Mostrar mensagens com a etiqueta Praça do Povo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Praça do Povo. Mostrar todas as mensagens

domingo, 27 de dezembro de 2015

CUIDADO, A "ANATEREZA" NÃO ESTÁ VELHA!

O mar agitou-se. Estava previsto, mas nada de anormal no que se refere à ondulação. Hoje, a previsão parece que poderá ser um pouco pior. Apenas um cheirinho de outros momentos que, sabe-se, surgirão, naturalmente, e que poderão ser mais assustadores. Não os desejo, mas sei que a natureza não está velha. Pronunciando ao nosso jeito madeirense, a "anatereza" é assim. Do mar tantas vezes dizemos que "parece azeite", como em outras surge-nos muito zangado; lá para cima, em outros momentos, zune que mete medo! É assim. Os governantes deveriam saber que não deveriam brincar com ela, aliás, por tantos os avisos que foram e são feitos por gente de ciência. Mas prevaricam, mesmo sabendo que, por exemplo, normalmente, não correndo água abundante, por algum motivo atribuíram a designação de "ribeira brava". Tal como não ouviram quem sabe, por experiência vivida, no caso da marina do Lugar de Baixo. Tal como, não aprendendo com a tal "anatereza", fizeram um cais numerado por 8 que está feito em um oito, tal é a rebentação que impede a acostagem de navios. Ontem, foi um mero aviso!

Cais 8 ainda em projecto

Não percebo nada de engenharia, mas esse facto não me impede de constatar a realidade. São muitos, graves e estão aos olhos de todos. E a questão essencial que se coloca é a da (ir)responsabilidade da sua construção. Se, no privado, alguém comete um erro é julgado, vão em cima, como soe dizer-se, como cães a um osso. No sector público, infelizmente, os erros custam milhões e ninguém é chamado à responsabilidade. Estava no "programa de governo", dizem. No privado, se alguém deve a alguém, a um banco, por exemplo, coitado, é penhorado em dois tempos. No sector público, gasta-se em megalomanias e de forma inversa às necessidades, tudo em nome do povo, e ninguém é "chamado à pedra". A culpa é sempre da "anatereza".
Vi as ondas baterem forte no novo cais. Não sei se naquela "praça do povo" estarão os restos mortais de alguns dos desaparecidos do 20 de Fevereiro. Pode ter sido o cemitério de alguns. Não se sabe, mas há uma probabilidade que assim seja. Da mesma forma que não se sabe, com todo o rigor, se foi aquele o número de mortes na sequência da força "d'anareteza" naquela data. Não sei se a aluvião levou mais do que o anunciado. Apenas sei que o Ministério Público "(...) entendeu ter-se tratado de uma tragédia com origem natural, não tendo existido negligência. O jornal Público noticia hoje (22.04.2011) que o "Ministério Público, na investigação feita ao temporal de 20 de Fevereiro de 2010 na Madeira, não encontrou indícios que permitam imputar a morte de qualquer das 48 vítimas a acto humano, voluntário ou meramente negligente", acabando por concluir que todas as mortes resultaram de "causa natural". O temporal de 20 de Fevereiro causou 48 mortes e sete desaparecidos (...)".
O cais 8, ontem fustigado, minimamente, é certo, tem uma história que arrepia. E continuará a arrepiar. Não só porque ali poderão estar madeirenses "sepultados", como pelos milhões gastos em uma obra só possível pelo acto ditatorial de quem a subscreveu.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

PRAÇA DO POVO E O POVO ENGANADO


Respeito, totalmente, todos aqueles que consideram notável a obra hoje inaugurada. O "aterro" deu lugar a um espaço moderno e de circulação das pessoas. Repito, respeito quem olha para esse espaço e, hoje, bate palmas. Não é a minha posição. Ao longo do tempo, desde há três, quatro anos, que tenho seguido as posições técnicas e científicas de muitos observadores que se debruçaram sobre esta obra e não bastasse isso, transporto um posicionamento de total respeito pela natureza e pelo ímpar recorte da baía do Funchal. Preferia, portanto, que o governo tivesse tido em conta as inúmeras chamadas de atenção e que não tivesse cedido ao alegadamente mais fácil. E tanto assim é que, curiosamente, já falam na indispensabilidade do prolongamento da Pontinha em 400 metros, exactamente para protecção do que agora foi inaugurado. 


Politicamente, por múltiplas razões, considero um desaforo do presidente do governo falar de “um acto (inaugural) de esperança”, “símbolo de esperança” esta dita "Praça do Povo" para que todos deixem de se "mortificar" sobre a vida que levam. Como se as pessoas pudessem viver do ar e da imagem bonitinha de um espaço. Tudo isto tem muito que se lhe diga, eu sei, mas oxalá que a natureza seja "amiga" e que nunca ali aconteça um Lugar de Baixo de triste memória, cuja responsabilidade pertence ao vice-presidente João Cunha e Silva. Natureza amiga também a montante e que o 20 de Fevereiro de 2010 nunca se repita. Mas sei que a História não é  assim que narra.
Ilustração: Google Imagens.