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domingo, 22 de abril de 2018

PRAIA DO PORTO SANTO - GOVERNO CORRE ATRÁS DO PREJUÍZO


"A verdade é como o azeite... vem sempre à tona". Ora, o trabalho da jornalista Maria Catarina Nunes (DN-Madeira), independente da oportunidade e importância, vem dar razão a vários especialistas, muito particularmente ao madeirense Engenheiro Doutor João Baptista que, desde 1966, tem equacionado, cientificamente, o drama da praia do Porto Santo. Salienta a jornalista: "Jóia mais antiga de Portugal em risco. Foi galardoada como uma das 7 Maravilhas do Mundo em 2012, um trabalho que a Natureza começou há milhões de anos. O Porto Santo não é só uma praia com reconhecidos poderes terapêuticos, é um tesouro português que guarda memórias da caminhada do planeta. E agora está em risco de se perder". Infelizmente, os múltiplos estudos e avaliações apresentados, programas e declarações públicas, muitas vezes conduziu a grotescos vilipêndios públicos, por parte de senhores que se julgavam e julgam, acima de qualquer crítica. Hoje, existindo documentação e factos, sublinha, com pena, o investigador que, "na prática, nada foi feito".


Como foi possível ignorar os trabalhos das equipas do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Universidade de Aveiro, a partir do Centro de Investigação GEOBIOTEC, da Fundação para a Ciência e Tecnologia, quando, enaltece o Engenheiro João Baptista, a praia do Porto Santo "é um legado único"? 
O problema, sublinha o DN, começou há 38 anos, em 1980, quando as retroescavadoras começaram a roubar areias e materiais sólidos do paredão dunar para alimentar a construção do Porto de Abrigo: "(...) Tínhamos uma praia em equilíbrio dinâmico desde a sua formação até esta obra. A construção do Porto de Abrigo no extremo oriental da ilha veio perturbar esse equilíbrio". Ao contrário do que aconteceu quando se levantou a Ponte Cais, na primeira metade do século XX: "Está assente em pilares e nunca interferiu”, explica o investigador.
É caso para concluir que o governo regional  anda agora a correr atrás do prejuízo. Atente-se nesta parte do texto: "O resultado são milhares de euros gastos em dragagens do Porto de Abrigo (pelo menos três, entre 2001 e 2008, de acordo com os dados da Administração de Portos da Madeira, APRAM). E agora, como noticiou o DIÁRIO, vai arrancar nova operação de dragagem nos próximos meses. É que a navegabilidade das embarcações fica comprometida e, sobretudo as de grande dimensão, em risco durante as manobras de atracagem. Em 2016, João Baptista juntou-se ao Comandante João Bela, do Lobo Marinho, para avaliar a que distância o navio navegava das areias profundas: "No mínimo, exigem-se quatro metros de coluna de água entre a quilha do barco e o fundo da bacia portuária. Em 2016 estava a 1,9 metros e agora já está a 1,4 metros", revela o investigador. Solução: engordar a duna com areia do desassoreamento".
Sugiro a leitura de todo este trabalho, nas páginas 2 e 3 da edição de hoje, mas de tantas considerações que, a este propósito, me apeteciam fazer, apenas deixo uma pergunta final: e ninguém é responsabilizado? 
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

PORTO SANTO: DE QUEM É A CULPA DO CENÁRIO NEGRO?


O problema arrasta-se. Do novo governo regional moita. Mexer na política de transportes, colocar em causa os "amigos", apresentar medidas para combater o "cenário negro", bom, até hoje, nem uma decisão. Ah, estão a estudar! Para já, vão vender as "dachas" e assegurar uma melhor resposta do centro de saúde na época alta que se avizinha. De resto, zero. Pois, anos e anos de "estudo" sem medidas portadoras de futuro. O trabalho jornalístico apresentado, hoje, pelo DN-Madeira, é oportuno, mas cujos problemas apresentados têm barbas. A 18 de Novembro de 2010, após uma visita do grupo parlamentar do PS à ilha vizinha, escrevi no meu blogue: "Estou a chegar do Porto Santo. Venho constrangido, de coração apertado. Chega a ser comovente para quem tem alguma sensibilidade económica e social. O Porto Santo vive um momento de angústia colectiva. Não há qualquer exagero nestas palavras. Não há movimento, a economia está paralisada, o desemprego é aflitivo e, naturalmente, a pobreza cresce. 


Alguns indicadores mais visíveis: hotéis fechados, outros a 10% (se estiverem) de ocupação, 92% das empresas em insolvência técnica, mais de 13% de desemprego, atrasos significativos nos pagamentos fiscais e de segurança social, problemas judiciais em crescendo resultantes de incumprimentos diversos, habitações devolvidas à banca, enfim, um quadro absolutamente catastrófico. O tempo das vacas gordas, das obras e mais obras, sobretudo as da Sociedade de Desenvolvimento que geraram emprego na construção civil, lá se foi, o tempo das promessas do governo regional da Madeira que geraram expectativas de futuro morreu e, hoje, as gentes do Porto Santo, tem os olhos pregados numa profunda crise, ainda muito antes, de lhes cair em cima as medidas de austeridade. 
Os relatos que escutei foram dramáticos e não há, repito, qualquer exagero. São reais e detectáveis aos olhos de quem conjuga os sinais. E o que mais magoa e me entristece é que tudo aquilo que está a acontecer é consequência de uma total ausência de um plano estratégico. O Governo não soube criar e denuncia que não tem um caminho definido, uma estratégia portadora de futuro para aquela ilha. Enquanto o dinheiro circulou, na esteira das obras públicas, a situação real foi esbatida, todavia, hoje é sensível que esse mesmo dinheiro não se reflectiu nas pessoas. Tratou-se de uma "estratégia" de fumo que se dissipou com o tempo.
Do meu ponto de vista foi, politicamente, "criminoso" o que ali se fez. Se antes sabia-se da sazonalidade em termos turísticos, agora nem sazonalidade existe. São as ligações áreas e marítimas que estão por resolver, a vergonhosa política de preços de quem quer ou tem necessidade de sair da ilha, facto que coloca os habitantes do Porto Santo a terem de pagar preços exorbitantes, são os problemas da promoção turística, são os problemas da formação, da revitalização do comércio (e isso é possível), da fixação dos jovens, dos monstros que estão construídos, inacabados ou sem utilização turística, enfim, o Porto Santo é, hoje, um "Deus me acuda". Politicamente, não há perdão para quem permitiu o actual quadro. É indisfaçável a angústia que paira no Porto Santo e, por momentos, senti-me numa cidade fantasma".
Passaram-se quase dois anos e tudo continua na mesma. Talvez, pior, porque a pobreza multiplica a pobreza. Do governo regional nem uma medida, o que me leva a dizer que as gentes do Porto Santo estão entregues a si próprios. É como se a ilha não existisse, como se ela servisse apenas para umas férias do "politburo" regional. Uma vergonha e um drama que só pode ser resolvido com uma mudança política radical (...)". O Porto Santo necessita de uma estratégia e essa, pode ser lida aqui: http://comqueentao.blogspot.pt/…/nao-destruam-o-porto-santo…

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A DEGRADAÇÃO DA PISCINA DO PORTO SANTO É UM ACTO POLITICAMENTE CRIMINOSO


Chamaram-me à atenção para uma reportagem da RTP-Madeira sobre a piscina de 25 metros do Porto Santo. Espreitei-a no respectivo sítio da internet. Dei com uma vergonha, com um acto "multi-criminoso" como referiu um dos entrevistados. Inaugurada com pompa e circunstância, custando € 1.800.000,00, há dois anos que se encontra encerrada e em óbvia degradação. Não tenho dúvidas, politicamente, trata-se de uma situação criminosa. Não é apenas a do Porto Santo que está fechada! Existem outras por aí, entre as muitas construídas sem o necessário planeamento que respondesse a perguntas simples quanto estas: porquê, para quê, como, quando? E como alguém já o disse: "ninguém vai preso", apesar de terem brincado com o dinheiro dos contribuintes. Nos próximos anos, não apenas pelas piscinas construídas, mas para todas as "obras do regime", visando a manutenção, serão necessários muitos milhões de euros. E como esse bem, o dinheiro, será cada vez mais escasso, a degradação e subaproveitamento das infraestruturas construídas crescerão na mesma proporção. Se isto não é um crime político o que será?


Grave, ainda, é o facto das piscinas, quando bem construídas e bem geridas, no mínimo, não darem prejuízo. Conheço muitos exemplos, mesmo em tempo de crise económica e financeira. A natação é das poucas modalidades desportivas que sempre garantiram um retorno. Pode não ser lucrativa, mas prejuízo não dá. Mas para que isso aconteça há uma questão básica para além das preocupações no decorrer da construção: a capacidade de gestão. Esse é um factor essencial, mesmo no caso do Porto Santo onde existem limitações muito significativas, desde o número de residentes à disponibilidade financeira da população face a uma despesa não prioritária. Só que o secretário da Educação nada sabe sobre esta matéria. Em uma escala de 0 a 10 coloco-o no zero! E quando estas situações estão a acontecer, que impossibilitam milhares de alunos de toda a Região (algumas centenas no Porto Santo) de terem acesso, no plano educativo, a uma infraestrutura desportiva, o político Jaime Freitas, ainda ontem, deslocou-se à Calheta (Madeira) para "ajudar" a apresentar e apoiar a "Rampa do Paúl" no quadro do "fenómeno desportivo" madeirense. Uma rampa que coloca na estrada algumas (poucas) dezenas e uma legião de espectadores! Por isso, ainda não percebi o que é que ele entende por "fenómeno desportivo", pois não há sítio onde vá que não aplique tal designação. 
Sobre o Porto Santo (cujos problemas não se circunscrevem à piscina) ao longo do dia não disse nem uma palavra. Ali não existe "fenómeno desportivo" algum! Parafraseando uma expressão pejorativa bem conhecida, eu diria que quando não se sabe até as piscinas atrapalham...
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

FÉRIAS OLX NO PORTO SANTO


Não fica bem. Aliás, fica muito mal. Os governantes e ex-governantes deveriam ter consciência que as casas, do Porto Santo e outras, não são do governo, mas sim propriedade da Região. Significa isto que não podem existir nem privilégios nem privilegiados. Mas, independentemente deste aspecto, fica mal, muito mal, quando são utilizadas a preços OLX. Qualquer pessoa, governante ou ex-governante deveria ter vergonha de uma situação dessas. Não me custa aceitar, por exemplo, no Porto Santo, a existência de um espaço de trabalho, repito, de trabalho, para os representantes (líderes) dos órgãos de governo próprio, apenas esses, mesmo aquando de uma situação de férias. Instalar-se para gozar férias low cost, bom, essa é uma outra história só possível em um quadro de quero, posso e mando, com tonalidades ditatoriais. O problema é que temos aí quase trinta e sete anos de maus hábitos, advindos de uma cultura que perdurou durante outros quarenta e oito anos. Isto é, o madeirense tem, embora o último período seja caracteristicamente soft, oitenta e cinco anos de uma cultura de senhorios. Quem pensa que a colonia foi extinta está redondamente enganado. A colonia é que é outra e manifesta-se de múltiplas e sofisticadas maneiras. Os colonizados, também.
 

Ora bem, o senhorio, o que manda nisto, o "único importante" o que põe e dispõe, actua e garante estas benesses. Até impossibilita que o regulamento dessas casas sejam do conhecimento de todos, conforme revela a edição de hoje do DN-Madeira (Casas dos Segredos). Para tê-los submissos, curvados e obedientes, obviamente que o regime tende a desenvolver situações que prendem o rabo dos que se vergam. Podem até ter a percepção de que estão a ser engolidos na sua dignidade, mas vendem-na a preço de saldo. Como se a dignidade tivesse preço! 
A iniciativa do PND tem, por isso, no plano político, a sua razão de ser, sobretudo quando de forma tão descarada estes senhores actuam como se fossem donos desta parcela do território português. Há que travar esta ausência de pudor, com contornos fraudulentos, na utilização dos bens que são públicos. Poderão alguns dizer que não fica bem, que aquela iniciativa pode configurar um crime de introdução em lugar vedado ao público. Pois, o poder dos senhorios assim considerará, mas digam-me lá, então, como fazer eco, de forma extremamente pacífica, com características de teatro de rua e com muito humor à mistura, de uma situação que é vergonhosa à luz dos princípios e dos valores que devem nortear a democracia e a administração dos bens públicos? Esta acção foi muito mais eficaz no plano político do que a denúncia através de um qualquer artigo de opinião. Não sei se outros não pensarão duas vezes antes de solicitarem a utilização daquele espaço a preço de saldo. Ou mesmo os próximos inquilinos, a partir dos próximos dias!  
A revolta de muitos portosantenses sobre estas férias "douradas" dos senhores governantes e ex-governantes explicam que, de facto, estão fartos de sentirem que o Porto Santo é uma colónia de férias de alguns senhores do Funchal. Um povo que anda a passar muito mal, com desemprego, pobreza e empresários insolventes, obviamente que exige respeito, quando olha para o lado e vê que não somos todos iguais, uns, na realidade, são mais iguais do que outros! Basta ir, por mera curiosidade, ao sítio da internet onde são divulgados os preços de utilização do parque de campismo do Porto Moniz e compararmos os preços aí praticados (desconheço se foram actualizados) com a(s) casa(s) utilizada(s) no Porto Santo (por dia): tenda de 25m2 € 7,00 + € 2,80 por pessoa (4 pessoas = € 11,20). Total: € 18,20, para além de uma caução de € 25,00... para dormir no chão e sem as diversas comodidades de uma casa. Então tudo isto não é merecedor de um teatrinho no quintal da casa?
Ilustração: Capa do DN-Madeira.

sábado, 15 de junho de 2013

TAL COMO A PALMEIRA, O PSD, NO PORTO SANTO, ESTÁ NUMA INCLINAÇÃO IRREVERSÍVEL


Que "grande" democrata, o senhor Roberto Silva, ex-presidente da Câmara Municipal do Porto Santo. A secretária da actual presidente entendeu desvincular-se do PSD e concorrer por uma outra força política. Acedeu candidatar-se, pelo que li, pelo PS como poderia ter optado por uma qualquer outra força política. Trata-se de uma cidadã livre e que deve ser respeitada. O lugar de secretária constitui um desempenho profissional e não um cargo de confiança política. Desde que cumpra a sua função com rigor e qualidade, pessoalmente, quero lá saber da sua opção política! Mas, para o senhor Roberto Silva, deputado, ou são todos do PSD ou temos chatice. Disse: “(...) Quando cheguei à concelhia, o partido tinha 270 militantes. Hoje tem 500 (...)". Perguntar-se-á duas coisas: primeiro, que influência teve no decorrer do desempenho do cargo, para arregimentar pessoas; segundo, terá o senhor Roberto Silva a certeza que todos os "apanhados" à mão votam no PSD? Até porque a Câmara já várias vezes foi de outra cor política!
 

Bom, mas isso pouco me interessa. Mais preocupado estou com a ausência de sentido democrático, quando se dirige à actual presidente da Câmara para, publicamente, "clarificar a sua posição" pelo facto de ter em funções, no seu gabinete de apoio, uma candidata do Partido Socialista, Ana Marisa Maia. Leio no DN: "o social-democrata não gostou nada de saber que a secretária da autarca do PSD-M vai ser número dois da lista do PS: "Damos um prazo até segunda-feira para que se pronuncie. Depois disso, iremos tomar as nossas providências”, reage quase num tom intimidatório". "A comissão política quer saber se a senhora presidente acha ou não razoável manter a sua confiança política nesse elemento". Questiono: confiança política? Uma cidadã que desempenha a função profissional de secretária? A ser assim, levado ao extremo, todos os chefes de departamento, todos os trabalhadores com grandes ou pequenas responsabilidades no desempenho da autarquia, teriam todos, repito, todos, de ser militantes ou simpatizantes do partido do senhor Roberto Silva. Onde está a lógica, o sentido democrático, o respeito pela liberdade de opção de cada um?
É claro que vem logo ao de cima a acusação rasteira que a cidadã em causa tem "sede de protagonismo e vaidade pessoal" e que "não esteja agarrada ao tacho". Volto a questionar: tacho? Então a função profissional constitui um "tacho". Ora bem, se a dita senhora não tem qualidade profissional há muito deveria ser afastada para o seu lugar de origem. Se não foi, só se pode deduzir que desempenha, cabalmente, as suas funções e daí o dever do senhor Roberto Silva seria o de respeitá-la no quadro da sua cidadania activa. É tão legítimo ao senhor Roberto Silva pertencer ao PSD quanto legítimo é qualquer outro cidadão ter opções completamente distintas. Há em todo este processo um aspecto que é preocupante: há gente que continua a conviver mal com a democracia, gente que ainda não percebeu que há um tempo para estar e um tempo para partir, que a pressão e a perseguição política sobre as pessoas tem contornos ditatorais e que o exercício da política não é um profissão, antes um serviço público à comunidade. Saberá o senhor Roberto Silva o que isto significa? Pressuponho que não, pelo "fanatismo" que evidenciou nas suas declarações. Deveria o senhor deputado estar mais preocupado com a palmeira que caiu, por negligência, que ceifou vidas, do que com uma secretária que, de forma livre, fez uma opção de serviço público à comunidade por um partido político. Ou será que "tacho" é saltar da Câmara para a Assembleia?
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 18 de março de 2013

PORTO SANTO: DA AGONIA À SALUTAR REVOLTA


(...) onde está o trabalho para cinco mil portosantenses? Hotelaria, restauração, obras públicas, onde estão elas? Se desde há uns tempos para cá já tínhamos graves problemas de sazonalidade ao nível turístico, o que é que temos agora? Onde está a promoção turística de uma das sete maravilhas de Portugal? De Portugal, sim, leram bem! Como podemos ter trabalho sem promoção turística? Como podemos ser felizes com tão pouco? Braços cruzados? Para além disto tudo, além de estarmos isolados, agrava-se com o preçário das viagens, cada vez mais dispendiosas, porquê? É simples, meus amigos, quem quer governar esta ilha é e será um "pau mandado" que vai fazer tudo o que o Sr. Dr. "Papadas" e seus barões ordenarem! É isto que desejam a Porto Santo? Com imensas pessoas em dificuldades extremas, a contar cêntimos, a recear pelo futuro dos seus descendentes, pergunto: vale a pena cruzar os braços com tamanha tristeza? (...)


Remeteram-me um texto. É de um habitante da ilha do Porto Santo. Trata-se de um grito de revolta, de indignação sobre uma terra abandonada à sua sorte. De uma terra onde é sensível um desejo de mudança, aliás, como  se deduz do artigo de opinião, da Vereadora do PS Renata Sousa, hoje publicado no DN-Madeira. 
Do extenso texto que recebi, aqui publico as partes que considerei mais importantes. Fica à reflexão dos madeirenses e dos portosantenses este grito de revolta.
"Agradeço que leiam até ao fim...
Tudo aquilo que aqui vou escrever é do conhecimento geral de todos os portosantenses (...) para que não caia em esquecimento!
ADORO o PORTO SANTO, adoro mesmo e custa-me ver tanta "podridão" num ilha tão pequena e poucos se mexem para a limpar! Não entendo o porquê de tal mentalidade, será... medo? Medo... de quê? De represálias (perder o trabalho?) Medo de ousar falar contra os políticos desta terra? Se for esse o medo, será que já pararam para pensar que hoje em dia nenhum trabalho é seguro? (...)
Voltando à mentalidade do povo portosantense, pergunto, "Onde isto vai parar?"... Perante tanta dificuldade e com fim do beco sem saída à vista, digo, já não é tempo de dar um murro em cima da mesa e gritar: BASTA!
BASTA... de promessas em vão;
BASTA... de descriminação;
BASTA... de falsos moralismos políticos e respectivas campanhas ("Vamos mudar... vamos lutar... agora é desta... Porto Santo para a frente...)
e BASTA... os comícios com música ao vivo e claro com o Sr. Dr. "Papadas" a fazer o seu discurso habitual.
Perante isto tudo, precisamos de um LÍDER. De alguém que faça frente ao Dr. "Papadas" e de alguns corjas que existem no Porto Santo que se acham intocáveis!
Precisamos de um líder presidente que não seja bafejado, nem que faça mau uso do seu poder, ou seja, que o poder não lhe suba à cabeça (...). É preciso humildade, honestidade e acima de tudo, coragem e determinação para lutar contra esta "podridão", porque para mim e agora, falo de mim, não tenho medo de enfrentar seja quem for, desde que tenha o povo a meu lado! Só assim chegamos lá!
Porto Santo foi sempre esquecido e foi alvo de monopolização dos barões do sistema, fazendo desta terra seu destino de férias, no qual colocaram portosantenses à sua mercê! O Porto Santo foi esquecido e nunca o Sr. Dr. "Papadas" pensou no povo portosantense, nem definiu prioridades para o bem do povo portosantente. Pergunto: o que é que um ser humano deseja mais na sua vida? Saúde, algum dinheiro e felicidade (pelo menos, eu penso assim). Onde está o hospital ou mini-hospital desta terra? Será que o dinheiro das infraestruturas feitas pelas sociedades (de endividamento), hoje em dia encerradas, não davam para construir um mini-hospital? Ahhh mas, relembro que ainda disseram que dada a quantidade de habitantes na ilha, construir um, fora considerado gastos supérfluos! Será que a Direção Regional de Saúde sabe fazer contas? Será que sabe quanto custa a evacuação aérea de um paciente? Fora a estada e acompanhamento médico? Etc.
Um outro exemplo, será que entre Seixal e Porto Moniz, com menos de mil habitantes, havia necessidade de dois heliportos? Esse mesmo dinheiro mal gasto, serviria muito bem Porto Santo! Onde estão as igualdades e prioridades deste nosso governante para esta terra?  (...).
(...) onde está o trabalho para cinco mil portosantenses? Hotelaria, restauração, obras públicas, onde estão elas? Se desde há uns tempos para cá já tínhamos graves problemas de sazonalidade ao nível turístico, o que é que temos agora? Onde está a promoção turística de uma das sete maravilhas de Portugal? De Portugal, sim, leram bem! Como podemos ter trabalho sem promoção turística? Como podemos ser felizes com tão pouco? Braços cruzados? Para além disto tudo, além de estarmos isolados, agrava-se com o preçário das viagens, cada vez mais dispendiosas, porquê? É simples, meus amigos, quem quer governar esta ilha é e será um "pau mandado" que vai fazer tudo o que o Sr. Dr. "Papadas" e seus barões ordenarem! É isto que desejam a Porto Santo? Com imensas pessoas em dificuldades extremas, a contar cêntimos, a recear pelo futuro dos seus descendentes, pergunto: vale a pena cruzar os braços com tamanha tristeza? E aqueles que pensam que o trabalho está assegurado, desenganem-se, isto toca a todos! Porque somos os que restam e estamos entregues a nós próprios e eu, pessoalmente, lutarei para não prolongar mais tamanha hipocrisia, falsidade e falta de empenho para que Porto Santo volte a ser o que era, uma terra produtiva, capaz de superar-se a si mesma, com a vontade e trabalho de todos nós!
Só peço aos portosantenses que não caiam em falsas campanhas políticas (dos que falam na saúde, trabalho e seus afins, transportes) (...) eu vou lutar por isto e sem medo algum! Recuso me a viver de ajuda social, recuso a entregar minha casa, recuso a temer pelo futuro dos meus filhos! (...) 
Agradeço a todos os que dedicaram um pouco do seu tempo a lerem este texto".
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 19 de agosto de 2012

RIGOROSAMENTE NADA É COM ELE!


Foram, li por aí, quarenta minutos de "pum, pum, dá-lhe, dá-lhe (...)" qual relógio que não adianta nem atrasa. Fez-me lembrar aquela história de um prédio que ruiu, pelo que o cimento, a areia e o ferro foram chamados ao Tribunal. Individualmente inquiridos, o cimento e a areia terão sublinhado que eram da melhor proveniência, apresentando, inclusive, relatórios da sua inegável qualidade. Interrogado o ferro, apenas disse: senhor dr. juiz, eu o culpado? Eu nem estava lá! Bom, Jardim é assim, parece o ferro, aparentemente poderoso, que tudo suporta, mas há 36 anos que não está no processo. A culpa é sempre dos outros. Ele apenas ganhou eleições, formou governo e nomeou pessoas. A partir daí não existe enquanto governo portador de responsabilidades.

Táctica velha, esfarrapada e cheia de buracos, aquela que ontem constituiu o "espectáculo", no Porto Santo, do presidente do PSD-Madeira. Rigorosamente nada do que se passou e passa na Região é com ele. O desastre económico-financeiro, as falências em catadupa e o desemprego, a pobreza e a degradação social não têm rigorosamente nada a ver com as suas políticas ao longo de 36 anos. É como se não tivesse existido governo regional, Autonomia e regionalização de todos os sectores da governação. É como se isto por aqui ainda funcionasse com um enquadramento tipo Junta Geral do Distrito, tal como aconteceu antes de Abril de 1974. A culpa do desastre é dos outros, dita em altos decibéis e de forma que ele pensa ser convincente: a maçonaria, a troika, os ingleses da Madeira velha, a Constituição da República, a banca e o capitalismo. Foram, li por aí, quarenta minutos de "pum, pum, dá-lhe, dá-lhe (...)" qual relógio que não adianta nem atrasa. Fez-me lembrar aquela  história de um prédio que ruiu, pelo que o cimento, a areia e o ferro foram chamados ao Tribunal. Individualmente inquiridos, o cimento e a areia terão sublinhado que eram da melhor proveniência, apresentando, inclusive, relatórios da sua inegável qualidade. Interrogado o ferro, apenas disse: senhor dr. juiz, eu o culpado? Eu nem estava lá! Bom, Jardim é assim, parece o ferro, aparentemente poderoso, que tudo suporta, mas há 36 anos que não está no processo. A culpa é sempre dos outros. Ele apenas ganhou eleições, formou governo e nomeou pessoas. A partir daí não existe enquanto governo portador de responsabilidades.
Jardim faz lembrar, ainda, a descuidada empregada doméstica que varre para debaixo do tapete. Tudo, aparentemente, está limpinho embora tudo exale um cheiro nauseabundo pela acumulação de porcaria. Subir ao palco e assumir responsabilidades, falar do Porto Santo e da miséria estrutural que por lá anda e que faz um povo sofrer, combater o desemprego na Região à luz de um projecto económico, dissertar sobre as razões mais substantivas da falência dos sistemas educativo e de saúde, assumir responsabilidades e gerar confiança nos empresários, falar da dívida e dos constrangimentos consequência da dupla austeridade, isso nunca foi nem é com ele. Como sempre nem uma proposta para o futuro.
Politicamente, Jardim faz-me lembrar um soldado que tive no meu pelotão, em Guiléje, na Guiné, que em situação de ataque à tabanca, ficava tão descontrolado que, serenado o ataque, ainda continuava a disparar. Jardim continua a disparar para todo o sítio, o que mexe e o que não mexe, mas é incapaz de, serenamente, equacionar os problemas, falar a verdade e, estrategicamente, definir alvos que através do diálogo e da concertação torne melhor a vida dos madeirenses e portosantenses. Politicamente, eu diria que cria as suas próprias emboscadas e nelas cai. Pensará ele que ainda ganha alguma coisa com a sua atitude descontrolada de abrir fogo quando o seu poder é apenas aparente? Neste momento, nem superioridade de fogo tem. Apenas faz barulho. A quem estamos entregues!
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

AFINAL OS "PROFETAS DA DESGRAÇA" TINHAM RAZÃO


Um aspecto parece-me certo, sendo a situação muito grave, só um "brainstorming" será capaz de pegar no fio da meada e reconstruir o quadro de absoluta degradação. Só que tal não é possível com esta gente que se governa ao contrário de governar. Só com um novo enquadramento político e com inteligência será possível redesenhar o futuro. Com este governo regional e com aqueles subservientes órgãos autárquicos, o drama de hoje manter-se-á e, tendencialmente, agravar-se-á. Quando o presidente do governo, responsável pela situação, ali passando férias, fala de outras paragens e ignora os problemas da ilha, penso que está tudo dito.

O trabalho do Jornalista Márcio Berenguer, publicado na edição de hoje do DN-Madeira, regista 18,4 milhões de euros, apenas em quatro investimentos no Porto Santo, considerados, para já, sem "retorno" consistente. Trata-se de uma pequena amostra da loucura política que varreu toda a Região ao longo de mais de três dezenas de anos. Este quadro leva-me a dizer que não se tratou de uma política de "investimentos", mas de uma política de insustentáveis "gastos", portanto, não geradores de riqueza. E a prova disso está nos indicadores de pobreza registados na ilha, na absoluta fragilidade empresarial e na galopante e assustadora taxa de desemprego. O caso do Porto Santo é paradigmático entre o conceito de crescimento e o conceito de desenvolvimento. Ao ponto a que a situação chegou, não consigo prognosticar o que acontecerá nos próximos dez anos. Um aspecto parece-me certo, sendo a situação muito grave, só um "brainstorming" será capaz de pegar no fio da meada e reconstruir o quadro de absoluta degradação. Só que tal não é possível com esta gente que se governa ao contrário de governar. Só com um novo enquadramento político e com inteligência será possível redesenhar o futuro. Com este governo regional e com aqueles subservientes órgãos autárquicos, o drama de hoje manter-se-á e, tendencialmente, agravar-se-á. Quando o presidente do governo, responsável pela situação, ali passando férias, fala de outras paragens e ignora os problemas da ilha, penso que está tudo dito. 
O Porto Santo é um problema, grave, é certo, mas o que dizer de toda a Região, quando ainda ontem a taxa de desemprego reflecte 16,8% equivalentes a mais de 21.700 pessoas sem trabalho? O que dizer de uma Região que enfrenta uma dupla austeridade, tem uma assustadora dívida, que regista menos dez milhões de receitas fiscais, onde as insolvências crescem, o turismo estagna, a fome alastra e onde é diminuta a capacidade de gerar emprego? Quase vinte e duas mil pessoas sem emprego, afora aqueles que já emigraram ou noutras paragens trabalham sazonalmente. Que dizer desta dramática situação?
O problema é que nada disto é novo e surpreendente. Afinal, aqueles que foram apelidados de "profetas da desgraça" tinham razão. Avisaram, chamaram à atenção, divulgaram os erros estratégicos que estavam a ser cometidos, equacionaram as situações gerais e específicas de forma sustentável, mas poucos quiseram ouvir. Pelo contrário, no acto do voto apostaram sempre nos mesmos, fragmentaram a oposição retirando-lhe poder alternativo, no essencial votaram sempre contra os seus interesses. É por isso que me custa ouvir da boca de alguns, frases do tipo "onde está a oposição?", manifestando com isso um quase total desconhecimento sobre o trabalho realizado e as propostas apresentadas. Como se não existissem pessoas de valor e de conhecimento e como se tudo se esgotasse nestas gastas figurinhas que dão rosto à governação regional. Mas, porventura, será possível fazer pior do que esta governação faz ou tem feito? Do meu ponto de vista, não é possível. No dia que a população entender dizer basta, quantos que por aí andam na toca saltarão disponiblizando-se para a construção do futuro? Serão filas intermináveis, estou certo!
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 11 de agosto de 2012

A DEMAGOGIA DO CDS/PP


O que me choca é a pouca-vergonha e a ausência de responsabilidade no corredor entre a dignidade do cargo de presidente do governo e as rodadas de imperial no bar do Henrique. Isso é que desprestigia a função e torna a residência oficial em um simples local de veraneio e de pernoita igual a tantos outros. E não deveria ser assim. A ostentação, o nível baixo e, por vezes, com alguma indignidade nas palavras ditas, em visitas locais, em cima de um palco ou entre um copo e umas lapas (as verdadeiras e outras) é que fazem ecoar a crítica relativamente à existência de uma residência oficial. O que não faz sentido é ela servir de poiso de férias de ex-governantes, actuais governantes e, porventura, de amigos de governantes. Aquilo não pode ser uma "datcha" reservada para os do "comité central". O que está em causa é, portanto, a definição clara da sua função o que implica uma utilização reservada e digna.  


Ao longo da minha vida tenho tido a possibilidade de sair da região e de visitar países, desde grandes cidades a aldeias. Costumo preparar ao pormenor, através de roteiros que me levam a integrar e conhecer a sua cultura em vários domínios. Neste quadro já visitei palácios que são residências de férias, desde regimes monárquicos a regimes republicanos, desde os nórdicos aos do sul. Até o Papa desfruta de uma residência de Verão, em Castel Gandolfo, um  lindo edifício do século XVII, que há quatro séculos serve de refugiu no período estival. Não vejo, por isso, onde está o problema de existir um edifício que sirva de residência oficial de um governante pertença à Igreja ou não. Trata-se, até, de uma questão de dignidade pelo cargo que alguém, circunstancialmente, ocupa, aliás, no quadro do trabalho que, embora em férias, naturalmente tem de desempenhar. A residência pode servir, por modesta que seja, para a recepção oficial de outros governantes de visita à Região, pelo que nada me choca a sua existência. Outra coisa é a forma abusiva e ostensiva, ao geito de dono da capoeira, com que se faz a sua utilização. O problema reside aí e não na função específica do edifício. O que me choca é a pouca-vergonha e a ausência de responsabilidade no corredor entre a dignidade do cargo de presidente do governo e as rodadas de imperial no bar do Henrique. Isso é que desprestigia a função e torna a residência oficial em um simples local de veraneio e de pernoita igual a tantos outros. E não deveria ser assim. A ostentação, o nível baixo e, por vezes, com alguma indignidade nas palavras ditas, em visitas locais, em cima de um palco ou entre um copo e umas lapas (as verdadeiras e outras) é que fazem ecoar a crítica relativamente à existência de uma residência oficial. O que não faz sentido é ela servir de poiso de férias de ex-governantes, actuais governantes e, porventura, de amigos de governantes. Aquilo não pode ser uma "datcha" reservada para os do "comité central". O que está em causa é, portanto, a definição clara da sua função o que implica uma utilização reservada e digna.
Se outro fosse o entendimento sobre a utilização da residência não fazia sentido qualquer pagamento diário pela sua utilização. O governante deveria suportar, apenas, os seus encargos de alimentação e outros. Considero, por isso, uma discussão demagógica aquela que esconde o essencial da questão para centrar a preocupação naquilo que uma parte do povo quer ouvir. Aquela é a casa oficial de todos, repito, todos, os presidentes de governo, pelo que, o que deve ser combatida é a sua utilização indiscriminada e abusiva. Aquele é património da Região, logo, de todos, e não património pessoal deste ou daquele.
Este presidente do governo tem de continuar a ser combatido nas suas fragilidades políticas, enquanto causador da desgraçada em que o povo mergulhou, enquanto político de raiz ditatorial, enquanto político que se pavoneia por aí à custa de uma grosseira mentira política, à custa da ignorância altifalante e à custa de ter utilizado os impostos de todos contra os interesses e a felicidade de todos. É aqui que o combate político tem de assentar, inclusive, no caso em apreço, na forma como utiliza as instalações oficiais. Neste pressuposto, alienar as instalações do Porto Santo e outras, não faz qualquer sentido, nem é por aí que sairemos da grave crise que, por culpa dele, todos estamos a sofrer. Sendo assim, considero demagógica a proposta do CDS/PP.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

PURO AUTISMO POLÍTICO


O artigo, se àquilo se pode designar por artigo de opinião, pois talvez seja mais um relatório, o Presidente do Governo termina com este naco de "fina prosa": "a conversa, os insultos, as calúnias e as mentiras dos nossos adversários, são fezes. Estamos orgulhosos de ser Autonomistas e Sociais-Democratas"! Orgulhosos de ver gente na miséria, empresários angustiados, uma juventude sem futuro e gente que nunca lhe passou pela cabeça ter de pedir esmola. O Presidente do Governo está orgulhoso desta situação, pelo que resta à Arquitecta Fátima Menezes começar a arrumar a sua secretária e despedir-se. Aquilo que já era há muito conhecido e que foi assumido acabou por ser considerado "insulto e calúnia", "fezes" na expressão mais reles e baixa. Qualquer pessoa com um mínimo de dignidade, ofendida desta maneira, embora sem designação concreta dos destinários, hoje mesmo apresentava a sua demissão. Porque tudo tem um limite!


Veio a Presidente da Câmara Municipal do Porto Santo, de forma esclarecida, assumir que "(...) existem situações dramáticas, nunca antes vividas no Porto Santo. Famílias que perderam a casa para os bancos. Famílias onde os dois cônjuges ficaram desempregados. Há muita pobreza escondida e envergonhada, porque esta é uma ilha pequena onde todos se conhecem. As pessoas batem à porta do meu gabinete a pedir ajuda, são situações muito difíceis que nós encaminhamos para a Casa do Povo, para a Segurança Social e para a Junta de Freguesia. Todas estas instituições, a par de outras privadas, estão a fazer um trabalho magnífico, incansável em ajudar estas pessoas, mas a verdade é que há famílias a passar por muitas dificuldades". Ora, porque há que esconder a realidade, o Presidente do Governo Regional, terá colocado todas as secretarias a procederem ao levantamento das "obras" feitas ao longo dos anos e, hoje, escreve um intragável repositório cronológico de tais obras desde 1976 até 2012. Digamos que se trata de uma inequívoca resposta à Presidente da Câmara. E o Jornal da Madeira, controlado pelo PSD e pago com os impostos de todos os madeirenses, imagine-se, transcreve na edição de hoje, com a devida vénia, tal "artigo" publicado no "povo livre", órgão do PSD-Madeira.
O Presidente do Governo assume, em título, que o Porto Santo é um case study. Dir-se-á que, para ele, não há fome, não há desemprego, não existem famílias em dificuldades, não há empresas em situação de insolvência, os culpados são os portosantenses que não souberam aproveitar a obra feita. Confunde cimento com desenvolvimento, o habitual. Ora, merecedor de estudo, para que jamais volte a acontecer, é a natureza e o desequilíbrio das opções políticas que vieram a redundar no colapso da ilha. E ele não consegue ver isto ou, se consegue, acaba por assumir uma atitude de defesa como se as pessoas comessem cimento! O povo, presidente, come através de uma economia sustentável geradora de emprego e isso pouco ou nada tem a ver com o sentido e a visão inauguracionista dos sucessivos governos.
O artigo, se àquilo se pode designar por artigo de opinião, pois talvez seja mais um relatório, o Presidente do Governo termina com este naco de "fina prosa": "a conversa, os insultos, as calúnias e as mentiras dos nossos adversários, são fezes. Estamos orgulhosos de ser Autonomistas e Sociais-Democratas"! Digo eu, orgulhosos de ver gente na miséria, empresários angustiados, uma juventude sem futuro e gente que nunca lhe passou pela cabeça ter de pedir esmola. O Presidente do Governo está orgulhoso desta situação, pelo que resta à Arquitecta Fátima Menezes começar a arrumar a sua secretária e despedir-se. Aquilo que já era há muito conhecido e que foi assumido acabou por ser considerado "insulto e calúnia", "fezes" na expressão mais reles e baixa. Qualquer pessoa com um mínimo de dignidade, ofendida desta maneira, embora sem designação concreta dos destinários, hoje mesmo apresentava a sua demissão. Porque tudo tem um limite!
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 4 de agosto de 2012

O PORTO SANTO É VÍTIMA DE UMA ESTRATÉGIA DE FUMO


Do meu ponto de vista foi, politicamente, "criminoso" o que ali se fez. Se antes sabia-se da sazonalidade em termos turísticos, agora nem sazonalidade existe. São as ligações áreas e marítimas que estão por resolver, a vergonhosa política de preços de quem quer ou tem necessidade de sair da ilha, facto que coloca os habitantes do Porto Santo a terem de pagar preços exorbitantes, são os problemas da promoção turística, são os problemas da formação, da revitalização do comércio (e isso é possível), da fixação dos jovens, dos monstros que estão construídos, inacabados ou sem utilização turística, enfim, o Porto Santo é, hoje, um "Deus me acuda". Politicamente, não há perdão para quem permitiu o actual quadro. É indisfaçável a angústia que paira no Porto Santo e, por momentos, senti-me numa cidade "fantasma". (Texto escrito a 18.11.2010)


A Senhora Arquitecta Fátima Menezes, presidente da Câmara Municipal do Porto Santo, assumiu, hoje, em entrevista do DN-Madeira: "(...) Existem situações dramáticas, nunca antes vividas no Porto Santo. Famílias que perderam a casa para os bancos. Famílias onde os dois cônjuges ficaram desempregados. Há muita pobreza escondida e envergonhada, porque esta é uma ilha pequena onde todos se conhecem. As pessoas batem à porta do meu gabinete a pedir ajuda, são situações muito difíceis que nós encaminhamos para a Casa do Povo, para a Segurança Social e para a Junta de Freguesia. Todas estas instituições, a par de outras privadas, estão a fazer um trabalho magnífico, incansável em ajudar estas pessoas, mas a verdade é que há famílias a passar por muitas dificuldades".
Registo a constatação da realidade, mas tenho de dizer que não é assunto novo. A 18 de Novembro de 2010, após uma visita do grupo parlamentar do PS à ilha vizinha, escrevi neste blogue: 
"Estou a chegar do Porto Santo. Venho constrangido, de coração apertado. Chega a ser comovente para quem tem alguma sensibilidade económica e social. O Porto Santo vive um momento de angústia colectiva. Não há qualquer exagero nestas palavras. Não há movimento, a economia está paralisada, o desemprego é aflitivo e, naturalmente, a pobreza cresce. Alguns indicadores mais visíveis: hotéis fechados, outros a 10% (se estiverem) de ocupação, 92% das empresas em insolvência técnica, mais de 13% de desemprego, atrasos significativos nos pagamentos fiscais e de segurança social, problemas judiciais em crescendo resultantes de incumprimentos diversos, habitações devolvidas à banca, enfim, um quadro absolutamente catastrófico. O tempo das vacas gordas, das obras e mais obras, sobretudo as da Sociedade de Desenvolvimento que geraram emprego na construção civil, lá se foi, o tempo das promessas do governo regional da Madeira que geraram expectativas de futuro morreu e, hoje, as gentes do Porto Santo, tem os olhos pregados numa profunda crise, ainda muito antes, de lhes cair em cima as medidas de austeridade.
Os relatos que escutei foram dramáticos e não há, repito, qualquer exagero. São reais e detectáveis aos olhos de quem conjuga os sinais. E o que mais magoa e me entristece é que tudo aquilo que está a acontecer é consequência de uma total ausência de um plano estratégico. O Governo não soube criar e denuncia que não tem um caminho definido, uma estratégia portadora de futuro para aquela ilha. Enquanto o dinheiro circulou, na esteira das obras públicas, a situação real foi esbatida, todavia, hoje é sensível que esse mesmo dinheiro não se reflectiu nas pessoas. Tratou-se de uma "estratégia" de fumo que se dissipou com o tempo.
Do meu ponto de vista foi, politicamente, "criminoso" o que ali se fez. Se antes sabia-se da sazonalidade em termos turísticos, agora nem sazonalidade existe. São as ligações áreas e marítimas que estão por resolver, a vergonhosa política de preços de quem quer ou tem necessidade de sair da ilha, facto que coloca os habitantes do Porto Santo a terem de pagar preços exorbitantes, são os problemas da promoção turística, são os problemas da formação, da revitalização do comércio (e isso é possível), da fixação dos jovens, dos monstros que estão construídos, inacabados ou sem utilização turística, enfim, o Porto Santo é, hoje, um "Deus me acuda". Politicamente, não há perdão para quem permitiu o actual quadro. É indisfaçável a angústia que paira no Porto Santo e, por momentos, senti-me numa cidade fantasma".
Passaram-se quase dois anos e tudo continua na mesma. Talvez, pior, porque a pobreza multiplica a pobreza. Do governo regional nem uma medida, o que me leva a dizer que as gentes do Porto Santo estão entregues a si próprios. É como se a ilha não existisse, como se ela servisse apenas para umas férias do "politburo" regional. Uma vergonha e um drama que só pode ser resolvido com uma mudança política radical no governo regional e na Câmara Municipal. O Porto Santo necessita de uma estratégia e essa, pode ser lida aqui.
Ilustração: Google Imagens

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

NÃO DESTRUAM O PORTO SANTO


Estou a lembrar-me, por exemplo, talvez porque estamos no Inverno, de Saas-Fee, na Suíça (40 km2), onde os veículos ficam estacionados fora da pequena cidade, onde no seu interior é a viatura não poluente (poucas) que circula, onde não há centros comerciais e por aí fora. É evidente que tem os picos cheios de neve, é evidente que tem a sua especificidade, mas o que aqui importa é a garantir a "exploração máxima" da identidade de um lugar. E o Porto Santo (42 km2) tem especificidades para serem exploradas no quadro de um "conceito de ECODESTINO IRREPREENSÍVEL. O Ecoturismo como factor diferenciador gerador de uma forte reputação internacional e como fonte criadora de riqueza sustentável".


Tenho tido, felizmente, a oportunidade de, todos os anos, visitar alguns destinos que me interessam do ponto de vista da riqueza do património, dos museus, da arquitetura, da preservação e a forma como vivem as pessoas. Defino um ponto estratégico e, conduzindo, vou e regresso todos os dias aos pontos que me interessam. Numa semana, em média, faço 1200/1500 km. Tenho visitado grandes cidades, pequenas cidades e aldeias da nossa Europa. Do pouco que conheço em função do muito que gostaria de viver, tenho, hoje, uma ideia formada, baseada na experiência, sobre o que não deve ser feito num destino turístico. Desde logo, quando tenho a possibilidade de visitar um país, nunca o escolho porque a cidade é sede do Real Madrid, do Manchester ou do Paris Saint-Germain. Visito pela qualidade e do muito que posso desfrutar, por aquilo que é distintivo, diferente, que esmaga e que enriquece. Não visito para ver cimento, para olhar para o repetitivo que aqui encontramos. Penso, aliás, que esta é a tendência de qualquer turista quando sai da sua terra. Longe vão os tempos do turista que gastava os sofás dos hotéis. O turista é, cada vez mais, dinâmico, ávido de experiências e de contemplação sobre aquilo que lhe enche a alma.
Vem isto a propósito do Porto Santo. A destruição que andaram a fazer e que, parece, querem continuar a fazer. Um destino que pode deixar de ser sazonal, à semelhança de tantos que existem por aí fora, cada um com as suas especificidades, mas que não são desvirtuadas. Ao ler o artigo de hoje, do Dr. João Welsh, sobre o Porto Santo (42 km2), a páginas tantas a minha memória passava por alguns aglomerados populacionais muito significativos e que se encaixavam na perspectiva do autor do artigo. Estou a lembrar-me, por exemplo, talvez porque estamos no Inverno, de Saas-Fee, na Suíça (40 km2), onde os veículos ficam estacionados fora da pequena cidade, onde no seu interior é a viatura não poluente (poucas) que circula, onde não há centros comerciais e por aí fora. É evidente que tem os picos cheios de neve, é evidente que tem a sua especificidade, mas o que aqui importa é a garantir a "exploração máxima" da identidade de um lugar. E o Porto Santo tem especificidades para serem exploradas no quadro de um "conceito de ECODESTINO IRREPREENSÍVEL. O Ecoturismo como factor diferenciador gerador de uma forte reputação internacional e como fonte criadora de riqueza sustentável". Deixo aqui um excerto do texto do Dr. João Welsh, com uma pergunta: porque raio este governo regional não pergunta a quem sabe?
" Um conceito cuja marca diferenciadora, à imagem de alguns destinos verdadeiramente "desenvolvidos" passaria por anunciar O QUE A ILHA NÃO TEM (limito-me a copiar conceitos): Somos uma ilha que NÃO TEM: Centros comerciais; cadeias de fast food; mega hotéis, all inclusives, time-sharing - só pequenas unidades - uma ilha que não tem carros (só dos residentes + táxis - todos eléctricos não poluentes). Um destino onde os peões, os ciclistas, as segways e os cavalos seriam os principais meios de transporte, sempre com prioridade sobre os poucos veículos eléctricos. Uma ilha em que, imitando bons exemplos, os sacos de plástico seriam totalmente banidos e seria feita uma aposta na agricultura biológica com vista a maximizar o consumo hoteleiro dos produtos agrícolas da ilha - por pouco expressivos que fossem. A implementação de um conceito desta natureza, só por si, constituir-se-ia numa imagem de brutal força promocional! Constituir-se-ia facilmente numa referência nos mercados gerando procura sustentada."
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

UM NOVO HOTEL NO PORTO SANTO?


E temos razões de sobra para esta audição. Não vamos em histórias, porque já foram construídos dezenas de restaurantes pelas Sociedades de Desenvolvimento, em concorrência desleal com o sector privado, pelo que esta intenção deve ser devidamente esclarecida.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PORTO SANTO: ANGÚSTIA NUMA CIDADE "FANTASMA" (II)

PORTO SANTO: ANGÚSTIA NUMA CIDADE "FANTASMA" (I)


Tratou-se de uma "estratégia" de fumo que se dissipou com o tempo. Do meu ponto de vista foi, politicamente, "criminoso" o que ali se fez. Se antes sabia-se da sazonalidade em termos turísticos, agora nem sazonalidade existe.


O Porto Santo é, hoje,
"um Deus me acuda"
 
Estou a chegar do Porto Santo. Venho constrangido, de coração apertado. Chega a ser comovente para quem tem alguma sensibilidade económica e social. O Porto Santo vive um momento de angústia colectiva. Não há qualquer exagero nestas palavras. Não há movimento, a economia está paralizada, o desemprego é aflitivo e, naturalmente, a pobreza cresce. Alguns indicadores mais visíveis: hotéis fechados, outros a 10% (se estiverem) de ocupação, 92% das empresas em insolvência técnica, mais de 13% de desemprego, atrasos significativos nos pagamentos fiscais e de segurança social, problemas judiciais em crescendo resultantes de incumprimentos diversos, habitações devolvidas à banca, enfim, um quadro absolutamente catastrófico. O tempo das vacas gordas, das obras e mais obras, sobretudo as da Sociedade de Desenvolvimento que geraram emprego na construção civil, lá se foi, o tempo das promessas do governo regional da Madeira que geraram expectativas de futuro morreu e, hoje, as gentes do Porto Santo, tem os olhos pregados numa profunda crise, ainda muito antes, de lhes cair em cima as medidas de austeridade. 
Os relatos que escutei foram dramáticos e não há, repito, qualquer exagero. São reais e detectáveis aos olhos de quem conjuga os sinais. E o que mais magoa e me entristece é que tudo aquilo que está a acontecer é consequência de uma total ausência de um plano estratégico. O Governo não soube criar e denuncia que não tem um caminho definido, uma estratégia portadora de futuro para aquela ilha. Enquanto o dinheiro circulou, na esteira das obras públicas, a situação real foi esbatida, todavia, hoje é sensível que esse mesmo dinheiro não se reflectiu nas pessoas. Tratou-se de uma "estratégia" de fumo que se dissipou com o tempo.
Do meu ponto de vista foi, politicamente, "criminoso" o que ali se fez. Se antes sabia-se da sazonalidade em termos turísticos, agora nem sazonalidade existe. São as ligações áereas e marítimas que estão por resolver, a vergonhosa política de preços de quem quer ou tem necessidade de sair da ilha, facto que coloca os habitantes do Porto Santo a terem de pagar preços exorbitantes, são os problemas da promoção turística, são os problemas da formação, da revitalização do comércio (e isso é possível), da fixação dos jovens, dos monstros que estão construídos, inacabados ou sem utilização turística, enfim, o Porto Santo é, hoje, um "Deus me acuda". Politicamente, não há perdão para quem permitiu o actual quadro. É indisfaçável a angústia que paira no Porto Santo e, por momentos, senti-me numa cidade "fantasma".
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O DEDO NA FERIDA

Li o artigo de opinião, da autoria do Dr. Raúl Ribeiro, publicado, hoje, na edição do DN. Uma vez mais vale a pena ler com atenção. Sob o título "Retalhos das Férias" refere-se o autor à política de crescimento no Porto Santo:
"(...) Pelo que vi em tão curta estadia, há fronteiras que já foram irremediavelmente ultrapassadas: infra-estruturas mastodônticas que ferem de morte o equilíbrio paisagístico, fileiras de casinhas formatadas e desengraçadas, anónimos caixotes de férias de feias cores vestidos, devaneios arquitectónicos estapafúrdios…Quando faria todo o sentido promover a proliferação de pequenos e médios projectos hoteleiros de qualidade, com pouca densidade e volumetria, optou-se por acarinhar mega-empreendimentos - e haverá turistas para tanta cama? E caso haja, haverá ilha para tanto turista? Sim, porque a praia não é elástica, e se actualmente o mês de Agosto já se assemelha a um caos mais ou menos controlado, dentro de poucos anos será impossível usar expressões como "descanso" e "tranquilidade" para definir a Ilha Dourada (...) Também a nível do tráfego e do estacionamento é notório um desequilíbrio - o número de viaturas visitantes em circulação continua a aumentar, na proporção inversa das alternativas de estacionamento gratuito, cada vez mais escassas e longe das condições ideais".
Há muito que penso assim e há muito tempo que defendo que estão a matar a galinha dos ovos de ouro. Parabéns pela coragem de tocar numa ferida que já está fora de controlo.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

PORTO SANTO A SAQUE?

Não tenho uma grande vivência do Mundo. Todavia, tenho a felicidade de conhecer grandes e pequenas cidades, vilas e aldeias, locais de turismo de massas e outros de turismo onde impera a qualidade. Quando programo as férias, sempre com um ano de antecedência, faço o possível por proceder a um rigoroso e exaustivo levantamento de tudo quanto quero ver e compreender. Isto para dizer que a sensação que tenho, em função do que conheço, das características do Porto Santo e das notícias publicadas, é que este governo tem uma política suicidária para o Porto Santo.
Ainda distante de uma experiência sobre as consequências da existência de 4.000 camas (neste momento existem cerca de 3.000) e já leio declarações do Presidente da Câmara que a "ilha do Porto Santo quer atingir rapidamente as 7.500 camas para turistas, procurando transformar-se num dos maiores destinos de praia da Europa". Atira o número de camas para o ar mas esquece-se de contextualizar que isso implica: água, serviços e disponibilidade de trabalhadores, serviços de saúde, estabelecimentos de ensino e formação profissional, habitação, animação cultural, enfim, um extenso rol de necessidades para dar resposta a mais de 10.000 pessoas diárias entre residentes e população flutuante. Depois vem a questão do destino de praia. E no Inverno, como é?
Posso, por ausência de elementos (esta não é a minha área de estudo) estar a fazer uma análise pouco consistente. No entanto, repito, pelo que conheço por essa Europa fora, na falta de fundamentação sustentável que compete a quem governa divulgar, a imagem que me fica é que estão a dar cabo do Porto Santo.