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quinta-feira, 6 de julho de 2017

SOBRE A DISPONIBILIZAÇÃO DE MEIOS AÉREOS NO COMBATE A INCÊNDIOS NA MADEIRA

Carlos Pereira, Deputado do PS-M foi muito claro na RTP-Madeira.

 

Nota
Enquanto cidadão e telespectador, confesso que tenho muita dificuldade em aceitar que um moderador de um debate intervenha com posições que são as do poder político regional. Para essa tarefa está lá a representante desse poder. É isto que sistematicamente acontece. Parto do princípio que se trata de um lapso não intencional e, portanto, a corrigir. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

OS ESPECTADORES DESEJAM SIMPLICIDADE E QUALIDADE


Estava eu a cumprir o meu exercício físico quase diário: trinta a quarenta minutos de corrida. À minha frente um televisor, com áudio alto. Segui uma espécie de debate com dois convidados. Fui escutando, sem perder o controlo respiratório face a um ritmo de 8,6 km/hora, com uma inclinação de 5%. Um horror, tanta a banalidade, na minha opinião, ali dita de rajada. Não sei se se trata de um programa enquadrado na grelha, pois foi a primeira vez que o segui. A primeira e última. Senti pena, pela estação emissora e pelos espectadores. 


Os espectadores merecem um misto de simplicidade na arquitectura da transmissão dos conteúdos, mas não dispensam a qualidade. E este aspecto é fundamental, inclusive, para a formação de quem segue um programa. Se é para encher não vale a pena. Isto significa que merecem ser respeitados. Não é qualquer um que pode ser comentador. Necessita ter um histórico de conhecimento, dominar os temas e, na rádio ou na televisão, ser fluente. No mínimo, não se perder no desenvolvimento dos raciocínios. Se nada sei, por exemplo, de engenharia espacial, não me atrevo a escrever, tampouco a falar. Mas gosto de escutar e de aprender.
Mas admitamos que os temas são genéricos e não necessitam de uma especialização. Mesmo aí, é inadmissível que, seja lá quem for, não faça um esforço para conhecer e dominar um tema, preparando-se, no sentido de apresentar-se em condições de transmitir uma posição sustentada e, por isso, tendencialmente credível. Quando este pressuposto não acontece, o controlo remoto é decisivo para a mudança de canal.
Respeitem os espectadores.
Ilustração:  Google Imagens. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O FUNERAL DE LUÍS MIGUEL FRANÇA: BASÍLIA, O MIGUEL APENAS NÃO ESTÁ PRESENTE... MAS ANDA POR AÍ!


Por amizade e dever social fui ao cemitério para um último adeus ao Amigo Luís Miguel França. Vivi, obviamente, um momento profundamente triste pela implacável morte que roubou o Miguel ao nosso convívio, mas também confortado por ter sentido que a sua Mulher Basília Pita, embora a atravessar um momento extremamente doloroso, transmitia serenidade e uma absoluta força interior para enfrentar os próximos e sempre difíceis capítulos da vida. Nestes momentos as palavras devem ser poucas para não cairmos na banalidade. Só a presença, quando sincera, diz tudo. Mas falámos e desabafámos o que, para ambos, estou certo, foi importante. De regresso, foi-me impossível não rebobinar uma cassete, tal como tantas vezes o Miguel o fez na redação da televisão, a pretexto de montar uma peça. Neste meu caso, dei comigo a juntar, de forma dispersa, alguns momentos e conversas que tivemos. 


Falei muitas vezes como o Luís Miguel França, um excelente profissional de rádio e televisão, portador de uma extraordinária voz e de um semblante que inspirava confiança na leitura das notícias. Nunca deixou qualquer rasto que demonstrasse naturais opções pessoais de natureza política ou sobre a sociedade. Foi um Jornalista acutilante mas distante. Um dia, já tem uns anos, disse-lhe mais ou menos isto: meu Amigo, parabéns pela entrevista que fez ao patrão de um grupo económico, extremamente bem preparada e profunda, mas tenho a sensação que assinou a sua sentença. Nesta terra paga quem é profissional e rejeita a auto-censura. Ele riu-se, mas percebi a sua preocupação. A verdade é que, passado algum tempo, após dois anos de mandato na Assembleia da República, para a qual foi eleito nas listas do Partido Socialista, o Luís Miguel França regressou ao seu posto de trabalho (RTP) e, claro, por falta de decência e por menoridade democrática de uns quaisquer, foi atirado para o "quarto escuro"! Esqueceram o seu passado, o facto de ter atingido o topo, de ser reconhecido e toma lá, entretém-te com reportagens que deveriam ser entregues a principiantes. Para ele foi um massacre diário. Não suportou e saiu aproveitando negociações de desvinculação dos quadros da Empresa. 
Não posso dizer que algumas graves situações profissionais tenham pesado na sua prematura morte, mas todos nós sabemos que tornamo-nos muito mais frágeis quando nos deixamos envolver pelas situações de injustiça e pela leitura da maldade. Seja qual for o peso que essas situações possam ter tido, o Luís Miguel França partiu quando tinha muito para dar (e não quiseram que ele desse). Quem ainda fica, que sinta o remorso pelo ostracismo a que o votaram, o remorso de não o terem entre os melhores que a Televisão tinha e, irremediavelmente, deixou escapar. Maldosamente, esqueceram-se que um eleito pelo Povo apenas cumpre, temporariamente, um SERVIÇO PÚBLICO À COMUNIDADE. Mais. Que o exercício da política não corresponde a uma profissão, mas a um acto de cidadania. Esqueceram-se, também, de quantos que não o sendo de "papel passado" e que se mantêm numa aparente virgindade, são mais partidários do que muitos que dizem "vou ali e já volto". Certamente que o remorso dará lugar a abraços à sua Mulher, alguns hipócritas, ao jeito, estamos contigo! Logo a ela que também tem sido vítima colateral de decisões obscuras.
Basília, mais um beijinho, extensivo à Sofia. Mantenha-se serena e determinada. O Luís apenas não está presente, mas anda por aí.

quarta-feira, 25 de março de 2015

O DEBATE, A AUSÊNCIA DO CANDIDATO DO PSD E A DIFERENÇA ENTRE O ESSENCIAL E O ACESSÓRIO


Segui uma grande parte do debate na RTP-Madeira entre os candidatos da "Coligação Mudança" e do CDS-Madeira. Do que assisti, do meu ponto de vista estiveram bem. A cadeira do candidato Miguel Albuquerque (PSD) ficou vazia. E não precisou de lá estar. Lamentavelmente, o moderador, a espaços, acabou por fazer o contraditório. Apenas dois exemplos entre vários: é-me difícil compreender o propósito da insistência na política autárquica do Funchal e, quando esgotada, a viragem para uma dita turbulência política no Porto Santo; ou trazer à colação o Deputado José Manuel Coelho, questionando, com insistência, se será ou não governante! 


Ora, desde logo, dois aspectos: primeiro, os partidos em presença apresentaram, publicamente, o seu programa eleitoral e de governo. Seria importante esmiuçá-los nos seus conteúdos sectoriais, viabilidades e comprometimentos (o candidato do PSD apenas publicou, até agora, uma lista de banalidades); segundo, o julgamento político das autarquias que o PSD perdeu verificar-se-á daqui a pouco menos de três anos, portanto, é de todo descabido trazê-las para o centro do debate (o que tem sido público é que andam a pagar monumentais dívidas deixadas).
Sou, apenas, um espectador e gosto de seguir um moderador que não traga para a mesa as suas eventuais convicções ou, então, as questões de mesa de café. Quem modera deve ser discreto mas acutilante; oportuno mas não tendencioso; centrar-se no essencial e não no acessório. As "estrelas" são os convidados e é nesses que a minha atenção se centra. De folclore político já vivemos quase quarenta anos.
Finalmente, seria óbvio, como esclarecimento à população, face aos protestos vindos a público que envolveram a Comissão Nacional de Eleições, que, no início do debate, fosse clarificada a posição da RTP-Madeira. Tal não aconteceu, o que deixa a RTP-Madeira, por omissão, numa situação muito desconfortável. Por exemplo, aquele debate surge porquê e, sobretudo, como? O sorteio assim ditou? Não sei.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 20 de dezembro de 2014

SOBRE O SERVIÇO PÚBLICO DE TELEVISÃO "NENHUMA DEMOCRACIA SOBREVIVE SE NÃO PUSERMOS COBRO À OMNIPOTÊNCIA"


"(...) Os senhores da aldeia têm a sua própria agenda política e resistem a quaisquer mudanças económicas e sociais que não se ajustem aos seus interesses financeiros. Juntos eles exercem um poder homogeneizante sobre as ideias, a cultura e o comércio que afectam as maiores populações de que se tem conhecimento desde sempre. Nem César, nem Hitler, nem Roosevelt nem qualquer Papa tiveram tanto poder como eles para moldar a informação da qual tantas pessoas dependem para tomar decisões sobre as mais variadas matérias: desde em quem votar até ao que comer". Na verdade, os gestores dos media criam, processam, refinam e presidem à circulação de imagens e informações que determinam as nossas crenças e atitudes e, em última instância, os nossos comportamentos" (...) "os gestores dos media tornaram-se gestores das mentes".


Meu Caro e distinto Amigo Nelson Pestana, 
Destaco o teu posicionamento sobre o que ontem aqui deixei. Quero agradecer o teu comentário porque me permite ir um pouco mais além.
De facto, estudei o "Serviço Público de Rádio e Televisão". Auscultei muitas pessoas do topo da televisão portuguesa, figuras que estudaram e deixaram obras, outros autores que publicaram sobre esta temática, vasculhei muita documentação sobre os canais públicos e privados, sobretudo na Europa, tudo no âmbito de uma Dissertação sobre aquele tema. Tenho, por isso, uma opinião (a minha verdade entre tantas verdades) sobre o que concluí dever ser a "informação diária" e a "informação não diária". E porque sei que o debate destas questões, sobretudo a partidária, transporta muitas emoções e posicionamentos, intencionalmente, coloquei duas perguntas no meu texto. Apenas duas perguntas, porque julgo conhecer não apenas a realidade política regional e nacional, mas fundamentalmente os critérios que devem nortear a informação. Fugi, por isso, ao envolvimento e à emoção partidária, aprendendo com Umberto Eco que advertiu que a civilização democrática "se salvará se da linguagem da imagem fizer um estímulo à reflexão crítica e não um convite à hipnose". E li, também, meu Caro Nelson, em K. Popper e J. Condry, no livro "Televisão, um perigo para a democracia", "(...) que a democracia consiste em submeter o poder político a um controlo. É essa a sua característica essencial. Numa democracia não deveria existir nenhum poder político incontrolado. Ora, a televisão tornou-se hoje em dia um poder colossal; podemos mesmo dizer que é potencialmente o mais importante de todos, como se tivesse substituído a voz de Deus. E será assim enquanto continuarmos a suportar os seus abusos (...) pois nenhuma democracia pode sobreviver se não pusermos cobro a esta omnipotência". Um outro, Jacques Piveteau (in L'Extase de la Television), a páginas tantas, sublinhou que a televisão é geradora de "efeitos hemiplégicos no seio da família". É, por isso, que os defensores da cultura clássica referem que a imagem é sempre geradora de um certo tipo de escravidão.
Desculpa-me, Caro Nelson, mas não resisto a transcrever Ben Baddikian, citado no livro de Jorge de Campos, "A Caixa Negra": "(...) Os senhores da aldeia têm a sua própria agenda política e resistem a quaisquer mudanças económicas e sociais que não se ajustem aos seus interesses financeiros. Juntos eles exercem um poder homogeneizante sobre as ideias, a cultura e o comércio que afectam as maiores populações de que se tem conhecimento desde sempre. Nem César, nem Hitler, nem Roosevelt nem qualquer Papa tiveram tanto poder como eles para moldar a informação da qual tantas pessoas dependem para tomar decisões sobre as mais variadas matérias: desde em quem votar até ao que comer". Na verdade, os gestores dos media criam, processam, refinam e presidem à circulação de imagens e informações que determinam as nossas crenças e atitudes e, em última instância, os nossos comportamentos" (...) "os gestores dos media tornaram-se gestores das mentes".
Perante estes pressupostos exige-se, penso eu, equilíbrio, sobretudo num serviço público. A RTP não é privada! Porque uma eleição interna de um partido não é semelhante a um congresso partidário, tampouco idêntico a um acto eleitoral regional ou nacional para apurar os representantes do Povo em uma Assembleia Legislativa. Uma eleição interna é um assunto que deve ser tratado, no âmbito da informação diária, e com muita boa vontade, de um "especial informação" para divulgação dos resultados, mas nada mais do que isso. Ontem, o "serviço público" ofereceu aos madeirenses e portosantenses um tempo de emissão que quase ultrapassou o tempo de emissão de umas eleições regionais. Curiosamente, um dos factos importantes da semana política, a grave perturbação vivida no sistema regional de Saúde, foi abafada, completamente, por uma eleição partidária onde estão envolvidos aqueles que conduziram o sistema de saúde à gravíssima situação em que se encontra. E este facto, entre tantos outros, não é inocente. Na política o que parece é, dai que Umberto Eco tenha razão quando sublinha o "efeito de hipnose". E a Democracia, como reconhecerás, é muito mais do que uma eleição interna de um partido.
Meu Amigo, estou distante da actividade partidária. E sinto-me bem ao ter decidido manter as convicções, cada vez mais profundas e enraizadas em princípios e valores sociais, mas longe das emoções que, muitas vezes, a muitos, fazem perder o sentido do bom senso. A ela não voltarei porque há um tempo para estar e um tempo para ser espectador atento.
Um grande abraço de muita Amizade, consideração e estima pessoal. Bom Natal.
NOTA:
Resposta a um comentário publicado na minha página de Facebook.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

AFINAL, QUEM MANDA NA TELEVISÃO REGIONAL?


A sensação que tenho, sobretudo por aquilo que me chega, é que a RTP-Madeira anda a ser gerida de fora para dentro. Falam-me da presença não presença de um designado Grupo Sousa que entre frestas, bons telefones e subtis contactos, influencia e determina os rumos. Despacha. 



A mando de quem, não sei! Ou se calhar admito saber. Lá dentro uns sobrevivem numa espécie, como lhe chamam, de "Faixa de Gaza", enquanto outros, fazendo parte da confraria, alinham e ocupam espaços de influência. São recompensados! Há trabalhadores literalmente "despachados" não interessando os anos de trabalho e sobretudo a competência profissional. Não interessam, talvez porque pensam por si. E se denunciam ou são, enquanto cidadãos, simpatizantes de um partido que não o do poder, bom, aí o caldo entorna-se! Concluo que parece pontuar a sobrevivência e a obediência ao "chefe" que por sua vez obedece a outros "padrinhos" da "máfia boazinha". Poderão ser meras conjecturas minhas a partir da montagem das pedras do puzzle no tabuleiro que tento perceber. Admito. Mas quem está por fora e, por exemplo, segue os telejornais (e não só), fica com aquela sensação que aquilo está cada vez mais a se tornar em uma extensão do Jornal da Madeira ou a um funil de interesses partidários. A rede é muito, muito fina. O que me leva a dizer, assim sendo, que não existe respeito pela dignidade profissional de quem trabalha. Há silêncios que correm lado a lado com a prepotência. Isto quando se sabe quanto importante é para a qualidade, o sentimento de pertença pela empresa. Picar o ponto, cumprir as horas e sair não conduz a empresa a parte alguma. Apenas à rotina. É o que está a acontecer por "melhores" grelhas que tentem apresentar. 
Do meu ponto de vista, pertencendo a RTP-Madeira ao sector público, mesmo que dependendo da empresa sediada em Lisboa, a Assembleia Legislativa da Madeira deveria, em Comissão Especializada, ouvir as várias áreas para compreender, posicionar-se e recomendar a independência do canal de quaisquer interesses que, silenciosamente, se movam em seu redor. A suspeição tem de acabar dando lugar à transparência. A empresa tem de ser gerida de dentro para fora, tem de ser livre, independente, transparente, profunda nas análises e nunca um espaço onde prevalece a "voz do dono". Apenas uma opinião.
Ilustração: Google Imagem.

sábado, 29 de março de 2014

DEIXEM-ME TRABALHAR


Tenho por princípio o respeito pelas instituições. Ainda para mais quando resultam de actos democráticos. Outra coisa é nutrir respeito pelas pessoas que ocupam certos lugares e cuja actividade acabamos por olhar de forma enviesada. É o caso desta figurinha, do meu ponto de vista responsável por tudo quanto aconteceu nos últimos anos em Portugal. Há pessoas que se atiram, por exemplo, a José Sócrates com uma tal agressividade política que até arrepia. Como se ele tivesse sido culpado pelos desmandos internacionais, nascidos fora de Portugal, e que arrastaram quase toda a Europa para a maior crise dos últimos oitenta anos. Esquecem-se o que de bom foi feito, caso concreto,  a redução de um défice de 6,83% do PIB para menos de 3% apenas em uma legislatura, com crescimento económico e reforço dos apoios sociais. Esquecem-se da abertura às exportações com múltiplas visitas e protocolos que agora estão a resultar. Esquecem-se da luta pelas energias limpas, pela não dependência externa ao nível dos combustíveis. Esquecem-se da renovação do parque escolar e da obrigatoriedade do 12º ano. Esquecem-se das questões da igualdade e do salário mínimo nacional. Esquecem-se do PEC IV que teria evitado a troika (olhe-se para o caso espanhol). Esquecem-se que houve um político que chegou a ter o País com 9% de défice, e pimba, toca a desancar como se Sócrates fosse o culpado dos "madoff's" do nosso tempo. 



Entretanto, há uma figura, este aqui ao lado, que foi primeiro-ministro durante dez anos e que chegou a ter um défice nas contas públicas superior a 9%, que pouco se ralou com a Agricultura e com as Pescas, que nomeou cinco ministros da Educação em dez anos, responsável, portanto, pelas altas taxas de abandono e insucesso, que teve e certamente continua a ter amigos não recomendáveis, vários que deixaram um rasto de alegada corrupção ainda sob investigação, um político que, hoje, se comporta como membro do governo, que vê o desastre e não actua, que vê a pobreza e assobia para o lado, que vê o desemprego e não chama à atenção, que tem à sua frente milhões, desde as forças militares a outras, descontentes, em permanente manifestação de desagrado e deixa correr o marfim, que assiste à pouca-vergonha do assalto aos reformados e pensionistas e perante tudo isto e muito mais, continua por aí a dizer o óbvio, tipo timex, "que não adianta nem atrasa". 
Mas Sócrates foi o culpado e continuará a ser o culpado! Interessa que assim seja, pois tem de existir um bode expiatório. Obviamente que não estou aqui a ressalvar erros de governação, quem não os teve ou tem! Gosto, sim, é de aferir os comportamentos políticos pelos pratos da balança, E o que fica da propaganda é que Cavaco não tem nada a ver com o que se passa. Um santo! Por isso mesmo, fui reler a carta de Carlos Paz que pode ser aqui lida.
E, já agora, sobre Sócrates, deixo a posição de Óscar Mascarenhas sob a ridícula entrevista (pressupostamente, tratava-se de um comentário aos assuntos da semana) de José Rodrigues dos Santos a José Sócrates: "O "baile" de José Sócrates a José Rodrigues dos Santos...
Regra número não sei quantos do jornalismo: Nunca faças perguntas encomendadas pelo teu chefe/patrão ou pela tua prosápia, sem antes estudares bem os dossiês e o entrevistado. O José Rodrigues dos Santos, se tiver caráter, deve colocar no seu currículo a mais humilhante figura que fez esta noite quando tentou "atrapalhar" José Sócrates, prestando-lhe o favor de demonstrar que o entrevistado está em forma e em condição de defrontar todos na política dos nossos dia. Foi um "baile" que José Rodrigues dos Santos levou, a ponto de José Sócrates lhe dizer, a terminar, por outras palavras: "Para a próxima, preparem-no melhor." Se fosse comigo, ou fazia dos pés um berbequim para me enterrar ali mesmo, ou levantava-me, com "fair-play", e pedia desculpas ao entrevistado pelo frete ao patrão que não tinha conseguido fazer... (Se eu fosse de fazer fretes ao patrão...) Que lástima, José Rodrigues dos Santos! Quis mostrar como se faz à Cristina Esteves - que já interrompia Sócrates a despropósito, não lhe ficando nada bem o papel - e ainda fez pior. Espero que o catedrático de jornalismo passe o vídeo nas aulas e ensine: "Nunca façam esta figura que eu fiz."
Mas, repito, Sócrates continua a ser o culpado. Porque interessa que assim seja.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

OS PARTIDOS DO "ARCO DA GOVERNAÇÃO". QUE DESIGNAÇÃO TÃO ESTÚPIDA!


Sempre me perturbou a designação que por aí se ouve, desde políticos a jornalistas, passando por comentadores e eleitores em geral: "os partidos do arco da governação". Com o devido respeito pelas pessoas que utilizam, recorrentemente, aquela expressão, sublinho que a considero estúpida e sem qualquer sentido. É evidente que percebo o que querem exprimir, mas quando a utilizam estão, obviamente, a circunscrever a democracia a dois ou três partidos, passando todas as restantes correntes de pensamento a meros enfeites do processo democrático. É que a expressão induz no erro e influencia os comportamentos eleitorais. De tanto a repetirem, o eleitor pode ser levado a pensar que só A ou B podem ser poder político e que C ou D podem servir de bengalinha na lógica de que os "ovos não devem ser colocados todos no mesmo cesto". E isto tem conduzido, não podemos ignorar, a um pensamento político quase unanimista por toda a Europa, onde muitas vezes não se percebe onde terminam os princípios e valores de um partido político e começa o outro. 


Li, em Shiller, H., in The Mind Managers: "(…) Os gestores dos media criam, processam, refinam e presidem à circulação de imagens e informações que determinam as crenças e atitudes e, em última instância, o comportamento". De facto, quando produzem, deliberadamente, mensagens que não correspondem à realidade da existência social, os gestores dos media acabam por se tornar gestores das mentes. Quando falam do "arco da governação" estão, pois, a afunilar o pensamento quase único. 
Jorge de Campos, in A Caixa Negra, cita Jacques Piveteau: "(...) o espectacular transformou-se numa droga cujos efeitos não podem acalmar-se senão através do consumo sempre acrescido de doses cada vez maiores". Se o espectacular assim é, também o é a repetição do pensamento. De múltiplas formas fazem promover uma e só uma verdade. E a este propósito, K. Popper e J. Condry, no livro Televisão – um perigo para a democracia, alertam, por exemplo, para o facto da televisão ser, hoje, "incapaz de ensinar o que é necessário à sua evolução" (desenvolvimento), talvez porque transmitem a verdade conveniente! Por seu turno, Umberto Eco, in Apocalípticos e Integrados, adverte que a "civilização democrática salvar-se-á se da linguagem da imagem se fizer um estímulo à reflexão crítica e não um convite à hipnose". O que porém acontece é que, na linha de pensamento de Aor da Cunha, servem para "moldar, esticar ou comprimir imagens com textos que reproduzam a vida política, social, cultural e económica à sua maneira, conforme os critérios ideológicos e particulares do momento não só dos jornalistas, mas também segundo os "proprietários" dos emissores (…)". Há como que uma lógica ditatorial do pensamento único. Daí o "arco da governação". E os outros pensamentos? Ora, temos a Europa e uma grande parte do Mundo que temos porque há gente que "não conta". Que apenas compõem o ramalhete. 
Eu não aceito este quadro. E dou um exemplo, mesmo que ínfimo: ainda ontem assisti à parte final do programa "Parlamento" da RTP-Madeira. O pivot parecia estar a contar segundos, evidenciava interesse em terminar o programa (ver aqui os 60'' finais) e não se pôs com tolerâncias, exactamente no momento em que falava um deputado do PAN cortou-lhe a palavra de uma forma abusiva e indelicada para com o convidado e para com os espectadores. No entanto, à Deputada do PSD, houve momentos que mais lhe parecia estar a dar corda. Enfim, talvez porque pertença ao tal "arco da governação". 
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O PAÍS PERGUNTA... PASSOS COELHO ASSOBIA PARA O LADO!


O artista, tão embrenhado na decapitação do Estado, não conseguiu ouvir os assobios vindos do exterior, a partir dos representantes sentados naquela espécie de arena. Nem desses nem dos seus mais chegados "amigos" de partido. Por exemplo, ainda ontem, Manuela Ferreira Leite notou que "não augura nada de bom" ter uma "classe média em regressão acelerada com políticas que a enfraquece". Mas ele segue, impávido e aparentemente sereno, o seu caminho como se fosse portador de uma verdade absoluta. Para milhões que assistem ao espectáculo, trata-se do caminho da destruição, do empobrecimento sem retorno, do crescimento de milhares em depressão, mas para o"chefe" (nunca será líder de coisa alguma) aí reside o pressuposto que estas "escrituras da direita radical" garantirão o céu a todos quantos seguirem o seu fanatismo. Do que anteontem assisti concluo que estamos a ser conduzidos por uma seita global que tem os seus representantes na Europa e fiéis seguidores em Portugal. Desde entidades patronais até aos representantes dos trabalhadores, passando por todas as estruturas político-partidárias e, ainda, pela generalidade dos comentadores, o acento tónico é que este não é um caminho de sucesso. Só que o "nosso primeiro", com o devido respeito pelos sargentos, não consegue ver o óbvio e vai daí ajoelha-se frente às suas referências e venera-as com total devoção e submissão, de Christine Lagarde a Wolfgang Schäuble, passando por Merkel e Durão Barroso. Há qualquer coisa de politicamente doentio e que nos coloca todos doentes por contágio.



"O País Pergunta" e Passos Coelho não responde. O País pergunta pelo fim do tormento, do empobrecimento, do corte de salários, do roubo nas aposentações e pensões, pergunta, pelo fim do ataque à escola pública e ao serviço nacional de saúde, pergunta sobre as medidas de combate ao desemprego e pelo fim da emigração forçada. Passos Coelho não responde. Faz que não percebe, desvia a conversa, dá a volta e regressa ao ponto de partida, porque estamos em crise, os nossos credores, a honradez, a convergência do sector público com o privado, blá, blá, blá, blá. O quê, os 23% na restauração? Não, as pessoas não se queixam do imposto, mas sim, porque têm menor poder de compra, não vão aos restaurantes! Espantosa justificação! 
Naqueles noventa penosos minutos da RTP1 senti-me num circo, até pela configuração do espaço onde decorreu o debate, a assistir a velhos e repetidos números de malabarismo, de contorcionismo e até, com o devido respeito pela nobre profissão de palhaço, frente a um profissional dessa área, nada ingénuo e rigorosamente nada inocente. Leio que a palavra palhaço deriva do italiano paglia, que quer dizer palha, digo eu, foram noventa minutos de palha em espectáculo aberto, bem encenado, tentando uma empatia com o público, tratando-os pelo nome próprio. Ainda hoje sinto a má disposição. 
O artista, tão embrenhado na decapitação do Estado, não conseguiu ouvir os assobios vindos do exterior, a partir dos representantes sentados naquela espécie de arena. Nem desses nem dos seus "amigos" de partido mais chegados. Por exemplo, ainda ontem, Manuela Ferreira Leite notou que "não augura nada de bom" ter uma "classe média em regressão acelerada com políticas que a enfraquece" e frisou que "não há crescimento económico com elevadas cargas fiscais". Nem que "na prática estejam a ser dados outros nomes, como contribuições". Ele segue, impávido e aparentemente sereno, o seu caminho como se fosse portador de uma verdade absoluta. Para milhões que assistem a este espectáculo há dois anos com sessões contínuas, trata-se do caminho da destruição, do empobrecimento sem retorno, do crescimento de milhares em depressão, mas, para o "chefe" (nunca será líder de coisa alguma), reside aí o pressuposto de que estas "escrituras da direita radical" garantirão o céu a todos quantos seguirem o seu fanatismo. Do que anteontem assisti concluo que estamos a ser conduzidos por uma seita global que tem os seus representantes na Europa e fiéis seguidores em Portugal. Desde entidades patronais até aos representantes dos trabalhadores, passando por todas as estruturas político-partidárias e, ainda, pela generalidade dos comentadores, o acento tónico é que este não é um caminho de sucesso. Só que o "nosso primeiro", também aqui com o devido respeito pelos sargentos, não consegue ver o óbvio e vai daí ajoelha-se frente às suas referências e venera-as com total devoção e submissão, de Christine Lagarde a Wolfgang Schäuble, passando por Merkel e Durão Barroso. Há qualquer coisa de politicamente doentio e que nos coloca todos doentes por contágio. A insensibilidade é quase total. Primeiro, debilita as instituições, em velocidade moderada e regular, para desmantelá-las logo depois. Tem sido assim em sectores estratégicos fundamentais, da educação à saúde até aos de natureza social. A escola e a saúde tendem para a privatização, a segurança social para as seguradoras gulosas por dinheiro fresco. Mais grave ainda, com financiamento público. Para o Estado ficam as margens, os mais pobres dos pobres, qual dádiva, qual favor por existirem. Até os subsídios por morte não escaparam aos desígnios da seita!
Estou em crer que, lamentavelmente, a revolta vem a caminho. Com a reserva de eu pouco ou nada saber de psicologia e de sociologia no que concerne aos comportamentos humanos, penso ser fácil de perceber que o estado de medo poderá crescer ao ponto de um grito de revolta. Por enquanto as pessoas, encostadas à parede, parecem-me apavoradas, sentem os dramas mas acomodam-se, ao jeito de mais vale um do que nada, todavia, duvido que aguentem indefinidamente. Chegará a um ponto que poderão rebelar-se e aí instalar-se-á o caos.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 7 de julho de 2013

O ESCANDALOSO CASO RTP/RDP-MADEIRA


Devagarinho, passo ante passo, com pezinhos de lã, contacto aqui e outro ali, uns "bons" telefones, umas velhas amizades, umas partidas de golfe, um interesse de lá para se verem livres desta coisa de cá, e pronto, lá teremos mais um fatinho à medida dos interesses do PSD-Madeira. Como estão tesos que nem um carapau, obviamente, que os contactos há muito começaram para distribuir as percentagens das quotas a este e àquele "privado". São 49% a entregar aos amigos de sempre, àqueles que, certamente, beneficiários de muita coisa ao  longo de trinta e tal anos, agora, sentem-se na "obrigação" de não poderem fugir com o rabo à seringa. Tudo em nome da laranja! Uns não vão participar, é certo, porque os negócios caíram a fundo e estão a braços com problemas complicados, outros, estão na fila dos candidatos, porque há muito que fazem parte dos avençados do regime. Foram muitos anos de benesses, por via das concessões que lhes ofereceram de bandeja ou porque, apesar de tudo, as suas posições garantem a multiplicação dos euros. Os disponíveis estou em crer que irão (terão) cobrir as necessidades de quotização. E pronto, a não ser que o governo caia e que tudo volte a ser repensado, a RTP-Madeira corre o sério e grave risco de se tornar num enorme Jornal da Madeira.


Neste processo, eu compreendo o silêncio dos profissionais da RTP/RDP Madeira. É difícil tomar posição quando há famílias por detrás e responsabilidades individuais assumidas. Não há, por aqui, espaço profissional que possibilite saltar de empresa para empresa, mesmo quando é indiscutível a competência técnica que muitos evidenciam. O mercado é limitado e condicionado por múltiplos factores, eu sei. E trabalhar numa televisão ou numa rádio de serviço público não é a mesma coisa que trabalhar à peça ou em uma rádio local. É óbvio. É natural, por isso, que se gere um certo pavor, pelo menos para todos aqueles que mantêm um coluna vertebral óssea e não de plasticina, é natural que o medo e a incerteza conduzam a uma certa indiferença e que fiquem expectantes, portanto, penso que não é a esses que devem ser assacadas as grandes responsabilidades de confronto face a mais esta pouca-vergonha que estamos a assistir. Essas responsabilidades pertencem aos partidos, aos políticos sérios e honestos e ao povo em geral. É aos madeirenses e portosantenses que não querem ver o serviço público de rádio e de televisão subjugado a uma qualquer força política que detenha, circunstancialmente, o poder, que compete a luta pela independência desse serviço que tem raiz constitucional. É a todos nós que compete essa responsabilidade, através de uma reacção enérgica contra este "servicinho da República" aos "donos do poder regional". 
Eu acompanhei o dossier RTP-M durante alguns anos. Conheço como se processou a dança de cadeiras no poder bicéfalo da RTP/RDP. Sei das reuniões realizadas e as contradições legais. Sei, na altura, quantas acções foram empreendidas no sentido da reposição da legalidade e da descoberta de uma certa aldrabice política. Nessa altura, o poder regional e nacional fizeram algum compasso de espera durante algum tempo, todavia, hoje, voltaram à carga e estão a fazer tudo no sentido de entregar ao poder regional do PSD-M, de bandeja, um serviço que deveria ter a marca da independência. Não conseguiram a privatização da RTP, mas começam a deitar o rabo de fora relativamente à Madeira. Da minha parte continuarei a lutar para que a RTP/RDP não esteja sob as garras de um poder que já provou, através do Jornal da Madeira, o que entende por uma comunicação social livre.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

EDUCAÇÃO DESPORTIVA ESCOLAR (I) - INTERESSE PÚBLICO OU UMA CERTA CHUVA NO MOLHADO!


O tema desporto escolar não deve aparecer isolado de uma questão maior, a do sistema educativo. É pelo sistema educativo que devemos começar onde a área do desporto se integra e interage. Simplesmente porque o desporto não pode ser uma ilha dentro do sistema e de cada escola. Esta questão é de particular relevância, uma vez que se a missão e vocação da escola for reenquadrada, obviamente, que ao desporto educativo corresponderá a uma importância e um significado diferente daquele que tem na actualidade. Significa isto que não se pode ficar pelo "acho que...", mas pelo conhecimento e pela transformação que altere o paradigma vigente. Da mesma forma que não se pode falar da Educação Física sem contextualizá-la no tempo histórico, nas suas origens, fugindo à sua contextualização no tempo do nosso tempo. Há que conhecer e questionar como surgiu e porque surgiu, analisar a importante função que exerceu, para compreendermos se o seu tempo já terminou. Sempre que me reporto a estas matérias, trago em memória o posicionamento, de longa data mas sempre actual, do filósofo Doutor Manuel Sérgio: (…) Por mim sou em crer que se a Educação Física, se se deixa aferrolhar na torre de marfim onde virginalmente querem escondê-la, roubando-lhe o acto fecundante do contacto com as ciências do Homem, não excrescerá a mediania (…)".



A RTP-M considerou de "Interesse Público" um debate sobre o Desporto Escolar. Aconteceu na noite de Quarta-feira. Embora os verdadeiros problemas da Região tenham uma assustadora dimensão, merecedores de debate porque jogam, neste momento, com a sobrevivência de muitos milhares, não quero aqui hierarquizar prioridades que aos gestores do "serviço público" diz respeito. Se aqui escrevo é apenas porque  constitui matéria sobre a qual muito tenho reflectido e publicado. Mas já que o tema foi o desporto na escola aqui deixo uma primeira reflexão. 
Desde logo, registo, que o tema desporto escolar não deve aparecer isolado de uma questão maior, a do sistema educativo. É pelo sistema educativo que devemos começar onde a área do desporto se integra e interage. Simplesmente porque o desporto não pode ser uma ilha dentro do sistema e de cada estabelecimento de educação e ensino. Esta questão é de particular relevância, uma vez que se a missão e vocação da escola for reenquadrada, obviamente, que ao desporto educativo escolar corresponderá a uma importância e um significado diferente daquele que tem na actualidade. Significa isto que não se pode ficar pelo "acho que...", mas pelo conhecimento e pela transformação que altere o paradigma vigente. Da mesma forma que não se pode falar do desporto na escola sem questionar a Educação Física, sem contextualizá-la no tempo histórico, nas suas origens, fugindo à sua inserção no tempo do nosso tempo. Há que conhecer e questionar como surgiu e porque surgiu, analisar a importante função que exerceu, para compreendermos que o seu tempo já terminou. Sempre que me reporto a estas matérias, trago em memória o posicionamento, de longa data mas sempre actual, do filósofo Doutor Manuel Sérgio, um dos grandes pensadores mundiais sobre estas matérias:
(…) Por mim sou em crer que se a Educação Física, se se deixa aferrolhar na torre de marfim onde virginalmente querem escondê-la, roubando-lhe o acto fecundante do contacto com as ciências do Homem, não excrescerá a mediania (…). - A Prática e a Educação Física, 1985, pág. 11. E o problema é exactamente esse, quando assisto(i) a pessoas que continuam a aferrolhar esta disciplina, como se de uma vaca sagrada tratasse, quando melhor seria deixá-la fecundar-se pelas ciências do Homem. Lembro-me de Manuel Sérgio, em uma das longas e amigas conversas que manteve comigo, em minha casa, ter dito com aquela sabedoria expressa em poucas palavras: "tirem a bola à Educação Física e digam-me lá o que resta!". Nem mais, disse-lhe. E a conversa continuou dissecando um seu artigo de opinião que sintetiza as correntes filosóficas, sociais e o pensamento pedagógico ao longo dos tempos: "(...) nem científica nem pedagogicamente existe qualquer educação de físicos (...) a expressão Educação Física está incrustada numa ambiência social onde o estudo desta matéria não é conhecido (...) e, portanto, a Educação Física deve morrer o mais rapidamente possível para surgir em seu lugar uma nova área científica que mereça dos homens de ciência credibilidade, respeito e admiração" (Artigo de opinião publicado no DESPORTO Madeira, 27.06.03). E no livro Da Educação Física à Motricidade Humana (2002), no qual estive envolvido, o citado autor refere que é no quadro da Ciência da Motricidade Humana que falo de “uma nova Renascença, de uma época de construção de novas ciências, que procura encontrar a teoria da prática dos professores de Educação Física (…) "há que compreender como Heidegger, que existir humanamente é ser tempo. De facto, tudo é tempo e a Educação Física já teve o seu". Ora bem, mas não é apenas Manuel Sérgio que a esta mudança se refere. Entre tantos de uma extensa bibliografia, um outro, de quem também sou amigo pessoal, o Professor Gustavo Pires, catedrático na Faculdade de Motricidade Humana,  salienta no livro Desporto e Política – Paradoxos e Realidades, pág. 352 e 353:
"(…) O sistema de valores, os símbolos, a estética, o espaço e a estrutura do tempo são portadores de novas ideias e pensamentos que devem originar outras soluções organizacionais quando se trata de organizar actividades lúdicas, culturais, recreativas e formativas, em ambiente escolar. (…) Defender a Educação Física não é, por isso, insistir nos modelos e nas soluções do passado. Defender a Educação Física é sermos capazes de encontrar soluções de acordo com as realidades do nosso tempo. Numa dinâmica de futuro. E o futuro é o ensino do desporto". 
Ora, aqui convergem os dois pressupostos que inicialmente abordei: a mudança da instituição escola e, por extensão, a mudança do paradigma que enforma a Educação Física. Como entendo que ela não se deve "aferrolhar na torre de marfim", conhecendo todo o processo histórico e a evolução tecnológica, entendo que a escola portuguesa é hoje uma instituição desadequada da realidade e a Educação Física não faz, por conseguinte, qualquer sentido. Deve ser substituída pela Educação Desportiva. É preciso que assumamos que a Educação Física, hoje, não é nada. Há inquéritos mundiais que testemunham a sua crescente descredibilização e aceitação. E quando escrevo a palavra hoje refiro-me desde os anos 70 para cá. Fui aluno, em 1969, do Professor Nelson Mendes, autor do livro "A Humanização do Movimento" (1969). Na parte que consagra à Antropologia – ponto de partida, salienta: "É nossa opinião que a expressão Educação Física é actualmente uma expressão limitadora, estática e não válida. Não está mais em causa o físico ou soma como realidade existente em si própria. O físico não pode, actualmente, existir como objectivo específico de qualquer acção de âmbito educativo" (…) Esta expressão enquanto persistir como expressão actual, limitará forçosamente o seu verdadeiro significado e, portanto, qualquer acção nesse sentido". "(…) Há que situarmo-nos na corrente filosófica actual quanto à natureza do Homem e daí partir". Entretanto, passaram-se 44 anos…
Daí que, o "Interesse Público" de anteontem correspondeu a uma certa chuva no molhado. Teve alguns momentos interessantes, algumas intervenções de excelente conteúdo, mas, no essencial, não adiantou nem atrasou. Ficou tudo na mesma, com algumas particularidades que merecem, pelo menos da minha parte, novas reflexões. Por isso mesmo regressarei, porque há assuntos que não podem passar em claro. E se, neste texto, quedei-me pela questão da Educação Física foi apenas porque escutei intervenções que, infelizmente, vão no sentido de aferrolhar esta disciplina na tal "torre de marfim" como salientou Manuel Sérgio. Não resisto, porém, de deixar mais esta achega: "(...) A dita Educação Física, porque é física não pode ser raiz do conhecimento, dado que isola o físico do intelectual e moral e, assim, não é uma categoria gnosiológica, nem uma categoria sociológica – é um conglomerado de técnicas, sem qualquer tipo de fundamento válido. Não basta uma prática, precisa é de uma compreensão da prática, ou seja, a unidade prática-teoria: teoria essa que pretende interpretar e projectar a prática". Mais adiante: "(…) Educação Física: libertação ou alienação? Será alienação enquanto for física, pois que esta palavra apresenta uma clara significação ideológica. Na realidade, a Educação Física pode levar a uma definição de homem conformista, imobilizado no tempo (…) sem um projecto global de humanidade" - Manuel Sérgio, Algumas Teses Sobre o Desporto, pág. 65 e 66.
Nota: Uma grande parte das citações que aqui transcrevi constam do livro que publiquei em 2004: Ano Europeu da Educação pelo Desporto. 
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 23 de março de 2013

JOSÉ SÓCRATES - O REGRESSO AO COMENTÁRIO POLÍTICO


Considero, porque nós cidadãos não conhecemos missa metade, importante que José Sócrates adira ao comentário político. Comentário político que já fazia antes de ser primeiro-ministro com Santana Lopes. Será uma oportunidade de conhecermos outros pontos de vista, os outros contornos da realidade que nos contam e que nos fazem crer. As relações internacionais que manteve com os grandes líderes mundiais, o resultado desses contactos, a sua leitura dos mercados e as grandes contradições políticas internacionais, as imposições a que teve de se submeter, as suas dúvidas e os seus projectos, as angústias, enfim, existem múltiplos aspectos que ao cidadão comum interessa. Não acredito que a sua presença sirva para branquear seja o que for. Quem esteve atento e está atento, sabe que pode colocar em um dos pratos da balança o que José Sócrates fez ou diz e, no outro, as políticas menos bem sucedidas. E daí, livremente, retirará as suas conclusões. Agora, ter medo da sua presença na RTP, isso não. Para mim é um comentador tal como tantos outros. Ridículo é, na Assembleia da República, o CDS querer indagar o Director da RTP e que o PSD se sinta indignado com a alegada contratação de José Sócrates como comentador. Será que querem manter um bode expiatório para a actual situação em que Portugal se encontra?


Considero sem sentido esta polémica que se gerou em torno da alegada contratação do Engº José Sócrates como comentador da RTP. Chegou-se ao ponto de ter sido aberta uma "petição pública" na NET visando uma espécie de defesa do ex-primeiro-ministro. Não sei se as pessoas pararam um pouco para reflectir ou se reflectiram em andamento, na onda das várias posições tornadas públicas. É evidente que não sou portador de todos os contornos dessa alegada contratação, sei o que por aí li, mas isso, no essencial, pouco importa. Se a RTP irá ganhar mais audiência ou não, se com isso aumentará as receitas da publicidade ou não, sinceramente, são aspectos que não domino. Parto sim do princípio que um gestor, público ou privado, não deixa de lado tais aspectos que são de relevante importância no plano da competitividade empresarial. Mas, vamos por partes:
Primeiro: José Sócrates foi primeiro-ministro, valha a verdade, num período muito complexo da História no quadro das interacções económicas e financeiras mundiais. Quando vivíamos numa certa estabilidade, confirmam os números, no seu primeiro governo conseguiu baixar o défice público que se situava nos 6.83%, transitado do tempo do Dr. Durão Barroso/Santana Lopes, para 2,6% (2007 e 2008). Julgo que não nos podemos esquecer este aspecto e que essa significativa redução foi conseguida sem colocar em causa o apoio social que conheceu, a partir de 2005, um dos maiores e mais consistentes incrementos junto dos mais carenciados da sociedade. Cito de cor, por exemplo, a baixa no preço de 4.000 medicamentos que significou uma poupança para os portugueses de 726 milhões de euros; o Complemento Solidário para Idosos, instrumento poderoso para atenuar a pobreza de 200.000 portugueses; o apoio pré-natal quando começou a ser preocupante o défice de natalidade; o Salário Mínimo que cresceu 20%; o Abono de Família, uma das prestações mais importantes que cresceu 25% no mesmo período. Tratou-se, aliás, do maior aumento de sempre conjugado com o 13º mês desta prestação social; a Acção Social Escolar, baseado nos escalões do abono de família e que veio a beneficiar milhares de alunos e suas famílias; o apoio à parentalidade, onde a licença passou de cinco para dez dias de licença, acrescido de mais um mês caso o pai ficasse com a criança; a reforma da segurança social permitindo safar o País que se encontrava no abismo para uma situação de alguma garantia de futuro; a substancial melhoria do parque escolar; a obrigatoriedade do 12º ano; o investimento na investigação científica; as ligações viárias ao interior do país, etc.. Não apenas isto, mas também a significativa abertura de Portugal ao comércio externo (que hoje estamos a beneficiar), a questão das energias renováveis, enfim, entre tantos projectos que vi com interesse futuro. 
Segundo: E surgiu a crise externa, gravíssima, a pior dos últimos 70 anos, avassaladora ao ponto de varrer desde os Estados Unidos a toda a Europa. Veja-se a situação de Espanha, que tinha tido superavit e que está hoje com 25% de desemprego, a situação da Grécia, da Irlanda, da Islândia, da Itália, da própria França e agora do Chipre, entre outros que andam com o credo na boca. O sistema colapsou, mais por razões externas de natureza especulativa que internas, e isso penso que não pode nem deve ser atribuído a uma única pessoa. Está aos nossos olhos que Portugal, pequeno país, periférico, pobre, assimétrico e deficitário no plano industrial, nesta onda de desconfiança total, seria atingido com maior gravidade. Por outro lado, estamos a sofrer as consequências do desnorte e contradições das políticas europeias.  
Terceiro: Que houve erros, obviamente que sim. Aconteceram situações sobre as quais tive muitas dúvidas sobre a oportunidade. Não me posiciono porque não conheço os dossiers, concretamente, aos projectos de "alta velocidade" ou ao novo aeroporto, iniciativas que tanto deram que falar. Hoje, afloram que a Portela tende para o esgotamento e que a "alta velocidade", entre Lisboa e Madrid, afinal, parece fazer algum sentido. Começará pelo transporte de mercadorias e não tardará o de passageiros! Não sei e poucos saberão, pois são dois dossiers extremamente complexos. Não concordei, por outro lado, com o Europeu de futebol e com o investimento em estádios que, sabia-se, não terem um efeito multiplicador. Foi um erro. Uma outra, embora não dependendo do primeiro-ministro, foi a questão da supervisão bancária que veio a determinar, desde logo, o escândalo do BPN. Neste caso, ainda assim, estou convencido que a intervenção do governo, através do Ministro das Finanças, ficou a dever-se ao facto da dimensão do "buraco" não ser suficientemente conhecida. Havia, porventura, no contexto de então, o receio do contágio o que se tornava preocupante. Mas deixou-me muitas dúvidas, obviamente que sim.
Quarto: Na história recente da democracia nunca um primeiro-ministro esteve tão debaixo de fogo como José Sócrates, desde que tomou posse. Não vou aqui enunciar os casos, mas toda a sua vida foi permanentemente vasculhada, desde os bancos de escola até à riqueza da sua família, passando pelas decisões enquanto Secretário de Estado do Ambiente. E ainda continuam. A verdade é que nada se provou quer em Tribunal quer a outros níveis de natureza política e social. Momentos houve que fiquei com a impressão que era, politicamente, um homem a abater. Porquê, não sei. Mas foi sempre sensível um interesse em denegrir a sua imagem, vendê-la como um aldrabão, um interesseiro e um desonesto. A questão da TVI, na luta que travou com a jornalista Manuela Moura Guedes, o que posso dizer é que se lá estivesse teria procedido da mesma maneira. Aquilo não era jornalismo, era ataque intencional, feroz e infundado contra uma pessoa. E mais tarde, muitos concluíram que assim era. 
Quinto: Independentemente dos prós e contras da sua figura de político, dos que entendem que tem um trabalho meritório ou não, que foi mais apanhado pela tempestade financeira mundial ou não, José Sócrates é hoje um cidadão como qualquer outro. Tem o direito de viver  fora do País ou em Lisboa. A opção é sua. Julgo que não devemos ter reservas sobre o seu passado político, independentemente dos que estão a favor ou contra. E dou um exemplo: José Manuel Durão Barroso é tido - nas altas esferas da governação europeia e mundial - como o perfeito instrumento do Clube Bilderberg. Daniel Estulin, que investiga há muitos anos o Clube de Bilderberg, diz que as suas fontes lhe confirmaram que Henry Kissinger, um membro permanente de Bilderberg, terá dito o seguinte sobre Durão: é "indiscutivelmente o pior primeiro-ministro na recente história política. Mas será o nosso homem na Europa". Talvez porque abriu as portas dos Açores a uma reunião que determinou a invasão do Iraque! A História um dia narrará os bastidores desta acção. E questiono: o que é hoje a UE, com a sua responsabilidade, inviabilizará a sua alegada candidatura, em 2016, à Presidência da República? Provavelmente que não.
Sexto: Considero ridículo que, na Assembleia da República, o CDS queira indagar o Director da RTP e que o PSD se sinta indignado com a alegada "contratação" de José Sócrates como comentador. Será que querem manter um bode expiatório para a situação em que Portugal se encontra, uma vez que, volta e meia falam da herança política de Sócrates? Aliás, tal como na Região da Madeira, onde prevalece o inimigo externo, a República, para apagar a irresponsabilidade governativa regional. Talvez. E que razões levam a que ninguém fale de outros comentadores, entre os quais vários que foram ministros com responsabilidades governativas? E, já agora, quem se lembra que o Professor Cavaco Silva, primeiro-ministro durante dez anos, com duas maiorias absolutas, deixou o país com um défice de 8,9% do PIB.
Sétimo: Considero, por tudo isto, escrito ao correr do pensamento, porque nós cidadãos não conhecemos missa metade, que José Sócrates é bem vindo ao comentário político. Comentário político que já fazia antes de ser primeiro-ministro tendo como parceiro Santana Lopes. Será uma oportunidade de conhecermos outros pontos de vista, os outros contornos da realidade que nos contam e que nos fazem crer. As relações internacionais que manteve com os grandes líderes mundiais, o resultado desses contactos, a sua leitura dos mercados e as grandes contradições políticas internacionais, as imposições a que teve de se submeter, as suas dúvidas e os seus projectos, as angústias, enfim, existem múltiplos aspectos que ao cidadão comum interessa. Não acredito que a sua presença sirva para branquear seja o que for. Quem esteve atento e está atento, sabe que pode colocar em um dos pratos da balança o que José Sócrates fez ou diz e, no outro, as políticas menos bem sucedidas. E daí retirará as suas conclusões. Agora, ter medo da sua presença na RTP, isso não. Para mim é um comentador tal como tantos outros. Aliás, penso que a RTP deu um tiro certeiro no plano da competitividade empresarial. Os mais de 100.000 que votaram contra a sua presença da RTP, penso que estarão lá todos caídos para o ouvir. A televisão pública só ganhará com isto.  E logo veremos, já na próxima Quarta-feira, com uma entrevista inicial conduzida por Vítor Gonçalves. Da minha parte não estarei de pé atrás. Ouvi-lo-ei como a qualquer outro.
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

DAS "VIDAS À DERIVA", AO ASSALTO À TELEVISÃO, PASSANDO PELOS SILÊNCIOS CÚMPLICES


Os tais senhores também andam por aqui, passeiam-se há muitos anos na Região. Estão identificados, governam e governam-se. Parecendo "perdidos a velas e a remos", retomam um novo fôlego e toca a controlar o resto da comunicação social. "Serviço Público" independente e capaz de ir ao fundo das questões, isso não, pensam. Isso constituiria colocar em xeque muitos interesses e, sobretudo, abrir os olhos a muita gente. Importante, para além do Jornal da Madeira, é tomar de assalto a televisão, colocar lá quem bem querem e entendem, fazendo da comunicação social os grandes "gestores das mentes" da próxima fase política. Tudo com o aval de Lisboa, com o enervante silêncio do Presidente da República, mas tudo no prosseguimento desse controlo da sociedade que interessa a uns quantos, também aqui, nesta região, aos tais que se estão nas tintas para o desemprego de milhares desde que aumentem a sua riqueza por via directa ou indirecta.


"Vidas à deriva" é o excelente título atribuído pela jornalista Raquel Gonçalves a uma peça sobre aqueles que caíram no desemprego. O texto começa assim: "A frase é de Andreia, educadora de infância no desemprego deste Setembro do ano passado. Com duas filhas para criar praticamente sozinha, diz que já não faz planos. Vive um dia de cada vez, mas não esconde o calafrio daquela data exacta no calendário em que vai terminar o subsídio de desemprego". O quadro arrepia. Basta cerrar os olhos e interiorizar uma situação de desemprego face às despesas de todos os meses; interiorizar que existem filhos, habitação, alimentação, educação, saúde, água, energia, comunicações, televisão, vestuário e calçado, enfim, uma montanha de facturas que vão caindo e não ter possibilidades de equilibrar a balança; interiorizar a penosidade de uma situação desta natureza face à esperança criada e sonhos de uma vida com alguma felicidade; interiorizar a tortura psicológica de depender de outros, pais, avós, vizinhos e instituições de solidariedade social. Basta apenas isto, para nos situarmos na dor que muita gente sente. Gente que não viveu acima das suas possibilidades, mas que os senhores do mundo, assim querendo, atiraram-os, subtilmente, para o inferno da vida. Aqueles têm direito à carne, a toda a carne, os outros que se amanhem com os ossos, se houver! Um dia, estou certo, esta crise será explicada à luz da História, não a história que alguns nos querem contar ou fazer crer, mas uma outra que narrará a monumental, "inteligente" mas perversa engrenagem em que todos caímos. Ofereceram doces, muitos doces, criaram uma atmosfera de facilidades ao mesmo tempo que, matreiramente, foram retirando direitos, um aqui outro acolá, e o povo, melhor dizendo, os trabalhadores, pouco desconfiados, foram aplaudindo, não conseguiram ver longe, ao ponto de hoje estarem claramente encostados à parede. Os tais senhores, como nunca aconteceu, têm, de facto, a faca e o queijo na mão. Hoje, desesperadamente, milhares lutam pela sobrevivência, têm medo do amanhã e, apavorados, calam-se.
Os tais senhores também andam por aqui, passeiam-se há muitos anos na Região. Estão identificados, governam e governam-se. Parecendo "perdidos a velas e a remos", retomam um novo fôlego e toca a controlar o resto da comunicação social. "Serviço Público" independente e capaz de ir ao fundo das questões, isso não, pensam. Isso constituiria colocar em xeque muitos interesses e, sobretudo, abrir os olhos a muita gente. Importante, para além do Jornal da Madeira, é tomar de assalto a televisão, colocar lá quem bem querem e entendem, fazendo da comunicação social os grandes "gestores das mentes" da próxima fase política. Tudo com o aval de Lisboa, com o enervante silêncio do Presidente da República, mas tudo no prosseguimento desse controlo da sociedade que interessa a uns quantos, também aqui, nesta região, aos tais que se estão nas tintas para o desemprego de milhares desde que aumentem a sua riqueza por via directa ou indirecta. 
Ainda no passado dia 06 de Fevereiro aqui escrevi: "oxalá não tenha o Dr. Alberto feito a Ponte para que o "serviço público" seja entregue de mão beijada a quem diz o querer isento, objectivo e de qualidade, todavia à sua maneira, à maneira do Jornal da Madeira". Pelo que corre na praça, Alberto da Ponte (RTP) já terá feito o acordo com Alberto João (PSD). Deveria explicá-lo, urgentemente, na Assembleia Legislativa. São mais sete milhões, diz-se, e uns quantos despedidos! De uma assentada, a ver vamos, serão quatro milhões para o JM, mais sete para a RTP e, enquanto isto, pasme-se, as autarquias da Região apresentam uma média de 379 dias para pagar uma factura. Mas a do Porto Santo leva 864 dias! Como as empresas não suportam prazos desta natureza, as falências vão continuar a acontecer e o desemprego a aumentar. Mas o poder, esse, continuará nas mãos dos senhores que "roubam" embora vestidos a rigor. Esta próxima fase é, indiscutivelmente, a da "gestão das mentes".
É por isto e muito mais, Senhor Bispo António Carrilho, quero eu lá saber da "fé e oração" (a propósito da resignação do Papa Bento XVI), quando há tanta gente a passar mal. Mexa-se, denuncie através da Palavra, toda esta pouca-vergonha. No silêncio será cúmplice da pobreza e da desgraça das famílias.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

VERSÃO JORNAL DA MADEIRA NA RTP/RDP! PARA JÁ FOI "INCONCLUSIVO"


O problema é que o presidente da RTP, Alberto da Ponte, ainda ontem desvalorizou as críticas do chefe do executivo madeirense ao centro regional da Madeira, classificando-as de "manifestações normais" de um governante (...) que tem de chamar a atenção para aquilo que entende que deve chamar à atenção e nós temos que ouvir e decidir em consonância com a missão que temos, que é a missão do serviço público nacional". O problema também está aí, na subserviência, na ausência de postura e de coluna, pois ao acobardar-se perante tais declarações, implicitamente, colocou em xeque os trabalhadores da RTP/RDP. Saberá o presidente do Conselho de Administração que o dito senhor nunca respondeu, afirmativamente, aos convites da RTP/RDP para qualquer debate com a oposição? Que só gosta de falar a solo e quase impor as perguntas ao longo das entrevistas? Oxalá não tenha o Dr. Alberto feito a Ponte para que o "serviço público" seja entregue de mão beijada a quem diz o querer isento, objectivo e de qualidade, todavia à sua maneira, à maneira do Jornal da Madeira.

Será isto que o PSD deseja
para a RTP/RDP?
Há gente com uma incomensurável lata. Como diz o aforismo popular "não têm água com que se lave", mas continuam em uma espécie de arroto político a dizer coisas que só permitem uma muito sonora gargalhada. Há qualquer coisa de doentio nas declarações que produzem. Por exemplo, ontem, em comunicado, veio o PSD-Madeira defender: "uma RTP/RDP isenta, objectiva e com qualidade, nunca cúmplice da direita dos socialismos, bem como não esgrimida para combater a emancipação cívica que a autonomia política traduz direito ao povo madeirense". Ora bem, que entendimento terá o PSD sobre a isenção, objectividade e qualidade? Será aquele que, em uma só edição, publica 28, repito, 28 fotografias do Dr. Alberto João Jardim? Será que isenção, objectividade e qualidade é querer no "serviço público" RTP/RDP o mesmo comportamento que constitui a matriz editorial do Jornal da Madeira? Vinte e oito saíram na edição de anteontem, podem alguns dizer que se tratou de um suplemento, mas quantas e quantas edições com dez, quinze e mais fotografias? Quantas? Quantas edições quase pareceram um qualquer pasquim da Coreia do Norte, diariamente, em louvores ao "querido líder"? Quantas?
Gerir o "serviço público" de rádio e televisão
é muito diferente que vender cerveja!
O problema é que o presidente da RTP, Alberto da Ponte, ainda ontem desvalorizou as críticas do chefe do executivo madeirense ao centro regional da Madeira, classificando-as de "manifestações normais" de um governante (...) que tem de chamar a atenção para aquilo que entende que deve chamar à atenção e nós temos que ouvir e decidir em consonância com a missão que temos, que é a missão do serviço público nacional". O problema também está aí, na subserviência, na ausência de postura e de coluna, pois ao acobardar-se perante tais declarações do "chefe" regional, implicitamente, colocou em xeque os trabalhadores da RTP/RDP. Saberá o presidente do Conselho de Administração que o dito senhor nunca respondeu, afirmativamente, aos convites da RTP/RDP para qualquer debate com a oposição? Que só gosta de falar a solo e quase impor as perguntas ao longo das entrevistas? Oxalá não tenha o Dr. Alberto feito a Ponte para que o "serviço público" seja entregue de mão beijada a quem diz o querer isento, objectivo e de qualidade, todavia à sua maneira, à maneira do Jornal da Madeira. Para já o encontro foi "inconclusivo". Até ver.
No meio de tudo isto apenas me apetece pedir um pouco de vergonha na cara a quem exerce cargos ou funções políticas no governo ou no âmbito partidário. Sinceramente, não sei onde certas pessoas vão buscar tanta lata para dizerem que a RTP/RDP está politicamente "comprometida com a oposição" sendo "hostil aos autonomistas social-democratas, num claro desprezo pelas regras democráticas". É que esta gente que assim produz declarações, parte do princípio que todos são cegos, que a maioria não se apercebe da marosca, que apesar do analfabetismo e da incultura as pessoas não sabem ler os sinais, mais que não seja, os do dia-a-dia das suas confrangedoras vidas. Isenção... há cada uma!
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

"VERDE DE... BOLOR"


"(...) Mas como pode, afinal, "realizar a esperança" um homem que governa há 36 anos uma região falida? Como pode o coveiro convencer que há vida além morte? A única cor que dali prolifera é o verde da putrefacção. O verde da omissão, da incompetência e da imoralidade, da falta de transparência e da ilegalidade ou, na melhor da hipóteses, do bolor, de um fungo que é uma fitopatologia que habitualmente dá nas laranjas quando estão há demasiado tempo na fruteira". Excelente.
 
 
O bolor já está muito para além dos 50%
Há textos felizes, porque escorreitos, limpinhos, dizendo tudo em poucos parágrafos. Textos que não entram no confuso labirinto das palavras e das ideias. Tenho lido muitos assim e escorrem-me na garganta como mel. Sabe-me lê-los, não porque vão de encontro ao que penso, talvez um pouco isso, não nego, mas porque são clarinhos como uma água de nascente. Li, esta manhã, um desses textos, do Jornalista Ricardo Duarte Freitas (Diário de Notícias da Madeira), o qual, termina, qual girândola, relativamente ao homem que quer continuar a governar apesar das sete décadas de vida que leva: "(...) Mas como pode, afinal, "realizar a esperança" um homem que governa há 36 anos uma região falida? Como pode o coveiro convencer que há vida além morte? A única cor que dali prolifera é o verde da putrefacção. O verde da omissão, da incompetência e da imoralidade, da falta de transparência e da ilegalidade ou, na melhor da hipóteses, do bolor, de um fungo que é uma fitopatologia que habitualmente dá nas laranjas quando estão há demasiado tempo na fruteira". Excelente.
Tenho eu aqui divagado contra as políticas desse homem, desfasado no tempo político, responsável primeiro pela situação a que a Madeira chegou, centro e periferia de tudo o que aconteceu, o homem que ditou as regras do jogo político, amordaçou pessoas, atirou-as no Tribunal por terem, de uma forma mais contundente, uma opinião sobre a condução do processo político, um homem que colocou e retirou pessoas, que inventou mil e uma situações para desculpabilizar a sua governação, atirando para os outros responsabilidades locais, um homem que garantiu, através das suas políticas e proteccionismos de mercado, riqueza para alguns em detrimento de uma riqueza colectiva, um homem que, através das suas políticas, repito, destruiu o sistema produtivo, engrossou a fila dos desempregados e conduziu à morte centenas de empresas.
Um exemplo: aquilo que ainda ontem segui, através de uma reportagem da RTP-Madeira, foi dramático: em Câmara de Lobos, quase setecentas famílias, frente a um armazém, em espera por um saquinho com alguns produtos alimentares. Vi crianças, jovens e menos jovens a passar pela situação de mão estendida, em busca de um penso para uma dor que regressará findo aquele pequeno mas importante cabaz. E assisti, momentos antes, a uma peça sobre as obras no aterro, de claríssimo branqueamento sobre a justificação dos milhões que ali estão a ser enterrados, sem contraponto, sem ouvir, em estúdio ou não, outras opiniões que não as daquele estudo laboratorial. Também, certamente, foram realizados estudos para a marina do Lugar de Baixo e a natureza, que não envelhece, deu cabo daquilo tudo! Oxalá esteja eu enganado, mas a probabilidade é do desastre voltar a acontecer, agora, no Funchal.
Ora, por um lado, setecentas famílias pobres (entre 85.000 pobres que a Região tem, entre os quais 50% no quadro da pobreza persistente), por outro, vinte milhões gastos, sem efeito multiplicador visível, para gáudio da vontade de homem insensível às prioridades e ao drama que varre a população de uma ponta à outra. "É o verde da omissão, da incompetência e da imoralidade, da falta de transparência (...)". Nem mais.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

RTP: ACRESCENTAR FORTUNA À FORTUNA E CONTROLAR A INFORMAÇÃO


O privado está muito longe de cumprir estes itens constitucionais, mesmo quando existem compromissos escritos e assumidos. Acabam por resvalar porque o dinheiro fala sempre mais alto. Sabe-se que quem "arrematar" (gostaria de conhecer os reais motivos do ministro Miguel Relvas neste processo) tem logo à partida um lucro de 20 milhões de euros! Não me espantam, pois, as declarações do dr. Alberto João Jardim que, em comunicado, apoiou a decisão do governo em aceitar a demissão do Conselho de Administração da RTP "considerando que este utilizou o canal televisivo e a rádio públicas no arquipélago contra o governo regional", li no DN-Madeira. Para além de ser uma "grosseira mentira" que, aliás, o somatório dos tempos de emissão de reportagens provam, mentira própria de quem quer que o Centro Regional seja mais um Jornal da Madeira, não me causa espanto que os actuais gestores responsáveis pelo Centro Regional não tivessem colocado os seus lugares à disposição. Para mim é óbvio: se uma administração se demite, logo, todos os que dela dependem, devem apresentar a sua demissão. No mínimo, por uma questão de solidariedade, até porque foram convidados pela administração cessante. Não o terem feito deixa um rasto de pouca transparência! Será que esta posição tem dedo político?


Cheira a esturro esta história da venda e/ou concessão da RTP a privados. Como cheira mal, muito mal, a privatização da ANA e da TAP. Como é fedorenta a atitude privatizadora de tantos sectores que até hoje estiveram sob controlo do Estado. Esta fúria pela privatização de sectores estratégicos fundamentais, estes sucessivos actos de desmantelamento do Estado, com toda a certeza não carece de justificação, pois que está aos olhos de quem anda atento tudo quanto se esconde por detrás das atitudes políticas. Esconde-se, fundamentalmente, um posicionamento ideológico que não olha a meios para entregar a uns poucos a possibilidade de acrescentarem fortuna à fortuna. Aliás, questiono, se é bom para o privado por que razão não o é para o sector público? Concordo, neste aspecto, com a Ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, quando a semana passada defendeu que "está por provar que o sector privado tenha maior eficiência do que o sector público". Uma voz dissonante, vá lá saber-se porquê.
O caso da RTP é paradigmático esse interesse em desmantelar, mesmo quando, claramente, atenta contra um direito constitucional. O Artigo 38º é claro:

"Artigo 38.º
Liberdade de imprensa e meios de comunicação social
(...)
5. O Estado assegura a existência e o funcionamento de um serviço público de rádio e de televisão. 6. A estrutura e o funcionamento dos meios de comunicação social do sector público devem salvaguardar a sua independência perante o Governo, a Administração e os demais poderes públicos, bem como assegurar a possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião".
É evidente que a Constituição não refere que tal serviço possa ser desempenhado por um privado, mas parece-me óbvio que, depois da privatização, ficarão em causa a independência perante o Governo e demais Administração, bem como o confronto das diversas correntes de opinião. Por outro lado, julgo importante compaginar este Artigo 38º com o 78º:
"Artigo 78.º
Fruição e criação cultural
1. Todos têm direito à fruição e criação cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural.
2. Incumbe ao Estado, em colaboração com todos os agentes culturais:
(...)
d) Desenvolver as relações culturais com todos os povos, especialmente os de língua portuguesa, e assegurar a defesa e a promoção da cultura portuguesa no estrangeiro; e) Articular a política cultural e as demais políticas sectoriais".
Ora, o privado está muito longe de cumprir estes itens constitucionais, mesmo quando existem compromissos escritos e assumidos. Tarde ou cedo acabam por resvalar porque o dinheiro fala sempre mais alto. A prova é que já está quantificado em 20 milhões de euros de lucro a quem "arrematar" os canais públicos (gostaria de conhecer os reais motivos do ministro Miguel Relvas neste processo)! Neste quadro não me espantam, pois, as declarações do dr. Alberto João Jardim que, em comunicado, apoiou a decisão do governo em aceitar a demissão do Conselho de Administração da RTP "considerando que este utilizou o canal televisivo e a rádio públicas no arquipélago contra o governo regional", li no DN-Madeira. Para além de constituir uma "grosseira mentira" que, aliás, o somatório dos tempos de emissão de reportagens provam, trata-se de uma declaração própria de quem quer que o Centro Regional seja mais um Jornal da Madeira. Da mesma forma que não me causa espanto que os actuais gestores responsáveis pelo Centro Regional não tivessem colocado os seus lugares à disposição na sequência do pedido de demissão do conselho de administração em Lisboa. Seria o caminho natural, pois se uma administração central demite-se, logo, todos os que dela dependem, devem apresentar a sua demissão. No mínimo, por uma questão de solidariedade, até porque foram convidados pela administração cessante. Não o terem feito deixa um rasto de pouca transparência! Será que esta posição tem dedo político? Não sei, mas, em política, o que parece, é.
Por outro lado, o que se passa na Europa é tendencialmente de reforço do "serviço público" e por essa mesma razão a Comissão Europeia já manifestou interesse em conhecer os pormenores deste dossier. Por isso, a procissão ainda vai no adro com Relvas e Companhia a aproveitarem todo o tempo disponível. O futuro clarificará toda esta marosca.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 25 de agosto de 2012

ENGRENAGEM PERFEITA


Trata-se de uma experiência que se inicia por Portugal. Talvez pelas suas debilidades financeiras, por se encontrar de cócoras perante quem empresta dinheiro. Constitui uma oportunidade de tudo privatizar, de tudo o que possa gerar lucros directos e indirectos e, neste caso, de controlo da sociedade através do processo de informação. O que está em causa na RTP está muito para além do simples acto de privatização por, alegadamente, gerar despesa ao Estado. O que está em causa é moldar a informação e gerir as mentes em função dos interesses que não se descortinam em um primeiro momento. Ora, tudo o que cheire a dinheiro e a oportunidade de negócio, e se a isso podem juntar o desenvolvimento de uma determinada cultura, pois bem, lá estão eles na primeira linha, através de uns quantos testas de ferro conduzindo os processos para onde bem querem. Um dia todos perceberemos a verdadeira história da dupla Relvas-Borges e a sua fúria no desmantelamento do Estado!
 
 
A engrenagem é perfeita. A máquina funciona com as peças devidamente oleadas e com as pessoas politicamente perversas mas certas nos correspondentes lugares. Na política nacional António Borges é um deles. Li, em Maio passado, que António Borges saiu do FMI porque "não estava à altura do trabalho", o que pode colocar, numa primeira análise, algumas reservas sobre a sua competência. Mas não quero entrar por aí. Sei que foi "ex-quadro da Goldman Sachs e ex-director do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a Europa e que surge neste tabuleiro como um "peixe pequeno", mas que levanta sérias reservas tendo em conta a tarefa que tem agora em mãos", isto é, as privatizações. Das várias leituras deste processo, não me parece inocente a relação causa-efeito entre o facto  de ter passado por aquelas instituições  e a função que hoje desempenha. Marc Roche, autor de um livro, já premiado, que conta a história da Goldman Sachs (ver aqui) e de como este banco dirige o mundo, admite que existe uma relação directa: "(...) vejo gente da Goldman Sachs a aparecer por todo o lado em posições de poder, faz parte da marca do banco (...)". Marc Roche adianta, ainda:  "(...) o senhor Borges é um peixe pequeno, comparado com Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu, que trabalhou na Goldman Sachs, com Mário Monti, o primeiro-ministro italiano, que também trabalhou na Goldman Sachs, ou com Lucas Papademos, ex-primeiro-ministro grego". Isto é, há, de facto, uma engrenagem perfeita. O Dr. Pedro Passos Coelho, no quadro da sua ideologia política e "aluno" obediente nesta Europa de muitos biombos, ao nomear o Dr. António Borges para o processo de privatizações, dir-se-á que nada mais faz do que juntar as peças do puzzle no sentido de responder, eficazmente, ao que senhores imperadores desejam que o mundo seja.
Mas o que aqui me traz é a privatização da RTP. Uma privatização que julgo ser única na Europa. Mas tudo tem um começo. Trata-se de uma experiência que se inicia por Portugal. Talvez pelas suas debilidades financeiras, por se encontrar de cócoras perante quem empresta dinheiro. Constitui uma oportunidade de tudo privatizar, de tudo o que possa gerar lucros directos e indirectos e, neste caso, de controlo da sociedade através do processo de informação. O que está em causa na RTP está muito para além do simples acto de privatização por, alegadamente, gerar despesa ao Estado. O que está em causa é moldar a informação e gerir as mentes em função dos interesses que não se descortinam em um primeiro momento. Ora, tudo o que cheire a dinheiro e a oportunidade de negócio, e se a isso podem juntar o desenvolvimento de uma determinada cultura, pois bem, lá estão eles na primeira linha, através de uns quantos testas de ferro conduzindo os processos para onde bem querem. Um dia todos perceberemos a verdadeira história da dupla Relvas-Borges e a sua fúria no desmantelamento do Estado! 
Considero o caso da RTP uma pouca-vergonha nacional. Localmente, vejo Alberto João Jardim a esfregar as mãos de contentamento. Ele pode dizer que não está interessado, sobretudo pelos custos, mas sabe que alguém poderá tomar conta daquilo, satisfazendo, assim, os seus interesses. Ele vê ali mais um Jornal da Madeira onde deseja estar embora não estando. Que os trabalhadores se acautelem e que toda a oposição e toda a sociedade perceba o que está por detrás desta manobra.
Ilustração: Google Imagens.