povos europeus, isso é claro, muito claro". 

Ministro das Finanças da Grécia

Sinceramente, espero que o País lhe dê a resposta no momento certo. E pelo andar da carruagem tê-la-á. Ele e todos quantos acompanham a sua política ao serviço de interesses que não são os verdadeiramente nacionais. A fúria privatizadora, a teimosia em não querer renegociar, quando este constitui um acto absolutamente normal entre o devedor e o credor, o posicionamento obcecado que mais vale espremer o povo até ao tutano, do que criar condições que permitam solucionar compromissos sem recorrer à pobreza compulsiva, tudo isto terá um fim trágico. Os povos aguentam até um limite, a partir do qual são capazes de levar tudo à sua frente. A posição dos gregos, a recente manifestação em Madrid do "Podemos", o crescimento do descontentamento dos franceses, o que se está a passar em Itália, enfim, há indicadores mais do que suficientes para que esta Europa comece a demonstrar juizinho. E isto já não vai com ameaças da Senhora Merkel e quejandos, vai com diálogo e mudança de políticas. Sinceramente, deu-me um extraordinário gozo ver o ar sorridente do ministro das finanças grego, como quem diz, "não nos enganam mais", face ao semblante irado do presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem. 
É óbvio que as dívidas devem ser pagas, mas também necessário se torna perceber e aceitar que a crise que dura há mais de cinco anos, foi "fabricada" e teve origem externa. Que os povos não viveram acima das suas possibilidades, que há países que devem corrigir muitas das suas políticas internas, obviamente que sim, mas que não devem ser espezinhados pelos movimentos de especuladores, também me parece óbvio. Sinto, por isso, que há uma tendência para dizer ACABOU, permitam-me a expressão: acabou a mama. E, com todos os custos que tal possa vir a acontecer, se necessário for sair do Euro que se saia. Os pobres não perderão nada com isso. E nós somos um país pobre, roubado e espoliado por indivíduos sem vergonha. Como aquele "pateta" do FMI que, há dias, até sobre o miserável salário mínimo nacional deu-se ao luxo de criticar que não vamos no bom caminho por ter sido aumentado uns míseros euros!
Quem sou eu para aconselhar leituras, mas o livro "A Solução - Novo Escudo", dos Doutores Francisco Louçã e João Ferreira do Amaral é muito claro sobre esta situação: "Ambos reconhecemos que, por imposição externa ou por imperativo de escolha nacional, a saída do euro pode vir a ocorrer em prazos porventura curtos". O que lamento é que tenhamos uma dupla Passos Coelho/Paulo Portas que nem o benefício da dúvida concedam. Vamos todos pagar caro por isso. Os vários actos eleitorais ao longo de 2015 serão determinantes.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

"A TIRANIA ESTÁ IMPARÁVEL"


Na minha página de fb li dois comentários. O Padre José Luís Rodrigues, a propósito do despedimento da Jornalista Lília Bernardes, escreveu: "A tirania está imparável"; Fátima Alves Andrade exclamou: "estou fora de Portugal e, pergunto-me, o que se está a passar no meu querido país?" Respondo: não se trata apenas de excesso de poder, mas de um poder que se tornou opressor. As duas situações combinam-se, entrelaçam-se e são fabricadas de forma inteligentemente perversa. Os "donos" de todos nós, essa maldita máfia elegantemente vestida e bem falante, militante política ou não, portadora de um discurso que, pela repetição, convence os incautos, sabem como conduzir à "tirania", mantendo, em simultâneo, uma parte do povo a bater palmas. Ora, o que se está a passar no país não é mais do que um dente da complexa roda dentada, bem oleada e pacientemente mantida pela engrenagem institucional à escala europeia e mundial. É por isso que "a tirania está imparável", não respeitando nem princípios nem valores humanistas. Para os tiranos o dinheiro não tem pátria e, sem pejo algum, consideram "lixo" países e povos que trabalham cada vez com menos direitos, geram riqueza para entregá-la aos novos piratas. Silenciosamente, encostam povos à parede, deixando-os com salários de miséria, onde ter trabalho não significa não ser pobre. Gente que deixa as receitas médicas no balcão das farmácias e olha para o lado e vê filhos e netos em angústia permanente, perante a frieza dos que assumiram a responsabilidade de governar! Ai se não fossem as instituições de solidariedade social a partir do gesto daqueles que repartem o pouco que têm em sistemáticos peditórios públicos!


Triste país que se deixa espezinhar por gente que entra por aí adentro e impõe a austeridade sinónima de manutenção e agravamento da pobreza; triste país cujo povo permite a "tirania imparável", porque não sabe destrinçar a mentira do discurso político face à realidade; triste país cujo povo sucumbe ao bonitinho de uma qualquer praça quando a praça das suas vidas está completamente ameaçada; triste país que permite que uma qualquer Merkel nos venha dizer, mentindo, que temos licenciados a mais; triste país que aceita ouvir uma Christine Lagarde dizer que a austeridade foi longe demais e, logo de seguida, permite que os técnicos da sua instituição (FMI) venham dizer que necessário se torna mais austeridade; triste país que tem um Presidente da República que olha e não vê, vira-se para o lado e não ouve e que permite que o governo fira, sistematicamente, a Constituição da República, como se fosse aceitável apresentar Orçamentos de Estado inconstitucionais; triste país cujo povo assiste, impávido, à venda de empresas estratégicas necessárias ao seu desenvolvimento; triste país que tem um sistema educativo conducente, por omissão, aos interesses dessa máfia, porque os currículos e programas assumem uma carga formatadora do pensamento único que lhes interessa; triste país que aceita, como norma orientadora que, no futuro, "nada será mais certo que o emprego incerto", facilitando o despedimento, espalhando a miséria  e o capitalismo selvagem; triste país cujo povo acomoda-se ao saque sobre os salários e pensões, permitindo que o governo torne medidas temporárias em definitivas; triste país cujo povo assiste ao roubo em bancos, paga o desvario e não se revolta na rua; triste país que diz combater a pobreza, mas mantém o padrão da desigualdade; triste país que assiste e se acomoda à emigração de mais de cem mil pessoas por ano; triste país que vê o interior abandonado, envelhecido e onde as escolas deixam de funcionar; triste país que despede professores, limita os cuidados de saúde e impõe duplas tributações na acessibilidade à educação e à saúde; triste país que se verga e aceita a situação de colónia e que se mostra incapaz de mostrar os dentes à União Europeia. É por tudo isto e muito mais que a "tirania está imparável".
Mas tenhamos atenção que a globalização não é apenas FINANCEIRA. A globalização é também de tomada de consciência dos direitos. E os focos de instabilidade estão a acontecer um pouco por todo o lado. O povo, revoltado, está a sair às ruas e a encher as praças. Porque eles, os piratas, ainda não perceberam que a sua estabilidade depende da estabilidade de todos os outros.
Ilustração:  Google Imagens.

domingo, 7 de setembro de 2014

ESTAMOS ENTREGUES A UMA COMISSÃO LIQUIDATÁRIA


Quatro anos de sacrifícios para nada. Aliás, piorámos, apesar do esforço imposto aos portugueses. E por falar de imposto, eles foram tantos, directos e indirectos, que lhes perdi a conta. Em tudo o que mexe os olhares felinos do governo surgem, rapidamente, a rapar qualquer hipótese de sobrevivência. Piorámos a todos os níveis e pagaremos, a prazo não muito longo, o esbulho que fazem desde o sistema educativo, base de tudo, até aos mais ínfimos direitos sociais. A sensação que tenho é que estamos entregues a uma comissão liquidatária. E eles falam e falam do sentido reformador, que bem os entendo em que sentido vai, e dizem até, com o maior desplante, que este é o governo mais à "esquerda" na Europa. Coisa que não é difícil quando somos varridos pela mentira e pelo controlo das instituições. Especializaram-se em gestores das mentes e não da coisa pública. 
"Cientificamente", com paciência laboratorial, souberam rasgar contratos, subtilmente, aniquilar a esperança, remetendo tantos para fora do país, acabar com as riquezas nacionais entregando-as ao sector privado naquela ânsia "reformadora" que assenta no princípio que o dinheiro não tem pátria. Mesmo assim, avisa a Unidade Técnica  de Apoio Orçamental da Assembleia da República, que a dívida poderá chegar a 135,1% do PIB. Isto é, cada vez são maiores os sacrifícios, porém a dívida não pára de crescer. Saberá  esta gente o que anda a fazer? Eu não tenho dúvidas que sabe! A Europa precisa deste tipo de correias de transmissão, porque "eles aguentam... ai aguentam, aguentam!"
Ilustração: Google Imagens. 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

NÃO PERCA ESTES 2'49" DE UMA CRIANÇA DE DOZE ANOS!



Fantásticas declarações. Quando esta criança fala de "confisco da Constituição por um partido", deveria o Presidente da República Cavaco Silva, o Primeiro-Ministro Passos Coelho e o Vice-Primeiro-Ministro Paulo Portas, ouvi-la e tomarem consciência se, no contexto português e por outras razões, não estarão também a querer "confiscar a Constituição". É a criança que diz: "os objectivos sociais da Revolução ainda estão para ser alcançados".

quinta-feira, 5 de junho de 2014

E OS CIDADÃOS PORTUGUESES É QUE VIVERAM ACIMA DAS SUAS POSSIBILIDADES



Apenas mais uma achega para a compreensão dos problemas. São 43’ de informação detalhada e bem documentada. É pena que ainda não tenha passado num canal televisivo português. Quem assina a peça é um jornalista que se chama António Cascais, por isso ele editou o programa em língua lusa. Deixa claro que a compra foi combinada no governo de Barroso, que é o primeiro a dar o seu acordo ao negócio, que passa a ser seguido pelo ministro da defesa, Portas. No final deixa a informação de uma cláusula contratual que obriga a que a revisão dos submarinos seja anual, pelo preço de € 5 milhões e pelo período de 30 anos, e feita nos estaleiros que construiu o submarino.